cap. 14 – O Empirismo Inglês – Fundamentos de Filosofia de Manuel Morente
- 99. Locke.
- 100. As idéias inatas.
- 101. A origem das idéias
- 104. Qualidades primárias e secundárias.
- 105. Berkeley.
- 106. Imaterialismo.
- 107. A realidade como vivência.
- 108. Hume.
- 109. Impressões e idéias.
- 110. Substância.
- 111. O eu.
- 112. Causalidade.
- 113. A "crença" no mundo.
- 114. Positivismo metafísico.
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103. Sensação e reflexão.
Todo o esforço de sutileza e de análise de Locke vai encaminhado a mostrar que as idéias, ou são simples e têm sua origem num sentido ou em dois sentidos, ou na combinação de um sentido com a reflexão ou de dois sentidos com a reflexão; ou são compostas, quer dizer, estão formadas de amassilhos de idéias simples. Assim, por exemplo, a idéia de extensão é simples, porém está formada de impressões que procedem do sentido da vista, do sentido do tato e do sentido muscular. Mas a idéia de substância é composta; está formada por outras idéias que se agrupam, que se unem. Essa união de outras idéias, essa síntese de outras idéias, é o que constitui para Locke a idéia de substância, que ele define com uma palavra muito típica: como o "não-sei-quê" que está debaixo das diversas qualidades, das diversas sensações, das diversas impressões que uma coisa nos produz. Esse “não-sei-quê" era já, desde logo, suscitar por outros que vieram depois, o problema da substância. Porque Locke não duvida um momento, não põe em questão a metafísica de Descartes. Por conseguinte, para Locke as idéias simples, que nos vêm da sensação e da reflexão ou de uma combinação entre sensação e reflexão, são idéias às quais corresponde uma realidade, uma realidade que existe em si mesma e por si mesma, como a substância extensa de Descartes.
Do mesmo modo nossa intuição de nós mesmos é para Locke o caminho que nos conduz à presença de uma substância real, que existe em si mesma e por si mesma, que somos nós mesmos. Por conseguinte, é a metafísica cartesiana que está por debaixo de toda a teoria do conhecimento de Locke. A única coisa que fez Locke foi analisar o conhecimento, esmiuçá-lo, chegar a seus últimos elementos, que são as idéias, e mostrar como as idéias complexas se formam por composição, por generalização e abstração das simples, e como as idéias simples são os elementos últimos que reproduzem a mesma realidade.
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