MANOEL DE CARVALHO PAES DE ANDRADE



Biblioteca Academia Paulista de Letras – volume 7.

História da Literatura Brasileira TOMO I. vol 3.

 LIVRO PRIMEIRO Época de Transformação () 2º período (Fase Patriótica)

Artur Mota ( Arthur Motta) (1879 – 1936)

CAPÍTULO IV (continuação)

OUTROS FAUTORES DA INDEPENDÊNCIA

MANOEL DE CARVALHO PAES DE ANDRADE

Nasceu em , entre 1774 e 1778, a 21 de dezembro e faleceu no Rio de Janeiro a 18 de junho de 1855. Era filho d< Manoel de Carvalho Paes de Andrade e D. Catarina Eugenia Ferrein Maciel Gouvin.

BIBLIOGRAFIA

1) Análise do projeto do governo para as províncias confederadas e que a; deve reger em nome da Soberania Nacional das mesmas províncias. — Rio d( Janeiro, Tip. Nacional, 1824, 8 págs. in foi. É o número 7.314 do Catálogo ãi Exposição.

2) Projeto de Constituição para as províncias confederadas. Na "Rev. do Inst. Hist."; Contrariedade ao Libelo formulado contra M. de C. P. de A. — tomo 30; pág. 167.

FONTES PARA O ESTUDO CRÍTICO

 Dias Martins (Padre) — Os mártires pernambucanos.

 Pereira da Costa (F. A.) — Dic. biog. de pernambucanos célebres, pág. 653.

 Sacramento Blake — Dic. Bibliog. Brasileiro, 6.° vol., pág. 46.

 Ulysses Brandão — A Confederação do .

NOTÍCIA BIOGRÁFICA

Na mocidade transferiu-se para Portugal, a convite do tio; mas, em conseqüência da invasão francesa, abrigou-se na Ilha da Madeira, onde pouco se demorou. De volta a Pernambuco entregou-se à carreira comercial.

Tomou parte ativa no movimento revolucionário de 1817, reve-lando-se corajoso e intransigente, clamando pela "Republica e só república e morra para sempre a real".

Com o malogro da revolução, refugiou-se nas matas de engenho SanfAna da freguesia de Jaboatão, até que conseguiu embarcar para os da América do Norte.

Decretada a anistia geral de 1821, volveu aos pátrios lares e foi nomeado para o cargo de intendente da Marinha.

Após a proclamação da Independência e do ato que dissolveu a Assembléia Constituinte, foi nomeado para o novo conselho do governo de Pernambuco, sendo eleito presidente; e opôs-se, com resultado, à nomeação do presidente Francisco Paes Barreto. Obtida essa vitória, negou-se a jurar a Constituição, sendo deposto e preso na fortaleza do Brum, cuja guarnição se revoltou e o restituiu à liberdade, sendo ele reintegrado na presidência do governo da província. Revelou-se prudente e respeitador da opinião pública, mas inflexível em aceitar a Constituição.

Pôs-se à frente do movimento que visou implantar a Confederação do Equador no Brasil. Dirigiu veemente proclamação ao povo, mas não encontrou entusiasmo por parte dos patrícios. Quando o Brigadeiro Lima e Silva sitiava a cidade de Recife, ele procurou asilo na fragata inglesa Tweed e partiu para Inglaterra, por não haver conseguido uma capitulação honrosa.

Ele, que já havia sofrido o seqüestro dos seus bens, em 1817, teve a casa invadida e saqueada por tropas imperiais em 1824.

Manteve-se no exilio de 1821 a 1831, quando se verificou a abdicação de D. Pedro I. Volveu à pátria, sendo) alvo de entusiástica manifestação popular, quando chegou a Pernambuco, em 11 de dezembro de 1831.

Eleito por Pernambuco para a Câmara dos Deputados, não chegou a tomar posse, porque Paraíba também o elegeu para o Senado, sendo o seu nome escolhido na lista tríplice. Era, então, conselheiro do governo e mereceu a nomeação para ocupar interinamente a presidência de Pernambuco, pelo governo da regência. Pacificou os amotinados, extinguindo a guerra dos Cabanos e recebeu estrondosa manifestação de apreço por parte do povo e da Câmara Municipal, com festejos populares e espetáculo de gala no Teatro Nacional, onde se representou o elogio dramático "O Brasil Triunfante", do qual era protagonista.

Quando Carneiro Machado conseguiu levantar uma pequena sublevação contra ele, conhecida pelo nome de carneirada, verificou-se um episódio digno de transcrição. Carneiro intimou-o a deixar o governo, "por ser Carvalho madeira velha"; ao que ele retorquiu imediatamente: — "Carvalho é madeira velha, mas cozinha bem um Carneiro".

Voltou a ocupar o seu lugar no Senado, onde militou no partido que sustentava a maioridade.

Era republicano por princípios e um dos heróis da Independência.

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