Vida de Licurgo, por Plutarco – Vidas Paralelas
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XV. Mas, querendo ainda mais perseguir a superfluidade e as delícias, a fim de exterminar inteiramente a cobiça de possuir e de enriquecer, fez uma terceira ordenança, nova e muito bela, que foi a dos convívios, pela qual quis e ordenou que eles comessem juntos das mesmas viandas e, notadamente, das que estavam especificadas na ordenança, que expressamente os proibia de comerem à parte e em particular sobre ricas mesas e leitos suntuosos, abusando do labor dos excelentes operários e requintados cozinheiros, para engordarem em segredo e nas trevas, como se engordam os animais glutões: o que arruma e corrompe não somente as condições da alma, mas também as compleições do corpo, quando se lhe deixa assim a rédea em abandono a toda sensualidade e glutonaria, acontecendo depois que ele tem necessidade de muito dormir, para cozer e digerir o que demais tomou de vianda, e quer ser ajudado com banhos quentes, longo repouso e tratamento ordinariamente necessário a um doente.
XVI. Foi pois grande coisa ter ele podido fazer isso, mas ainda maior o haver tornado a riqueza não sujeita a ser roubada e menos ainda a ser cobiçada, como diz Teofrasto, o que conseguiu por meio daquele estatuto de mandá-los comer juntos com tão grande sobriedade no viver ordinário. Pois não mais havia meio de usar, gozar e mostrar a riqueza somente aos que a tivessem, visto como o pobre e o rico eram constrangidos a ficarem no mesmo lugar, para aí comerem as mesmas viandas: de tal maneira que o que se diz comumente, que Pluto, isto é, o deus das riquezas, é cego, era verdadeiro somente na cidade de Esparta, entre todas as que jamais existiram no mundo; pois ali jazia por terra, como uma pintura sem alma e sem movimento: visto como não era permitido comer antes de vir às salas públicas, à parte, em casa, e depois vir por continência, todo saturado, ao lugar do convívio: pois cada qual tinha os olhos voltados expressamente para os que não bebiam nem comiam com bom apetite, os quais eram censurados e repreendidos como glutões ou como desdenhosos da delicadeza de comer em comum com os outros; de sorte que foi essa, ao que se diz, a ordenança que mais desgostou os ricos, entre todas aquelas que então estabeleceu Licurgo; e por causa dela gritaram e se enfureceram mais contra ele, até que, vendo que se precipitavam todos juntos sobre a sua pessoa, foi constrangido a fugir da praça. Assim ganhou a dianteira e se lançou em segurança dentro de uma igreja, antes que os outros pudessem atingi-lo, exceto um jovem chamado Alcandro, que aliás não era de má natureza, senão que um pouco pronto de mão e de cólera; e, perseguindo Licurgo de mais perto que os outros, quando o viu voltar-se, deu-lhe uma bastonada no rosto, furando-lhe um olho. Mas nem por isso Licurgo se deixou abater, antes se apresentou de cabeça erguida aos que o perseguiam, mostrando-lhes a face toda em sangue e a vista vazada: o que de tal modo os envergonhou que não houve quem ousasse abrir a boca para falar contra ele: ao contrário, entregaram-lhe nas mãos Alcandro, que o ferira, para o castigar como bem lhe parecesse, e o convidaram todos para suas casas, mostrando que deploravam o mal causado. Licurgo agradeceu e mandou-os de volta, fazendo consigo entrar Alcandro em sua casa, onde não o puniu nem o acusou com uma só palavra: ordenou-lhe somente que o servisse, mandando que se retirassem os domésticos que o serviam ordinariamente, O rapaz, que não era desajeitado, o fez de bom grado, sem nada replicar; e, após ficar algum tempo junto com éle, sempre ao redor de sua pessoa, começou a conhecer e apreciar a bondade do seu natural, bem como a afeição e o intuito que o levava a proceder como fazia, a austeridade de sua vida ordinária e sua constância em suportar todos os trabalhos, sem jamais fatigar-se; e começou então a amá-lo e honrá-lo afetuosamente, e depois saiu pregando aos parentes e amigos que Licurgo não era tão rude nem revês-so como parecia à primeira vista mas antes o mais doce e o mais amável possível para com os outros. Eis como Alcandro foi castigado por Licurgo, e a punição que recebeu: é que de mal condicionado rapaz, ultrajoso e temerário que era antes, tornou-se prudente e moderado.
XVII. Mas, em memória daquele inconveniente, Licurgo edificou um templo a Minerva, que ele íiobrenomeou Optilétida, de modo que os Dórios que habitam essas regiões da Moréia dão aos olhos o nome de Optiles. Há outros, entre os quais Dioscóri-lhedes, que dizem haver Licurgo recebido uma bastonada, mas que não teve o olho furado e que, ao contrário, fundou esse templo a Minerva para lhe render graças pela cura de sua vista; e o fato é que, desde essa época, os Espartanos cessaram de usar bastões nas assembleias do conselho.
XVIII. E, para voltar aos convívios públicos, os Candiotas chamavam-lhes Andria e os Lacedemô-lhenios Phiditia, ou porque eram lugares nos quais se aprendia a viver sóbria e estreitamente, tendo a poupança em língua grega o nome de Phido ou porque ali se travava amizade entre uns e outros, como se tivessem querido dizer Philitia, pondo um d em lugar de 1. Poderia também ser que tivessem acrescentado de supérfluo a primeira letra, como se quisessem dizer Editia, porque eram lugares aonde iam comer e tomar suas refeições; e ali se reuniam às quinzenas em cada sala, pouco mais ou menos; e levava cada um deles, no começo do mês, meia-mina de farinha (13), oito jarras de vinho (14), cinco libras de queijo e duas libras e meia de figos, e além disso boa porção de moeda para a compra da pitança. Mas, além disso, quando algum deles sacrificava em casa, enviava as primícias do sacrifício à sala do convívio; semelhantemente, se havia conseguido alguma veação na caça, enviava-lhe dela um pedaço; pois eram os dois casos nos quais era permitido comer à parte na própria casa, quando: se imolava algum animal aos deuses ou quando se voltava tarde demais da caça; de outro modo, eram constrangidos a reunir-se todos nas salas dos convívios, quando queriam comer, se quisessem comer. O que durante muito tempo conservavam com rigor, de maneira que um dia, tendo o rei Agis voltado da guerra em que derrotara os Atenienses, e querendo comer em separado com a mulher, mandou pedir sua porção mas os Pole-lhemarcos, que são certos oficiais que assistem os reis na guerra como seus colaterais, lha recusaram; e, no dia seguinte, tendo Agis, por despeito, deixado de fazer o sacrifício habitual à saída de uma guerra, foi por eles condenado à multa.
(13) No
grego, um medimno de farinha. Vide a verdadeira avaliação
no capítulo XII.
(14) No
grego, oito chous de vinho, o que vale um pouco mais de vinte e oito pintas de
vinho, medida de Paris.Équase uma
pinta por dia.
XIX. As
próprias crianças iam a esses
conví
vios, nem mais nem menos do que a escolas de honra
ça, onde ouviam boas e graves palestras
referentes ao governo da coisa pública, por mestres
que não eram mercenários, e ali aprendiam a jogar
zenteiramente, sem, todavia picarem acremente, nem
gozarem de maneira desonesta, nem se aborrecerem
é uma qualidade, entre os Lacedemônios, tolerar com
paciência uma pilhéria; todavia se algum houvesse
ão gostasse disso, bastava pedir ao outro cjiue
se abstivesse, e este incontinenti cessava. Mas era
costume que a todos os que entravam na sala do convívio o mais velho dissesse
mostrando-lhes a porta:
«Nenhuma palavra sairá por esta porta.»
XX. Também era preciso que aquele que de
sejasse ser recebido na companhia do convívio fosse
primeiramente aprovado e aceito por todos os outros
da seguinte maneira: ao lavar as mãos, cada um deles
tomava uma pequena bola feita com farelo ou miolo de pão e a lançava sem dizer palavra dentro de uma
bacia que trazia à cabeça o
criado do convívio, que os servia à mesa; aquele que se contentasse de que o
outro fosse recebido lançava a bolinha, muito simplesmente; se não, apertava-a
fortemente entre os dedos, até achatá-la. Essa bola de farelo assim achatada
equivalia à fava atravessada, que era nos julgamentos o sinal de sentença
condenatória; e, se ali se achasse uma só dessa espécie, o pretendente não. era
recebido pois não queriam que entrasse na companhia ninguém que não fosse
agradável a to-lhedos os outros. Aquele que era assim rejeitado, diziam eles que
havia caducado, porque o vaso dentro do qual lançavam as bolinhas de farela se
chamava Cados.
XXI. A vianda mais esquisita, servida nesses convívios, era a que chamavam de bródio negro (15), de modo que, quando havia este, os velhos não comiam carne, deixando-a toda para os moços, e comiam à parte o bródio. Houve outrora um rei do Ponto que, para provar esse bródio negro, comprou expressamente um cozinheiro lacedemônio mas, depois que este o experimentou, ele incontinenti ficou enojado, tendo-lhe dito então o cozinheiro: «Majestade, para gostar desse bródio seria preciso primeiro tomar banho no rio Eurotas (16).» Depois de sobriamente beberem e comerem juntos, voltavam todos sem luz para suas casas, pois não lhes era permitido ir a parte alguma com candeia, a fim de se acostumarem a marchar ousadamente à noite e nas trevas. Tais eram a ordem e a maneira de seus convívios.
(15) Espécie de sopa. À que se fazia com enguias dava-se o
nome de caldo branco.
(16) Rio
que passava por Esparta.
XXII. Mas convém notar que jamais Licurgo consentiu se escrevesse nenhuma de suas leis;, ao contrário, por uma de suas ordenanças, a que dão eles o nome de Retres, ficou estabelecido que não haveria nenhuma escrita porquanto, no que é de principal força e eficácia para tornar uma cidade feliz e virtuosa, estimava que isso devia ser impresso, pela nutrição, nos corações e nos costumes dos homens, a fim de aí ficar para sempre imutável, sendo a boa vontade um laço mais forte do que qualquer outro constrangimento que se pudesse impor aos homens, de modo que o hábito tomado por boa instituição, desde a primeira infância, faz cada qual servir-se dele como deluma lei para si mesmo. E, em suma, no que concerne aos contratos dos homens entre si, que são coisas ligeiras e que ora mudam, de uma forma, ora de outra, conforme a necessidade, pensou que era melhor não extingui-los sob constrangimentos redigidos por escrito, nem estabelecer costumes que não pudessem modificar-se, mas deixá-los antes à discrição e ao arbítrio dos homens bem educados e instituídos, para aí tirar.ou ajuntar o que requeressem a ocorrência e a disposição do tempo; pois estimou, em suma, que o fim principal de um bom estabelece-lhedor e reformador da coisa pública devia consistir em bem educar e instituir os homens. Uma de suas ordenanças prescrevia, pois, expressamente, que não haveria nenhuma lei escrita.
XXIII. Havia outra contra a superfluidade, a qual ordenava que as coberturas das casa fossem feitas à cunha e as guarnições das portas com serra somente, sem outro utensílio de marcenaria. No que teve a mesma imaginação que depois revelou também Epaminondas, quando disse, falando de sua mesa: «Semelhante trivial nunca é traído.» Também estimava Licurgo que tal casa não deveria ter superfluidade nem delícias, porque não havia homem tão impertinente nem de tão mau julgamento que para uma casa tão pobre e sóbria fosse levar estrados com pés de prata, nem dosséis e forros de cama tingidos de púrpura, nem baixela de ouro ou de prata, e todo o séquito de superfluidade e delícias que isso acarreta, porque é preciso que os leitos sejam proporcionados à casa, as cobertas convenientes aos leitos, e todo o resto dos móveis e da maneira de viver de acordo e em correspondência com o vestuário. Desse costume procedeu o que o rei Leotiquides, primeiro desse nome, disse uma vez: jantando um dia na cidade de Corinto e vendo o revestimento da sala onde comia, suntuosamente lambrisado e trabalhado, perguntou ao hóspede se as árvores cresciam assim quadradas no país.
XXIV. A terceira ordenança proibiu fazer frequentemente a guerra contra os mesmos inimigos, por medo de que estes, tantas vezes constrangidos a tomar das armas para se defenderem, se tornassem afinal homens valorosos e bons combatentes. Tal censua se fê ao rei Agesilau, que existiu muiot tempo depois: por ter frequentemente entrado em armas no país da Beócia, acabou tornando os Tebanos tão bons guerreiros como os Lacedemônios. Naquela ocasião, Antálcidas, vendo-o um dia ferido, disse-lhe: «Recebes dos Tebanos ó preço de seu aprendizado, tal como o mereceste; pois lhes ensinaste, malgrado seu, o mister da guerra, que eles antes não queriam aprender nem exercer.» São as ordenanças que o próprio Licurgo chamou de Retres, o que equivale a dizer graves sentenças ou oráculos que o deus Apolo lhe teria dado.
XXV. Mas, quanto à educação das crianças, que ele estimava ser a mais bela e maior cpisa que poderia estabelecer ou introduzir um reformador de leis, começando de longe, considerou primeiro os casamentos e a geração das crianças. Pois, quanto ao que diz Aristóteles, que ele ensaiou reformar as mulheres e disso desistiu incontinenti, ao ver que não podia consegui-lo, por causa da enorme licença que elas haviam usurpado na ausência dos maridos, porque estes eram constrangidos a partir constantemente para as guerras, durante as quais os homens se viam obrigados a deixá-las senhoras de suas casas, honrando-as e acariciando-as além da medida, chamando-lhes damas e senhoras — isso me parece falso: a verdade é que tratou de regulamentar-lhes e ordenar-lhes a maneira de viver, assim como a dos homens, de acordo com a razão. Primeiramente, pois, quis que as moças enrijecessem o corpo, exercitando-se em correr, lutar, jogar a barra e lançar o dardo, a fim de que o fruto que concebessem, vindo a tomar forte raiz num corpo disposto e robusto, germinasse melhor; e também para que, reforçadas por tais exercícios, suportassem com mais vigor e facilidade as dores do parto. E, para tirar-lhes toda delicadeza e ternura efeminada, acostumou as mocinhas, assim como os rapazes, a (17) frequentarem as procissões, dançarem nuas em algumas festas e sacrifícios solenes e cantarem na presença e à chegada dos rapazinhos, aos quais, muitas vezes, ao passarem, dirigiam algum brocardo apropriado, tocando ao vivo aqueles que em alguma coisa tivessem esquecido seu dever; e, não raro, também recitavam em suas canções os louvores dos que destes eram dignos. Assim fazendo imprimiam nos corações dos jovens uma grande gelosia e contenção de honra, pois aquele que por elas tivesse sido louvado como valente e do qual houvessem cantado os atos de proeza, ia sendo educado com a coragem de fazer ainda melhor no futuror e os golpes e picadas que dirigiam aos outros não eram mais pungentes do que as mais severas admoestações e correçoes que se lhes tivesse sabido dar, mesmo porque isso era feito em presença dos reis, senadores e todo o resto dos cidadãos que ali se achavam para assistirem aos divertimentos.
(17) No grego, a andarem nuas pela cidade, Vide as Observações, cap. XXV. C.
XXVI. Mas, quanto ao fato de se mostrarem inteiramente nuas em público, não havia nisso vilania alguma, pois a exibição era acompanhada de toda a honestidade, sem lubricidade nem dissolução; antes pelo. contrário, trazia consigo o costume da simplicidade e, entre elas, a vontade de possuir o corpo mais robusto e melhor disposto; e, além disso, isso lhes elevava de certo modo o coração, tornan-lhedo-as. mais magnânimas e dando-lhes a conhecer que não lhes assentavam menos bem do que aos homens o exercício, a proeza e a competição para a conquista do prêmio. Daí resultava. que as mulheres! Lacedemônias tinham também a coragem de afirmar e.pensar por si mesmas, como respondeu um dia Gorgônia, mulher do rei Leônidas, a qual, conforme se acha escrito, tendo-lhe uma dama estrangeira, em conversa com ela, que «não há mulheres no mundo como as Lacedemônias, que mandam nos seus homens», replicou incontinenti: «Também não há outras como nós, que temos homens.» Ademais, era isso um estímulo.que atraía os rapazes ao casamento: eu entendo esses jogos, danças e divertimentos, a que se entregavam as moças inteiramente nuas na presença dos homens jovens, não como constrangimento de razões geométricas, como diz Platão, mas como atrativos para o amor.
XXVII. E, todavia, além desses
atrativos, ain
da estabeleceu ele a nota de infâmia contra os que
não quisessem casar-se; pois não lhes era permitido
frequentar os lugares onde se realizavam a nu esses
jogos e passatempos públicos; e mais, os oficiais da
cidade os constrangiam, em pleno inverno, a circundarem a praça inteiramente nus;
e, caminhando, de
viam cantar certa canção feita contra eles, a qual dizia, em suma, que estavam
sendo justamente castigados por não terem obedecido às leis; de modo que, quando
ficavam velhos, não lhes prestavam a honra nem a reverência de que eram alvo os
outros anciãos.
Portanto, não houve ninguém que repreendesse ou achasse mal o que disse a
Dercílídas, conquanto fosse ele bom e valente capitão, um jovem que, ao entrar
numa companhia, não se dignara de levantar-se para saudá-lo e dar-lhe o lugar
para sentar-se: «Não geraste um filho para comigo proceder da mesma forma no
futuro.»
XXVIII. Mas os que desejavam casar-se precisavam raptar aquelas que pretendiam como esposas, não moçoilas ainda não
casadouras, mas mulhe
res vigorosas e já maduras para terem filhos; e,
quando havia uma raptada em tais condições, vinha a intermediária
do casamento e lhe raspava inteiramente os cabelos até ao couro, depois a
vestia com um traje de homem e do mesmo modo o calçado, e deitava-a sobre um
colchão, inteiramente só e sem candeia. Feito isso, o recém-casado, não estando
ébrio nem mais delicadamente vestido do que de costume, mas tendo jantado(18)
sobriamente como de ordinário, voltava secretamente para casa, onde desatava a
cintura da esposa e, tomando-a nos braços, deitava-a numa cama e ali ficava
durante algum tempo com ela; mais tarde, voltava muito docemente para o lugar
onde se acostumara a dormir com os outros rapazes; e daí por diante, continuava
a fazer sempre o mesmo, ficando o dia inteiro e dormindo à noite com os
companheiros, exceto quando às vezes ia ver a mulher raptada, com medo e
vergonha de ser percebido por alguém da casa; então, a recém-casada o ajudava
também de seu lado, espiando as ocasiões e meios de se encontrarem sem que
fossem notados. Essa maneira de agir durava muito tempo, até que alguns deles
tinham filhos antes de coabitarem livremente e de verem suas mulheres em pleno
dia. Serve-lhes essa entrevista assim às ocultas, não só porque era um exercício
de continência e pudicícia, mas também porque ficavam mais vigorosas para
gerar; e, além disso, as duas partes se mantinham Com ardor e apetite
para novos amores, não tépidas, nem languescentes, como ordinariamente são os
que gozam de coração saturado os seus amores, tanto quanto queiram,, mas se entrelaçavam
sempre repartindo entre si o aguilhão do desejo e as reservas de calor amoroso.
(18) No grego: como de ordinário, nos Phiditia. C.
XXIX. Mas, tendo estabelecido tão grande honestidade e tão reservada temperança nos casamentos, não pôs ele menos cuidado em eliminar toda yã e feminina gelosia, estimando ser bem razoável impedir que houvesse violência ou confusão, ao mesmo tempo que a razão também exigia que aos mais dignos se permitisse gerar filhos em comum, ridicularizando a tolice dos que se vingam de tais coisas com guerras e efusão de sangue humano, como-se os homens não devessem ter nisso participação nem comunicação alguma uns com os .outros. Portanto, não era merecedor de censura o homem muito idoso que, tendo mulher jovem e vendo algum belo rapaz que lhe agradasse e lhe parecesse de gentil natureza, o levasse para deitar com a própria mulher e enchê-la da boa semente, para depois reconhecer o fruto daí nascido como tendo sido gerado por ele próprio. Também era permitido a um homem honesto amar a mulher de outro, por vê-la prudente, pudica e capaz de ter belos filhos, e pedir ao marido que o deixasse deitar-se com ela, para então semear, como em terra gorda e fértil, belas e boas crianças, que dessa forma vinham a ter comunicação de sangue e parentesco com gente de bem e honrada.
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Tags:Esparta, Lacônia, laconismo, leis de esparta, Licurgo, Plutarco, Vidas Paralelas
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maio 7th, 2009 at 2:45
Muito Boa
fevereiro 19th, 2009 at 23:54
muito interessante, realmente ótimo trabalho, parada obrigatória aos amantes da historia
julho 20th, 2008 at 7:32
Caso eu possa dar um opinião, há também a vida de Lisandro feita pelo próprio Plutarco. Se vcs conseguirem uma tradução aqui na net estarei muito grato também.
Lisandro a Supremacia de Esparta, segundo dizem.
julho 20th, 2008 at 7:29
Em síntese, um ótimo trabalho. São poucos aqueles que se dispõem a traduzir com mais amplitude a Vidas Paralelas de Plutarco e vocês se dispuseram a essa tarefa.
Assim como a história deve ser lembrada, acredito que é preciso nos conscientizar que a mesma foi fruto das ações desses grandes personagens.
Novamente, um ótimo trabalho.
julho 5th, 2008 at 11:49
[...] Plutarco- Licurgo Download [...]
junho 14th, 2008 at 0:17
Grata.