Consciência - Filosofia e Ciências Humanas
fechar

As sementes mágicas de feijão – Contos do Folclore Medieval




As sementes de feijão

Era uma vez uma pobre viúva que tinha um filho chamado Onofre, que, além de não gostar de trabalho, parecia ser medroso e pouco inteligente. A única coisa valiosa que a viúva possuía era uma vaca muito magra, cujo leite mandava vender no mercado.

Um dia, a vaca não deu leite e a pobre mulher não teve o que comer. Por isso, aconselhada pelo filho, resolveu vender a vaca. Onofre foi encarregado da venda do animal. No caminho, encontrou um velho que lhe perguntou o que estava fazendo. Respondeu Onofre que ia ao mercado vender a vaca. O velho, que era muito esperto, levava nas mãos umas sementes de feijão de cores variadas. O rapaz ficou encantado com a beleza das sementes.

O velho percebeu a admiração de Onofre e propôs a troca das sementes pela vaca. O bobo do rapaz aceitou a proposta, certo de que fazia um ótimo negócio. Entregou a vaca ao velho e voltou para casa com as sementes de feijão.

Quando disse à mãe o que fizera com a vaca e lhe mostrou as sementes, a pobre mulher começou a chorar e, perdendo a paciência, exclamou:

— Olha, imbecil, para que servem tuas sementes! E atirou-as, pela janela, no quintal. Depois, continuou a chorar desanimada da vida.

Onofre fêz tudo para consolá-la, mas foi em vão. Naquela noite foram dormir sem cear. Pela manhã, ao acordar, o rapaz notou que alguma coisa impedia a entrada da luz do sol pela janela. Correu ao quintal e verificou, com espanto, que algumas sementes de feijão tinham germinado, deitando raízes enormes e lançando ramos tão altos que se perdiam nas nuvens.

O rapaz, que tinha espírito de aventura, resolveu subir pela planta até alcançar os últimos ramos. Iniciou a escalada. Subiu, subiu e, após muitas horas de esforços penosos, conseguiu atingir o alto da planta. Olhou de um lado para outro e verificou que estava num país desconhecido, onde não se via nenhum ser vivo.

Resolveu caminhar através daquela terra estranha para ver se encontrava uma casa que lhe desse água e comida, pois estava exausto e faminto. Andou o dia todo e quando começava a anoitecer, avistou uma casa de forma esquisita. À porta, encontrava-se uma mulher de fisionomia bondosa.

O rapaz aproximou-se dela e implorou um pedaço de pão e abrigo por uma noite. A mulher disse que estava admirada de vê-lo ali, pois ninguém se atrevia a chegai à sua porta. Todo mundo sabia que morava naquela casa um gigante que se alimentava de carne humana, e, para obtê-la, caminhava cinqüenta léguas por dia, razão pela qual se encontrava ausente.

Onofre ficou horrorizado com as informações da boi mulher. Mas como estava muito cansado e confiante de que não seria descoberto pelo gigante, tornou a rogar à mulher que o deixasse dormir apenas uma noite na casa, escon dendo-o, para isso, em qualquer lugar.

A princípio, a mulher recusou terminantemente, mas acabou por ficar com pena do rapaz, atendendo ao seu pedido. Mandou entrar Onofre e ofereceu-lhe uma ceia farta e apetitosa. O rapaz comeu e bebeu à vontade e já se tinha esquecido da existência do gigante, quando ouviu pancadas na porta tão violentas que fizeram estremecer toda a casa.

— Meu Deus! chegou o gigante! exclamou a mulher tremendo como varas verdes. Êle nos vai devorar. Que vamos fazer?

— Esconda-me no fogão! gritou Onofre.

E metendo-se no forno que, por acaso, estava apagado, pôde ouvir dali os berros terríveis e os passos pesados do gigante, que entrava em casa.

— Mulher! gritou como um trovão. Mulher! que cheiro é este? E cheiro de carne humana!

— Não digas tolices! respondeu a mulher, enchendo-se de coragem. Por aqui não passou ninguém. Deve ser o sangue dos dois bezerros que trouxeste.

Finalmente, o gigante sentou-se à mesa e, por uma fresta do fogão, Onofre pôde ver, cheio de espanto, a quantidade enorme de carne que o gigante devorava. Quando terminou a refeição, o monstro inclinou-se para trás e berrou para a mulher:

— Vá buscar a galinha!

A mulher obedeceu e pôs em cima da mesa uma galinha viva, muito gorda e bonita.

— Ponha! ordenou o gigante.

E a galinha pôs imediatamente um ovo de ouro maciço.

— Ponha outro!

E cada vez que o gigante pronunciava estas palavras, a galinha punha um ôvo maior do que o anterior.

Depois de se divertir com a galinha, mandou a mulher para a cama e não tardou a dormir, roncando como uma dúzia de canhões.

Quando percebeu que o gigante estava mergulhado em sono profundo, Onofre saiu do seu esconderijo, agarrou a galinha e fugiu com ela. Saiu da casa sem dificuldade e, logo que se apanhou na estrada, correu com todas as suas forças e só parou quando alcançou os ramos mais altos do pé de feijão. Desceu rapidamente e regressou à sua casa. Foi recebido com grande alegria por sua mãe que o julgava vítima de alguma desgraça.

— Qual nada, minha mãe! Veja só a maravilha que trouxe para nós!

E mostrando a galinha, ordenou:

— Ponha!

E a galinha pôs uma porção de ovos, cada qual mais belo e valioso.

Com o produto da venda desses ovos, Onofre e sua mãe viveram com todo o conforto. Construíram uma linda casa, junto do pé de feijão. Durante alguns meses o rapaz sentiu-se muito feliz, mas, depois, não pôde resistir ao desejo de voltar à casa do gigante para se apoderar de suas riquezas.

Um dia, declarou à sua mãe que ia realizar outra viagem através do pé de feijão. Sua mãe rogou, chorou, dizendo que certamente a mulher do gigante o reconheceria e ele seria cruelmente assassinado. O rapaz fingiu que atendia aos rogos de sua mãe e começou a se preparar para a nova aventura.

Arranjou uma roupa de mendigo, pôs uma barba postiça e pintou o rosto com uma cor escura. Assim disfarçado, saiu sorrateiramente de casa e subiu pelo pé de feijão. Ao chegar ao alto da planta estava muito fatigado, mas, assim mesmo, continuou a viagem na direção da casa do gigante. A mulher estava à porta e, como da primeira vez, Onofre pediu-lhe comida e pousada por uma noite.

Onofre saiu do seu esconderijo, agarrou a galinha efugiu com ela.

Onofre saiu do seu esconderijo, agarrou a galinha efugiu com ela.

 

A mulher então lhe disse — coisa que ele já sabia — que seu marido era um gigante poderoso e cruel e que, desde que fora roubado por um rapazinho que ela acolhera, se tornara ainda pior e mais sanguinário. O rapaz fez tudo para convencê-la e, afinal, depois de muito custo, conseguiu que ela o abrigasse.

Onofre foi levado para a cozinha onde comeu e bebeu a fartar. Depois, escondeu-se num quarto de objetos velhos. Daí a pouco, ouviram-se, à porta, pancadas violentas como trovões. Era o gigante que chegava. Entrou como um furacão, sentou-se junto do fogo e gritou:

— O mulher, que diabo é isso ? Sinto cheiro de carne humana!

A mulher explicou que, com certeza, eram os corvos, que tinham deixado cair pedaços de carniça sobre o telhado. O gigante acalmou-se e pediu, aos berros, que trouxesse logo a ceia porque estava com muita fome. Depois que acabou de comer, gritou para a esposa:

— Traga-me o saco de dinheiro.

A mulher apareceu logo, vergada sob o peso do saco. Estava cheio de moedas de ouro. O gigante esvaziou o saco sobre a mesa e começou a contar as moedas com grande satisfação. Era uma quantidade enorme de dinheiro.

Contou e recontou as moedas. Depois, mandou a mulher para a cama e debruçou-se sobre a mesa. Daí a pouco estava roncando. Só teve tempo de pôr o dinheiro no saco.

Do seu esconderijo Onofre viu tudo. E não pôde resistir ao desejo de possuir as moedas do gigante. Pouparia, assim, o trabalho de vender todos os dias os ovos de ouro da galinha. Quando percebeu que o gigante estava dormindo profundamente, saiu do seu esconderijo e aproximou-se da mesa. Mas, assim que agarrou, com as duas mãos, o saco de dinheiro, o cachorrinho do gigante, que estava a seus pés, acordou e pôs-se a latir. Onofre ficou paralisado de terror. Mas, felizmente, o gigante continuou roncando. O rapaz atirou então ao cão um pedaço de carne e este parou de latir.

Onofre correu sem parar até o pé de feijão. Desceu, então, rapidamente e encontrou, lá embaixo, sua mãe. Estava aflita com a sua ausência e chorou de alegria quando o avistou são e salvo.

Durante três anos, Onofre não voltou a subir pelo pé de feijão. Não queria desgostar sua mãe, embora não pudesse vencer o seu ardente desejo de renovar a aventura. Um dia, não pôde mais resistir e começou a fazer os preparativos para voltar à casa do gigante. Arranjou novas roupas e novos disfarces e, numa bela manhã de sol, tornou a subir pelo pé de feijão.

Chegou à mansão do gigante ao anoitecer e, como de costume, encontrou a mulher à porta. Pediu pousada e ouviu novamente a informação de que ali residia um gigante sanguinário e cruel. Mas o rapaz, que estava muito bem disfarçado, tanto pediu e rogou que a pobre mulher acabou permitindo que êle entrasse. Deu-lhe de comer e beber e escondeu-o dentro da caldeira.

Quando voltou à casa, o gigante gritou, como das outras vezes: — Sinto cheiro de carne humana! E sem se importar com as explicações da mulher começou a correr a casa, para

ver se descobria alguma coisa. Quando o gigante se aproximou da caldeira, Onofre sentiu-se perdido. Mas, felizmente, o ogro afastou-se sem se lembrar de abrir a caldeira. Depois, pôs-se a devorar a sua enorme ceia. Quando acabou, berrou para a mulher que trouxesse a sua harpa. Quando a recebeu colocou-a sobre a mesa e ordenou:

— Toca! e a harpa tocou sozinha a mais linda música que se possa imaginar. Embalado pelos sons harmoniosos, o gigante não tardou em debruçar-se sobre a mesa, imerso em sono profundo.

Quando percebeu que o gigante estava roncando, Onofre saiu da caldeira, apoderou-se da harpa e tratou de fugir. Mas a harpa era encantada e assim que se sentiu tocada por mãos estranhas, começou a gritar, como se fosse viva:

— Socorro! Socorro!

O gigante despertou e, levantando-se da cadeira, viu Onofre fugindo com toda a rapidez que as pernas lhe permitiam.

— Ah, patife! Roubaste-me a galinha e o saco de dinheiro e queres me roubar também a harpa! Agora mesmo vou trincar-te em meus dentes!

Mas o gigante estava ainda meio bêbado de modo que, por mais que corresse, não pôde agarrar o rapaz antes que êle alcançasse o pé de feijão. Onofre desceu pela planta com a velocidade de um raio, sempre perseguido pelo gigante. Quando chegou ao solo, gritou logo para sua mãe:

— Um machado, depressa!

Logo que sua mãe lhe trouxe o machado, o rapaz come çou a cortar, com a maior rapidez possível, o tronco do feijoeiro. Reunindo todas as suas forças conseguiu cortar a

planta que tombou com grande estrondo. Caindo de grande altura, o gigante espatifou-se na terra, abrindo com seu corpo um buraco imenso.

Assim, Onofre viu-se livre do gigante e do pé de feijão que secou. Com a galinha, o dinheiro e a harpa, tornou-se rico e poderoso. Construiu um lindo castelo e casou-se com a filha do rei, vivendo feliz o resto dos seus dias em companhia de sua boa mãe.

Mais textos

Sem comentários - Adicione o seu

algumas tags: cobras gigantes, como ficar rico, conto, contos, contos de criança, contos de fada, contos infantis, contos infantis online, contos online, contos para ler, crocodilos gigantes, ebooks para ler online, fábulas, fazer compras, feitiço para ficar rico, ficar rico em pouco tempo, galinhas gigantes, gigantes, gigantes filme, histórias infantis, histórias para crianças, ideias para ficar rico, irmãos grimm, leite de vaca, literatura infantil, não ser, o castelo, plantas mágicas, poder, sustentar filhos, trabalho, história da semente de feijão simpatias para ficar viuva historias infantis sobre semente simpatia para ficar viuva feitiços para pessoa ficar doente as sementes magicas de feijão historia da semente magica florclore medieval simpatias para uma pessoa dormir profundamente feitiço para ficar doente Simpatia ficar viuva sementes mágicas histórias sobre sementes historias de sementes 0h simpatia para pessoa ficar doente historias infantis sobre sementes feitiços com feijão textos sobre alimentaçao folclore medieval

Prezado visitante: por favor, não republique esta página em outros sites ou blogs na web. Ao invés disso, ponha um link para cá. Obrigado.




Início