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GRANDES INVENÇÕES E REALIZAÇÕES ESTUPENDAS


 

INVENÇÕES E REALIZAÇÕES ESTUPENDAS

Henry Thomas

A imprensa — a primeira das grandes invenções

PODEROSAS e gigantescas máquinas atiram diariamente milhões de páginas nas mãos sôfregas de uma grande multidão. Imensas florestas são devastadas num só ano para prover de bastante papel o ventre faminto das máquinas de impressão. Porque a imprensa — podemos bem chamá-la de primeira das grandes invenções — é um dos milagres da vida moderna. A máquina de impressão tem a seu cargo a gigantesca tarefa de prover ao cotidiano alimento mental da raça humana. O primeiro educador no mundo de hoje é a página impressa. Todos os ramos da ciência e do saber dependem da imprensa para preservação e distribuição do saber especializado.

A imprensa é uma invenção relativamente recente. E’ verdade que os antigos chineses tinham um tosco de impressão manual, com blocos de madeira. Mas a impressão com tipos móveis, como hoje conhecemos, não tem ainda 500 anos de idade. Três países reclamam para si a honra da invenção. Na Holanda, Coster, já imprimia com tipos móveis aí por 1446. Na Alemanha, Gutenberg começou a imprimir mais ou menos pelo mesmo tempo. E na Inglaterra, Caxton montou uma impressora sua, logo poucos anos depois.

O primeiro livro completo, todavia, foi impresso na Hungria, em 1473.

Daquele dia até hoje, tem a imprensa caminhado a passos espantosamente rápidos. Que imensa diferença existe entre o prelo de Gutenberg, com capacidade para poucas dúzias de páginas por hora e o prelo que pode imprimir 300.000 exemplares de jornais de oito páginas no mesmo período de tempo!

A moderna máquina tipográfica de grande velocidade que é o Linotipo resultou do aperfeiçoamento da invenção de Ottmar Mergenthaler, de Baltimore, em 1885. Outras invenções c aperfeiçoamentos mecânicos tornaram praticamente todos os ramos da imprensa quase que uma operação automática.

Nas oficinas dos jornais de hoje, hábeis e ligeiros tipógrafos tocam levemente as chaves elétricas de direção das maravilhosas Linotipos e as letras se reúnem em palavras e as palavras em linhas. Logo que as linhas estão reunidas, são automaticamente moldadas em linhas de metal. Estas linhas de tipo são então arranjadas em páginas e moldadas em sólidas lâminas, em forma de telhas, para se adaptarem aos cilindros dos gigantescos prelos rotativos, que imprimem, dobram e cortam os grandes rolos de papel, no próprio tamanho do jornal. Esta rápida manipulação dos vários processos mecânicos de impressão torna possível, somente aos editores dos Estados-Unidos, publicarem nada menos de 15.000 jornais e periódicos, com uma circulação conjunta de perto de 30.000.000 de cópias. Acrescentai a isto a constante produção de milhões de exemplares de livros, panfletos, prospectos e outras coisas impressas e tereis verificado quão básico e indispensável é o prelo em nossos dias.

A magia da máquina a vapor

JAMES WATT, o fabricante de instrumentos mate máticos de Glasgow, é o pai da moderna máquina a vapor. Verdadeiramente, operários que o precederam, haviam construído toscas máquinas para retirar a água das minas inglesas de carvão; mas coube ao gênio e à habilidade mecânica de Watt converter a lenta e ineficiente máquina do seu tempo em algo de semelhante ao veloz e poderoso Juggernaut de hoje. Os resultados de seus engenhosos esforços deram o primeiro impulso à Revolução Industrial. Porque naquela loja escocesa havia nascido (em 1785) a primeira e bem sucedida máquina a vapor, o primeiro invento prático, posto nas mãos do homem para acorrentar a abundante provisão de energia natural. A força da água havia sido na verdade utilizada desde muito tempo. Mas afinal um mecânico não pode carregar uma cachoeira por toda a parte, como a sua caixa de ferramentas.

Desde o aparecimento da máquina a vapor, temos tido muitos outros tipos de máquinas, máquinas a gasolina, motores elétricos, máquinas de ar comprimido, motores Diesel e assim por diante. Mas nenhuma exerceu maior influência sobre a indústria que a máquina a vapor. Por meio dessa máquina, uma soma de força igual ao esforço conjunto de cincoenta mil cavalos tornou-se aproveitável para executar as imensas tarefas da construção moderna e da moderna locomoção.

Absurdamente simples foi o princípio em que se baseou o pai da moderna máquina a vapor para trabalhar. O vapor, como todos os gases, tenta expandir-se quando comprimido. Tudo o que deve ser feito, pois, é domar essa força de expansão e obrigá-la a fazer trabalho útil.

Suponhamos que temos uma caldeira, qualquer espécie de caldeira, e que produzimos nela grande quantidade de revoltas nuvens de vapor aquecido. Imaginemos agora que temos uma caixa de ferro, com um cilindro e um pistão. Imaginemos ainda que o pistão está junto da parede esquerda do cilindro. Agor^ deixemos que nossa densa nuvem de vapor penetre na caixa de ferro, entre o cilindro e a parede esquerda. O vapor tenta desesperadamente expandir-se, e as paredes do cilindro firmemente o contêm. Mas o pistão não está fixado solidamente; pode mover-se e assim o faz. Move-se diretamente através do cilindro, continuamente forçado pelo próprio vapor. Suponhamos que logo que chegue perto da parede direita de seu trajeto, interrompamos o jato de vapor. O pistão, sem dúvida, virá gradualmente a ficar em repouso. Agora admitamos a entrada do vapor entre o pistão e a parede direita; o cansado pistão é forçado a retomar sua marcha, mas em direção oposta.

Agora executemos toda essa operação rapidamente, e então teremos nossa máquina a vapor alternativa! O pistão voa para a frente e para trás e ao mover-se, condena-se a ulteriores movimentos, porque, ligadas a êle, por um eixo, estão as válvulas que, alternadamente, abrem e fecham as duas entradas de vapor. E assim realizámos um motor ou uma máquina, porque ao pistão podemos casar um volante e dessa forma movimentar um maquinis-mo, tudo isso sem nenhum dispêndio de esforço muscular de nossa parte. Decerto que a natureza nunca é tão liberal que nos forneça toda essa energia de graça. Temos que dar alguma coisa como compensação. No caso da caldeira a vapor, devemos alimentar a máquina com carvão ou madeira, afim de produzir o vapor. Introduzimos energia calorífera e convertemo-la em energia mecânica.

O tipo de máquina que acabamos de descrever passou por vários melhoramentos, desde século e meio para cá. Mas as características essenciais têm permanecido sem modificações. Tornaram-na maior, mais eficiente (embora raramente consiga sua eficiência ultrapassar de 25 por

cento, isto é, três quartos da energia calorífera aproveitáveis são desperdiçados, enquanto que somente um quarto se torna utilizável como energia mecânica) e tem sido construída em variadas formas melhoradas. Mas todos os melhoramentos permanecem sobre os mesmos princípios básicos.

Graças à máquina a vapor, o mundo se tornou menor e mais amigo. Porque o navio a vapor e o trem de ferro converteram os habitantes de distantes comunidades e continentes em vizinhos de paredes meias. Em 1784, Fitch inventou o barco a vapor. Em 1804, a máquina de Watt foi pela primeira vez experimentada numa . Hoje o barco a vapor pode transpor o Atlântico em menos de cinco dias e os trens podem alcançar uma velocidade de 120 milhas por hora. E assim a máquina a vapor marca outro grande adiantamento do homem na sua paulatina, porém, firme conquista da natureza.

O romance do telefone

ALEXANDRE GRAHAM BELL, o inventor do telefone, procedia duma curiosa linhagem de antepassados escoceses. Seu avô e seu pai tinham-se dedicado à estranha profissão de ensinar os mudos a falar. Alexandre enveredou pelo mesmo caminho. "Deu a palavra humana ao inerte fio de cobre".

Foi um desses dias de letra vermelha na folhinha da história aquele em que Alexandre Graham Bell enviou sua primeira mensagem através do fio, num hotel de Boston. O inventor estava em um quarto e seu auxiliar em outro. As históricas palavras de Bell a seu auxiliar foram as seguintes: "Senhor Watson, venha cá, preciso do senhor." Isso ocorreu a 10 de marco de 1876.

Bell, que era naquela ocasião de elocução na Universidade de Boston, não foi o único que tentou inventar o telefone. Quando tirou êle sua patente em Washington, conseguiu pôr-se à frente de um competidor, Elisha Gray, pela escassa dianteira de duas horas apenas.

O telefone foi olhado a princípio como luxo. Hoje, menos de duas gerações após sua invenção, consideramo-lo quase tão necessário como o ar que respiramos.

Que é o telefone? Que estranha combinação é essa de boca e de ouvido, que nos possibilita falar cm Boston e ser ouvidos em Los Angeles? O mecanismo é muito simples: um par de baterias, um fio e algumas peças de aço e granulos de carvão. Quando tomamos o fone e dizemos alô, as vibrações de nossa voz ferem uma delgadíssima peça de metal no bocal (o diafragma) que, por sua vez, transmite essas vibrações a uma caixinha de grãos de carvão. Ora, esses notáveis grãozinhos de carbono são o coração do transmissor telefônico. Quando eles são bem apertados uns de encontro aos outros, permitem que dimane mais corrente da bateria (usualmente situada na estação central) do que quando estão separados. Daí, quando falamos no bocal, pequeninas vibrações no diafragma causam pequeninas vibrações nas posições dos grãos de carbono e estes, por sua vez, causam pequeninas vibrações na corrente elétrica, em toda a extensão da linha. Agora, o outro lado da linha está ligado a um eletro-magneto. Este eletromagneto colhe as pequeninas vibrações que viajam pela corrente elétrica, duma a outra extremidade da linha. E assim o ciclo fica completo. As vibrações de nossa voz ativam o diafragma transmissor, ou boca, que lança para fora uma corrente para ativar o diafragma receptor, ou ouvido. E dessa forma, o fio de cobre é capaz de falar com voz humana.

Há, atualmente, mais de 80.000.000 de milhas de fios telefônicos nos Estados-Unidos. O número total de aparelhos usados nesse país passa de 20.000.000. Já é possível telefonar nossos recados não apenas através do país, de Nova York a S. Francisco, mas através do oceano de Nova York a Londres, e de S. Francisco a Tóquio. Efetivamente, os habitantes dos Estados-Unidos podem agora comunicar-se, por meio do telefone, com sessenta outros países do mundo inteiro.

E agora surge o mais recente aperfeiçoamento do telefone, a telefotografía. Éste aparelho pode fotografar e transmitir retratos quase instantaneamente, duma extremidade do globo à outra.

A maravilha da telegrafia

QUANTO tem Deus criado" foi a mensagem com que, em 1838, Samuel Morse espantou o mundo. Com um golpe, tinha Morse derrubado as barreiras de séculos e permitido que as nações se comunicassem através do globo, por meio de uma nova linguagem internacional, uma linguagem de pontos e traços e de estranhos estalidos metálicos. Desde os primitivos dias do tam-tam até os pôneis expressos do século XIX, têm os homens tentado comunicar-se uns com os outros tão rapidamente quanto possível. E agora, afinal, com umas poucas peças de metal, um par de baterias e uma série de fios delgados, Morse conseguiu ligar todas as partes do mundo com uma cadeia mágica de metal.

Como de costume, o mundo não acreditou, porque o mecanismo era demasiado simples, demasiado claro, demasiado bom para ser verdade. Um eletromagneto (isto é, um pedaço de ferro enrolado por fios) está ligado a uma bateria por meio de uma chave. Quando a chave está fechada, o eletromagneto torna-se "ativo" e faz bater um martelinho. Quando a chave está aberta, o magnetismo se anula e o martelinho salta para trás. Espaçando racionalmente as batidas do martelo, podeis produzir sons distintos na extremidade receptora. Estes sons podem ser regulados para se produzirem com curtos ou a longos intervalos. Um curto intervalo é, no código telegráfico, chamado ponto, um longo intervalo é um traço. Cada letra do alfabeto é representada por uma diferente combinação de pontos e de traços. Por exemplo, um ponto seguido de um traço significa a letra a; dois traços formam a letra m e assim por diante. E é este o sistema simples que nos torna capazes de enviar nossas mensagens através do globo, quase que num piscar de olhos.

"Não se pode conseguir isso", era o veredicto quase universal em 1865, quando Morse propôs cruzar o Atlân-

1»_20 tico com um cabo telegráfico. Mas o cabo foi colocado.

E "não se pode conseguir isso", foi mais uma vez a sentença, quando Morse disse ao mundo que esse cabo conduziria uma mensagem da Inglaterra à America. Mas, para estupefação dos incrédulos, a mensagem foi levada. E essa primeira mensagem eram os cumprimentos da rainha inglesa Vitória a seus primos , do outro lado do Atlântico. A mensagem levou exatamente quatro minutos a transpor o oceano, novo record na triunfante carreira de obstáculos que o homem perfaz, por cima das barreiras do espaço.

O romance do rádio

O DIA 20 de julho de 1937 foi um dia de luto para toda a raça humana, porque naquele dia o rádio espalhou por todo o globo a triste notícia que seu inventor, o grande Marconi, havia morrido.

A invenção do rádio é a história de uma insuperável realização mental e de coragem moral. Como no caso do telégrafo, um mundo céptico olhava zombeteiramente

para o que Marconi procurava fazer: inventar o telégrafo sem fios. Inúmeras vezes, ficavam todos a dizer que "não se poderia conseguir isso". E talvez o mundo tivesse razão para se mostrar céptico, pois outros haviam tentado a mesma experiência e foram mal sucedidos. Marconi não era o primeiro a acreditar que a comunicação sem fios era possível. Mas foi o primeiro a converter essa teoria em realidade. Nascido em Bolonha (1874), de pai italiano e mãe irlandesa, mostrou precoce aptidão pelas matemáticas. Com a idade de 21 anos começou a fazer experiências com ondas elétricas. Estava convencido já então de que um "som" elétrico pode ser conduzido pelo ar para ser interceptado em algum ponto distante.

Sua primeira oportunidade de experimentar sua teoria ocorreu quando servia êle no corpo de sinaleiros do exército italiano. Era tarefa sua fazer brilhar mensagens por meio de um espelho, para outros soldados italianos que estavam estacionados à distância de uma milha. Um dia não houve sol e dessa forma não podia o espelho ser utilizado. Era a oportunidade para Marconi. Inventou um instrumento para produzir impulsos elétricos e outro para recebê-los. Por meio destes dois aparelhos, enviou seu sinal aos companheiros que se achavam a uma milha de distância. Foi a primeira mensagem sem fios da história.

Seu trabalho posterior foi aperfeiçoar seus aparelhos sem fios de modo que pudessem transmitir seus sinais a maiores distâncias. Em breve, podia transmiti-los a uma distância de 120 milhas. Estimulado por esse êxito, ofereceu sua invenção ao governo italiano. E o governo italiano recusou-a!

Marconi ficou desapontado, mas não se desencorajou. Levou sua invenção à Inglaterra e, afim de convencer o inglês, enviou uma mensagem sem fios através do Canal.

E então, com o auxílio do inglês, aprontou-se para seu próximo e ousado passo: a transmissão de uma mensagem sem fios da Inglaterra à América. Os cientistas riram diante dessa idéia. Mas Marconi continuou sua marcha para a frente. Deixando seus assistentes na Inglaterra, tomou êle próprio um navio para a Terra Nova. Uma série de S’s, três pontos no código Morse, era o sinal combinado.

Quando Marconi chegou à América, lançou ao ar um papagaio de papel a que estava ligada uma antena de fio de cobre. O papagaio foi arrebatado pelo vento. Durante seis dias sucessivos, Marconi repetiu a experiência, mas cada vez o papagaio não conseguia interceptar a mensagem.

E afinal, a 12 de dezembro de 1901, quando seu papagaio pairava no ar, Marconi ouviu três fracas batidas no receptor telefônico. O-inglês lhe estava falando através das ondas etéreas! O rádio havia nascido naquele dia.

O outro dia-feriado para Marconi foi 30 de maio de 1924, quando conseguiu enviar a voz humana da Inglaterra à Austrália. Daquele dia em diante, o desenvolvimento do rádio tem sido rápido, e a história das triunfantes da voz humana em torno do mundo, é conhecida de todos.

Quanto a Marconi, continuou seus esforços para aperfeiçoar o rádio até nos últimos dias de sua vida. Seu objetivo era duplo: proporcionar prazer à raça humana e dar-lhe saúde. Suas derradeiras experiências foram no campo das ondas curtas. Acreditava que poderia aperfeiçoar um aparelho de micro-ondas para dissolver tumores internos sem auxílio da faca do cirurgião. Sua morte prematura (tinha êle apenas 63 anos quando faleceu) foi uma grande perda para a humanidade.

Marconi recebeu talvez mais honrarias que qualquer outro homem de seu tempo. Mas o que lhe causou maior orgulho foi uma medalha de ouro com que o presentearam os sobreviventes do Titanic. Porque o SOS, que salvou tantas vidas no Titanic, foi a primeira mensagem sem fios lançada de bordo de um grande navio.

O triunfo da televisão

TELEVISÃO, sonho de apenas uma geração passada, e televisão, realidade de hoje! Tempo houve, como nos dias dos magos de Harun-al-Raschid e dos mágicos da Europa, em que anular distância era coisa sobrenatural, arte do tinhoso. E agora, ainda fresca de seus últimos triunfos no laboratório, a televisão salta para diante, pronta a tomar seu lugar entre as provadas maravilhas de nossa era.

De todos os milagres da ciência, a televisão teria parecido o mais incrível para nossos antepassados. Nem mesmo a imaginação de um Eduardo Bellamy ou de um Júlio Verne teria ousado profetizar um tempo em que o homem seria capaz de ver através de paredes de tijolos opacos e impenetráveis montanhas rochosas. Contudo o milagre aconteceu. Graças aos pacientes Merlins de nossos laboratórios, o invisível tornou-se visível. O homem começou afinal a ver o invisível.

A televisão é filha do rádio. Delgados tubos de vácuo, alguns rolos de fio, folhas de estanho separadas por mica, só isto, e vede, a humanidade foi dotada de um novo olho.

Muitos dos maquinismos do rádio permanecem ainda como vitais auxiliares da televisão. Mas o coração da televisão é guarnecido de finos tubozinhos que diferem das válvulas do rádio. Chamam-se células fotoelétricas e servem para criar tênues vibrações de corrente elétrica quando a luz brilha sobre eles. Dirigi um raio de luz, de qualquer luz visível, para dentro da célula e uma corrente elétrica dimanará; quanto mais forte a luz, maior a corrente. Retirai a luz e a corrente cessará. Na realidade não

passa de transmutação de energia luminosa em energia elétrica.

Desde que as fotocélulas (chamam-se assim mais sucintamente as células fotoelétricas) possuem a propriedade de produzir uma corrente, na proporção da luz recebida, podeis facilmente ver como é possível transmitir um retrato ou imagem. Porque suponde que projetamos uma imagem sobre uma tela, e suponde depois que a tela consiste em miríades dessas fotocélulas. Então cada fotocélula corresponderá à quantidade de luz que cai sobre ela; e a quantidade de corrente passada em cada célula será uma fiel reprodução dessa proporção de luz. Agora imaginai que temos outra tela formada de comuns lampa-dazinhas para tirar fotografias à noite, e imaginai em seguida que cada fotocélula da primeira tela está ligada por fios a uma correspondente lampadazinha da segunda tela. E agora reparai: se uma fotocélula sofre a ação de um raio de luz sobre si, enviará uma pequena corrente elétrica pelos seus fios e assim iluminará a lampadazinha correspondente; se cair mais luz sobre ela, a lampadazinha brilhará ainda mais. Ora, se tivermos uma imagem inteira, isto é, um grande número de raios luminosos, projetada na tela de fotocélulas, teremos uma imagem correspondente na tela das tais lampadazinhas. Aqui tendes, numa casca de noz, todo o segredo da televisão.

Esta é uma descrição reconhecidamente grosseira das complicadas telas, em mosaico e fluorescentes, atualmente usadas, ou dos atuais métodos de colher a imagem e sincronizar os sinais. Mas é o suficiente para dar-vos a chave do mistério. Uma discussão mais completa levar-nos-ia demasiado longe, na complicada terra das maravilhas da Física, a ciência responsável por esse mosaico fotocelular, o olho mágico da televisão.

E depois, que virá? Em breve poderemos, por meio da televisão, ver as secretas ações de nossos amigos. Será a ciência capaz de nos fazer penetrar no recesso dos pensamentos deles? Quem sabe? No reino mágico da ciência, nada é impossível.

O milagre da eletricidade

IMAGINAI, se quiserdes, uma existência sem luz elé trica, sem bondes nas ruas ou cinemas, sem rádio, sem refrigeração elétrica, motores elétricos ou automóveis, e sem as outras mil e uma comodidades, que consideramos como as necessidades comuns de nossa vida cotidiana. No entanto, poucas gerações nos separam de uma vida assim. A maravilha da eletricidade! Quão completo é o seu domínio sobre a nossa moderna civilização! Um toque de nosso dedo, um simples movimento num interruptor, e milagres se realizam. A eletricidade é hoje a mais poderosa amiga da raça humana. Mas é uma amiga volúvel e perigosa. Se manejada sem cuidado, pode tornar-se um inimigo implacável.

Ninguém sabe o que seja a eletricidade. Muitos sábios têm estudado a questão, mas nenhuma resposta satisfatória foi ainda encontrada. Talvez, como parece possível, preserve a natureza tenazmente este último e maior de seus segredos, com medo de que, uma vez atingido, possa o Homem saborear o fruto proibido do saber universal. Mas como pode ser produzida a eletricidade, O que a transporta, como ser utilizada, transformada, regenerada, armazenada, em suma, quase todas as suas aplicações práticas estão agora bem definidamente dentro do campo da visão dos sábios. Desde as clássicas experiências de Volta e Galvani (aí por 1780), sobre os efeitos elétricos produzidos pelo toque de dois metais diferentes nas pernas de uma rã, uma imensa literatura surgiu, com a descrição e a explicação da vasta e surpreendente série de aplicações iniciadas por aquelas descobertas. Até mesmo a mesquinha rã alcançou assim a honra de ser uma benfeitora da raça humana.

Em breve Volta descobriu que, mergulhando zinco e cobre numa solução de ácido sulfúrico, podia formar uma bateria elétrica, uma célula voltaica. Contudo, se o mundo para ter energia elétrica houvesse de depender de baterias, receio que nossas contas de luz elétrica seriam muito maiores do que são agora. Mas apareceu Miguel Fara-day e espantou o mundo com o seu primeiro gerador, ou dínamo. Agora, afinal, podia-se transformar a provisão de energia oculta da natureza, quer em forma de carvão, água ou gasolina, em utilizável energia elétrica. Dali por diante, cada década via gigantescos progressos na arte de domar as forças nativas da eletricidade. Primeiro veio o motor elétrico, que é pouco mais do que um gerador ao contrário. Depois veio a luz elétrica incandescente, legado de Edison. Foi seguida de grandes progressos na comunicação e na telegrafia. Ao findar o século, descobriu-se que, por meio de uma faísca elétrica, podia-se inflamar uma mistura de ar, água e gasolina. E dessa forma a "auto-carruagem sem cavalos", ou automóvel, nasceu. Depois veio o rádio, e o milagre de Emerson, de um tiro ouvido por todo o globo, tornou-se um atual lugar-comum da vida diária.

Hoje, a eletricidade intercala-se em quase todas as fases da atividade humana. Possibilita aos raios X a exploração dos mistérios do corpo humano. Movimenta os aparelhos de diatermia e envia o calor do sol aos mais profundos tecidos dos que sofrem alguma doença. Produz febre artificial. Dissolve tumores do cérebro. Decifra, com o auxílio do cardiógrafo, os segredos físicos do coração. Movimenta e faz parar os complicados maquinis-mos das fabricas modernas. Corta pesadas lâminas de aço como pedaços de papel de seda e faz partir, em Nova York, urna corrente que pode abrir uma ponte ou descarregar um canhão em S. Francisco. A eletricidade é a "fonte explosiva" que provocou nova vida, nova energia e nova ambição no até então lerdo progresso da raça humana. Antes do século XIX, o homem avançava a passo de caracol. Agora está correndo para a frente nas verdadeiras asas do raio. Da estimulação das pernas de uma rã à movimentação da locomotiva, que transporta milhares de toneladas, foi um passo de apenas um século.

Mas de onde vem a eletricidade? Os sábios estão começando a achar uma resposta para esta pergunta. Talvez não saibamos precisamente o que seja a eletricidade, mas estamos caminhando gradativamente para o misterioso lugar de seu nascimento. A eletricidade, crêm agora os sábios, é a manifestação do movimento de elétrons, minúsculas partículas de matéria ou energia. De que tamanho são estas partículas? Ora, são necessários 1845 elétrons para formar o menor dos átomos conhecidos, o do hidrogênio. E qual o tamanho de um átomo? Não tão grande que possa ser visto pelo mais poderoso microscópio, nem mesmo que o multipliqueis um milhão de vezes. E dessa forma, tentai imaginar, se puderdes, a infinitesimal pequenez da partícula de energia elétrica chamada

Elétron.

E contudo — maravilha das maravilhas! — os cientistas foram capazes de avaliar o próprio peso de um elétron. Este peso é exatamente o seguinte:……….

0,000.000.000.000.000.000.000.000.000.001 de uma libra. E cada elétron contém tão pouca eletricidade que são precisos cerca de 1.000.000.000.000.000.000.000 deles para produzir uma corrente de um ampère apenas!

Esses maravilhosos elétrons fazem parte da estrutura de todos os átomos, e daí podemos concluir que toda matéria é essencialmente elétrica na sua constituição.

Mas que é a eletricidade? Qual é a matéria? E que é essa terceira misteriosa faculdade que tenta ponderar estas questões e que nós chamamos pensamento? Até agora não nos é possível dizê-lo. Podemos apenas discorrer em círculo, em torno delas. Assim observava um filósofo: "Que é o pensamento? Uma questão de eletricidade. E que é eletricidade ? Não é matéria. E que é matéria? Não faça caso!"

A conquista do ar

LEMBRAI-VOS da história de Ícaro e Dédalo que, com o auxílio de asas pregadas em suas costas por meio de cera, elevaram-se da terra, alto, bem alto, no céu, até que o ardente calor do sol fundiu a cera e atirou-os para baixo como pesos de chumbo, para que encontrassem a morte? Esta fascinante história não passa, sem dúvida, de um mito. Mas sua profecia, mesmo como a de Dario Green e sua máquina voadora, tem-se cumprido muito além de toda a expectativa. Há apenas quarenta anos que o povo meneava a cabeça e dizia: "O que? Voar em máquinas mais pesadas do que o ar? Ora, é contra a razão humana. Não pode ser feito!" Mas dois intrépidos jovens americanos, Wilbur e Orville Wright, arrostaram as rajadas do espaço e as zombarias de seus amigos, e em 1903 inventaram um tosco aparelho de asas que podia realmente voar. Em 1906, o brasileiro Santos Dumont fazia em Paris os primeiros ensaios com o seu monoplano leve do tipo ãemoiselle (libélula); estas experiências fizeram dar um passo decisivo à aviação. Para os que nasceram depois da invenção do aeroplano, voar é um fato, não mais maravilhoso que os outros comuns auxiliares da existência cotidiana, tais como comer, dormir, ir ao escritório ou ao cinema. Mas os que como nós, viviam em 1903 podem ainda recordar-se, com um nó na garganta, daquele dia em que os jornais anunciaram o milagre dos milagres de toda a história: "O homem voa através dos ares!".

Apenas uma geração transcorreu após o vôo dos irmãos Wright. Hoje, pode-se dizer que o aeroplano conquistou completamente o espaço. Os poderosos pássaros de aço têm circundado o globo, têm ultrapassado em velocidade e em altura a águia, e têm traçado novos e até então inacessíveis caminhos através do espaço, de ao Polo Norte e à Califórnia do Sul, num vôo ininterrupto de mais de 6.000 milhas.

Há muitos meios de medir o progresso da raça humana. Mas a melhor medida de todas, talvez é esta: duzentos anos atrás eram precisos três dias para viajar de Boston a Nova York. Hoje podeis fazer a mesma viagem de aeroplano em cerca de duas horas.

Tão rápido tem sido o desenvolvimento extraordinário da aviação que é possível hoje construir um aeroplano que voe completamente em redor do globo, com uma carga de combustível. Há alguns aviões, como o CHINA CLIPPER, que pode transportar de cincoenta a sessenta toneladas de peso bruto, sem contar a tripulação e o combustível. Os aeroplanos podem ser construídos para voar a 9.150 metros ou mais. Efetivamente, alguns dos recentes aviões de bombardeio do Exército dos Estados-Unidos carregarão 4.000 libras de explosivos, durante 8.000 milhas, a uma altura de 10.675 metros, e com uma velocidade de 300 a 400 milhas por hora! A que distância estamos dos dias (passaram-se apenas três gerações) em que nossos avós perfaziam uma longa e solitária viagem através do continente, em carroças cobertas!

Contudo a aviação está bastante longe de repousar à sombra dos louros até hoje alcançados. Pelo contrário, está rapidamente adquirindo novos e engenhosos inventos com o fim de promover a segurança —• mesmo agora extraordinariamente elevada — e a eficiência dos navios do ar. O inventor tem executado maravilhas na anulação da resistência do vento. Notai os novos grandes aeroplanos. Depois que eles tomam o vôo, o aparelho de aterragem é destramente dobrado e puxado para o corpo do aeroplano, de modo a não opor resistência ao vento. Notai especialmente as aperfeiçoadas linhas aerodinâmicas das partes principais, comparadas com as primitivas e toscas armações de papagaio. Nas suas aperfeiçoadas secções de asas, nos seus supercarregadores e nas suas hélices de posição variável (de modo que o vóo em elevada altitude, através da , pode tornar-se econômica e cientificamente exequível) nos seus novos autogiros (de modo que os aeroplanos podem aterrar em baixas velocidades), em seus instrumentos, tão precisos que o "vôo cego" se tornou uma realidade, em todos esses aspectos, os modernos aeroplanos são nada menos que autênticos milagres do engenho humano.

Que terá o futuro reservado para a aviação? Velocidade, velocidade, velocidade! Há segurança no vôo. E’ praticamente silencioso. Está se tornando rapidamente econômico. Todos os esforços tendem agora para o aumento da velocidade da aviação. Há razão para crer que uma carreira de seis horas de Nova York a Londres será dentro em breve uma questão de fato cotidiana, seis horas de suave viagem, a 500 milhas por hora, num camarote fechado à altura de uns 15.000 metros, muito além do incômodo da neblina, da nevasca, da tempestade. Isto significará mais estreitos liames comerciais e sociais entre as nações. Significará uma melhor compreensão entre homem e homem. Será um passo definitivo na direção da paz universal.

Maravilhas da

Pontes

A PRIMEIRA ponte foi construída há cerca de 12.000 anos. Essa ponte era pouco mais que uma grosseira junção de três troncos postos lado a lado. Daquele dia até o século XIX, a ciência de construir pontes adiantou-se a passos rápidos. E depois esse passo acelerou-se de maneira ainda mais espantosa. Da ponte de Brooklyn,

construída em 1883, à ponte de Golden Gate (portão de ouro), completada em 1937, têm os engenheiros executado proezas quase inacreditáveis de mágica científica.

As mais maravilhosas das modernas pontes são a ponte de Storstrommen, em Copenhague, a Ponte Tribo rough, em Nova York, e a ponte de Golden Gate, em S. Francisco.

A ponte de Storstrommen, com mais de duas milhas de extensão, (mais de 3 mil metros) é a mais comprida ponte da Europa. Não é somente uma maravilha de engenharia, mas um belo espetáculo. E’ formada de cin-coenta arcos, e à distância, assemelha-se a um comprido monstro das profundezas, erguendo-se das águas e arqueando o dorso para receber o sol, ao estender-se sobre muitas pernas, de uma à outra margem.

A ponte de Triborough é consideravelmente mais comprida do que a ponte de Storstrommen. Sua estrutura estende-se a uma distância de mais de três milhas e meia e seu mais comprido vão é um arco suspenso a uma altura de 420 metros. Tendo custado sua construção a quantia de 60.300.000 dólares, (1 bilhão e 206 milhões de cruzeiros) é ela um imenso e apropriado marco na cidade das coisas imensas.

Muito maior, porém, mesmo do que a ponte de Triborough, de Nova York, é a ponte de Golden Gate de S. Francisco. Cobre uma distância de quatro milhas e meia, sobre águas navegáveis, e alcança, de uma extremidade à outra, um total de oito milhas e meia. Essa ponte é a mais espetacular realização de engenharia do século XX. O arco principal está suspenso a 1.281 metros, sendo o mais longo vão jamais erigido. Gastaram-se quatro anos e 77.000.000 de dólares, (1 bilhão e 540 milhões de cruzeiros) na construção dessa ponte. Foram usados para os cabos de suspensão, nada menos de 80.000 milhas de fios. O tráfego nessa ponte é enorme. Se os automóveis que a atravessam só num ano, fossem postos uns atrás dos outros, dariam quase duas vezes a volta do mundo!

Estradas

Gostaríeis de viajar: sobre uma estrada de borracha, de algodão ou de sal? Sonho de histórias de fadas? Não, coisa atual nos Estados-Unidos. Dentro dos últimos dois anos, os construtores de estrada de rodagem têm feito experiências com as mais características substâncias, afim de tornar as estradas mais duráveis e menos dispendiosas.

Na Nova Inglaterra, têm sido experimentadas junturas de borracha em estradas de concreto, afim de evitar as protuberâncias que geralmente aparecem nas velhas junturas de asfalto. Em muitos dos Estados do Médio-Oeste, certo tecido de algodão tem sido usado para reforçar as estradas betuminosas. No Estado de Nova York, muitas estradas têm sido talhadas no cristal de rocha, com excelentes resultados. As estradas não só se têm conservado bem, sob intenso tráfego, mas foram encontradas intactas após inundações grandes.

Fora dos Estados-Unidos têm-se realizado igualmente interessantes experiências na construção de estradas. Em Queensland, na Austrália, todo um trecho de estrada foi construído inteiramente de borracha. Na Alemanha, foram feitas numerosas "estradas de alumínio". Consistem elas numa mistura de alumínio, pólvora e breu. Mostraram-se capazes de resistir ao uso e estrago do tráfego pesado e do sol ardente. A mais interessante das experiências na construção de estradas, ocorreu na índia. Naquele país de grandes calores e de excessivas chuvas, uma mistura de areia e melaço deu em resultado uma estrada que é durável, sem pó, e de custo barato.

Bastante estranho é que a mais duradoura e a mais dispendiosa de todas as estradas, não é uma rodovia moderna, mas antiga. Para ser exato, essa rodovia tem 2.200 anos de idade. Chama-se a Via Appia. Construída pelo censor romano, Appio Cláudio, em 312, antes de Cristo, conserva-se até os nossos dias como um modelo de perfeição geométrica e de permanente resistência.

O primeiro decisivo triunfo da máquina a vapor realizou-se em 1819, quando o navio a vapor SAVANNAH cruzou o Atlântico em 26 dias. Daquela data até hoje, temos visto o quase desaparecimento do navio a vela e a construção de leviatãs dos mares, tais como o BREMEN, o CONTE DI SAVOIA, o QUEEN MARY e o NOR-MANDIE. Estes navios têm sido chamados "hotéis flutuantes". Seria mais exato chamá-los "cidades flutuantes". Porque cada um desses navios é por si mesmo uma cidade. O NORMANDIE, por exemplo, tem mais de trezentos metros de comprimento. O QUEEN MARY é apenas lm,80 mais curto. Esses navios, e vários outros semelhantes, bastam-se completamente a si mesmos, pois têm desde jornais até piscinas, desde campos de jogos até salão de leitura, desde geradores de energia elétrica até correios.

Uma tremenda e transbordante cidade de gente que se diverte, eis o que é um moderno navio. Uma cidade em movimento. Em cada ano aumenta a velocidade desse movimento. Em 1492, gastou Colombo setenta dias para cruzar o Atlântico. O primeiro navio a vapor, como vimos acima, fez a viagem em vinte e seis dias. Mas durante dezoito deles, viu-se forçado a usar de rodas laterais, para auxiliar as máquinas. Em 1856, o tempo de travessia foi reduzido a nove dias; em 1900, a cinco dias e meio; em 1933, a quatro dias e meio; e em 1935, o NORMANDIE foi da América à Inglaterra, numa distância de 3.015 milhas náuticas, no tempo-record de quatro dias, três horas e vinte e oito minutos

Túneis

Uma das mais estupendas façanhas da engenharia moderna é a perfuração de túneis, através de muitas milhas de montanhas rochosas. O túnel da Montanha de Bitter Root, em Montana, tem duas milhas de comprimento; o túnel Hoosac, em Massachusetts, tem quase cinco milhas de comprido e o túnel da Cascata, (Cascade Tunnel), no Estado de Washington, tem mais de sete milhas de extensão e é "reto como um cano de espingarda".

Ainda mais espantosos são alguns dos túneis da Europa. O túnel do Monte Cenis, que liga a à França, tem oito milhas de comprimento; o túnel Loetschberg, na Suíça, tem nove milhas de comprido; e o túnel de dupla via, que liga as cidades italianas de Florença e Bolonha, atravessa os rochedos resistentes dos Apeninos, numa extensão de mais de onze milhas. Na construção desse túnel (1920 a 1930), perderam a vida nada menos de noventa e oito operários.

E notai este fato espantoso: embora os engenheiros tenham traçado seu caminho, cegamente, através da sólida rocha, sua percentagem de erro foi quase nula. O túnel de S. Gotardo, entre a Suíça e a Itália, foi perfurado na extensão de nove milhas, por baixo de uma cadeia de montanhas, que se eleva em alguns pontos a uma milha acima da turma de construção. Foi preciso dar-lhe sinuosidades em espiral para ligar o nivel mais baixo da via férrea, numa extremidade do túnel, com o nivel mais alto na outra extremidade. Contudo os ousados engenheiros abriram dois buracos nos lados opostos da cadeia de montanhas e depois de muitas voltas e espirais, deram com um erro de menos de 0m,30 no ponto predeterminado no meio. Os engenheiros que construíram o túnel Hoosac fizeram bem melhor que isso, porque seu erro de cálculo foi menos de um centésimo de polegada I

Represas

Mais de um bilhão de dólares de dinheiro federal tem sido gasto, há poucos anos passados, no desenvolvimento da energia hidroelétrica. Um dos maiores desses projetos é o das obras dos Muscle Shoals, no vale do Ten nessee (o T V A). Embora ainda incompletas, já custa-

ram mais de 300.000.000 de dólares (16 bilhões de cruzeiros). Três grandes represas contêm o rio, enquanto que o próprio açude Wheeler forma um lago artificial com umas oito milhas de extensão! O Boulder Dam, na fronteira Califórnia-Nevada, é um projeto federal que já foi completado. E’ o mais alto açude do mundo, erguendo-se num grande arco da altura de mais de 200 metros acima do rio. Ali detém abruptamente a corrente do vasto Colorado, fazendo-a retroceder para um lago de mais de 58.000 Hm2 de área.

Grandes projetos tais como esses incendeiam a imaginação. Mais uma das forças naturais está sendo domada e posta à disposição do homem pela ciência. Desde as primitivas represas do Nilo para regular suas enchentes, no ano 4.000 antes de Cristo, até a criação dos imensos lagos artificiais internos do século XX, se desenrola outro dos fascinantes capítulos da triunfante história da engenharia.

As maravilhas mecânicas da casa moderna

GOSTARÍEIS de ter uma nova criada? Não, ela não custará muito caro e será maravilhosamente eficiente. Trabalha vinte e quatro horas por dia e sete dias durante a semana. E que trabalho! Tudo feito admiravelmente e um serviço que vos garantirá a mais completa satisfação. Está parecendo tolice, não é? Mas o seu nome, bem o conheceis: é a Eletricidade.

Vamos começar, por hipótese, com a adega de vossa casa. Cuidar do forno e retirar as cinzas foi sempre coisa muito aborrecida, não é exato? Levantar bem cedinho

para atiçar o fogo e descer mais tarde para ajuntá-lo. Por que não deixar que o moderno fogão de petróleo, controlado eletricamente, torne esse penoso serviço uma coisa do passado? Acendei o fogo em outubro e não vos lembreis mais dele até maio!

Que mais tendes na adega? Uma lavanderia, provavelmente: uma máquina de lavar elétrica que, por uns 25 cruzeiros por ano, fará todo o vosso serviço de lavagem, rápida, completa e eficientemente; um secador elétrico que executará sua tarefa tão bem quanto o sol e um ferro elétrico que vos passará as roupas de maneira bem mais agradável que o pesado serviço de outrora. Nada de lastimaçÕes por causa de comida e de pagamento, na-da de pedido para saídas às quintas-feiras de noite e aos domingos, e nada de impertinências e de acessos de mau humor: a mais maravilhosa criada-para-todo-serviço!

Vinde comigo agora. Subamos as escadas. Ah! Vejo em vossa cozinha um refrigerador elétrico. Aposto que não sentís a falta do passo pesado do homem do gelo e do aborrecimento de não terdes sempre cheia a caixa de gelo. E tendes também um fogão elétrico de cozinha. Formidável! Mas que é isso? Não há lavador elétrico de pratos, não há incinerador elétrico dos restos de cozinha, não há frigideira elétrica de ovos, não há caldeira dupla elétrica? Realmente não pensais que a Criada Eletricidade não vos deixaria fazer todas essas coisas? São elas sem dúvida úteis, e em milhares de casas, também, dão a seus afortunados possuidores muito menos trabalho e muito mais tempo para divertirem-se.

Demos agora um passeio por dentro da casa. Hum… está tudo bem empoeirado e bolorento. Não, eu não queria fazer críticas ao seu asseio doméstico. Mas por que não ter um condicionador de ar que conserve a atmosfera sempre suave, fresca e limpa? E a propósito, comprai um refrescador de quartos e um mata-mosquitos. Trabalham também por meio de eletricidade. Vejo que tendes um relógio elétrico, uma aspiradeira de pó., um filtro elétrico, Uma elétrica amassadeira de bóio e um torrador elétrico.

Muito bem! Mas acrescentemos a isso, uma lâmpada de sol, de modo que tenhais vossa pele radiantemente saudável e queimada de sol, mesmo se não puderdes gastar dinheiro com um inverno na Flórida ou na Califórnia; e uma almofada elétrica de aquecimento; e uma máquina elétrica de exercício para o preguiçoso Joãozinho dará excelentes resultados. Aposto que gostaríeis também de um rádio na cozinha, para alegrar vossas manhãs.

Isto ainda não é tudo quanto a Criada-para-todo-ser-viço, a Eletricidade, fará por vós, barata e continuamente, mas é bastante para demonstrar quão completamente se apossou a Eletricidade do lar moderno, para transformá-lo num verdadeiro palácio de conforto e beleza. A idade dos velhos escravos já passou. Uma nova era de escravidão se inicia. E nesta nova era, pode haver toda casta de luxo para o senhor, sem injustiça para o escravo. Salve a Escrava do Século XX, a Eletricidade !


Fonte: Maravilhas do conhecimento humano, 1949. Tradução e Adaptação de Oscar Mendes.

 

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