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O militarismo

Tantos adeptos tinha feito a nova doutrina que a 24 de fevereiro, quando venceu a revolução de 1848 3 se organizou na Câmara o governo provisorio composto de republicanos moderados como De pont, Arago, Lamartine, Crémieux, Ledru-Rollin e Garnier-Fagès, no Hotel de Ville outro governo se organizou de socialistas, cujos membros o primeiro teve de aceitar a título de secretários. Dois dias depois a população de Paris exigia que a bandeira vermelha fosse adotada como o símbolo da nação francesa, arrancando a Lamartine o seu célebre discurso em favor da bandeira tricolor que na sua frase, fizera "le íour du monde". Este tour du monde revolucionário pusera em delírio a imaginação francesa e a falta porventura maior do reinado de Luís Filipe foi ser, por assim dizer, paci:is:u. Quando Lamartine dizia da tribuna da Câmara que a França se enfastiava — la France s’ennuie — queria sobretudo dizer que sentia a ausência das glórias militares. A guerra está no temperamento gaulês e estava-se então ainda muito perto da epopéia imperial, Napoleón le grand enchia as imaginações de um fulgor de que se ia aproveitar aquele que Vítor Hugo alcunhou de Napoleón le petit.

A questão do Egito. Mehemet Ali e as potencias

Um incidente de política externa pôs durante esse reinado em oposição as duas inimigas seculares, França e Inglaterra: resolveu-se diplomaticamente, mas já prenunciava Fachoda. Mehemet Ali era um albanês valente e ambicioso que em 1806 conseguira ser nomeado paxá do Egito, tendo granjeado a estima dos turcos pela sua atitude para com os mamelucos, cujos excessos logrou reprimir e que mais tarde, em 1811, fêz massacrar sem piedade, acabando com a praga dessa soldadesca insolente. O delírio napoleónico, que então contagiou muitos espíritos, apoderou-se do dele no sentido de reconstruir em seu proveito o califado dos Fatimitas, e para isto não só intentou dar ao Egito os benefícios de uma civilização à ocidental, reformando sua economia, seu ensino e suas instituições militares, como estendeu pela conquista os domínios de sua administração, incorporando já o Alto Nilo, já a Síria, que seu filho Ibrahim invadiu em 1831, apoderando-se das principais praças, batendo as tropas do sultão e marchando sobre Constantinopla.

A revolução de fevereiro

A Rússia, acedendo aos rogos do sultão, deu mostras de querer defendê-lo efetivamente, mas as outras grandes potências, receosas da interferência do czar no quanto dizia respeito a Bizâncio — de fato tão interesseira, que, em troca dessa proteção, a Turquia fazia à Rússia a concessão de fechar os Dardanelos, em caso de guerra, aos navios beligerantes das outras nacionalidades — levaram o sultão em 1838 a ceder ao quediva (título do vice-rei do Egito) parte da Síria que a Turquia logo depois tratou de recuperar pelas armas. A fortuna continuou a sorrir aos egípcios, que a França favorecia porque Mehemet Ali era um admirador da sua civilização, os interesses franceses eram os mais poderosos de fora nessa província otomana, que êle já tornara autônoma, e a influência francesa provinha no Egito da expedição de Bonaparte. O governo britânico promoveu então, em 1840, uma coligação que quase trouxe a guerra porque em França, Thiers, encarnando o chauvinismo, ameaçava romper com a Europa, fazendo reviver os tempos da Revolução que sua pena enaltecera.

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