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OCUPAÇÃO DO LITORAL. A CONQUISTA DO NORTE E A PENETRAÇÃO DA AMAZÔNIA – História


OCUPAÇÃO DO LITORAL.

A CONQUISTA DO NORTE

E A PENETRAÇÃO DA AMAZÔNIA.

Professor Brasil Bandecchi.

Garantidos os direitos portugueses pelo Tratado de Tordesilhas, que fixou fronteiras na América, ficou a Portugal a preocupação, inicialmente, de defender o litoral que ia da Uha de Marajó (na parte mais próxima do Estado do ) até Laguna e que se encontrava à mercê de piratas e contrabandistas que daqui começaram, logo, a levar pau-brasil para a indústria de tinturas da Europa. Do arrendamento do "brasil" a Fernando de Noronha e das primeiras expedições ficaram algumas feitorias de pequeno vulto ou quase nenhum significado. Com o correr do aumentavam os navios que buscavam no Brasil a preciosa madeira, o que obrigou a Metrópole a tomar algumas medidas mais efetivas, do que o simples reconhecimento, arrendamento e combates esparsos aos incômodos visitantes, como, por exemplo, embora com maior presença fêz, em 1526, a armada comandada por Cristóvão Jacques, cujo objetivo era atacar os franceses, terríveis contrabandistas de pau-brasil.

Em 1530, a armada de Martim Afonso de Sousa não teve apenas a finalidade de combater "o pirata ao mar usado", embora êle em documento que deixou, apenas destacasse este aspecto da sua viagem, mas também a finalidade de fundar a primeira colônia regular no extremo Sul da América Portuguesa, que julgavam ser na altura de Cananéia e evitar que os , apesar do Tratado de Tordesilhas, invadissem terras de Santa Cruz. Fixou-se Martim Afonso em São Vicente, então, um pequeno povoado.1

Em seguida tivemos o fracassado regime das Capitanias Hereditárias que, apesar de fracassado como sistema de administração, deixou o início, em alguns pontos do litoral, de povoações, que custaram enormes sacrifícios de infelizes donatários.

O resultado das capitanias, levou a Metrópole a instituir um Govêrno-Geral, dando, portanto, maiores e melhores condições de colonização, defesa e florescimento da no litoral.

Havia proibições para que os brancos não penetrassem o sertão. A ordem era ficar no litoral.

Além da Serra do Mar, porém, João Ramalho já havia fundado Santo André da Borda do Campo, bem antes da chegada de Martim Afonso de Sousa. Em 1554, os jesuítas e Tibiriçá, este sogro de João Ramalho, fundaram São Paulo de Piratininga. Eram pontos avançados para o desbravamento do sertão e conquista do Brasil Central e Sul, quer seguindo o Tietê, que nasce próximo ao mar e se embrenha pelo sertão paulista até o Rio Paraná, que por sua vez leva até ao Rio da Prata, também denominado De Solis, quer marchando pelo vale do Paraíba que se desenrola entre as Serras do Mar e Mantiqueira e que conduz a Minas, Goiás e Mato Grosso.

O Norte, por sua vez, pelo Rio São Francisco e pelo litoral, expandiu-se na força da penetração, e lutando contra aventureiros, até o Amazonas.

Na epopéia da expansão territorial há de se destacar a atuação dos , dos que deram combate a invasores e dos jesuítas, estes na fecunda obra da catequização, dos criadores de gado e vaqueiros que necessitando de terra e vastos campos afastaram-se do litoral.

Ocupação do Litoral

A vasta extensão litorânea, como sabemos, pouco prometia para Portugal, conforme as notícias que chegavam à Metrópole. Notícias que, evidentemente, não traduziam a verdade, mas que tinham o condão de não desviar as vistas lusas da opulenta Índia. Havia o pau-brasil, árvore que já era conhecida na Europa.2

Vespucci, em 1502, escreve que nesta terra outra coisa não havia "salvo infinitas árvores de verzino" (pau-brasil).

Pêro Vaz de Caminha fala muito em papagaios, daí a Terra Papagalorum.

Duas expedições (1501 e 1503) tiveram a importância de revelar melhor a nova descoberta. A carta de Vespucci (viagem de 1501) mostra que essa expedição foi muito mais importante para o conhecimento do Brasil e sobretudo notável para a geografia e astronomia; pode incluir-se entre as grandes expedições científicas da história.:!

Nessas viagens fundavam feitorias, como a que, em 1503, Américo Vespucci levantara em Cabo Frio onde deixou como feitor a João Braga e mais 23 homens.

Outra feitoria foi a de São Vicente, fundada, possivelmente, por náufragos ou por pessoas deixadas pelos navios que buscavam o extremo Sul.

E mais: Cananéia, Pernambuco e Porto Seguro.

Mas estas expedições não tinham objetivo colonizador.

"Com a chegada dos portugueses coincidiu quase a dos franceses, que começaram logo o mesmo comércio de resgate. Na vastidão do litoral podiam ter passado anos sem se encontrar, mas o encontro era fatal, e não havia de ser amigável.

Portugal considerava a nova terra propriedade direta e exclusiva da Coroa, pelas concessões papais, pelo tratado de limites concluído com a Espanha e pela prionoade do descobrimento. O rei tirava porcentagem dos gêneros levados para além-mar; e os armadores queriam auferir lucros de seus esforços e capitais.

A presença dos intrusos prejudicava-os a todos os respeitos: nos mercados europeus, oferecendo os gêneros a preços mais vantajosos, pois não tinham quintos a pagar, e levando-os diretamente aos mercados consumidores, pois não eram obrigados a passar por Lisboa; nas terras brasílicas, conciliando as simpatias dos naturais, que os agasalhariam com maior carinho, pou-par-lhes-iam traições e aleives, dariam preferência nos carregamentos e se habituariam às mercadorias francesas. Ainda por cima havia a questão de princípio: Portugal não admitia que os filhos de outra nação pusessem o pé em terras suas de além-mar".1

O pau-brasil era monopólio da Coroa.

A presença de piratas nas costas brasílicas já se tornava insistente, constante.

A vinda de Cristóvão Jacques não podia resolver muita coisa. Daí a expedição de Martim Afonso de Sousa com o duplo objetivo de guardar a costa e colonizar. Combateu e apresou três navios franceses em Pernambuco. Desceu e chegou nas vizinhanças do Prata, onde seu irmão Pêro prosseguiu viagem. Martim Afonso voltou a São Vicente e deu começo à colonização regular do Brasil. No litoral vasto, o contrabando continuava.

Era preciso intensificar o policiamento, mas a fazenda real não dispunha de meios. Surge a idéia de socorrer-se dos particulares através do Regime Capitanial, que não iria avante mas que deixaria vilas e povoações espalhadas junto ao mar e o início de uma defesa, senão organizada, pelo menos presente.

A falta de unidade administrativa, pois cada donatário se comunicava diretamente com a Metrópole, foi substituída pela unidade com a criação do Govêrno-Geral.

As sesmarias que eram dadas pelos donatários, passaram a sê-lo, também, pelos governadores aos que pudessem erguer casas fortes e torres e os que tivessem meios para construir engenhos tinham preferência no atendimento, recebendo terras com boa água e boa situação.

Na costa começou a florescer a agricultura, indo de São Vicente, onde se fundaram os primeiros engenhos com a chegada de Martim Afonso de Sousa5, à Paraíba.

Bahia, principalmente, e depois Pernambuco, tiveram progresso rápido na cultura de cana e produção de açúcar. A agricultura teria que se desenvolver no litoral. O interior era desaconselhável e perigoso. O litoral mantinha contato com as naves que iam e vinham da América para a Europa e vice-versa.

Isto, porém, não impediu que sofrêssemos invasões e que invasores aqui se localizassem, o que exigiu lutas e sacrifícios para expulsá-los e manter a unidade da Colônia.

A Conquista do Norte

A conquista do Norte foi uma operação de limpeza contra franceses que queriam fixar-se nestas partes da América.

Entre Pernambuco e a Amazônia estendia-se uma área que ainda não se encontrava, propriamente, integrada na unidade da Colônia. A presença dos povoadores não se fazia, então, nessa parte do litoral.

Era preciso partir para a conquista, batendo-se com invasores e índios, seus aliados.

Conquista da Paraíba

A conquista da Paraíba teve seu rastilho aceso pelo rapto que fêz Diogo Dias da filha de um chefe potiguara, na Serra da Copaoba (1575). Diogo Dias desatendeu à ordem das autoridades coloniais em devolver a jovem e daí o ataque ao seu engenho, levado a efeito pelos índios com a ajuda dos franceses que tudo faziam para continuar com suas feitorias no Brasil, contrabandeando a famosa madeira.

Para por fim à situação e livrar a Paraíba dos invasores e seus aliados, partiu de Pernambuco, sob o comando de Fernão da Silva, uma expedição guerreira que, diante da fuga dos índios que não tiveram coragem de resistir, apossou-se dos mantimentos ali existentes e destruiu suas casas, não só para evitar que voltassem logo, como, também, para dificultar, senão impedir a ação dos franceses, sempre presentes e insidiosos. Na verdade, as medidas tomadas eram de caráter meramente provisório, porque queimar casas e apossar-se de mantimentos, sem ocupação

da área conquistada, nada poderia resolver em definitivo, e a luta prosseguia através dos ataques contínuos dos aborígines, sob a provocação dos franceses.

Novas expedições — uma do mesmo Fernão da Silva e outra de Frutuoso Barbosa — não deram o resultado esperado.

Mesmo as vitórias de Diogo Flores Valdês, de Frutuoso Barbosa (que sempre que pôde combateu) e de Castrejon, embora abalassem o adversário, não se revestiram de uma forma definitiva.

Indios e franceses estavam unidos e ofereciam dura resistência.

O momento oportuno apareceu quando os índios potiguares se desentenderam com os tabajaras e estes procuraram auxílio das autoridades coloniais. Os tabajaras, pelo seu chefe Pira-gibe (Braço de Peixe)0 conferenciaram com Martim Leitão e João Tavares e assentaram as bases da Cidade Filipéia de Nossa Senhora das Neves, em 1585.7

Quebrada, então, a unidade indígena, estabelecida a frente contra os potiguares, os franceses perderam o seu ponto de apoio e a conquista da Paraíba se consumou.

Conquista do Rio Grande do Norte

Da Paraíba devíamos passar para o Rio Grande do Norte, onde os franceses se haviam alojado, sempre apoiados nos potiguares. Dez anos decorreram da sua expulsão da Paraíba. Em 1596, Manuel Mascarenhas Homem foi nomeado capitão das forças que deviam expulsar os intrusos do Rio Grande e submeter os potiguares.

Organizada a primeira expedição, com o apoio dos capitães de Itamaracá e Paraíba, a ação não pôde, como queriam, ser rápida, pois a guarnição mais poderosa, sob o comando de Feliciano Coelho foi acometida de bexigas, tendo que regressar à Paraíba. Manuel Mascarenhas Homem prosseguiu e entrou na barra do Rio Grande, em 1597, e ali se fortificou.

Era o dia de Natal. É devido a esse dia, o nome da Capital dessa unidade pátria.

Superado o mal que impedira o prosseguimento da viagem de Feliciano Coelho, este, passado meses, se apresta e vai juntar-se, com sua gente, a Manuel Mascarenhas, que passa a dar combate aos silvícolas, derrotando-os e acabando com a esperança gaulesa de ali ficar.

Conquista do Ceará

"Os franceses, conquistado o Rio Grande, perderam magnífico ponto de apoio na costa brasílica. O comércio corsário atingia, porém, o seu ponto máximo. Não podiam voltar atrás. Expulsos da Paraíba e do Rio Grande foram mais para o Norte.

Jacques Riffault e Charles Des Vaux, naufragados no Maranhão, pensaram em aí fundar uma colônia: a França Equinocial. Foram buscar recursos e permissão na Europa. Veio Daniel de La Touche, o senhor de La Ravardière. Fundaram a cidade de São Luís. Continuou o comércio clandestino do pau-brasil e da conquista, por outra nação, de um bom trecho do litoral brasileiro.

Os portugueses (e espanhóis) resolveram atacá-los.

De passagem, porém, deveriam conquistar o Ceará. Caso contrário, ficariam dominados, de Sul a Norte, até Rio Grande. Um vazio depois, em que os poderiam armar-se e lutar. O Maranhão ficaria isolado. A unidade estaria quebrada.

Antes mesmo da fundação da França Equinocial já os colonos luso-brasileiros se haviam lançado à conquista do Ceará, etapa da , quartel-general dos franceses.

Principiou-se a conquista do Ceará em 1603, com Pêro Coelho de Sousa, cunhado de Frutuoso Barbosa, que ali realizou duas investidas infrutíferas. Entre os seus companheiros sobressai Martim Soares Moreno, uma das figuras mais extraordinárias da época. Era Governador-Geral do Brasil, por essa ocasião, Diogo Botelho, enérgico disciplinador."8

A missão jesuítica, em 1607, chefiada pelos padres Luís Figueira e Francisco Pinto foi aniquilada pelos índios. Francisco Pinto foi assassinado e Luís Figueira conseguiu fugir ao trucidamento. Sua missão era de paz, em campo de guerra.

A conquista do Ceará se deu efetivamente com a fundação, ali, da primeira feitoria e de um forte, por Martim Soares Moreno, que também ergueu ermida sob a invocação de Nossa Senhora do Amparo, hoje a capital cearense, Fortaleza.

Conquista do Maranhão

Os franceses em 1594 já se haviam apossado da Ilha Grande (São Luís) quando nas suas imediações naufragou, como dissemos, Jacques Riffault, um dos muitos aventureiros que infes-

tavam as costas do Brasil, naquelas regiões. Ali desembarcado, fundou seu estabelecimento que se tornou o "refúgio dos piratas."

Mas para os seus planos, um simples estabelecimento não significava grande obra e, por essa razão, partiu para a França, deixando em seu lugar Charles Des Vaux. A falta de notícias de Riffault, fêz com que Charles fosse ter com Henrique IV, que então reinava na França, e lhe expusesse o desejo que tinham, não de manter um estabelecimento, mas de fundar uma verdadeira colônia francesa no Brasil.

A exposição interessou ao Rei que determinou a Daniel de La Touche, senhor de Ravardière, oficial da marinha, viesse para constatar as possibilidades da realização dos planos que acabavam de lhe ser expostos. La Touche, aqui chegando, entusiasmou-se com a empresa e com êle Des Vaux, retornou à França para obter o apoio oficial e decisivo. Henrique IV havia falecido e, como seu sucessor Luís XIII era menor, governava, como Regente, Maria de Medici, que logo apoiou a idéia e sob sua proteção determinou que se tomassem as iniciativas para concretizar os planos de uma posse definitiva e sólida no Maranhão.

Numa frota composta de três navios, padres, colonos e soldados em número superior a 500, em março de 1612, rumaram para a América, tendo desembarcado no Brasil em julho, onde foram recebidos jubilosamente por seus compatriotas. Ali fundaram um forte e a povoação de São Luís, cm homenagem a seu rei. Decretaram normas de ordem pública, ou seja, uma Ordenança reguladora das relações em sociedade.

Logo a colônia progrediu. Os índios sentindo-se protegidos, aumentaram suas aldeias na Ilha.

"Tornaram assim, os selvagens, de imenso proveito para a colônia.

Enquanto se edificavam casas nas imediações do forte, guar-neciam-se vários outros pontos da Ilha.

Logo depois, como uma medida de política e segurança, conseguiu-se manter nas aldeias mais importantes, um oficial francês junto do respectivo maioral, ficando com isso, os selvagens, muito lisonjeados.

Com muita solicitude iniciou-se em todas as aldeias a cultura, tanto de gêneros do País, como de plantas que tinham trazido, encaminhando os índios no trabalho rural, e em outras indústrias, que podiam ser ali facilmente exploradas.

Coisa alguma se esquecia naquela terra, onde se confiava tão unidos, e tão identificados na sua fé.

Esteve sempre a colônia em relações com sua Metrópole, recebendo valiosos socorros, e servindo de valhacouto aos negociantes da costa, e aos piratas, que continuavam, nunca escarmentados, e agora ostentosos, a atacar fortes e povoações portuguesas do litoral vizinho."9

É evidente que nem a Corte de Madrid, nem os portugueses e muito menos os brasileiros poderiam concordar com aquele florescente núcleo estrangeiro, c, por isso, trataram de livrar o Maranhão dos invasores.

Jerônimo de Albuquerque, que já combatera com a mesma finalidade e contra os mesmos inimigos, comandaria um exército por terra, enquanto Diogo de Campos iria por mar, e no Rio Grande as forças se uniriam para atacar os franceses.

No Maranhão, em terra firme, em frente à Ilha Grande construíram um forte a que deram o nome de Santa Maria.

Depois de um ataque frustrado dos franceses ao Forte de Santa Maria, organizaram eles uma investida de grande vulto, na madrugada de 18 de novembro de 1914, tendo sofrido tremenda derrota que lhes infligiram as tropas comandadas por Jerônimo de Albuquerque e Diogo de Campos, tirando-lhes quaisquer possibilidades de novas tentativas.

No dia 21, La Touche envia uma carta atrevida a Jerônimo de Albuquerque que lha respondeu no mesmo diapasão altivo e atrevido.

Tendo La Touche depois moderado sua arrogância e proposto uma trégua, submetendo o caso às coroas da França e da Espanha, das quais eram súditos, o acordo foi assinado no dia 27, seguindo, logo, para as respectivas cortes, representantes de ambas as partes.

Não estava, porém, Jerônimo de Albuquerque para aquelas medidas muito diplomáticas. Por que razão esperar uma solução daquelas coroas para livrar sua pátria, a terra do seu nascimento, daqueles invasores?

E tendo recebido reforços bélicos, determinou que os franceses depusessem as armas, reconhecendo ali a soberania do rei da Espanha.

"Provavelmente o capitão francês não recebeu com surpresa a intimação. Êle próprio devia ter estranhado a pouca exigência dos que o haviam vencido, e que sabia muito bem serem de direito os senhores da terra.

Foi, portanto, ainda com toda cordialidade que se concertou um novo convênio, pelo qual os franceses se obrigavam a deixar o Maranhão dentro de cinco meses, e ainda desta vez com passagens para a Europa e até umas tantas indenizações…

Como garantia desse compromisso entregou-se a Jerônimo de Albuquerque um dos fortes da Ilha (o de Itapari) que foi logo ocupado.

Não parece que este convênio fosse, para os portugueses, melhor do que o primeiro. Por fortuna deles, nem este se cumpriria.

Pelos fins de outubro (1615) chegavam ao Maranhão, Alexandre de Moura e Diogo de Campos, incumbidos de tornar efetiva sem mais demora a expulsão dos intrusos.

Enquanto Alexandre de Moura, pelo mar, forçava o bloqueio da praça, que era o principal reduto dos franceses (São Luís), ia o próprio Jerônimo de Albuquerque investi-la por terra.

Não restava aos sitiados mais que o recurso de uma capitulação imediata, ou menos penosa que fosse possível. Apresentou as suas propostas o capitão francês; e Alexandre de Moura aquiesceu às condições oferecidas, menos quanto à indenização pelos armamentos.

No dia 3 de novembro de 1615, arvorava-se solenemente no forte, agora de São Filipe, as duas bandeiras da península."10

Os franceses que quiseram ficar no Brasil por terem aqui constituído família e possuirem bens, foram atendidos pelas autoridades coloniais, que respeitaram e confirmaram suas propriedades.

Jerônimo de Albuquerque que a partir desse momento passou a assinar-se Jerônimo de Albuquerque Maranhão, foi nomeado governador da Capitania integrada na América Portuguesa.

Penetração da Amazônia

A fim de impedir que aventureiros se instalassem nas regiões mais ao Norte, e não eram poucos os que tentavam fazê-lo, Jerônimo de Albuquerque Maranhão determinou ao capitão Francisco Caldeira de Castelo Branco que fosse à região amazônica, a explorasse e tomasse medidas necessárias e garanti-doras dos direitos da Coroa.

No dia 25 de dezembro de 1615, partiu acompanhado de 200 homens bem armados e entrando pelo Rio Amazonas, fun-

dou um forte ao qual deu o nome de Presépio, memorando a data que saiu do Maranhão. Do dia de Natal a Presépio e de Presépio a Belém, resultou o nome da capital do Pará.

Desse forte partiram as expedições para conhecer terra e litoral e novas lutas surgiram com os índios, estabeleeendo-se uma desordem generalizada que envolveu a própria tropa.

Francisco Caldeira de Castelo Branco foi substituído pelo capitão Baltasar Rodrigues de Melo, mas o estado lastimável continuou, chegando mesmo a agravar-se.

"Afinal (abril de 1619) chega a Belém o capitão-mor Jerônimo Fragoso de Albuquerque, com severas instruções para pôr ordem na tropa e conter os selvagens.

Começou Fragoso prendendo e enviando para Lisboa todos os desordeiros, e reprimindo com rigor a audácia dos selvagens.

Sairam os desordeiros, mas a desordem ficou. Infelizmente faleceu Fragoso e o capitão que lhe sucedeu, em menos de um mês é destituído.

Dois homens destemperados, mas firmes vão revezar-se no domínio da terra, e com efeito prestam bons serviços: Pedro Teixeira e Bento Maciel Parente.

Graças a tais serviços, tomou a Corte a providência de criar, em 1621, o Estado do Maranhão."11

Pedro Teixeira foi quem penetrou a vasta Amazônia, indo até as cabeceiras do rio-mar e daí, a pé, até Quito. Por onde passava, chantava padrões portugueses e firmava a posse.

NOTAS

  • 1 Washington Luís, A Capitania de São Vicente.
  • "A pau-brasil, também denominado pau de Pernambuco, ibirapi-tanga, imirapitanga, imirapiranga é a Caesalpinia achinata Spreng. Ao que parece, desde a Idde Média e, portanto, antes da descoberta da América, se conhecia na Europa sob o nome de pau-brasil, uma madeira importada da índia e empregada em marcenaria e em tinturaria. Depois da descoberta do Brasil, esse pau-brasil de origem asiática foi cedo deslocado pelo proveniente da América, que chegava à Europa por um preço muito inferior. Assinala-se o ano de 1501 como aquele cm que teve início o comércio de pau-brasil do Novo Continente. Foi êle organizado pelo cristão novo Fernão de Noronha que, naquele ano ou pouco depois, arrendou a exploração desse negócio (…) pagando à coroa portuguesa a soma de 4.000 ducados por ano. De qualquer modo já em 1503 há referências aos embarques de pau-brasil feitos durante a expedição de Gonçalo Coelho e Américo Vespucci. Em 1511, a Bretôa, de propriedade de Fernão de Noronha, Bartolomeu Marchioni, Benedito Borelli e Francisco Martins carregou na zona de Cabo Frio 5.000 toros de pau-brasil. Em 1527 três embarcações bretãs eram destruídas pela esquadra de Cristóvão Jacques na Baía de Todos os Santos, quando embarcavam pau–brasil." Olímpio da Fonseca Filho, Comentários sobre o Livro Quarto da História Natural do Brasil Ilustrada, de Guilherme Piso.
  • 3 Pedro Calmon, .
  • 4 Capistrano de Abreu, Capítulos de História Colonial.
  • 5 Em São Vicente foi fundado o primeiro engenho de açúcar de todo o Brasil (Pedro Taques, História da Capitania de São Vicente). Foram seus fundadores os alemães Erasmo Esquert e Julião Visnat. Fundaram, nessa Capitania, engenhos, e foram também dos primeiros, os irmãos Adorno, genoveses, e os irmãos Góis, todos aqui chegados com Martim Afonso de Sousa.
  • 6 Piragibe também quer dizer espinha de peixe, segundo João Ribeiro.
  • 7 Filipéia em homenagem a Filipe, rei da Espanha, que reinava também em Portugal.
  • 8 Vicente Tapajós, História do Brasil.
  • Rocha Pombo, História do Brasil revista e atualizada por Hélio Vianna.
  • 10 Idem.
  • 11 Idem.

BIBLIOGRAFIA SUBSIDIÁRIA

  • Afrânio Peixoto, Martins Soares Moreno, Lisboa, 1940.
  • Artur Cesar Ferreira Reis, A Política de Portugal no Vale Amazônico, Belém, 1940.
  • Salm Miranda, Expansão para o Norte, Rio de Janeiro, 1946.

Fonte: História do Brasil Didática Irradiante, 1970.

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