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História da floresta da Tijuca no Rio de Janeiro


Tijuca

É um vastíssimo setor de verdura e de beleza, que envolve o oeste do Rio de Janeiro, estenáendo-se em larga faixa por mon­tes, quebradas, planaltos e gargantas, desde o Andaraí-pequeno ao mar, Barra da Tijuca.

“Diadema verdejante da Capital da República” chamou-lhe Ferreira da Rosa.

E é, com efeito.

A natureza e a mão do homem juntaram ali quanto poderia desejar-se de belo, gracioso e encantador.

A terra é fértil e abundante de águas.

A floresta é densa, densíssima por vêzes, e reune muitos dos mais ricos exemplares das árvores e essências brasileiras.

Palmeira, bambus em pródiga abundância, cipós a encostarem-se aos troncos e a penderem dos ramos em franjas capricho­sas, fetos arborescentes, orquídeas, rasteira. . . tudo aproveita ali a fecundida da terra e a fácil riqueza do ar.

Quem percorre a linda floresta da Tijuca, ainda que seja de fugida, não pode deixar de reconhecer, com Caminhoá, que em volta da formosa Guanabara, também “as florestas são magnífi­cas, e quase tão grandiosas como nas províncias mais setentrio­nais do Brasil”. As que existem no interior do Pará são ben^ se­culares e majestosas, é verdade; porém, não superam em formo­sura e variedade a encantadora floresta da Tijuca.

A povoar as extensas matas vem uma fauna variada e abun­dante; as pacas deliciosas, o jacu grande, o mico, o tatu, o ouriço, a juriti, a apreciadíssima capoeira, e aves canoras em barda:

Joao-de-barro, saís, sabiás, coleiros, bem-te-vis, cambaxiras, gatu­ramos, galos da serra. . . um nunca findar de enumeração, se hou­vera de as contar tôdas.

Até os mosquitos abundam e, entre êles, o terrível borrachu­do, que, sem zumbido perceptível, ataca pela calada e ferra como um herói!

Fontes, correntes, cascatas e represas, topam-se a cada passo à sombra deleitosa do arvoredo, espargindo a mãos largas em tôda a região frescura e vida.

Ruas, alamedas, avenidas, estradas e carreiros, cruzando-se na floresta em tôdas as direções, reunindo-se, como para reclamo aos visitantes, aqui e além nos largos e nas esplanadas.

O clima é ameníssimo. Ainda quando o Rio, em baixo, es­tua de calor, a Tijuca, 400 metros e mais de altitude, é fresca e desafogada com o ar puro das matas e com as brisas do mar.

Parece um caminho do paraíso terreal!

Por isso não falta quem a prefira ao Corcovado pelo número, qualidade e extensão das belezas que possue, e pelos panoramas deslumbrantes que apresenta, dominando um dêles — o do Pico — o próprio Corcovado.

A. de Meneses.

Fonte: Seleta em Prosa e Verso dos melhores autores brasileiros e portugueses por Alfredo Clemente Pinto. (1883) 53ª edição. Livraria Selbach.

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