O PROTO-ROMANTISMO BRASILEIRO e a ARCÁDIA LUSITANA

Biblioteca Academia Paulista de Letras – volume 7. História da Literatura Brasileira TOMO I. vol 3.  LIVRO PRIMEIRO Época de Transformação (século XIX) 2º período (Fase Patriótica) Artur Mota (Arthur Motta) (1879 – 1936) LIVRO SEGUNDO ÉPOCA DE TRANSFORMAÇÃO (1800-1835) PERÍODO DE TRANSIÇÃO DOS CLÁSSICOS PARA OS ROMÂNTICOS Manifestação literária, artística, científica e filosófica CAPÍTULO … Ler maisO PROTO-ROMANTISMO BRASILEIRO e a ARCÁDIA LUSITANA

DOMINGOS CALDAS BARBOSA

DOMINGOS CALDAS BARBOSA — nascido no Rio de Janeiro em
1740 e falecido a 9 de novembro de 1800, em Lisboa, onde viveu, am-
parado pelo Marquês de Castelo Melhor e pelo Conde de Pombeiro.

Pertenceu à nova Arcádia, na qual tinha o apelido de Lereno. É
poeta simples, fácil e espontâneo, improvisador de modinhas e lundus,
que muito se apreciavam nos saraus de Lisboa e ficaram na memória po-
pular. Seus versos, suas cantigas amorosas, acham-se na Coleção de poe-
sias
(1775) e em A Viola de Lereno (1798). Sílvio Romero faz notar
"a simplicidade de seus versos, mui longe da retórica inchada de Bocage e
Agostinho de Macedo"; e assinala ainda a ausência de imoralidade e
a falta de mordacidade, o que o torna bem diferente dos seus contem-
porâneos. Escreveu também para o teatro: A Saloia Namorada, A Vin-
gança da Cigana
e A Escola dos Ciosos.

Mestiço, são seus os seguintes versos, com que se dirige o Padre
Sousa Caldas:

"Tu és Caldas, eu’ sou Caldas;
Tu és rico e eu sou pobre;
Tu és o Caldas de prata;
Eu sou o Caldas de cobre."

Na biblioteca do Gabinete Português de Leitura encontra-se, sob o
n.° 13.009, um manuscrito, de letra da época, com o título Cantigas de
Lereno, selinuntino, da Arcádia de Roma,
de onde se transcrevem aqui
as poesias abaixo.

O que é Amor

Levantou-se na cidade
um novo e geral clamor:
todos contra amor se queixam,
ninguém sabe o que é amor.

FRANCISCO ADOLFO DE VARNHAGEM

FRANCISCO ADOLFO DE WARNHAGEM, Barão e Visconde de Porto Seguro (S. João de Ipanema, Sorocaba, 1816-1878) era filho de um oficial alemão, que viera para o Brasil dirigir a fábrica de ferro de Ipanema e voltou a Portugal em 1823, levando consigo a família. Francisco de Warnhagen serviu em Portugal como militar, tomando parte na guerra de 1834 e recebendo de D. Pedro IV o posto, de 2.° tenente de artilharia. Depois concluiu o curso na Real Academia de Fortificação; e, tomando gosto pelos estudos históricos, logrou ser recebido na Academia das Ciências de Lisboa.