Moralistas Modernos – História Universal

Moralistas Modernos – História Universal

História Universal de Césare Cantu –

CAPÍTULO XXXIII

Moralistas

Fora desta aplicação tão imediata e tão importante, muitos escritores trataram da moral no decurso deste século. Baltasar Castiglione, de que o próprio Escalígero (1468-1529) faz o elogio como poeta latino, ofereceu no Cortesão, o quadro da vida do grande mundo, em um estilo que nada inculca de corte. Nascido em Mântua, e enviado junto aos príncipes de Milão para se aperfeiçoar nas boas maneiras, êle acom panhou o duque Francisco de Gonzaga na desgraçada expedição de Nápoles, e foi depois encarregado de diversas embaixadas tanto em França como na Inglaterra. Teve por amigos em Roma os personagens mais distintos. Depois de ter seguido Guidobaldi de Urbino em suas campanhas, dirigiu-se à sua corte, onde este duque, retido pela gota, e Isabel de Gonzaga, sua mulher, reuniu a flor da nobreza. Animadas conversações, pompas cênicas, espetáculos noturnos se sucediam nesta residência; e os que possuíam algum mérito apressavam-se a vir dar prova dele na presença de hóspedes generosos. Castiglione quis representar esses hábitos elegantes e cultivados no seu Cortesão, descrevendo, por meio de conversações supostas, as condições que fazem o homem bem nascido.

Êle quer que evite as lisonjas e as complacências excessivas, e que não dissimule as verdades oportunas, do que êle mesmo oferece o exemplo, censurando meios de agradar muitas vezes empregados com os príncipes. Longe de se armar de uma austeridade estóica, êle toma como regra essa condescendência de Sócrates, que reconduz a virtude à ciência, o vício à ignorância. O homem não é estudado em seu livro como deve sê-lo por aquele que dita preceitos, porque a variedade dos caracteres aí desaparece: êle não quer que coisa alguma se faça com originalidade e de súbito, porém sempre conformando-se com o tipo ideal do homem de corte. Prescreve o que se deve fazer para lá chegar no que respeita a trajo, a linguagem, atos de civilidade, assi-duidades galantes junto das damas. Examina se é melhor fazer a corte a uma donzela do que a uma mulher casada; se se deve mentir e até que ponto; recomenda sobretudo de saber bem bater-se, e quer além disso que o cortesão saiba dançar, nadar, saltar, tocar instrumentos, e dar-se a outros exercícios agradáveis. Porém não admite nele particularidades, isto é, caráter, lile ensina, em uma palavra, a ser imoral e cortês.

Tinha-o precedido neste caminho Agostinho Nifo (de viro áulico et de muliere áulica), que reduzindo a arte do cortesão a publicar facécias e novidades para dissipar o nojo dos grandes, lhe indica as fontes delas, a que faltam, como de ordinário, a caridade e o pudor.

Muzio escrevia também, além de obras teológicas fraquíssimas, o GcntiUhomem, no qual sustenta que a nobreza é pessoal, e maior portanto no homem de letras que no guerreiro. Êle é também o autor dos Cinco conhecimentos necessários a um jovem senhor que entra na corte; estes conhecimentos consistem em se lembrar que é homem, cristão, nobre, jovem e senhor. Êle foi dos primeiros em reduzir a ciência às práticas do duelo e às sutilezas do pundonor.

Jacques Sadolet fêz, durante o seu episcopado de Carpentras, um tratado da educação (De liberis recte instituendis), a fim de suprir no particular a falta das legislações modernas, que abandonam ao arbitrário a disciplina, de que a mobilidade e a negligência são portanto o quinhão. A verdadeira maneira de viver bem, segundo êle, é manter as paixões em equilíbrio entre si e em harmonia com a razão. O mestre deve portanto habituar o seu discípulo a governar regularmente o seu interior, para que êle se acostume a achar o prazer no que é honesto, o enfado no que o não é: para o que contribuiriam a religião, único alicerce da verdadeira felicidade, e o exemplo dos pais. Quanto à inteligência, deve ser cultivada por meio de uma santa filosofia, que fará contrair ao discípulo o hábito de formar idéias claras e exatas das coisas, para se subtrair ao prestígio do falso saber, o pior dos flagelos. Depois de ter aprendido a pensar bem, deve-se aprender a exprimir-se bem, o que compreende a poesia, a eloqüência, o belo estilo e os talentos cavalheirescos, Não se acha nesta obra idéias ousadas e originais, mas simples verdades ditadas pelo bom senso,

Alexandre Piccolomini de Siena, trata também da educação nas suas Instruções Morais.

Os diálogos de Sperone Speroni, que ousou escrever em italiano sobre a filosofia, são fracos, e não contêm senão doutrinas genéricas. Têm por título Guevera, Marco Antônio e o Relógio dos príncipes. Têm sido reimpressos diferentes vezes.

O Galatéu de monsenhor Della Casa, que se faz ler pelo mérito do estilo, pinta em parte os costumes da época, ainda grosseiros a alguns respeitos, ao mesmo tempo que se introduziam já a etiqueta e as afetações espanholas. Seu outro tratado Dos deveres entre amigos de condição diversa reduz a preceito esse servilismo que de sobra tem sido posto em prática porque êle quer que o inferior nunca ofenda o que lhe é superior, e que suporte alegremente mesmo um gracejo ultrajante. A verdadeira civilização de um país perece quando a moralidade se evapora em cerimônias, e o dever em conveniências.

Em geral, os escritores italianos não analisavam o homem, porém modelos genéricos a que falta a eficácia dos exemplos particulares. Coisa alguma revela melhor esse falso sistema do que a alegoria de que Tasso faz preceder o seu poema, do mesmo modo que os defeitos do poema revelam o absurdo do método

O próprio Tasso, Varchi e muitos outros trataram dos pontos particulares de conduta, principalmente do amor e da ciência cavalheiresca. Esta começava então a estabelecer-se, para vir a ser posteriormente quase a única regra dos gentis-homens em sua maneira de proceder. Ora, os teólogos escreviam sobre o duelo para o reprovarem, e os outros para lhe darem regras (1). Os gentis-homens tinham portanto de se mover em uma atmosfera inteiramente artificial. Quanto ao grosso da nação aviltada, ao povo excluído dos interesses comuns, à exceção dos sacerdotes, ninguém se ocupava já dele.

Tomás Elyot oferece o modelo de um bom mestre. A tirania severa dos Tudor e o caráter desconfiado de Isabel tinham introduzido entre os ingleses uma maneira de existência circunspecta, e um ar de incerteza, inteiramente alheios ao seu caráter. Nos Ensaios de moral, de Bacon, destinados a dirigir as ações para um fim, com conselhos oportunos para aquele que quer ser grande e sábio, basta a anunciação para revelar aquilo a que êle se propõe. Depois de ter por muito tempo passado estas máximas, êle elaborou-as para as pôr de maneira que lhe era própria, o que as deixava enfadonhas mesmo quando lhe teria sido possível torná-las amenas (e lhes dá muitas vezes a forma de apotegmas). Lêem-no ainda na Inglaterra mais do que qualquer outro escritor do reinado de Isabel e é certo que a fadiga que causa a sua leitura fica bem compensada com o alimento que o espírito dela recebe.

(1) Voltaremos mais detidamente a este assunto no século seguinte,

A Religio Medici, de Tomás Browne, foi traduzida em diversas línguas: analogias fecundas, às vezes mesmo brilhantes, e um ar científico, imprimem a esta produção uma fisionomia particular: no entanto o autor mostra-se fantasioso, paradoxal, sem originalidade; seu estilo é forte, mas duro, e um egoísmo melancólico o faz falar a cada passo dos mortos e das sepulturas.

Os Assuntos da Mesa, de Selden, têm muito vigor e originalidade nacionais; eles respiram o desprezo pelos semi-sábios, cujo número foi sempre infinito.

O Epítome de Filosofia Moral, de Melanchton, não tem em vista também senão as classes aristocráticas.

O alemão João Valentino Adreae mostra-se muito superior à multidão pedantesca dos eruditos e dos teólogos do seu país. Vendo as coisas com cores sombrias, apesar de dotado de um caráter benévolo, êle punha a descoberto os erros dos homens, mas para os corrigir. As suas Mythologiae, cristianae, sive virtutum et vitiorum vitae humanae imaginum, libris tres (Estrasburgo, 1618) pertencem ao gênero de produções chamadas paramythos por Herdes. Êle é considerado fundador dos rosas-cruzes como instituição filantrópica.

Não foi às academias, mas à boa sociedade que se dirigiu Montaigne (1533-1592) em seus Ensaios. Este livro, em que os pensamentos são representados sem ordem científica, porém marcados com o cunho do bom senso, variados e cheios de finura, tem mais leitores do que nenhum livro francês deste século, se bem que as matérias de que trata não caducaram menos do que o estilo.

(1) ”É este, diz êle ao começar, um livro de boa-fé".

Montaigne, que no fundo tem menos boa-fé do que quer inculcá-lo (1), parece-nos o moralista que mais se abandonou a essa recrudescência do paganismo, já por nós assinalada, e que quis voltar a ser homem como antes do cristianismo. Seu pai, que, algum tanto filósofo, tinha feito a guerra na Itália e visto o mundo, não o acordava senão a toque de rebeca. Deu-lhe por mestre um alemão, com quem êle foi obrigado a falar o latim por primeira língua, e, fazendo-o educar no campo para que se habituasse a não desprezar pessoa alguma, deixou-o crescer sem outro estudo mais do que o das línguas e as lições da própria experiência. No colégio mesmo em que o meteu, cercou-o de tantas comodidades, que era subtraí-lo à disciplina comum. Aí o jovem Miguel apaixona-se pelas Metamorfoses de Ovídio, e dessa poesia fácil passou à maneira empolada de Lucano, depois ao estilo castigado de Virgílio. Êle tomou gosto pelas pinturas de Terêncio e de Plauto, assim como pelas dos cômicos italianos. Nada tendo de romanesco, êle gozou do amor, mas como de um prazer; desejoso de procurar comparações nos costumes assim como na história e de apurar o seu entendimento pelo de outrem, entrou a viajar, especialmente pela Itália, sentindo saudades do passado em meio das maravilhas da renascença. Êle não tomou partido nas guerras civis, ocupou cargos sem ambição, pronto sempre para largar a toga e voltar a ser homem. Seus gostos mudaram: êle foi liberal quando não possuía coisa alguma, fêz-se avaro quando teve alguma coisa, e acabou por voltar a uma justa medida. Tendo casado, renunciou aos prazeres estrondosos, e viu chegar a velhice, com tranqüilidade, dizendo: Hei visto a erva, as flores, o fruto da vida; vejo também as suas folhas secas; estou contente, porque isto é coisa natural.

A erudição não era mérito raro neste tempo; e êle fazia gala da que possuía, como homem que leu muito, e em cujos discursos vêm colocar-se a propósito os textos ou as narrações que abundam em sua memória: tanto êle entremeia suas reflexões de retalhos e de fragmentos tirados de outrem; parece porém que êle procura unicamente no comércio dos antigos, de que está seduzido, esquecer os crimes presentes, e achar pelo menos a paz na sua sepultura. Isto não impede de julgar com originalidade, e dir-se-ia que êle não se serve dos nomes de Plutarco, de Séneca, de Lucano, senão para fazer passar suas próprias idéias. Em lugar, portanto, de os seguir quais tiranos da inteligência, êle pensa por si mesmo, diz o que tem observado, e aquilo que diz parece ser a efusão espontânea de um espírito simples e ao mesmo tempo vivo.

Como suas observações recaíram principalmente sobre si, é de si que as mais das vezes fala. Julgar-se-ia que êle quer escapar à suspeita de ambição vulgar, quando chega a confessar seus vícios e mesmo suas fraquezas: porém é um artifício sem capacidade; porque, se os conta, não os desaprova, e queria até que por eles o achassem mais estimável. Mesmo quando fala de verdadeiros crimes, êle não se mostra arrependido, e declara que, ainda que tivesse de renascer, seria, não obstante, o mesmo. O pensamento da morte não o faz entrar em si, porque exclama: Entranho-me esízi-pidamente na morte, sem a considerar ou a reconhecer, como numa profundeza muda e escura que me tragasse de repente e me sufocasse num instante, cheio de um sono poderoso, de insipidez e de indolência. Êle oferece deste modo ao orgulho o triste prazer de tornar a encontrar em sua pessoa suas próprias culpas sem ter de se envergonhar delas, e vem a ser um triste exemplo dessas confissões em que tantos escritores se têm comprazido depois de analisar seus vícios para deles fazer gala.

Montaigne reconheceu que a prosa devia tomar o caráter de garrulice, apanágio especial dos franceses. Sempre pitoresco, êle sabe colorir mesmo as abstrações, e não apresenta as idéias senão sob a forma de imagens variadas, fáceis, transparentes. Ainda que não se incomodasse a respeito da língua, ficou sendo clássico; e é nele que começa a verdadeira literatura francesa. Essa jovialidade cordial própria a seus compatriotas; essa sagacidade viva, penetrante, maliciosa, mas não maligna; esse ar de confiança que êle sabe tomar pintan-do-se continuamente em sua obra, fazem com que a sua leitura agrade como uma conversação interessante, como os discursos de um bom velho que tem visto muito. Esse tom de narrador bondoso em uma série descosida de anedotas nos seduz tanto mais, quanto que êle não mostra jamais ter tido uma intenção; êle parece ter-se colocado ali simplesmente para pintar, como nas escolas se copia o nu, tão-sòmente para estudo. Observando o que vê, torna-o saliente por uma expressão apropriada ao objeto que descreve, e habitua a alma a meditar sobre si mesma, ainda que por isso ela seja induzida a desprezar a ação, e a gozar solitariamente da sua liberdade, da sua inteligência.

Montaigne vivia em um século em que tudo era posto em discussão, e em que se chamava santidade em um país o que em outra parte era considerado como superstição, e revolta o que em outra parte tinha o nome de liberdade. A multidão andava impelida aqui e acolá; e quando a incerteza deveria ter aconselhado a tolerância, não se encontrava em toda parte senão dogmatismo, paixão, perseguição. Parecia que o único recurso que restava ao pensador era a dúvida, e é à dúvida que se abandona comodamente Montaigne, o qual define o homem como um ente flutuante e diverso.

"E, diz êle, nesta universidade deixo-me dirigir ignorante e negligentemente pela fé geral do mundo. Ó doce e mole travesseiro é a ignorância e a incuriosidade, para descansar uma cabeça bem feita!… A hesitação do meu juízo é, na maior parte das ocorrências, de tal medo balanceada, que as entregaria de bom grado à decisão da sorte e dos dados."

É assim que êle emprega a dúvida em fazer envergonhar a razão humana da sua orgulhosa insuficiência. Êle se compraz em fazer ressair os erros da sociedade, não por compaixão, porém com um tom de zombaria e todavia sem fel, como o fazem observadores; em opor as opiniões às opiniões, os costumes aos costumes, e isto aceitando sem escolha, em caso de necessidade, as relações dos viajantes. Como lhe repugna qualquer trabalho extenso, recua diante das dificuldades declarando-as invencíveis. Quando depois a razão multiplicou as suas dúvidas, êle recorreu à revelação, quase sem outro motivo mais do que a necessidade de crer todavia em alguma coisa.

Não parece porém que o catecismo tenha jamais sido compreendido entre suas numerosas leituras, nem que êle tenha jamais em seus impulsos, recorrido à graça.

Êle tem de falar também da cruz; porém coloca-a muito longe, sobre uma montanha de tal modo alta, que isso indica a veneração e conjuntamente a indiferença. Êle bebeu nos escritores, e sobretudo nos poetas, esse abandono, esses rasgos céticos que, acidentais naqueles, vieram a ser neste o principal. É impossível que êle não reconheça o cristianismo, infiltrado nas idéias e nos costumes até o ceticismo, a ponto de o tornar respeitoso; porém não se dá ao incômodo de

O combater: procede como se êle não existisse, como se pessoa alguma jamais tivesse dito que a natureza humana é corrupta, que se deve lutar com ela, e não dar-lhe auxílio. Êle se ocupa, em um vale de expiação, em apartar os espinhos, não querendo nem abnegação nos prazeres, nem outro limite nas funções do que o excesso que as estragaria, nem as dificuldades penosas na educação. Pretendia ensinar a lógica em quatro ou cinco dias. Êle fazia consistir a sabedoria na moderação: na sua opinião, a religião, as tradições, as Escrituras estorvariam o livre andamento de sua pretendida sabedoria; êle não quer ser incomodado por aquilo que disse primeiro ou pelo que dirá mais tarde, e queixa-se da sua memória admiravelmente infiel.

A sua filosofia não se prende pois a raízes profundas, e não seria possível descrever o seu sistema em meio da variedade caprichosa das probabilidades. Assim como as espigas de trigo, direitas enquanto vazias, se curvam desde que estão cheias, do mesmo modo os homens diz êle, depois de terem adquirido conhecimentos, se humilham, e reconhecem a sua própria ignorância. Não se poderia portanto exigir dele coerência; e com justiça o acusam de ter, por meio da dúvida e da crença ao mesmo tempo, desviado os ânimos da busca da verdade, posto em moda a indolência nas questões da mais alta importância, e introduzido o egoísmo na moral, a libertinagem na literatura. Seus paradoxos contra a sociedade e suas idéias sobre a educação foram mais tarde adotados por J. J. Rousseau, que, exagerando-as, deu a Montaigne uma influência que êle não tinha exercido sobre o seu século.

O ceticismo levava-o pelo menos à tolerância num tempo em que isso era uma virtude ignorada: plácido em meio de pessoas apaixonadas, êle desafia os pedantes, zomba deles, duvida das bruxarias, acha absurdo que se vendam os empregos judiciários, que se faça pagar a justiça e que se pretenda obter a verdade por meio da tortura. Não gosta dos reformadores, porque são turbulentos, nem de seus adversários, por causa de suas violências. Êle condena as perseguições de qualquer gênero, e entre tantos erros e superstições, conserva a franqueza da sua própria maneira de ver.

A Sabedoria de Charron (1595) é também a ciência de viver em conformidade com a razão. Expondo uma moral mais nobre do que pura, e tomando por guia o sentimento interior, êle é obrigado a confessar que o homem não pode praticar a virtude completamente, porém que vê na necessidade algumas vezes de empregar meios ilícitos para chegar a um fim louvável. Melhor coordenado do que Montaigne, porém menos original no pensamento e menos vivo na expressão, copia-o freqüentes vezes, tirando-lhe as inconveniências, o egoísmo e o tom superficial, mas exagerando-o e dando as suas dúvidas por axiomas. Montaigne tinha dito: Que sei? Charron disse: Não sei nada. O primeiro procura a independência das idéias, o outro renega toda a regra, e sustenta que só o ceticismo pode conduzir à liberdade filosófica. Êle dirigiu mesmo a dúvida às religiões positivas, e, considerando a verdadeira como reservada ao espírito e ao coração, não admitiu portanto o culto exterior.

Da mesma escola saiu la Mothe le Vayer, mestre de Luís XIV, que, principalmente cético em religião, argumenta contra o sentimento moral, ligando-se mais portanto ao que é exterior do que ao princípio regulador.

Êle formou, pois, com Montaigne e Charron, assim Como Hobbes e Gossendi, uma escola cética que não admitia a autoridade da razão e da consciência, nem uma justiça ou um direito naturais, nem qualquer outra coisa, à exceção da força e do costume. Eles têm todavia o mérito de ter arrancado a filosofia dos bancos da escola, fazendo-a largar as formas pedantescas, para B pôr ao alcance de todos no diálogo, na conversação, no discurso. Isto foi decerto uma vantagem, não para a moral, mas para os escritores, que só podem ganhar com se aproximar do povo.


Tradução de Savério Fittipaldi. Edameris

 

 

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