jun 042014
 

O lobo e o cordeiro

No tempo em que o lôbo e o cordeiro estavam em tréguas [1]), desejava aquêle que se oferecesse ocasião para as romper. Um dia que [2]) ambos se acharam na margem de um regato, indo be­ber, disse o lôbo mui encolerizado contra o cordeiro:

“Por que me turbais a água que vou beber?”

Respondeu êle mansamente: f

“Senhor fulano lôbo, como posso eu turbar a vossa mercê a fonte, se ela corre de cima, e eu estou cá mais abaixo?”

Reconheceu o adversário a clareza do argumento, porém, va­riando de meio, instou dizendo:

“Pois se não turbastes agora, a turbastes o ano passado.” Satisfez o cordeiro, dizendo:

“Como podia eu cometer um crime haverá um ano, se eu não tenho ainda de idade mais que [3]) seis meses?”

Então o lôbo, enfadado tanto mais quanto mais convencido disse:

“Pois, se não fostes vós, foi fulano carneiro vosso pai.” E, investindo ao pobrezinho, o levou nos dentes.

Assim fazem os ímpios e maliciosos, a quem não há inocência que satisfaça nem desculpa que contente. (Manuel Bernardes).

Fonte: Seleta em Prosa e Verso dos melhores autores brasileiros e portugueses por Alfredo Clemente Pinto. (1883) 53ª edição. Livraria Selbach.

[1] Estar em tréguas — estar em paz.

[2] subentende-se a preposição em (em que).

[3] No português moderno, seguindo-se um nome numeral ou a pala­vra metade, dizemos: mais de, menos de em lugar de mais que, menos que; ex.: Mais da metade da vida levou êle a escrever a sita obra. Ela não tem menos de trinta anos.

fábula o lobo e o cordeiro

o lobo e o cordeiro

abr 132014
 

O presente da fada *)

Na serra, alta e fertilíssima serra, vivia um casal honrado que, pela bondade do coração, mereceu as boas graças da fada

montesina, uma formosa e meia criatura de Deus, porque o diabo não a faria tão bela nem tão boa. Era ela quem enflorava as árvores e quem mudava em fruto a flor; era quem reverdecia as árvores e quem dava água aos riachos; era ela quem protegia os • ninhos e as borboletas.

Quando a mulher se fêz mãe, chamou a protetora dos mon- tes e, vendo-a perto do leito, pediu-lhe que fôsse madrinha da criança que ia nascer.

Aquiesceu [1]) a fada e, vindo ao mundo o infante, ela, porque era uma criatura de Deus, acompanhou o casal à igreja, uma ernida pobre, escondida modestamente entre o arvoredo, e batizou

O menino, dando-lhe, por essa ocasião, com a benção um precioso presente, que, apesar-de não ser visto, foi logo reputado de alto valor, eomo eram todos os votos da protetora dos montes.

Cresceu formoso e forte o menino rústico e, logo que pôde viajar sozinho, lançou-se ao mundo, à aventura.

Os pais, porque muito confiavam na. madrinha do pequeno, não o detiveram, pôsto que muito lhes custasse aquela partida.

Pobres como eram, só lhe podiam dar um cântaro dágua e um farnel, e êle partiu.

Que seria feito dêle? pensavam os pais, já velhos, sentados

tristemente à porta da cabana, mas uma voz lhes dizia sempre da

floresta:

“Em breve o tornareis a ver.” De-fato, uma manhã saía o velho para lenhar, quando ouviu tangeres na montanha, e, sur­preendido, parou, vendo então surgiu, com alegre rumor de flau­tas e de trompas, numerosa cavalgada [2]) de guerreiros todos fidalgamente vestidos, os ginetes fogosos, ajaezados de ouro.

À frente de todos e mais nobre que todos, um lindo mancebo que, pelo porte senhoril e pelo respeito de que o cercavam parecia r. er dêles rei ou soberano.

Mal deu com o velho, lesto saltou da sela e, avançando com os olhos cheios d’água, apertou-o nos braços efusivamente, dan­do-se a conhecer como o filho que dali partira novo [3]) e pobre,

o que fêz com que 4) o velho molhasse as roupas de abundantes lágrimas alegres.

Levado à cabana, não foi menor a comoção da velha; e de­pois de algum repouso, logo quiseram os dois saber como pudera êle conseguir tão alta fortuna a ponto de trazer após si tão grossa comitiva.

Antes de explicar, êle narrou miudamente tôda a sua vida desde que saíra da montanha até que, pelos seus feitos, fôra ele­vado ao trôno de um país rico e de paz.

Depois disse com lentidão: — Tudo devo a minha boa ma­drinha montesina, que tão generosamente me dotou diante da pia.

— E que te deu ela? perguntou a velha, porque ninguém viu êsse presente.

— Vontade! disse uma voz da floresta, e o príncipe apon­tando na direção de onde viera a voz misteriosa:

— Ela mesma o diz: “Vontade”. Foi com êsse condão 2)

maravilhoso que r,udo consegui no mundo.

(Idem)

1) Fada — Ser feminino, criado pela imaginação dos poetas, ao qual atribuem o poder de obrar maravilhas, predizer o futuro; enoantar para o bem ou para o mal.

Levado à cabana, não foi menor a comoção da velha; e depois de algum repouso, logo quiseram os dois saber como pudera êle conseguir tão alta fortuna a ponto de trazer após si tão grossa comitiva.


Antes de explicar, êle narrou miüdamente tôda a sua vida desde que saíra da montanha até que, pelos seus feitos, fôra elevado ao trôno de um país rico e de paz.


Depois disse com lentidão: — Tudo devo a minha boa madrinha montesina, que tão generosamente me dotou diante da pia.


— E que te deu ela? perguntou a velha, porque ninguém viu êsse presente.


— Vontade! disse uma voz da floresta, e o príncipe apontando na direção de onde viera a voz misteriosa:


— Ela mesma o diz: “Vontade”. Foi com êsse condão *) maravilhoso que tudo consegui no mundo.


(Idem)

2) condão — dom, privilégio, poder misterioso.



[1] Aquiesceu — concordou, acendeu, condescendeu, anuiu.

[2] Numerosa cavalgada. Querem -alguns escritores que o adjetivo numeroso só se pode aplicar a substantivos coletivos e consideram êrro grosseiro empregá-lo com substantivos não coletivos, como por ex.: Nume­rosos amigos foram cumprimentá-lo. Entretanto em Alex. Herc., Epifânio Dias, Carlos de Laet e outros* encontramos exemplo? do contrário. Em His- palis, Opas tem consigo numerosos clientes (Eurico 68). Sisebuto e Ebas… com os seus numerosos guerreiros constituíam a vanguarda (Eurico 110). Suas numerosas obras… jazem quase tôdas esquecidas (Laet, Minas 13(>).

[3] novo — sinônimo moço.

presente-da-fada

Fonte: Seleta em Prosa e Verso dos melhores autores brasileiros e portugueses por Alfredo Clemente Pinto. (1883) 53ª edição. Livraria Selbach.

ago 162010
 

O SIMBA E

OS POMBOS

(Contos e Lendas Populares)

(Moçambique)

O Simba (Gato bravo), uma vez, andava à caça.

Andou, andou muito tempo e foi ter a uma planície onde estava um bando de pombos que andavam a brincar na terra. O Simba foi muito devagarinho, pé-ante-pé… Mas os pombos tiveram muito medo, voaram e foram poisar na árvore que estava ali mais perto.

Então o Simba, com uma voz muito boa, disse: Pombos amigas, porque é que vocês têm medo ?.. Eu sou o Rei dos Simbas. Eu tenho o feitiço de matar todos os animais que fogem de mim. Posso voar mesmo como vocês. Venham cá para baixo que eu quero comer dois ou três para matar a minha fome.

Os pombos estavam com muito medo, e desceram da árvore, e o Simba comeu cinco dos mais gordinhos, deixando os outras ir embora.

No dia seguinte o Simba voltou àquele sítio, disse a mesma coisa e comeu mais cinco pombinhos dos mais gordinhos.

Durante uma semana o Simba foi todos os dias ao mesmo sítio e sempre comeu cinco pombos dos mais gordinhos.

Outro dia os pombos foram beber água a um rio e encontraram lá a Coruja, que era amiga deles. A Coruja viu que faltavam muitos pombos e perguntou onde é que eles estavam. Então o chefe do bando contou o que acontecera com o Simba. A Co ruja teve muita pena dos pombos e disse-lhes que o Simba falara mentira, êle não podia matar todos os animais que fugissem dele e também não podia voar porque não tinha asas. E depois disse-lhes que não fizessem o que o Simba dizia.

Agora o Simba. chega à planície, à mesma hora. Os pombos logo que o viram bateram as asas e foram poisar na árvore mais alta que ali estava. O Simba ficou então muito admirado. Chegou ao pé da árvore e com uma voz muito boa disse-lhes que descessem.

Mas os pombos não quiseram. Eles disseram ao Simba que já sabiam que êle não tinha o feitiço de matar todos os animais que fugissem dele, e que não podia voar porque não tinha asas.

O Simba perguntou quem é que lhes havia ensinado aquelas coisas.

 Foi a nossa amiga Coruja — respondeu o chefe.

O Simba, todo zangado, fez juramento de tirar vingança. Foi à procura da Coruja, que estava ao pé do rio, e disse-lhe:

 O’ Coruja! Que faria você agora se viesse o vento sul?

 Eu não tenho medo do vento sul porque fazia assim — e pôs-se a bater com as asas.

 Hum!… E se fosse o vento norte?

 Também não tinha medo porque fazia assim a mesma cousa — e pôs-se outra vez a bater com as asas.

Então o Simba deu um grande salto e agarrou-a! Quando o Simba tinha a Coruja agarrada, disse-lhe:

 Então você conhece-me melhor que os pombos?! Você não acredita que eu tenho feitiço? Mas agora eu agarrei você, "mamana"…

 Está bem — disse a Coruja. Você é o Sim j ba mais esperto que eu conheço. Agora você agarrou-me e pode fazer de mim o que quiser. Mas eu já aviso você: a mim ninguém me pode. comer sem primeiro chamar, de joelhos e com os olhos fechados, o espírito dos meus antepassados.

O Simba ajoelhou e fechou os olhos. A Coruja saltou-lhe para o dorso, filou-o com as garras, levantou o voo e levou-o assim pelo ar.

Quando já ia muito alto, a Coruja disse:

 Eu não quero fazer mal a você. Mas agora precisa mostrar que pode voar como eu. Vou soltar você.

E o Simba veio por aí abaixo, voltando no ar as pernas pela cabeça.

Conto dos pretos Maputos, versão colhida pelo sr. J. Serra Cardoso, "Moçambique", n.° 4, Outubro-Dezembro de 1935, Lourenço Marques, pp. 77-80.

Muito popular também no Brasil do nordeste e norte. José Carvalho registou uma variante do Ceará, entre a raposa, as rolinhas e o canção (Cyanocorax cyanoleucus) que desmascara a raposa, "O Matuto Cearense e o Caboclo do Pará", Belém, Pará, 1930, pp. 85-87. João Ribeiro, "O Folk-Lore", p. 245, Rio de Janeiro, 1919, narra a história como sendo um apólogo árabe do filósofo Sindabar, entre a raposa, os pombinhos e o pardal, que ensina a vencer a manha vulpina. Há um conto dos negros ‘ Kabilas, que Leo Frobenius registou. O chacal ameaça comer todos os pintos da galinha, subindo ao monte íngreme, se esta não os atirar em certa porção diária. A águia termina com essa tragedia, revelando a mentira do chacal e depois, como a Coruja dos Maputos, levando-o pelos ares e jogando-o de alto, "African Gene sis", trad. de Douglas C. Fox, p. 83, New York 1937. Aurélio M. Espinosa, "Cuentos Populares Españoles", III, pp. 493-4, encontrou versões em Toro (León) e Rasueros (Ávila), "La pega y sus peguitos", "La zorra y el alcaraván". Neste último repete-se a libertação da ave pelo mesmo processo do "Mocho e a Raposa", Stanford University, California, 1926. Ha urna variante no "El Conde Lucanor", exemplo XII. (Câmara Cascudo)

Fonte: Os melhores contos Populares de Portugal. Org. de Câmara Cascudo. Dois Mundos Editora, 1944.

ago 162010
 

A GRATIDÃO DO LEOPARDO

( Angola)

Eianga dia Ngenga tomou a sua espingarda dizendo: vou caçar! Entrou para o bosque e foi caçar. Não encontrou caça, e disse: vou voltar.

Voltava para casa quando encontrou o senhor Leopardo que estava engalhado numa forquilha de árvore. Vendo Nianga, o Leopardo exclamou: Pai Nianga ajude-me!

— ‘Quem te pôs nesta árvore? Êle respondeu: engalhei-me, quero falar-te.

Nianga libertou-o e o Leopardo ficou no solo, dizendo: O Elefante colocou-me na forquilha da árvore. Quem salva a vida, salva tudo. Há dois dias que estou na árvore. Dê-me comida.

Nianga respondeu: Onde irei encontrar comida ? O Leopardo declarou: em qualquer parte… Nianga tomou seu cão e o entregou ao senhor Leopardo. O senhor leopardo comeu-o e disse: Não estou satisfeito! Nianga tomou ainda outro cão e o deu ao senhor Leopardo. Este, devorou p. disse: Ainda não é bastante!

Nianga dia Ngenga tomou sua cartucheira e lha deu. O senhor Leopardo, quando acabou de comer, disse: Ainda não é o suficiente. ..

O Coelho chegou e encontrando a conversa, disse: por que discutem? Niaaiga respondeu: O senhor Leopardo foi encontrado por mim numa forquilha de árvore. Disse-me que o salvasse. De pois ‘pediu que comer. Dei-lhe ambos os meus cães e minha cartucheira. Êle ainda disse que não era. o bastante. Discutíamos sobre esse assunto.

O Coelho opinou: Senhor Leopardo, volte ainda uma vez à forquilha da árvore. Preciso verificar…

O senhor Leopardo voltou à árvore e ficou como> dantes estava. O Coelho afastou-se e chamou Nian-g-a, dizendo-lhe: Foste imprudente. O Senhor Leopardo é um animal feroz, querendo devorar a todos. Quando pensaste em libertá-lo, êle planejou comer a ti. Matai-o!

Nianga atirou no senhor Leopardo.

O fim… com Deus.

Popularíssimo conto entre pretos e africanistas. É o XVIII do Folk-Tales of Angola, de Heli Chatelain, Nianga dia Ngenga ni na Ngo, Boston and New York, publicação do The American Folk-Lore Society, 1894, colhido entre os negros caçadores do Mbaka. Tema universal,, ocorre em quási todos os folclores. A mais antiga versão encontra-se no Panchatantra, assim como no seu resumo, Fabulas de Pilpay, entre o Homem e a Serpente que êle salvara do fogo. A Vaca, a Árvore votaram com a Serpente. A Raposa livrou-o, com o mesmo artifício. Corre mundo desde o ano 570.

J. P. Steel e R. C. Temple, no Wide-Awake-Stories, Bombay e Londres, 1884, recolheram uma versão popular no Panjap. O Tigre, ajudado pelo Brâmane, quer devorá-lo. Árvore, Vaca e Caminho opinam pelo Tigre. O Chacal, pretendendo reconstituir a cena, prende o Tigre para sempre. Couto de Magalhães ouviu o mesmo episodio entre os indígenas brasileiros do idioma tupí, O Selvagem, p. 237, Rio de Janeiro, 1876, onde a Onça, posta em liberdade pela Raposa, quer devorá-la. O Homem manda a Onça voltar ao fosso, deixando-a presa. O prof. Espinosa colheu uma variante em Espanha, Un bien con un mal se paga, León; a Cobra quer morder aq Homem que a salvou do frio. O Asno e o Boi foram pela Cobra mas a zorra (Raposa) exigiu a encenação inicial e a Cobra regressou ao alforge do Homem que a matou, ás pauladas, Cuentos Populares ‘Españolen, III.0, 264.°. Na América Central, dona Maria de Noguera registou El Fallo de tio Conejo, sendo o Boi, ameaçado pelo Tigre, salvo pela astucia do conejo (Coelho) ; Cuentos Viejos, p. 145, S. José de Costa Rica, 1938. Na Argentina, é o sr. Rafael Cano, Del Tiempo de Ñaupa, Buenos Aires, p. 213, 1930, quem fixou o conto, tendo como personagens o Tigre, o Homem e o zorro. Na África Oriental Portuguesa, Moçambique, o padre Francisco Manuel de Castro registou uma variante, ouvida aos pretos Macuas e transcrita pelo jornalista brasileiro Amon de Melo, Africa, p. 240, Rio de Janeiro 1941. O Perú’ Bravo, solto de uma armadilha pelos meninos Narrapurrapu e Nantetete, filhos de Moxia, ia comê-los quando o Coelho duvidou que êle tivesse cabido dentro da armadilha. O Peru Bravo, desafiado, voltou à prisão e ainda lá deve estar. Leo Frobenius, no African Génesis, seleção de Douglas C. Fox, p. 163, New York, 1937, tem uma versão dos negros Nupes do Sudão. O caçador livrando um crocodilo de morrer fora do Niger está condenado a morte. Asubi (esteira colorida do Kutigi) e um pedaço de pano, votam a favor do Crocodilo. O Boaji (almíscar) obtém a representação da cena e deixa o crocodilo no seco, escapando o Homem.

Encontrei uma versão brasileira no Nordeste, registrando-a no meu Contos Tradicionais do Brasil. E’ o Mt. 155 de Aarne-Thompson The Ungrateful serpent Returned to Captivity ainda conhecido na Alemanha, Itália, Estônia, Finlândia, Lapônia, Dinamarca, Flandres, Sicília e entre os pretos da Hotentócia. (C. CASCUDO)

Fonte: Os melhores contos Populares de Portugal. Org. de Câmara Cascudo. Dois Mundos Editora, 1944.

mai 182010
 

O MACACO E O HIPOPÓTAMO

EM uma época muito antiga, quando as bananeiras produziam poucas bananas, existiam numerosos macacos.

Havia um deles chamado Travesso, que morava nas margens do rio.

O macaco Travesso possuia um grupo de bananeiras que lhe proporcionavam frutos suficientes para a sua alimentação, o que lhe trazia satisfação e orgulho porque os seus frutos eram os mais saborosos da região.

No rio habitava o hipopótamo Ra-Ra, que era o rei daquelas paragens.

A corpulência desse animal era notável e tão grande a sua boca, que podia tragar seis macacos de uma só vez.

Além disso, gostava imensamente de bananas e, especialmente as da propriedade de Travesso.

Ra-Ra resolveu roubar-lhe as bananas, apesar de não ser um ato muito bonito para um rei.

Ordenou então a todos os papagaios que as trouxessem para a sua residência.

Entretanto, o macaco não arredava pé do seu grupo de bananeiras, a fim de impedir que desaparecessem, furtados, os seus preciosos frutos.

Os papagaios logo encontraram este obstáculo sério e recorreram à astúcia para cumprir as ordens do rei.

Após uma conferência de várias horas estudando diversas soluções para resolver eficientemente o problema do roubo, concordaram em

dizer ao macaco ■ que seu irmão estava muito doente e desejava vê-lo.

Quando Travesso recebeu a notícia, bom irmão que era, foi depressa procurar seu irmão doente.

Verificou logo que aquilo não era verdade.

Seu irmão estava gozando de boa saúde e, suspeitando imediatamente do que se tratava, voltou a toda pressa para perto de suas bananeiras.

Uma surpresa dolorosa o aguardava. Não ficara nem uma banana para semente. Enquanto lamentava sua perda aproximou–se um papagaio, dizendo-lhe:

— Oh!, irmão Travesso! Sabes que Ra-Ra, o hipopótamo, nos obrigou a roubar-te as bananas e depois não nos quis dar uma só!

— Ah! E’ assim? Então espera… Irei à casa de Ra-Ra e tirar-lhe-ei as minhas bananas! — exclamou o macaco.

A serpente»que é um animal invejoso, cheio de defeitos, dos quais o pior é o espírito de intriga, passou por ali por acaso quando o ma-

caco falava e, ato contínuo, foi contar tudo ao hipopótamo.

— Está bem! — disse Ra-Ra. — Em tal caso ordeno ao Travesso que compareça aqui quanto antes.

A Serpente voltou ao lugar em que vivia Travesso e lhe deu a ordem de Ra-Ra, de modo que o macaco se pôs a tremer, pois, não era tão valente como as suas palavras pareciam revelar.

Era preciso obedecer e quando se dispunha a fazer a desagradável visita ao hipopótamo, ocorreu-lhe uma idéia.

Preparou com o maior cuidado uma boa quantidade de visgo, a cola que usava para caçar passarinhos, e untou-se com êle muito bem.

Feito isto encaminhou-se para a casa de Ra-Ra, à margem do rio.

— Disseram-me — disse-lhe o hipopótamo, ao vê-lo — que ameaçaste de vir recobrar tuas bananas. É certo que o disseste?

— De modo algum, senhor — respondeu Travesso. — Tanto minhas frutas como eu mesmo estamos à sua disposição.

O papagaio combinou com o macaco...

O papagaio combinou com o macaco...

— Bem, fico muito satisfeito em ouvir estas palavras. Sem dúvida, quiseram fazer intriga e contaram-me essa mentira. Senta-te. Porém, procura fazê-lo de frente para mim e sem tocar em nenhuma das bananas que estão atrás de ti.

Assim fêz Travesso, apoiando çom força as costas, inteiramente untadas, contra as bananas.

— Disseram-me que sabes muitas histórias. Queres contar-me uma?

O macaco dispôs-se a satisfazer o desejo de seu soberano e lhe contou uma história muito interessante.

Enquanto isso não se esquecia de esfregar o corpo contra as bananas afim de que aderisse às suas costas o maior nòmero delas.

Terminado o conto, Ra-Ra disse-lhe:

— Obrigado. Podes sair, mas toma cuidado para saíres de frente para mim. Assim se deve fazer diante de um rei.

Nada podia favorecer melhor o macaco, que estava com as costas cheias das bananas que a elas se haviam colado.

O macaco viu o hipopótamo

O macaco viu o hipopótamo

Quando se viu fora da casa do hipopótamo, pôs-se a correr, ocultando-se.

Os papagaios não tardaram a descobrir a astúcia do macaco e foram correndo contar a Ra-Ra.

O hipopótamo, ao tomar conhecimento da notícia, teve tão grande ataque de raiva que virou de barriga para o ar, morrendo instantaneamente.

Então, os animais reuniram-se e, diante da inteligência do macaco, resolveram aclamá-lo soberano.

Ficou muito conhecido por sua esperteza e deram-lhe, então, o nome de Sua Majestade Travesso I, o Esperto.

E o seu governo foi sábio e prudente, durante anos e anos.

(Trad. e Adapt. Leoncio de Sá Ferreira.)

 

mai 182010
 
conto infantil pequeno biblioteca das crianças

A MAGNÍFICA IDÉIA DE DOM RATÃO

DO que mais eu gosto neste mundo — disse d. Ratão — é de queijo assado.

— Queijo assado !— exclamou o seu irmão mais novo. — E como se obtém?

— Ah! Isso é que é o segredo! — respondeu d. Ratão. — Esta noite, Bigodudo, venha comigo e te darei um banquete. Acabo de ter uma ótima idéia.

— Bem — concordou Bigodudo. — Levarei na minha companhia Rabolongo e Orelhudo e veremos em que consiste este plano maravilhoso.

Naquela noite d. Ratão conduziu os seus amigos à dispensa e se encarapitou de uma prateleira para outra, até chegar onde estava o queijo embrulhado em um papel.

— Aqui está — murmurou. — Tomem um pedaço de queijo cada um e venham depressa comigo escada acima.

Subiram a escada e passaram, em seguida, por debaixo da porta, para um dormitório.

Ali estava deitado um homem que roncava muito alto.

Sobre a mesa havia uma vela acesa. D. Ratão trepou pelas pernas do móvel.

Em uma bandejinha havia vários alfinetes. D. Ratão apanhou um deles, espetou o seu pedacinho de queijo e se aproximou da vela.

— Façam a mesma coisa que eu — disse aos seus amigos.

Os outros tomaram, por sua vez, um alfinete e se aproximaram da luz. D. Ratão sustentava o seu pedaço de queijo perto da chama e sorria aos seus companheiros.

— Como você é ladino! — exclamou Bigodudo, sentindo que se espalhava pelo quarto um agradável cheiro de queijo assado. — Meu Deus! Que banquetaço vamos ter!

De fato, assim foi.

Os raios assaram o queijo

Os raios assaram o queijo

Porém, cinco minutos depois, já não restava nem uma migalha de queijo.

Os ratões desceram a escada e trataram de ir dormir, deixando os quatro alfinetes na ban-dejinha que havia ao lado do castiçal.

Precisamente no momento em que os ratos desapareciam o homem que estava dormindo despertou e aspirou o ar.

— Que coisa esquisita! — disse consigo mesmo. — Sinto um cheiro de queijo assado! Mas não pode ser, sem dúvida estou sonhando.

E soprou para apagar a vela, ferrando novamente no sono.

E até hoje parece que está dormindo a cheirar o famoso queijo assado!

FIM

historinha pra criança ilustrada

Trad. e Adapt. de Leoncio de Sá Ferreira.

mai 182010
 
cavalo velho, histórias infantis

O CAVALO VELHO

GALHARDO era um cavalo de tiro já velho. Pertencia a um chacareiro, e havia trabalhado muitos anos a seu serviço.

O chacareiro, porém, estava disposto a vender sua propriedade e o comprador não precisava de Galhardo.

— Um cavalo velho como esse não serve para nada. Procure o senhor desfazer-se dele do modo que puder.

— Não sei o que hei de fazer com êle — observou o chacareiro. — Não posso levá-lo comigo porque a casa onde vou morar tem um jardim muito pequeno onde há lugar apenas para um cão. Também não posso vender Galhardo; já não está em condições de trabalhar e ninguém o compraria. Quer o senhor ficar com êle algum tempo na chácara, até que eu encontre alguém que se encarregue de levá-lo?

— Certamente — respondeu o novo cha-careiro, o qual chamava-se Jaime. — Mas o senhor não o deixe ficar aqui muito tempo.

No dia em que o chacareiro foi despedir-se de Galhardo, sentiu uma grande tristeza.

Queria muito bem ao velho cavalo e este lhe correspondia da mesma maneira. O nobre animal pôs a cabeça por cima da porteira e deixou que seu amo lhe acariciasse o focinho.

Assim que o chacareiro foi-se embora, Galhardo estendeu-se num cantinho cheio de sombra e pensou em sua longa vida.

Recordou-se das inúmeras vezes em que havia puxado o arado ou a carreta carregada de fêno.

Lembrou-se também de todas as colheitas e dos muitos verões passados, em que a filhinha

do chacareiro o havia levado ao trigal, montada em sua garupa. E o cavalo ficou muito triste.

— Agora já estou inutilizado e ninguém mais me quer — pensou. — Desapareceram todos os meus amigos e na chácara habitam pessoas desconhecidas. Logo não permitirão nem mesmo que eu permaneça neste campo, que eu tanto amo.

Já agora, ninguém mais ia dar os bons dias a Galhardo e ninguém lhe oferecia uma maçã.

O pobre animal observava os demais cavalos que trabalhavam e desejava ser capaz de poder imitá-los.

Uma noite aconteceu uma coisa muito singular na chácara.

Ern uma de suas extremidades afastadas, havia um palheiro e enquanto Galhardo se achava estendido pacificamente num canto, pensando em muitas coisas, viu que as chamas começavam a lamber um dos lados do palheiro e poude sentir o cheiro de queimado.

Galhardo já havia presenciado outras vezes o incêndio de um palheiro e sabia que o chaca-reiro sentia sempre um grande desgosto pelo prejuízos que aquele acidente lhe ocasionava.

Imediatamente levantou-se e, a galope, aproximou-se do palheiro para ver se, efetivamente, estava ou não queimando.

Sem dúvida alguma, se havia incendiado. Um de seus lados, estava coberto de chamas amarelas.

Galhardo poude observar que o novo cha-careiro havia colocado o palheiro muito perto do celeiro, e compreendeu que, se começasse a soprar o vento, as chamas destruiriam também o grão armazenado.

— É bom que êle perca a palha e também o grão — pensou o cavalo velho. Êle nunca me dirigiu uma palavra carinhosa e, apesar de que, nunca o prejudiquei em nada, não quer que eu permaneça em seu campo.

Embora este raciocínio, Galhardo não podia presenciar impávido a maneira pela qual se ia queimando a palha, e logo, envergonhou-se de haver desejado o mal para o novo chacareiro. De que modo poderia êle avisá-lo?

Avisou o fazendeiro

Dirigiu-se a uma das portas, mas estava muito bem fechada. Sua altura, de outro lado, lhe impedia galgá-la de um salto.

Então, o cavalo, dirigiu-se à outra porta e observou que a mesma se achava fechada com uma pequena tranca, passada através de um buraco do batente.

Quando era novo, Galhardo aprendera a tirar aquela pequena barra de ferro, e o fazia com tanta facilidade, que o chacareiro acabou por amarrá-la com uma corda, persuadido de que era esse o único modo de impedir que êle fugisse.

Nesse momento, recordou sua antiga habilidade; entretanto, antes de experimentar fazê–lo, examinou a porta afim de verificar se também o novo chacareiro a havia amarrado.

Como porém o senhor Jaime não suspeitava siquer, que um cavalo pudesse abrir a porta empurrando-a com o focinho, limitou-se em fechá-la com a tranca.

O cavalo empurrou-a para levantá-la e logo conseguiu tirá-la de seu lugar.

Tomou-a com os dentes e atirou-a para trás e ao fazer isto, abriu a porta.

Muito excitado, pôs-se a correr em direção à casa, a fim de despertar os que nela moravam.

Chegou ao pátio e encaminhou-se para a porta principal. E então, erguendo a cabeça relinchou com força.

Ninguém chegou à janela, porque todos estavam profundamente adormecidos.

O cavalo deu coices sobre os pedregulhos e tornou a rinchar. Depois golpeou a porta com a cabeça.

Despertou o senhor Jaime, perguntando a si próprio o que poderia significar aquilo.

Foi até à janela e, à luz da lua, viu o velho Galhardo que escouceava e empurrava a porta com a cabeça. Ao mesmo tempo avistou o incêndio do palheiro.

— Acorda, mulher! Acorda! — exclamou. — Incendiou-se o depósito da palha e o cavalo veio avisar-nos. Depressa! Telefona aos bombeiros enquanto eu vou despertar os nossos empregados!

Vestiu-se depressa e, correndo, desceu para avisar os trabalhadores.

Sua esposa dirigiu-se ao telefone e chamou os bombeiros para que viessem quanto antes.

Quatro minutos depois, o Corpo de Bombeiros dirigiu-se a galope para a chácara.

Os trabalhadores haviam começado a atirar água sobre o palheiro.

O Senhor Jaime estava persuadido de que o fogo iria comunicar-se ao celeiro, e só essa idéia o aterrorizava.

Naquele momento, quando o perigo parecia iminente, apareceu o carro de bombeiros.

Estes aparelharam imediatamente a mangueira e começaram a lançar água contra o fogo. Dez minutos depois o incêndio achava-se extinto.

O palheiro havia ficado quasi destruido, mas, em compensação, o celeiro nada sofrera.

— E como percebeu o senhor o incêndio? — perguntou um dos trabalhadores ao chaca-reiro.

— Pois foi esse velho cavalo que eu consenti que ficasse no campo por alguns dias, que abriu a porta e veio avisar-me. Ouviste alguma vez contar alguma coisa semelhante? E pensar que eu andava aborrecido porque o meu antecessor não havia querido levá-lo!

O velho cavalo é muito estimado

O velho cavalo é muito estimado

 

O pobrezinho evitou que eu sofresse a perda de uma grande quantia.

Por conseguinte, eu o deixarei viver em meu campo até o fim de sua vida. Não o mandarei embora nunca.

Galhardo achava-se contentíssimo. Voltou ao lugar em que costumava dormir e deu um suspiro de alívio.

Aquela noite foi emocionante, mas ainda mais o havia de ser o dia seguinte.

Todo o mundo havia sido informado do ato do valoroso cavalo e numerosas pessoas haviam ido visitá-lo.

Deram-lhe torrões de açúcar, cenouras, maçãs e tanto milho, que nem poude comer tudo. Recebeu muitas carícias e naquele dia sentiu-se muito feliz.

Até hoje continua êle no mesmo campo. O senhor Jaime vai visitá-lo duas vezes por dia e todas as tardes seu filho monta sobre seu lombo e dá-lhe um torrão de açúcar.

— Não mereço tanta felicidade — pensa às vezes Galhardo.

Somos porém de opinião de que se engana, não é assim, meus meninos?

Tradução e Adaptação de Leoncio de Sá Ferreira, 1949

mai 172010
 

AS DUAS MARIAS

MARIA foi passear levando sua boneca Bilóca em um carrinho muito lindo.

O dia estava maravilhoso e o sol resplandecia alegremente.

A menina penetrou no bosque, porém, quando o atravessou, observou muito assustada que se havia extraviado.

— Não há de ser nada — disse para se consolar. Em breve encontrarei alguém e perguntarei o caminho para voltar para a minha casa.

Com efeito não demorou a avistar um indivíduo bastante estranho!

Era um homenzinho que trajava um casaco verde e ia levando uma galinha debaixo do braço.

— Faz-me o favor de me ensinar o caminho para voltar à minha casa? Eu me perdi!

— Como te chamas? — perguntou o ho mem.

— Eu me chamo Maria e minha boneca é Bilóca.

— Certamente, posso ensinar-te o caminho. Segue-me.

Assim fêz a menina e, com grande surpresa viu que ao cabo de pouco tempo, chegavam perto de um povoado esquisito.

Suas casas eram bem pequeninas e estavam rodeadas de meninos vestidos de modo diferente.

— Já estamos perto — disse o homenzinho.

— Creio que não é aí a minha casa.

— Não? — perguntou o homem muito surpreendido.

— Pois olha, ela aí está — disse, mostran-do-a.

Contos infantis ilustrados

Viu um homenzinho com uma galinha

Maria olhou e viu uma casinha muito linda, de paredes caiadas de branco, cujas janelas estavam enfeitadas com bonitas cortinas, e a porta era de colorido dourado brilhante.

— Esta não é minha casa! O senhor se enganou! — exclamou Maria.

— Não disseste que te chamas Maria? Olha teu nome sobre a porta.

De fato ao alto da porta estava um letreiro onde se lia: "CASA DE MARIA".

A menina ficou admirada!

Então, verdadeiramente surpreendida, observou que sua boneca descia do carrinho e por si só atravessava o jardim, para reunir-se com outras bonecas que a esperavam.

— Vês que esta é a tua casa, uma vez que te chamas Maria!

— Pode estar certo de que não é. Sem dúvida, o senhor a confundiu com outra.

— Então, sinto muito, especialmente por te haver levado tão longe de tua casa.

Naquele momento abriu-se a porta dourada e saiu uma menina muito semelhante a Maria.

Ao vê-la, aquele homem, lhe disse:

— Olha querida Maria, cometi um grave erro. Esta menina também se chama Maria. Trouxe-a para tua casa, pensando que aqui vivia, mas não é assim.

— Que pena! — exclamou a desconhecida penalizada. — Contudo, daremos um geito. Agora o melhor a fazer é a menina descansar um pouco, comer alguma coisa e logo descobriremos um modo de levá-la para sua casa.

A menina Maria ficou muito contente ao ouvir estas expressões. Despediu-se do homem.

Maria entrou com a sua companheirinha na casinha, tão bonita que parecia ser de uma boneca.

— Hoje, como faz calor, tenho alguns frios para merendar e um pouco de queijo. Suponho que você gostará.

A menina Maria disse que gostava muito e a mesa foi logo posta.

— Este povo pertence ao País das Fadas — disse a dona da casa.

— Deveras? Como me alegro por ter vindo!

— Eu também senti muito prazer em conhecer você. Vamos comer um pouco, você deve estar com fome, a caminhada não foi pequena!

Após os frios, veiu um prato com creme, e a seguir biscoitos, pastéis e um refresco maravilhoso.

— Que merenda gostosa! — exclamou a menina, suspirando de satisfação.

— Fico muito satisfeita em saber que você gostou. Agora é preciso procurar sua casa.

As duas meninas saíram, atravessando o povoado. A menina Maria observava muito curiosa todas as casinhas diante das quais passavam.

Com grande surpresa e satisfação verificou que naquele povoado viviam todos os heróis dos contos de fadas!

Assim, viu a menina do Chapeuzinho Vermelho, o Lobo Mau o Gato de Botas, o Marquês de Carabás, o Pele de Asno, a Bela Adormecida, a Cinderela, o Barba-Azul que ocupava um castelo imponente, a Branca de Neve, o Príncipe e os Sete Anõezinhos e, em resumo, todos os personagens que se haviam tornado famosos no mundo inteiro.

Meninas brincando

Deu-lhe um prato com creme

 

Viu também a morada de feias bruxas e, segundo informações de sua companheira, as bruxas ali não eram temidas.

Eram constantemente vigiadas e, se lançassem mão de suas artes daninhas, seriam expulsas imediatamente.

Por fim, deixaram atrás aquele povoado maravilhoso e penetraram no bosque.

Muito antes do que poderia imaginar a menina Maria viu-se no caminho já dela conhecido que a conduziria à sua própria casa.

Quando o alcançaram, sua nova amiga despediu-se com um beijo carinhoso, prometendo, ambas, novos encontros.

Quando só, a menina Maria dirigiu-se correndo para sua casa.

Sua mãe ficou deveras surpreendida ao ouvir a narrativa de suas aventuras! Quase que não acreditava!

— A próxima vez que eu fôr até lá, a senhora me acompanhará. Estou certa de que gostará muito — disse a menina.

Mas isto não se deu, porque todas às vezes que a menina tentou ir acompanhada de sua mamãe, não conseguia encontrar o caminho.

Ao contrário do que acontecia quando ia sozinha, em que sempre conseguia chegar ao seu destino com a maior facilidade.

Não parece a vocês isso muito esquisito?

E era uma festa na "Casa de Maria", cada vez que isso acontecia.

As duas amiguinhas lanchavam, brincavam com as suas bonecas e sempre Maria regressava ao seu lar muito triste por ter que deixar aquela cidade onde havia tantas coisas lindas e que ninguém, senão ela, podia conhecer.

Tradução e adaptação de Leôncio de Sá Ferreira.

mai 152010
 
O caçador furtivo, conto infantil

O CAÇADOR FURTIVO

PEDRO estava almoçando em companhia de seus pais. Prestava muita atenção à conversa dos mesmos, porque de fato era muito interessante.

— Há muitos caçadores furtivos nos bosques — disse o pai. — Joaquim, o guarda, diz que não sabe quem é o culpado, mas, que todas as noites desaparecem coelhos e aves. Deve, forçosamente, ser algum forasteiro!

— Escuta, papai — interrompeu Pedro — Joaquim não viu o caçador furtivo?

— Sim! Julga que uma vez chegou a vê-lo! — respondeu o pai. — É um indivíduo alto, forçudo e com barbas!

Pedro ficou muito preocupado com o caçador furtivo e pensou que um dia Joaquim havia de surpreender o criminoso.

— Se eu tivesse uma espingarda como Joaquim, havia de perseguí-lo todas as noites, e não teria medo algum! — pensou o menino. — Oxalá pudesse descobrí-lo!

Dois dias depois, quando o sol se punha, deu-se a casualidade de estar Pedro debruçado à janela mais alta de sua casa.

Procurava ver se descobria seu amigo Tomás, o filho do guarda, na colina situada em frente da casa.

Enquanto olhava, seus olhos se fixaram num indivíduo alto, que desaparecia nos bosques de seu pai.

O sol poente fez brilhar por um instante a arma de fogo que o desconhecido levava debaixo do braço.

Pedro imediatamente se lembrou de que aquele indivíduo poderia muito bem ser o caçador furtivo.

— Quem será esse que a estas horas se mete nos bosques de papai? É alto e leva espingarda! Se fôr o caçador furtivo que hei de fazer eu agora?

Pensou fosse o caçador furtivo

Pensou fosse o caçador furtivo

Desceu correndo e dirigiu-se a Jaime, o cocheiro.

— Jaime, Jaime! — exclamou arquejante. — Nos bosques está um caçador furtivo! Veja se pode apanhá-lo!

— Calma, calma, Pedrinho! — respondeu Jaime sorrindo. — Estou vendo que queres caçoar comigo! — acrescentou.

— Juro que é verdade, Jaime! — exclamou o menino, agarrando-se ao braço do cocheiro. — Faz-me o favor de ir lá antes que seja tarde e que êle mate todas as aves e todos os coelhos de papai!

— Não diga tolices! — replicou o cocheiro. — Tenho muito o que fazer e se quiseres vái tu mesmo apanhar esse caçador furtivo!

Pedro compreendeu que era inútil insistir com Jaime, e, por isso, saiu a correr.

— Não há tempo de ir em busca de mais ninguém — pensou. — E se eu mesmo fosse apanhá-lo na floresta?

Correu em direção ao bosque e, antes mesmo de haver pensado no que faria, esbarrou com o desconhecido.

— Quem é você, menino? — perguntou aquele.

— Pouco lhe importa saber! — respondeu Pedro bruscamente, porque se sentia muito corajoso. — Você é um caçador furtivo! — Joaquim já o viu uma vez. Você é alto, usa barba e traz espingarda! E hoje voltou para caçar indevidamente nos bosques de meu pai! Faça o favor de me acompanhar!

O desconhecido pôs-se a rir.

— E onde pretende levar-me? — perguntou.

— Aqui perto, em casa de meu pai! E não resista, porque papai ficará muito zangado!

— E se eu tentar fugir? — perguntou o homem. — O que fará você?

— Seguí-lo-ei — respondeu Pedro. — E posso afirmar-lhe que corro com muita rapidez! Além disso gritaria chamando Joaquim, o guarda, de forma que não tardaria em ser o senhor preso. É melhor vir comigo, porque se livrará dos ponta-pés e bordoadas que Joaquim certamente lhe aplicaria!

— Bom! — concordou o desconhecido. — Entrego-me e o acompanho.

Pedro o segurou pela manga do casaco e, tirando-o do bosque, levou-o até à sua casa.

O desconhecido o seguiu docilmente, sem intentar sequer a fuga.

Pedro se considerava muito valente.

Acabava de prender, êle sozinho, um caçador furtivo.

O que iria dizer o seu pai quando eles chegassem?

Além disso, estava muitíssimo contente porque todos os seus colegas de escola ficariam sabendo que êle era valente e não tinha medo de um caçador furtivo.

Considerava-se um herói completo!

— Papai! Papai! — gritou ao chegar. — Venha ver o caçador furtivo! Eu o prendi e encerrei-o no telheiro! Tem espingarda e bolsa, que com certeza deve estar repleta de coelhos.

Papai e mamãe apressaram-se a acudir muito surpreendidos e Pedro os conduziu ao telheiro.

— Cuidado! — disse êle ao pai. — Pode tentar uma fuga e nos apanhar de surpresa!

Pedro foi à África com seu tio Guilherme

Pedro foi à África com seu tio Guilherme

Papai abriu a porta e olhou para dentro. Deu um grito de assombro e entrou no telheiro.

— Guilherme! Querido Guilherme! — exclamou. — De onde vens? Não esperávamos que você chegasse tão cedo!

Aquele homem de elevada estatura saiu sorrindo e segurando no braço de papai.

Pedrinho não podia compreender o que significava aquilo.

Pois não é que seu pai tratava amigavelmente aquele desconhecido?

— Este é o teu tio Guilherme! — disse o pai a Pedro. — Vem de caçar tigres em um país muito distante, para passar uma temporada conosco. E você menino foi prendê-lo, confundindo-o, com um caçador furtivo!

Meu Deus!

Pedro ficou vermelho como um tomate e muito envergonhado olhou para o seu tio Guilherme!

— Sinto muito! — disse por fim. — A verdade é que pensei mesmo que o senhor fosse um caçador furtivo!

O menino acrescentou ainda:

— Por que então, o senhor não me disse logo que era o tio Guilherme? Teria evitado o aborrecimento de fechá-lo no telheiro!

— Você é o menino mais valente que tenho conhecido — respondeu o tio. — Você sozinho me apanhou e me prendeu quando eu menos esperava! Prometo um dia levá-lo comigo, porque estou orgulhoso de ter um sobrinho como você!

A aventura, pois, não teve consequências.

Papai estava muito orgulhoso de Pedro e a mesma coisa pensava a mamãe.

Assim, portanto, Pedro não se envergonhou quando, brincando, zombavam dele por ter encerrado o tio Guilherme no telheiro do jardim, pensando ser um herói conforme vira no cinema.

Entretanto, no íntimo, Pedrinho estava desgostoso.

Se os seus amiguinhos viessem a saber do acontecido, caçoariam dele e teria que demonstrar que não admitia brincadeiras

Pedro e o tio Guilherme se fizeram muito bons amigos.

Não tardaram em empreender uma viagem muito longa, não para prender caçadores furtivos, mas, para matar tigres na África. Lá pôde demonstrar a sua coragem não fugindo nunca aos constantes perigos das florestas africanas.

Hoje êle tem satisfação em ter sido valente.

Sede, pois, meus meninos, corajosos e vencereis sempre na vida.

(Trad. e adaptação de Leoncio de Sá Filho)
mai 152010
 

Histórias Infantis – OS DEZ URSINHOS

ERA uma vez dez ursinhos que moravam na cidade das Doçuras. Moravam em dez casinhas colocadas uma ao lado da outra. Amavam-se muito e saíam sempre juntos.

As casinhas eram numeradas de um a dez e cada um dos ursinhos conhecia muito bem a sua casinha lendo o número da porta.

Um dia, resolveram sair. todos juntos, para colher cogumelos. Vocês precisam saber que os melhores cogumelos que havia, estavam num grande campo próximo, pertencente a um velho muito mau, que se chamava Carrancudo.

Por isso, o maior dos ursinhos, antes de ir colher os cogumelos, escreveu uma carta ao velho, solicitando-lhe permissão para isso.

O senhor Carrancudo deu licença e os ursinhos ficaram muito satisfeitos com a grande novidade.

Era uma coisa muito divertida apanhar cogumelos. Cada ursinho levava uma cesta e tinham que se levantar às cinco e meia da madrugada, quando os campos estavam ainda úmidos de orvalho.

Combinaram reunir-se em frente à casa número 10, na qual morava o maior deles, porque pretendiam partir todos juntos.

O caminho era muito comprido porque havia uma grande distância até ao campo do senhor Carrancudo.

Era um sábado de manhã, muito cedinho, quando os ursinhos se reuniram, caregando cada um a sua cestinha.

O sol brilhava no horizonte, o dia despontava magnífico, o orvalho resplandecia na relva. Era uma linda manhã para colher cogumelos!

— Bom dia!

— Bom dia!

— Bom dia! — gritaram os ursinhos, um depois do outro. Como vai ser divertido tudo isto e com um belo tempo deste!

Eram dez lindos ursinhos

Eram dez lindos ursinhos

Puseram-se a caminho, cada um com sua cestinha pendente do braço. Alguns davam saltinhos curtos, faziam piruetas, os demais corriam.

Sentiam-se muito felizes e esperavam trazer muitos cogumelos para fazerem um explên-dido jantar e venderem os restantes no mercado, a dez cruzeiros o quilo!

Que espetáculo se lhes ofereceu aos olhos, ao chegarem ao campo dos cogumelos! Quantos havia! Que abundância! Grandes, pequenos, largos, chatos!. . .

Formavam uma bela coleção que ali crescia à espera de que os ursinhos os fossem colher!

Puseram-se a trabalhar.

Era muito interessante e animadora a rapidez com que iam enchendo as cestinhas!

O maior dos ursinhos vigiava com o rabo dos olhos a casa onde morava o senhor Carrancudo. Vigiava para ver se o velho cachorro Rompe-Ferros não sairia a correr sorrateiramente para lhes pregar um susto.

Nada aconteceu. Apenas o fumo que saía da chaminé da casa do velho lhes dava a entender que êle estava levantando. Finalmente, quando as dez cestas estavam cheias o maior dos ursinhos disse:

— Está na hora de partirmos. Sigam-me.

Um atrás do outro os dez animaizinhos percorriam o caminho que cortava o campo e saltaram a vala que havia no fim. Atravessaram o bosque e tomaram a estrada que ia para a sua cidade.

Ali chegados, encontraram o velho "Dorme-Tarde", um fantoche de rosto negro que vivia na cidade vizinha.

Êle trazia uma grande cesta e ia colher cogumelos no campo do senhor Carrancudo.

Mas, como havia levantado muito tarde, já os ursinhos tinham colhido todos.

— Como sempre você chega quando tudo já acabou, "Dorme-Tarde" — exclamaram a rir. — Talvez você seja muito esperto, porém, tem 10X10 demais para colher os melhores cogumelos! Ah, ah, ah!

"Dorme-Tarde" ficou tão vermelho quanto permitia o seu carão preto. Sabia que era preguiçoso.

Era um fantoche muito esperto, muito inteligente, mas não tinha coragem para levantar-se cedo. Gostava demais da cama. Assim, achou que os ursinhos eram muito grosseiros por se rirem dele.

— Encherei minha cesta de cogumelos — pensou, e disse. — Hão de ver que ainda trarei mais do que vocês todos!

— Chiii!… — responderam os ursinhos. — Não resta nenhum, não encontrará nada.

O fantoche saiu muito aborrecido e desapontado.

Os ursinhos puseram-se á rir novamente e entreolharam-se muito contentes. Não acontecia muitas vezes que pudessem caçoar de um fantoche tão esperto como aquele!

— Suponho que todos estamos aqui — disse o maior, olhando os que o rodeavam. —

Devemos nos contar para ver se os dez saímos sãos e salvos do campo do senhor Carrancudo.

— Pois contemos já! — replicou o menor de todos

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Dorme-Tarde viu os ursinhos com as cestas

Assim fêz, indicando com o dedo um ursinho alternativamente. — Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove… Oh! Aqui estamos só nove!

— Santo Deus! — exclamou o maior tornando-se pálido.

— Não diga que ficou algum de nós para trás! Qual foi?

Não puderam esclarecer qual faltava. Ali estava o maior deles e o menor, o mais gordo e o magrinho, o de gravatinha azul e o de gravata vermelha. Que coisa estranha! Quem teria ficado para trás?

— Esperem que eu vou contar de novo — disse o ursinho magrinho. E contou lenta e cuidadosamente, indicando a todos os seus amigos, à medida que o fazia. — Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove. Que coisa mais horrível! Só estamos aqui nove e saímos dez! Não seria mais prudente voltarmos atrás a fim de verificarmos quem foi que perdemos? E se o senhor Carrancudo o houvesse agarrado?

Que ursinhos tolos eram aqueles! Vocês não sabem o que eles faziam? Pois simplesmente isto, quando se contavam para ver quantos eram, cada um se esquecia de contar a si próprio!

Claro que dessa forma se encontravam nove ursos, porque o décimo que era aquele que estava contando, não se lembrava de se incluir na conta, junto aos outros companheiros!

Quando estavam pensando se deveriam voltar ao campo do senhor Carrancudo, para procurar o ursinho que julgavam estar faltando, ouviram que alguém se aproximava pelo bosque de onde haviam saído.

— O décimo urso! — exclamaram alegres, mas, estavam enganados. Era o "Dorme-Tar-de", o fantoche, que voltava do campo com a cesta vazia.

Não tinha encontrado nem um cogumelo sequer.

O recém-vindo surpreendeu-se e teve um gesto de contrariedade ao ver os ursinhos no mesmo lugar onde os havia deixado. Pensou que o estavam esperando para se rirem dele ao vê-lo voltar sem fungos.

— Oh! — exclamou, meio desapontado. — Por que vocês ainda estão aí?

— Venha cá, fantoche, você viu algum dos nossos pelo campo? — perguntou o maior deles — Um de nós ficou por lá!

— Não! Não estava ninguém lá! — respondeu o fantoche admirado. Nem uma alma! A única coisa que vi foi a fumaça da chaminé da casa do Carrancudo.

— Nossa Senhora! — gemeram os ursinhos — O senhor Carrancudo terá agarrado o nosso pobre companheiro e o estará assando para o jantar! Ooooh!. . . exclamaram apavorados!

Os ursinhos deixaram as cestas no chão, tiraram seus grandes lenços brancos e choraram derramando lágrimas em cascatas. O fantoche nem podia tornar a si do espanto causado por aquela cena. Contou rapidamente os ursinhos e verificou que estavam os dez.

Por que haviam de .pensar que um deles estava perdido? Eram somente dez os ursinhos que viviam nas dez casinhas da cidade das Doçuras!

— Quantos eram vocês ao saírem esta manhã? — perguntou êle admirado.

— Dez! — soluçou o mais velho — E só voltamos nove! Olha… Deixe-me contar.

Indicou todos os seus amiguinhos, um atrás do outro, contando-os: Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove… Está vendo? Só nove! Oh! Fantoche, você é capaz de ir buscar o décimo ursinho à casa do velho Carrancudo?

"Dorme-Tarde" ficou com os fungos

Dorme-Tarde ficou com os fungos

O fantoche verificou que o tolo do ursinho tinha deixado de contar a si próprio. Pouco faltou para que rebentasse numa risada estrepitosa, porém, conseguiu se conter.

— Digam-me, o que me darão se eu encontrar o décimo ursinho?

— Dar-lhe-emos os nossos melhores e mais belos fungos! — disse o maior deles muito excitado. — Olhe, vamos encher a sua cesta. Se você encontrar o nosso amiguinho perdido, serão todos seus os cogumelos!

O fantoche sentiu grande alegria ao ver que os mais belos cogumelos iam parar em sua cesta. Quando a cesta ficou cheia até à boca, os ursinhos o fitaram.

— Agora, por favor, volte ao campo do senhor Carrancudo e procure o nosso companheiro! — suplicaram eles.

— Não é preciso — disse o fantoche, apanhando a sua cesta — O décimo urso está aqui.

— Aqui! — exclamaram todos assombrados. — Onde? Não o vemos! Mostre-nos!

— Pois bem! Vou contá-los e vocês verão que aqui estão todos! — disse o fantoche a rir. — Ponham-se em linha. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove e dez! Aí estão!

Dez, e tão tonto é um, como os outros! Ora vejam só! Quem se riu de mim esta manhã porque cheguei tarde para colher cogumelos? Por acaso não tenho agora os melhores? Vocês precisam pensar duas vezes, ursinhos, antes de se rirem do fantoche!

Ditas essas palavras, "Dorme-Tarde" partiu com a sua carga, a rir-se muito dos pobres ursinhos! Estes ficaram a entreolhar-se admirados.

Como se havia arrumado "Dorme-Tarde" para contar dez ursinhos?

Era um milagre!

Realmente era um mistério! Até hoje os ursinhos ainda não podem compreender como se deu tão maravilhoso fato! Tolinhos!

Muito tolinhos, não acham?

(Trad. e adaptação de Leoncio de Sá Filho)

out 142009
 

João de Sorte

IRMÃOS GRIMM
Ilustrado por SÉRGIO „

Essa é a estória de João,
um rapaz afortunado
que, perdendo ou não,
vivia despreocupado.

Contente com o que fazia
João de Sorte apelidado
ganhava quando perdia
,
Julgando-se um felizardo.

 

João era um rapaz modesto, trabalhador e inteligente. Bem, isto é… trabalhador ele era. Modesto, também. Mas inteligente não se poderia dizer… Acontece que João tinha uns parafusos soltos na cabeça.

Depois de trabalhar pra Torquato, seu patrão,
num jardim a escavar ouro de um rico filão,

João de Sorte, certo dia, despediu-se e em pagamento
ganhou pedra que luzia mais que estrela em firmamento.

 

Era uma peça de ouro.

Tenho sorte como um rei afirmou João. Com um tesouro pra casa eu voltarei!

Joào embrulhou a pedra de ouro num lenço e lá se foi pela estrada, pensando:

— Como tenho sorte! Pouca gente tem uma pedra de ouro como esta. Que dirão quando eu chegar à minha casa? Pena que seja tão pesada… Estou ficando cansado de carregá-la. E tenho que andar a pé… Seria bom que tivesse um cavalo, como aquele homem que vem vindo ali…

 

O homem que se aproximava era um negociante muito esperto, mas João não sabia disso. Quando o homem chegou perto, João dirigiu-se a ele:

— Bom dia,amigo! Que sorte a sua, ter um cavalo e poder viajar sem cansar as pernas!

O homem parou e ficou ouvindo João lastimar-se:

— Eu, ao contrário, tenho que andar a pé,

devagar, carregando esta pedra

de ouro, que é do tamanho da minha cabeça,

mas que pesa muito mais.


— Ora, não seja por isso’ —
retrucou o homem. —
Podemos fazer a troca.
Você me dá a pedra, de ouro
e fica com meu cavalo!

 

—    Negócio feito! — exclamou João. — Aqui está o ouro.

—    E aqui está o cavalo —

respondeu o homem. — Espere, eu o ajudo a montar — continuou ele. — Agora, segure bem as rédeas e boa viagem!

João lá se foi, todo contente da vida, dizendo para si mesmo:

— Como tenho sorte! Pouca

gente tem um cavalo

como o meu!

Que dirão quando

eu chegar à minha casa,

montando um cavalo assim…

E João fez o cavalo galopar

o mais rápido que pôde,

esquecendo-se

de que não sabia

o que fazer

para que ele parasse.

 

 

—   Ai, ai, ai! — gemeu João, levantando-se. — Estou todo dolorido! Você é que tem sorte, amigo… Tem uma vaca que anda devagar e sossegada, e não corre como o meu cavalo…

—   Ora, não seja por isso! — disse o camponês. — Se o problema é esse, leve minha vaca e eu fico com o seu cavalo.

—   Negócio feito — respondeu João. — Aqui está o cavalo.

—   E aqui está a vaca — disse o camponês.

Num instante o homem montou no cavalo e afastou-se a galope. João ficou ali acariciando o focinho da vaca. Depois retomou o caminho, puxando-a

— Como tenho sorte. — pensava João. —

Não é qualquer um que tem

uma vaca assim… Que dirão

quando me virem chegar em

casa com uma vaca come esta!

 

João caminhava tão contente que, depois de ter percorrido um trecho da estrada, resolveu parar para comer alguma coisa. Ele tinha chegado a uma vila onde havia uma hospedaria. João entrou e pediu comida e bebida. Nao se importou de gastar todo o dinheiro que tinha.

— Se no caminho sentir fome ou sede basta ordenhar a vaca e beber o leite — pensava ele.

Depois de comer, retomou o caminho.

 

 

Pela estrada ir andando, sem com nada se preocupar,
sem relógio e hora marcada, assobiando, pela estrada!

Lentamente João de Sorte vai em frente para o norte,
sem relógio e sem nada, mãos nos bolsos pela estrada!

Assim caminhava João, até que chegou

a um lugar deserto.

Começava a sentir-se cansado e com sede.

Decidiu beber um pouco de leite, para restaurar as forças

— Estou com tanta sede1. — disse ele, e se pôs a ordenhar a vaca.

Ordenhar é modo de dizer, porque não saía sequer uma gota de lei

João insistiu, tentou outra vez… Mas a vaca não gostou da estória e lhe deu um par de coices.

Um açougueiro que ia passando por ali com sua carreta

aproximou-se do rapaz.

João, todo dolorido,, levantou-se e contou-lhe

o que acontecera.

—   Então você levou um coice, hein? Mas como queria tirar leite desta vaca, sem conhecer o gênio dela? Não viu logo que era uma vaca brava?

—   Então foi por isso que não consegui ordenhá-la? Oh! O senhor é que tem sorte! Possui um porquinho

na carreta. Isto sim, é que eu gostaria de ter…

O açougueiro tratou de aproveitar-se da oportunidade:

— Você quer ficar com o porco? Pois pode levá-lo! Eu ficarei

com a vaca.

— O senhor troca mesmo? — perguntou João. — Nao tem medo de que a vaca lhe dê coices? Que bom. como tenho sorte. —

exclamou. — Não é qualquer um que tem um belo

porquinho!. Que dirão todos quando me virem

chegar em casa trazendo um porquinho tão gordo como este!

Feita a troca, o açougueiro levou a vaca e João continuou seu caminho puxando o porquinho por uma cor Pouco adiante, João encontrou um rapaz

que carregava

um ganso pelo pescoço.

Não sei como

o ganso não morria.

—   Bom dia, amigo ! — disse João. — Você tem um ganso muito bonito! E como é gordo!

—   Você já pensou como este ganso vai ficar gostoso, assado no espeto? E um prato de festa… Não acha? — perguntou o rapaz.

—   Nem gosto de pensar… me dá água na boca! — disse João. — E você, gosta do meu porco?

—   Até que não é mau. A propósito, você sabia que todo mundo por aqui anda à procura de um porco igual ao seu? Dizem

que foi roubado, e se pegarem o ladrão ele será enforcado.

* *

«5

Cruz, credo! — exclamou João, apavorado. — E se pensarem que o ladrão sou eu? Ai, meu Deus, seria melhor que ainda tivesse a vaca, ou o cavalo, ou a pedra de ouro!

—   Se você quiser ficar com o ganso, eu fico com o porco.

—   Oh, obrigado! — respondeu João, fazendo a troca. — Como tenho sorte! Só quero ver o que dirão quando eu chegar em casa! Não é qualquer um que tem um ganso assim…


João não era mesmo muito inteligente. A cada troca que fazia, levava desvantagem. E, além do mais, acredita va em estórias inventadas, como essa do roubo do porco…

Ora, ele ainda achava que tinha sorte!

Pois é… enquanto o outro

se afastava depressa com o porco, João continuava seu caminho. Mas…

não conseguiu chegar em casa nem com o ganso.

 

Vendo um amolador de facas, parou para admirar o serviço.

—   Deve ser muito divertido afiar facas com essa roda que gira o tempo todo!

—   E deve ser bom possuir um ganso como o seu! — respondeu o amolador.

—   Ah, eu o consegui em troca de um porco, que troquei por uma vaca, que me deram em troca de um cavalo, que eu tinha trocado por uma pedra de ouro! — explicou João.

—   Que belas trocas você fez! — exclamou o amolador. — Quer fazer mais uma?

—   Mas eu só tenho este ganso…

— Pois em troca dele eu darei uma .
pedra de amolar igual a esta — disse

o amolador. — Aqui está ela.

— Mas… parece velha e gasta!

—   Mas como você é bobo! — retrucou o amolador. — Uma pedra assim vale muito mais que um ganso! Você diz que é velha: isso é uma vantagem, pois ela já girou muito, já está habituada a trabalhar! Trabalha até sozinha! Entendeu?

—   Entendi — respondeu João. — Aceito a troca. Aqui está o ganso.

—   E cá está a pedra de amolar. E, para você não ter o que reclamar, leve mais esta.

—   Oh, o senhor é generoso… Não devo aceitar…

—   Ora, aceite, aceite… Adeus!

 

 

João continuou o caminho, gemendo ao peso das duas

enormes pedras.

A primeira ainda era uma pedra de amolar, mas a segunda…

nem isso! Era uma pedra qualquer, dessas que se vêem pelo chão…

O amolador tinha enganado João, mas o rapaz nem desconfiava,

e ia pela rua todo contente, pensando:

— Como tenho sorte! Que dirão

meus parentes, quando eu chegar em casa…

 

— Uff. Até que a pedra de ouro pesava menos!
— lastimou-se João. — Vou pôr as pedras aqui e beber um pouco de água…

Mas acontece que João colocou as pedras muito na beirada do muro da fonte, e elas caíram dentro da água.

João olhou as pedras lá no fundo e exclamou:

— Que sorte a minha! Estou livre
dessas pedras tão pesadas! Não
mais preciso carregá-las!

— Pouca gente tem tanta sorte como eu — continuou João. — Todos lá em casa ficarão contentes em me ver de volta, sem aquele peso que me cansava tanto! Sou mesmo um rapaz de sorte!

Ninguém conseguiria fazer as trocas que eu fiz!

E assim foi que a pedra de ouro

em cavalo se transformou,

logo em vaca o tesouro,e em porco e ganso, virou.

Por pedras também foi trocado.

E até sem elas João ficou.

Mas que rapaz afortunado!

set 122009
 

Rapunzel

IRMÃOS GRIMM
Ilustrado por SÉRGIO

Fonte: Ed. Abril Cultural. Col. Fábulas Encantadas, 1970.

Rapunzel fábula infantil

Esta moça de trança
Longa e macia é prisioneira da bruxa numa torre alta e sombria.
Rapunzel das longas trancas espera ser livre um dia.
Virá alguém libertá-la?
A estória aqui principia.

 

Era uma vez um lenhador, que vivia feliz com sua mulher numa casa simples, mas confortável.

Eles tinham um cachorro grandão e peludo e três pombinhas brancas.

Os dois estavam na maior das alegrias porque ia nascer um nenê para fazer companhia a eles.

Por isso a mamãe tratava de fazer as roupinhas para a criança, enquanto o papai construía um bom bercinho.

E o cachorro vigiava a casa, preso na corrente, perto da porta de entrada.

 

 

Ao lado da casa do lenhador morava uma velha bruxa, banguela, feia e egoísta, que nunca dava nada para ninguém.

A bruxa tinha um quintal enorme, muito bem cuidado, onde havia um pomar e uma horta cheios de frutas e verduras gostosas.

Mas a bruxa era tão egoísta que mandou cercar o quintal com um muro bem alto. só para que ninguém tivesse o gostinho de olhar o que havia lá dentro!

Acontece que a casa do lenhador tinha uma janela que se abria para o lado do quintal da bruxa. Uma manha, sua mulher, indo até a janela, viu os lindos rabanetes da horta da bruxa, vermelhinhos e apetitosos. —   Eu bem que gostaria de comer alguns… — pensou ela. — Pena que não são nossos e a velha bruxa não dá nada para ninguém…

Era tanta a vontade de comer aqueles rabanetes vermelhinhos… Mas o jeito era ter paciência. Não adiantava cobiçá-los. Um dia a mulher ficou doente, muito ruim mesmo. Não conseguia comer nada do que o marido lhe trazia. Passou-se um dia, e mais outro… Ela só falava nos rabanetes e não comia outra coisa. O lenhador decidiu então ir buscar aqueles famosos rabanetes. Esperou a noite ficar bem escura, para que a velha bruxa não o visse.

rapunzel02

rapunzel , contos de fada grimm

Devagarinho, devagarinho, escorregou da janela para dentro do pomar, e… zapt!. Arrancou um punhado. Os rabanetes estavam gostosos mas tão gostosos que a mulher quis comer mais no outro dia e no outro e no outro ainda! O pobre marido teve que voltar várias noites ao quintal da velhota, para colhê-los. Enquanto isso, sua mulher, graças aos rabanetes, dia a dia sentia-se mais forte.

Numa noite escura, quando colhia os rabanetes, o lenhador viu a velha bruxa surgir diante dele, cercada por seus corvos de estimação.

— Olhem só! — disse a velhota. — Então o misterioso ladrão dos rabanetes era você, hein? Bem que meu corvo predileto já tinha me falado!

O lenhador explicou que os rabanetes   eram para sua mulher, que não queria comer outra coisa.

A bruxa sabia de tudo, nem precisava de explicação. E aproveitou para pedir em troca dos rabanetes a criancinha que ia nascer. O pobre lenhador tremia tanto, mas tanto, que seus dentes batiam um no outro: tac, tac, tac… Apavorado diante da velha bruxa, nem conseguiu dizer não. — Não precisa se preocupar — disse ela. — Eu vou ser boazinha. serei uma verdadeira mãe para o bebê, pode acreditar em mim.


rapunzel e a bruxa, irmãos grimm

Depois de pouco tempo, nasceu a menina, gorduchinha e de cabelos loiros.

O lenhador e a mulher ficaram muito contentes.

Cuidaram da criança com todo carinho. Toda noite   cantavam para  ela:

Dorme, nenê,

No teu bercinho lindo.

Papai está contente,

Mamãe está sorrindo.

Imagens rapunzel, fábulas infantis

Mas logo a velha bruxa veio buscá-la. Os pais choraram muito e pediram-lhe que não levasse a menina, mas nao adiantou. A velha levou-a e lhe deu o nome de Rapunzel. A menina cresceu, cada vez mais bonita.

rapunzel

Passaram-se os anos e Rapunzel ficou linda… Seus cabelos loiros cresceram e todos os dias ela os penteava fazendo duas longas tranças. A velha bruxa, feia e banguela, com um dente só, num cantinho da casa começou a pensar:

— Rapunzel é linda. Preciso escondê-la para que ninguém a roube de mim. Devo fazer alguma coisa… Já sei! Vou levar Rapunzel para a floresta e trancá-la em uma torre! Isso mesmo! Uma torre com uma janela só e… sem porta, para que ninguém possa entrar lá… Ponho uma escada para Rapunzel subir na torre, mas, depois que Rapunzel estiver presa, eu levo a escada embora! E… como é que eu me arranjo depois para ir vê-la? Já sei! Não dou nenhuma tesoura para Rapunzel. Assim ela não poderá cortar os cabelos. Eles crescerão cada vez mais e ela ficará com duas tranças tão compridas, que servirão de cordas! É isso mesmo! Toda vez que eu quiser falar com Rapunzel, subirei pelas trancas! Assim ninguém mais poderá visitar Rapunzel, só eu!

A velha bruxa fez o que planejara e Rapunzel ficou presa lá na torre. A menina loira passava o tempo todo a fazer suas longas tranças e repetir as canções que os passarinhos, seus amigos, cantavam.

Cada vez que a bruxa velha queria visitá-la, ia até a torre. Primeiro olhava para todos os lados, para ver se não havia ninguém por perto. Olhava muito bem e depois gritava lá de baixo:

— Rapunzel! Jogue-me suas trancas! E Rapunzel respondia:

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— Já vai!… Mas suba devagarinho!

A menina jogava as tranças pela janela e a velha subia, toda contente da vida. Uma tarde, enquanto a menina cantava, passou por ali um príncipe, que a ouviu:

Queridas estrelinhas

que brilhais

nas noites mais bonitas,

eu jamais

deixo esta torre; e espero

enquanto o tempo

corre e corre e não volta nunca mais…

Quem será que tem uma voz tão bonita assim? — pensou o príncipe.

O príncipe andou ao redor da torre e não viu nenhuma entrada. Ficou com muita vontade de saber quem é que cantava, presa naquela torre sem porta. Ouvindo um barulho de gente pisando nas folhas secas que cobriam o chão, escondeu-se depressa e viu a velha bruxa, Ela chegou embaixo da janela e gritou:

—      Rapunzel, jogue-me suas trancas!

O príncipe descobrira o segredo! Na noite seguinte, com muito cuidado, ele chegou bem perto da parede da torre e gritou:

—      Rapunzel, jogue-me suas tranças!

A menina ficou meio indecisa por causa daquela voz diferente, mas pensou que a velha estivesse resfriada e jogou as tranças.

Ágil e rápido, o príncipe subiu por elas.

rapunzel e o príncipe rapunzel jogos	rapunzel historia	rapunzel disney	rapunzel desenho

rapunzel jogos	rapunzel historia rapunzel disney rapunzel desenhoQuando o príncipe entrou pela janela, Rapunzel exclamou, assustada:

— Oh! Não é,a velha bruxa! Quem é você, então?

O príncipe contou o que acontecera e Rapunzel, com medo de que a bruxa se zangasse, falou:

— Você precisa ir embora o mais depressa possível!
Se a bruxa o encontra aqui…

Depois, pensando um pouco, mudou de idéia:

— Bem que eu gostaria de ter companhia… estou sempre tão sozinha… é tão triste…

O príncipe prometeu vir visitá-la todas as tardes.

 

 

 

 

E assim aconteceu… e chegou o dia em que os dois amigos descobriram que seria bom que ficassem sempre juntos. Resolveram se casar. Mas, e a torre? Como sair dela?

rapunzel jogos	rapunzel historia - rapunzel disney -rapunzel desenhoRapunzel, muito animada, teve uma boa idéia, que contou logo para o príncipe.

— Toda vez que você vier à torre, traga um pedaço de corda.  Depois nós emendamos os pedaços e fazemos uma escada com eles. No dia em que a escada estiver pronta, é só amarrá-la na janela… e descer!

O plano era bom e o príncipe prometeu trazer as cordas. Depois levaria Rapunzel para seu reino, onde se casariam.

 

Mas acontece que Rapunzel era muito distraída, e um dia, quando a velha estava subindo pelas tranças, ela disse sem querer:

— Mas como a senhora está gorda! Parece até que está mais pesada que o príncipe!

A bruxa, doida de raiva, descobriu tudo. Furiosa, imediatamente pensou na melhor maneira de impedir que Rapunzel tornasse a ver o príncipe. A primeira coisa que fez foi cortar as tranças de Rapunzel. Não adiantou nada a menina chorar e pedir perdão. A velhota estava danada mesmo. Com uma só tesourada, lá se foram as trancas para o chão. E a bruxa não parou por aí. Chamou seus corvos, fez uma reunião com eles e ordenou que levassem Rapunzel para o deserto, para que ela vivesse sozinha, longe de todo mundo. Mas o príncipe, que não sabia de nada, voltou a visitar Rapunzel. Chegou embaixo da janela e gritou:

— Rapunzel! Jogue-me suas tranças!

A velha, que estava escondida lá na torre, jogou as trancas e puxou o príncipe para cima. O príncipe levou um susto enorme quando viu aquela cara feia dizendo:

— A menina não está mais aqui, seu danado, ela foi para muito longe! Ah! ah! ah!

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Dando uma gargalhada, a bruxa largou trancas onde o príncipe estava, suspenso e ele caiu lá do alto para o chão. Coitado do príncipe, tão bonzinho que era. A bruxa, com as mãos na cintura, ficou olhando para baixo e quando viu o que aconteceu com o príncipe, deu mais uma gargalhada, a malvada! Se o príncipe tivesse caído no chão. apenas, ainda nao seria tão grave, mas ele caiu em cima de uma enorme roseira. Ficou todo espetado, machucado e cego.

 

 

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rapunzel grimm fadas e o príncipe floresta encantadaMesmo machucado, mesmo cego, mesmo sozinho, o príncipe resolveu que iria procurar Rapunzel. Os esquilinhos viam o estado do rapaz e cochichavam:

— Mas aquele não é o príncipe? Coitado, como ele está machucado! E ainda vai procurar Rapunzel… Que judiação o que a bruxa fez com eles!

— Rapunzel! Rapunzel, onde é que você está?—ia chamando o príncipe por onde passava, procurando sua amada.

 

Até que um dia, cansado e sem saber que direção deveria tomar, percebeu que tinha chegado a um deserto.

— Não agüento mais, sei que não vou encontrar Rapunzel, ela está perdida para sempre… Vou gritar o nome dela pela ultima vez:

— Rapunzeeeeeelll!

E o príncipe caiu na terra quente.

Acontece que Rapunzel estava ali perto!

Ela ouviu a voz desesperada de alguém que a chamava.

Andou até ver o moço, que de longe parecia um viajante desconhecido.

— Como será que ele sabe meu nome? — pensou ela.

 

Chegando bem perto, viu que era o seu príncipe!

Quando descobriu que ele estava cego, Rapunzel começou a chorar.

Duas lágrimas suas caíram dentro dos olhos do rapaz, e

imediatamente ele começou a enxergar outra vez !

Que coisa maravilhosa! Rapunzel estava ali mesmo, bem juntinho dele!

rapunzel e o príncipe finalmente juntos

Os dois jovens, finalmente reunidos, deixaram o deserto e foram para o palácio do príncipe. Lá se casaram e foram felizes. O pai e a mãe de Rapunzel vieram para o palácio morar com a filha, que nunca fora esquecida por eles. E a bruxa egoísta ficou presa na torre e nunca mais saiu de lá.

E assim termina a história
de Rapunzel e o príncipe encantado;>br/> do amor tão grande e firme
que os guiou para o encontro desejado
vencendo a bruxa má
com seus bruxedos todos desmanchados