Vida de Licurgo, por Plutarco – Vidas Paralelas
XLII. Mas, quanto a que o muito falar fosse repreendido e censurado entre os Lacedemônios, pode-se evidentemente mostrar pelas agudas palavras que alguns deles responderam outrora. O rei Leônidas disse um dia a alguém com quem conversava e que alegava muitas coisas boas, mas fora de tempo e de estação: «Amigo, tratas sem propósito de muitos «bons propósitos». E Carilau, o sobrinho de Licurgo, interrogado porque seu tio fizera tão poucas leis: «Porque, disse ele, não há necessidade de muitas leis para os que não falam muito.» E Arquidâmidas disse a alguns que repreendiam o orador (28) Hecateu porque, tendo sido convidado para jantar em um dos convívios, não falou durante todo o tempo da refeição: «Aquele que sabe falar bem sabe igualmente quando é preciso falar.» E, quanto ao que eu disse antes, que em suas agudas e sutis respostas havia ordinariamente um pouco de malícia misturada com graça, pode-se vêr e conhecer por estas outras palavras: Demarato respondeu a um cacete que lhe quebrava a cabeça com perguntas impertinentes e importunas, perguntando-lhe quem era o melhor homem da Lacedemônia: «Aquele que «menos» se parece contigo.» E Agis disse a alguns que em altas vozes louvavam os Elianos porque julgavam segundo o direito e a justiça nos jogos Olímpicos: «Que grande maravilha existe em que, no espaço de cinco anos, os Elianos façam ao menos um dia boa justiça?»
(28) No grego: o sofista Hecateu.
E Teopompo a um estrangeiro que, desejando mostrar sua afeição pelos Lacedemônios, dissera: «Em nossa cidade todos me chamam Philolacon», isto é, amador dos Lacedemônios; «Seria mais honesto, respondeu, que te sobrenomeassem Philopolites», isto é, amante dos seus concidadãos. E Plistônax, filho de Pausânias, como um orador Ateniense chamasse aos Lacedemônios grosseiros e ignorantes: «Dizes a verdade, respondeu, pois somos os únicos entre os Gregos que não soubemos nada de mal a respeito de vós oturos.» E Arquidâmidas a um que lhe perguntara quantos eram os Espartanos: «Bastantes, respondeu-lhe, para expulsar os maus.»
XLIII. . Pode-se também fazer conjectura de sua maneira de falar pelas palavras jocosas que às vezes diziam brincando, porque estavam acostumados a jamais dizer nada no ar e em vão, tendo sempre cada palavra alguma inteligência secreta que á tornava merecedora de ser considerada de perto. Como aquele que disse, ao ser convidado para ir ouvir alguém que ingênuamente imitava o rouxinol: «Eu já ouvi o próprio rouxinol.» E outro que, tendo lido esta inscrição de sepultura:
Após em seu país a tirania
Extinguiram com bélica
energia,
Diante das altas torres combateram
Outrora e em Selinunte pereceram,
disse: «Eles bem mereciam a morte, por terem extinguido uma tirania, quando deveriam deixar que se queimasse toda.» E um rapazinho a outro que prometia dar-lhe galos tão corajosos que morriam rio terreiro combatendo: «Não me dês daqueles que morrem mas dos que fazem morrer os outros combatendo.» Outro, vendo homens que passavam sentados dentro de coches e liteiras, disse: «Não queria Deus que eu jamais esteja em cadeira de onde não possa levantar-me suas respostas e recontros; de maneira que não é sem razão que outrora disseram alguns que laconizar era antes filosofar, isto é, exercitar antes a alma que o corpo.
XLIV. Mas, além disso, não se empenhavam menos em contar bem e compor belos cânticos do que em falar com rapidez e propriedade; e, assim, em suas canções, havia sempre não sei que espécie de aguilhão a excitar a coragem dos ouvintes e a inspirar-lhes o ardente desejo dè fazer alguma bela coisa. A linguagem era simples, sem nenhuma afetação, e o assunto grave e moral, contendo mais frequentemente o elogio dos que tinham morrido na guerra, pela defesa de Esparta, como sendo muito felizes; e censura aos que, por frouxidão de caráter, tinham evitado morrer, passando a viver uma vida miserável e infeliz: ou era ainda a promessa de serem homens virtuosos no futuro, ou a gabolice de o serem presentemente, segundo as diversas idades dos que cantavam. Assim, não será fora de propósito, para melhor entendimento, apresentar aqui alguns exemplos. Nas festas públicas, havia sempre três danças, segundo a diferença das três idades. A dos velhos era a primeira que começava a cantar, dizendo:
Nós fomos, em tempos idos,
Jovens, bravos e atrevidos.
Vinha depois a dos homens, que dizia:
Nós o somos no presente,
À prova de toda a gente.
A terceira, das crianças, vinha depois e dizia:
E nós um dia o seremos,
Pois vos ultrapassaremos.
XLV. Em suma, quem observar de perto as obras e composições dos poetas Lacónicos, das quais Se encontram ainda algumas, até ao tempo presente, C considerar a nota que faziam soar com flautas, ao Som e à cadência da qual marchavam em batalha, quando iam enfrentar o inimigo, achará que nâo é sem razão que Terpandro e Píndaro conjugavam a ousadia com a música. Pois Terpandro, ao falar dos I ,acedemônios, diz em certo trecho:
Eis onde em guerra a música se alia
Aos atos de bravura e de
ousadia,
Sob o fecundo reino da justiça,
E Píndaro, falando também deles, diz;
Os velhos são mais prudentes,
Os moços bravos, contentes,
Sabendo
bailar, cantar
E o inimigo dominar.
Pelos quais testemunhos aparece que ambos os fizeram e descreveram como amantes da música e das armas ao mesmo tempo; pois, assim como diz outro poeta Lacônico,
Saber (29) à lira cantar
Formosos carmes fagueiros
Bem
corresponde a lutar
Como valentes guerreiros.
XLVI. Por essa causa, em todas as guerras, quando iam dar batalha, o rei sacrificava primeiramente às Musas (30), para recordar acs combatentes, como me parece, a disciplina na qual tinham sido educados e os julgamentos, a fim de que, no mais forte e perigoso da refrega, eles se representassem diante dos olhos dos soldados e fossem causa de os incitar a praticar atos dignos de memória. Mas, então, relaxavam um pouco aos jovens a rígida austeridadc e dureza de sua regra ordinária de viver, permitindo-lhes que enfeitassem os cabelos e embelezassem as armas e indumentos, e tomando prazer em vê-los assim regozijar-se, nem mais nem menos do que jovens cavalos relinchões e resfolegantes de ardor de combater. Portanto, ainda que desde o tempo da primeira juventude começassem a usar longos cabelos, não eram jamais tão cuidadosos em os pentear e compor como quando estavam prestes a dar batalha; pois então os untavam [(31) com óleos perfumados] e os repartiam, lembrando-se de uma observação de Licurgo, o qual costumava dizer que os cabelos tornam aqueles que são belos ainda mais belos e aqueles que são feios mais medonhos e hediondos. Os próprios exercícios individuais eram mais doces e menos penosos na guerra do que em outra época, e geralmente todo o seu viver menos estreitamente reformado e menos controlado, de maneira que no mundo só para eles a guerra era repouso de trabalhos que os honiens em geral suportam a fim de se tornarem militarmente idóneos.
(29) Tocar bem a lira e
servir-se bem das armas vão a
par. C.
(30) Essa
passagem está
corrompida. Vide as Observações, cap.
XLVI. C.
(31) Isso não está no texto. C.
XLVII. Depois, quando todo o seu exército estava enfileirado em batalha, à vista do inimigo, p rei sacrificava aos deuses uma cabra e, de quando em quando, mandava que todos os combatentes colocassem à cabeça chapéus de flores e que os tocadores de flautas soassem a alvorada que eles chamam de canção de Castor, ao som e à cadência da qual ele próprio começava a marchar em primeiro lugar; de sorte que era aprazível, e não menos aterrador, vê-los assim marchar todos juntos em tão boa ordem ao som das flautas, sem jamais perturbar a ordem nem confundir as fileiras, e sem perder-se nem assustar de nenhum modo, mas antes indo pausada e alegremente, ao som dos instrumentos, arrostar o perigo da morte. Pois é verossímil que tais coragens não são apaixonadas nem pelo pânico nem pela fúria além da medida; e, ao contrário, têm eles constância e ousadia segura, com boa esperança, como se fossem acompanhados pelo favor dos deuses.
XLVIII. O rei, marchando nessa formação, tinha sempre ao pé de si alguém que tivesse outrora conquistado o prêmio nos jogos e torneios públicos; e dizem que certa vez houvesseum ao qual, na festa dos jogos Olímpicos, se ofereceu boa soma de dinheiro, a fim de que não se apresentasse para combater: o que ele não quis fazer, antes preferiu com grande dificuldade ganhar ali o prêmio da luta. E, então, disse-lhe alguém: «Afinal, Lacõnio, que te adiantou ter conquistado com tanto suor o prêmio da luta?» O Lacônio respondeu-lhe rindo: «Combaterei em batalha diante do rei.»
XLIX. Após desbaratarem os inimigos, eles os expulsaram e perseguiam até que, pela derrota e fuga completa, a vitória estivesse de todo assegurada; e, então, voltavam sem nada mais para o seu acampamento, estimando que não era ato de coroação gentil nem de nação nobre e generosa, como a Grega, matar e chacinar os que estavam tão debandados que não mais podiam reagrupar-se e abandonavam toda esperança de vitória. Isso lhes era não somente honroso, mas também grandemente aproveitável, porque os que os enfrentavam em batalha, sabendo que eles matavam os que se obstinassem em fazer-lhes face, achavam que fugir era mais útil do que esperar e ficar. . ,
L. Diz o sofista Hípias que o próprio Licurgo foi bom capitão e grande homem de guerra, pois estivera em várias batalhas; e Filostéfano lhe atribui a separação dos homens a cavalo em companhias, chamadas Oulames. cada uma das quais era de cinquenta homens armados, que se enfileiravam em quadrado. Mas, ao contrário, Demétrio de Falero escreve que éle nunca esteve na guerra e que estabeleceu suas leis e seu governo em plena paz. Quanto a mim parece-me que a instituição da trégua de armas durante a festa dos jogos Olímpicos, a qual se diz ter sido inventada por ele, é bem sinal de uma natureza doce e que ama o repouso da paz; todavia, há alguns, entre os quais está Hermipo, que dizem que éle não estêve desde o começo com ífito a ordenar as cerimônias dos jogos Olímpicos, mas que ali se encontrou uma vez por acaso e de passagem somente, detendo-se para assistir à exibição; e então lhe aconteceu que ouviu atrás de si como a voz de um homem que o interpelara, dizendo estranhar que ele não persuadisse os cidadãos de participarem dessa bela assembleia; e, como se voltasse para ver quem lhe falava, não viu ninguém. Diante disso, estimou fosse uma admoestação vinda da parte dos deuses, de modo que foi íncontinenti procurar ífito, com o qual ordenou todos os estatutos e cerimonias daquela festa, a qual depois se tornou muito mais famosa, melhor estabelecida e mais assegurada do que antes.
LI. Mas, para voltar aos Lacedemônios, sua disciplina e regra de viver durava ainda depois de haverem chegado à idade de homens, pois não havia ninguém a quem fosse tolerado nem permitido viver como entendesse, antes ficavam dentro da cidade nem mais nem menos do que dentro de um acampamento, onde cada qual sabe o que deve ter para viver e o que deve fazer para o público. Em suma, estimavam todos que não tinham nascido para servirem a si mesmos, antes para servir o país; e, portanto, se outra coisa não lhes era recomendada, continuavam sempre a ir ver o que faziam os meninos e a ensinar-lhes alguma coisa que resultasse em utilidade pública, ou ainda a aprender eles próprios com os que eram mais idosos do que eles.
LII Pois uma das mais belas e mais felizes coisas que Licurgo introduziu jamais em sua cidade foi o grande lazer proporcionado aos cidadãos, não permitindo se empregassem em nenhum mister vil ou mecânico; e, assim, não havia necessidade de trabalhar para acumular grandes riquezas em lugar onde a opulência não era de modo algum útil nem apreciada; pois os Hilotas, que eram homens servilizados por direito de guerra, lavravam-Ihes as terras, proporcionando-lhes assim certa renda todos os anos. A esse propósito, conta-se de um Lacedemõnio que, achando-se em Atenas, num dia em que ali se realizavam julgamentos, ouviu dizer como um burguês da cidade acabava de ser convencido e condenado por ociosidade, tendo voltado para casa todo desconfortado, acompanhado pelos amigos, que o deploravam grandemente e estavam muito desgostosos com seu infortúnio; e o Lacedemõnio, então, pediu aos que estavam perto dele que lhe mostrassem aquele que fora condenado por viver nobremente e como gentil-homem. O que eu aleguei para mostrar quanto ele estimava ser coisa plebeia e servil exercer algum mister mecânico ou fazer alguma obra manual para ganhar dinheiro.
LIII. Quanto aos processos, pode-se bem imaginar que foram banidos da Lacedemônia com o dinheiro, mesmo porque não havia avareza, cobiça, pobreza, nem indigência, antes igualdade com abundância e grande comodidade no viver, por causa da sobriedade, sem nenhuma superfluidade. Eram só danças, festas, jogos, banquetes, caçadas, exercícios físicos e assembleias para se entreterem durante todo o tempo em que não estavam ocupados na guerra; pois os moços, até à idade de trinta anos, jamais se encontravam no mercado para comprarem ou fazerem alguma provisão doméstica, mas faziam seus negócios e provisões necessárias por intermédio dos parentes e amigos, sendo também coisa vergonhosa que mesmo os mais velhos ali se encontrassem frequentemente; e, ao contrário, era-lhes honroso frequentar, durante a maior parte do dia, as liças onde se faziam exercícios corporais, ou os redutos e reuniões recreativas, onde passavam o tempo a discorrer honestamente uns com os outros, sem jamais terem o propósito de ganhar, traficar ou acumular dinheiro: porque todas as suas conversas, ou a maior parte, eram para louvar alguma coisa honesta ou censurar as desonestas com pilhérias e risadas, que entretanto sempre continham, de passagem, uma doce advertência e uma correção.
LIV. Pois o próprio Licurgo não era tão austero que nunca o vissem rir, antes escreve Sosíbio haver ele quem doou a pequena imagem do Riso existente na Lacedemônia, tendo querido introduzir o riso nos convívios e outras assembleias, como agradável molho para adocicar o trabalho e adureza de sua regra de viver. Em suma, acostumou os cidadãos a não quererem e não poderem jamais viver sós, antes serem por assim dizer colados e incorporados uns com os outros, e a se acharem sempre juntos, como as abelhas, em torno dos superiores, saindo de si mesmos quase por um arrebatamento de amor para com o país e de desejo de honra para servir inteiramente ao bem da coisa pública; a qual afeição se pode fácil e claramente ver impressa em algumas de suas respostas, como a que deu um dia Pedareto, por ter deixado de ser eleito para o número dos trezentos: pois voltou alegre e satisfeito para casa, dizendo que se regozijava de haver encontrado na cidade trezentos homens melhores do que ele. E Polistrátidas, tendo sido enviado embaixador com alguns outros junto aos capitães e lugares-tenentes do rei da Pérsia, os senhores Persas lhe perguntaram se eles iam por motivo privado ou se haviam sido enviados pelo público: «Se nós obtemos, disse ele, é pelo público; se não obtemos, é por iniciativa privada que viemos.» E Argileônida, mãe de Brásidas, perguntou a alguns, que na volta da viagem de Anfípolis à Lacedemônia a tinham ido visitar, se seu filho morrera como homem de bem e digno de ter nascido em Esparta; e, como o louvassem em altas vozes, dizendo que não havia ainda homem tão valente em todo o país da Lacedemônia, replicou-lhes: «Não digais isso, meus amigos, pois Brásidas era por certo muito valente, mas o país da Lacedemônia tem muitos outros que o são ainda mais do que ele.»
LV. Ora, quanto ao Senato, Licurgo o estabeleceu primeiramente com aderentes de sua empresa, como dissemos antes; mas ordenou que, quando viesse mais tarde a morrer algum deles, o substituísse aquele que fosse considerado o melhor homem da cidade, desde que passasse dos sessenta anos. Era bem o mais honroso combate que poderia existir entre os homens, no qual conquistava ele o prêmio, não que fosse o mais ágil entre os ágeis, nem o mais forte entre os fortes, mas sim o mais virtuoso entre os virtuosos, tendo por preço de sua virtude pleno poder, por assim dizer, e autoridade soberana no governo da coisa pública, e detendo em seu poder a honra, a vida e os bens de todos os cidadãos. Mas a eleição se fazia desta maneira: o povo primeiramente se reunia acima da praça, onde havia alguns deputados encerrados dentro de uma casa, de maneira que não podiam ver nem ser vistos pelos que estavam reunidos na praça, antes ouvindo-lhe somente o rumor; então o povo declarava por aclamação aquele que aceitava ou que recusava, entre os pretendentes, como também declarava sua vontade por esse mesmo meio em qualquer outra coisa. Os pretendentes não eram introduzidos nem apresentados todos juntos, mas uns depois dos outros, pela ordem, para se tirar a sorte. Aquele em quem a sorte recaísse passava através da assembleia do povo sem dizer palavra, e os deputados encerrados tinham tabuletas nas quais anotavam a grandeza do rumor e do clamor do povo, de modo que cada um dos candidatos passava sem que eles soubessem quem era; e contavam somente o primeiro, o segundo, o terceiro ou o tantésimo, pela ordem de apresentação; e aquele a cuja passagem o clamor do povo fosse maior, era por eles declarado eleito senador. E ele, então, trazendo um chapéu de flores sobre a cabeça, ia por todos os templos dos deuses para render-lhes graças, seguindo de grande número de jovens que em altas vozes louvavam e magnificavam sua virtude; e também de um grande grupo de mulheres que iam entoando cânticos em seu louvor e abençoando-o por haver tão virtuosamente vencido; depois, cada um de seus parentes lhe preparava em casa uma colação e, assim que ele entrava, dizia-lhe: «A cidade te honra com este banquete.» Isso feito, ele voltava para o lugar ordinário do seu convívio, onde fazia em tudo o mesmo que de costume, salvo quando lhe serviam à mesa diante dele dupla porção, da qual conservava apenas uma; e, depois do jantar, todas as suas parentes ficavam à entrada da sala do convívio onde ele tinha jantado; e ele chamava aquela que mais estimava, dava-lhe a segunda porção e dizia-lhe: «Isto me foi dado em testemunho de que eu hoje conquistei o prêmio da virtude; e eu to dou da mesma forma.» Então, ela era reconduzida para casa por todas as outras damas, nem mais nem menos do que ele pelos homens.
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