Lenda do Lobisomem – Conto de Terror

Lenda do Lobisomem – Conto de Terror

A LENDA DO LOBISOMEM

Fonte: Os melhores contos Populares de Portugal. Org. de Câmara Cascudo. Dois Mundos Editora.


JÁ la vão muitos anos… Sabe-se lá… talvez séculos!… Pelas ruas de Segura, a desoras, nas intermináveis noites de inverno, surgia estranho ser em desordenado tropel que a todos amedrontava.

à sua aproximação, mesmo os mais animosos, sentiam levantar-se os cabelos!… Sol posto, já ninguém saía à rua. E o alegre povo raiano sofria e passava um verdadeiro castigo.

Um dia, um mocetão, valente e destemido, tomou a resolução de averiguar a causa de tão extraordinário fenômeno.

E colocou-se entre o postigo e a porta da casa de seus pais.

Chovia a potes,

O vento era medonho com os seus estridentes jussobios. Parecia impelido pelo demo.

E o mocetão, valente, firme em seu posto, espetou uns momentos; o bastante para se enregelar.

O tropel não se fez esperar e uma sombra negra surgiu.

As pedras da calçada chispavam lume. sombra horrenda resvalava pelas valetas, escoucea va para um e outro lado, fazendo que as próprias ombreiras dos portados deitassem lume.

E o rapaz, agora um tanto assustado, colou-se bem à porta. Parecia petrificado!

O estranho fenômeno avançava cada vez mais em correria vertiginosa, e o rapaz, embora, como se disse, um tanto amedrontado, pôde verificar que se tratava de um monstro horrendo, metade cavalo. metade homem, ferrado de pés e mãos! Estava quási a arrepender-se da sua temeridade!…

Mas, o monstro, seguindo seu caminho, desa pareceu…

Que fazer depois do que vira?

Calar-se ?

E se contasse tudo a pessoas experimentadas sabedoras e consideradas pela sua idade e saber?

Procurou de fato um dos homens mais idosos da sua terra.

E expôs-lhe minuciosamente o que vira.

E o bom velho respondeu-lhe:

 O que tu viste, meu amigo, é um encanto que só se desfará, se alguém tiver coragem de, es condido atrás de uma das cruzes das ruas da nossa aldeia e munido de uma vara com aguilhão, picar o monstro por forma que o faça lançar de si muito sangue.

 Pois deixe o caso comigo. Se aí está o medio… picá-lo-ei eu mesmo, respondeu o rapaz.

 Pois então, toma cuidado, que, se o não pi cares bem, grande perigo corres!…

O rapaz, forte e valente, como se disse, dis posto a dar mais uma prova do seu valor e a livrar a povoação de tão grande desassossego, logo que anoiteceu, recolhidos todos os moradores e fechadas todas as portas, foi colocar-se, por entre vendaval formidável, atrás de uma das cruzes, tendo bem apertada na mão direita forte vara de grande aquiilhão.

Começou a ouvir-se o tropel, pondo-se em breve à vista a infernal figura. O rapaz tremia!

Perdera quási a noção de si mesmo! Fugir?

Bem se lembrava êle do conselho do velho: — Toma cuidado, que se o não picares bem, í/rande perigo corres!… Recobrou ânimo.

Estava ali para vencer ou morrer! Já agora levaria ao fim a sua empresa. Esperou! O monstro avançava a todo o galope.

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E passou; e, na passagem, o heróico mocetão cravou-lhe bem a grande aguilhada!

E o monstro, como por encanto, desapareceu. O valente moço respirava; mas tremia ainda. O seu coração batia desordenadamente. Foi-se deitar, mas não podia conciliar o sono. Que iria suceder?

Passaram algumas noites e o tropel não mais se ouviu.

 Que estranho fato se terá passado? inqui ria a povoação.

O rapaz (ninguém sabe até onde vai o poder de encantos e bruxarias) contara o seu feito, muito em segredo, só aos mais íntimos.

Passaram dias e passaram noites, e a povoação, de segredo em segredo, veio a saber o que se passara.

E perguntava:

 Mas que figura seria, essa, horrenda e disforme ?

 Seria um lobisomem?

 E quem seria o infeliz?

Passaram ainda mais alguns dias, até que um dos mais considerados moradores de Segura, que havia desaparecido do convívio da povoação, apareceu sem um dos olhos.

Se êle era são e escorreito, se não constara na povoação qualquer desastre, como e onde perderia êle a vista? — perguntavam todos os moradores de Segura.

Fora, evidentemente, o rapaz da aguilhada!. . .

E o povo passou, desde logo, a afirmar como verdade incontestável que o monstro, semi-homem e semi-cavalo, que tanto o incomodara, era por artes do demo ou mercê de encanto, o bom homem que aparecera sem um dos olhos.

 História da Lenda do Lobisomem

Jaime Lopes Dias, "Etnografia da Beira", III, 37- 41. Lisboa, 1929. Mito universal, registaram-no Plínio-o-Antigo, Heródoto, Pompônius Mela, Plauto, Varíão, Santo Agostinho, Isócrates, Ovídio, Petrônio, etc. Articulam a crendice às Lupercais, realizadas em fevereiro em Roma para onde foram levadas da Grécia pelo árcade Evandro. Os colégios dos Lupercos Quintiliares e Fabiano, tiveram um terceiro, Lu perci Julii, onde Marco Antônio era sacerdote-chefe. Em 494 Gelásio proibiu-a, mudando-lhe feição para a solenidade cristã da "festa da Purificação".

Licantropo na Grécia Versiopelio em Roma, Volkdlak eslavo, Werwolf saxão, Wahwolf germano, Oboroten russo, Hamramr nórdico, Loup-garou francês, lubishomem, Lobo-homem, lubizon, luvizom, labishomem em Espanha. Portugal e todo continente americano. N’Africa sobrevive a tradição sagrada das transformações animais. Henri A. Junod conta, ouvido ao preto S. Gana Nkuna, que um marido, desconfiado que a mulher era feiticeira, feriu-a com a azagaia, durante o sono. Mal o golpe atingiu a perna da adormecida, ouviu-se o uivo da hiena e foi este animal que se avistou, no lugar da esposa. No outro dia o marido deparou a mulher dormindo na floresta. Estava ferida na perna. "The Life of a South African Tribe", 2, p. 263-264. Na Ásia sobrexiste o mesmo. Citando o folclore chinês de Leon Wieger Gustavo Barrozo narra que no distrito de Tcheng-Ping, do Kian-Tcheu, um aldeão fora atacado por um lobo, subindo a uma árvore para livrar-se do assalto. O animal ainda abocanhou-lhe a calça mas fugiu, alcançado por uma machadada na cabeça. Depois soube que um seu velho amigo estava ferido na cabeça e com fiapos da calça na dentuça, "O Sertão e o Mundo", p. 57-73.

No "Cancioneiro de Resende", o poeta fidalgo Álvaro de Brito Pestana fala: "Sois danado Lubishomem". Estudei longamente este mito no meu "Geografia dos Mitos Brasileiros", analisando-, com a documentação antiga e m derna, depoimentos populares, sua evolução modificação. No "Satyricon", cap. LXII (trad. de H. Héguin de Guerle), na conhecida narra tiva de Niceros, Petrônio repete o episódio. Um lobo assaltou o redil e foi ferido no pescoço Niceros encontra o seu companheiro de viagem a quem assistia o encantamento, tratando-se, pela mão do médico. Intellexi illum versipellem esse. Compreendi que era lobishomem. No Brasil o desencantamento é o mesmo de Portugal, fonte de mito, talqualmente registou o sr. Jaime Lopes Dias, o etnógrafo da Beira.

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