Máximas de Epitecto -4

Máximas de Epitecto -4

MÁXIMAS DE EPICTETO

Tradução de Alberto Denis
Compilação da 1ª Edição da
GRÁFICA E EDITORA EDIGRAF LTDA.
São Paulo, Brasil Col. Biblioteca de Autores Célebres

Material enviado por Tiago Tomasi

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207

           Passas por esta
cidade, e enquanto o barco se faz ao mar, exclamas: – Vamos ver um momento
Epicteto; ouviremos o que diz.
Vens, contemplas-me, é tudo. Que é, pois,
conversar com um homem? Não é perguntar-lhe quais as suas opiniões e expor-lhe
as próprias? Tenho uma falsa opinião; combate-a. Estás num falso preconceito;
consente que to desfaça. Isso é falar com um filósofo. Pelo contrário, fazes-me
uma visita e, pouco satisfeito, retiras-te dizendo: – Epicteto não é grande
coisa; fala com rudeza.
Não é assim? Vede o que são os homens; procuram com
quem falar, estão todos os dias juntos, como estátuas, sem se conhecerem, sem
se examinarem uns aos outros e sem melhorarem. O entretenimento ou a
curiosidade é que determinam os nossos feitos e conversações.

208

           A desdita dos
homens procede sempre de colocarem mal a sua confiança; são como os cervos que,
para fugirem à ave que ameaça cair-lhes sobre a cabeça, tratam-se de por-se a
coberto e caem nas redes, onde perecem.

209

           Aprendeste alguns
preceitos de filosofia e pretendes ensiná-los. Que fazes senão devolver o que
não digeriste, como devolve o mau estômago a comida ingerida? Digere, meu
amigo, e ensinarás quando, mediante uma alteração no teu espírito, me fizeres
ver o alimento que lhe deste. – Mas este ou aquele abriu uma escola, e eu
não quero ser inferior.
Vil escravo! Abre-se uma escola por capricho ou por
acaso? Para tal é preciso ter idade madura, observar determinada vida e ser
escolhido pelos deuses. Sem isso, serás sempre um impostor e ímpio. Abres uma
loja e tens nela ungüentos, mas lhes desconheces o uso e maneira pela qual se
aplicam.

210

           Não há
naturalmente nenhuma sociedade entre os homens; não intervém os deuses nas
coisas humanas, e só há um bem: o prazer.
Vede o que nos ensina Epicuro.
Ah, infeliz! Valia a pena velar tantas noites, valia a pena escrever essas
afirmações? Não houvera sido melhor permaneceres no teu leito macio e
arrastares a vida de um verme, visto ser a única de que te julgas digno? Segundo
a tua doutrina, não são piedade e santidade mais que invenções de homens
arrogantes e de sofistas; a justiça é fraqueza; o pudor loucura; não mais pais,
filhos, irmãos, cidadãos. Oh, imprudente! Oh, impostor! Orestes, agitado pelas
negras fúrias, não é mais furioso do que tu!

211

           Assim como não
depende do homem dar consentimento ao que parece verdadeiro, tampouco dele
depende repelir o que lhe parece bom. O epicurista que afirma não ser o roubo
um mal e sim ser surpreendido, roubará, seguramente, se estiver convencido de
que ninguém o observa.

212

           Vais ao anfiteatro
e logo te interessas e desejas que tal ator ou tal atleta seja coroado. Querem
os demais seja outro o que alcance a vitória. Aborrece-te essa contradição, por
seres pretor e pretenderes que todos cedam. Mas não tem os outros opinião
própria? Não tem vontade e o mesmo direito de ofender-se por te opores ao que
se lhes afigura justo? Se queres permanecer tranqüilo e jamais encontrar
oposição, não desejes a coroa senão a quem seja coroado. Ou se queres ser dono
de entregá-la a quem mais te aprouver, celebra jogos em tua casa, e então, com
a tua própria autoridade, publicarás: este ou aquele venceu nos jogos
píticos, ístmicos ou olímpicos.
Em público, porém, não te arrogues o que te
não pertence, e deixa em liberdade os sufrágios.

213

           Lembra-te de que o
desejo das honras, da riqueza, não é o único que nos submete e escraviza, senão
também o desejo de repouso, de folga, de viagens, de estudo. Numa palavra,
todas as coisas exteriores, quaisquer que sejam, nos fazem escravos quando as
estimamos. O verdadeiro dono de si próprio e de nós é aquele que tem o poder de
dar-nos e tirar-nos o que queremos. Todo homem, pois, que pretenda ser livre,
não deseje nem deteste nada do que depende dos demais; a não ser assim, será
necessariamente escravo.

214

           Para julgares se é
livre um homem, não dês atenção às suas dignidades; porque, ao contrário,
quanto mais elevado, mais escravo é. Dirás, acaso: – Vejo que faz tudo
quanto quer. –
Eu também; mas advirto-te de que é um escravo que goza,
durante alguns dias, do privilégio das saturnais, ou cujo dono está ausente.
Espera que a festa termine ou que o seu amo regresse, e então me dirás a tua
opinião. – Quem é este senhor? Todo homem que tenha bastante poder para
dar-lhe ou tirar-lhe o que deseja.

215

           Empreendes uma
longa jornada com o propósito de assistir aos jogos de Olímpia, e mais ainda
com o de admirar a bela estátua de Fídias, e consideras grande desdita morrer,
sem o prazer de vê-los; mas alguma vez te pesou não contemplar obras muito
superiores às de Fídias, obras que não é mister procurar tão longe, que não
custam tantos trabalhos e esforços, e que por toda parte se nos deparam? Alguma
vez te ocorrerá pensar que és homem e que o és por teres nascido? Permanecerás
desatento ante o espetáculo tão admirável deste universo que a divindade
colocou diante dos teus olhos e que te convida a conhecer?

216

           Antes de iniciares
um empreendimento, observa cuidadosamente os seus precedentes e conseqüências.
Se não observares tal procedimento, sentirás imediatamente prazer em tudo
quanto fizeres, porque não terás em conta os resultados que pode oferecer-te;
mas por fim, surgirá a vergonha, e ficarás cheio de confusão.

217

           Queres chegar a ser
filósofo; prepara-te, desde já, a ser objeto de mofa, e sabe de antemão que o
povo te vaiará e apostrofará, chamando-te filósofo da noite para o dia;
ser-te-á atirada ao rosto a tua postura arrogante. Procura, por tua parte, não
mostrar tal postura e ater-te às máximas que se te houverem afigurado mais
belas e melhores; pensa que se nelas te mantiveres firme, os mesmos que a
princípio de ti se riem, te admirarão, enquanto, se cederes aos seus insultos,
serás duplamente escarnecido.

218

           Quando
empreenderes alguma coisa, seja ela qual for, concentra o espírito e reflete
antes em que ação te vais empenhar; se fores banhar-te, focaliza o que de
ordinário se passa nos banhos; uns atiram água aos outros; não falta quem bata
outro, quem lhe dirija injúrias, quem o roube; depois de pensar nisso, irás com
mais segurança ao que pretenderes fazer; mas dize sempre antes: – Quero
banhar-me; contudo, quero também conservar a liberdade e independência,
verdadeiro patrimônio da minha natureza; o mesmo deves dizer acerca de cada
coisa. Por tal meio, se um obstáculo te impedir banhar-te, terás sempre o
consolo de dizer: não queria apenas banhar-me, senão também conservar a
liberdade e independência, e não a conservaria se me entristecesse.

219

           Se se apresentar
oportunidade de falar acerca de uma questão de verdadeira importância na
presença de ignorantes, guarda-te de fazê-lo, pois há grande perigo em
manifestar, imediatamente, o que se não meditou. Se, por acaso, alguém te
censurar e disser que nada sabes, se te não molestar nem te ferir tal censura,
será certo que começarás a ser filósofo desde tal momento. As ovelhas não vão
mostrar aos pastores o que comeram; pelo contrário, depois de bem digerido o
pasto, dão-lhes lã e leite. Do mesmo modo, não deves malgastar, entre
ignorantes, belas máximas; procura digeri-las e dá-las a conhecer por meio dos
teus atos.  

220

           Um médico visita
um enfermo e lhe diz: Tens febre; abstém-te por hoje de tomar qualquer
alimento, e não bebas mais que água.
O enfermo dá-lhe crédito, agradece-lhe
e paga-lhe. Um filósofo diz a um ignorante: Os teus desejos são
desenfreados, os teus temores são baixos e servis, professas falsas crenças.
O
ignorante enfurece-se e sente-se ferido no amor-próprio. De que nasce tal
diferença? De o enfermo conhecer o seu mal, e o ignorante não. 

221

           Parecemo-nos aos
avarentos que armazenam grandes provisões e, não obstante, permanecem fracos e
descarnados, por deficiência de alimentação. Temos sábios preceitos, profundas
máximas; mas é para discorrer delas, e não para praticá-las; as nossas palavras
são desmentidas pelas nossas ações. Não somos sequer homens, e queremos passar
por filósofos; a carga é para nós demasiadamente grande. É como se um homem que
não tivesse força para suportar o peso de duas libras, pretendesse suportar a
pedra de um moinho.

222

           Não deve o homem
alarmar-se facilmente nesta vida. Mandamos um mensageiro saber o que sucede;
mas escolhemos mal o nosso homem, porque mandamos um covarde que, ao menor
ruído, regressa espantado a nós, temeroso da própria sombra, que o segue.

223

           Quando alguém se
vangloria de compreender e explicar bem os escritos de Crisipo, dize entre ti: Se
Crisipo não houvesse escrito obscuramente, não teria o de que vangloriar-se
este homem.
Que procuro eu? Conhecer a natureza e segui-la. Busco, pois,
quem melhor a explicou; dizem-me que é Crisipo, e leio Crisipo, mas o não
compreendo. Busco, pois, um que mo explique; até aqui nada é digno de
consideração nem estima. Uma vez que encontrei um bom intérprete, só me resta
servir-me dos preceitos que me explicou e pô-los em prática, e é essa a coisa
que merece estima, porque se me contento com explicar esse filósofo e
admirá-lo, que sou? Um puro gramático, em vez de filósofo, com a única
diferença de que, em vez de explicar Homero, explico Crisipo. Quando, portanto,
alguém me disser: – Explica-me Crisipo, sentirei grande vergonha e
confusão, se não puder mostrar os meus atos em consonância com os seus
preceitos.

224

           – Componho
belíssimos e saborosos diálogos e escrevo livros interessantes. –
Meu
amigo, preferiria que me dissesses que dominava as paixões, que compunhas os
desejos, que seguias a verdade nos juízos. Assegura-me que não temes a prisão,
nem o desterro, nem a dor, nem a miséria, nem a morte. Sem isso, por belos que
sejam os livros que escreves, podes estar certo de que és apenas um ignorante.

225

           A sede do febril é
bem diversa da sede do homem são. Este, mal bebeu, está satisfeito e a sede se
lhe apazigua. Mas aquele, após breve instante de prazer, sofre terríveis dores
de estômago; a água se lhe converte em bílis, vomita-a, retorce-se, e a sede se
faz mais insuportável. Semelhante é quem possui riqueza, cargos ou uma formosa
esposa, e deixa que a concupiscência lhe invada o coração. É essa a sede do
febril, de que se originam os ciúmes, as inquietações, as palavras indecorosas,
os desejos impuros, os atos obscenos. Meu amigo, tu, que eras antes tão
prudente, tão cheio de pudor, que fizeste do pudor e da sabedoria? Em vez de
ler as obras de Crisipo e de Zeno, lês apenas livros abomináveis, como os de
Aristides. Em vez de admirar Sócrates e Diógenes, e de lhes seguir o exemplo,
não admiras nem imitas senão aqueles que corrompem as mulheres. Queres ser
belo, esforças-te para isso custe o que custar, tens magníficos trajes,  e
essências e perfumes te arruinam. Volta em ti, combate contra ti próprio,
recobra a posse do teu pudor, da tua dignidade, da tua liberdade; numa palavra,
volta a ser homem. Conheci um tempo em que, se te tivessem dito: – Este ou
aquele homem fará Epicteto mau, fá-lo-á usar tais trajes e apresentar-se
perfumado,
houveras voado em meu socorro, e imagino que o terias matado.
Não se trata aqui de matar; tão somente deves voltar a ti, falar à tua
consciência. Começa por condenar o que tu próprio fizeste, antes que te leve de
roldão a torrente.

226

           Se a imaginação te
apresenta uma imagem voluptuosa, trata de fazer com que te não domine, como te
houveste com o resto. Para pensar, toma um prazo, e compara os dois tempos, o
do prazer e o do arrependimento que se lhe há de seguir; pensa nas censuras que
por fim dirigirás a ti próprio, e opõe-nas à satisfação do vencedor, se
resistires. Se vires que já é tempo de desfrutar de tal prazer, cuida de que os
seus atrativos e encantos te não desarmem e seduzam, e reflete que é maior
prazer ainda a consideração de havê-los vencido.

227

           O que é a pureza
para a alma, é o asseio para o corpo. A própria natureza to ensina. Como não é
possível que, depois de comeres, não fique uma ou outra partícula entre os teus
dentes, dá-te água e manda que enxágües a boca, para seres um homem e não um
porco. Proporciona-te o banho, o azeite, os lenços e o vitríolo, contra o suor
e a gordura que se formam na tua pele. Não te serves deles? Não és, pois, um
homem? Não cuidas do teu cavalo, que mandas escovar, do teu cão, que mandas
pentear, esfregar e limpar? Não trates, portanto, o teu corpo pior que o teu
cão e cavalo; lava-o, limpa-o, não tenhas aversão a isso; ninguém fuja de ti,
porque, quem não foge de homem sujo e mal cheiroso? Preferes ser sujo e
hediondo? Se assim é, goza tu apenas do teu desleixo. Mas abandona a cidade,
vai para um deserto e não envenenes os amigos e vizinhos. És todo imundície, e
ousas entrar conosco nos templos, em que é proibido espirrar e cuspir.      

228

           Abandonas o filho
quando está enfermo, porque dizes que o amas e que não tens coragem de assistir
à sua enfermidade. Se é esse o efeito da amizade, mister é que todos os que o
amam o abandonem: sua mãe, a nutriz, os irmãos, o preceptor; e que fique em
mãos de mercenários. Que cegueira, que injustiça, que barbaridade! Seguramente
não quererias tu próprio, nas tuas enfermidades, ter amigos que te amassem com
tal ternura.

229

           A filosofia – afirma-se
é um caminho longo e penoso. Enganas-te, meu amigo; não é tão longo,
porque que pode ensinar-te a filosofia? A seguir os deuses, a satisfazer os
desejos e a fazer bom uso das tuas opiniões. Os deuses, os desejos, as
opiniões, isso é que é longo de explicar; mas os filósofos que te pregam o
prazer são breves? Epicuro diz-te que o bem do homem está no corpo. Dize-me,
então, o que é a alma, o que é o corpo, o que constitui a nossa essência, e
verás que isso não é menos longo.

230

           Nada grande se faz
de um golpe, nem maçã nem cacho de uvas. Se me dizes: – Quero agora mesmo
uma maçã,
respondo-te: – Para isso é preciso tempo; espera que nasça, que
cresça e amadureça. E queres que o espírito frutifique de uma vez em toda a sua
perfeita maturidade. É justo?

231

           Quiseras ser
coroado nos jogos olímpicos e eu também, na verdade, porque é muito glorioso;
mas examina bem antes o que precede tal feito e o que a ele se segue. Podes
empreendê-lo após o exame. É mister observar exatamente regras determinadas;
não comer mais que o que se pode; abster-se de tudo quanto lisonjeie o gosto;
exercitar-se, queira-se ou não, na hora certa, durante o frio e durante o
calor; jamais beber líquidos frescos, nem sequer vinho, senão pouquíssimo e com
medida; numa palavras, entregar-se sem reserva ao mestre dos exercícios como ao
médico; e depois disso, ir lutar, ir aos jogos; ali, ser talvez ferido,
destroncar um dos pés, morder a areia, ser atingido uma vez que outra, e, após
tudo isso, ser – quem sabe? – vencido. Com tal perspectiva, vê se queres, e sê
atleta. Se não tomares essa precaução, nada mais farás do que brincar como as
crianças que, quase simultaneamente, fingem ser lutadores e gladiadores, e que,
depois de tocarem a corneta e despedaçar os brinquedos, representam tragédias.
O mesmo se dará contigo; serás atleta, gladiador, filósofo, e no fundo da alma
nada serás; mas, como símio, fingirás tudo o que quiseres fazer, por não
haveres examinado os teus propósitos e procedido temerariamente e sem
circunspecção, guiado apenas pelo teu capricho. Assim, muita gente, vendo um
filósofo, ou ouvindo dizer que fala bem, também pretende sê-lo.

232

           O príncipe deu paz
à terra. Não há mais guerras, não há mais combates, não há mais piratarias. Em
qualquer hora, em qualquer tempo, podemos ir sozinhos por onde quer que seja,
livremente, sem nenhum temor. Mas o príncipe consegue dar-nos paz com as
enfermidades, os naufrágios, os incêndios, os tremores de terra, os
descobrimentos? Essa paz só os deuses é que a dão, e a razão é o arauto que a
publica.

233

           Cedo ou tarde,
virá necessariamente a morte surpreender-nos. Em que ocupação nos surpreenderá?
O lavrador será surpreendido nos cuidados da lavoura; o jardineiro nos do
jardim; o comerciante nos do comércio. E tu, em que cuidados serás
surpreendido? No que me diz respeito, desejo com toda a alma que o derradeiro
instante me encontre atarefado em governar a vontade, a fim de que, sem
turbação, nem obstáculo, nem temor, possa morrer como homem livre, dizendo aos
deuses: violei, acaso, os vossos mandamentos? Terei abusado dos dons que me
outorgaste? Não vos submeti os meus sentidos, as minhas faculdades, as minhas opiniões?
Queixei-me de vós? Acusei a vossa Providência? Estive doente, porque assim o
quisestes vós e eu também o quis. Fui pobre, porque tal foi a vossa vontade, e
permaneci contente na pobreza. Fiquei na miséria, porque quisestes que eu seja
miserável, e dela não desejei sair. Vistes-me triste pelo meu estado?
Surpreendestes-me no abatimento e na queixa? Agora mesmo estou pronto a fazer o
que vos aprouver mandar-me. O menor sinal de vossa parte é para mim uma ordem
inviolável. Quereis que abandone este magnífico espetáculo? Abandoná-lo-ei e
vos apresentarei os meus humildes agradecimentos por vos terdes dignado
admitir-me a ele, por me haverdes feito ver todas as vossas obras e apresentado
aos meus olhos a admirável ordem com a qual dirigis o universo.

234

           Recebeste o
consulado e és governador de província. Por quem? Por Felício. Asseguro-te que
eu não quereria viver, se tivesse de viver pelo prestígio de Felício, e
suportar-lhe a soberba e insolência de escravo, porque sei o que é o escravo
que se julga feliz e julga cega a sua sorte. – Mas, tu és livre? – Não.
Lido por o ser, mas ainda não atingi tão venturoso estado; não me é dado ainda
fitar os olhos firme e serenamente nos meus amos; ainda estou agrilhoado ao
corpo, e, embora alquebrado, pretendo conservá-lo; confesso a minha fraqueza.
Se queres, porém, que te mostre homem verdadeiramente livre, menciono-te
Diógenes. – E de que modo chegou a ser livre? – Destruindo, em si, tudo
aquilo de que poderia a servidão apossar-se; desligado de tudo, isolado por
toda parte, nada possuía; pedíeis-lhe o seu bem-estar, e ele o dava;
pedíeis-lhe o pé, dava-o; todo o corpo, dava-o; mas estava fortemente ligado
aos deuses e a ninguém cedia em obediência, em respeito, em submissão para com
essa soberania. Ali estava a origem da sua liberdade. – Mas, replicas, esse
exemplo é o de um único homem, a quem nada ligava ao mundo. –
Queres,
então, exemplo de homem que não estivesse sozinho? Sócrates tinha mulher e
filhos, e não era menos livre que Diógenes, porque, tal qual Diógenes, tudo
submetera aos deuses e à obediência devida à lei.

235

           Que é que torna
formidável um tirano? Os seus soldados, os seus sequazes, armados de espadas e
de lanças. Mas um menino, embora dele se aproxime, não o temerá. Por que?
Porque desconhece o perigo. Tu, que o conheces, deves desprezá-lo.

236

           A alma é um
compartimento cheio de água, e as suas opiniões a luz que ilumina esse
compartimento. Quando a água está agitada, parece que também a luz o está,
embora o não esteja realmente. O mesmo sucede no homem: quando está perturbado
e agitado, não se transtornam nem confundem as virtudes; são as suas paixões
que estão em movimento; uma vez acalmadas, o todo ficará tranqüilo.

237

           Que fazem os
viajantes cautelosos quando ouvem dizer que os caminhos pelos quais hão de
passar estão infestados de bandidos? Cuidam de não continuar sozinhos o
caminho, e de aguardar a oportunidade de unir-se à comitiva de um embaixador,
de um questor ou de um procônsul, e com essa precaução terminam felizmente a
viagem. O sábio faz o mesmo no mundo, que está infestado de banditismo, de
tirania, de miséria e de calamidades. Como passará por ele, sozinho, sem
morrer? Quem esperará? A quem poderá unir-se? A um magistrado, a um cônsul, a
um pretor? São estes os seus inimigos mais temíveis. Espera, portanto, uns
companheiros seguros, fiéis e incapazes de ser surpreendidos, e esses
companheiros são os deuses. Une-se, pois, a eles, caminha com eles e, com
felicidade, vence todos os escolhos da vida.

238

           Lembra-te do que
dizia Eufrates, que se congratulava por haver ocultado por longo tempo que era
filósofo; porque, além de estar convencido de que nada fazia para ser visto
pelos homens, senão pelos deuses e por si próprio, tinha o consolo de,
combatendo sozinho, sozinho também arriscar-se,  e não expor o próximo nem a
filosofia pelos erros que lhe poderiam ter escapado; e, finalmente, porque
experimentava o secreto prazer de haver sido reconhecido como filósofo pelos
seus atos, e não pelas suas palavras.

239

           Não caluniar, não
adular, não queixar-se, não acusar, não falar de si próprio como se fosse
alguma coisa são sinais certos de que um homem progride na sabedoria. O homem
que se encontra em tais circunstâncias vence os obstáculos que se lhe
apresentam; se elogiado, ri-se do elogio às ocultas, e, se repreendido, não faz
a sua própria defesa; pelo contrário, como os convalescentes, experimenta as
forças e treme ao receio de uma recaída no começo da cura, quando a sua saúde
não está ainda inteiramente fortalecida. Dominou os desejos de todo o gênero, e
só odeia as coisas que contrariam a natureza do que de nós depende; adota para
tudo um ar de submissão; não se entristece, quando o dizem simples e ignorante.
Numa palavra, está sempre em guarda contra si próprio, como contra homem que
lhe prepara constantes ciladas e é o seu pior inimigo.

240

           O que nos
prejudica em elevado grau é não sabermos de filosofia outra coisa senão o nome
e querermos, não obstante, dar-nos ar de sábios, e pretender, imediatamente,
ser úteis ao próximo como se tivéssemos de reformar o mundo. Meu amigo,
reforma-te antes, e mostra depois aos outros um homem formado pela filosofia.
Comendo e passeando com eles, instrui-os com o teu exemplo; cede aos caprichos
deles, suporta-lhes as esquisitices, trata-os com deferência e lhes serás útil.

241

           – Para que essa
altivez e esse orgulho, mau filósofo? –
Espera um pouco, meu amigo. Daqui a
pouco serei mais fero; ainda não tenho bastante firmeza nas máximas que aprendi
e às quais dei o meu consentimento; ainda temo a fraqueza. Espera que esteja
mais forte e verás a minha altivez em toda a sua extensão. A estátua ainda não
está terminada, os deuses não lhe deram a última demão. Mas não julgues que,
uma vez terminada, seja a sua altivez produzida pelo orgulho. Será uma altivez
de segurança e fé na verdade. É orgulho o que observas na cabeça de Júpiter?
Não. É firmeza, é estabilidade, é constância; é o que deve achar-se no rosto de
um Deus que te diz: Tudo quanto confirmei por meio de um sinal de aprovação
jamais engana, é irrevogável e nunca deixa de suceder.
Tratarei de imitar
esse grande modelo. Ver-me-ás fiel, modesto, valoroso e inacessível à
perturbação e às emoções causadas pelos acidentes que se chamam terríveis. – Mas,
ver-te-ei imortal, livre da velhice e das enfermidades?
Não; verás, porém,
que sei morrer, que sei ser velho, que sei ser enfermo; verás os nervos de um
filósofo, nervos bem sólidos. – Que nervos? – Desejos nunca frustrados,
temores bem dirigidos, que previnem todos os males; movimentos da alma,
regulados e convenientes; desígnios formados com reflexão e afirmações jamais
seguidos do arrependimento.

242

           Escrevemos belas
máximas; mas, penetramo-lhes bem o sentido e pusemo-las em prática? Afirmou-se
dos lacedemônios que eram leões nas suas terras e símios em Éfeso. Não
convém tal a maioria dos filósofos? Somos leões perante o auditório e símios
nas obras.

243

           Um dos meus
discípulos, com inclinação para a filosofia cínica, perguntou-me certa vez que
condições devia reunir o filósofo de tal seita, e que era preciso fazer para o
ser. Tudo quanto posso dizer-te, respondi-lhe, é que o homem que se atreva a
tão grande empreendimento, sem que a ele seja chamado pelos deuses, será tão
louco como o que entre numa casa, sem o consentimento do dono. – Cobrir-me-ei
de farrapos, de uma túnica remendada; atirar-me-ei ao chão, buscarei um bordão
e uns alforjes e proferirei injúrias contra todos. –
Se julgas que nisso
consiste a filosofia tens dela erradíssimo conceito. O filósofo cínico é homem
cheio de pudor e sempre exposto à vista dos homens, pois nada faz de indecente;
é um enviado dos deuses, para reformar os homens e ensinar-lhes com o seu
exemplo que, pobre, nu, sem outro abrigo que não o céu, sem outro leito que não
a terra, se pode ser feliz; homem que trata os viciosos, por maiores que sejam,
como escravos; homem que, maltratado, batido, ama e abençoa os que o batem e
maltratam; homem que nos outros vê filhos, que os admoesta com bondade e
ternura, como se fora pai, como se fora irmão e como se fora um ministro dos
próprios deuses; homem, enfim, ao qual, apesar da humildade, reis e imperadores
não podem fitar sem respeito. Não foi de outra maneira que Alexandre fitou
Diógenes.

244

           Os hábitos só se
destroem com hábitos contrários. Estás acostumado ao prazer? Domina-o com a
dor. Vives na preguiça? Trabalha. És iracundo? Sofre com paciência as injúrias.
Gostas do vinho? Bebe apenas água. Faze o mesmo com todos os teus hábitos
viciosos e verás que não trabalhaste em vão. Mas não te exponhas com leviandade a uma recaída antes de estares bem seguro de ti, porque a luta é desigual, e
o que uma vez te venceu pode vencer-te outra vez.

245

           As mulheres são
comuns, é a lei da natureza,
disse a Diógenes um luxurioso surpreendido em adultério. Respondeu-lhe Diógenes: – as iguarias que se servem à mesa também são comuns, mas,
uma vez feitas as partes, e distribuídas, é preciso ter perdido toda a vergonha
e todo o pudor para se apoderar da do vizinho. O teatro é comum a todos
cidadãos, mas, uma vez ocupados todos os lugares, não podes nem deves expulsar
o vizinho, para no seu lugar te colocares. As mulheres são comuns, também, mas
uma vez distribuídas pelo legislador, uma vez que cada uma tenha o seu marido,
é-te lícito não te contentares com a tua e te apoderares da do próximo? Se
assim fazes, não és homem, és lobo carniceiro.

246

           Sinal certo de
grosseria é ocupar-se muito tempo dos cuidados do corpo, assim como
exercitar-se, beber, comer à larga, e dedicar muito tempo às demais
necessidades físicas. Essas coisas não devem ser o principal, mas o acessório
da vida, e devem ser feitas como que de passagem; toda a nossa atenção deve
aplicar-se ao espírito.

247

           Olha como brincam
esses cães; acariciam-se, abraçam-se, contemplam-se. Parecem-te bons amigos.
Atira ao meio deles um osso, e verás o que sucede. Assim é a amizade dos irmãos
e a dos pais e filhos. Havendo no meio uma terra, um campo, uma mulher, não há
nem irmãos, nem filhos.

248

           Conheço um homem
que, deplorando a sua desdita, foi atirar-se aos pés de Epafrodita, e disse-lhe
que era o mais desventurado dentre os homens do mundo, que estava totalmente
arruinado, que não tinha o de que viver, pois lhe restavam apenas cinqüenta mil
escudos. Que imaginas que lhe disse Epafrodita? Pensas que se riu desse louco?
Absolutamente. Respondeu-lhe formalmente: – Ah, infeliz! Por que me não
contaste antes o teu infortúnio? Como pudeste suportá-lo sem morrer?

249

           Era Felício um
tolo a quem todos desdenhavam dirigir a palavra. O príncipe incumbiu-o
temporariamente do cuidado dos seus negócios, e eis Felício feito homem
importante e de inteligência. Todos diziam: – Felício falou como anjo. Esperemos
um pouco, esperemos que o príncipe lhe tire o cuidado dos seus assuntos, e
serás novamente tolo.

250

           Outro fato
semelhante dá perfeita idéia do cortesão. Epafrodita, capitão dos guardas de
Nero, tinha um escravo, sapateiro de ofício, mas tão tolo e tão pouco hábil,
que não lograva fazer coisa que tivesse proveito. Um criado de Nero o comprou,
e o acaso fez com que o escravo chegasse a ser sapateiro do príncipe e,
finalmente, seu favorito. A partir do dia seguinte, Epafrodita foi o primeiro
em lhe fazer a corte, e ficou encerrado dias seguidos para deliberar assuntos importantes
com o homem a quem vendera por inútil de todo.

251

           Não condeno a
eloquência nem a arte de bem escrever e falar; condeno que se encare como
principal objetivo da vida, havendo outras coisas de mais importância.

252

           Um homem de grande
consideração, voltando do desterro, e regressando a Roma, veio ver-me. Fez-me
um espantoso quadro da vida da corte; assegurou-me que lhe tinha aversão, que
não voltaria a ela por nada no mundo e que o pouco tempo que lhe restava de
vida pretendia viver em repouso, longe do tumulto e do embaraço dos negócios.
Repliquei-lhe que nada faria sem antes repor os pés em Roma, que se esqueceria
de todas aquelas belas resoluções, e que, se achasse meio de se aproximar do
príncipe, se aproveitaria logo do fato. Retrucou-me: "Epicteto, se
ouvires dizer que pus os pés na corte, afirma que sou o maior biltre do
mundo."
Que aconteceu? A certa distância de Roma, recebeu uma missiva
de César. Não se lembrou mais das promessas, e regressou à corte, mais
pressuroso do que nunca, cumprindo-se, dessarte, a minha profecia. – Que
pretendias que fizesse? –
disse-me outro. – Que passasse o resto dos
dias na ociosidade e na preguiça? –
Meu amigo, achas que o filósofo, o
homem que cuida de si próprio, é mais preguiçoso que o cortesão? Há ocupações
mais importantes e sérias.

253

           Há criaturas tão
cegas que não tomariam por bom ferreiro nem o próprio Vulcano, se ele não
usasse o gorro de forjador. Que leviandade, pois, queixar-se alguém de não ser
reconhecido por um juiz pouco inteligente! Sócrates era desconhecido da maior
parte dos homens. Iam pedir-lhe que os conduzisse a um filósofo, e ele os
conduzia. Queixou-se alguma vez de o não tomarem por filósofo? Não. Pelo
contrário, orgulhava-se de ser filósofo sem o parecer. Quem o foi mais do que
ele? Procura imitá-lo e ser filósofo pelos teus atos.

254

           Podemos perceber a
intenção da natureza pelas coisas em que nos diferenciamos; por exemplo, quando
o servo do teu vizinho quebra uma taça ou qualquer outra coisa, não deixas de
dizer, para o consolar, que é apenas um acidente comuníssimo. Sabe, pois, que
quando quebrares uma taça, tens de ficar tão tranqüilo como se se quebrasse a
do teu vizinho. Leva esta máxima às coisas mais importantes. Quando o filho ou
a mulher do próximo morre, não há homem que não diga tratar-se de uma lei da
humanidade. Mas quando quem morre é o filho ou a mulher dele, só se ouvem
gemidos, gritos e lágrimas. Mister nos é lembrar-nos do estado em que
permanecemos ao saber das desventuras do próximo.

255

           Não vos solicito
cartas de recomendação; guardai-as para os covardes e os tíbios, e vede um
modelo: – Recomendo-vos este cadáver, este odre de sangue, que ainda se não
firmou.
Vede como deve ser recomendado o homem que não possui suficiente
inteligência para pensar que apenas dele depende ser desventurado ou feliz.

256

           Prova-me que tens
pudor, fidelidade, constância e que não és apenas um tonel vazio. Não esperarei
que me confies o teu segredo para contar-te o meu. Porque, quem não teme
perturbar um recipiente tão sereno? E quem recusa um depositário que é, ao
mesmo tempo, o nosso fiel conselheiro? Quem não recebe com imenso prazer o
carinhoso confidente que participa de todas as nossas fraquezas e nos ajuda a
transportar a nossa pesada carga?

257

           Que te importa
saber o que te há de matar, se a febre, a espada, o mar, a peste ou o tirano?
Todos os caminhos que conduzem ao inferno são iguais. Um dos mais curtos é
aquele pelo qual te envia o tirano. Jamais viste o tirano matar um homem
durante seis meses, ao passo que a febre o mata durante anos inteiros.

258

           Assim como numa
longa viagem, quando o barco entra no porto, tratas de prover-te de água, e,
pelo caminho, compras mariscos ou setas, mas sempre com o pensamento no barco,
e voltando a todo instante a cabeça, para verificar se o piloto te chama, e se
assim for, corres para ele, temeroso de que, se te fizeres esperar, te
arremessem ao barco de mãos e pés amarrados, como se foras um animal selvagem,
assim também, na vida; se em vez de um marisco ou de uma seta, recebes mulher e
filho, os aceitas. Mas se o piloto te chama, tens de abandonar tudo e correr
para o barco, sem olhares para trás. Se és velho, não te afastes muito do
barco, para, quando o piloto te chame, estares em condições de seguí-lo.

259

           Se amo o corpo, se
amo a riqueza, estou perdido. Eis-me escravo. Dei a conhecer o ponto pelo qual
posso ser atacado.

260

           Sabia muito bem
Apolo que Laio não obedeceria ao seu oráculo, mas nem por isso deixou de lhe
predizer as desditas que o ameaçavam; a bondade dos deuses não deixa de
advertir os homens. Essa fonte de verdade jorra constantemente, mas os homens
são sempre rebeldes, desobedientes e incrédulos.

261

           Deve o homem,
nesta vida, ser espectador da sua essência e das obras da Divindade, intérprete
e panegirista. Infeliz, que começas e acabas por onde acabam e começam os
irracionais, vivendo sem sentir, acaba, pois, por onde em ti acabou a
divindade. Acabou dando-te uma alma inteligente e capaz de conhecê-la. Serve-te
dessa alma, não saias de tão admirável espetáculo com só o entrever. Observa,
conhece, elogia, bendize.

262

           A Divindade fez-se
testemunha viva das suas bondades e, ao prodigá-las, pergunta: – Não é certo
que não há bem nem mal fora da vontade? Deixei, por acaso, nu um homem?
Coloquei sob o poder de cada um o que pode ser-lhe útil? Que respondes? – Padeço
de uma insuportável calamidade; ninguém cuida de mim, ninguém me ajuda, todos
me insultam, todos me caluniam. Sou a escória dos homens. –
Assim é que
reconheces a honra que a Divindade te dispensou fazendo-te testemunha da sua
glória e de tão grandes verdades? Fazia-te testemunha da sua bondade, da sua
verdade, da sua justiça, e te converteste em seu acusador!

263

           Entre os
gladiadores de César, vêem-se todos os dias alguns no desespero, por não
combaterem, fazendo promessas aos deuses para saírem dessa ociosidade, e
pedindo, como graça maior, que sejam enviados ao anfiteatro. Mas entre nós,
ninguém se encontra que deseje a ocasião de demonstrar o seu amor aos deuses.

264

           A escola do
filósofo é como o gabinete do médico. Não se vai lá para sentir prazer, mas sim
uma dor saudável. Um leva o ombro aberto, outro uma inflamação, este uma
fístula, aquele uma chaga na cabeça. O prazer poderá curá-los?

265

           Para que nascem as
espigas? Não é para amadurecerem e, uma vez maduras, ser segadas? Ninguém as
deixa sobre os talos, como se estivessem consagradas. Se tivessem sentimento,
pensas que fariam promessas para que nunca fossem cortadas? Não, sem dúvida;
considerariam uma maldição nunca chegar, para elas, a colheita. O mesmo sucede
aos homens: seria uma maldição, para eles, viver sempre. Não morrer, para o
homem, é para a espiga jamais estar madura e nunca ser cortada.

266

           Se demonstrares ao
mau que não faz o que quer, senão o contrário, corrigi-lo-ás; mas se lho não
demonstrares, não te queixes dele, senão de ti próprio.

267

           Se queres avançar
no estudo da sabedoria, não temas, nas exterioridades, passar por imbecil e
insensato.

268

           – Como sou
infeliz! Não tenho tempo de estudar nem de ler! –
Meu amigo, por que
estudas? Por mera curiosidade? Se assim é, bem mísero és efetivamente. Mas o
estudo deve ser apenas um preparo para a boa vida. Começa, pois, desde hoje a
bem viver; em toda parte podes cumprir com o teu dever, e as ocasiões instruem
melhor que os livros.

269

           Não te impeçam as
censuras nem os motejos de teus amigos mudar de vida. Preferes permanecer
vicioso e ser-lhes agradável, a ser-lhes desagradável e praticar a virtude?

270

           É ser ingrato e
tímido sustentar que não existe diferença entre a beleza e a feiura. Como pode
ser tão agradável Tersites como Aquiles? Como podem agradar igualmente uma
horrível mulher e Helena? É grosseiro e ímpio. Linguagem de gente que
desconhece a natureza das coisas. Não é negando a beleza que dela se foge;
podemos conhecê-la e resistir-lhe.

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