ANÁLISE FILOSÓFICO-POLÍTICA DE A MANDRÁGORA, DE NICOLAU MAQUIAVEL À LUZ DE O PRÍNCIPE E COMENTÁRIOS SOBRE A PRIMEIRA DÉCADA DE TITO LÍVIO



ANÁLISE FILOSÓFICO-POLÍTICA DE A MANDRÁGORA, DE NICOLAU MAQUIAVEL À LUZ DE O PRÍNCIPE E COMENTÁRIOS SOBRE A PRIMEIRA DÉCADA DE TITO LÍVIO [1]

BENEDITO LUCIANO ANTUNES DE FRANÇA

Mestre em Filosofia. Professor de Filosofia da Faculdade de Tecnologia de Americana (FATEC-Americana), do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, e Professor Titular de Filosofia da EE João Franceschini, Sumaré/SP, pela Diretoria Regional de Ensino de Sumaré, vinculada à Secretaria Estadual de Educação de São Paulo

 

 

 

INTRODUÇÃO

       Na reflexão filosófica é de praxe considerar as variadas concepções presentes no pensamento do filósofo estudado. Suas concepções de homem, de Deus, de História, de Mundo, são um personalizado instrumento metodológico para a compreensão do pensamento do autor como um todo. Quanto mais coesa sua cosmovisão, indubitavelmente, estará isenta de contradição e, noutro sentido, quanto mais desarmônica, mais prejuízo acarretará ao entendimento cabal do sistema filosófico do pensador.

              Com tal afirmação desejamos assegurar que a obra bibliográfica será mais coerente, coesa e fidedigna, na medida em que expressar uniforme e univocamente seu conteúdo sem sombras de anuviamentos, contradições e obscuridades que possam comprometer as posições tomadas pelo pensador, ao longo de sua obra.

       Nicolau Maquiavel (1469-1527), assim como todos os pensadores que o precederam, apresentava suas instigantes concepções sobre o homem, Deus, a História, a guerra. Elas são consideradas, tanto pela Filosofia quanto pela Ciência Política, marcos na história da humanidade, sobretudo pelo fato de historicizar os acontecimentos humanos, instrumentalizando um método inusitado para a Política e refleti-los a partir da veritá effetuale della cosa che alla imaginazione di essa, como diz o capítulo XV de , em oposição ao raciocínio silogístico-teológico, artifício lógico típico do pensamento medieval.

       Maquiavel era um homem de sua época e estava também engajado nela, pois, pelo que sabemos, nada passava aos olhos atentos do cidadão de Florença.  Constituições republicanas, decretos monárquicos, ações bélicas adjacentes,  instituições políticas, questões econômicas e religiosas, são alguns, entre tantos outros temas, objetos de seu estudo ético-político; inclusive os casos amorosos, metaforizados, como veremos nesta obra teatral.

              O Príncipe e Comentários[2] são obras que, em nossa visão, objetivam expressar três sentimentos do antigo funcionário dos Médici: a) seu descontentamento com a política francófila adotada pelo governo florentino, decorrente do temor que a presença de Carlos VIII, primeiramente, e, depois, Carlos V, impunha sobre a Europa; b) revelar sua amargura advinda do confinamento político imposto pelos desconfiados Médici, e c) do desemprego que o retirou do campo das ações políticas.

              Muito mais que um pensador que asseverava acerca da política florentina  dando-lhe uma saída prática em vista da união italiana, Maquiavel é, por assim dizer, um cidadão amante de sua pátria que a vê esfacelada, dividida e sujeita aos ambiciosos mercenários de plantão, figuras que ele tanto criticou seja em O Príncipe, como nos Comentários e, indiretamente, em A Mandrágora.

       O chanceler florentino estava inserido nas transformações econômicas, políticas, jurídicas e religiosas ocorridas nos séculos XV e XVI que transformaram o . A cortina que separava o laical do sagrado foi rasgada com a impetuosidade das mudanças que abalaram o milenar .

     O mundo medieval, geralmente caracterizado como um bloco monolítico, hermético, em função de sua atmosfera eclesiástico-clerical, não conseguiu responder as indagações oriundas das outras faces que se faziam visíveis na Europa: colonizadora, mercantilista e secularizada, em efervescência comercial e cultural. É o novo mundo que emerge das cinzas feudais e, como a criança que vem ao mundo sob gritos, anseia pelo ar e pela luz.

        O pandemônio econômico e político entra em cena em substituição à monótona aspiração de vida eterna professada pelos religiosos católicos. Neste novo período em que outros valores prevalecem, o poder temporal era pleiteado com tanto frenesi pelos burgueses como pelos fidalgos, da mesma maneira, guardadas as proporções, no  século XIII, dominicanos e franciscanos menores aspiravam à vida eterna, às vezes, até com certo desvario.

              Acrescentam-se as supracitadas transições, as descobertas marítimas de novos mercados de investimentos e de novas porções territoriais. O mundo não era só a Europa, e a diversidade cultural era mais intensa do que se imaginava. Maquiavel, conscientemente, sabia que as experiências monárquicas vivenciadas pelas províncias próximas à Florença não eram tudo, politicamente falando. Para ele, a República,  forma de governo rejeitada de antemão por Platão e Aristóteles, por confluir na democracia, concedia, segundo o florentino, muito mais liberdade aos povos do que a Monarquia absolutista vigente na Europa desde o século XIV[3]. E, sem dúvida, a República era a resposta mais sensata às necessidades imperantes oriundas do livre comércio mercantilista promovido pelos burgueses, pois faria ascender ao poder político, graças ao poderio econômico, homens de espírito largo e livre, com anseios de renovação, em oposição aos que recebiam o poder vitalícia e hereditariamente, fazendo-se manter nele à troca de favores e de benefícios à nobreza, governando, unilateralmente, em favor das classes mais favorecidas. 

        Em outro sentido era injustificável, para Maquiavel, a desunião das províncias italianas como, por exemplo, Veneza, Pisa, Gênova, Milão, , Saluzzo, Savóia, Asti, Montferrat, Ferrara, Mântua, Módena, Luca, Siena, Sardenha, Sicília, os Estados Pontifícios (Roma), etc. A nova Itália deveria ressuscitar o espírito italiano e tornar-se enobrecida, temida e respeitada, como oportunamente expressa o patriota Maquiavel no capítulo XXVI de O Príncipe. Portanto, o sonho maquiaveliano, em nossa pesquisa,  funda-se em dois princípios que se completam: primeiro, na libertação da Itália das mãos dos mercenários e, por conseguinte, dos invasores bárbaros que atemorizavam a Europa, e, segundo, na reunificação das províncias para formar-se o onírico Estado italiano.

       Pretendendo oferecer as ferramentas para a consolidação do Estado italiano e dando a receita técnica para o exercício político do poder estável e eficaz, Maquiavel apresenta-nos intrigantes e questionáveis asserções políticas e éticas.

       Maquiavel, assim como nas obras O Príncipe, Comentários, A Arte da Guerra, História de Florença, Escritos Políticos, foi em A Mandrágora um pessimista quanto à natureza humana. Porém, paradoxalmente, professava ser o homem capaz de auto-superar-se. Existe no homem a físico-biológica bem como a ético-moral, mas, para o chanceler florentino, esta é uma degeneração a qual o homem é capaz de transcendê-la à medida que os interesses coletivos prevalecem-se às ambições particulares. Sendo assim, o próprio pessimismo e o naturalismo expressos por Maquiavel são, na verdade, meras características típicas do olhar renascentista que focaliza, de soslaio, as transformações político-econômicas e jurídico-religiosas em efervescência, mas sem defini-las clara e distintamente.

 

1 – MAQUIAVEL: O POLÍTICO E TEATRÓLOGO DE A MANDRÁGORA

       Escrita, provavelmente, entre 1518 e 1519, A Mandrágora também é fruto do ostracismo político imposto a Maquiavel. Nos dizeres de Carmelo Distante[4], a obra teatral desejava atingir em cheio o público florentino, para lhe dar a entender, “apertis verbis”, em que atoleiro moral e social estava imerso, num momento de refluxo político e de consolidação da ditadura e da efêmera potência dos Médici. Neste sentido é possível dizer que “La Mandragola” (no italiano original) representa o último e lancinante brado de dor, mas brado sarcástico e sem preconceitos, com que o gênio de Maquiavel tentava despertar a consciência da burguesia florentina e libertá-la do sono acomodado em que fatalmente caíra, ao passar da alacridade mercantil cultural do século XV ao nirvana de ócios fidalgos do século XVI[5].

       A estrutura da evidencia a crítica social de Maquiavel à vida e à política florentina. O enredo social é formado primeiramente por um doutor em Direito, Nícias Calfúcio que, segundo Maquiavel, (…) em Boécio (Buezio) aprendeu normas legais[6]. O neologismo italiano Buezio, adaptado pelo tradutor para o português como Boiécio, é uma tentativa de Maquiavel de, no “Prólogo”, dar ao espectador – ou leitor – uma alusão à estupidez de Nícias que, mesmo sendo doutor, é engenhosamente enganado pelo jovem Calímaco, figura cheia de virtù e de fortuna, que nos faz lembrar o protótipo político estabelecido por Maquiavel na obra O Príncipe: César Bórgia, filho do Papa Alexandre VI.

              Além destes, constituem  o enredo os seguintes personagens: um corrupto frade servita, Frei Timóteo; o servo fiel Siro; Ligúrio,  amigo e mediador do romance com Lucrécia; Sóstrata, sogra do doutor Nícias, e Lucrécia, a esposa deste; além de uma mulher anônima que aparece em cena breve mas, extremamente, importante junto ao frade servita, na Cena 3 do Terceiro Ato.

       Para Carmelo Distante por trás desses nomes, sobrenomes e personagens estão o panorama político-cultural florentino.

              Observe-se que nesse quadro o protagonista, que será alvo de cruel chacota, recebe um sobrenome, Calfucci (traduzido por Calfúcio), que é lembrado até mesmo por Dante (…), e o jovem que vence a peleja amorosa recebe um sobrenome, Guadagni (traduzido por Gadanha), conhecido de toda a Florença de inícios do século XVI. Evidentemente Maquiavel não quis abusar dos riscos, e por isso deu ao moço bonito, ousado e vencedor um sobrenome comum em seus dias, ao passo que ao velho impotente e homossexual (como tantos da alta burguesia daquele tempo) deu um nome célebre, mas já extinto. O que queremos dizer é que o expediente lhe serviu para atacar a salvo a burguesia estúpida e corrompida de sua cidade, mas atraindo a simpatia dos moços audazes dessa mesma burguesia que já conviviam mal com o provincianismo dos pais, incapazes de enxergar, a um palmo do nariz, as mudanças e os novos horizontes que se rasgavam no mundo[7].

       Enfim, é o conservadorismo provinciano versus a nova mentalidade burguesa que conhece as ações bélicas vigentes e a impossibilidade de se viver em segurança, soretudo após a demonstração de força dada pela França, na Itália, bem como em toda Europa.

       A figura do frade servita é a explanação maquiaveliana da corrupção dos interesses manifestos pela , que busca mais o poder temporal, com a aquisição mediante a força bélica de novos territórios para a constituição dos Estados pontifícios, do que o regozijo eterno, com a salvação da alma, interesse que deveria parametrizar sua ação pastoral teleológica.

       Maquiavel, nesta obra, revela seu pessimismo quanto ao homens. A este respeito, pondera Distante:

              Mas seu pessimismo não era passivo ou de cunho religioso – de tipo católico ou protestante – e sim um pessimismo de tipo secularmente ativo, que se transformava em poderoso otimismo da inteligência e da vontade (…). Maquiavel é um grande moralista porque, embora convencido de que os homens são o que são – tolos, iludidos, displicentes, falsos, traidores, prontos a vender por dinheiro a alma própria e a alheia – acreditava firmemente, apesar disso, que o homem, se dotado de verdadeira inteligência e de grandes paixões, podia atuar no lodaçal da imoralidade sem com ele se confundir[8].

 

2 – A ESTRUTURA TÉCNICO-POLÍTICA DE A MANDRÁGORA

       A obra A Mandrágora é constituída por cinco atos, cada qual, exceto o último, seguido de uma canção que faz o desfecho do ato. Na primeira parte temos a apresentação das personagens acompanhada de uma canção (para se dizer antes da comédia, cantada em conjunto por ninfas e pastores[9]), na qual elogia tanto o governador do território da Romanha, na ocasião, Francesco Guicciardini (1483-1540), quanto o Papa (1478-1534), um Médici, soberano da Itália e, concomitantemente, chefe da Igreja.

              Antes do início dos atos, temos o Prólogo, em que Maquiavel caracteriza as personagens, o lugar em que as cenas ocorrem e apresenta algumas razões que o levaram a escrevê-la, entre elas, em suas próprias palavras, o sofrimento vivido, acarretado pelo exílio forçado:

Do ruim tempo, a que engana

Co’ idéias vãs, que o tornam mais suave,

Pois que tudo lhe é entrave

 Aonde quer que olhe.

Sim, até se lhe tolhe /

Mostrar com outros feitos mais valor,

 Ou ter por seu esforço algum louvor[10].

 

       No primeiro ato há três cenas. Protagonizam-na Calímaco, Siro, o doutor Nícias e Ligúrio. Neste, há uma breve introdução à comédia. Calímaco busca explicar as razões, para o seu servo Siro, que o levaram repentinamente a sair da França e voltar para Florença, apesar da Itália estar sofrendo as turbulências peculiares a um estado belicoso e mal administrado. Dentre tais razões, a mais importante é o fato de ter participado de um debate entre florentinos, na França, a respeito da beleza das mulheres italianas e francesas. Um certo Camilo Calfúcio, opôs a afirmação dos partidários das francesas quanto à falta de beleza das italianas, asseverando que a feiura de muitas era expiada pela beleza e pelas virtuosas qualidades de sua parenta, uma tal Lucrécia, casada com um doutor em Direito, Nícias Calfúcio.

              A retórica, os elogios inflamados, as qualidades mirabolantes fizeram com que Calímaco deixasse a segurança das terras francesas e retornasse para a sua cidade natal, Florença, em busca de seu objeto de desejo, ainda sabendo que ela era inacessível, tanto quanto as ninfas e as deidades descritas por Petrarca. Disposto a tudo, recorre ao ex-corretor de casamentos, Ligúrio, para realizar o desejo adúltero. Calímaco e Ligúrio têm à frente uma facilidade e um entrave: a ingenuidade mesclada de burrice do dr. Nícias e a honestidade dosada de prudência de dona Lucrécia. Porém, há um denominador a mais que interseciona as vontades marital e as de Calímaco: o casal quer um filho, mas Nícias é impotente.

       Admitimos, de antemão, uma coesão na bibliografia de Maquiavel. Seu estudo fundamenta-se na política e todas suas obras, inclusive as de caráter, essencialmente, teatral, também têm esta preocupação ético-política. Segundo Carmelo Distante, Croce vê, em A Mandrágora, uma tragédia, cujo autor  estaria a verberar a corrupção social  italiana das primeiras décadas do século XVI.

              Essa visão da crítica, que tanto se ajustava à Itália renovada do Risorgimento, faz de La Mandragola uma sátira de Maquiavel à corrupção da Itália de 1500, em particular à corrupção da Igreja, em vésperas da que Lutero, entre dores e sofrimentos, fazia em nome de Deus e da consciência[11]. Distante prefere, portanto, a posição de Luigi Russo que, em 1939, elaborou um estudo denominado Commedie fiorentine del Cinquecento: Mandragola, Clizia e Calandria, o qual rejeitava essa interpretação trágica e moralista, insistindo (…) na vitalidade que se desprende da comédia, em que Lucrécia, longe de animada pelo espírito protestante, vive o humaníssimo e tão simpático espírito de Boccaccio. Por outras palavras, é alguém certamente relutante em transgredir as leis morais, mas não está disposta a se tornar vítima passiva dessas leis, a qualquer preço[12].

       Com efeito, ao invés de preocuparmos com as possíveis interpretações filosófico-hermenêuticas, preferimos, neste ensaio, conscientemente, apresentar alguns traços políticos presentes nesta obra, todavia, como tantas outras, com um fundamento satírico-política.

       Sob pretexto de fazer teatro, o chanceler Maquiavel faz política, como havia feito em O Príncipe, Comentários, Escritos Políticos, A arte da guerra. Os personagens Siro e Ligúrio contrapõem-se, bem como fortuna à virtù, a milícia própria à mercenária. Se o primeiro é leal e serve-lhe há mais de dez anos[13], Ligúrio é amigo recente, que busca alianças através de dinheiro e de jantares, que se dispõe a ajudar Calímaco sob contrato pecuniário[14], vendo aí a possibilidade de ganhar algo, assim como as milícias mercenárias presentes na dividida Itália, tão condenadas por Maquiavel em O Príncipe[15].

              Siro e Calímaco gozam de mesma opinião a respeito de Ligúrio: se o primeiro afirma que não se deve confiar em fila-bóias, que não costumam ter palavra[16]; Calímaco, na terceira cena, revela consciência da identidade do mercenário contratado:

       Acredito, apesar de saber que você é desses que vivem de levar os outros na conversa fiada. Mas acho que comigo será diferente, porque se eu perceber que isso está acontecendo, vou querer desforra: você não me põe mais os pés em casa e fica sem esperança de receber o que lhe prometi[17].

       O segundo ato é caracterizado por seis cenas vivenciadas pelos mesmos personagens do primeiro. A pedido de Calímaco, Ligúrio, íntimo dos Calfúcio e conhecedor do desejo expresso do casal de ter um filho, tenta persuadi-los a conhecerem um  balneário, e lá, simultaneamente, Calímaco demonstraria seus dotes e riquezas, a fim de ganhar a confiança do dr. Nícias, além do amor de Lucrécia. Entretanto, assim como os nobres de sua época, Nícias recusa o convite por julgar dispendioso e cansativo deixar Florença.

              Na segunda tentativa de engodo, Ligúrio pede para que Calímaco passe por médico. Justifica, para Nícias, a fama do pseudo-médico, dr. Calímaco, vindo da França, atribuindo-lhe poderosas qualidades e poderes miraculosos. Ligúrio, fundamentando seu logro na sandice de Nícias, diz que o médico não abriu consultório em Florença por ser rico e preferir  trabalhar no território francês.

       Temendo ser ludibriado, Nícias solicita uma apresentação ao dr. Calímaco. Comigo é que ele não enche lingüiça[18], esbraveja Nícias. Após a tergiversação em Latim, Nícias julga o “doutor” como eloqüente e fidedigno e consente que Calímaco submeta sua esposa a um exame de urina. Fingindo conhecer o assunto, Calímaco diz não observar aparentemente nenhum problema renal ou de natureza ginecológica em Lucrécia, e pela lógica da exclusão, conclui que Nícias seja impotente sexual. Mas este nega, afirmando que o problema não está nele, mas em sua esposa. Aproveitando o ensejo, sob a conivência de Ligúrio, recomenda a Nícias um outro tratamento para a fertilização do óvulo de Lucrécia, o qual justifica o título da peça: que ela ingira uma poção feita à base de uma planta mágica, popularmente conhecida como mandrágora (mandragola, em italiano). Contudo, prescreve o pseudo-doutor:

       Mas é preciso ter cuidado: depois de ela beber a poção, o primeiro homem que estiver com ela diz adeus ao mundo: morre em oito dias[19].

       Nícias, mais temendo o alardeamento de uma possível morte em razão do efeito colateral da raiz da planta do que a inescrupulosa traição, solicita outra sugestão Ademais, teme a não colaboração de sua esposa. Receios que o astuto e cismado Ligúrio resolve: ninguém saberia da cópula exceto eles; o homem não seria nenhum conhecido, mas procurado nas praças de Florença, e quanto a Lucrécia, solicitaria a colaboração, dispendiosa mas eficaz, do Frei Timóteo, para persuadi-la racional e religiosamente, visto que ela é uma carola.

              Indagado por Calímaco sobre quem iria convencer o confessor a enganá-la, o satírico Nicolau Maquiavel alfineta na boca de Ligúrio: Você, eu, o dinheiro, a nossa malícia e a dessa gente[20]. E quem iria persuadir Lucrécia a procurar o confessor seria a sogra de Nícias, Sóstrata.

       Calímaco passa-se por médico. Nícias é doutor em Direito. Embora ambos não sejam o que aparentam ser: Calímaco é burguês, garboso e jovial, antenado  aos acontecimentos internacionais, mas não é médico; Nícias, ainda que formado em Direito,  pela sua ingenuidade e ignorância, tem o título, mas não o garbo para tanto, assim como a aristocracia da época. O mais interessante desta constatação é saber que Maquiavel destaca o Direito e a Medicina como ciências importantes para alavancar ou submergir uma sociedade do – ao – lodaçal da imoralidade.

       O terceiro é o mais longo dos atos; tem doze cenas. Além dos personagens supracitados, participam dele o frade servita, frei Timóteo, Sóstrata e Lucrécia, além de uma mulher anônima que dialoga com o frade na terceira cena.

       Inicia o ato com Sóstrata que toma conhecimento da inevitabilidade da filha ter um  ato sexual com um estranho, mesmo sendo casada. Diz ela que, se não há saída, é prova de juízo optar pelo menor mal e aderi-lo em sã consciência. Persuadida pelo frei desta necessidade, Sóstrata é incumbida de convencer a filha a executar o prognóstico do doutor Calímaco, fazendo-a  crer que não há pecado quando o fim último, o resultado – no caso específico, o nascimento de uma criança -, repara as arestas dos meios inescrupulosos e imorais. 

       Nós acreditamos que, neste caso, Maquiavel não se distancia de suas obras políticas: o capítulo XVIII de O Príncipe e o capítulo 9, do Livro I, de Comentários, apontam nesta perspectiva. Entretanto, para o despudorado Maquiavel há menos vergonha em seduzir uma mulher casada do que conquistar um Estado somente pela força. Dois fatos comprovam tais afirmações: a vida libidinosa e licenciosa de Maquiavel e os exemplos políticos de Agátocles e Oliverotto, citados no capítulo VIII de O Príncipe.

      Nícias afirma que Lucrécia é desconfiada e que não crê muito na honestidade e nos votos celibatários proferidos pelos religiosos. Ele conta que uma amiga de sua esposa, desejosa de emprenhar-se, fez um voto de assistir a 40 missas matinais com os frades servitas, recomendação religiosa medieval para as estéreis fertilizarem; todavia, na vigésima semana, um dos frades começou a dar-lhe em cima. Tal fato aumentou, segundo Nícias, a desconfiança de Lucrécia quanto à honestidade e à honra dos frades.  

       Ligúrio, todavia, firme em seus propósitos e conhecedor da devassidão e venalidade do frei, solicita de Nícias 25 ducados para comprar a amizade do frade e lhe dar esperanças de algo mais[21], a fim de que ele colabore com a empreitada planejada.

       Sob pretexto, Ligúrio, no interior da igreja dos frades servitas, inventa uma história de uma parente dos Calfúcio que, por descuido e irresponsabilidade ficou grávida, e recomenda que  frei Timóteo intervenha junto a abadessa do convento, no sentido de convencê-la a abortar. Ligúrio dá-lhe o dinheiro e, novamente, com outras intenções, vai falar com uma suposta senhora que lhe comunica que o aborto veio por si. A caridade já estava paga, então, Ligúrio reivindica que o religioso faça uma nova mediação: persuadir Lucrécia  a ingerir a porção miraculosa e dormir com o rapaz, além de convencê-la religiosa e moralmente, evitando o possível peso de consciência. Tal solicitação, em vista da outra – o aborto da monja -, Ligúrio diz ser menos grave, menos escandalosa, mais de nosso agrado e mais útil ao senhor[22].

       O frei convencido da relevância do ato sexual, principalmente dos benefícios que dele decorreria, persuade Lucrécia com a seguinte afirmação lógica: (…) onde o bem que existe é certo e o mal incerto nunca se deve deixar aquele bem pelo receio deste mal[23].

              O bem é engravidar e fazer a vontade do marido, o mal é incerto, porquanto não haveria adultério, pois não há prazer expresso pela vontade autônoma; quanto ao homem que iria usufrui-la, poderia ele morrer ou não. Garante o frade que as filhas de Ló, parente de Abrãao, não pecaram, apesar de dormirem com o próprio pai, visto que não cometeram incesto, pois julgavam ser as únicas mulheres no mundo e queriam continuar a semente genealógica do pai.

              O frei ainda assevera que se houver no ato de Lucrécia algum pecado, será de natureza simples, tal qual o de comer carne às quartas-feiras, que poderá ser absolvido com a aspersão de água benta. Como se não bastassem os juízos doutrinários do religioso, a mãe de Lucrécia garante que muitas mulheres gostariam de estar no lugar dela a fim de ter uma segunda opinião sobre a virilidade humana.

       O quarto ato é caracterizado por dez cenas; é sobre a conivência do frei às artimanhas preparadas por Ligúrio, financiadas por Calímaco e, sem o saber, consentidas até pelo próprio traído.

       Calímaco, logo na primeira cena, revela uma possível crise de consciência, a qual submerge na proporção em que vê e sente a possível concretização de suas fantasias junto da pessoa amada.

       Na cena 6, frei Timóteo, a sós, disfarçado de Calímaco, à procura do jovem que desfrutará da beleza de Lucrécia, reconhece a inconveniência de certas companhias, sobretudo quando elas acabam influenciando de tal maneira algumas posturas e condutas, até então pré-estabelecidas como inadmissíveis. Falam a verdade os que dizem que as más companhias levam a gente à forca, e que por ser manso demais, bom demais, a gente muitas vezes acaba  tão mal quanto quem é ruim demais[24].

       O admirável desta afirmação é que ecoa o pensamento político de Maquiavel manifesto categoricamente em duas passagens de O Príncipe:

       (…) Se se considerar bem tudo, encontrar-se-ão coisas que parecem virtudes e que, se fossem praticadas, lhe acarretariam a ruína, e outras que poderão parecer vícios e que, sendo erguidas, trazem a segurança e o bem-estar do governante[25];

       Assim como outro excerto que assim diz: 

         (…) O príncipe não precisa possuir todas as qualidades (…) (prudência, humanidade, religiosidade, piedade, fé e integridade), bastando que aparente possuí-las. Antes, teria eu a audácia de afirmar que, possuindo-as e usando-as todas, essas qualidades seriam prejudiciais, ao passo que, aparentando possuí-las, são benéficas (…)[26].

       As cenas seguintes convergem na execução do adultério consentido por Nícias. Para tanto Calímaco faz duas coisas: coloca o leal servo, Siro, a par do engodo, como também expõe a verdade para Frei Timóteo que, inevitavelmente, já desconfiava de tudo, e troca promessa de apoio ao clérigo, prometendo-lhe todas suas posses.

              O frade servita feliz compactua-se a Calímaco e, justamente ele, disfarçar-se-á de Calímaco, usando a própria barriga como um recurso a mais. Todos na praça esperam com ansiedade o momento propício para agarrar o jovem para o sacrifício com Lucrécia. É claro que o fadado será Calímaco, que é agarrado com o alaúde por Siro, seu fiel amigo, e levado para a casa de Nícias.

       O frade no final do ato vai ao convento rezar o Ofício. Ligúrio e Siro vão jantar. Nícias, sem o saber, vai preparar a cama e revirar a casa, em benefício dos amantes,  Calímaco e Lucrécia que, nas palavras do frei, assim como nas mentes maliciosas, com certeza não vão dormir também, porque se eu fosse ele e vocês fossem ela, sei que nenhum de nós iria dormir[27].

 

       Com seis cenas, o último ato de A Mandrágora narra o desfecho feliz do casal Calímaco e Lucrécia. É também a consumação do espírito agudo e crítico de Maquiavel que alfineta a Igreja Católica, através da fala de frei Timóteo ao reconhecer acerca da queda do número de fiéis, o que proporcionalmente reduziu as contribuições pecuniárias, derivantes dos votos e promessas.

       Nícias ao indagar Ligúrio acerca do desempenho da esposa e do jovem que a possuiu, começa a contar as travessuras que fez com o rapagão, tirando-lhe as roupas e consultando-lhe as carnes, a fim de verificar a saúde e apalpar as partes pudendas. Nesta caracterização minuciosa e libidinosa, Maquiavel implicitamente faz uma crítica a velha aristocracia ao apresentar Nícias como um suposto homossexual. Porém, as satirizações do Chanceler de Florença à Igreja e à burguesia são-lhe peculiares, como expressam suas obras, além desta, de cunho cômico-teatral. Ele critica a devassidão e a simonia da Igreja e o provincianismo da burguesia que, assim como a aristocracia medieval, vivem de uma política econômica auto-suficiente, ensimesmadas e enclausuradas em seus próprios princípios e status quo.  

       E, por fim, o quadro teatral tem um desfecho feliz: o sedutor ganha as graças da amada que, a princípio receosa, entrega-se às coisas do amor:

       Tua astúcia, a tolice de meu marido, a ingenuidade de minha mãe e a malícia de meu confessor me levaram a fazer o que, por mim, eu nunca teria feito; portanto, quero crer que isso tenha sido determinação do céu – e quem sou eu para recusar o que o céu quer que eu aceite? Por isso eu te recebo como dono, senhor e guia: tu serás meu pai, tu, meu defensor; quero que sejas tu meu único bem; e o que meu marido quis por uma noite, quero que dure para sempre[28].

E, na mesma cena, completa Lucrécia:

              Portanto, ele te convidará para seu compadre; irás esta manhã à igreja e de lá virás almoçar conosco. Assim estará em tua mão entrar e sair, e a qualquer hora poderemos ficar juntos sem suspeita[29]

       Desta forma, a exposição de Maquiavel, nesta obra, tem os mesmos parâmetros vislumbrados nas análises políticas: a utilidade e a eficácia. Neste sentido, seria oportuna a relação deste ato, bem como de toda a obra teatral, às proposições políticas propostas em suas obras de cunho político. Se, nesta direção, Lucrécia é a personificação da Itália, carente e sedenta de proteção, certamente, Calímaco é o garboso, destemido, prudente, calculista e eficaz protótipo de príncipe que Maquiavel sonha para sua dilacerada Itália, personificada em suas obras em César Bórgia:

       A sorte, como mulher, é sempre amiga dos jovens, porque são menos circunspectos, mais ferozes e com maior audácia a dominam[30] .

 

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS ACERCA DE A MANDRÁGORA

       As personagens da comédia são representações do cenário social florentino e europeu. Frei Timóteo é a degenerada representação da Igreja Católica Romana, corrupta e em conflito com as Monarquias nacionalistas, que não se submetem ao jugo papal, às vésperas da Reforma Protestante.

       Ligúrio é o típico comandante das milícias mercenárias, as quais visam defender mais o sustento próprio do que as fronteiras territoriais das províncias contratantes. Calímaco é o protótipo saudável do Condottiere, responsável pelas ações bélicas das milícias nacionais; na verdade, seria o retrato apologético tanto da burguesia mercantil globalizada, pois ao contrário dos pais provincianos encontra-se antenada aos acontecimentos mundiais, quanto de César Bórgia, como já sublinhamos, considerado por Maquiavel um paradigma de príncipe.

       Sóstrata é a representação das províncias, que buscam somar forças junto às nações belicosas mais fortes, deixando à deriva àquelas em desvantagens militares, por receio de perder seus domínios. Siro é o mediador entre o Condottiere e o mercenário. Nícias Calfúcio é a própria burguesia impotente e indiferente aos acontecimentos que assolam à Europa, ou ainda, corresponderia aos príncipes pusilânimes que obtiveram a Coroa por herança hereditária e não por virtù. 

       Lucrécia é o símbolo da Europa em crise, sobretudo da carente, dividida e esfacelada Itália que, na visão machista[31] maquiaveliana, espera ser dominada por alguém de características marcantes, garboso e, sobretudo, destemido e desbravador.

       O enredo da comédia é a própria realidade italiana: um jovem de maneiras gentis que se apaixona por uma atraente mulher casada, cujo marido é velho e impotente e que deseja desesperadamente constituir prole. Do desejo do marido, da astúcia de Ligúrio, da conivência do frade servita e da sogra, surge o adultério compartilhado.

              Doutor Nícias é ludibriado marital e financeiramente pelo apaixonado de sua esposa, que se passa por médico especialista em Obstetrícia,  utilizando para tanto uma falsa porção mágica, mero pretexto para se unir a sua amada que, a princípio receosa da traição, acaba, aos poucos, envolvendo-se pelos laços do amor, da ternura e sedução.

       Nessa ótica, Maquiavel expõe a degradação moral e religiosa além da corrupção inerente à natureza humana, buscando, não obstante, alguns princípios de serventia à Política, os quais devem salvaguardar a paz e a ordem, elementos constitutivos para que o príncipe garanta-se no poder e mantenha-se à frente do Estado.

              Consideramos, não obstante, que os elementos presentes tanto na presente obra quanto nas outras de tonalidade expressamente política são imprescindíveis na compreensão orgânica do pensamento maquiaveliano. Numa sociedade caracterizada por rupturas, transições e transformações sociais, político-econômicas e jurídico-religiosas, é inaceitável um modelo político obsoleto, anacrônico aos reais acontecimentos que marcam a passagem do mundo feudal para o universo renascentista. O homem, assim como Calímaco, Nícias, Frei Timóteo, Ligúrio, Siro, Lucrécia, Sóstrata, é produto do meio social  em que vive; estando o meio em ebulição, a idiossincrasia humana também se sujeitará a tais transformações.

              Ademais, o homem é, para Maquiavel, naturalmente instável, manifesta desejo de mudança e sede de novidades. Seu modo de agir, pensar e ser são decorrentes dessa instabilidade natural que caracteriza a vida em sociedade; em outras palavras são a mola propulsora da mudança e a força motriz da vida política. Maquiavel, com efeito, é explicitamente claro: caracterizar o homem como um ser eminentemente bom é renunciar às verdades das narrações históricas que assentam o existir humano no conflito social.

              Ora, a própria concepção de poder, em Maquiavel, advém da intrínseca maldade peculiar aos homens, entre os quais se encontram, de um lado, o príncipe que, no impasse, regulará o conflito e fará a administração da força coerciva e dos rumos políticos em vista do bem-estar social e, do outro, o povo, não tão confiável quanto parece, pois, segundo o chanceler florentino: quem se apóia no povo tem alicerces de barro (…).[32].

       O paradigma maquiaveliano de homem, no entanto, é paradoxal: ao mesmo tempo que expressa uma natureza humana corrupta, exprime também uma profunda crença na construção de uma sociedade virtuosa, que se edifica a partir dos seres volúveis, pérfidos, atrozes e algozes que constituem a raça humana. Entretanto, a força de vontade, a racionalidade e o livre-arbítrio são fatores que contribuem na superação do lodaçal da imoralidade humana e, a partir destes, possibilitam a construção de uma nova história, um novo homem e, portanto, na edificação de um novo mundo.

              Com efeito, Maquiavel não só fez teatro nem apenas externalizou suas sátiras referentes à sociedade florentina; na obra A Mandrágora, como bom historiador, aproveitou o teatro como pretexto para fazer uma sátira filosófico-política.

 

 

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[1]               O presente trabalho monográfico foi desenvolvido durante os anos de 1994 e 1995 quando pertencíamos ao Programa PET/Filosofia-Capes, sob a coordenação da Prof. Dra. Maria Cecília Maringoni de Carvalho. Este trabalho antropológico foi orientado pelo Prof. Me. Germano Rigacci Júnior e apresentado no I Encontro de Iniciação Científica da PUC-Campinas, promovido pela Coordenadoria de Estudos e Apoio à Pesquisa (CEAP/PUC-Campinas), em 16 de agosto de 1995, sob o título de A natureza humana em Nicolau Maquiavel. Visando inseri-lo em nossa Dissertação de Mestrado em Filosofia, nós o retomamos em 1998. A fim de esboçar a Teoria psicológica maquiaveliana e realizar uma análise moral do homem, bem como elucidar uma eventual compatibilidade da obra A Mandrágora, de natureza estritamente teatral, às obras políticas. Revisamos e ampliamos o texto original, sob o intuito de publicá-lo, aproveitando a oportunidade nos concedida pela FATEC-Americana.

[2]               Iremos citar apenas como Comentários, a obra denominada Comentários sobre a primeira década de Tito Lívio.

[3]               Tal posição Maquiavel assume, afastando da suposta objetividade e neutralidade que deseja fundamentar seu estudo a respeito das Monarquias, assumindo, assim como fez em Comentários, um partido em prol da República, em razão da liberdade que esta concede aos cidadãos. Nicolau MAQUIAVEL. O Príncipe, p. 22 e Comentários, Livro I, capítulo 5, p. 33-35.

[4]               Carmelo Distante é o comentador da 2ª edição da obra maquiaveliana A Mandrágora, publicada pela Editora Brasiliense em 1994 e traduzida pelo Prof. Pedro Garcez Ghirardi, ambos da Universidade de São Paulo (USP).

[5]               Carmelo DISTANTE. Introdução. In.: A Mandrágora, p. 12-13

[6]               Nicolau MAQUIAVEL. A Mandrágora, p. 33

[7]               Carmelo DISTANTE. Introdução. In.: A Mandrágora, p. 16

[8]               Idem, p. 21

[9]               Nicolau MAQUIAVEL. A Mandrágora, p. 31

[10]             Idem, p. 35

[11]             Carmelo DISTANTE. Introdução. In. : A Mandrágora, p. 6-7

[12]             Idem, p. 7

[13]             Cf. Idem, p. 37 e 86

[14]             “(…) prometi uma boa quantidade de dinheiro (…). Idem, p. 41

[15]             ____________. O Príncipe, Cap. VII e XII

[16]             ____________. A Mandrágora, p. 41

[17]             Idem, p. 47

[18]             Idem, p. 50

[19]             Idem, p. 59

[20]             Idem, p. 61

[21]             Idem, p. 64

[22]             Idem, p. 70

[23]             Idem, p. 75

[24]             Idem, p. 89

[25]             ___________. O Príncipe, Capítulo XV, p. 64

[26]             Idem, Capítulo XVIII, p. 74

[27]             ___________. A Mandrágora, p. 95

[28]             Idem, p. 102-103

[29]             Idem, p. 103

[30]             ____________.  O Príncipe,  Capítulo XXV, p. 105

[31]             Não se pode esquecer que, na visão maquiaveliana, a virtù, característica do verdadeiro conquistador, traduz-se também como virilidade.

[32]             Nicolau MAQUIAVEL. O Príncipe. Capítulo IX, p. 41

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