Resumo sobre FILOSOFIA ORIENTAL – Noções de Filosofia

Resumo sobre FILOSOFIA ORIENTAL – Noções de Filosofia

Noções de História da Filosofia (1918)

Pelo Padre Leonel Franca.

4. FILOSOFIA ORIENTAL — Concordam todas as tradições em situar na Ásia o berço da humanidade. Grécia e Roma não haviam ainda despertado para a história dos povos cultos e já, à sombra do Himalaia, floresciam adiantadas civilizações.

Aí também apareceram os primeiros vestígios da filosofia. As primitivas tradições religiosas fixadas com o tempo em livros sagrados e corrompidas pouco a pouco pelo ardor da fantasia oriental, excitaram nas inteligências a dúvida e, com a dúvida, a especulação racional.

A índia e a China foram dos grandes impérios asiáticos os que mais se avantajaram na cultura literária e religiosa e os que maior cópia de documentos nos legaram de sua atividade intelectual.

CAPÍTULO I

A FILOSOFIA NA ÍNDIA

5. LITERATURA RELIGIOSA E FILOSÓFICA DA ÍNDIA — Em torno dos Vedas, livros sagrados de hinos e orações, formou-se toda a primitiva literatura religiosa e filosófica da índia.

A. Fixam geralmente os autores em quatro o número dos Vedas genuínos. O Rig-Veda, primeiro em antiguidade, remontando provavelmente a 1.500 a. C, encerra 1.028 hinos. Nos mais antigos, através de símbolos e nomes diversos, transluz a verdade da crença primitiva, num Deus único e supremo. "O espírito divino que circula nos céus chama-se Indra, Varuna, Agni, Mitra. Ao espírito único dão os sábios mais de um nome: é Agni, Lama, Ma-tarisvan" (3).

O Sama-Veda e o Jagur-Veda, de data posterior e de interesse mais litúrgico que literário, são manuais de orações e sacrifícios. O segundo, que é um verdadeiro ritual, já se acha escrito em prosa.

O Atharva-Veda, de mérito inferior aos precedentes, infecto de magia, contém fórmulas para curar enfermidades, imprecações contra os inimigos, encantamentos, sortilégios, ensalmos, exorcismos e jaculatórias para as lustrações e cerimônias nupciais, expiatórias, fúnebres, etc.

Com os Vedas vão conexas várias outras obras de caráter hermenêutico e especulativo. São elas: Brâmana, Sutrâ, Aranyaka e Upanishad.

B. A coleção brâmana é a parte exegética mais antiga e mais rica dos Vedas. Além de comentários ritualistas e explicações litúrgicas dos hinos védicos, encerra os primeiros germes de especulação filosófica que se desenvolverão nas obras posteriores.

C. Os Sutrâ, que se acrescentavam aos rituais védicos, são aforismos concernentes às ciências e às artes. Já inclui elementos dos sistemas filosóficos expostos nos Upanishads. Os nomes, que por vezes se lhes acrescentam e caracterizam outras tantas escolas, não são provavelmente os dos fundadores destas, mas os dos editores ou compiladores mais ilustres que os redigiram em época posterior.

(3) Citado por Alberto Conti, Storia delia Flloiofla, t. 1, p. 161.

D. Os Aranyaka, considerados às vezes como apêndices ao brâmana, foram compostos para o estudo e meditação dos ascetas que viviam nas selvas (aranya). São de ordem religioso-filosófica e apresentam muita analogia com os upanishads.

E. Os Upanishads, que constituem a doutrina esotérica dos brâmanes, são os escritos mais filosóficos da literatura védica. Comentários especulativos da teologia, representam os primeiros esforços para resolver em termos racionais os problemas da natureza do universo, da origem e dos destinos do homem.

Os sistemas que neles se contêm respeitam as tradições dos livros sagrados, a que procuram dar uma interpretação filosófica. Estudá-los-emos sob o título de Bramanismo ou doutrina dos Brâmanes. O Budismo, que a eles se opôs, será objeto do parágrafo seguinte.

§ 1.° — Bramanismo

6. DOUTRINAS GERAIS — As doutrinas gerais ensinadas nos upanishads podem resumir-se nos pontos seguintes:

A. Identidade inicial e final de todas as coisas. A realidade única é Braman, ente supremo, indivisível, incriado, eterno (4). Dele, como de alma universal do mundo — Atman, nascem as almas individuais — atman, cintilas do fogo divino. As que se originaram da cabeça de Braman constituem a casta sacerdotal e inviolável dos Brâmanes, representantes terrestres da divindade. Os Katryas, casta militar, emanaram do peito; dos pés sairam os desprezados Xu-dras, casta servil.

(4) Em época posterior, personificando-se os efeitos exteriores da divindade, ao Braman único substituiu-se a Trimurti, ou trindade, composta de Brama, princípio criador, Civa, princípio destruidor, e Visnú, princípio conservador. Nesta transformação influiu também, ao que parece, o escopo político-religioso a que mirava o bramanismo ortodoxo de reunir, com uma fórmula compreensiva e concillante, Os adoradores de divindades diversas, visto como Civa e Visnú já eram de muito tempo adorados como deuses Independentes. Ainda assim, apesar dos esforços para promover, com a fusão dos cultos, a reconciliação entre os povos vencidos e os vencedores, continuaram os Visnaitas e os Civaitas a tributarem respectivamente a Civa e a Visnú as honras de divindade suprema, subalternando-lhes as outras. O próprio número ternário não é constante. Em alguns textos figuram só dois deuses, Civa e Visnú; em outros, com a adição de Kisma, elevam-se a quatro. Mais tarde dlvinlzaram-se diversos elementos. — Entre n tríade indiana e a Trindade cristã vai, pois, um abismo de diferença, o abismo que separa a sombra da realidade, as corrupções pantelstaa das tradiçóes primitivas da verdade monoteísta em toda a sua pureza original.

B. O mundo fenomenal é uma ilusão. Tudo o que não é Braman não existe. A multiplicidade, variedade e fluxo contínuo dos seres é uma grande fantasmagoria, uma criação ilusória dos sentidos (Maya == ilusão) .

C. Existência da dor universal. Se em Braman se cifra toda a realidade, êle é o bem único e, fora dele, não pode haver senão o mal, a dor. A vida, portanto, a existência fenomênica, o mundo todo é um grande mal.

D. União com Atman, meio de libertação da dor. A meta final de toda aspiração humana deve ser a perda da própria individualidade, a imersão do próprio ser em Àtman. Só por este retorno da multiplicidade à unidade é possível a emancipação da dor. A ciência é a via única que conduz à libertação salvadora. As almas, que ainda não conseguiram elevar-se ao conhecimento destas verdades, enredadas pela ignorância da causa primeira do sofrimento e, por isso, da existência, são condenadas a transmigrarem de corpo em corpo até a purificação derradeira. Daí uma série de práticas religiosas e ascéticas destinadas a acelerar o momento da identificação e bem-aventurança final.

7. SEIS SISTEMAS — Em torno destas idéias gravitam os primeiros sistemas filosóficos da índia, alguns dos quais se conservaram mais fiéis aos ensinamentos sagrados, outros pouco a pouco deles se desvincularam, preparando assim o advento do Budismo.

Estes sistemas reduzem-se a seis: os dois Mimânsâ, o Samkhya, o Yoga, o Nyaya e o Vaisheshika. Os autores a que são atribuídos são de historicidade muito duvidosa.

A. O Mimânsâ-Purvâ (investigação anterior) de Giaimini segue fielmente a doutrina dos Vedas.

B. O Vedanta (conclusão dos Vedas) ou Mimânsâ-Uttara (investigação posterior) composto por Badarayana, às vezes identificado com Nyasa, autor do poema Mahabharata, insiste na concepção monística do universo, propugnando um panteísmo idealista em que se nega ousadamente a realidade da matéria e de todas as coisas contingentes.

Os dois Mimânsâ são os mais ortodoxos dos sistemas indianos.

C. A filosofia Samkhyado sábio Kapila nega a existência do espírito divino, criador pessoal e regulador supremo — Iswara, e em seu lugar proclama a eternidade da matéria ou natureza — pràkriti, da qual tudo procede, inclusive a inteligência universal. Substitui assim um panteísmo materialista ao panteísmo idealista do Vedanta.

D. A filosofia Yoga, de Pantagali, aceitando muitos dos elementos do sistema anterior, dele se desprende defendendo a possibilidade de provar a existência de Iswara, criador pessoal e ensinando um misticismo filosófico.

E. A filosofia Nyaya, fundada por Gotom, é de todos os sistemas indianos o que mais desenvolve os elementos lógicos da filosofia. Entre as formas de argumentação que nele se encontram há uma que apresenta certa analogia, bem que muito remota, com o silogismo aristotélico.

F. A filosofia Vaisheshika, de Kanada, assemelha-se em vários pontos à anterior e, com ela, defende contra os outros sistemas monistas, o dualismo eterno do espírito e da matéria, dualismo que encontraremos mais ou menos explícito em toda a filosofia grega, O atomismo tem seus primeiros germes nestes dois sistemas orientais, Sobre estas noções metafísicas se vem enxertar os problemas religiosos e morais da libertação da dor, metempsicose, destino do homem, que cada sistema procura resolver em harmonia com as próprias idéias sobre a natureza e constituição do universo. Daí um amálgama de mitologia, religião, filosofia, disciplina e liturgia que torna sobremaneira difícil e complexo o estudo do pensamento oriental.

Com se apartarem uns dos outros em questões de grande relevância concordam todos os filósofos acima em reconhecer e respeitar a autoridade dos livros sagrados que cada qual se esforça de interpretar a seu sabor. Chamam-se, por isto, ortodoxos. Kapila e Kanada são os que se mostram mais independentes da autoridade dos Vedas, e, sob este aspecto, podem ser considerados como precursores de Buda.

§ 2.° — Buda e Budismo

8. Dentre os sistemas heréticos ou heterodoxos que, em oposição aos anteriores, recusaram a autoridade divina dos escritores sagrados, o mais célebre é o budismo, fundado por Çakya-Muni, ou Buda.

BUDA — Filho da nobre família dos Çakya, nascido entre os esplendores de uma casa principesca, Siddharta (5) o futuro Buda, aos 29 anos, renunciou às comodidades e prazeres da corte paterna para consagrar-se, no retiro de um deserto, à meditação, ao estudo e à contemplação.

Passados 7 anos de vida solitária, no fim dos quais recebeu "a grande revelação" que devia salvar o mundo, saiu a fazer prosélitos. Viajou por várias regiões, vulgarizou suas doutrinas em pali, idioma vernáculo, abandonando o sânscrito, linguagem sagrada dos rituais, fundou uma ordem religiosa e faleceu na avançada idade de 80 anos.

Esta existência, que a imaginação oriental sobredourou de inúmeras lendas, é geralmente colocada entre 650 e 550 a. C.

Os livros canónicos do budismo foram reunidos sob o título Tripitaka (três cestos) e constituem a primeira fonte de notícias e informações para o seu estudo. Compreendem 3 partes: Vinaya, que encerra preceitos disciplinares, Sutta, coleção de sermões e diálogos alternados com versos, Abkidkama, disquisições minuciosas sobre várias teorias.

Salvo exceções, a literatura budista é quase sempre escrita “no mais insuportável dos estilos” (Barth), estilo derramado, prolixo, enfadonho e repisado em inúmeras repetições.

(5) Siddharta foi o nome primitivo do fundador do budismo. Oa família e da vida retirada após a "grande renúncia" lhe velo o apelido de Çakya-Muni, o solitário da família Çakya. Seus adversários, talvez da seita a que pertenciam os seus ascendentes, chamavam-no freqüentemente "o asceta Gotama". Entre os discípulos, porém, prevaleceu o sobrenome de Buda, que quer dizer "Iluminado", "Sábio".

9. BUDISMO — O budismo é mais uma religião do que uma filosofia (6). Çakya-Muni recusava, por sistema, tratar questões de interesse exclusivamente metafísico ou científico. Tudo nele converge para a solução do problema moral: a libertação da dor, única realidade da vida (7). Não é um filósofo quem fala, é um médico que, sem se preocupar com a metafísica do ser, deseja ensinar aos homens uma terapêutica para curá-los e levá-los ao repouso supremo. Pragmatismo com o agnosticismo por base.

Tributária em vários pontos da especulação dos upanishads, a nova doutrina dela se divorcia pela negação da divindade. Daí a definição de Gough: “o budismo é a filosofia dos upanishads sem Braman”.

Toda a parte moral do sistema resume-se nas “quatro verdades sublimes” em cujo descobrimento consistiu a grande revelação do Buda:

  • l.a) A dor é universal, tudo o que existe é dor.
  • 2.a) A origem da dor são as paixões, o desejo da existência.
  • 3.a) O fim da dor é a supressão do desejo, o aniquilamento da existência, o nirvana, estado final de extinção completa do ser, única felicidade a que deve aspirar o homem (8).
  • 4.a) O meio de libertação da dor é a contemplação universal das coisas e a prática da mortificação dos apetites (9).

A metempsicose ou transmigração das almas dos ignorantes que ainda não alcançaram o nirvana, a negação da identidade e permanência substancial da alma, a abolição de castas são também doutrinas fundamentais do budismo.

Combatida e vencida pelos Brâmanes em alguns pontos da índia, a nova religião espalhou-se pela China e pelo Tibet e ainda hoje, neste vasto oriente tão estacionário e tão supersticiosamente aferrado às tradições antigas, conta adeptos aos milhões.

(6) “E’ difícil dizer se melhor lhe convenha o título de religião ou de filosofia: não falta quem talvez com melhor direito lhe negue um e outro”. Pavolini, Buddlsmo, p. 1.

(7) “ó discípulos, não penseis como pensa a maior- parte da gente: o mundo é eterno ou não é eterno? Quando pensardes, discípulos, deveis pensar assim: esta é a dor, esta a origem da dor, esta a’ supressão da dor, esta a via de suprimir a dor.” Palavras de Buda, citadas por Pavolini, Buddlsmo, p. 63.

(8) Sobre a natureza e significação do Nirvana, muito se tem discutido entre os nutores. Uns o interpretam como uma existência positiva, sumamente feliz mas privada de qualquer atributo de individualidade e subtraída para sempre à lei das transmigrações. Outros, como uma extinção total, uma negação completa da existência, a Bollclão do vácuo, do nada. Os próprios documentos antigos dão azo a esta divergência de pareceres. Nirvana Já era termo empregado entre os brâmanes e significava então naturalmente a absorção da própria individualidade na existência divina, a imersão do “eu” no Braman, no Atman, como favila, que volvesse ao fogo universal. Entre os budistas parece que o vocábulo teve acepçóes diversas, com as modificações sofridas pela doutrina primitiva ao contato dos outros povos asiáticos entre os quais se difundiu. Inclinam muitos intérpretes (entre os quais Burnouf, Wassilleff e Lassen citados po.r. AJ .Contl °.ue 08 segue) à exegese mais plausível de que a palavra significasse originariamente em Buda o aniquilamento completo, depois da aparência da vida. Sobre a questão, cfr. Dahlmann, Nirvana, elne Studle zur Vorgeechichte des Buddhlsmus. Berlin, 1898.

(9) Estas práticas constituem a “óctupla via da libertação”: crer retamente, querer retamente, falar retamente, obrar retamente, viver retamente, esforçar-se retamente, pensar retamente, meditar retamente.

 

 

Como explicar tão larga difusão de uma religião ateia, isto é, contraditória em si mesma? É que nas multidões lisongeadas pela igualdade social das castas, o budismo não passa de um politeísmo vulgar, de uma idolatria grosseira que vê um deus em cada buda. Nas classes mais cultas resolve-se num ceticismo especulativo, num’ indiferentismo desconsolador, acompanhado quase sempre de práticas supersticiosas como observam e atestam quase todos os viajantes.

Acerca da pretendida influência do budismo no cristianismo já hoje é questão julgada pelos sábios. Entre o espírito e as tendências das duas doutrinas reina o mais completo antagonismo. Nenhuma influência, portanto, foi teoricamente possível e a história o confirma com os fatos. É o que asseveram contestes os mais eruditos e notáveis críticos modernos. Só o acanhado preconceito racionalista de alguns autores pôde enxergar na religião cristã uma evolução natural das doutrinas de Çakya-Muni.

Que semelhança, com efeito, entre este acervo de erros e incoerências que se chama budismo e as doutrinas tão puras do Evangelho? Onde os pontos de contato entre uma religião que nega a divindade, ensina a metempsicose, prega o pessimismo e põe a extinção to.tal da própria existência com meta derradeira dos destinos humanos, como móvel único das ações do homem, como sua. felicidade suprema e os ensinamentos da teologia cristã que nos propõe o mais elevado e o mais sublime conceito de Deus e funda a moral em seus verdadeiros alicerces, — na subordinação essencial da criatura ao Criador, na liberdade que implica a responsabilidade, na identidade da alma e na imortalidade pessoal? “

A analogia de alguns pontos da doutrina evangélica com certos preceitos budistas, acerca da caridade fraterna, do perdão das injúrias, da mortificação das paixões, da prática da continência é meramente extrínseca e acidental. A antítese, pelo contrário, é essencial, profunda, irredutível e atinge os próprios princípios constitucionais da religião e da moral (10).

A distância, portanto, que vai do Cristianismo ao budismo é a mesma que medeia entre a Religião e as religiões, a verdade e o erro. Cristo eleva-se acima de Buda como Deus se alteia acima do homem (11).

(10) São de um insigne orientalista italiano as seguintes palavras: “O contraste entre as duas religiões é inteiro e completo, nos fundamentos e em tudo o que é característico e essencial para uma e para outra; contraste na metafísica e na ética, contraste entre as pessoas dos fundadores, entre os 6eus preceitos, entre o caráter da Igreja cristã e a ordem budista, entre a influência que uma e outra crença exercitaram na vida social e moral, na arte e na ciência dos povos que a professam”. Pavoi.ini Buddismo, p. 157-8. E, em nota, acrescenta as Judiciosas observações do M. Muller. “Muito grato seria a quem me soubesse indicar os canaia históricos por melo dos quais o budismo tenha podido exercer uma influência sobre o cristianismo primitivo. Toda a minha vida tenho andado à procura desses canais e até hoje nao achei um só. Verifiquei, ao invés, que para algumas das mais notáveis concordâncias entre as duas religióes, existem tais precedentes históricos, que, uma vez bem conhecidos, tornam tais coincidências multo mais Insignificantes. Se em alguns escritores budistas se me deparam doutrinas que combinam quase identicamente com as do cristianismo, longe de alarmar-me, alegro-me: a verdade n§o é menos verdadeira por nela crer a maior parte do gênero humano”.

(11) Quanto à absurda tentativa ensalada por alguna sabios alemSes de rehabilitar o budismo eis como a Julga o lnsuspelto Barthélémy Saint-Hilaire: "Ce n’est pas une tentative sériese qu’une réhabilitation du boudhisme; c’est tout au plus une fan-taisie littéraire, qui elle môme n’est pas sans inconvénient. Les âmes sont travaillées d’assez de maux. sans y Joindre un mal de plus. Qu’on admire, tant qu’on veut, le caractere de Boudha, ses intentions et toute sa vie; mais que l’on fuie ses doctrines delectêres. Le boudhisme doit entrer dans l’histoire et y occuper désormais la place qual lui est due; mais 11 ne faudrait pas qu’il entrât dans les coeurs". "Le Néo-Bou-dhisme", Acad. des sciences mor. et polit., 1803, p. 709.

BIBLIOGRAFIA

A. Barth. Les religions de l’Inde, Paris, 1879; — Max Müller, The six systems of indian philosophy, London, 1903; — H. T. Colebrooke, Essays on the Veda and on the phil. of the Hindus, London, 1837; — H. Oldenberg, Indien u. die Religionswissenschaft, Stuttgart, 1906; — Id., Die Lehre der Upanishaden und die Anfänge des Buddhismus, Göttingen, 1915; — Id., Buddha, sein Leben, seine Lehre, seine Gemeinde5, Berlin, 1906; — T. W. R. Davids, Early Buddhism, London, 1908; — Dahlmann, Buddha, Berlin, 1890; — Id., Nirvana, eine Studie zur Vorgeschichte des Budhismus, Berlin, 1896; — L. de la Vallée Poussin, Boudhisme, Opinions sur l’histoire de la Dogmatique. Paris. 1909; — O. Strauss, Indische Philosophie, München. 1925; — Radhakrishnan, S., Indian Philosophy, 2 vols.. London, 1923-27; — Masson-Oursel. P., Esquisse d’une histoire de la Philosophie indienne, Paris, 1923; — Dasgupta, S., A history of Indian Philosophy, 2 vols., Cambridge, 1922-1932.

 

CAPITULO II

A filosofía na China

10. As origens da civilização chinesa perdem-se na noite dos tempos. Quando a história projeta os primeiros clarões nas antiguidades do Celeste Império, já aí encontramos um povo de posse de instituições sociais e políticas que atestam um nível elevado de cultura intelectual.

Só, porém, no século VI a. C. aparecem os primeiros vultos notáveis da sua história literária e religiosa, Lao-tse e Kon-fu-tse.

Lao-tse (nascido 600 a. C), autor do livro Tao-te-king (razão primordial) mostra tendências acentuadamente especulativas. Acima de todas as coisas estabelece a existência de uma Razão suprema, causa de todos os seres e norma absoluta de toda atividade moral.

Pessoalmente, Lao-tse combateu os desmandos e a corrução da sociedade de seu tempo e fundou uma seita oposta à de Confúcio. Sobrepujou-o, porém, este último na influência direta sobre o povo chinês.

Kong-fu-tse (551-478, a. C), vulgarmente Confúcio, exceleu entre os contemporâneos pelo amor à justiça e pelo zelo em propagar a reforma dos costumes. Percorreu várias províncias do Império, pregando aos nobres, aos governadores e aos chefes militares a importância dos deveres morais. Perseguido pelos cortesãos, retirou-se, nos últimos anos, da vida pública, consagrando-se à formação de discípulos de suas obras.

Por este tempo, coligiu e reordenou em livros as tradições e a literatura sagrada da China, da qual Y-King ou livro das transformações é o monumento mais importante. Entre as obras atribuídas exclusivamente a Confúcio citam-se o Ta-hioe e o Tchoung-young coletâneas de preceitos e máximas de ordem prática.

Confúcio insurge-se contra o espírito especulativo de Lao-tse e dedica-se quase exclusivamente à filosofia moral (12).

Fim e bem supremo do homem é o aperfeiçoamento de si mesmo, pelo domínio das paixões e desenvolvimento das faculdades morais. Deste fim derradeiro decorre a lei do dever, que, na sua imutabilidade, regula todas as relações, particulares e públicas, individuais e sociais.

Nesta moral, a que falecem coerência e sólidos fundamentos racionais, encontram-se, não obstante, preceitos sobre o amor do próximo, a piedade filial, o desprezo das riquezas e das honras que lembram os de Sócrates e Séneca e confirmam a sentença de Ter-tuüano: a alma humana é naturalmente cristã.

A obra de Confúcio foi continuada por seus discípulos. Os mais importantes foram: Tseng-tse, contemporâneo do reformador: Tsesse, seu neto, e Meng-tse (Meneio), um dos mais insignes moralistas da China.

Lih-tse e Chwang-tse, filiados na escola de Lao-tse combateram o confucionismo.

Van-tse propôs um sistema de moral muito semelhante ao epicurismo.

(12) Com ser principalmente moralista, Confúcio ensina de quando em quando verdades de profundo alcance metafísico. "0 perfeito é o começo e o fim de todas as coisas; sem êle não existiriam os seres. O perfeito é por si mesmo perfeito absoluto. .. A potência que produziu o céu ,e a terra pode exprimir-se numa só palavra: "é a perfeição". Tche-young, XXV; XII 2; citados por A. Fouillée, Extraits des grands philosophes. Paris, 1924, p. 15. — Parece-nos entrever nestas frases um resumo da teoria do ato puro tão amplamente desenvolvida por Aristóteles.

BIBLIOGRAFIA

J. M. de Groot, The religions system of China, Leyden, 1902; — C. de IIarlex, Les religions de la Chine, Leipzig, 1891; — L. Wieger, Le Bouddhisme chinois, 1910; — Id., Histoire des croyances religieuses et des opinions philosophiques en Chine, depuis l’origine jusqu’à nos jours2, Sien-shien, 1922; — G. Tuccr, Storia delia filosofia cinese antica, Bologna, 1922; — A. Forke, Geschichte der alten chinesischen Philosophie, Hamburgo, 1927.

11. CONCLUSÃO —

Que no Oriente se tenham esboçado as primeiras especulações filosóficas e feito os primeiros esforços para resolver com a razão as grandes questões da natureza e dos destinos do homem e do universo é fato, que, parece, não pode ser contestado. Mas daí a uma filosofia verdadeira, completa, autônoma, organizada em corpo científico, qual encontramos na Grécia, na Idade Média e nos Tempos Modernos, vai muito a dizer. Ainda quando desvestido dos indumentos mitológicos, o pensamento oriental conserva-se fundamentalmente religioso e mais ou menos solidário das crenças e superstições vulgares. Por este motivo predomina nos seus sistemas a feição positiva mais que a argumentativa. Acresce que as freqüentes alegorias e a linguagem exuberantemente imaginosa e simbólica tiram às investigações dos povos asiáticos o caráter de precisão e rigor científico, que são o apanágio da filosofia ocidental.

Apesar disso, a influência que estas primeiras tentativas exerceram no pensamento da Grécia (Pitágoras, Empédocles, Platão) e, através da Grécia, em todo o Ocidente é real, se bem difícil de definir em suas particularidades.


Link: Enc. Simpózio – ART. 6-o. FILOSOFIA ORIENTAL PRÉ-MODERNA. 2216y485.

 

Fonte: Livraria Agir Editora. 20ª edição.

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