Continued from: Roma Antiga: Biografia de Catão, o Censor - Plutarco - Vidas Paralelas
XI. Todavia, vender assim os escravos ou os
expulsar de casa depois de envelhecerem no serviço, como se fossem animais,
quando prestaram serviço toda a sua vida, isto parece proceder de uma rude e
austera natureza, que julga de homem para homem não haver nenhuma sociedade
mais elevada que se obrigue tanto quanto possível tirar proveito e utilidade
um do outro; todavia, vemos que a bondade se estende mais longe do que a
justiça, porque a natureza nos ensina a manter a eqüidade e a justiça com os
homens e o agrado e a afabilidade algumas vezes até para com os animais
selvagens, o que procede da fonte da delicadeza e da humanidade, a qual não
deve jamais secar no homem. Pois, em verdade, alimentar os cavalos, usados e
aniquilados pelo trabalho em nosso serviço, não somente criar os cães quando
são pequenos (16), mas também alimentá-los e ainda ter cuidado deles quando
envelhecerem conosco, são atos convenientes a uma natureza caridosa e bondosa.
O povo de Atenas mesmo quis e ordenou, no tempo em que construíam o templo
chamado Hecatompedon (17) que deixassem libertos e livres as mulas e os burros que
haviam durante muito tempo trabalhado no acabamento daquela construção, que as
deixassem pastar sem impedir onde quisessem ficar; dizem que houve um daqueles
animais que tinham sido assim libertados, que por si mesmo voltou a
apresentar-se ao trabalho, pondo-se à frente dos outros animais de carro que
puxavam ‘as carroças carregadas para o castelo, marchando juntamente como se os
quisesse instigar e encorajar, o
que o povo tomou tão a gosto que ordenou fosse alimentada às expensas do Estado
enquanto vivesse; vêem-se ainda as sepulturas dos jumentos de Cimon, com os
quais ganhou por três vezes o prêmio dos jogos Olímpicos e se acham localizadas
perto da sepultura do dono. Também encon tram-se vários que exumaram cães que
haviam sido criados com eles ou que lhes haviam sempre feito companhia, entre
os outros, o velho Xantipo, que enterrou seu cão sobre uma elevação (18) na
encosta do mar, que é chamada ainda hoje "a elevação da sepultura do
cão", porque quando o povo de Atenas, à vinda dos persas, abandonou a
cidade, esse cão seguiu sempre seu senhor, nadando no mar ao lado de sua galera,
desde a costa de terra firme até a ilha de Salamina. Não é razoável, pois
utilizar-se das coisas que têm vida e sentimento da mesma forma que faríamos
com um sapato ou qualquer outro utensílio, jogando-os fora quando estão
completamente usados por nos terem servido, mesmo quando não sendo por outra
causa senão para nos induzir e exercitar sempre nos sentimentos de humanidade,
pelo que devemos nos acostumar a ser delicados e caridosos até nos mínimos
detalhes relacionados com a bondade. Quanto a mim, não terei jamais coração
para vender o boi que durante muito tempo lavrou minha terra, quando não pudesse mais
trabalhar por velhice e, assim, muito menos um escravo, expulsando-o, como de
seu país, do lugar onde durante tanto tempo fora alimentado e da maneira de
viver que de há muito estava habituado, isto por amor de umas moedinhas que
teria, vendendo-o na ocasião em que seria tão inútil aos que o comprassem como
àquele que o vendesse.
(16)
Novos.
(17) Falo desse belo templo de
Minerva nas anotações sobre a vida de Péricles, cap. 28. Veja livro 2.
(18) Um. cabo, que chamam Cinossema, ou o cabo da sepultura do cão, na ilha de
Salamina, atualmente ilha de Colouri, no golfo de Êngia.
XII. Catão, pelo contrário, vangloriando-se,
dizia que havia deixado na Espanha o cavalo com o qual serviu na guerra,
durante seu consulado, para economizar ao Estado o dinheiro que custaria para
trazê-lo por mar à Itália. Ora, se isso deve-se à magnanimidade ou à
mesquinharia (19), é algo que se pode atribuir a razões aparentes de uma parte
e de outra, mas, pensando bem, era verdadeiramente um personagem dotado de uma
capacidade de abstenção admirável, pois sendo oficial do exército, não recebeu
jamais do público mais de três minots (20) de fermento por mês para sua
alimentação e de sua família, nem mais de um minot e meio (21) de cevada por
dia para a alimentação de seus cavalos e outros animais de tração.
(19)
Cada
um pode raciocinar sobre isto, como queira.
(20)
No
grego, três medimnos (unidade de medidas de capacidade entre os atenienses
para matérias secas) de frumento. Já se falou desta medida na Vida de Licurgo,
cap. 12. O minot era uma antiga medida de capacidade equivalente à metade da
mina.
(21) No grego três e meio
.medimnos, ou um medimno e meio.
XIII.
O
governo da ilha da Sardenha coube-lhe uma vez por sorte quando pretor e, em
lugar dos outros pretores que antes dele sobrecarregavam o país com grandes
despesas com o fornecimento de pavilhões, leitos, vestimentas e móveis e
responsabilizavam os habitantes com um grande acompanhamento de servidores,
grande número de amigos que tinham sempre a sua volta, e vultosos gastos,
ordinariamente com banquetes e festejos, êle, ao contrário fêz uma
transformação, mudando a superfluidade excessiva em simplicidade incrível, pois
não fêz gastar com êle nem Uma só moeda porque visitava as cidades a pé, sem
qualquer cavalgadura, seguindo-o apenas um oficial do Estado que lhe levava uma
veste e um vaso para oferecer vinho aos deuses nos sacrifícios. Mas como se
mostrava assim tão simples e fácil em tais coisas, também lhes fazia por outro
lado, sentir sua gravidade e sua austeridade nas coisas referentes aos feitos
da justiça, não perdoando à pessoa alguma, a desobediência a ordens e comandos
feitos em nome do Estado, sendo tão severo e tão rude, que não queria que
faltassem num só ponto, de tal forma que o império romano não foi nunca nem
mais amável nem mais temível aos habitantes da Sardenha, do que sob seu
governo.
XIV.
Seu
próprio estilo e maneira de escrever e de falar, evidentemente demonstram isto,
pois êle se mostra prazenteiro e, ao mesmo< tempo, grave, delicado e
terrível, alegre e austero, sentencioso e todavia familiar, quando precisava disputar, nem
mais nem menos como Platão disse de Sócrates que, ao ser encontrado, parecia, à
primeira vista, um homem ignorante e grosseiro aos que o não conheciam senão
exteriormente, ou então crítico e mordaz nas palavras, mas quando sondavam até
o fundo e penetravam o íntimo, encontravam-no cheio de sentenças graves, de
razões, admoestações e discursos, que atingiam tão bem os corações ao vivo,
fazendo vir lágrimas aos olhos dos ouvintes, com o poder de levar os homens no
sentido que desejava. Portanto, não se pode compreender que razão move aqueles
que consideram o estilo de Catão semelhante ao de Lísias; todavia, deixemos o
julgamento aos que têm por profissão discernir os diferentes gêneros de oradores
e as diferentes formas de estilo, pois quanto a mim, contentar-me-ei, no
presente, em citar por escrito alguns de seus belos ditos e sentenças notáveis,
porque sou de opinião que os costumes dos homens se demonstram muito melhor
pelas palavras e não pelos traços do rosto, como outros pensam.
XV. Um dia, procurando convencer o povo
romano, o qual queria a viva força, que fizessem, fora de estação, uma
distribuição gratuita de trigo a cada cidadão de Roma, começou seu discurso com
o seguinte exórdio: — "É bem difícil, senhores romanos, trazer à razão,
por meio de admoestações, um ventre que não tem ouvidos". Outra vez,
lastimando o péssimo policiamento que havia então em Roma, disse:
— "É desagradável preservar da ruína uma
cidade, na qual um peixe (22) se vende mais do que um boi". Dizia também:
— "Os romanos assemelham-se
a um rebanho de carneiros, pois em tudo, assim como cada carneiro à parte não
obedece o pastor, mas só quando estão juntos e então seguem todos, um pelo amor
do outro, aos que vão na frente; assim, também, quando estais todos juntos, vós
vos deixais conduzir pelo nariz, pois cada um de vós, em particular, não há de
querer receber conselho em seus negócios particulares". Uma vez observando
o poder que as damas romanas tinham sobre seus maridos: — "Os outros
homens, disse, governam suas mulheres, mas a nós todos, homens, pensando bem,
nossas mulheres nos governam". Entretanto*, este último é um plágio e foi
transladado dos ditos agudos de Temístocles, o qual, quando seu filho precisou
solicitar alguma coisa por meio de sua mãe, disse um dia a sua mulher:
— "Os
atenienses governam os habitantes gregos, eu aos atenienses, tu a mim e teu
filho a tu, portanto, repreende-o, para que use um pouco mais moderadamente e mais reservadamente da licença que lhe concedem, por meio da qual,
tão irrefletido e louco como é, tem mais poder e autoridade do que nenhum outro
dos gregos". Dizia também: — "O povo romano não punha
somente preço e valor às diversas ‘espécies de púrpura, mas também aos estudos
e aos exercícios da juventude, pois assim em tudo, como os tihtureiros tingem,
na maioria das vezes, a côr que consideram ser a mais requisitada e a mais
agradável aos olhos dos homens, também a mocidade romana tem trabalho em
aprender e se adaptar aos estados, férias e exercícios que mais louvam e mais
honram". XVI. Comumente admoestava os romanos que se por virtude e por
moderação haviam se tornado tão grandes e poderosos, não se entretessem nunca
com o pior, ou se se tornaram grandes pelo vício e pela falta de moderação, que
mudassem para o melhor, porque por esses meios já seriam bastante grandes.
Dizia também que aqueles que disputavam ambiciosamente e muitas vezes os
cargos públicos, pareciam ter medo de errar seu caminho e por esse motivo
queriam sempre ter à sua frente porteiros e bedéis para os conduzir, com receio
de se perderem na cidade. Repreendia também aos que elegiam muitas vezes as
mesmas pessoas aos mesmos cargos: — "Pois me parece, disse ele, que vós
não considerais muito vossos postos de administração ou que não tendes muitos
homens que julgais dignos (.23) de os administrar". Um de seus inimigos
que levava uma vida maldosa, desgraçada e vergonhosa, do qual não deixava de
dizer que quando sua mãe orava aos deuses para que o deixassem sobre a terra,
ela não pensava em orar e sim em
amaldiçoar, como querendo dizer, que era uma peste no mundo. De um outro, que
havia vendido as terras e bens que seu pai lhe havia deixado, estando na praia,
mostrando-o com o dedo, fingia admirar-se como ele era um homem tão forte,
tendo mais força do que o mar, pois o que o mar vai minando e consumindo pouco
a pouco, durante muito tempo e a custo, êle o tal, engolia tudo de uma vez. De
outra feita, quando o rei Eumene viera a Roma, o senado ofereceu-lhe uma
lembrança maravilhosa e os personagens mais influentes da cidade desfaziam-se
em agradá-lo e honrá-lo, com inveja um do outro, mas Catão ao contrário,
mostrou evidentemente que tomava por suspeitos todos esses agrados, esquivando-se
de o elevar e como algum de seus familiares lhe dissesse: — "Espanto-me de
como vós fugis assim à convivência do rei Eumene, visto ser um príncipe tão bom
e que tanto bem deseja aos romanos". "Quero, respondeu-lhe, que
assim seja; irias da maneira como está, um rei é sempre, por sua natureza, um
animal encantador, vivendo’ de presa, se não houvesse nunca rei que fosse tão
louvado e considerado, que merecesse ser comparado a um Epaminondas, a um
Péricles, a um Temístocles nem a um Mânio Cúrio ou a um Amílcar, denominado
Barca".
(22)
Desde o tempo de Catão, o luxo começou a se introduzir nas mesas romanas. Que
teria êle dito se tivesse vivido no tempo de Tibério e tivesse visto comprar
três salmonetes (peixes) por trinta mil sestércios! Suetônio, Vida
de Tibério, cap. 34.
(23) De administrar
vossos negócios
XVII. Dizia também que seus
inimigos o invejavam porque usualmente levantava-se à noite antes do dia e
esquecendo seus negócios particulares, para estar disponível ao público.
Afirmava que preferia ser privado da recompensa de uma benfeitoria, muito mais
do que não ser castigado por uma falta, e que perdoava a todos os outros que
erravam por engano, exceto as suas próprias. Um dia como o povo havia eleito e
comissionado três embaixadores para enviar ao reino da Bitínia, dos quais, um
tinha os pés maltratados pela gota, o outro a cabeça cheia de sinais pelos
golpes que havia recebido e o terceiro era tido como louco, Catão rindo-se
começou a dizer: — "Que enviavam uma embaixada que não tinha nem pés, nem
cabeça, nem coração" (24).
Cipião pediu-lhe uma vez, em atenção a Políbio, pelos banidos da região da
Acaia; a matéria foi levada à deliberação do senado, havendo grande discussão e
grande diferença de opiniões entre os senadores, porque uns queriam que fossem
restituídos em suas casas e em seus bens, os outros o impediam. Catão pôs-se em
pé e lhes disse: — "Parece que não temos outra coisa a pensar nem a
fazer, visto nos divertirmos um dia todo em discutir e contestar para saber
apenas se esses velhos gregos aqui serão enterrados pelos coveiros e
carregadores de Roma ou pelos da Acaia". Por fim, foi concluído e
determinado que seriam colocados e restituídos a seu país, mas alguns dias
depois, Políbio quis em desagravo, apresentar uma petição ao senado para que os
banidos restituídos por decreto tivessem os mesmos cargos e honras na Acaia
como tinham quando foram expulsos, mas antes de o fazer, procurou primeiramente
sondar o parecer de Catão, o qual respondeu-lhe rindo: — "Parece-me,
Políbio, que fazes como Ulisses (25) que tendo uma vez fugido da caverna do
gigante Ciclope, quis voltar para ir buscar seu chapéu e sua cinta que havia
esquecido". Dizia também que os sábios aprendiam e aproveitavam mais dos
loucos, o que não faziam os loucos dos sábios, porque os sábios viam as faltas
dos loucos, procuravam se preservar para não cair, enquanto os loucos
não se aperfeiçoam nunca em imitar os belos e bons atos que fazem os sábios.
Dizia ainda, que preferia muito mais os rapazes que enrubesciam do que os que
empalideciam. Não queria nunca soldados que balançassem as mãos, andando pelos
campos, nem os pés combatendo, nem que roncassem alto demais dormindo, como
também os que não lutassem quando lutando.
(24) Quer dizer: entendimento, pois consideravam que o
assento da razão fosse no coração, seguindo a opinião de Aristóteles.
XVIII. Um dia, censurando
alguém que era extremamente gordo e obeso: — "Em que, disse-lhe,
poderia ser útil ao Estado um corpo que desde 0 queixo até a consciência não é
senão ventre?" A um certo indivíduo sensual que procurava travar relações e entrar em
familiaridades com êle, disse: — "Não saberia viver nem conversar com
homem que tem o paladar e a língua mais sensíveis que o coração". Dizia
também: — "que a alma de um amoroso vivia no corpo de outrem. Em toda sua
vida estaria arrependido de três coisas: a primeira, se tivesse dito (26)
alguma coisa secreta a uma mulher; a segunda, se tivesse ido por água aonde
pudesse ir por terra; a terceira, se tivesse passado um dia inteiro sem nada
fazer". A um velho de má vida, repreendendo-o: ^ "Velho,
disse-lhe, a velhice tem de si mesma muita coisa feia; não as aumente com a que
procede do vício". A um tribuno do< povo, sedicioso, que suspeitavam
ser um envenenador, que procurava fazer passar a viva força e autorizar pelo
povo um edital que era iníquo: — "Não sei, disse-lhe, qual das duas coisas
é a pior: beber as beberagens que fazes ou receber os editais em que
transpiras". Uma outra vez sendo injuriado por um que vivia sempre
desordenada e maldosamente: — "Não sou, disse-lhe, em nada igual a ti
nesta forma de combater por injúrias, pois estás tão habituado a dizê-las
facilmente e suportar comodamente que te digam ultrajes e vilanias, enquanto
eu não estou habituado em ouvir nem tenho nenhum prazer em dizê-las". Eis
a sua maneira de falar e suas sentenças notáveis, pelo menos aquelas que nos
deixaram por escrito, pelas quais podemos conjecturar acerca de seus costumes e
sua natureza. XIX. Ora, após ter sido eleito cônsul, juntamente com seu amigo
Valério Flaco, coube-lhe por sorte o governo da Espanha, que se acha aquém do
rio Betis (27) e ali, guerreando e conquistando os povos pela força das armas,
enquanto ganhava outros por via amigável, encontrou-se de repente surpreendido
e envolto por um grande e poderoso exército de bárbaros, de tal modo que corria
o perigo de ser vergonhosamente feito prisioneiro ou morto. Por isso,
rapidamente, enviou um pedido de socorro aos celtíberos, que eram vizinhos do
lugar onde se encontrava. Estes pediram-lhe duzentos talentos (28) como salário
para irem socorrê-lo, com o que os demais romanos não estavam concordando, em
comprar assim o socorro desses bárbaros. Catão, porém, respondeu-lhes que
estavam abusando porque não havia nisto perigo nem desonra: — "Pois se
ganharmos a batalha, pagar-lhes-emos do que recebermos dos despojos de nossos
inimigos e se perdermos, eles e nós ficaremos, de tal sorte não haverá assim
pagamento algum nem tampouco quem o solicite". Afinal, ganha a batalha, depois de grande luta,
tudo o mais foi feito com muita sorte, pois segundo Políbio escreve, à sua
ordem todas as muralhas das cidades que se encontravam aquém do rio Betis foram
destruídas e arrasadas em um dia, embora defendidas com grande número de bons
guerreiros. Escreve ainda mais o mesmo Políbio, que Catão se apoderou de mais
cidades da Espanha do que os dias que ali ficou, o que não é vã gabolice mas
sim fato verídico, pois foram umas quatrocentas. Conquanto os soldados sob suas
ordens nessa jornada cumprissem bem seus deveres, tendo ganho muito, todavia
mandou dividir para cada um deles uma libra pesada de prata (29) dizendo
preferir que voltassem para suas casas em maior número conduzindo prata, do
que poucos deles levando ouro. Quanto a si, declarou que de todo o espólio
ganho sobre o inimigo, nada mais desejava, bastando-lhe o que havia comido e
bebido: — "Em absoluto, disse, censuro aqueles que procuram se enriquecer
com tais despojes, mas prefiro mais estabelecer a virtude com os mais virtuosos
do que a riqueza com os mais ricos e a ambição de juntar com os mais
avarentos".
(25) M. Dacier observou bem que há uma negativa
esquecida no texto grego. É o que engana Amyot. É preciso ler: “Parece-me,
Polibio, que não fazes como Ulisses, que uma vai evadido da caverna do gigante
Ciclope, queres aí voltar para ir buscar teu chapéu e teu cinto, que aí
esqueceste:” Veja as Observações.
(26) Amyot deveria traduzir: «A primeira, por
haver confiado um segredo a uma mulher; a segunda, ter ido por água aonde
pudesse ir por terra; a terceira, haver passado um dia inteiro sem nada fazer;
Meziriac censura-o de não haver traduzido: — haver passado um dia sem fazer
seu testamento;:-. Se bem que a palavra grega adíábetos tenha também este
sentido, a outra significação é mais natural e geralmente seguida.
(27) A Espanha do lado da
França, além do rio Betis ou Guadalquivir.
(28) Seiscentos e vinte mil
escudos. Amyot.
(29) Aproximadamente
sessenta e seis libras.