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O elemento operário e as perturbações da ordem pública. O protecionismo e a riqueza

A burguesia julgara chegada a sua vez de predominar. Indústria e comércio eram as colunas que deviam sustentar seu edifício político, ao mesmo tempo que permitiam fartos lucros com sua expansão à sombra do protecionismo que fora a conseqüência em França do bloqueio continental. A carestia das mercadorias que costumavam vir de Inglaterra estimulou seu fabrico nacional, sobretudo das manufaturas de lã, algodão, ferro e aço. De resto foi assim que entrou a levantar-se de novo a indústria francesa, arruinada durante as guerras da Revolução e necessitando para prosperar de não ter concorrência. Foi durante o bloqueio continental que, para substituir o açúcar de cana, importado do ultramar por via da Inglaterra, se inventou o açúcar de beterraba.

O problema do trabalho

Explorou-se muito contra Guizot um seu discurso, em que êle dizia aos ouvintes: Enrichissez-vous, suprimindo-se maldosamente a continuação da frase que era par ie travail et l’économie. A difamação era um sinal mais da agitação mental dos tempos. Guizot foi até o autor da lei de 1833, obrigando todas as comunas a terem uma escola, o que era de natureza a contribuir para alargar as idéias e fomentar o espírito público. Os operários da época porém já se sentiam empurrados para a república como sendo a única forma de governo capaz de interessar-se por eles. Assim lho diziam os propagandistas nas sociedades secretas e nas folhas violentas, que umas e outras o governo não lograva coibir apesar dos seus assomos disciplinares. Acresce que por motivo da introdução das máquinas e apesar do conseqüente desenvolvimento fabril, baixaram os salários e avultou o número dos desocupados. Antes mesmo de as vias férreas irem abrindo novas saídas às manufaturas, conheceu-se o chômage ou paralisação do fabrico. Em 1843 houve acordo entre republicanos e socialistas para marcharem juntos. Foi o partido da Reforma, tanto eleitoral como social.

O socialismo e sua marcha

Os românticos da democracia, como Lamartine e Ledru-Rollin, uniram-se a espíritos práticos como Louis Blanc, iniciador do socialismo de Estado, que Lassalle e Karl Marx organizariam depois na Alemanha, teórica e efetivamente. A Revolução Francesa defendera a inviolabilidade da propriedade de forma tão pronunciada que foram guilhotinados em 1797 Babeuf e seus companheiros comunistas, que pregavam a abolição da propriedade e se chamavam então igualitários. T– no século XVI os anabatistas alemães, que reclamavam um segundo batismo na idade de razão, tinham-se manifestado coletivis-tas em nome do princípio da igualdade evangélica, rebelando-se mesmo contra todo princípio de autoridade religiosa e civil. O socialismo do século XIX, de acordo quanto à distribuição iníqua da riqueza e pedindo a intervenção do Estado para pôr termo ao regime do capitalismo individualista, foi originariamente sentimental, quase místico com S+. Simon (1760-1825), até monástico nos falanstérios devaneados por Fourier (1772-1837). Proudhon (1809-1865) deu-lhe porém uma feição a um tempo negativa e demolidora, proclamando seu famoso postulado de que "a propriedade é o roubo", em vista do qual se impunha a redistribuição da riqueza com a exclusão da autoridade.

 

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