REALIZAÇÕES DA ARQUITETURA

REALIZAÇÕES DA ARQUITETURA

Maravilhas do Conhecimento Humano – Henry Thomas

REALIZAÇÕES DA ARQUITETURA

As mais antigas construções do mundo

HÁ grande diferença entre escultura, de uma parte, e arquitetura, de outra. A escultura é primacialmente estética. A arquitetura é ao mesmo tempo estética e funcional. Por outras palavras, a escultura serve apenas a uma finalidade de beleza; a arquitetura serve ao objetivo da beleza e da utilidade.

A arquitetura é a bela arte de construir: construir templos para deuses, casas para morar e túmulos para os mortos.

O costume de construir túmulos começou no Egito há uns 5.000 anos. Esses túmulos eram grandes, espaçosos e confortáveis, porque os egípcios acreditavam que as almas dos mortos viviam e mantinham casas naqueles quartos subterrâneos. Os túmulos eram providos de todo o necessário e de todo o luxo das casas dos vivos. E eram construídos com imensas e pesadas pedras. Porque deveriam ser sólidas e permanentes essas casas dos mortos. Seus habitantes iriam "viver" nelas para sempre.

E foi assim que surgiu o costume de erguer pirâmides. Uma pirâmide é o palácio de um rei morto. A primeira foi construída há cerca de 5.000 anos. Permanece até hoje intacta, a cerca de dez milhas de Gizeh. E’ constituída por seis imensos andares. O Faraó que construiu essa pirâmide acreditava evidentemente que um rei devia

possuir um túmulo maior do que o de um nobre. Portanto pediu a seu sábio arquiteto, Imhotep, que construísse algo de muitíssimo mais alto, seis vezes mais alto do que um mastaba (o túmulo comum dos nobres).

Em Gizeh estão as famosas pirâmides de Cheops, Chefren e Mykerinos e as pequenas pirâmides circundantes destinadas a suas famílias. A pirâmide de Cheops, a maior das três, tem quase 152 metros de altura. Sua base cobre uma área de 5 Ha. que é quase três vezes o espaço de solo ocupado pela maior construção do mundo de hoje. Os Faraós do Egito pareciam desejar ter grande quantidade de espaço para as necessidades cotidianas e o conforto das almas de seus mortos.

O misterioso labirinto

FICAIS espantados quando passeais por um labirinto. Mas quão apavorante e terrível deve ter sido o labirinto, que o valente Teseu encontrou! Não houvesse Ariadna, no ano 1500, antes de Cristo, dado a Teseu o fio de um novelo, jamais teria êle conseguido achar o caminho para sair do labirinto.

Eis a história das aventuras de Teseu na labirinto:

O labirinto era um palácio misterioso, na bela ilha de Creta. Consistia em numerosos corredores e passagens, de tal modo arranjados que era impossível, a quem quer que fosse, dar com o caminho através deles. Esse labirinto, de propriedade do rei Minos, era guardado por um horrendo monstro, chamado Minotauro (o touro de Minos). Todos os anos o Rei Minos exigia de Atenas o tributo de sete rapazes e de sete moças. Quando aqueles infelizes rapazes e moças chegavam a Creta, êle os mandava meter no labirinto. Alí se perdiam nos meandros do labirinto e eram devorados pelo Minotauro.

Isso causava terrível aflição aos gregos, até que afinal o príncipe Teseu se ofereceu, como um dos sete rapazes. Ou daria fim ao Minotauro, ou morreria na sua tentativa.

Quando chegou a Cnossos, capital de Creta, encontrou a princesa Ariadna, filha do rei Minos. Apaixonaram-se mutuamente. Quando êle estava prestes a entrar no labirinto, secretamente, forneceu-lhe ‘ela um novelo de linha e uma espada. Êle desenrolou o novelo, à proporção que atravessava o labirinto e finalmente chegou aonde estava o Minotauro. Depois de encarniçada luta, conseguiu matar o monstro. Depois seguiu o fio até fora do labirinto e partiu para Atenas, levando, como noiva, a princesa Ariadna.

A continuação dessa história não é tão bonita. Teseu cansou-se de Ariadna, mesmo antes de chegar a Atenas e abandonou-a numa ilha do mar Egeu.

Será essa história pura ficção? Mui provavelmente não. Quando examinados, os mitos gregos na sua maioria, por mais imaginosos que pareçam, estão baseados em um fato histórico. Em 1900, foi feita uma escavação em Cnossos, sob a direção de Sir Evans. Entre outros objetos interessantes, os operários desenterraram um palácio de intrincados quartos e corredores. Era provavelmente o antigo labirinto. Mas o mais curioso é que os operários encontraram numerosas pinturas, cujas cores vivas estão conservadas até hoje. E qual o assunto dessas pinturas? Lutas com touros! E’ bem possível que uma dessas pinturas comemorasse o famoso combate, entre Teseu e o Minotauro.

O mais belo edifício do mundo

DURANTE toda vossa vida ouvistes falar dele. Lestes alguma coisa a respeito de suas dimensões perfeitas, da simetria e da imponência do mais famoso edi-fício do mundo. Mas devereis ir a Atenas para verificar a beleza da contextura e a côr do mármore do Pentélico, com o qual essa pérola dos edifício* foi construída.

A Acrópole, sobre a qual está situado o Partenão, é cercada de baixas colinas que vão do mármore côr de rosa ao violeta. O principal deles é o mármore do Monte Pentélico, com suas veias de prata. Sôbne a Acrópole planejaram os atenienses erguer um templo à deusa, deusa da paz e da guerra, da proteção e da sabedoria, Atenas, filha de Zeus. As guerras persas haviam interrompido as primeiras tentativas de construção. Mas Atenas saiu vitoriosa das guerras persas. Tornou-se senhora dum rico império. Dinheiro, ambição e poder eram coisas suas. Péricles governava e fez de sua cidade um sonho de mármore.

O superintendente geral desse soberbo sonho foi o escultor Fídias. Seu principal arquiteto, Calícrates. Gastaram quinze anos para construir c decorar o Partenão. Que satisfação devem ter tido os artistas quando sua realização foi dedicada à deusa Atenas!

Todos os anos, no Partenão, havia uma celebração do nascimento mítico de Atenas. Mas, de quatro em quatro anos, a celebração assumia proporções tremendas. Os magistrados conáuziam a procissão, subindo até a colina de cujo alto podiam contemplar, para além da baía, a ilha de Egina. Caminhavam com solene alegria para a en trada leste do templo. Os magistrados eram seguidos pelas mais formosas moças de Atenas, que haviam gasto meses costurando o manto sagrado da deusa e bordando-o em púrpura e ouro. Depois vinham os rapazes, que deveriam mostrar feliz rivalidade na competição atlética. Ativamente, marchavam até as colunas do Partenão, ou mantinham-se eretos sobre seus cavalos curveteantes. Vemos tudo isso pintado na frisa do templo. Ali homens e deuses estão misturados, numa comunidade familiar de jubilosa camaradagem.

Essa frisa, justamente famosa pela sua disciplinada movimentação, outrora, encimava a parede do templo. Agora se encontra no Museu Britânico.

O próprio templo era inteiramente cercado e suportado por colunas dóricas, oito em cada extremidade, e dezessete dos lados. O dórico era o mais simples, o mais severo e o mais estimado dos três estilos arquitetônicos da antiga Grécia. Não somente possuía êle um leve estreitamento da base ao capitel, com seu vibrante efeito, graças às estrias, mas a meio do alto de cada coluna havia uma ligeira entumescência, para tornar as curvas das linhas mais agradáveis ao olhar, quando este subia do soalho ao tecto do Partenão.

Como fosse efetivamente o tecto, é assunto ainda d« conjeturas. Na guerra turco-veneziana do século XV, grande parte do templo foi destruída. Desde então, o brilhante céu azul da Grécia tem sido seu único tecto.

Sobre as duas entradas, de leste e de oeste, havia empenas chamadas frontões. Esses frontões continham figuras referentes à história de Atenas. No lado ocidental, aparece Cécrops, o primeiro rei semilendário de Atenas. Mas o lado leste era e ainda é, o mais famoso e o mais belo. A ação se realiza nos céus; o deus-sol acaba justamente de chegar com o cavalo e o carro; junto dele está sentado o antigo libertador de Atenas, o rei Teseu. Atrás vem Íris, a mensageira dos deuses e à sua direita, Hefaís-tos, o deus coxo, com um machado na mão, pronto a abrir a cabeça de Zeus para que nasça Atenas. Porque, Atenas, como deveis estar lembrados, pulou completamente armada da cabeça de seu pai. Em seguida, vem o belo grupo das três parcas, seguido pela deusa lunar, Selene.

Mas o maior esplendor do Partenão está dentro déle. O templo foi dividido em duas partes: a longa ante-cámara de trinta metros de comprido e o pequeno salão do tesouro, chamado Partenão propriamente dito. Esse salão do tesouro, conta-nos a tradição, continha a obra-prima de Fídias, a estátua de ouro e marfim de Atenas, com mais de doze metros de altura, estímulo de prece e de adoração para os gregos amantes da beleza.

Hoje o Partenão está em ruínas. Mas mesmo as ruínas falam-nos da glória inimitável da antiga Grécia.

A magnificência de Roma Eterna

SE fôsseis perguntar qual a arquitetura de Roma, se ria impossível responder devidamente. E no entanto, quando Roma esplende ao nosso olhar interior, a possa-ça das estruturas torna-se aparente e alguns pontos de referência podem ser apontados. Que de histórias de poderio, de justiça e de injustiça o Pai Tibre poderia contar-nos, desde que flue incessantemente! No Forum, as ruínas da Roma imperial e republicana são eloquentes. Mas as clássicas bases da moderna arquitetura começam com o Panteão, o templo de todos os deuses.

Agripa construiu o Panteão no reino do primeiro imperador, Augusto (31 A. C. — 14 D. C). Esse período, começando justamente antes do nascimento de Cristo, marcou o crepúsculo dos deuses pagãos. O Panteão, portanto, era francamente pagão. Hoje é uma igreja cristã, mas nos dias de Augusto, arvorava as estátuas dos deuses romanos.

E’ um edifício cilíndrico, com imenso zimbório de bronze, com mais de 43 metros de diâmetro. Acima do

solo, no topo do zimbório, está o "grande olho" jamais fechado. Esse olho é uma abertura circular de mais de oito metros. Através do olho, os raios do sol entram e levam luz ao vasto recesso do templo. Chove pouco em Roma, mas quando isso acontece, o belo pavimento de mosaico não fica inundado, porque há canos subterrâneos que drenam para fora o excesso de águas. Do lado exterior, tem o Panteão majestoso pórtico, com um salão na cabeceira, suportado por três fileiras de colunas maciças. Tão esplêndido e imutável é o Panteão que até hoje os romanos o guardam, como uma de suas mais preciosas riquezas.

Mas o Panteão representa a glória de uma era passada. O paganismo morreu e a cristandade tomou-lhe o lugar. Há apenas um Panteão em Roma, mas há uma igreja para cada dia do ano. Muitas dessas igrejas são admiráveis, porém nenhuma como a de S. Clemente. Dentro de seu âmbito, jaz toda a história de Roma. Entrai nessa igreja, erguida no século XI. Descei alguns degraus e alcançai a basílica mais baixa, que foi construída no quarto século. A patina da antiguidade é aparente. A-fres-cos meio apagados, descascam-se das paredes antigas de tijolo estreito. Várias histórias estão pintadas nestes a-frescos. A mais emocionante é a do próprio S. Clemente. Foi o terceiro sucessor de Pedro, pregando no tempo de Trajano. Trajano baniu-o para o Mar Negro, onde foi mergulhado, com uma âncora amarrada no pescoço. Mas oh! os anjos do Senhor ergueram um castelo mágico no centro do Mar Negro. Ali, de acordo com a lenda, S. Clemente aparece anualmente.

Se descerdes agora mais algumas escadas, encontrareis a casa de S. Clemente. E, coisa quase inacreditável, há um altar persa em um destes quartos. Esse altar de mármore, dedicado a Mitra, o deus-mensageiro dos persas, foi erguido no 2.° século, no crepúsculo dos deuses romanos, antes que o cristianismo tivesse sido aceito.

Finalmente, se descerdes mais alguns degraus, atingireis uma obstrução, que se supõe seja parte da antiga muralha de Roma! Por baixo, ouvireis o gorgolejar das ocultas águas do Tibre. Gerações, séculos espelham-se nessa deliciosa igreja de S. Clemente.

A igreja de S. Clemente é uma das menores igrejas de Roma. A catedral de S. Pedro, porém, é a maior, não somente de Roma, mas de todo o mundo. Ao vos aproximardes da grande igreja, vindo da praça, onde fontes refrescam os raios do ardente sol romano, vereis uma poderosa cabeça e dois largos e protetores braços, abraçando a meio a praça. Os braços são as colunatas eretas depois da própria igreja, a cabeça é, sem dúvida, a grande cúpula, essa obra-prima arquitetônica, que Miguel Ângelo criou aos setenta e dois anos e pela qual não quis receber pagamento.

A grande catedral tem 183 metros de comprido. O transepto tem 137 metros de largura. Quatro pequenas cúpulas marcam as extremidades da área quadrada que sustenta a grande cúpula. E’ emocionante subir ao zimbório. Só então podereis verificar suas tremendas proporções. Debaixo daquela taça invertida tendes a impressão de estar contemplando um segmento do próprio céu, tão vasta é a cúpula e tão deslumbrante o seu esplendor.

A catedral inteira é um milagre de pedra, marfim e. ouro, uma das sete maravilhas do mundo moderno.

Maravilhas dos Muçulmanos

UMA jóia de traçado e execução se ergue entre os negros ciprestes de Agra, na Índia. Essa jóia de mármore, o Taj Mahal, está enriquecida de pedras preciosas. Delicadas perfurações do mármore produzem o efeito de trabalho de agulha. O edifício quadrado tem uma cúpula central de mais de 24 metros, por dentro, encimada por uma cúpula externa que se levanta a 61 metros da plataforma. A cúpula tem aquele gracioso encurtamento em ponta, no topo, característico da arquitetura maometana. Chamamos a esse tipo de arquitetura bulboso. Quatro esguios minaretes erguem-se, como sentinelas, nas extremidades da plataforma, como se protegessem o templo.

Bem interessantes são as circunstâncias da construção do Taj Mahal. Shah Jehan, o grande imperador mongol do século XVII, havia erguido esse relicário, como túmulo para sua amada esposa. Supõe-se que seus arquitetos hajam sido chamados de todas as partes do mundo. Consultou a todos e depois decidiu traçar a planta do templo no estilo maometano.

O Taj Mahal foi construído em 1630. Trezentos anos antes dessa data, os conquistadores muçulmanos da Espanha levantaram, em Granada, o palácio de recreio do sultão espanhol, Alhambra, que significa A Côr das Rosas. A esse palácio queriam os muçulmanos da Espanha devotadamente. Foi a última coisa que possuíam e que tiveram de entregar a Isabel e Fernando, em 1492.

Se nunca vistes a Alhambra, podeis estar certos de que a sua vista ultrapassará todos os vossos sonhos. Porque o espetáculo é arrebatador. O estuque em relevo, as telhas brancas e azues sobre as paredes, e as estalactites que pendem como ligeiras jóias do tecto, tudo isso dá a Alhambra a aparência de uma colmeia fantástica. As arqueadas janelas mouriscas olham de um lado para as altas e peladas colinas com suas cavernas habitadas de ciganos, e de outro lado, para a prateada cidade de Granada. Havia um dito entre os muçulmanos da Idade-Média: "Já vistes a Alhambra? Então podeis morrer contentes, porque não há mais nada para ver".

A qualidade fantástica da Alhambra é evidente em toda a arquitetura muçulmana. As mesquitas árabes por toda a parte têm a aparência de roupagens, delicadamente ondulantes, de mármore. Essas mesquitas podem ser encontradas não somente na Ásia e na África, mas em

muitas partes da Europa. Mesmo em Paris foi construída uma mesquita nestes últimos anos.

Lancemos por instantes uma vista à famosa "Cidade das Mesquitas", Estambul. A vista panorâmica dessa cidade é tão fascinante como a de Nova York. Os minaretes parecem braços erguidos em súplica para o firmamento. No centro, qual Profeta de Alá vestido de azul, ergue-se o mais belo dos templos de Estambul, a famosa Mesquita Azul, construída no século XVI. Quando o arquiteto acabou essa mesquita, contam que exclamou: "Ultrapassei a tudo, ó Salomão!"

As três mais belas catedrais góticas

A RELIGIÃO tem inspirado ao homem muitas de suas maiores realizações, no campo da arquitetura. Entre as mais inspiradas de todas essas realizações estão os famosos hinos de pedra, as catedrais góticas.

Na arquitetura gótica, a pesada cúpula redonda se vdelgaça num grupo de agulhas ponteagudas. O corpo da construção, como uma montanha que termina numa coroa de pináculos, é guarnecida de janelas compridas e semelhantes a jóias de vidro colorido. O vidro azul é o símbolo da Madona. O vermelho escuro é o símbolo da paixão e do amor de Cristo. O verde significa a esperança.

A arquitetura das catedrais góticas é a mais complicada do mundo. Uma igreja gótica tem sido comparada a uma floresta de torres. Mas as complicações técnicas externas constituem simplesmente o corpo da arquitetura gótica. A alma interna é o espírito de aspiração e de inspiração, a fé mística do povo medieval, a era da crença no Inferno e no Céu, a idade artística da Mariologia. Foi a época em que todos os artífices e todos os bons cidadãos faziam questão de auxiliar a construção de uma catedral em louvor da Mãe de Deus.

Na constelação das igrejas góticas famosas três catedrais se destacam pela sua inspirada beleza: a catedral da cidade do México, a catedral de York e a catedral de Chartres.

A catedral da cidade do México levou 100 anos a ser construída. E’ uma combinação de minaretes e agulhas, fantástico casamento de arte muçulmana e de arte cristã.

A catedral de York, na Inglaterra, levou ainda mais tempo a ser construída que a catedral mexicana. Começou em 1154 e só foi terminada 318 anos mais tarde, em 1472. Tem a forma duma imensa cruz latina, maciço poema de pedra descrevendo a crucificação.

A catedral de Chartres, na França, é famosa pelas suas 130 janelas adornadas de vitrais e pelas suas portadas ocidentais, em que se vêem as longas e misteriosas figuras dos reis e das rainhas de Israel. A catedral de Chartres, construída no século XI, é tida como o mais belo exemplo de arquitetura gótica.

Realizações do século XIX

HÁ moda em tudo. Quando Lord Elgin embarcou os mármores do Partenão, de Atenas para Londres, cresceu o entusiasmo pelo classicismo. Foi isso em 1801. Surgiu naturalmente a idéia de que aquele mármore antigo deveria ser adequadamente alojado numa construção clássica. Disso resultou o belo museu de granito, desenhado pelo artista Roberto Smirke. Um pórtico de grandes colunas jónicas o flanqueia. O museu abriga tesouros

da Grécia, da Mesopotâmia, do Egito e de muitas outras terras, uma casa de maravilhas de beleza clássica.

Em Boston, o "eixo" (*), há um "eixo" quadrado: a praça Copley. De um lado, ergue-se a Igreja da Trindade; do outro, a Biblioteca Pública. Na Igreja da Trindade, Filipe Brooks sentiu-se inspirado ao contemplar a entrada ocidental, onde as janelas, de La Farge, como gemas azues, cintilavam ao sol. Henrique Hobson Richardson ergueu essa igreja em 1873. Foi a época do abuso da arquitetura, de embelezamentos góticos sobre estruturas não góticas, de supenextravagância com materiais pouco sólidos. Mas o gênio de Richardson dominou esse estilo sem sistema. Tomou a arquitetura, românica, pesadamente arredondada, como modelo para sua igreja. A viveza dos riscos grés vermelhos foi utilizada pttra embelezamento. Uma maciça torre quadrada, com um telhado, em ponta, encima a cúpula. O pórtico da frente ocidental é encantador com suas complicadas esculturas de figuras e desenhos florais. Uma atmosfera cheia de repouso invade o interior da Igreja da Trindade.

Saindo da igreja e atravessando a praça, o viajante acha tranquila dignidade na Biblioteca Pública de Bos-iton. Quando McKim, Mead e White a completaram, em 1895, tinham razão de orgulhar-se de sua obra. O aspecto exterior é sóbrio, de granito cinzento, com uma fileira de longas janelas sobre os três portais. Delicado portão de bronze leva o estudioso para o vasto vestíbulo de mármore. Se visitardes a biblioteca no verão, ouvireis o gorgolejar argentino de uma fonte, no meio do pátio. Essa fonte é cercada por um passeio, onde se encontram bancos de mármore, geralmente ocupados por leitores ociosos. Embora haja um elevador no edifício, é mais agradável subir a suave, delicadamente veiada e bem polida, larga escada de mármore. Grandes leões, de Homero St. Gaudens, enobrecem os lados e as paredes da escada ostentam pinturas simbólicas de Puvis de Chavannes,

(*) Nome familiar dado à cidade de Boston. (N. do T.).

Desejais demorar-vos no salão das coloridas pinturas do Graal, por Abbey, ou entrareis no vasto Bates Hall, que é saturado duma pacífica e serena atmosfera? Do segundo andar outra escada de pedra conduz o leitor a salões especiais, ao salão do Tesouro, que é um abrigo das mais valiosas primeiras edições e de encantadores manuscritos; o salão de música e o salão Barton, à direita; e o salão das Belas Artes e de Tecnologia, à esquerda. O estreito vestíbulo situado entre esses salões já foi chamado às ve-zes de Capela Sixtina da América. Ali estão as vigorosas decorações de Sargent, dos Profetas e de Cristo na cruz. De um dos salões de cima do primeiro andar, podeis contemplar todo o pátio sossegado e monástico, onde a fonte fala baixinho do refrescamento da alma.

Em 1923, a Biblioteca Pública de Boston foi escolhida, por voto popular, como o mais belo edifício dos Es« tados Unidos.

Maravilhas da arquitetura moderna

ISSO imediatamente evoca o Empine State Building, o Chrysler e outros arranha-céus. Arranha-céus, que nome pitoresco! Olhai o panorama de Nova York. Penetrai-vos de sua beleza e seu simbolismo, dia e noite. Debaixo do sol quase italiano de Nova York, cada torre apresenta nova gradação à vista. E nas precoces noites de inverno, quando os milhões de janelas de escritórios se iluminam, a cidade assemelha uma imensa montanha mágica de jóias ocultas, ou a uma fieira de gigantescas árvores de Natal, iluminadas por infinito número de velas.

Erguendo-se em sua majestade, quase em pleno centro da ilha dc Manhattan, avulta o Empire State Building.

Que maravilha de aço crómio e pedra é essa construção! Construída com uma rapidez aladiniana, no ano de 1930, esse sonho de engenharia moderna sobrepuja tudo. Tem 120 andares. Como um sonho do futuro, eleva-se bem acima de seus majestosos vizinhos da Quinta Avenida. Dez milhões de tijolos foram empregados na construção do Empire State e 200.000 pés cúbicos de pedra foram utilizados somente para a fachada. As estatísticas podem às vezes parecer secas; mas tais como essas mostram-nos que o inacreditável se tornou manifesto na nossa época de ilimitadas possibilidades.

A Casa Bonita

CASA BONITA de hoje espelha simplicidade e indispensabilidade. Aproxima-se do ideal da arte moderna : a Unidade. O modernismo na construção de casas é uma tentativa de adaptar a casa à paisagem circunstante. As linhas horizontais são acentuadas nas casas particulares, tanto quanto as verticais são salientadas nas construções de comércio. Usam-se ‘aço, crómio e metais de toda a espécie. Mas o vidro, em pesados tijolos, é às vezes empregado em lugar de concreto.

A casa moderna é mais frequente no Oeste que na conservadora Nova Inglaterra. Há certo encanto severo na bem definida e alva simplicidade, nada de cornijas, de embelezamentos que dizem, como faziam na geração de nossos avós: "Eu estou aqui só para enfeitar". Todas as decorações servem de tranquilo auxílio à vida. Nota-se especialmente no mobiliário da casa. As camas são baixas e simples, as cadeiras de metal de linhas sóbrias, as paredes nuas. Há o sossegado tom do horizontal e do vertical. Há um repousante encanto nessa casa moderna. Pensai na agitação e no congestionamento do quarto de dormir dos dias de vossos avós. Bastaria e pregadeira de alfinetes, tão requintada, tão inteiramente eriçada de atividade, para ter muita história interessante a contar. Mas agora, quando a vida é às vezes discordante e a toda a hora estimulante, é bem necessário para o homem moderno (que não precisa de excitante pregadeira de alfinetes para exaltar-se) entrar numa casa de ordenada simplicidade.

A Casa Bonita de hoje é um convite ao inquieto espírito da época, um convite à paz sossegada e imperturbável.


Fonte: Globo 1949. Tradução e Adaptação de Oscar Mendes.

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