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Histórias Infantis – Fábula OS TRÊS LIMÕES




OS TRÊS LIMÕES

CERTO Sultão tinha um filho, pelo qual sentia justificado orgulho, porque êle era belo e de gênio jovial, e nunca se soube que houvesse cometido uma ação censurável.

No círculo da Corte, era êle o astro mais brilhante. O Príncipe era cortês para com todas as damas, mas não favorecia a nenhuma em particular; e como os anos iam correndo sem que êle manifestasse o desejo de escolher uma esposa, o Sultão tornou-se apreensivo.

— Meu filho, — disse êle certa vez, por que não escolheis uma noiva? Acho que já é tempo de vos casardes; eu seria tão feliz se vos visse pai de filhos, antes de deixar este mundo. Ser-vos-ia tão fácil fazer a vossa escolha entre as belas jovens que vos cercam! Eu não experimentaria dificuldade alguma se estivesse em vosso lugar! Temos tão lindas moças em nossa terra!

O jovem fitou seu pai, tornando-se pensativo.

— Eu desejo alguma coisa mais, do que aquilo que estas jovens me podem oferecer, querido pai! — explicou êle, — e se vós realmente quiserdes que eu escolha uma esposa, peço-vos que me deixeis realizar uma grande viagem em volta do mundo, a fim de que eu possa encontrar a princesa a quem devo dedicar o meu amor. Para que eu a ame, deverá ela ser bela como a madrugada, branca como a neve e pura como um anjo.

— Pensai bem, meu filho, — respondeu-lhe o Sultão. Que a boa sorte vos acompanhe e que volteis são e salvo: — é esse o meu desejo.

E sem mais demora, o Príncipe partiu. A temperatura era ríspida e gelada, e os transparentes flocos de neve, atravessados pelas irradiações da luz solar, cobriam os montes e os vales.

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Viu um belo navio

 

As ondas que bramiam e que se quebravam na praia distante, pareciam arrastá-lo para junto de si, tão apressado ia êle em direção ao porto.

Ali chegando, encontrou um esplêndido navio ancorado.

Achava-se ainda maravilhado e perplexo, pois não sabia porque, esse navio havia chegado até ali ignorando para onde era destinado e mãos invisíveis conduziram-no para bordo e seus pés pousaram no convés; a âncora levantou-se sem auxílio de ninguém e o navio zarpou.

Durante três dias e três noites, deslizou sobre as ondas, dirigido por um piloto sombrio, que não pronunciava uma palavra.

Na madrugada do quarto dia, houve uma pequena parada junto a uma ilhota, e o Príncipe teve a agradável surpresa de ver seu cavalo favorito sair do porão do navio, ajaezado com selim e rédeas, pronto para ser cavalgado.

Tirou, portanto, a conclusão de que devia estar sendo esperado em terra; conduziu o cavalo até a praia, e quando voltou-se, para contemplar o navio, viu que este havia desapare cido.

Não havia por ali nem sinal de habitação e o frio era tão intenso que êle mal podia segurar as rédeas. Apesar disso, cavalgou de cá para lá, sem destino, até que viu uma pequena casa branca, que parecia manter-se equilibrada no cume de uma colina e era batida por todos os lados pelo vento.

Bateu à porta com força esperando encontrar ali um pouco de fogo e, talvez algum alimento.

Seu chamado foi atendido por um velhinho, de cabelos raros e brancos como flocos de neve, o qual o encarou com ar interrogativo.

— Ando à procura de uma esposa, meu bom velhinho, disse-lhe o príncipe. Esta, porém, deve ser a princesa mais bela do mundo, e, tão boa quanto bela. Podeis dizer-me onde a poderei encontrar?

O velhinho encostou a porta.

— Não a encontrareis aqui, disse êle. Eu sou o Inverno e este o meu reino. Meu irmão Outono talvez vos possa ajudar; quanto a mim, não tenho tempo para pensar em amores. Encontrá-lo-eis se seguirdes sempre para a frente.

O príncipe agradeceu ao bom velho a sua indicação e cavalgou novamente a sua montaria, na esperança de que o Outono quisesse dar–lhe, afinal, pousada e algum alimento.

Depois de cavalgar mais algum tempo, percebeu que a neve havia desaparecido, e que frutos maduros, em grandes cachos, pendiam das árvores.

As espigas de trigo douravam os campos e os esquilos estavam muito ocupados em armazenar nozes para a sua provisão de inverno.

Dentro de poucos instantes chegou êle a uma casa cinzenta, situada junto a um bosque, e descendo novamente do cavalo, bateu à porta dá mesma.

Esta foi aberta por um homem de cabelos negros e abundantes e olhos côr de ameixas pretas. Suas faces eram coradas e seu olhar benevolente.

— Dizei-me o que desejais, meu bom senhor, — disse êle, num agradável tom de voz.

— Procuro uma esposa, — respondeu brevemente o príncipe.

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Ela lhe disse: Deveis estar cansado...

 

— Ah! — exclamou êle, — então não vos posso auxiliar, porque estou em verdade muito ocupado com colher os frutos e não tenho tempo a perder com essas coisas. Meu irmão Estio é que vive cheio de sonhos. Êle, certamente, vos poderá proporcionar aquilo que desejais. E, isto dizendo, fechou a porta.

Observou que, à medida que ia cavalgando, a grama da estrada ia-se tornando mais viçosa e que os campos se achavam matizados de espigas maduras, a ponto de serem ceifadas.

O ar era quente e acariciava-lhe as faces docemente.

Ficou muito contente, quando, por fim, avistou uma pequena casa amarela, sombreada por um grupo de árvores.

Quando bateu à porta, ouviu o som distante de uma cascata, e a esperança de mitigar a própria sede, fazia-se esta sentir mais forte em seu espírito, do que a de encontrar a mais bela princesa do reino do Estio.

Bateu à porta e seu chamado foi atendido por um homem robusto, coroado de belos cabelos côr de ouro brunido.

— Sinto muito não poder satisfazer o vosso pedido, — respondeu-lhe o Estio, assim que o príncipe lhe expôs o motivo de sua jornada, — porque também eu, estou muito ocupado. Diri-gí-vos à minha irmã Primavera: — ela é a amiga dos jovens e virá, certamente, em vosso auxílio.

O príncipe, ao ouvir isto, foi seguindo o seu caminho, até que avistou uma linda e pequena casa verde, junto a uma moita de lilazes.

Jacintos e violetas, junquilhos, narcisos e perfumados lírios do vale, floresciam junto às janelas; quando êle bateu à porta, uma bela dama de cabelos côr de linho e de olhos suaves e profundos, côr de violeta, apareceu no limiar.

— Não tereis compaixão de mim? — disse êle ofegante. Vossos irmãos mandaram-me à vossa procura. Ando em busca de uma esposa, que seja bela como a madrugada, branca como a neve e pura como um anjo do céu.

— Vós pedis muita coisa, — disse-lhe a Primavera, — farei, entretanto, tudo o que estiver a meu alcance, afim de vos contentar.

Entrai e descansai. Deveis estar cansado e faminto.

Com grande satisfação para o príncipe, fê-lo entrar num aposento longo e baixo, embalsamado pelo aroma de muitas flores.

Depois de o haver alimentado com pão e mel, e de lhe haver mitigado a sede com leite fresco, apresentou-lhe três lindos limões, numa bandeja de cristal.

Junto a estes, havia uma linda faca e uma rica taça de ouro, finamente cinzelada.

— Estes limões representam talismãs mágicos, — disse ela. Guardai-os, portanto, cuidadosamente. Voltai imediatamente para vossa casa e ide até a grande fonte que existe no jardim do palácio. Depois de vos assegurardes de que estais completamente só, tomai esta faca de prata e cortai pelo meio o primeiro limão.

Assim que fizerdes isto, uma encantadora princesa aparecerá diante de vós e vos pedirá água.

Se vós, nesse mesmo instante, lhe oferecerdes o que vos irá pedir, nesta taça de ouro, essa

princesa permanecerá a vosso lado e será vossa esposa; mas, se hesitardes, um segundo que seja, a princesa evaporar-se-á no ar e nunca mais a tornareis a ver. *

— Eu não cometerei a tolice de hesitar, — disse.o príncipe, — mas, se isso acontecer, ficarei então sem esposa?

— Nesse caso, deveis cortar o outro limão — respondeu gravemente a Primavera, e a mesma coisa acontecerá novamente. Se hesitardes ainda dessa vez e ainda dessa vez a outra princesa desaparecer, restar-vos-á a última probabilidade quando cortardes o terceiro limão. Se falhardes esta terceira vez, morrereis pela certa.

O príncipe quisera haver agradecido pela sua benevolência, mas ela ordenou-lhe que partisse imediatamente, e com um sorriso e um suspiro, disse-lhe que não tardasse.

O príncipe, com o coração cheio de uma alegria esperançosa, cavalgou novamente através do reino do Estio, do Outono e do Inverno, e quando chegou ao porto, achava-se ali ancorada a mesma embarcação que o trouxera, esperando suas ordens.

O vento foi favorável à sua viagem de regresso, e o navio, em menos tempo do que havia empregado para a ida, ganhou a enseada que ficava próxima ao palácio de seu pai.

Deixando o cavalo entregue aos cuidados de um lacaio, dirigiu-se apressadamente para o grande jardim, e depois de haver enchido a taça que lhe dera a Primavera com a água da fonte, cortou o primeiro limão.

Nem bem êle havia feito isto, uma linda princesa surgiu e lançando-lhe um olhar tímido, pediu-lhe água.

— Tenho sede, murmurou ela. Quereis dar-me de beber em vossa taça de ouro?

O príncipe ficou tão fascinado, que pôde apenas contemplá-la, e então, fazendo um gesto de censura, a adorável donzela evaporou-se.

Foi em vão que o príncipe lamentou sua estupidez. Fêz tudo quanto lhe veio à mente, mas não conseguiu que chegasse outra vez para junto de si.

Cheio de ressentimento, cortou a casca do segundo limão. E ainda desta vez, a água que brotava da fonte murmurante, tomou a forma de uma linda moça.

Linda Donzela

Apareceu uma linda donzela

— Bela como a madrugada e branca como a neve! — exclamou o príncipe extasiado. Tão

fascinado ficou que não pensou em satisfazer o pedido que a moça lhe fêz, de lhe dar um copo de água.

O príncipe, não conseguiu readquirir seus sentidos, senão quando a segunda donzela, também, desapareceu, e mais uma vez deplorou êle sua negligência quanto às advertências da Primavera.

Com os dedos trêmulos, cravou a faca de prata no terceiro limão, e quando o aroma ativo do fruto embalsamou o ar, outra princesa surgiu em sua frente.

Fechando os olhos para não ficar fascinado pela sua incomparável beleza, ofereceu-lhe imediatamente água em sua taça de ouro.

A donzela levou-a aos lábios, com um sorriso encantador, e esgotou-a até o fim.

O príncipe ria alegremente! Até que enfim encontrara a noiva por quem suspirava.

A princesa era mais bela do que um dia de verão.

Sua fronte e suas faces eram côr de neve, e sua expressão tão pura e gentil quanto a dos anjos.

Conduzindo-a a seu lado para um banco florido, tomou-lhe as mãos e fitou-a dentro dos olhos.

— Como sois linda! — disse êle. Esperai–me aqui, enquanto vou buscar uma carruagem doirada para nela vos conduzir ao palácio. Ficai junto à fonte até eu voltar. Quero trazer-vos um lindo vestido de cetim e um rico colar de pérolas com o qual adornareis vosso lindo colo.

Isto dizendo, o príncipe partiu e a bela princesa ficou à fonte, à espera do vestido e do colar.

Morava, naquelas redondezas, uma mulher, a qual tinha a seu serviço uma preta horripilante, entendida em assuntos de feitiçaria.

A senhora ordenou-lhe que fosse à fonte buscar água e deu-lhe um cântaro para que o enchesse.

A preta pôs-se a caminho, afim de executar a ordem de sua ama.

A princesa, vendo que alguém se aproximava, e não querendo ser vista, subiu a urna árvore, cujos ramos pendiam sobre a água, e o rosto da princesa nesta se refletia como num espelho.

Ao chegar junto à fonte, a preta pousou o cântaro e olhou para dentro da água.

Vendo a imagem da princesa ali reproduzida, julgou que fosse essa a sua própria imagem.

Ficou tão encantada, ao ver-se assim tão bela, que correu para junto de sua ama.

Uma vez ali, atirou o cântaro ao chão, que-brando-o, e disse:

— Vi meu rosto na água da fonte! Sou linda e não quero mais trabalhar!

A senhora repreendendo-a, disse-lhe que fosse novamente à fonte, deu-lhe um outro cântaro e lhe recomendou que não voltasse sem água.

A cena repetiu-se tal qual a primeira vez, e a preta voltou novamente com o cântaro vazio.

— Quero casar com um príncipe e morar em um palácio, — disse ela. Ao dizer isto, arremessou para longe de si o segundo cântaro e deu alguns passos em frente à sua ama, assumindo um ar tão ridículo de dignidade, que essa dama não poude deixar de soltar uma gargalhada.

A princesa subiu à árvore

A princesa subiu à árvore

 

 

— Se soubesse o quanto és feia, — disse então, assim que poude falar, não ousaria nunca dizer semelhante disparate. E proibindo-lhe que voltasse ainda mais uma vez sem trazer água, deu à empregada um terceiro cântaro e mandou-a novamente à fonte.

A linda princesa, sorriu ao vêr a mulher, quando esta chegou junto à fonte, cheia de cólera, rangendo os dentes e envesgando os olhos.

— Sou muito linda, — exclamou ela, em tom de triunfo. Tão bela quanto uma rainha.

Disse isto tão alto, que a princesa a escutou, e seu riso soou como se fosse um carrilhão de sininhos.

Olhando imediatamente para cima, a preta avistou-a entre os ramos, e a sua vaidade desiludida fêz com que ela ficasse quase muda…

Sua senhora tinha realmente razão, porque a linda visão que ela havia visto dentro da água não era o reflexo de sua própria imagem.

Olhou para cima com os olhos dilatados, e surgiram em seu íntimo pensamentos de vingança.

— Farei com que ela sofra, — murmurou irada. .. Abrindo, então, seus grossos lábios num falso sorriso, saudou a princesa dizendo–lhe: "Bom dia!" — Porque vos escondeis nessa árvore, linda moça? — perguntou-lhe gentilmente.

— Estou à espera de meu príncipe. Êle deixou-me aqui enquanto ia buscar, para que eu o vestisse, um vestido de cetim, e um colar de pérolas, murmurou a princesa docemente.

— Vossos cabelos doirados estão emaranhados pelo vento, — disse-lhe a preta. Deixai que eu me aproxime de vós e farei com que eles se tornem sedosos e macios. Não deveis estar despenteada quando vosso príncipe chegar.

— Como sois boa, — disse a princesa. Quando ela abaixou sua cabeleira loira em direção à preta, a traiçoeira mulher atravessou–lhe a cabeça com um alfinete longo e agudo.

A princesa caiu desmaiada, mas antes que o seu corpo tocasse o solo, ela transformou-se numa pomba branca como a neve, a qual voou lançando gemidos plangentes.

A mulher tomou o lugar da princesa sobre o galho, e, quando, finalmente, o príncipe apareceu, trazendo um vestido de cetim e um véu de noiva, foi a preta a quem avistou, olhando para êle de cima da árvore.

— Onde está minha linda princesa? — perguntou êle. Ela é bela como a madrugada, branca como a neve. Que foi feito dela?

— Ai! de mim! Querido príncipe, respondeu a negra tristemente, durante a vossa ausência uma feiticeira apareceu aqui e transformou-me, deixando-me conforme agora me vedes. Quando vós me provardes o vosso amor, fazendo de mim vossa esposa, tornar-me-ei novamente uma linda e encantadora princesa; porém, se me abandonardes, permanecerei horrenda para sempre.

Apesar do aspecto da negra lhe inspirar a maior repulsão, o príncipe lembrou-se de que era um homem de honra, e não podia, portanto, faltar à sua palavra.

Chamando as damas que se achavam esperando dentro da carruagem que êle havia trazido, para levar sua noiva até o palácio, pediu a estas que vestissem a preta com o vestido de cetim, e parecendo não reparar no espanto e no desgosto que estas demonstravam, levou-a até à presença de seu pai, apresentando-a como sua noiva.

1001 noites

Agarrou a pomba

 

O Rei ficou, como era natural, horrorizado com o seu aspecto; no entanto, quando o príncipe lhe explicou o que aquilo significava, consentiu que o príncipe a desposasse e ficasse à espera de que tudo corresse do melhor modo possível.

Enquanto o pai e o filho tratavam desse assunto, a negra percorreu todo o palácio, dando ordens descabidas aos servidores, tornando-se assim odiosa a todos eles.

Por fim, chegou ela até à grande cozinha, e ordenou ao cozinheiro-chefe, que preparasse ricos manjares para o jantar de bodas.

Ao dar esta ordem, em voz alta e estridente, passou junto à janela uma pomba branca e ligeira, pousando sobre o peitoril.

— Matem esta pomba, — exclamou ela, — e preparem-na para a minha ceia.

Não ousando desobedecer-lhe, o cozinheiro–chefe matou a pomba imediatamente, mergulhando uma faca afiada em seu peito de neve.

Três gotas de sangue caíram desde o peitoril da janela ao pátio, e um pequeno broto nasceu de cada uma delas.

Como se uma fada houvesse agitado sua varinha mágica, esses três brotos cresceram e transformaram-se em três árvores de fragrantes flores, e em menos tempo do que é preciso para dizê-lo, as flores, por sua vez, transformaram-se em lindos limões dourados.

Enquanto isto se passava, o príncipe andava à procura de sua noiva, porque, uma vez que èle se dispusera a cumprir um dever tão desagradável, desejava cumprí-lo de modo irrepreensível.

— Saiba S. Alteza Real que ela está na co-sinha — disse um de seus cortesãos escandalizado. Indo procurá-la, o príncipe passou sob o limoeiro. A vista de seus frutos trouxe-lhe um raio de esperança, e colhendo os três mais belos que encontrou, correu com eles para o seu

quarto, onde, depois de encher de água a taça de ouro, introduziu a lâmina da faca de prata na casca do primeiro limão.

Tal qual como acontecera a primeira vez, apareceu-lhe uma donzela e estendeu suas lindas mãos para a taça de ouro.

— Ah! Não! Vós sois encantadora, mas não sois a minha princesa.

Cortou então a casca do segundo limão e uma segunda princesa apareceu diante dele.

O príncipe, também desta vez, sacudiu a cabeça, negativamente. Não era essa sua querida princesa.

Finalmente, cortou o terceiro limão, e nesse mesmo momento, sua querida noiva lançou-se novamente em seus braços!

Grande foi a satisfação e o alívio do velho Sultão, quando o príncipe lhe disse que aquela linda moça era a sua noiva, ouvindo, também, com as sobrancelhas franzidas o relato que lhe fêz a princesa, de tudo o que havia acontecido quando seu bem amado a havia deixado junto à fonte.

Ordenou então que a negra fôssé trazida à sua presença, e fitando-a com ar severo, perguntou-lhe qual o justo castigo que, segundo sua opinião, devia ser inflingido a quem ousasse fazer afronta à noiva de seu querido filho.-

Desenho da linda princesa

Apresentou sua linda noiva ao Sultão

 

— Um castigo não menor do que a morte, — declarou, — e a morte pelo fogo.

Mandai lançar o ofensor dentro do forno do palácio de V. Majestade e depois mande fechar sua grande porta.

— Senhora, disse o Sultão secamente, — acabais de ditar a vossa própria sentença!

Transida de medo a negra foi levada para fora da sala.

No entanto, a boa princesa não quis que ela fosse condenada.

— Ela é uma pobre mulher ignorante, — disse, e já é uma triste coisa ser-se assim tão feia. Deixai-a partir livremente. Sou eu quem vos suplico. É a mercê que vos peço, como presente de noivado.

O Sultão não poude recusar o primeiro pedido de sua nova filha, e o príncipe olhou para ela apaixonadamente.

— Eu já sabia que vós éreis bela como a madrugada e branca como a neve — murmurou êle, e agora vejo que sois também boa como um anjo.

E apesar dos anos vindouros, lhe haverem trazido tantas tristezas quanto alegrias, o príncipe continuou a ser, em verdade, abençoado; e a princesa, amada pelos seus súditos, o coadjuvou em seu governo.

O príncipe, cada vez que via um limoeiro, enviava um pensamentos de gratidão à primavera, pelos mágicos presentes que esta lhe oferecera, e, em virtude dos quais, êle havia alcançado o que desejara. FIM (Trad. e adaptação de Leoncio de Sá Filho)

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