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A reação sob Carlos X

O sucessor de Luís XVIII, de índole mais cavalheirosa mas também de mente muito mais obcecada pelos preconceitos, menosprezou a constituição; deu todo o prestígio ao elemento religioso; licenciou a guarda nacional; reformou os oficiais dos exércitos de Napoleão que ficaram sendo outros tantos conspiradores — os famosos demi-solde; fêz votar um milhar de milhões de francos para indenização dos emigrados; amordaçou a imprensa, que era pouca e cara, e legislou por ordenanças. Uma nova lei eleitoral concedeu duplo voto aos maiores contribuintes, em grande número proprietários rurais da classe da nobreza que devaneavam uma falada restauração dos vínculos para conservarem indivisos seus bens, ao passo que os liberais ficariam reduzidos à impotência parlamentar.

Polignae e as ordenanças de 1830

O despertar concomitante do espírito clerical como espírito de governo foi ativado pela ambição de dominar o ensino, motivando em reação os ataques vibrados contra a Congregação por publicistas como Thiers (1797-1877) e Mignet (1796-1884), historiadores apaixonados dos princípios da Revolução. O ministro Polignac, chamado em 1829 sem possuir a confiança das Câmaras — cujos conselhos o rei solicita, para proceder porém como entende, porque êle é quem governa, tal era a concepção de Carlos X — contara demasiado com o sucesso militar da expedição do general Bourmont à África Setentrional, que pôs termo à secular pirataria dos argelinos. Uma grande maioria parlamentar pronunciou-se contra aquela anormalidade constitucional e cresceu ainda depois da dissolução da Câmara e das novas eleições, que trouxeram 270 deputados da oposição. O rei não vacilou: por três ordenanças dissolveu a Câmara eleita, restabeleceu a censura sobre a imprensa e atentou contra o alistamento eleitoral.

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