O ROMANCE DA LITERATURA AMERICANA – História da Literatura nos EUA

O ROMANCE DA LITERATURA AMERICANA – História da Literatura nos EUA

O ROMANCE DA LITERATURA AMERICANA

Henry Thomas

A dramática história da Declaração de Independência

A 7 DE JUNHO DE 1776, Ricardo Henrique Lee, da Virgínia, levantou-se no Congresso e solenemente declarou que as colônias americanas "eram e de direito deveriam ser livres e independentes". Foi isso apresentado como uma resolução e aprovado. Designou-se uma comissão para redigir um ato declaratório, que corporificasse essa resolução em termos simples e concisos. Compôs-se essa comissão de Tomaz Jefferson, João Adams, Benjamin Franklin, Rogério’ Sherman e Roberto Livingston. Tomaz Jefferson foi unanimemente escolhido para redator dessa declaração.

Dia e noite trabalhou êle nessa tremenda tarefa de lançar as bases intelectuais de um novo governo. Afinal, a 4 de julho de 1776, apresentou ao Congresso a completa Declaração de Independência. Naquele dia, havia nascido o espírito da Democracia Moderna.

A Declaração consta de quatro partes: uma introdução, uma justificação abstrata do princípio que garante a liberdade através da revolução, uma enumeração concreta dos erros que tornam necessária uma revolução, e uma conclusão.

Na introdução, é-nos dito que "quando, no curso dos acontecimentos humanos, se torna necessário a um povo desatar o liame político que o traz preso a outro… um condigno respeito às opiniões da humanidade requer que sejam declaradas as causas que impelem a essa separação".

Na segunda parte, lemos "que todos os homens foram criados iguais, que são dotados, pelo Criador, de certos direitos inalienáveis; que entre estes se contam a vida, a liberdade e a busca da felicidade;… que quando uma forma de governo se torna destruidora desses fins, é direito do povo alterá-la ou aboli-la, e instituir novo governo".

A terceira parte, passa em seguida a relatar as "repetidas injúrias e usurpações" do rei Jorge II. Essas injúrias demonstram a tirânica indiferença do rei pela vida, pela liberdade e pela felicidade de seus súbditos americanos.

Em consequência, conclue a quarta parte, as colônias americanas declaram-se livres e independentes. "E em apoio desta declaração, com uma firme confiança na proteção da divina providência, mutuamente hipotecamos uns aos outros nossas vidas, nossos haveres e nossa honra sagrada".

Essa declaração de Independência da América do jugo inglês está baseada, é curioso notar, na filosofia política de um inglês. Foi como estudioso do filósofo Locke que Jefferson recebeu a idéia de liberdade e igualdade entre os homens. Foi também de Locke que Jefferson derivou o princípio do inalienável direito de um povo a garantir sua liberdade por meio da revolução. O inglês Locke, portanto, pode ser realmente chamado o avô da Revolução Americana.

A Cabana do Pai Tomaz – O livro que provocou uma guerra

HARRIET BEECHER STOWE provinha duma raça de lutadores morais. Quando as pessoas de sua família viam que uma instituição estava errada, faziam

tudo quanto estava em suas forças para pô-la no caminho certo. Seu pai foi Lymann Beecher e seu irmão, Henrique Ward Beecher. Esses dois defensores da ortodoxia lutaram contra a injustiça com linguagem eloquente. Harriet Beecher Stowe atacou a escravidão com pena não menos eloquente.

Escreveu seu famoso romance de emancipação, A Cabana do Pai Tomaz, em 1852. Era a mais vívida e formal acusação contra a escravidão, que o país jamais vira. Dramatizava os sofrimentos dos escravos e literalmente fustigava o povo do Norte a uma furiosa luta contra o Sul.

A senhora Stowe escreveu A Cabana do Pai Tomaz com grandes dificuldades. Abençoada por Deus com seis crianças, tinha de dividir sua atenção entre as solicitações da maternidade e os deveres de escritora. Em consequência dessa atenção dividida, notam-se no livro muitos defeitos. É demasiado melodramático e sentimental. O estilo é inhábil e os caracteres, exagerados. Ninguém é completamente tão bom como o Pai Tomaz, nem completamente tão mau como Simão Legree.

Alguns desses defeitos, porém, são propositados. A autora estava interessada, não tanto em criar uma obra-prima, mas em apresentar uma idéia. Por isso tratou de exagerar. Encolerizada, como se achava, contra os males da escravidão, decidira-se a inflamar seus leitores com igual cólera. Queria que seu livro servisse de grito de combate numa guerra pela emancipação dos escravos. E ela conseguiu-o. Todo o exagero e toda a sentimentalidade do livro tornaram-no universalmente apreciado. Atingiu os lares e os corações de milhões de criaturas e despertou em todo o Norte uma inflexível determinação de pôr fim a escravidão. O começo da Guerra Civil não foi o tiro dado contra o Forte Sumter, mas a penada que iniciou a história da Cabana do Pai Tomaz.

HERMAN MELVILLE – O autor, que teve de esperar cem anos pela fama

HERMAN MELVILLE escreveu seu primeiro grande romance aí por 1840. No tempo de sua morte, em 1891, era inteiramente desconhecido, mesmo dos críticos. Em 1901, uma história da literatura dedicava-lhe apenas um período. Dez anos mais tarde, outra história da literatura americana apenas arrolava seu nome no apêndice. Depois esse nome desapareceu inteiramente durante numerosos anos, até que, subitamente, em 1921, foi redescoberto. Hoje é aclamado, em companhia de romancistas afamados, tais como Natanael Hawthorne e Mark Twain. Alguns de seus entusiastas chegam mesmo a ponto de colocá-lo acima daqueles dois romancistas: "Herman Melville, escreve Luiz Mumford, partilha com Walt Whitman a distinção de ser o maior escritor de ficção que a América já produziu". Seu Moby Dick, na opinião de Mr., Mumford, deve ser. colocado ao lado da Divina Comédia e de Hamlet.

Tais são as vicissitudes da fama! Moby Dick é a história de uma baleia. (Um crítico humorista recentemente chama-o uma "baleia de história"). Nesse livro há uma narrativa sob a narrativa. A história da superfície é bem simples. O capitão Ahab parte a bordo do baleeiro Pequod à procura de Moby Dick, uma baleia branca. Ahab perdeu uma perna num encontro anterior com essa baleia e é sua única ambição na vida matar o monstro. Torna-se maníaco. Navega sem cessar, esse louco capitão, à frente duma tripulação maluca, até que navio, tripulação e capitão são tragados pela "grande mortalha do mar".

Isso quanto à simples história da superfície. Mas, por baixo há outra história. O mar, no qual Ahab está navegando é o mar da vida; Moby Dick é o espírito do mal; e o Capitão Ahab é a inconquistável alma do homem. Enquanto navegamos pela vida, o espírito do mal pode atacar-nos e deixar-nos com profundas cicatrizes e mesmo com incuráveis ferimentos. Mas a alma deve aventurar-se sem cessar, pronta a atracar-se com o mal e dominá-lo no fim. A nobre linguagem de Moby Dick se ajusta à nobreza do assunto. O estilo de Melville tem sido comparado ao de Shakespeare. Moby Dick, escreve o professor Russell Blankenship, na sua Literatura Americana, é mais do que um livro: é um acontecimento, ou talvez mesmo, o maior acontecimento que a recente literatura pode oferecer". E Melville, o autor desse livro, foi forçado a abandonar a literatura e tornar-se caixeiro de escritório para poder ganhar a vida!

O amanuense que se tornou o mais famoso romancista da América HERMAN MELVILLE deixou de escrever para se fazer amanuense. Natanael Hawthorne, por seu lado, deixou de ser amanuense para se fazer escritor. Hawthorne talvez não seja maior escritor que Melville, mas certamente tem sido mais famoso e mais afortunado. Porque sua grandeza foi plenamente reconhecida e recompensada durante sua vida. Enquanto Melville, durante os passados cem anos, saiu da obscuridade para a luz da fama, Hawthorne parece estar destinado, na opinião dos mais jovens críticos, a mergulhar da fama na obscuridade.

A razão da relativa obscuridade atual de Hawthorne é que seu gênio é demasiado delicado para o paladar violento de nossa geração. Seu estilo é sutil. Desliza vagarosa e cariciosamente, como suave brisa, em vez de passar impetuoso, como uma tempestade, e arrebatar os personagens para emoções e violentas aventuras.

Hawthorne é escritor para uma época tranquila e nao para uma geração inquieta como a nossa.

Sua própria vida, como suas historias, foi sossegada. Quando menino, no Maine, devotou grande parte de seu tempo à leitura e à meditação. Em 1825, recebeu diploma em literatura, no Colégio Bowdoin. Entre seus companheiros de classe contam-se Franklin Pierce, que mais tarde veio a ser presidente dos Estados Unidos, e Henrique Wadsworth Longfellow.

Durante dez anos, depois de sua formatura, aperfeiçoou-se lentamente na arte de escrever. De 1841 a 1842, associou-se à Brook Farn Colony, experiência ideal de vida cooperativa. Essa vida mostrou-se demasiado difícil para êle, e em consequência, desistiu e aceitou um lugar de escrevente na alfândega de Salem.

Em 1842, casou-se. E então duas coisas afortunadas lhe sucederam: suas histórias começaram a vender-se, e seu companheiro de colégio, Franklin Pierce, se tornou presidente. Hawthorne foi nomeado cônsul em Liverpool. E dessa época em diante, suas inquietações financeiras tiveram fim.

Ao abrigo assim das mais árduas dificuldades da vida, contemplava o mundo e suas lutas, impessoalmente, como quem está de fora. Essa atitude tranquila, serena e impessoal, se espelha em todos os seus trabalhos.

O mais conhecido de seus trabalhos literários é A Letra Escarlate, tido universalmente como uma das obras-primas mundiais. E’ uma história de pecado e sofrimento, contada por um homem que jamais pecou e raramente sofreu. O resultado é uma obra bondosa, tolerante, pensativa e simpática. Mas não empolga. Não há nela patético ou paixão. Os tipos não são reais. São sombras que sofrem e é por isso que podemos ler o que se passa com elas sem partilhar de seus sofrimentos. Não podeis ter piedade duma sombra. Numa época cheia de ação e de gosto, a obra delicada de Hawthorne está fadada a sofrer, quando comparada com os romances mais robustos de Melville. Contudo, cada qual tem um gosto. Nos seus respectivos campos, A Letra Escarlate e Moby Dick são dignos de figurar entre as maiores realizações humanas, no campo da ficção.

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EDGAR ALLAN POE – O poeta que morreu na sarjeta…

EDGAR ALLAN POE (1809-1849) foi um dos maiores, e ao mesmo tempo um dos mais infelizes poetas americanos. Seus pais, ambos atores ambulantes, morreram quando Poe era ainda criancinha. Foi tomado, mas não adotado, pela família de João Allan, negociante de tabaco, em Richmond. Como criança e como rapaz, foi extremamente inquieto. Na escola fizeram-lhe sentir profundamente seu baixo parentesco. No Colégio (Universidade de Virgínia) sentiu-se desorientado entre os estudantes mais ricos e mais bem nascidos. No fim de seu ano de calouro, deixou o colégio para alistar-se no exército. Seu tutor, que até se recusara a adotá-lo, conseguiu a sua admissão na Academia Militar dos Estados Unidos. Mas êle nunca terminou sua instrução ali. Negligenciando seus deveres militares, foi submetido à corte marcial e demitido.

Dessa época em diante, a vida de Poe tornou-se uma contínua luta com a pobreza e a doença. Durante essa luta,

foi dominado por duas destruidoras paixões: uma boa, a outra, má. Essas duas paixões foram um anelo de amor e uma sede de álcool.

Casou-se com uma menina e moça, Virgínia, bela e frágil como uma flor. Mudaram-se para uma casinha coberta de rosas, e, durante algum tempo, a vida deles foi quase dolorosa na sua beleza. Ela tocava harpa e cantava, enquanto êle a contemplava, com os melancólicos olhos afogados em lágrimas, como se soubesse que tudo aquilo era demasiado celestial para durar.

E não durou. Sua esposa adolescente enfermou e os médicos disseram-lhe que ela morreria. O senhor G. E. Woodberry dá-nos pungente descrição da pobreza dos últimos dias de Virgínia, jacente numa cama de palha, "envolta no casacão do marido, com um grande gato mourisco no colo. … O casaco e o gato eram os únicos meios de aquecimento da doente, a não ser quando o marido lhe pegava as mãos e a mãe os pés".

Quando ela morreu, Poe teve uma febre cerebral que quase o matou. Mas conseguiu escapar… para sofrer e produzir aquelas estranhas flores de poesia, que brotaram do chão de seu sofrimento.

Afim de esquecer, dedicou-se então completamente a sua paixão pela bebida. Sem cessar, bebia até o entorpecimento e, uma a uma, perdeu as posições literárias que alcançara.

E afinal, como o herói de uma de suas próprias histórias, "desceu no torvelinho". A caminho de Richmond, onde esperava lançar uma revista de sua propriedade, sofreu terrível ataque de "delirium tremens". Recobrou parcialmente a saúde. Mas era um homem condenado à morte. Poucas semanas mais tarde foi encontrado, sem con-ciência, numa sargeta de Baltimore. Levaram-no para o hospital da cidade onde, depois de quatro dias de extrema tortura, seu espírito inquieto encontrou afinal a paz.

Emerson – O autor que esqueceu seus próprios livros

COMO Nietzsche, Emerson ficou incapaz de reconhecer seus próprios livros, quando perdeu o juízo. Mas já era um velho nessa ocasião.

Sua vida foi tão serena quanto longa. Em toda a sua existência de setenta e nove anos, duas grandes tragédias apenas amarguraram sua felicidade. A primeira, foi a morte de sua jovem esposa e a segunda, a morte prematura de seu brilhante filhinho.

Quando rapaz, Emerson preparou-se para ser professor. Durante quatro anos, ensinou em Schoolmaster’s Hill, "onde o homem pode encontrar-se com Deus no matagal". Essa colina (hill) dá atualmente para o campo de golf municipal de Boston, no Parque Franklin. No tempo de Emerson, era um deserto de rochas e florestas.

Depois de sua breve carreira de professor, Emerson decidiu, como seu pai e seu avô haviam feito antes, estudar para ministro. Mas isso, também, abandonou, ao fim de breve experiência. Viu que com seus ensinamentos e com suas pregações não poderia alcançar um pviblico bastante numeroso. Tornou-se conferencista e escritor.

Como conferencista, tem uma voz fascinante e uma personalidade encantadora. Como escritor, uma brilhante filosofia e um vigoroso estilo. Conseguia convencer, quer na tribuna, quer na página impressa. Por mais de trinta anos gozou duma vasta e bem merecida popularidade.

Foi em 1870 que sua mente começou a declinar. Verificando que sua memória se ia tornando mais fraca dia a dia, resignou-se serenamente a essa fatalidade. Chegou mesmo a zombar dela. Apontando um dia para um guarda-sol, disse, com um sorriso: "Não posso dizer seu nome, mas posso contar sua história: estranhos o levam e nunca mais o trazem de volta". Nos funerais de Longfellow, amigo seu de toda a vida, observou: "Aquele cavalheiro foi um bela e delicada alma, mas esqueci completamente o seu nome". Quando relia um de seus próprios livros e deparou uma página de insólito brilho, voltou-se para um amigo, que estava ao lado, e disse embevecidamente: "Gostaria de ser o autor deste livro!"

Emerson pode não ter sido possuidor dum grande pensamento. Mas possuía coisa melhor que isso: uma grande alma. Ensinou o valor da confiança em si mesmo, a beleza da natureza, a nobreza da amizade e a sublimidade de Deus. Conforme tão justamente observou o padre Taylor, famoso pregador metodista: "Emerson é o homem mais parecido com Cristo que já conheci".

Mark Twain – O homem que ria com lágrimas

G. CHESTERTON observou certa vez que os gracejadores são em geral homens muito sizudos, que riem para ocultar suas lágrimas. Se isto é verdade, então Mark Twain foi o rei dos gracejadores. Porque Mark Twain foi o mais alegre humorista e um dos homens mais tristes da história literária americana.

Os que muito sofreram, muito aprenderam a rir melhor. A risada de Mark Twain nasceu do desespero. Muito poucos dos que conhecem familiarmente a comédia de seus livros têm ciência da tragédia de sua vida. Desde criança Mark Twain — seu verdadeiro nome era Samuel Clemens — conheceu a tristeza. Levado a uma vila de pioneiros do oeste central, viu escravos açoitados e homens baleados, em plena rua. Em 1847, morreu-lhe o pai e Samuel, um fedelho de onze anos, insubordinado, o roto, de pequena estatura, doentio e nervoso, foi obrigado a deixar a escola para trabalhar. Além da morte do pai, assistiu à morte de uma irmã e de um irmão. Misturou-se com a canalha da vila e recebeu uma educação liberal de pontapés e murros. Aos vinte e três anos, o cabelo tor-nou-se-lhe grisalho, quando o irmão morreu na explosão dum navio, no Mississipi. Aos trinta, estava tão desalentado que, segundo afirma seu biógrafo, Alberto Bigelow Paine, "encostou uma pistola carregada à cabeça, mas não se sentiu com coragem de puxar o gatilho".

Decidiu prosseguir com sua vida e suas tristezas. Seu primeiro filho morreu logo depois de nascido. Um segundo filho morreu de pneumonia, em resultado duma distração de Mark Twain. Estivera passeando com a criança, num dia de neve e se esquecera de resguardá-la suficientemente da tempestade. Outro de seus filhos, quase morreu, quando Mark Twain descuidadamente largou o carrinho da criança no alto dum morro escarpado. Muitos anos depois, quando voltava triunfante de uma excursão de conferências, soube que Suzy, sua filha favorita, morrera em sua ausência. E depois veio o maior de todos os golpes. A 23 de dezembro de 1909, os membros de sua família se preparavam para a celebração do Natal. Sua filha Joana trabalhara infatigavelmente o dia inteiro, armando a árvore de Natal e embrulhando e pondo os endereços dos presentes. À noite beijou o pai, como de costume, e foi deitar-se. No dia seguinte, encontraram-na morta. Sofrera um ataque epiléptico, enquanto se banhava.

Não é de admirar, pois, que a camada açucarada do humor de Mark Twain ocultasse um coração amargurado, por baixo de sua superfície. Lede, seus livros, e notareis que mesmo as mais divertidas de suas pilhérias têm algo de doloroso no final. Seu humor não faz cócegas. Estala como um chicote.

Mas — e eis aqui uma curiosa subtileza da psicologia humana — Mark Twain nunca injuriou os fados. Apenas riu. E quanto mais sofria, mais ruidosamente ria. Porque Mark Twain tinha o sangue dos pioneiros nas veias e fora sempre costume do pioneiro rir da fatalidade. Foi esse alegre e corajoso espírito que formou o país e produziu obras-primas como Tom Sawyer e Huckleberry Finn.

Curiosidades da literatura americana

SABEIS que foi a um autor americano que Shakes-peare pediu emprestada sua descrição das cenas tempestuosas de A Tempestade? Esse autor foi Guilherme Strachey, que escreveu magnífica história de uma tempestade em que naufragou seu navio, numa viagem à Virgínia, em 1609.

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Eis aqui curioso incidente, que encontrámos num livro americano dos começos do período colonial: "Uma mulher da colônia da Baía de Massachusetts tinha uma taramela na língua, como punição por haver falado mal dos mais velhos".

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O primeiro poema produzido na América, Nova An-glia (1625), por Guilherme Morrell, foi escrito, não em inglês, mas em latim !

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A maior obra literária de Benjamin Franklin, sua Autobiografia, foi escrita simplesmente para ser lida por seu filho e não para ser publicada. Não foi publicada em sua forma original senão um século depois.

Um dos primeiros poetas americanos foi uma jovem escrava negra, nascida na África. Seu nome era Filis Wheatley,

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A Idade de Razão, de Thomas Paine, foi considerado um livro ateu. O certo é que nada disso é verdade. Escreveu esse livro como um argumento contra o ateísmo e a favor da religião. Eis o que o próprio Paine tem para dizer sobre o assunto {A Idade de Razão, p. 2) : Creio em… Deus.. . e espero a felicidade na outra vida. Creio na igualdade dos homens, e creio que os deveres religiosos consistem em fazer justiça, amar o perdão e tentar tornar felizes todos os nossos semelhantes."

Estas, certamente, não são palavras dum ateu.

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O mais longo período da literatura americana está contido no Primeiro Discurso Inaugural, de João Quincy Adams. Consta de 700 palavras — cerca de três páginas de impressão comum.

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Em 1793, eram proibidas as peças teatrais em Boston. Contudo eram ocasionalmente representadas.. . sob o título disfarçado de "Conferências Morais"s

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Alguns dos mais antigos livros americanos possuem títulos estranhos. Notai, por exemplo, os seguintes: Pai dum Filho Só; História de Elvira, Augusto e Aurélia; Terrível Tração; A Síljide das Estações e Idéia Geral do Colégio de Mirânia. Mas se pensais que esses títulos são longos e pouco manejáveis, comparai-os com os assombrosos

títulos de alguns dos livros ingleses do mesmo período Sete Soluços duma Aflita Alma Pecadora; Mão Cheia de Madressilvas e diversas selvosas canções, agora novamente aumentadas; Um Suspiro de Tristeza freios Pecadores de Sião, exalado duma caverna duma nave terrestre, conhecida entre os homens freio nome de Samuel Fish; Ovos de Caridade fervidos com Água do Amor e Esfrintual Pote de Mostarda frara fazer as almas esfrirrar com devoção.

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Um dos autores favoritos de Shelley foi um romancista americano, hoje quase completamente esquecido. Chamava-se Carlos Blockden Brown (1770-1810). Seus livros eram muito populares, não só na América, como na Inglaterra. Parece que os leitores daquela geração eram capazes de suportar imensas penitências. Porque o estilo de Brown era tão pesado como uma tonelada de tijolos e tão obscuro como uma parede. Notai, por exemplo, as seguintes breves citações tiradas de seus livros:

"O canal do rio estava obstaculizado de asperidades."

"Orelhou atentamente as selváticas vociferações."

"Nivelou uma espingarda à minha cabeça. Essa ação foi suficientemente conformizada com os meus prognósticos."

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O autor de Lar, doce lar, foi um ator que nunca teve lar permanente: João Howard Payne.

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James Fenimore Cooper, autor de O Último dos Mohicanos e outras histórias populares da vida indiana, tornou-se escritor em consequência duma aposta. Era oficial de marinha, reformado, e não tinha tenção de seguir carreira literária. Um dia, porém, como estivesse

lendo um romance inglês, largou-o desgostoso e exclamou: "Aposto que posso escrever uma história melhor que isso!" Um de seus amigos chamou isso de "garganta" de Cooper ; e, imediatamente, dali em diante, Cooper se tornou romancista.

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Guilherme Cullen Bryant escreveu Thanatopsis, seu maior poema, quando tinha apenas dezessete anos de idade.

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Antes de ser poeta, Longfellow tentou ser romancista. Escreveu três romances em prosa: Ultramar, Hyf>e-rion e Kavanagh. Todos tres fracassaram. Foi então que decidiu abandonar essa carreira desastrada de romancista, afim de tornar-se um poeta afamado.

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Walt Whitman, por outro lado, abandonou uma auspiciosa carreira de romancista, afim de tornar-se um poeta sem êxito. Sua primeira obra publicada foi um romance a respeito da temperança, do qual se venderam 20.000 exemplares. Celebrou o acontecimento convidando todos os seus amigos para uma reunião, em que houve muita bebida.

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Um dos romances de mais êxito, já publicado na América ou no estrangeiro, é… E o vento levou, de Margarida Mitchell. Em menos de um ano, vendeu-se bem mais de um milhão de exemplares e a autora teve de lucro mais de dez mil contos.


Fonte: Maravilhas do conhecimento humano, 1949. Tradução e Adaptação de Oscar Mendes.

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