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Observações sobre as vidas de AGESILAU, POMPEU, FÓCION, CATÃO DE ÚTICA, de PLUTARCO


Plutarco – Vidas Paralelas – OBSERVAÇÕES

SOBRE A VIDA DE AGESILAU

CAP. XX. — «Pois amou muito afetuosamente um jovem rapaz ateniense, etc». Deve traduzir: «Pois amou muito afetuosamente um jovem ateniense, atleta entre os meninos; como já estava grande e forte, correu o risco de ser recusado nos jogos olímpicos; eis porque o persa recorreu a Agesilau, etc». Para compreender isto é preciso saber que havia duas classes de atletas; uns eram homens feitos, os outros eram crianças. Cada um podia combater em sua classe; mas como podiam passar entre as crianças meninos de mais idade, o que então era uma desvantagem para os outros concorrentes, os magistrados encarregados do policiamento dos jogos examinavam todos os pretendentes, e rejeitavam aqueles que por força e sua conformação física, lhes pareciam de idade desproporcionada para serem admitidos na classe dos meninos. Como terei ocasião de examinar tudo isto muito mais detalhadamente em minhas notas sobre Pausânias, limitar-me-ei aqui ao que acabo de dizer. C.

CAP. XL. — Não se acha esse nome de Gelon em parte nenhuma. Na Vida de Pelópidas, Plutarco chama de beotárquios a Pelópidas, Caron e Melon, que Xenofonte escreve Mellon (com dois 1), o que parece indicar a correção feita neste trecho e proposta por Reiske, e antes dele, por Dodwell em seus Anais de Xenofonte, 33. É preciso observar que, falando deste assunto na própria Vida de Pelópidas, Plutarco atribui esta sugestão odiosa a Pelópidas e Gorgidas, beotárquios. Isto não dá contradição, porque havia sete beotárquios. Estes dois acontecimentos são do terceiro ano da centuagésima Olimpíada, segundo Dodwell, se bem que Diodoro coloque o caso de Esfódrias no quarto ano.

CAP. XLIII. — Há aqui no texto um erro incrível. Cleômbroto é designado como filho de Agesilau. Era com certeza de Pausânias o filho de Plistoanax; era o outro ramo dos reis de Esparta, chamado os Ágides. Procurar adivinhar o que é preciso colocar no lugar dessa palavra filho, como empreendeu o Sr. Dut>oul, é certamente perder tempo e trabalho. É preciso apagar esta palavra absurda. Quanto ao que Plutarco empresta aqui a Agesilau, Xenofonte diz expressamente que foram os éforos que convenceram Agesilau a se encarregar desta expedição, porque tinham uma idéia mais elevada a respeito de sua prudência do que da de Cleômbroto.

CAP. XLV. — Ver-se-á, algumas linhas e mais adiante, que Epaminondas, já célebre por sua sabedoria e seus conhecimentos, não era ainda conhecido pelos seus talentos militares, na ocasião desta embaixada. Não havia ainda conquistado a famosa batalha de Leutres, que abateu o poder de Esparta, fêz passar a proeminência da Grécia para os tebanos e elevou Epaminondas ao mais alto grau da glória militar. Parece portanto, evidente, que aqui não se trata senão da batalha de Tegiro, ganha por Pelópidas no primeiro ano da centuagésima-primeira Olimpíada, A. C. 376 anos. Esta conjectura de vários sábios está confirmada diversos manuscritos que citam neste trecho Tegiro em vez Leutres.

CAP. XLVII. . — Pode-se consultar Dodwell, em seus Anais de Xenofonte, caps. 39 e 40, para julgar sobre que motivos êle se apoia para suspeitar de engano este espaço de vinte dias, que Plutarco estabeleceu entre a paz concluída em Esparta e a batalha de Leutres, o que parece com efeito bem curto para conter os acontecimentos intermediários; daí se conclui que a paz da qual Plutarco fala aqui, se fêz no décimo-quarto dia do mês ático scirroforion, que havia começado aquele ano no quarto da centua gésima-primeira Olimpíada, no dia catorze de junho, razão pela qual o décimo-quarto dia do mês scirroforion estava a coincidir com o vigésimo-oitavo de junho; e que a batalha de Leutres se deu no segundo ano da centuagésima-segunda Olimpíada, no dia cinco do mês hecatombeon, que coincide nesse ano com o dia oito de julho, o mês ático tendo começado a três do mês de julho, no ano do período Juliano. Ainda mais, já se observou o engano de Amyot, com relação à comparação de nossos müses áticos. Ver as Observações, L. III, pág. 484.

CAP. LII.. — Este trecho não é fácil para explicar. Poliano, L. 2, cap. I, § 14, narra o mesmo feito. Porém, parece mudar o local da cena. «Uma sedição, tendo-se levantado em Esparta, diz êle, um grande número de soldados armados apoderou-se de uma montanha consagrada a Diana Issória, perto de Pitane». Issórium é, segundo Etiene, uma montanha da Lacônia. Pitane é uma cidadezinha da Lacônia, cuja posição não é dada de .maneira precisa por nenhum escritor antigo. Mas ela era, segundo (olim. 6), e seguindo seu Escoliasto, sobre as margens do Eurota; e o Eurota que corria segundo Estrabão, junto de Esparta, era, segundo Políbio, Extr. L. XV, ao seu , no verão. Tudo isto parece fixar o lugar que procuramos, fora da cidade, para o . Mas Hesíquio nos diz que Issórium é um bairro de Esparta, com o que está de acordo Plutarco; e Pausânias coloca também o templo de Diana Issória na cidade, mas para o poente da praça pública, o que parece poder concordar com a posição junto de Pitane, dada por Poliano. O que concluir disto? Que é preciso distinguir dois objetos, o templo na cidade, e a montanha Issórium perto de Pitane, ao de Esparta sobre o Eurota. Diana aí era honrada de maneira particular. Uma parte dos habitantes de Pitane, tendo se estabelecido em Esparta, para lá levou seu culto e construiu um templo para Diana Issória, perto do quarteirão chamado o Lesché, ou o conselho dos crotônios, que era uma tribo dos pitanios, segundo Pausânias; e a similitude de nome terá fornecido a um dos dois historiadores a ocasião de um descuido. Mas creio que é da mesma montanha que se trata aqui, porque os inimigos vindo atacar a cidade pelo lado do Eurota ao , não teria sido possível fazer crer aos sediciosos que pudessem se desculpar de uma ordem mal ouvida, reunindo-se em tão grande número ao ocidente da cidade, que não tinha nenhuma necessidade de ser guardada, estando os inimigos além do Eurota ao seu .

SOBRE A VIDA DE POMPEU

CAP. I. — Esquilo havia composto duas tragédias sob o título de Prometeu; uma de Prometeu acorrentado, é aquela que possuímos onde se desenrola um ódio amargo contra Júpiter; a outra, de Prometeu liberto por Hércules. O verso citado por Plutarco foi extraído desta que o tempo nos roubou.

CAP. XXII. — Houve, em outros personagens que tiveram o sobrenome de Máximo. Plutarco aqui fala desses que o obtiveram por outras virtudes que não as virtudes militares, se bem que esses que constam neste trecho, fossem também muito ilustres desse lado, como se vê em , L. II, cap. 31, com relação ao ditador Valério, que conquistou sobre os sabinos uma vitória tão brilhante, no ano de 260, que além das honras do triunfo, o Senado designou-lhe um lugar distinguido para êle e para sua posteridade no circo, onde lhe colocaram uma cadeira curial; e com relação a Fábio Rulo, que outros chamam Ruliano, e o Padre Petau, Turiliano, no mesmo historiador, L. VIII, cap. 30, era então mestre da cavalaria, sob o ditador Papírio, no ano de 429, e conquistou em sua ausência, apesar da pioibição que lhe fora imposta de combater uma vitória completa sobre os samnitas. Pode-se ler em Tito Lívio, como o Senado e o povo tiveram trabalho para salvar em seguida sua vida da severidade do ditador obstinado em castigar de morte esta infração da disciplina militar. Foi depois cônsul várias vezes, censor no ano de Roma 450, ditador no ano de Roma 453. Foi, em sua censura, que fêz no Senado e no povo a reforma da qual Plutarco fala aqui e a qual Tito Lívio refere no fim de seu nono livro, e que lhe mereceu o sobrenome de Máximo

Quanto a Valério, Cícero diz expressamente em seu Livro intitulado Brutus, L. I, pág. 211, a mesma coisa que Plutarco. Não foi êle, no entanto, que começou o trabalho de reconciliação do povo com o Senado, mas Menênio Agripa, como se lê em Tito Lívio, L. II, cap. 32. Este acontecimento da retirada do povo sobre o monte Sagrado é do ano de Roma 261.

CAP. XXXVI. A maneira pela qual o texto grego está concebido teria bastado para avisar Amyot que caía em um pesado engano. Não é questão aqui de Gêmeos, isto é, do Castor e de Pólux. O templo de Claros, diz Plutarco, o templo de Dídimo, o templo de Samotrácia. Creio que era fácil reconhecer] aqui três sítios e três templos diferentes. Dídimo é um cantão do território de Milet, cidade situada sobre a costa da Ásia chamada Jônia, onde se acha um templo famoso consagrado a Júpiter e a Apolo, e por causa disto, possivelmente chamado Didi meno, porque Dídimo no grego significa dois; Estrabão, Mela Plínio, Pausânias, Quinto Cúrsio, todos os escritores antigos, então de acordo. Estes não o apresentam senão sob o nome de Apolo Didimeno; mas Etiene e Bizâncio o dá, segundo Calímaco, como comum a Júpiter e a Apolo. O sacerdócio havia sido confiado durante muito tempo aos branquidas.

IDEM. — Aqui, o texto alterado por copistas ignorantes induziu Amyot em falta; porém, não era difícil substituir Lacínia por Lucânia. Nenhum antigo fala de um templo de Juno em Lucânia, e todos falam de um templo famoso de Juno denominado Laciniana, por causa do promontório Lacínio, que era grandemente venerado. Sobre este lado da Itália que olha o mar Jônio, havia três promontórios famosos; ao meio-dia está o Zefirano, ao norte o Iapugiano, no meio o Laciniano. Cícero conta em seu Tratado da Divindade, que Aníbal, apavorado por um sonho, não ousou retirar uma coluna de ouro que se achava nesse templo; e Fúlvio Flaco pereceu miseravelmente no ano de Roma 583, segundo Tito Lívio por tê-lo despojado no ano de Roma 581.

CAP. LX.  Hermágoras, denominado Carião, segundo Suidas, era da cidade de Temnos na Eólia da Ásia; lecionou em Roma e morreu muito velho, sob Augusto. Havia escrito vários livros sobre retórica; e Suidas não cita outros trabalhos dele. Parece-me natural concluir que esta questão geral da qual Plutarco fala aqui, era um de seus primeiros princípios sobre a arte . Ora, parece então muito provável que seja precisamente aquele do qual fala Cícero em seu primeiro livro da Invenção, pág. 55: «Hermágoras, diz êle, divide a matéria do orador em duas, a causa e a questão; a causa tem por objeto uma controvérsia na qual intervém pessoas; a questão uma controvérsia sem interposição de pessoas, tal como está aqui: há nisto alguma coisa boa, excetuando o que é honesto? Os sentidos são verdadeiros? Qual é a forma do mundo? Qual é a grandeza do sol? Todas as coisas, ajunta Cícero, que se reconhecem evidentemente não ter nenhuma relação com a função do orador». Daí se conclui que esta divisão de Hermágoras nada vale.

SOBRE A COMPARAÇÃO DE AGESILAU COM POMPEU

CÁP. III. «Pois um, querendo escravizar a cidade de Tebas, e sobre todos os pontos exterminar e destruir a de , uma sendo era tudo e por tudo cidade antiga de-seu país e a outra- cidade mãe e capital de toda a nação beócia, etc» Eis como é preciso-traduzir esta passagem: «Pois um, querendo escravizar a cidade de Tebas e por todos os pontos exterminar e destruir a de ; esta aqui antigamente havia entrado em partilha com sua pátria, e a outra que era metrópole de sua raça, etc.» Tebas era a pátria de Hércules, de quem descendem os reis da , e a tinha caído por sorte a Cresfontes na partilha que os Heráclidas fizeram do Pelo poneso.

SOBRE A VIDA DE FÓCION

CAP. II.. — «Também numa cidade, na qual oa negócios não andam ao gosto dos cidadãos, o povo tem os ouvidos muito delicados e muito cautelosos, por causa de sua imbecilidade, para suportar pacientemente uma língua dizendo a verdade livremente, quando então deseja principalmente ouvir as coisas que não lhe tragam seu erro diante dos olhos». Essa passagem não foi bem transcrita por nenhum dos tradutores, e Dusoul é, a meu ver, o primeiro que pegou o sentido. É preciso traduzi-la assim: «O povo tem os ouvidos muito delicados e muito sensíveis por causa de sua fraqueza, para suportar pacientemente uma língua dizendo a verdade livremente, e isto precisamente na época em que era mais necessária, estando os negócios em tal situação que estariam sem recurso, para remediar os erros que cometeriam».

CAP. IV. — A passagem de Cícero que Plutarco cita aqui sobre a conduta de , acha-se na primeira carta do Atiço, L. II. Mas o que termina esta frase, a saber, quo por esta austeridade pouco conveniente à época, fêz-se excluir do consulado, é uma adição de Plutarco, e não podia se encontrae nesta carta de Cícero. O aprisionamento do cônsul Metelo e a disputa de Cláudio para obter o cargo de tribuno, fixam a da ta da carta de Cícero no ano de Roma 694, e não foi senão oito anos depois que Catão solicitou e deixou escapar o consulado, isto é, no ano de Roma 702, como se vê em sua própria Vida, quando Plutarco nos refere que êle teve por competidor , que foi com efeito cônsul com Metelo, no ano de Roma 703.

CAP. XXX.— O nome grego é Hermo e não Hérmio. Esse vilarejo do Atiço, era da tribo Acamântida. Estava situado um pouco acima do Pireu, um pouco mais próximo de Atenas do que de Eleusina. Talvez algum revisor indiscreto tenha inserido no texto mais uma letra, pelo que Amyot fêz o nome Hérmio

CAP. XXXIII. — Dusoul engana-se traduzindo até sessenta anos a contar desde a puberdade, o que faria setenta e oito anos, segundo sua própria explicação. As leis de Atenas dispunham que os rapazes começariam a pegar em armas com dezoito anos; eram encarregados da defesa do Ático até vinte. Nesta época serviam até os quarenta em todas as guerras, dentro ou fora do Ático; depois do que estavam isentos do serviço militar; em ocasiões extraordinárias, iam até quarenta e cinco, como se vê na terceira Olintiana de Demóstenes. Assim a publicação de Fócion já era assaz extraordinária incluindo até a idade de sessenta anos, sem prolongar até setenta e oito.

CAP. XXXLX. — Ê verdade que no texto consta nesta passagem uma palavra que significa um porto limpo, e poderia por extensão significar um porto vazio de navios. Mas desde que Amyot reconheceu que esta expressão não apresentava sentido, o que o determinou a traduzir pela palavra margem, teria podido ir mais longe’ e supor algum erro ligeiro no texto. Não haveria dificuldade em ter reconhecido o nome próprio de um dos três portos do Pireu; pois o Pireu não é chamado porto senão impropriamente. 15 um bairro do Ático ou vilarejo tornado parte de Atenas pela junção dos muros que o reuniram desde ; e havia três portos, que fechavam com uma corrente comum, dos quais um se chamava Afrodidis, um outro Zée e o terceiro Cântaro. Vede Mérsio em seu livro intitulado, O Pireu.

SOBRE A VIDA DE CATÃO DE ÚTICA

CAP. I.. — Seria difícil fazer-se uma idéia precisa da genealogia de Catão de Ütica, de acordo com o que Plutarco diz aqui, e de acordo com o que disse no fim da Vida de Catão, o Censor; Aullu-Gelle, em seu décimo-terceiro livro, cap. 19, felizmente nos esclareceu o que Plutarco não explica ou apresenta mesmo de uma maneira própria para ocasionar a confusão. Vou dá-la tal qual Aullu-Gelle nô-la apresenta:

Marcos Catão, o Antigo ou o Censor, havia tido de sua primeira mulher um filho, que morreu quando vivia seu pai, sendo designado pretor, depois de haver escrito livros muito apreciados sobre direito. Deixou um filho chamado Marcos Catão Nepos, que quer dizer neto, porque era neto de Catão, o Censor, chefe da família. Foi orador e teve reputação nesse gênero. Foi cônsul com Quinto Márcio no ano de Roma 636 e morreu em seu consulado na Africa, deixando um filho que foi edil, em seguida pretor e morreu na Gália Narbonesa.

Catão, o Censor, desposou em sua velhice a filha de Salônio e teve um filho denominado Saloniano, do nome de seu avô materno. Este teve dois filhos, Lúcio Catão e Marcos Catão, que foi e pai de Catão de Ütica.

CAP. XVII.. — Não obstante isso, se bem quo tivesse feito e que fizesse todas essas coisas, ainda houve alguém que escreveu, que passou e escorreu por uma peneira as cinzas dO fogo». O texto está destruído neste trecho. Petau, em suas notas sobre Temístio, edição do Louvre, pág. 525, propõe ler: «E se bem que tivesse feito tudo isto, César não deixou de escrever, etc. o que oferece um sentido muito melhor.

CAP. XLI. — Alguns observaram antes de mim a alteração que não se pode impedir de supor aqui no texto dl Plutarco; pois certamente Catão não foi deposto nem forçado a abdicar de seu tribunato. Propuseram diversas conjecturai. Talvez se aproximassem muito perto da idéia de Plutarco, no lhe fizessem dizer que Catão, sem usar dos direitos de seu cargo, com muitos tiranos (no que o capricho de um homem, por uma palavra apenas, prevalece sobre toda autoridade e toda razão) suplantou-o, no entanto, de tal modo pelo seu ascendente pessoal, que induziu Mêmio a deixar o combate, renunciando suas acusa ções. Mas isto não é senão uma conjectura, que não exclui melhores pois vê-se um pouco mais acima, que Metelo havia acusado Catão de tirania; outros sediciosos podiam renovar esta imputação, por extravagante que fosse; assim, com uma ligeira mudança poder se-ia ler: «Catão, arrostando as imputações dos sediciosos que o censuravam de abusar tirânicamente do poder de seu cargo, puxou seu partido com tanto vigor, que conseguiu enfim, reduzir Mêmio etc».

CAP. XLIX.. — Traseas Poetus da cidade de Pádua, capital da Paduana, homem de raros méritos. Todos os escritores de Roma elogiam sua virtude. Tácito chama-o em alguma parte a própria virtude, Anais, L. XVI, cap. 21. Nero o fêz morrer; mas não o estimava menos, como se pode concluir da resposta desse monstro a um infame delator que acusava Traseas de haver pre varicado em suas funções de juiz: — «Desejava muito bem, diz o tirano, estar tão seguro de sua amizade, como estou convencido de sua integridade». Vejam-se os Preceitos de Administração, cap. 44. Havia escrito a Vida de Catão de Útica, na qual havia seguido as informações que lhe fornecia o trabalho de Munácio Rufo, contemporâneo de Catão e que havia sido. seu companheiro de viagem a Chipre, como o diz Valério Máximo, L. D7, cap. 3.

CAP. LXXIV.. — Os Psilos habitavam junto da grande Sirte, entre os nasamons e os gétules, segundo Estrabão, que diz mais ou menos a mesma coisa que Plutarco sobre esta virtude inata contra as serpentes. Atribuíam, segundo êle, aos tentiritos, habitando junto da pequena Dióspolis no Egito, a mesma faculdade nata contra os crocodilos. Muitas vezes ouvi que os negros, escravos na América, pegam e matam assim as serpentes sem recear suas mordidas; isto não é de se considerar impossível. Mas observo que as pessoas que combatem obstinadamente as coisas mais razoáveis e melhor estabelecidas, acreditam sem exame em todas as fábulas dos viajantes, em todas as imposturas dos charlatães.

(Notas dos tradutores franceses).

Tradução: Prof. Carlos Chaves. Fonte: Edameris.

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