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Escolástica e Grandes Filósofos Medievais



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70. FILOSOFIA JUDAICA

— Paralelamente à filosofia árabe e dela dependente em várias doutrinas desenvolve-se a filosofia judaica.

No Oriente, Isaac Israeli (c. 855-955) é o primeiro nome que encontramos entre os judeus. Foi médico na corte dos califas. Em filosofia não passa de um compilador. Atribui-se-lhe a célebre definição da verdade: adaequatio intellectus et rei. Seu principal merecimento foi haver dado o impulso aos estudos filosóficos entre os seus correligionários.

Saadia ben Joseph de Fayoum (892-942) é mais interessante como pensador original. Rejeitando as emanações panteistas dos neoplatônicos, provando a criação ex-nihil do mundo e das almas e tentando harmonizar a Bíblia com a filosofia, aproxima-se muito mais do que os outros da escolástica cristã do século XIII.

No Ocidente, a filosofia judaica teve representantes mais robustos. O primeiro, cronologicamente, é Salomão Ibn Gabirol (1020–1070) conhecido entre os latinos com o nome de Avicebron. A sua obra Fons vitae exerceu grande influência na escolástica. Nela expôs o autor um neoplatonismo acentuado do qual tenta desvincular as teses panteistas. Por primeiro ensinou a teoria da composição de matéria e de forma, em todos os entes criados. Com exceção de Deus, todos os seres inferiores são constituídos essencialmente por um princípio passivo (matéria aqui não significa sempre corpo) unido a uma forma que o atualiza. Esta tese, abraçada pela escola fran-ciscana, será mais tarde combatida por S. Tomás.

Com Moisés ben Maimonides (1135-1204), natural de Córdova, a filosofia judaica atingiu o apogeu de seu desenvolvimento. Sua obra principal é o Guia dos perplexos. Exerceu largo influxo na Idade Média cristã e judaica e até nos tempos modernos (Spinoza). Entre a inspiração neoplatônica e a peripatética, ambas visíveis na filosofia árabo-judáica, Moisés dá a preferência a Aristóteles. Com exceção da doutrina averroista de uma única inteligência ativa e de certo agnosticismo relativo à essência de Deus, só cognoscível pelos atributos negativos, o filósofo judeu concorda com S. Tomás em várias teses importantes: harmonia entre razão e fé, , impossibilidade de demonstrar a repugnância de uma criação eterna, existência de formas puras etc.

Depois de ben Maimon a filosofia entrou a declinar entre os filhos de Israel.

BIBLIOGRAFIA

S. Münk, Mélanges de philosophie juive et arabe, Paris, 1859; — D. Neumark, Geschichte der jüdischen Philosophie des Mittelalters, Berlin, 1907-1913; — M. Horten, Die philosophischen Systeme der spekulativen Theologen im Islam, Bonn, 1912; — T. j. de Boer, Geschichte der Philosophie im Islam, Stuttgart,. 1901; — j. Husik, A history of medieval Jewish philosophy, New-York, 1916; — Carra de Vaux, La doctrine de l’Islam.

Carra de Vaux, Avicenne, Paris, 1900; — Id. Gazait, Paris, 1902; — M. Horten, Die Metaphysik des Averroes, Halle, 1912; — Id., Die Hauptprobleme des Averroes nach seiner Schrift: — Die Widerlegung des Gazali, Bonn, 1913; — J. Münz, Moses ben Maimon, sein Leben und seine Werke, Frankfurt a. M. 1912; G. Levy, Maimonide, Paris, 1911; — A. Rohner, Das Schöpfungsproblem bei Moses Maimonides, Albertus Magnus und Thomas von Aquin, B G Ρ M. XI. 5.

Cappuyns, Jean Scot Erigène, sa vie, son oeuvre, ses écrits, Paris-Louvain, 1933.


Fonte: Livraria Agir Editora, 20ª edição

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