FERNÃO LOPES – criador da prosa portuguesa



FERNÃO LOPES (1387-1450?) — "É o maior dos mais antigos cronistas, — escreve João Ribeiro — é o criador da prosa portuguesa e o primeiro exemplar do estilo da História". Fernão Lopes, de fato, supera os que, na época, manearam a nossa língua. Como historiógrafo, mantém-se adstrito à verdade e narra singela mas convictamente os fatos, deixando de parte os que lhe pareciam insuficientemente comprovados. "Pode dizer-se — conceitua Mendes dos Remédios — que as obras do grande historiador são o que a nos legou de mais perfeito". Como guarda do Real Arquivo, mais tarde Torre do Tombo, o velho cronista-mor do Reino pôde escrever as apreciáveis obras, cujo texto tem sido objeto de meticulosos estudos. São elas: Crônica d’El-Rei D. João 1, Crônica do Senhor Rei e Crônica do Senhor Rei D. Fernando. Críticos modernos atribuem a Fernão Lopes a possível autoria da Crônica anônima do Condestabre e deve haver outros trabalhos seus, de que talvez se tenham valido os sucessores no ofício, Zurara e Rui de

Pina É certo, em suma, que é êle "o principal prosador medieval", como assevera Fidelino de Figueiredo e"o primeiro que mais dignamente escreveu a História na Europa", consoante à opinião de Dias Gomes, apoiada por Ferdinando Denis.

Fernão Lopes

Uma Caçada (Séc. XV)

El-Rei Dom Fernando era muy queremçoso de caça e monte homde quer que sabia que os havia boons, filhamdo em ello gramde prazer e desemfadamento; e porque o certificarom que em terra da Beira, e por riba de Coa, avia boons montes dhussos e porcos em gramde avomdança, fezsse prestes com toda sua casa, e da Rainha, e muytos monteiros, com sabujos e alaaos, e levou caminho daquela comarca. E fazemdo em elles gramde matamça, acomteçeo huum dia que o Iffamte se encontrou com huum muy gramde husso, e jumtousse tamto a elle pollo ferir amamtenente, que o husso firmou bem seus pees, e levantou os braços por o arrevatar da sella, e o Iffamte quando esto vio, empicotousse tamto sobre a sella que foi de todo sobre o arçom deamteiro e o husso temdendo as pomtas das maãos pollo filhar, alcamçou o arçom derradeiro da sella tavarenha segundo en-tonçes husavom, e arramcou o arçom com uma gramde aljava da amca do cavallo e o Iffante por todo isto nom o leixou, e assim sem arcom e com o cavallo ferido, voltou sobrelle pollo remessar, e nunca se delle quitou, ataa que sobreveheram outros, e lho ajudarom a filhar nas azcumas.

(Crônica de D. Fernando, ed. de M. dos Remédios, apud Joãõ Ribeiro, Selecta Cláss., 4.a ed., pp. 55-56).

Obras

Fonte das Obras: Wikipedia

 

 

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