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Plutarco – Vidas Paralelas – Cícero



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    Cícero voltou a depois de 16 meses de exílio. Todas as cidades e todas as populações demonstraram tanta alegria e tanta ânsia em ir ao seu encontro, que Cícero dizia a verdade quando afirmava que a Itália inteira o conduzira a sobre os seus ombros. O próprio Crasso, que já era seu inimigo antes do exílio, saiu também ao seu encontro e se reconciliou com ele querendo assim causar prazer a seu filho Públio, que era um dos mais ardentes admiradores de Cícero.

  XXXIV. Aproveitando-se da ausência de Clódio, pouco tempo depois, Cícero foi ao Capitólio, acompanhado de vários cidadãos, arrancou as tábuas tribunícias em que se inscreveram os atos do tribunato de Clódio e as desfez em pedaços. Clódio quis, por isso, acusá-lo como criminoso. Respondeu-lhe Cícero que foi desprezando a lei que Clódio, patrício de nascimento, chegara ao tribunato. Portanto, nada do que havia decretado, durante o exercício do seu cargo, era legal. Catão ficou descontente com essa violência e combateu o motivo invocado por Cícero. Não que ele aprovasse os atos de Clódio: pelo contrário, reprovava a sua administração, mas o Senado não podia, na sua opinião, sem injustiça, e sem abuso de autoridade, anular decretos e atos tão importantes, dos quais um, entre outros, era a comissão para a qual ele havia sido nomeado e que devia desempenhar em Chipre e Bizâncio. Reinou, depois dessa questão, certa frieza entre Catão e Cícero, não que chegasse à ruptura decisiva, mas viveram daí por diante com menos intimidade.

    XXXV. Pouco tempo depois, Milon matou Clódio e, processado por esse assassínio, encarregou Cícero de sua defesa. O Senado, temeroso de que o perigo em que se encontrava um homem considerado e violento como Milon causasse alguma perturbação em Roma, encarregou Pompeu de presidir não só a esse julgamento mas também aos outros processos e de velar pela segurança na cidade e nos tribunais. Pompeu distribuiu, na véspera, soldados pelo Fórum e pelos lugares que o dominam. Milon, de medo que Cícero, perturbado por esse espetáculo incomum, não falasse com a sua eloqüência habitual, convenceu-o de que se devia transportar ao Fórum em liteira e conservar-se em repouso até que os juízes chegassem e que o tribunal começasse a funcionar. Cícero era tímido, ao que parece, não só quando se tratava de guerra, mas até quando se tratava de ir à tribuna. Jamais começava um discurso sem experimentar certo temor, embora uma longa prática tivesse fortalecido e aperfeiçoado a sua eloqüência, o que devia impedilo de tremer e comover-se. Advogado de Lúcio Murena 42, acusado por Catão, mostrou-se tão fatigado por esse trabalho extenuante e pela longa vigília, que pareceu inferior a si próprio. No dia do julgamento de Milon, quando, ao sair da, sua liteira, viu Pompeu sentado no alto do tribunal, como num campo e, em torno dele, soldados com armas reluzentes, ficou completamente emocionado e não começou seu discurso senão com grande dificuldade, o corpo todo tremendo e falando com uma voz entrecortada, ao passo que Milon assistia aos debates com um ar confiante e corajoso, desdenhando deixar crescer os cabelos e tomar uma roupa de luto. Foi isso, creio eu, o que mais contribuiu para a sua condenação. De resto, o terror de Cícero em tais circunstâncias parecia devido menos à sua timidez do que à sua afeição pelos amigos.

   XXXVI. O colégio dos sacerdotes, a que os romanos chamam áugures, recebeu-o, em substituição a Crasso, o jovem, que fôra morto pelos Partos. Tendo-lhe cabido por sorte a Cilicia 43, na partilha das províncias, com um exército de doze mil homens de infantaria e dois mil e seiscentos de cavalaria, para lá embarcou. Levava, também, a missão de reconciliar os capadócios 44com o rei Ariobarzanes e de reconduzi-los à obediência. Conseguiu-o, sem dar lugar a nenhuma queixa e sem recorrer às armas. Os desastres experimentados pelos romanos no país dos Partos 45 e os movimentos da Síria que contaminaram os Cilicianos do espírito de revolta, ele os remediou e conteve pela brandura do seu governo. Recusava presentes, mesmo os que lhe eram oferecidos pelos reis, e repunha nos cofres da província as despesas da sua mesa. Recebia, à própria custa, pessoas cuja convivência lhe era agradável. Tratava-as sem magnificência, porém com muita liberalidade. Não havia porteiro em sua casa e jamais alguém o encontrou na cama. Levantava-se de manhã cedo, passeava pelo quarto, acolhendo gentilmente os que iam saudá-lo. Nunca ninguém, com o seu consentimento, apanhou com varas e teve a sua roupa rasgada. Jamais, mesmo em estado de cólera, pronunciou uma palavra ofensiva ou impôs alguma multa que pudesse parecer injuriosa. Os fundos públicos tinham sido dilapidados: ele enriqueceu as cidades, fazendo-as recobrar o que haviam perdido. E, sem ferir ignominiosamente os prevaricadores, contentou-se em fazê-los devolver aquilo de que se tinham apossado. Teve de fazer uma guerra: pôs em fuga os bandidos que habitavam o Amanus 46. Essa vitória levou os soldados a dar-lhe o título de imperator 47 . O orador Célio pediu-lhe que enviasse panteras da Cilicia para as diversões que estava organizando em Roma. Cícero respondeu-lhe, algo envaidecido com as suas façanhas, que não havia mais panteras na Cilicia: tinham todas fugido para a Cária, furiosas de serem elas as únicas contra as quais se fez a guerra, enquanto que o resto da província vivia em paz.

    Ao voltar da Cilicia, passou primeiramente em Rodes, depois em Atenas, onde se demorou prazerosamente algum tempo, pela lembrança que lhe trazia a estada que aí fizera outrora. Conversou em Atenas com os homens mais eminentes pelo saber e visitou os seus amigos e familiares que aí se encontravam então. Após haver recebido da Grécia um justo tributo de admiração, retornou a Roma, onde encontrou os negócios públicos em combustão, por assim dizer, e a guerra civil a ponto de rebentar.

   XXXVII. O Senado quis lhe conceder o triunfo. Respondeu Cícero que seguiria com mais satisfação o carro triunfal de César, depois de feita a paz com ele. Não cessava, em particular, de aconselhar essa paz. Escrevia frequentemente a César, da mesma maneira que a Pompeu, não poupando esforços no sentido de abrandar os seus dissentimentos. O mal, porém, era irremediável e, quando César avançou sobre Roma, Pompeu, em lugar de o esperar, abandonou a cidade seguido de um número considerável de cidadãos ilustres. Cícero não o acompanhou nessa fuga. Acreditava-se que ele se fosse juntar a César. É verdade que oscilou durante muito tempo entre os dois partidos em vésperas de violenta agitação. Ele próprio escreveu nas suas Cartas: “De que lado devo me colocar? Pompeu tem, para fazer a guerra, um motivo glorioso e honesto. César, porém, se há de conduzir melhor nesta terrível crise e há de saber fazer melhor pela sua salvação e pela dos seus amigos. Sei muito bem que devo fugir, mas não vejo quem me dará refúgio”.

    Trebácio, um dos amigos de César, escreveu a Cícero dizendo-lhe que era pensamento de César que ele se devia juntar ao general e partilhar das suas esperanças, ou que, se sua idade não permitisse esse caminho ativo, devia retirar-se para a Grécia e aí viver tranquilamente, livre de compromissos com um e outro partido. Cícero, admirado de que César não lhe tivesse escrito diretamente, respondeu a Trebácio cheio de cólera, afirmando que não tomaria nenhuma atitude indigna dos atos políticos da sua vida. Eis o que se encontra, com os próprios termos seus, nas suas Cartas.

   XXXVIII. Havendo César partido para a Espanha, Cícero embarcou imediatamente, a fim de se reunir a Pompeu. Todos viram com prazer essa resolução, exceto Catão, que, à sua chegada, o chamou em particular e reprovou-lhe o haver abraçado o partido de Pompeu.

    - Quanto a mim – disse-lhe Catão – não posso, sem me causar prejuízo, abandonar uma causa a que estou ligado desde a minha estréia nos negócios públicos. Mas tu, porventura, não terias sido mais útil à tua pátria e aos teus amigos ficando neutro em Roma e adaptando a tua conduta aos acontecimentos, em lugar de vires aqui, sem razão e sem necessidade, declarar-te inimigo de César e empenhar-te em tão grande perigo?

    Essas observações foram o bastante para que Cícero mudasse de opinião, tanto assim que Pompeu não o designou para nenhum cargo de importância. É verdade que Cícero não devia queixar-se senão de si próprio, pois não negava que se havia arrependido. Pilheriava francamente dos prepa rativos de Pompeu, desaprovava intimamente os seus projetos e não deixava de atirar contra os aliados os seus brocardos e ditos espirituosos. Passeava durante todo o dia pelo campo com um ar sério e morno, mas não deixava escapar nenhuma ocasião de fazer rir aos que não tinham vontade de divertir-se. Talvez não seja mau examinar aqui o seu aspecto de humorista.

    Domício queria conferir um posto superior a um homem pouco afeito à guerra e louvava a pacatez e a honestidade dos seus costumes.

    - Por que não o guardas, – replicou Cícero, – para educador dos teus filhos?

    Teofano de Lesbos era, no exército, prefeito dos operários do acampamento. Como lhe louvassem a maneira pela qual ele consolava os ródios da perda da sua armada, observou Cícero:

    - Como se é feliz quando se tem um grego por capitão!

    César saía vitorioso em quase todos os combates e considerava Pompeu como sitiado.

    - Afirma-se, – comentou Lêntulo, – que os amigos de César estão muito tristes.

    - Queres dizer, – replicou Cícero, – que estão de má vontada com César?

    Um certo Márcio, recentemente chegado da Itália, dizia que o boato corrente em Roma era de que Pompeu se encontrava sitiado.

    - E embarcaste repentinamente, – disse Cícero, para vires te certificar disso com os teus próprios olhos?

    Após a derrota de Pompeu, Nônio dizia:

    - Tenhamos esperança! ainda restam sete águias no campo de Pompeu. 48

    - Terias razão, – respondeu Cícero, – se fizéssemos guerra às gralhas.

    Labieno, cheio de confiança em certas predições, sustentava que Pompeu acabaria como vencedor.

    - No entanto, – assegurou Cícero, – foi com essa tática que acabamos perdendo o nosso campo.

    XXXIX. Retido, no leito por uma doença, Cícero não havia podido ir à batalha de Farsália. Quando Pompeu fugiu, Catão, que possuía em Dirráquium um exército númeroso e uma frota considerável, quis que Cícero assumisse o comando das forças militares, em virtude da lei, pois estava revestido da dignidade de cônsul. Cícero, porém, recusou em absoluto essa prebenda, declarando que não tomaria parte nenhuma na guerra. Essa recusa quase lhe foi fatal: o jovem Pompeu e seus amigos apontaram-no como traidor, e atravessá-lo-iam com suas espadas, se Catão não o tivesse impedido. Ainda por interferência de Catão, Cícero abandonou o acampamento e se dirigiu a Brindis, onde se demorou por algum tempo à espera de César, retido fora da Itália, pelos negócios da Ásia e do Egito. Ao saber que César desembarcara em Tarento e que viria de lá, por terra, a Brindis, Cícero correu a esperá-lo, não desesperançado de obter o seu perdão, mas, entretanto, cheio de vergonha por ter de fazer, à vista de tanta gente, a prova das disposições de um inimigo vitorioso. Não lhe foi necessário, porém, tomar nenhuma atitude incompatível com a sua dignidade. César, ao perceber que Cícero, adiantando-se bastante dos demais, ia ao seu encontro, desceu do cavalo e o saudou, caminhando ao seu lado alguns estádios 49, numa palestra animada. Daí por diante, não cessou de testemunhar-lhe a sua estima e amizade. Tendo Cícero composto mais tarde um elogio de Catão, César, na resposta que lhe deu, elogiou a eloqüência e a vida de Cícero, que ele comparou às de Péricles e de Teramene. O discurso de Cícero intitula-se Catão e o de César AntiCatão.

    Tendo sido Quinto Ligario acusado como um dos que tinham usado dás armas contra César, Cícero encarregou-se da defesa. César, ao que se conta, disse, então, a um dos seus amigos:


- Que impede que deixemos Cícero falar? Há muito tempo já que não o ouvimos. Quanto ao cliente, é homem mau, é meu inimigo: está julgado.

    Cícero, porém, desde as primeiras palavras do seu discurso, comoveu singularmente César. E, à medida que avançava, empregando todos os recursos do patético, tudo quanto possuía a sua eloqüência de sedução, viu-se muitas vezes César mudar de cor e tornar sensíveis os diversos afetos que lhe agitavam a alma. Enfim, quando o orador tocou na batalha de Farsália, César, fora de si, estremeceu todo o corpo e deixou cair os papéis que tinha na mão. Cícero, vencedor do ódio de César, conseguiu a absolvição de Ligário.

   XL. Substituído o antigo governo pelo poder de um só homem, Cícero abandonou desde então a vida pública e empregou todo o seu tempo no trato com os moços que desejavam aplicar-se à filosofia. Pertenciam eles às principais famílias de Roma. Cícero reconquistou, por suas freqüentes relações com eles, um grande prestígio na cidade. Sua ocupação era compor e traduzir diálogos filosóficos e fazer passar para o latim os termos da física e da dialética. Foi ele afirma-se, quem naturalizou primeiramente, ou pelo menos com maior sucesso entre os romanos, as palavras gregas que significavam imaginação (fantasia), assentimento (catatesis), suspensão de julgamento (epoché), átomo, invisível, vazio (cenon) e várias outras semelhantes, explicando, ou por metáforas ou por termos conhecidos e vulgares, as que se aproximavam delas pelo sentido. Servia-se, no seu divertimento, da facilidade que possuía para a poesia: quando se abandonava à sua veia poética, fazia, conta-se, quinhentos versos numa noite.

    Cícero passava a maior parte do seu tempo em Tusculum, domínio seu, de onde escrevia aos amigos dizendo que levava a vida de Laerte. Dizia-o, ou por troça, como era seu costume, ou porque a ambição lhe fizesse almejar o retorno à vida política. O certo é que estava descontente da situação em que se encontrava. Raramente ia a Roma e somente para fazer a corte a César. Era o primeiro a aplaudir as honras que se conferiam a César e encontrava sempre alguma coisa de novo e lisonjeiro para dizer sobre a sua pessoa ou suas ações. Tais são as palavras sobre as estátuas de Pompeu que haviam sido derrubadas e que César reergueu de novo.

    - César, – disse Cícero, – levanta as estátuas de Pompeu, mas essa generosidade firma as suas próprias estátuas.

    XLI. Sonhava Cícero escrever a história de seu país, enriquecendo-a com muitas tradições gregas e narrações das primeiras idades. Foi, porém, desviado do seu intento por uma série de ocupações públicas e particulares, por acontecimentos desagradáveis e outros que o atribularam, ao que parece, quase todos por sua própria culpa. Primeiro que tudo, repudiou sua mulher Terência, porque, durante a guerra, se ocupara muito pouco com ele e, quando ele partiu, deixara que faltassem as coisas mais necessárias para a viagem, e também porque, à sua volta à Itália, dela não recebera nenhuma prova de afeição. Encontrando-se ele em Brindis durante muito tempo, Terência não procurou vê-lo e quando sua filha, que era extremamente jovem, aí foi juntar-se a ele sua mulher não lhe deu nem um séquito conveniente para um percurso tão longo, nem com que prover aos seus gastos, como era necessário. Terência, enfim, abandonara a casa de Cícero, deixando-a vazia e desprovida, carregada de dívidas consideráveis. Tais são os pretextos mais honestos que apresentou para o seu divórcio. Terência negava que houvesse verdade nessas acusações e o próprio Cícero – é preciso confessar – deu-lhe um excelente meio de justificação, desposando, pouco tempo depois, uma moça cuja beleza o havia seduzido, ao que dizia Terência. Tiron, porém, liberto de Cícero, afirma que ele se casara em virtude da riqueza da noiva, pois precisava pagar as suas dívidas. Essa moça era, com efeito, muito rica, e Cícero possuía seus bens em fideicomisso, por testamento do pai, até à sua maioridade. Como, porém, ele devesse somas consideráveis, deixou-se persuadir por seus amigos e parentes de que devia desposá-la, apesar da desproporção da idade, a fim de que, com sua fortuna, se livrasse dos credores. Antônio, no seu discurso em resposta às Filípicas, fala desse casamento, asseverando que Cícero repudiara uma mulher ao lado da qual envelhecera, dizendo com graça que ele tinha sido um homem pássaro, que jamais se havia afastado de sua casa, nem tinha estado na guerra para servir à causa pública.

    Algum tempo depois do seu casamento, Cícero perdeu a sua filha Túlia, morta de parto na casa de Lêntulo, que ela desposara após a morte de Pison, seu primeiro marido. Os filósofos acorreram, de todos os lados, à casa de Cícero, a fim de consolá-lo. Essa infelicidade, porém, afetou-o tão profundamente, que foi até ao repúdio da sua nova mulher, pois estava convencido de que ela se alegrara com a morte de Túlia.

    XLII. Eis aí a vida doméstica de Cícero.

    Ele não tomou parte, absolutamente, na conjuração contra César, se bem que fosse um dos mais devotados amigos de Bruto e, descontente com o estado presente dos negócios do Estado, desejasse, como nenhum outro, o retorno de Roma à antiga ordem de coisas. Mas os conjurados não ousaram fiar-se num caráter tímido como o seu nem num homem já na idade em que tinham desaparecido a audácia e a firmeza próprias das almas vigorosas. Executado o plano de Bruto e Cássio, os amigos de César se prepararam para a vingança. Temia-se ver Roma mergulhada nas guerras civis. Antônio, que era cônsul, convocou o senado e falou, em poucas palavras, sobre a necessidade da concórdia. Cícero fez um longo discurso, de acordo com as circunstâncias, e convenceu os senadores de que deviam decretar, a exemplo de Atenas, uma anistia geral para tudo quanto se havia feito sob a ditadura de César, e distribuir províncias a Cássio e Bruto. Essas medidas, porém, ficaram sem efeito. O povo se deixou arrastar por uma paixão natural em frente ao corpo de César, que era conduzido através do Fórum. Quando Antônio tirou a túnica de César toda ensangüentada e furada pelos golpes de espada, esse espetáculo encheu a multidão de tal furor que procurou os assassinos na própria praça e correu, de tochas na mão, a incendiar as suas casas. Prevendo esse perigo, furtaram-se às perseguições. E, como temessem outras e maiores ainda, tomaram a resolução de abandonar Roma.

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