dez 142008
 

ordem dórica (segundo Augusto Choisy)

História da Filosofia Antiga – Johannes Hirschberger

PROLEGÔMENOS

 

a) Importância da Filosofia Antiga

Pergunta que se pode fazer é a de saber-se por que ainda hoje se estuda a Filosofia Antiga. A esta questão sobre a significação da Filosofia Antiga pode-se dar a seguinte resposta: A Filosofia Antiga nos fornece o patrimônio espiritual do qual ainda hoje vive o pensamento ocidental. Já considerada do ponto de vista puramente quantitativo, a Filosofia Antiga estende-se mais ou menos para além da metade da história do espírito europeu; pois ela se estende do VI século antes de Cristo até o VI depois de Cristo. Mas a grandeza intensiva desta Filosofia é ainda de maior importância. A Filosofia Antiga nunca envelheceu. Se lermos os autores medievais, encontramos Aristóteles citado mais freqüente que qualquer outro filósofo contemporâneo. E idéias platônicas, néoplatônicas e estóicas pertencem ao acervo de pensamentos fundamentais da Filosofia Medieval (Weltanschauung). E hoje? Os conceitos essenciais do nosso atual filosofar e pensamento científico, em geral, são: oriundos do pensamento antigo. Conceitos como os de princípio, elementos, átomo, matéria, espírito, alma, matéria e forma, potência e ato, substância e acidente, ser e devir, causalidade eficiente, todo, sentido, fim, conceito, idéia, categoria, postulado, axioma, etc, foram criados pelos gregos, e usaríamos deles cegamente e sem uma acertada compreensão se não lhes estudássemos o sentido original. Mas nós devemos à, Filosofia Antiga não somente certos conceitos filosóficos fundamentais, mas ainda as disciplinas filosóficas capitais, como a lógica, a metafísica, a ética, a psicologia e a cosmologia. Ainda mais, os diversos tipos do pensamento filosófico já ela os desenvolveu: idealismo, realismo, ceticismo, materialismo, sensualismo e suas formas mistas. E assim compreendemos que E. Hoffmann pudesse concluir um capítulo sobre a Filosofia Grega como passado e como presente com a seguinte frase: "Há-de ficar demonstrado que, com a Filosofia Grega, esgotaram-se fundamentalmente as probabilidades de pensamento cosmovisional, e que ela formulou problemas válidos ainda para hoje e indicou os caminhos para a sua solução, que ainda hoje trilhamos".

b) Divisão

Para nos possibilitar uma visão global sobre a nossa época,, dividimo-la em quatro partes. O primeiro período abrange o tempo anterior a Sócrates: a "Filosofia Pré-socrática". Ela se desenvolve, principalmente, não na terra-mãe, mas nas colônias gregas, na Jônia, Itália meridional e Sicília. O interesse principal se concentra na Filosofia natural. Só no fim, na sofistica, manifesta-se o problema humano. — O segundo período podemos designá-lo como "Filosofia Ática", pois, agora é na própria terra-mãe que se filosofa. Sócrates, Platão e Aristóteles são as figuras predominantes, e, com eles, atinge a Filosofia grega o seu ponto predominante. Versa-se, por igual, o ciclo completo dos problemas filosóficos — a natureza, a moralidade, o Estado, o espírito e a alma. Esta florescência filosófica coincide com o esplendor político no século de Péricles e estende-se até Alexandre Magno. — O terceiro período, a "Filosofia do helenismo", se intercala entre Alexandre Magno e a dissolução do Estado dos seus sucessores, assim mais ou menos entre 300 até 40 a.C. O seu ponto central é ocupado pelas grandes escolas filosóficas: a Academia, o Perípato, o Estoicismo e o "Jardim" de Epicuro. — O quarto período abrange a "Filosofia da Roma Imperial", da metade do século I a.C. até ao ano de 529 p.C, quando Justiniano fechou a Academia platônica em Atenas, confiscou-lhe os bens e proibiu que para o futuro aí se professasse a Filosofia. Esta época já não é criadora, mas vive das aquisições do que existiu outrora.

c) Fontes

Um problema importante na História da Filosofia Antiga é a questão das fontes. De um grande número de filósofos as outras mesmas, em suas partes principais, se conservaram até nós. Assim as dePlatão, Aristóteles, Plotino, Filo, Cícero, Sêneca, Proclo. Dos outros possuímos fragmentos ou notícias doxográficas dos seus discípulos e posteriores. Muito material dessa natureza se encontra em Aristóteles, Teofrasto, Ateneu, Eliano,. Diógenes Laércio, Estobeu e vários outros. O mais importante desse material foi valorizado em obras capitais como: H. Diels, Doxographi Graeci (1879, 31958); Fragmente, der VorsúJcratiker (51934-37, 71954, 81956); H. v. Arnim, StoiGorum veterum, fragmenta (1903 segs.); H. Usener, Epicurea (1887), e O. Kern, Orpliicorum fragmenta (1922); F. Wehru, Die Schule des Aristóteles. Texte und Kom-mentare (1944 ss.).

d) Bibliografia

A obra clássica é ainda e sempre a de Ed. Zeller, Die Philosophie der Griechen in ihrer geschichtlichen Entwichlung (A Filosofia dos Gregos na sua Evolução Histórica). A ed. original, 1844-1852, apareceu em três vols.; a obra abrange hoje seis vols. com várias edições e iiercseimos. Para versar cientificamente a Filosofia grega, é imprescindível Ueberweg-Praechter, Die Phüosophue des Altertums (A Filosofia da Antigüidade, 121926, reimpressão 1951). Ao lado do muitas outras valiosas exposições, são, além dessas, dignas de especial consideração: "W. Windelband, Geschichte der AbenâÀÜndischen Philosophie in Altertum, (Hist. da Filosofia Ocidental na Antigüidade, 1888, *1923) ; O"Willmann, Geschichte des Idealisms (Hist. do Idealismo, I, 1894,21907) ; H. von Arnim, Die europaische Philosophie des Altertums (A Filosofia Européia da Antigüidade, em Kultur der Gegemwart, I, 5, 21923) ; R. Hõnigswald, Die Philosophie des Altertums. Problem fieschiohtliche und systematische Vntersuchungen (A Filosofia da Antigüidade. Pesquisa Histórico-sistemática dos Problemas, 1916, 21924). A exposição da Filosofia Antiga, por Cassirer-Hoffmann, em Dessoirs Lehrbuch der Philosophie (Manual de Filosofia, 1925) ; J. StenZEL, Metaphysik des Altertums (Metafísica da Antigüidade, 1931) ; W. Kranz, Die griechische Philosophie (A Filosofia Grega, 1941, *1957) ; W. Jaeger, Paideia I (1923-45, 2-s1954-55), II (1944, 21954), III (1947, 1955) ; trad. esp. México, 21946) ; H. Meter, Geschichte der abendländisschen "Wéltanschauung (História da Filosofia Ocidental, I, 1947, 1953) ; Fr. Copleston, A history of philosophy, London (1948) ; C. DE Vogel, Greek Philosophy, 3 vols. (Leiden, 1950-59).

Recursos bibliográficos: G. A. DE Brie, Bibliographia Philosophicá 1934-1945, Vol. I, Bibliographia Historiae Philospphiae (Bruxelles 1950). I. M. , Bibliographische Einführungen in das Studium der Philosophie (1948 ss.). A coleção contem fascículos especiais, sobre Filosofia antiga em geral do O. Gigon (1948) ; sobre Platão, também de O. Gigon (1950); e sôbi-e Aristóteles de M.-D. Philippe (1948). As Informações são ordenadas sistematicamente, de modo que se pode obter, com rapidez, a bibliografia relativa a determinado setor. São bastante extensas. Sobre todas as publicações novas, informa, contínua e completamente, o Rêpertoire Bibliographique de Ia Philosophie, ligado à Revue Philosophique de Louvain.

Obras bibliográfico-lingüístico-ideológicas: F. H. Fobes, Philosophical Qreeh (Chicago, 1957).

Dicionários: citam-se os de B. Eisler, Hoffmeister, e o de Brügger, Philosophisches Wörterouch, (Dicion. de Filosofia — Herder — S. Paulo, 1962) ; André Lalande, Vocabulaire Techinique et Critique de la Philosophie (8.ª ed., Paris, 1960) ; espanhol: J. Ferrater Mora, Dicionário de Filosofia (B. Ayres, Sud-americana, 31953) ; italiano: a esplêndida Enciclopédia Filosófica, 4 vols., do Instituto per la collaborazione Cultural e (Venezia, Roma, 1957), obra magistral de colaboração coletiva.

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