jul 052010
 
from Arabian Nights Collected and edited by Andrew Lang Illustrated by Vera Bock Copyright 1960 Illustration from 'The Little Hunchback'
from Arabian Nights Collected and edited by Andrew Lang Illustrated by Vera Bock Copyright 1960  Illustration from 'The Little Hunchback'

A moura torta, desenho de Vera Bock

A moura torta

Era uma vez um príncipe que, tendo chegado à idade de se casar, não encontrou nenhuma moça que lhe agradasse. Seu pai, que já estava muito velho, vivia muito triste por não ter seu filho encontrado uma princesa para esposa. Receava morrer, deixando o filho solteiro. Como poderia ele governar seu reino sem uma rainha e sem herdeiros ?

Aconselhou então o príncipe a visitar outros países. Talvez ele encontrasse, fora do reino, uma princesa capaz de lhe inspirar amor. O jovem aceitou o conselho do seu velho pai e, para não ser reconhecido, partiu vestido modestamente. Depois de muitos dias de viagem, quando se achava próximo de uma cidade, encontrou uma velhinha corcunda, carregando um feixe de lenha. O príncipe ficou com pena da pobre velha e ofereceu-se para carregar a lenha. Quando chegou à cidade, deu à velhinha uma bolsa cheia de moedas. A velha agradeceu a bondade do rapaz, abençoou-o e disse:

— Meu filho, não sei como retribuir o que fez por mim. Só tenho estas laranjas para lhe oferecer. Mas, quando

as quiser chupar, só as descasque perto de um lugar onde haja água corrente.

O príncipe guardou as laranjas e seguiu viagem. Depois de muito caminhar sob um sol abrasador, sentiu sede. Não encontrando água no caminho, lembrou-se das laranjas da velha. Tirou uma do alforje e começou a descascá-la. De repente, a laranja partiu-se ao meio e dela saltou uma linda moça, gritando: — Quero água! Quero água! O rapaz ficou extasiado com a beleza da moça, mas como não houvesse naquele lugar uma gota dágua, ela imediatamente desapareceu.

O príncipe ficou muito triste com o fato e seguiu viagem. Dias depois, atravessava ele um grande deserto, quando sentiu uma violenta sede. Lembrou-se, mais uma vez, das laranjas e, quando descascava uma, saltou do seu interior uma jovem, ainda mais bela do que a primeira, pedindo água pelo amor de Deus. O príncipe saiu correndo à procura de água, mas não conseguiu sequer uma gota. Quando voltou ao lugar, a linda moça havia desaparecido, sem deixar nenhum vestígio.

O príncipe ficou muito acabrunhado, mas prosseguiu sua viagem. Depois de percorrer vários países, sem encontrar uma princesa que lhe agradasse, resolveu regressar a seu reino. Quando se encontrava próximo do palácio do seu pai, sentiu uma sede irresistível. Resolveu chupar a última laranja, mas, lembrando-se do que acontecera antes, andou até encontrar um rio. Quando chegou às margens deste, parou e descascou a terceira laranja. Dela saltou uma jovem mais formosa do que as outras, pedindo um pouco dágua. O príncipe correu e trouxe do rio um copo dágua, que ofereceu à linda moça. Esta matou a sede e ficou desencantada. Por isso, não desapareceu.

Contou sua história ao príncipe. Era filha de um rei muito rico, que havia sido transformada em laranja por sua madrasta, que era feiticeira. O príncipe ficou apaixonado pela moça. Pediu-a em casamento e foi aceito. Resolveu então apresentá-la ao pai. Mas como a moça estivesse muito mal vestida, achou conveniente ir sozinho ao palácio buscar roupas bonitas e uma carruagem para sua noiva. Disse à princesa que subisse a uma árvore, que ficava à margem do rio, recomendando-lhe que não falasse com ninguém, durante sua ausência. Feito isso seguiu, a toda pressa, para o palácio.

Mal o príncipe saiu, chegou à beira do rio uma negra muito feia, cega de um olho, a quem chamavam a Moura Torta. A negra abaixou-se para encher o pote no rio. Nisto, avistou o belo rosto da moça refletido no espelho das águas. Ficou admirada de tanta formosura. Julgando que era seu próprio rosto, exclamou:

— Ora essa! Uma moça tão bonita como eu, carregando água! Isto não pode ser! E atirou o pote nas pedras, reduzindo-o a cacos. Depois disso, afastou-se toda orgulhosa, da beira do rio. Quando chegou em casa, disse à patroa que o pote havia escorregado de sua mão e caído no rio.

A patroa ficou aborrecida com a história, mas deu-lhe outro pote e mandou-a de volta ao rio. Quando a negra mergulhou o pote na água e viu novamente o rosto da moça, refletido no rio, ficou outra vez convencida da própria beleza. Atirou o pote para longe e voltou para casa, inchada de orgulho. A moça, ao ver a "pose" da Moura Torta, quase soltou uma risada, mas conseguiu reprimir o riso e ficou à espera do noivo, que já estava tardando.

 

"Ora essa! Uma moça tão bonita como eu, carregando água! Isto não pode ser!"

A patroa, quando viu a negra sem o pote, ficou furiosa. E ameaçou cortá-1a de chicote, se ela voltasse para casa sem água. A Moura Torta, muito sucumbida, tomou de novo o caminho do rio, levando, desta vez, um caldeirão de ferro. Quando se abaixou para tirar água e viu, mais uma vez, a imagem da moça, ficou desesperada. Agarrou o caldeirão de ferro, que a patroa lhe havia dado, e começou a bater com êle nas pedras.

A princesa ao ver a cena, não se pôde conter e soltou uma boa gargalhada. A Moura Torta, espantada, olhou para

cima e viu a moça na árvore. Compreendeu logo o que havia acontecido e disse:

— Ah! é você, minha pombinha? Que está fazendo aí nessa árvore? A moça contou que estava esperando o príncipe, seu noivo. Diante disso, a negra subiu até onde estava a princesa e começou a conversar com a mesma. Elogiou os lindos cabelos da moça e pediu licença para penteá-los. A princesa, sem nada desconfiar, atendeu ao seu pedido. Quando a Moura Torta, que era feiticeira, pôs a mão na cabeleira dourada da moça, aproveitou um momento de distração desta e enterrou na sua cabeça um alfinete mágico. Imediatamente a princesa se transformou numa pomba branca, que saiu voando pelo espaço.

A Moura Torta tomou então o lugar da jovem e ficou à espera do príncipe. Quando este chegou, numa carruagem lindíssima, trazendo ricos vestidos para a noiva, ficou desapontado ao encontrar, em seu lugar, uma negra feia e caolha. A Moura Torta lhe disse que tinha ficado assim devido ao sol que queimara a sua pele e aos espinhos da árvore que haviam furado seu olho.

O príncipe ficou muito acabrunhado, mas, como havia dado sua palavra, levou a bruxa para o palácio. O rei quase morreu de desgosto quando conheceu sua futura nora, mas ficou calado para não aborrecer seu querido filho.

Começaram então os preparativos para o casamento. O príncipe enviou convites para todos os reis e príncipes dos países vizinhos. E a Moura Torta mandou fazer os mais belos vestidos e as mais ricas jóias. Mas quando os experimentava, ficava ainda mais feia e ridícula. Ninguém suportava a presença da horrível bruxa.

O jardineiro do rei estava colhendo flores para o casamento, quando viu uma pombinha branca pousar numa roseira e dizer:

Hortelão, hortelão da real horta:

Como vai o rei com a sua Moura Torta?

O jardineiro contou o caso ao rei e este ao príncipe. O rapaz ficou intrigado com o acontecimento. Resolveu vestir a roupa do jardineiro e observar a pombinha.

No dia seguinte, à mesma hora, apareceu, de novo, a pombinha, que pousou num galho de roseira e exclamou:

Hortelão, Hortelão da real horta:

Como vai o rei com a sua Moura Torta?

O príncipe respondeu:

Come bem, dorme bem, Passa a vida regalada. Tão feliz e sossegado, Como no mundo ninguém!

E acrescentou: — Põe o teu pezinho aqui, minha pomba. — Não, que o meu pé não foi feito para laço de darbante. Dizendo isso, a pombinha bateu asas e fugiu. O príncipe preparou então um laço de ouro. Também falhou Preparou um laço de diamante. Desta vez, a pombinha deixou-se prender. O príncipe levou-a para o palácio e tratou-a com muito carinho.

A Moura Torta, vendo a pomba, nela reconheceu a princesa encantada. Disse ao príncipe que lhe desse a pombinha, pois desejava comê-la. O rapaz ficou com muita

pena, mas não teve remédio senão atender ao pedido da noiva. Antes, porém, de entregar a linda ave, resolveu fazer-lhe um último carinho e passou a mão pela sua cabeça. Notou, com surpresa, que nela existia um pequeno caroço. . . Puxando-o, tirou o alfinete mágico. No mesmo instante, a pomba transformou-se na bela princesa que êle havia deixado na árvore.

O príncipe ficou radiante de alegria e ouviu da moça a sua triste história. Ficou então sabendo da malvadeza da Moura Torta. A notícia espalhou-se pela cidade. O povo ficou tão indignado que correu ao palácio, tirou de lá a bruxa e a queimou na praça pública. Depois, lançou suas cinzas no rio. O príncipe casou-se com a linda princesa. E o velho rei pôde então morrer, tranqüilo e feliz, abençoando o filho, que o sucedeu no trono.


Fonte : Contos Maravilhosos – Theobaldo Miranda Santos, Cia Ed. Nacional

jul 042010
 

O príncipe encantado

Era uma vez uma velha ambiciosa que tinha três filhas, cada qual mais feia. Perto da casa da velha, morava uma moça muito bonita que, apesar de pobre, andava com lindos vestidos e ricas jóias. Desconfiando de tanta riqueza, a velha visitava, freqüentemente, a casa da moça para ver se descobria alguma coisa. Mas, por mais que procurasse, nada conseguia saber.

Resolveu então sua filha mais velha tentar descobrir o segredo. Dirigiu-se à casa da moça e, depois de muitos rodeios, pediu a esta para passar a noite em sua casa. A moça consentiu, mas, quando foi na hora de dormir, pôs no café da vizinha um remédio muito forte, que a fêz dormir a noite toda, sem nada ver ou ouvir.

Enquanto ela dormia, bateu na janela da moça um belo papagaio. A moça abriu a janela, e a ave entrou no seu quarto, onde já estava preparada uma bacia com água. O papagaio tomou um banho, sacudindo as penas. Cada pingo que caía fora da bacia era um lindo diamante, que a moça recolhia e guardava. Quando o papagaio acabou de se banhar, transformou-se num belo príncipe.

A moça abriu a janela, e a ave entrou no seu quarto.

A moça abriu a janela, e a ave entrou no seu quarto.

 

Depois de passar a noite com sua noiva, o príncipe, logo que clareou o dia, transformou-se num papagaio e voou para longe.

A filha da velha, que nada vira, voltou para casa dizendo que era mentira o que se dizia da moça. Mas a velha, desconfiada, mandou a outra filha para passar a noite na casa da vizinha. Aconteceu então a mesma coisa: ela tomou café com remédio e roncou a noite toda.

Diante disso, a velha, sempre desconfiada, mandou a sua filha mais moça. Esta, que era muito esperta, quando lhe foi dado o café, fingiu que ia bebê-lo e o derramou sobre um lenço que levava escondido. Deitou-se na cama e fingiu que estava dormindo. Pôde, assim, ver o que aconteceu durante a noite. Quando amanheceu, correu para casa e contou tudo à sua mãe.

A velha ficou ralada de inveja e, assim que anoiteceu, colocou no peitoril da janela da vizinha, uma porção de cacos de vidro e pedaços de navalha. Quando o papagaio chegou e foi passar pela janela ficou ferido, com o sangue a escorrer. A moça, espantada, correu para cuidar do papagaio, mas este, batendo as asas, exclamou:

— Ah! ingrata! Estou perdido! Nunca mais me verás, a não ser que mandes fazer uma roupa de bronze e andes com ela até o Reino do Limo Verde, onde moro! Dizendo isso, bateu asas e desapareceu no espaço.

A moça ficou muito triste e compreendeu o motivo das visitas das filhas da velha. Mas não desanimou. Mandou fazer uma roupa de bronze, vestiu-a e saiu pelo mundo à procura do Príncipe do Limo Verde.

Depois de dois anos de viagem, chegou ao reino da Lua e perguntou a esta se lhe poderia dar notícias do Reino

do Limo Verde. A Lua respondeu que nunca ouvira falar nesse reino, mas que talvez o Sol soubesse alguma coisa a esse respeito. A moça despediu-se e, na saída, a Lua lhe deu de presente uma almofada de fazer rendas, com bilros e alfinetes de ouro.

A moça seguiu viagem e, depois de andar dois anos, chegou à casa do Sol. Este disse também que jamais ouvira falar no Reino do Limo Verde. Mas que talvez o Vento Grande pudesse dar alguma informação sobre êle. A moça despediu-se e, na saída, o Sol lhe deu de presente uma galinha com pintos, todos de ouro, vivos e andando.

A moça viajou mais dois anos e, afinal, chegou à casa do Vento Grande. Este ouviu o que ela disse e respondeu: — Conheço o Reino do Limo Verde. Ainda ontem passei por lá. A moça então suplicou ao Vento que a levasse até lá. O Vento Grande lhe respondeu: — Amanhã monte em mim e, quando encontrar uma árvore muito grande e muito copada, na frente de um palácio muito rico, segure-se nos galhos, que é ali.

No dia seguinte, lá foi a moça montada no Vento Grande. Ao avistar a árvore, agarrou-se à mesma e desceu. E ficou, embaixo, imaginando o que havia de fazer para entrar no palácio e ver o príncipe.

Nesse momento, chegaram três rolinhas, pousaram na árvore e começaram a conversar. Disse uma delas: — Não sabem? O príncipe do Limo Verde está para morrer. A segunda perguntou: — O que será bom para êle? E a terceira respondeu: — As feridas que êle tem no peito não saram mais; só se nos pegarem, tirarem nossos corações, torrarem, moerem e deitarem o pó nas feridas.

A moça, que ouvira toda a conversa, armou um laço e pegou as três rolinhas. Tirou-lhes os corações, torrou-os e fêz um pòzinho que guardou cuidadosamente. Em seguida partiu à procura do príncipe.

Fêz tudo para entrar no palácio, mas não conseguiu. Então, tirou a almofada de ouro que a Lua lhe havia dado, e começou a fazer renda. Daí a pouco, veio passando uma criada do palácio que ficou maravilhada com a beleza da almofada. Foi contar o que vira à rainha e esta mandou perguntar à moça quanto queria pela almofada. E a moça respondeu: — Darei de presente a almofada, se me deixarem dormir no quarto do príncipe.

A rainha ficou ofendida e quis mandar prender a moça, mas a criada lhe disse: — Ora, minha senhora, o príncipe está tão doente que não conhece mais ninguém. Que mal faz que aquela tola durma no chão de seu quarto ? A rainha, então, consentiu e ficou com a almofada de ouro.

A moça foi dormir no quarto do príncipe e logo na primeira noite lavou-lhe as feridas e pôs nelas o pó das rolinhas. Mas, desta vez, o rapaz não a reconheceu.

No dia seguinte, a moça foi, novamente, para debaixo da árvore e soltou a galinha e os pintos de ouro. Passou a criada e ficou admirada com o que viu. Foi correndo contar à rainha. Mandou esta perguntar quanto custava a galinha e os pintos. A moça respondeu que daria de graça aquelas preciosidades se a deixassem dormir duas noites no quarto do príncipe.

A rainha, a princípio, não queria deixar, mas, a conselho da criada, acabou consentindo. Na segunda noite, o príncipe melhorou muito e, na terceira, ficou completamente

bom e reconheceu a moça. Abraçou-a, ternamente, e pediu-a em casamento.

E claro que a moça aceitou. Então, o príncipe apresentou-a a seus pais como sua noiva. Dias depois, realizou-se o casamento com grande pompa. Houve muitas festas, não só no palácio, como em todo o Reino do Limo Verde.


Fonte : Contos Maravilhosos – Theobaldo Miranda Santos, Cia Ed. Nacional

jul 042010
 
Quando chegou à fonte, o príncipe verificou que o monstro estava com os olhos abertos.

A fonte das três comadres

Era uma vez um rei muito poderoso que teve uma enfer midade nos olhos e ficou completamente cego. Consultou então os melhores médicos do mundo, tomou todos os remédios aconselhados pela ciência, mas nada conseguiu. Sua cegueira parecia incurável. Um belo dia, apareceu no palácio uma velhinha pedindo esmola e, sabendo que o rei estava cego, pediu licença para dirigir-lhe a palavra, pois desejava ensinar-lhe um remédio maravilhoso. Conduzida à presença do rei, ela lhe disse: — Saiba Vossa Majestade que só existe uma coisa capaz de fazer voltar sua vista: é banhar seus olhos com água tirada da Fonte das Três Comadres. E muito difícil, porém, ir a essa fonte que fica num reino situado quase no fim do mundo. Quem fôr buscar a água deve entender-se com uma velha que mora perto da fonte. Ela conhece o dragão que guarda a fonte e sabe quando êle está acordado ou adormecido. O rei ficou muito satisfeito com a informação da velhinha e recompensou-a com uma bolsa cheia de dinheiro.

Mandou, em seguida, preparar uma esquadra para conduzir seu filho mais velho que deveria ir buscar a água da fonte milagrosa. Deu-lhe o prazo de um ano para cumprir sua missão, aconselhando-ò a não saltar em nenhum porto para não se distrair do que devia fazer. O príncipe partiu, mas no meio da viagem, encontrou uma cidade onde havia muitas festas e lindas moças. Atraído pelos divertimentos, aí ficou gastando todo o dinheiro que levava e contraindo grandes dívidas. No fim do prazo que lhe fora marcado, não seguiu viagem nem voltou ao reino do seu pai, o que causou a este profundo desgosto.

Resolveu então o rei preparar outra esquadra a fim de que o seu segundo filho fosse buscar a água maravilhosa. O moço partiu, mas encontrou em seu caminho a mesma cidade onde se havia arruinado o seu irmão mais velho. Ficou também encantado pelas festas e pelas moças bonitas, e gastou tudo o que trazia, esquecendo-se da missão que seu pai lhe confiara. No fim de um ano, ainda se encontrava nessa cidade, pobre e endividado.

O rei, ao saber da notícia do que acontecera ao seu segundo filho, ficou muito triste e desanimado. E perdeu a esperança de curar sua cegueira. Mas seu filho mais moço, que era ainda um menino, não se conformou com os acontecimentos e disse-lhe: — Agora, meu pai, eu é que vou buscar a água. Garanto-lhe que hei de trazê-la! O rei procurou dissuadi-lo: — Se seus irmãos, que eram homens nada conseguiram, que poderá você fazer, meu filho ? Mas, o pequeno príncipe tanto insistiu e rogou que o pai acabou cedendo. E mandou preparar uma esquadra para sua viagem. O jovem partiu cheio de esperança. Depois de muito navegar, encontrou a famosa cidade onde seus irmãos já se achavam presos pelas dívidas que haviam contraído. O príncipe pagou as dívidas dos irmãos e conseguiu pô-los em liberdade. Estes tudo fizeram para dissuadir o rapaz de seguir viagem.

Mas o príncipe nada quis ouvir e continuou, resolutamente sua jornada.

Chegando à região onde se encontrava a Fonte das Três Comadres, desembarcou sozinho, levando apenas uma garrafa. Seguiu logo para a casa da velhinha, que residia perto da fonte. Esta ao vê-lo ficou muito admirada, dizendo: — Por que veio aqui, meu netinho? Está correndo um grande perigo! O monstro que vigia a fonte é uma princesa encantada que tudo devora. Se quiser, realmente, apanhar água da fonte, aproveite a ocasião em que o monstro estiver adormecido. Quando êle estiver com os olhos abertos, pode aproximar-se sem receio. E sinal de que está dormindo. Mas se o encontrar com os olhos fechados, fuja depressa, pois êle estará, na certa, acordado.

O príncipe prestou bastante atenção aos conselhos da velha e seguiu para a fonte. Quando lá chegou, viu que a fera estava com os olhos abertos. Verificando que ela estava dormindo, o príncipe aproveitou o momento para encher sua garrafa com a água milagrosa. Mas, quando se ia retirando cuidadosamente, o monstro acordou e lançou-se, com fúria, sobre o rapaz. Este puxou da espada e travou uma luta terrível com a fera. Depois de muito lutar, conseguiu ferir o horrendo bicho e fazer seu sangue correr. Nesse momento, o monstro se desencantou, transformando-se numa belíssima princesa. O príncipe ficou extasiado, pois nunca tinha visto uma moça tão formosa. Ela então lhe disse: — Prometi que havia de me casar com aquele que me desencantasse. Portanto, dentro de um ano, virás buscar-me. Se não o fizeres, irei à tua procura. E para que o jovem pudesse ser reconhecido quando fosse buscá-la, a princesa deu-lhe um pedaço do seu vestido.

Quando chegou à fonte, o príncipe verificou que o monstro estava com os olhos abertos.

Quando chegou à fonte, o príncipe verificou que o monstro estava com os olhos abertos.

Contente e feliz, o príncipe partiu de volta à sua terra. Passando pela cidade onde se encontravam seus irmãos, convidou-os para embarcar na sua esquadra, a fim de que pudessem regressar ao seu país. Os irmãos aceitaram o convite. O rapaz havia guardado a garrafa com a água milagrosa na sua mala. Seus irmãos armaram, então, um plano para roubar-lhe a garrafa e se apresentarem ao pai como seus salvadores. Para isso sugeriram, ao príncipe, dar um banquete na esquadra para comemorar o fato de ter ele conseguido o maravilhoso remédio. A festa foi realizada e os irmãos, aproveitando-se da boa fé do jovem príncipe, conseguiram que êle bebesse muito vinho e adormecesse profundamente. Tiraram então do seu bolso a chave da mala, abriram-na, tiraram a garrafa com o remédio e a substituíram por outra cheia de água do mar.

Quando a esquadra atracou no porto de sua terra, o príncipe foi recebido com grande alegria e muitas festas. Mas, quando êle colocou nos olhos do pai a água que supunha ser da fonte maravilhosa, o velho soltou um grito de dor, devido ao sal do mar, e continuou cego. Os dois irmãos traidores acusaram então o príncipe de impostor e declararam que eles é que haviam conseguido a água milagrosa. Dizendo isso, banharam com a mesma os olhos do rei que recobrou a visão. Houve então grandes festas e banquetes no palácio e o jovem príncipe foi condenado à morte. Mas os soldados encarregados de degolar o príncipe, ficaram com pena do rapaz e o deixaram na floresta. O príncipe ficou tão desgostoso que perdeu o amor à vida. Um lenhador malvado o encontrou, caminhando como um louco, no meio da mata. Vendo que êle não reagia, fêz dele seu escravo, obrigando-o a trabalhar, sem descanso.

Um ano depois, chegou a ocasião em que o rapaz devia ir casar com a princesa, conforme havia combinado na Fonte das Três Comadres. Não tendo êle aparecido, a princesa ficou preocupada. Mandou então aparelhar uma poderosa esquadra e partiu para o reino do príncipe. Chegando lá, deu ordem ao comandante da esquadra para avisar ao rei de que êle devia enviar-lhe o filho que fora ao seu reino buscar um remédio e lhe prometera casamento. Caso o noivo não viesse ao seu encontro, ela ordenaria à esquadra para fazer fogo sobre a cidade. O rei ficou apavorado e mandou seu filho mais velho apresentar-se à princesa, supondo que êle fosse o noivo. Mas a princesa, ao vê-lo disse: — Grande mentiroso, onde está o sinal do nosso reconhecimento? Êle que nada possuía, ficou calado e voltou para a terra envergonhado.

Nova intimação e foi ter com a princesa o segundo filho do rei. Repetiu-se a pergunta anterior e o príncipe nada respondeu. A princesa mandou então que os canhões da sua esquadra fossem preparados para o bombardeio da cidade O rei ficou aflitíssimo, certo de que a capital do seu reino seria arrasada, pois havia mandado matar o filho mais moço. Nesse momento, surgiram os dois soldados encarregados de executar o jovem príncipe, que confessaram ao rei que não o tinham degolado. Saiu todo o mundo à procura do príncipe e foi prometido um grande prêmio a quem o encontrasse.

O lenhador que o tinha escravizado ficou mais morto do que vivo quando soube que êle era filho do rei. Mais do que depressa, colocou o rapaz nas costas e o levou ao palácio. O príncipe foi então lavado e vestido com lindas roupas. O prazo que a princesa tinha concedido já estava terminado e, quando os canhões iam começar a bombardear a cidade, o rapaz correu ao encontro da noiva, sendo logo reconhecido devido ao pedaço do vestido que levava na mão. A princesa abraçou-o chorando de alegria. Seguiram então para o reino da princesa onde se casaram no meio de festas que duraram seis meses. O rapaz tornou-se rei de um dos países mais belos e ricos do mundo. Seus irmãos traidores foram expulsos do reino de seu pai e condenados a pedir esmola até o fim de sua vida.


Fonte : Contos Maravilhosos – Theobaldo Miranda Santos, Cia Ed. Nacional

jul 042010
 

Os príncipes coroados

NUMA cidade havia três moças órfãs de pai e mãe.

Um dia estavam à janela de sua casa, quando viram passar o rei. Era jovem, belo, elegante e montava um formoso cavalo. A mais velha das moças, extasiada com a beleza do rei, exclamou: — Se eu me casasse com ele, far-lhe-ia uma camisa como nunca viu! A do meio, cheia de admiração, disse: — Se eu me casasse com ele, far-lhe-ia umas calças como nunca teve! A mais jovem disse: — E eu, se me casasse com ele, da-he-ia três filhos coroados.

O rei ouviu a conversa e, no dia seguinte, foi à casa das moças e lhes falou: — Apareça a moça que disse que, se casasse comigo, me daria três filhos coroados. A moça se apresentou e, como era muito formosa, o rei ficou apaixonado e casou-se com ela. As irmãs ficaram com inveja, mas fingiram que nada sentiam e que estavam até muito contentes com o casamento.

Tempos depois a jovem rainha avisou que ia ter um filho. As irmãs correram logo para o palácio, dizendo que desejavam ajudar a rainha. Aproximando-se o dia desta dar à luz, ofereceram-se para servi-la e dispensaram o médico. Nasceram três lindos príncipes. Todos tinham uma pequena coroa na cabeça. Mas as irmãs malvadas da rainha esconderam as crianças numa caixa e a atiraram ao mar. Em lugar dos príncipes, levaram ao rei um sapo, uma cobra e um rato, dizendo com fingida indignação: — Veja Vossa Majestade os coroados que aquela impostora deu à luz! O rei ficou muito desgostoso e, aconselhado pelas cunhadas, mandou enterrar a mulher até o pescoço, perto da escada do palácio, dando ordem para que todos que por ali passassem, cuspissem no seu rosto.

Um velho pescador achou no mar a caixa, abriu-a e encontrou os três meninos ainda vivos. Encantado com a beleza das crianças, levou-as para casa. Sua mulher, que era muito bondosa, criou os meninos com todo carinho, sem saber que eles eram príncipes. Quando ficaram crescidos ao ponto de irem para a escola, passaram um dia pelo palácio do rei e foram vistos e reconhecidos pelas tias. Elas os chamaram, fizeram-lhes muitos agrados e lhes ofereceram frutas envenenadas. Os meninos comeram as frutas e, no mesmo instante, ficaram todos os três transformados em pedra.

Quando soube do que acontecera, o pescador ficou muito triste, mas sua mulher que era adivinha disse ao marido: — Não se aflija. Vou à casa do Sol buscar um remédio milagroso e com ele farei os meninos voltarem à vida. E partiu montada num cavalo. Depois de muito viajar, encontrou um lindo rio. Este lhe perguntou: — Aonde vai, minha velhinha? — Vou à casa do Sol para êle me ensinar que remédio se deve dar a quem virou pedra, respondeu a velha. O rio então disse: — Pergunte também ao Sol o motivo pelo qual, sendo eu um rio tão bonito, nunca tive peixes.

 

 

Em lugar dos príncipes, levaram ao rei um sapo, uma cobra e um rato.

Em lugar dos príncipes, levaram ao rei um sapo, uma cobra e um rato.

A velha continuou sua viagem. Adiante, encontrou uma bela árvore, mas sem um único fruto. Ao avistar a velha, a árvore indagou: — Aonde vai, minha velhinha? — Vou à casa do Sol à procura de um remédio para gente que virou pedra. A árvore então pediu: — Pergunte-lhe também o motivo pelo qual, sendo eu uma árvore tão grande, tão verde e tão bela, nunca dei um só fruto. A velha prosseguiu na sua marcha. Depois de muito caminhar, encontrou uma casa onde havia três moças, lindas e solteiras, mas que já estavam passando a idade de casar. As moças ao vê-la, perguntaram: — Aonde vai, minha avozinha ? A velha disse para onde seguia. As moças pediram-lhe então para indagar do Sol o motivo pelo qual, sendo elas tão formosas, ainda não se tinham casado.

A velha continuou a caminhar. Depois de viajar dia e noite sem parar, chegou finalmente à casa do Sol. A mãe deste, que era muito boa, recebeu a velha delicadamente e ouviu com atenção, toda a sua história. Ficou com pena da corajosa velhinha e prometeu auxiliá-la. Mas disse-lhe que, antes de falar com o filho, ia escondê-la, pois o Sol não consentia que pessoas estranhas entrassem em sua casa. Quando o Sol chegou a casa, depois de ter queimado tudo que encontrou em seu caminho, sentiu cheiro de gente e perguntou zangado à sua mãe: — Há gente estranha nesta casa? Estou sentindo cheiro de carne humana! — Não é nada, meu filho! disse-lhe a mãe. E o cheiro de uma galinha que matei para o nosso jantar.

O Sol ficou tranqüilo e sentou-se à mesa para jantar. Enquanto êle comia, a mãe perguntou-lhe jeitosamente:

— Meu filho, um rio muito fundo e largo por que não dá peixe? — E porque nunca matou gente! respondeu o Sol. Depois de algum tempo, a velha fêz nova pergunta: — E uma árvore grande, verde e bonita, por que não dá frutos ? — Porque há dinheiro enterrado entre suas raízes. A velha esperou mais um pouco e arriscou outra pergunta: E umas moças bonitas e ricas por que não se casam? — Porque costumam cuspir para o lado em que surjo no céu, todos os dias. — E qual será o remédio para gente que virou pedra? perguntou finalmente a velha. Aí o Sol se irritou:

— A senhora já está me amolando com essas perguntas! Mas a velha acalmou-o: — Desculpe, meu filho, como fico o dia inteiro sozinha, vivo imaginando tolices. Então o Sol, arrependido da sua irritação com a mãe, fêz-lhe a vontade: — O remédio para gente que virou pedra é colocar sobre a mesma um bocado do que eu estiver comendo.

A velha prestou atenção às palavras do Sol e, daí a pouco, levou a mão à boca do filho e tirou um bocado do que êle estava comendo, dizendo: — Não é nada, apenas um cisquinho que estava na sua comida. Momentos depois, repetiu o gesto: — Agora, meu filho, é um cabelo. E tornou a esconder o bocado. Na terceira vez, o Sol ficou zangado: — Ora, minha mãe, sua comida está hoje muito suja! Não quero mais comer! Dizendo isto, levantou-se e seguiu para o céu, a fim de realizar sua viagem diária.

A mãe do Sol foi então ao quarto onde estava a velhinha, contou-lhe tudo e deu-lhe os três bocados que tirara da boca do filho. A velhinha montou o seu cavalo e procurou logo o caminho de casa. Passando pela residência das moças, pernoitou na mesma, mas não lhes disse o motivo pelo qual elas não tinham casado. Pela manhã, viu que estavam cuspindo para o lado do nascer do Sol. A velha então as repreendeu, dizendo: — Eis a razão pela qual vocês ainda não casaram. Deixem esse costume de cuspir para o lado em que nasce o Sol. As moças seguiram o conselho da velha e acharam logo casamento.

A velha seguiu viagem. Ao encontrar a árvore que não dava frutos, pôs-se a cavar sob suas raízes, sem dizer nada. Quando, por fim, descobriu, enterrado, um cofre cheio de moedas de ouro, disse à árvore o motivo pelo qual ela não dava frutos. Pouco depois, a árvore ficou carregada de frutos deliciosos.

A velha continuou sua viagem. Ao chegar à margem do rio, este perguntou-lhe pela resposta do Sol. A velha ficou calada enquanto atravessava o rio. Quando se viu na outra margem, andou bastante até ficar bem longe do rio e daí gritou para êle: — Você não tem peixes porque nunca matou gente! O rio aumentou logo o volume de suas águas e produziu uma enchente tão grande que, por um triz, não afogou a velha.

Finalmente, a corajosa velhinha chegou à sua casa. Sem mais demora, colocou os três bocados sobre a cabeça das crianças que, no mesmo instante, se desencantaram, voltando à vida. A notícia do desencantamento dos meninos correu pela cidade e chegou até o Rei. Este ficou interessado em conhecer a história e mandou convidar o velho e os três meninos para jantarem no palácio. O velho não quis ir nem mandar as crianças. Mas o rei exigiu a presença dos mesmos em seu jantar. A velhinha aconselhou então aos meninos que fizessem o seguinte: — Quando vocês chegarem ao palácio e passarem pela escada, ponham-se de joelhos e tomem a bênção àquela pobre mulher que está lá enterrada, que é a sua mãe. Quando chegar a hora do jantar, não queiram ir para a mesa, sem que o rei mande desenterrá-la e sentá-la também à mesa. Quando cada um de vocês receber seu prato de comida, não comam nada e dêem os três pratos à sua mãe que os há de devorar num instante, pois está morta de fome. Aí as duas moças que lá estarão e que são tias de vocês, hão de dizer: — Por que estão dando sua comida a esta mulher? Nada lhe devem! Vocês responderão: — Esta mulher é nossa mãe e nós somos os três príncipes coroados! E mostrarão ao rei suas cabeças.

Foi justamente o que aconteceu. Os meninos cumpriram fielmente as recomendações da velha. O rei abraçou os filhos chorando de alegria e pediu perdão à esposa. Mandou cortar o pescoço das suas diabólicas cunhadas. Mas a rainha implorou-lhe que não mandasse matar suas irmãs. O rei atendeu ao seu pedido, porém condenou as maldosas criaturas à prisão perpétua. Os príncipes pediram ao rei que trouxesse para o palácio os dois velhinhos que os haviam criado. E todos viveram alegres e felizes, por muitos anos.

 


Fonte : Contos Maravilhosos – Theobaldo Miranda Santos, Cia Ed. Nacional

jul 032010
 

A princesa e o monstro

Lourenço era um homem muito pobre que possuía três filhas jovens e formosas. Vivia do humilde ofício de fazer gamelas. E o que conseguia com a venda destas mal dava para o sustento da sua família. Um dia estava Lourenço trabalhando na sua oficina, quando surgiu na porta um moço simpático e bem trajado, montando um belo cavalo. Qual não foi o espanto do velho gameleiro quando o desconhecido lhe propôs a compra de uma de suas filhas! Ficou indignado com a proposta e disse ao moço que, embora fosse pobre, não venderia nenhuma filha. Mas o moço não aceitou a recusa do velho e o ameaçou de morte se êle não aceitasse a sua proposta. Viu-se então Lourenço forçado a vender uma filha, recebendo, por isso, grande soma de dinheiro. Ao retirar-se o misterioso cavaleiro, levando a moça comprada em sua companhia, resolveu o velho gameleiro abandonar a profissão, mas, aconselhado por sua mulher, acabou por concordar em não abandonar o seu modesto trabalho.

No dia seguinte, apareceu na casa de Lourenço outro jovem ainda mais simpático do que o da véspera e montando um cavalo mais formoso e melhor arreado. Repetiu-se a estranha proposta do dia anterior. E o velho, com receio de ser morto pelo cavaleiro, viu-se na triste contingência de vender outra filha. Recebeu então uma quantia maior que a do outro pretendente. Novamente, tentou o velho abandonar o negócio das gamelas, porém a mulher, mais uma vez, persuadiu-o a continuar com a sua humilde profissão. No outro dia, à mesma hora, Lourenço quase morreu de susto quando surgiu à sua frente um terceiro cavaleiro, ainda mais belo e melhor vestido do que os anteriores, oferecendo-se para comprar-lhe a última filha. Nova recusa e nova ameaça. O velho, atemorizado, teve de ceder. E lá se foi a filha mais moça do gameleiro na garupa do seu comprador. Desta vez, Lourenço recebeu uma quantia tão grande que ficou rico.

Pouco tempo depois, a esposa do gameleiro teve um filho. Era um menino bonito e forte que foi criado com muito carinho. Um dia, quando já esta ‘a bem crescido, brigou com um companheiro que, enraivecido, lhe disse: — Pensa que seu pai sempre foi rico? Ele está cheio de dinheiro porque vendeu suas filhas! O rapaz ficou impressionado com a acusação do colega e procurou seus pais para saber da verdade. Estes não tiveram outro remédio senão contar ao filho o que havia acontecido. O rapaz ficou muito triste com o destino infeliz de suas irmãs e resolveu sair pelo mundo à sua procura.

Depois de vários dias de viagem, encontrou no caminho três irmãos brigando por causa de uma bota, de uma carapuça e de uma chave. O rapaz aproximou-se, aconselhou os três a fazerem as pazes e perguntou para que serviam aqueles objetos. Soube então que, quando se dizia à bota: — Bota, leva-me a tal parte!, a bota levava; quando se dizia à carapuça: — Esconde-me, carapuça!, a carapuça escondia; e a chave abria qualquer porta!

O rapaz ofereceu bastante dinheiro pelos objetos e os irmãos aceitaram. Meteu ele os objetos no bolso e continuou sua viagem. Quando se achou bem distante do lugar em que deixara os três irmãos, tirou do bolso a bota e disse — Bota, leva-me à casa de minha irmã mais velha! Quando acabou de proferir essas palavras, encontrou-se à porta de um lindo palácio onde residia sua irmã. Chamou um dos criados e disse-lhe para avisar a dona da casa de que seu irmão desejava falar-lhe. A princípio, a moça não quis aparecer, pois não sabia que tinha um irmão. Mas o moço conseguiu contar-lhe sua história e ela então o recebeu carinhosamente. Perguntou ao jovem como conseguira êle alcançar aquele lugar distante e deserto. Mostrou-lhe o rapaz a bota maravilhosa que o havia levado até aquelas paragens.

Ao cair da tarde, o rapaz percebeu que sua irmã estava triste e preocupada. Perguntou-lhe o motivo e ela então lhe disse que seu marido era o Rei dos Peixes, mas que possuía um gênio terrível e lhe avisara de que mataria qualquer pessoa estranha que encontrasse em seu palácio. O rapaz tranqüilizou-a, contando-lhe o poder de sua carapuça que lhe permitia esconder-se sem ser descoberto. Quando anoiteceu, surgiu o Rei dos Peixes, derrubando tudo que encontrava à sua frente. Entrou em casa furioso e foi logo exclamando: — Estou sentindo cheiro de carne humana! Há uma pessoa estranha nesta casa! A rainha conseguiu, a custo, convencê-lo do contrário. Ele então entrou no banho e se transformou num belo moço.

Durante o jantar, aproveitando o bom humor do marido, a rainha perguntou-lhe: — Que faria você se aqui estivesse meu irmão, seu cunhado? — Ficaria muito satisfeito com sua visita. Se êle estiver aqui que apareça! O moço retirou então a carapuça e se tornou visível. Foi muito bem recebido pelo Rei dos Peixes que simpatizou tanto com êle que acabou por lhe pedir para ficar morando no palácio. O rapaz agradeceu e disse que não podia aceitar o convite, pois desejava visitar as duas outras irmãs. Perguntou-lhe então o Rei dos Peixes qual a utilidade daquela bota que êle trazia num dos pés e o rapaz revelou o poder mágico que a mesma possuía. Disse então o Rei dos Peixes: — Se eu tivesse uma bota como essa, iria visitar a Princesa de Castela!

No momento da despedida, o rapaz recebeu do cunhado uma escama e este lhe disse: — Quando você estiver em perigo, segure esta escama e grite: Valha-me o Rei dos Peixes! O jovem abraçou a irmã e o cunhado e partiu. Quando se viu longe do palácio, disse para a bota: — Bota, leva-me à casa da minha segunda irmã! Quando acabou de proferir essas palavras, achou-se diante de um palácio mais bonito do que o anterior. Depois de algumas dificuldades, conseguiu falar com a irmã que ficou muito alegre ao saber que êle era seu irmão. Ao cair da tarde, a irmã ficou inquieta e aflita e disse ao rapaz que seu marido, o Rei dos Carneiros, mataria qualquer pessoa estranha que encontrasse no palácio. O irmão contou-lhe o poder mágico de sua carapuça e ela ficou mais calma.

Quando caiu a noite, apareceu o Rei dos Carneiros. Era um carneirão alvo, bonito e forte, que destruía, com cabeçadas, tudo que encontrava à sua frente. Aconteceram então os mesmos fatos da visita à irmã mais velha. O Rei dos

Carneiros ao ter conhecimento que o rapaz era seu cunhado, fez-lhe muitas gentilezas e, ao despedir-se, deu-lhe um pedaço de lã, dizendo: — Quando você estiver em perigo, segure esta lã e grite: Valha-me o Rei dos Carneiros! Quando soube do poder mágico da bota, também disse: — Se eu tivesse uma bota como essa, iria visitar a Princesa de Castela!

O rapaz ficou intrigado com o desejo dos seus cunhados de visitar a Princesa de Castela e, naquele momento, prometeu a si mesmo que iria vê-la, logo que lhe fosse possível. Antes, porém, precisava visitar sua irmã mais moça. Com o auxílio da bota mágica, num instante foi transportado à sua residência. Era um palácio muito mais lindo e rico que os das outras irmãs. Verificou então que sua irmã mais moça era casada com o Rei dos Pombos. Aconteceram os mesmos fatos das visitas anteriores. No momento da despedida, o Rei dos Pombos deu ao cunhado uma pena, dizendo: — Quando estiver em perigo, segure esta pena e grite: Valha-me o Rei dos Pombos! E ao saber do poder mágico da bota, também exprimiu o desejo de visitar a Princesa de Castela.

Logo que se viu longe do palácio do Rei dos Pombos, o rapaz disse à bota: — Leva-me, agora, ao reino da Princesa de Castela! Quando abriu os olhos estava lá. Soube então que se tratava da mais linda princesa do mundo, tão linda que ninguém podia passar pelo seu palácio sem levantar os olhos para vê-la na janela. O Rei, seu pai, desejava muito que ela se casasse, mas a princesa havia dito que só se casaria com o homem que passasse por ela sem levantar os olhos para vê-la. O rapaz mandou dizer ao Rei que era capaz de fazer isso. E de fato passou diante da princesa, várias vezes, sem olhá-la, conseguindo assim casar-se com ela.

Depois de casados, o rapaz contou à sua esposa a história dos objetos mágicos que possuía. A princesa ficou muito interessada, principalmente, no poder da chave. E que o Rei mantinha preso, num quarto do palácio, um monstro terrível, chamado Manjaléu, que êle, de vez em quando, mandava matar, mas que sempre revivia. A princesa tinha grande curiosidade de ver o estranho animal. Por isso, aproveitando um momento em que o pai e o marido se achavam fora do palácio, apanhou a chave encantada e abriu o quarto. O horrendo monstro pulou para fora, dizendo: — Você mesmo é que eu queria! e fugiu para longe, levando a princesa.

Quando o Rei e o rapaz regressaram e deram por falta da princesa ficaram muito aflitos. E a inquietação foi maior quando verificaram que o quarto do monstro estava vazio. Então, o rapaz, valendo-se da bota encantada, logo foi ter ao lugar onde se encontrava sua esposa. A princesa ficou radiante de alegria quando viu o marido e quis imediatamente fugir com êle. Mas este aconselhou-a a descobrir, primeiro, onde se encontrava a vida do Manjaléu para, assim, poder matá-lo de uma vez.

Quando o monstro voltou, percebeu que ali tinha estado um homem e ficou furioso. Mas a princesa conseguiu convencê-lo do contrário e, quando êle se acalmou, perguntou-lhe onde se achava a sua vida. Ele recusou-se a dizer. Mas tanto pediu a princesa que um belo dia êle resolveu atendê-la e disse: — Vou dizer-lhe onde está a minha vida, mas, se eu, algum dia, sentir qualquer mal-estar, saberei que estou em perigo e, antes que me matem, cortarei sua cabeça com este facão afiado que trago sempre comigo! Quer saber assim mesmo? A princesa disse que sim. Disse-lhe, então, o monstro: — Minha vida está no mar; dentro dele há um caixão; dentro do caixão uma pedra; dentro da pedra uma pomba; dentro da pomba um ovo; dentro do ovo uma vela acesa; assim que a vela se apagar, eu morrerei.

Todos os peixes foram, então, buscar o caixão e o colocaram na praia.

 

A princesa, logo que pôde, contou tudo ao marido. Mais do que depressa o rapaz correu à praia e, segurando a escama que possuía, gritou: — Valha-me o Rei dos Peixes! Milhares de peixes surgiram logo, indagando o que êle desejava. Perguntou-lhes o moço por um caixão que existia no fundo do mar. Responderam os peixes que nunca o tinham visto, mas que, talvez, o peixe coto soubesse da sua existência. Apareceu o peixe cotó e este contou que acabara, naquele momento, de esbarrar no caixão. Todos os peixes foram, então, buscar o caixão e o colocaram na praia. O rapaz, depois de muito custo, conseguiu abri-lo. Mas nada pôde fazer com a pedra que estava no seu interior. Apanhou então o pedaço de lã e gritou: — Valha-me o Rei dos Carneiros! Surgiram logo milhares de carneiros. E o rapaz pediu-lhes que rebentassem a pedra.

 

Nesse momento, o Manjaléu sentiu-se mal e começou a amolar o facão para degolar a princesa. Os carneiros, afinal, conseguiram rebentar a pedra. Saiu desta uma pomba que bateu asas e desapareceu no horizonte. O rapaz pegou então a sua pena e gritou: — Valha-me o Rei dos Pombos! Apareceram milhares de pombos que voaram atrás da pomba e conseguiram agarrá-la. O rapaz abriu-a e achou o ovo. Nesse instante, o Manjaléu, que percebeu que ia morrer, levantou o facão para cortar o pescoço da princesa. Foi quando o rapaz, quebrou, rapidamente, o ôvo e apagou a vela. E o monstro caiu morto, sem conseguir degolar a princesa. O moço foi então buscá-la e a levou para o palácio, onde viveram, daí por diante, tranqüilos e felizes.


Fonte : Contos Maravilhosos – Theobaldo Miranda Santos, Cia Ed. Nacional

mai 152010
 
O caçador furtivo, conto infantil

O CAÇADOR FURTIVO

PEDRO estava almoçando em companhia de seus pais. Prestava muita atenção à conversa dos mesmos, porque de fato era muito interessante.

— Há muitos caçadores furtivos nos bosques — disse o pai. — Joaquim, o guarda, diz que não sabe quem é o culpado, mas, que todas as noites desaparecem coelhos e aves. Deve, forçosamente, ser algum forasteiro!

— Escuta, papai — interrompeu Pedro — Joaquim não viu o caçador furtivo?

— Sim! Julga que uma vez chegou a vê-lo! — respondeu o pai. — É um indivíduo alto, forçudo e com barbas!

Pedro ficou muito preocupado com o caçador furtivo e pensou que um dia Joaquim havia de surpreender o criminoso.

— Se eu tivesse uma espingarda como Joaquim, havia de perseguí-lo todas as noites, e não teria medo algum! — pensou o menino. — Oxalá pudesse descobrí-lo!

Dois dias depois, quando o sol se punha, deu-se a casualidade de estar Pedro debruçado à janela mais alta de sua casa.

Procurava ver se descobria seu amigo Tomás, o filho do guarda, na colina situada em frente da casa.

Enquanto olhava, seus olhos se fixaram num indivíduo alto, que desaparecia nos bosques de seu pai.

O sol poente fez brilhar por um instante a arma de fogo que o desconhecido levava debaixo do braço.

Pedro imediatamente se lembrou de que aquele indivíduo poderia muito bem ser o caçador furtivo.

— Quem será esse que a estas horas se mete nos bosques de papai? É alto e leva espingarda! Se fôr o caçador furtivo que hei de fazer eu agora?

Pensou fosse o caçador furtivo

Pensou fosse o caçador furtivo

Desceu correndo e dirigiu-se a Jaime, o cocheiro.

— Jaime, Jaime! — exclamou arquejante. — Nos bosques está um caçador furtivo! Veja se pode apanhá-lo!

— Calma, calma, Pedrinho! — respondeu Jaime sorrindo. — Estou vendo que queres caçoar comigo! — acrescentou.

— Juro que é verdade, Jaime! — exclamou o menino, agarrando-se ao braço do cocheiro. — Faz-me o favor de ir lá antes que seja tarde e que êle mate todas as aves e todos os coelhos de papai!

— Não diga tolices! — replicou o cocheiro. — Tenho muito o que fazer e se quiseres vái tu mesmo apanhar esse caçador furtivo!

Pedro compreendeu que era inútil insistir com Jaime, e, por isso, saiu a correr.

— Não há tempo de ir em busca de mais ninguém — pensou. — E se eu mesmo fosse apanhá-lo na floresta?

Correu em direção ao bosque e, antes mesmo de haver pensado no que faria, esbarrou com o desconhecido.

— Quem é você, menino? — perguntou aquele.

— Pouco lhe importa saber! — respondeu Pedro bruscamente, porque se sentia muito corajoso. — Você é um caçador furtivo! — Joaquim já o viu uma vez. Você é alto, usa barba e traz espingarda! E hoje voltou para caçar indevidamente nos bosques de meu pai! Faça o favor de me acompanhar!

O desconhecido pôs-se a rir.

— E onde pretende levar-me? — perguntou.

— Aqui perto, em casa de meu pai! E não resista, porque papai ficará muito zangado!

— E se eu tentar fugir? — perguntou o homem. — O que fará você?

— Seguí-lo-ei — respondeu Pedro. — E posso afirmar-lhe que corro com muita rapidez! Além disso gritaria chamando Joaquim, o guarda, de forma que não tardaria em ser o senhor preso. É melhor vir comigo, porque se livrará dos ponta-pés e bordoadas que Joaquim certamente lhe aplicaria!

— Bom! — concordou o desconhecido. — Entrego-me e o acompanho.

Pedro o segurou pela manga do casaco e, tirando-o do bosque, levou-o até à sua casa.

O desconhecido o seguiu docilmente, sem intentar sequer a fuga.

Pedro se considerava muito valente.

Acabava de prender, êle sozinho, um caçador furtivo.

O que iria dizer o seu pai quando eles chegassem?

Além disso, estava muitíssimo contente porque todos os seus colegas de escola ficariam sabendo que êle era valente e não tinha medo de um caçador furtivo.

Considerava-se um herói completo!

— Papai! Papai! — gritou ao chegar. — Venha ver o caçador furtivo! Eu o prendi e encerrei-o no telheiro! Tem espingarda e bolsa, que com certeza deve estar repleta de coelhos.

Papai e mamãe apressaram-se a acudir muito surpreendidos e Pedro os conduziu ao telheiro.

— Cuidado! — disse êle ao pai. — Pode tentar uma fuga e nos apanhar de surpresa!

Pedro foi à África com seu tio Guilherme

Pedro foi à África com seu tio Guilherme

Papai abriu a porta e olhou para dentro. Deu um grito de assombro e entrou no telheiro.

— Guilherme! Querido Guilherme! — exclamou. — De onde vens? Não esperávamos que você chegasse tão cedo!

Aquele homem de elevada estatura saiu sorrindo e segurando no braço de papai.

Pedrinho não podia compreender o que significava aquilo.

Pois não é que seu pai tratava amigavelmente aquele desconhecido?

— Este é o teu tio Guilherme! — disse o pai a Pedro. — Vem de caçar tigres em um país muito distante, para passar uma temporada conosco. E você menino foi prendê-lo, confundindo-o, com um caçador furtivo!

Meu Deus!

Pedro ficou vermelho como um tomate e muito envergonhado olhou para o seu tio Guilherme!

— Sinto muito! — disse por fim. — A verdade é que pensei mesmo que o senhor fosse um caçador furtivo!

O menino acrescentou ainda:

— Por que então, o senhor não me disse logo que era o tio Guilherme? Teria evitado o aborrecimento de fechá-lo no telheiro!

— Você é o menino mais valente que tenho conhecido — respondeu o tio. — Você sozinho me apanhou e me prendeu quando eu menos esperava! Prometo um dia levá-lo comigo, porque estou orgulhoso de ter um sobrinho como você!

A aventura, pois, não teve consequências.

Papai estava muito orgulhoso de Pedro e a mesma coisa pensava a mamãe.

Assim, portanto, Pedro não se envergonhou quando, brincando, zombavam dele por ter encerrado o tio Guilherme no telheiro do jardim, pensando ser um herói conforme vira no cinema.

Entretanto, no íntimo, Pedrinho estava desgostoso.

Se os seus amiguinhos viessem a saber do acontecido, caçoariam dele e teria que demonstrar que não admitia brincadeiras

Pedro e o tio Guilherme se fizeram muito bons amigos.

Não tardaram em empreender uma viagem muito longa, não para prender caçadores furtivos, mas, para matar tigres na África. Lá pôde demonstrar a sua coragem não fugindo nunca aos constantes perigos das florestas africanas.

Hoje êle tem satisfação em ter sido valente.

Sede, pois, meus meninos, corajosos e vencereis sempre na vida.

(Trad. e adaptação de Leoncio de Sá Filho)
mai 152010
 

Histórias Infantis – OS DEZ URSINHOS

ERA uma vez dez ursinhos que moravam na cidade das Doçuras. Moravam em dez casinhas colocadas uma ao lado da outra. Amavam-se muito e saíam sempre juntos.

As casinhas eram numeradas de um a dez e cada um dos ursinhos conhecia muito bem a sua casinha lendo o número da porta.

Um dia, resolveram sair. todos juntos, para colher cogumelos. Vocês precisam saber que os melhores cogumelos que havia, estavam num grande campo próximo, pertencente a um velho muito mau, que se chamava Carrancudo.

Por isso, o maior dos ursinhos, antes de ir colher os cogumelos, escreveu uma carta ao velho, solicitando-lhe permissão para isso.

O senhor Carrancudo deu licença e os ursinhos ficaram muito satisfeitos com a grande novidade.

Era uma coisa muito divertida apanhar cogumelos. Cada ursinho levava uma cesta e tinham que se levantar às cinco e meia da madrugada, quando os campos estavam ainda úmidos de orvalho.

Combinaram reunir-se em frente à casa número 10, na qual morava o maior deles, porque pretendiam partir todos juntos.

O caminho era muito comprido porque havia uma grande distância até ao campo do senhor Carrancudo.

Era um sábado de manhã, muito cedinho, quando os ursinhos se reuniram, caregando cada um a sua cestinha.

O sol brilhava no horizonte, o dia despontava magnífico, o orvalho resplandecia na relva. Era uma linda manhã para colher cogumelos!

— Bom dia!

— Bom dia!

— Bom dia! — gritaram os ursinhos, um depois do outro. Como vai ser divertido tudo isto e com um belo tempo deste!

Eram dez lindos ursinhos

Eram dez lindos ursinhos

Puseram-se a caminho, cada um com sua cestinha pendente do braço. Alguns davam saltinhos curtos, faziam piruetas, os demais corriam.

Sentiam-se muito felizes e esperavam trazer muitos cogumelos para fazerem um explên-dido jantar e venderem os restantes no mercado, a dez cruzeiros o quilo!

Que espetáculo se lhes ofereceu aos olhos, ao chegarem ao campo dos cogumelos! Quantos havia! Que abundância! Grandes, pequenos, largos, chatos!. . .

Formavam uma bela coleção que ali crescia à espera de que os ursinhos os fossem colher!

Puseram-se a trabalhar.

Era muito interessante e animadora a rapidez com que iam enchendo as cestinhas!

O maior dos ursinhos vigiava com o rabo dos olhos a casa onde morava o senhor Carrancudo. Vigiava para ver se o velho cachorro Rompe-Ferros não sairia a correr sorrateiramente para lhes pregar um susto.

Nada aconteceu. Apenas o fumo que saía da chaminé da casa do velho lhes dava a entender que êle estava levantando. Finalmente, quando as dez cestas estavam cheias o maior dos ursinhos disse:

— Está na hora de partirmos. Sigam-me.

Um atrás do outro os dez animaizinhos percorriam o caminho que cortava o campo e saltaram a vala que havia no fim. Atravessaram o bosque e tomaram a estrada que ia para a sua cidade.

Ali chegados, encontraram o velho "Dorme-Tarde", um fantoche de rosto negro que vivia na cidade vizinha.

Êle trazia uma grande cesta e ia colher cogumelos no campo do senhor Carrancudo.

Mas, como havia levantado muito tarde, já os ursinhos tinham colhido todos.

— Como sempre você chega quando tudo já acabou, "Dorme-Tarde" — exclamaram a rir. — Talvez você seja muito esperto, porém, tem 10X10 demais para colher os melhores cogumelos! Ah, ah, ah!

"Dorme-Tarde" ficou tão vermelho quanto permitia o seu carão preto. Sabia que era preguiçoso.

Era um fantoche muito esperto, muito inteligente, mas não tinha coragem para levantar-se cedo. Gostava demais da cama. Assim, achou que os ursinhos eram muito grosseiros por se rirem dele.

— Encherei minha cesta de cogumelos — pensou, e disse. — Hão de ver que ainda trarei mais do que vocês todos!

— Chiii!… — responderam os ursinhos. — Não resta nenhum, não encontrará nada.

O fantoche saiu muito aborrecido e desapontado.

Os ursinhos puseram-se á rir novamente e entreolharam-se muito contentes. Não acontecia muitas vezes que pudessem caçoar de um fantoche tão esperto como aquele!

— Suponho que todos estamos aqui — disse o maior, olhando os que o rodeavam. —

Devemos nos contar para ver se os dez saímos sãos e salvos do campo do senhor Carrancudo.

— Pois contemos já! — replicou o menor de todos

contos fábulas histórias infantis online imprimir

Dorme-Tarde viu os ursinhos com as cestas

Assim fêz, indicando com o dedo um ursinho alternativamente. — Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove… Oh! Aqui estamos só nove!

— Santo Deus! — exclamou o maior tornando-se pálido.

— Não diga que ficou algum de nós para trás! Qual foi?

Não puderam esclarecer qual faltava. Ali estava o maior deles e o menor, o mais gordo e o magrinho, o de gravatinha azul e o de gravata vermelha. Que coisa estranha! Quem teria ficado para trás?

— Esperem que eu vou contar de novo — disse o ursinho magrinho. E contou lenta e cuidadosamente, indicando a todos os seus amigos, à medida que o fazia. — Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove. Que coisa mais horrível! Só estamos aqui nove e saímos dez! Não seria mais prudente voltarmos atrás a fim de verificarmos quem foi que perdemos? E se o senhor Carrancudo o houvesse agarrado?

Que ursinhos tolos eram aqueles! Vocês não sabem o que eles faziam? Pois simplesmente isto, quando se contavam para ver quantos eram, cada um se esquecia de contar a si próprio!

Claro que dessa forma se encontravam nove ursos, porque o décimo que era aquele que estava contando, não se lembrava de se incluir na conta, junto aos outros companheiros!

Quando estavam pensando se deveriam voltar ao campo do senhor Carrancudo, para procurar o ursinho que julgavam estar faltando, ouviram que alguém se aproximava pelo bosque de onde haviam saído.

— O décimo urso! — exclamaram alegres, mas, estavam enganados. Era o "Dorme-Tar-de", o fantoche, que voltava do campo com a cesta vazia.

Não tinha encontrado nem um cogumelo sequer.

O recém-vindo surpreendeu-se e teve um gesto de contrariedade ao ver os ursinhos no mesmo lugar onde os havia deixado. Pensou que o estavam esperando para se rirem dele ao vê-lo voltar sem fungos.

— Oh! — exclamou, meio desapontado. — Por que vocês ainda estão aí?

— Venha cá, fantoche, você viu algum dos nossos pelo campo? — perguntou o maior deles — Um de nós ficou por lá!

— Não! Não estava ninguém lá! — respondeu o fantoche admirado. Nem uma alma! A única coisa que vi foi a fumaça da chaminé da casa do Carrancudo.

— Nossa Senhora! — gemeram os ursinhos — O senhor Carrancudo terá agarrado o nosso pobre companheiro e o estará assando para o jantar! Ooooh!. . . exclamaram apavorados!

Os ursinhos deixaram as cestas no chão, tiraram seus grandes lenços brancos e choraram derramando lágrimas em cascatas. O fantoche nem podia tornar a si do espanto causado por aquela cena. Contou rapidamente os ursinhos e verificou que estavam os dez.

Por que haviam de .pensar que um deles estava perdido? Eram somente dez os ursinhos que viviam nas dez casinhas da cidade das Doçuras!

— Quantos eram vocês ao saírem esta manhã? — perguntou êle admirado.

— Dez! — soluçou o mais velho — E só voltamos nove! Olha… Deixe-me contar.

Indicou todos os seus amiguinhos, um atrás do outro, contando-os: Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove… Está vendo? Só nove! Oh! Fantoche, você é capaz de ir buscar o décimo ursinho à casa do velho Carrancudo?

"Dorme-Tarde" ficou com os fungos

Dorme-Tarde ficou com os fungos

O fantoche verificou que o tolo do ursinho tinha deixado de contar a si próprio. Pouco faltou para que rebentasse numa risada estrepitosa, porém, conseguiu se conter.

— Digam-me, o que me darão se eu encontrar o décimo ursinho?

— Dar-lhe-emos os nossos melhores e mais belos fungos! — disse o maior deles muito excitado. — Olhe, vamos encher a sua cesta. Se você encontrar o nosso amiguinho perdido, serão todos seus os cogumelos!

O fantoche sentiu grande alegria ao ver que os mais belos cogumelos iam parar em sua cesta. Quando a cesta ficou cheia até à boca, os ursinhos o fitaram.

— Agora, por favor, volte ao campo do senhor Carrancudo e procure o nosso companheiro! — suplicaram eles.

— Não é preciso — disse o fantoche, apanhando a sua cesta — O décimo urso está aqui.

— Aqui! — exclamaram todos assombrados. — Onde? Não o vemos! Mostre-nos!

— Pois bem! Vou contá-los e vocês verão que aqui estão todos! — disse o fantoche a rir. — Ponham-se em linha. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove e dez! Aí estão!

Dez, e tão tonto é um, como os outros! Ora vejam só! Quem se riu de mim esta manhã porque cheguei tarde para colher cogumelos? Por acaso não tenho agora os melhores? Vocês precisam pensar duas vezes, ursinhos, antes de se rirem do fantoche!

Ditas essas palavras, "Dorme-Tarde" partiu com a sua carga, a rir-se muito dos pobres ursinhos! Estes ficaram a entreolhar-se admirados.

Como se havia arrumado "Dorme-Tarde" para contar dez ursinhos?

Era um milagre!

Realmente era um mistério! Até hoje os ursinhos ainda não podem compreender como se deu tão maravilhoso fato! Tolinhos!

Muito tolinhos, não acham?

(Trad. e adaptação de Leoncio de Sá Filho)

set 122009
 

Rapunzel

IRMÃOS GRIMM
Ilustrado por SÉRGIO

Fonte: Ed. Abril Cultural. Col. Fábulas Encantadas, 1970.

Rapunzel fábula infantil

Esta moça de trança
Longa e macia é prisioneira da bruxa numa torre alta e sombria.
Rapunzel das longas trancas espera ser livre um dia.
Virá alguém libertá-la?
A estória aqui principia.

 

Era uma vez um lenhador, que vivia feliz com sua mulher numa casa simples, mas confortável.

Eles tinham um cachorro grandão e peludo e três pombinhas brancas.

Os dois estavam na maior das alegrias porque ia nascer um nenê para fazer companhia a eles.

Por isso a mamãe tratava de fazer as roupinhas para a criança, enquanto o papai construía um bom bercinho.

E o cachorro vigiava a casa, preso na corrente, perto da porta de entrada.

 

 

Ao lado da casa do lenhador morava uma velha bruxa, banguela, feia e egoísta, que nunca dava nada para ninguém.

A bruxa tinha um quintal enorme, muito bem cuidado, onde havia um pomar e uma horta cheios de frutas e verduras gostosas.

Mas a bruxa era tão egoísta que mandou cercar o quintal com um muro bem alto. só para que ninguém tivesse o gostinho de olhar o que havia lá dentro!

Acontece que a casa do lenhador tinha uma janela que se abria para o lado do quintal da bruxa. Uma manha, sua mulher, indo até a janela, viu os lindos rabanetes da horta da bruxa, vermelhinhos e apetitosos. —   Eu bem que gostaria de comer alguns… — pensou ela. — Pena que não são nossos e a velha bruxa não dá nada para ninguém…

Era tanta a vontade de comer aqueles rabanetes vermelhinhos… Mas o jeito era ter paciência. Não adiantava cobiçá-los. Um dia a mulher ficou doente, muito ruim mesmo. Não conseguia comer nada do que o marido lhe trazia. Passou-se um dia, e mais outro… Ela só falava nos rabanetes e não comia outra coisa. O lenhador decidiu então ir buscar aqueles famosos rabanetes. Esperou a noite ficar bem escura, para que a velha bruxa não o visse.

rapunzel02

rapunzel , contos de fada grimm

Devagarinho, devagarinho, escorregou da janela para dentro do pomar, e… zapt!. Arrancou um punhado. Os rabanetes estavam gostosos mas tão gostosos que a mulher quis comer mais no outro dia e no outro e no outro ainda! O pobre marido teve que voltar várias noites ao quintal da velhota, para colhê-los. Enquanto isso, sua mulher, graças aos rabanetes, dia a dia sentia-se mais forte.

Numa noite escura, quando colhia os rabanetes, o lenhador viu a velha bruxa surgir diante dele, cercada por seus corvos de estimação.

— Olhem só! — disse a velhota. — Então o misterioso ladrão dos rabanetes era você, hein? Bem que meu corvo predileto já tinha me falado!

O lenhador explicou que os rabanetes   eram para sua mulher, que não queria comer outra coisa.

A bruxa sabia de tudo, nem precisava de explicação. E aproveitou para pedir em troca dos rabanetes a criancinha que ia nascer. O pobre lenhador tremia tanto, mas tanto, que seus dentes batiam um no outro: tac, tac, tac… Apavorado diante da velha bruxa, nem conseguiu dizer não. — Não precisa se preocupar — disse ela. — Eu vou ser boazinha. serei uma verdadeira mãe para o bebê, pode acreditar em mim.


rapunzel e a bruxa, irmãos grimm

Depois de pouco tempo, nasceu a menina, gorduchinha e de cabelos loiros.

O lenhador e a mulher ficaram muito contentes.

Cuidaram da criança com todo carinho. Toda noite   cantavam para  ela:

Dorme, nenê,

No teu bercinho lindo.

Papai está contente,

Mamãe está sorrindo.

Imagens rapunzel, fábulas infantis

Mas logo a velha bruxa veio buscá-la. Os pais choraram muito e pediram-lhe que não levasse a menina, mas nao adiantou. A velha levou-a e lhe deu o nome de Rapunzel. A menina cresceu, cada vez mais bonita.

rapunzel

Passaram-se os anos e Rapunzel ficou linda… Seus cabelos loiros cresceram e todos os dias ela os penteava fazendo duas longas tranças. A velha bruxa, feia e banguela, com um dente só, num cantinho da casa começou a pensar:

— Rapunzel é linda. Preciso escondê-la para que ninguém a roube de mim. Devo fazer alguma coisa… Já sei! Vou levar Rapunzel para a floresta e trancá-la em uma torre! Isso mesmo! Uma torre com uma janela só e… sem porta, para que ninguém possa entrar lá… Ponho uma escada para Rapunzel subir na torre, mas, depois que Rapunzel estiver presa, eu levo a escada embora! E… como é que eu me arranjo depois para ir vê-la? Já sei! Não dou nenhuma tesoura para Rapunzel. Assim ela não poderá cortar os cabelos. Eles crescerão cada vez mais e ela ficará com duas tranças tão compridas, que servirão de cordas! É isso mesmo! Toda vez que eu quiser falar com Rapunzel, subirei pelas trancas! Assim ninguém mais poderá visitar Rapunzel, só eu!

A velha bruxa fez o que planejara e Rapunzel ficou presa lá na torre. A menina loira passava o tempo todo a fazer suas longas tranças e repetir as canções que os passarinhos, seus amigos, cantavam.

Cada vez que a bruxa velha queria visitá-la, ia até a torre. Primeiro olhava para todos os lados, para ver se não havia ninguém por perto. Olhava muito bem e depois gritava lá de baixo:

— Rapunzel! Jogue-me suas trancas! E Rapunzel respondia:

rapunzel e o príncipe rapunzel jogos	rapunzel historia	rapunzel disney	rapunzel desenho

— Já vai!… Mas suba devagarinho!

A menina jogava as tranças pela janela e a velha subia, toda contente da vida. Uma tarde, enquanto a menina cantava, passou por ali um príncipe, que a ouviu:

Queridas estrelinhas

que brilhais

nas noites mais bonitas,

eu jamais

deixo esta torre; e espero

enquanto o tempo

corre e corre e não volta nunca mais…

Quem será que tem uma voz tão bonita assim? — pensou o príncipe.

O príncipe andou ao redor da torre e não viu nenhuma entrada. Ficou com muita vontade de saber quem é que cantava, presa naquela torre sem porta. Ouvindo um barulho de gente pisando nas folhas secas que cobriam o chão, escondeu-se depressa e viu a velha bruxa, Ela chegou embaixo da janela e gritou:

—      Rapunzel, jogue-me suas trancas!

O príncipe descobrira o segredo! Na noite seguinte, com muito cuidado, ele chegou bem perto da parede da torre e gritou:

—      Rapunzel, jogue-me suas tranças!

A menina ficou meio indecisa por causa daquela voz diferente, mas pensou que a velha estivesse resfriada e jogou as tranças.

Ágil e rápido, o príncipe subiu por elas.

rapunzel e o príncipe rapunzel jogos	rapunzel historia	rapunzel disney	rapunzel desenho

rapunzel jogos	rapunzel historia rapunzel disney rapunzel desenhoQuando o príncipe entrou pela janela, Rapunzel exclamou, assustada:

— Oh! Não é,a velha bruxa! Quem é você, então?

O príncipe contou o que acontecera e Rapunzel, com medo de que a bruxa se zangasse, falou:

— Você precisa ir embora o mais depressa possível!
Se a bruxa o encontra aqui…

Depois, pensando um pouco, mudou de idéia:

— Bem que eu gostaria de ter companhia… estou sempre tão sozinha… é tão triste…

O príncipe prometeu vir visitá-la todas as tardes.

 

 

 

 

E assim aconteceu… e chegou o dia em que os dois amigos descobriram que seria bom que ficassem sempre juntos. Resolveram se casar. Mas, e a torre? Como sair dela?

rapunzel jogos	rapunzel historia - rapunzel disney -rapunzel desenhoRapunzel, muito animada, teve uma boa idéia, que contou logo para o príncipe.

— Toda vez que você vier à torre, traga um pedaço de corda.  Depois nós emendamos os pedaços e fazemos uma escada com eles. No dia em que a escada estiver pronta, é só amarrá-la na janela… e descer!

O plano era bom e o príncipe prometeu trazer as cordas. Depois levaria Rapunzel para seu reino, onde se casariam.

 

Mas acontece que Rapunzel era muito distraída, e um dia, quando a velha estava subindo pelas tranças, ela disse sem querer:

— Mas como a senhora está gorda! Parece até que está mais pesada que o príncipe!

A bruxa, doida de raiva, descobriu tudo. Furiosa, imediatamente pensou na melhor maneira de impedir que Rapunzel tornasse a ver o príncipe. A primeira coisa que fez foi cortar as tranças de Rapunzel. Não adiantou nada a menina chorar e pedir perdão. A velhota estava danada mesmo. Com uma só tesourada, lá se foram as trancas para o chão. E a bruxa não parou por aí. Chamou seus corvos, fez uma reunião com eles e ordenou que levassem Rapunzel para o deserto, para que ela vivesse sozinha, longe de todo mundo. Mas o príncipe, que não sabia de nada, voltou a visitar Rapunzel. Chegou embaixo da janela e gritou:

— Rapunzel! Jogue-me suas tranças!

A velha, que estava escondida lá na torre, jogou as trancas e puxou o príncipe para cima. O príncipe levou um susto enorme quando viu aquela cara feia dizendo:

— A menina não está mais aqui, seu danado, ela foi para muito longe! Ah! ah! ah!

príncipe rapunzel contos infantis

 

 

Dando uma gargalhada, a bruxa largou trancas onde o príncipe estava, suspenso e ele caiu lá do alto para o chão. Coitado do príncipe, tão bonzinho que era. A bruxa, com as mãos na cintura, ficou olhando para baixo e quando viu o que aconteceu com o príncipe, deu mais uma gargalhada, a malvada! Se o príncipe tivesse caído no chão. apenas, ainda nao seria tão grave, mas ele caiu em cima de uma enorme roseira. Ficou todo espetado, machucado e cego.

 

 

rapunzel grimm fada bruxa príncipe

 

rapunzel grimm fadas e o príncipe floresta encantadaMesmo machucado, mesmo cego, mesmo sozinho, o príncipe resolveu que iria procurar Rapunzel. Os esquilinhos viam o estado do rapaz e cochichavam:

— Mas aquele não é o príncipe? Coitado, como ele está machucado! E ainda vai procurar Rapunzel… Que judiação o que a bruxa fez com eles!

— Rapunzel! Rapunzel, onde é que você está?—ia chamando o príncipe por onde passava, procurando sua amada.

 

Até que um dia, cansado e sem saber que direção deveria tomar, percebeu que tinha chegado a um deserto.

— Não agüento mais, sei que não vou encontrar Rapunzel, ela está perdida para sempre… Vou gritar o nome dela pela ultima vez:

— Rapunzeeeeeelll!

E o príncipe caiu na terra quente.

Acontece que Rapunzel estava ali perto!

Ela ouviu a voz desesperada de alguém que a chamava.

Andou até ver o moço, que de longe parecia um viajante desconhecido.

— Como será que ele sabe meu nome? — pensou ela.

 

Chegando bem perto, viu que era o seu príncipe!

Quando descobriu que ele estava cego, Rapunzel começou a chorar.

Duas lágrimas suas caíram dentro dos olhos do rapaz, e

imediatamente ele começou a enxergar outra vez !

Que coisa maravilhosa! Rapunzel estava ali mesmo, bem juntinho dele!

rapunzel e o príncipe finalmente juntos

Os dois jovens, finalmente reunidos, deixaram o deserto e foram para o palácio do príncipe. Lá se casaram e foram felizes. O pai e a mãe de Rapunzel vieram para o palácio morar com a filha, que nunca fora esquecida por eles. E a bruxa egoísta ficou presa na torre e nunca mais saiu de lá.

E assim termina a história
de Rapunzel e o príncipe encantado;>br/> do amor tão grande e firme
que os guiou para o encontro desejado
vencendo a bruxa má
com seus bruxedos todos desmanchados