Cinema

OS ANJOS RESISTEM

dez 17th, 2009 | Por nei | Categoria: Cinema

Um filme como Zuzu Angel elimina qualquer possibilidade de o Brasil repetir seu velho papel de palhaço. Não se enquadra nos adjetivos que acompanham os lançamentos para ajudar a esquecê-los. Não se trata de uma obra-prima, de um grande filme ou algo parecido. Mas da ponta mais evidente de uma descoberta ainda submersa. É uma obra sólida, de narrativa enxuta, que convoca nossa omissão e nos abraça com seu drama.



ONDE ESTÁ A LIBERDADE?

dez 15th, 2009 | Por nei | Categoria: Cinema

Um filme não vale pelo que compensa, nem pelo que sugere, mas pelo que cultiva. Um espírito livre precisa de alimento e esse pode vir de uma grande obra ou de um blockbuster. Pois essa é a prova dos nove da liberdade: não está amarrada ao que se convencionou chamar de cultura séria, embora deva muito a ela. O espírito livre pode voar com uma grande bobagem e isso serve para todo o resto.(Artigo sobre o filme “Piratas do Caribe – A maldição do Pérola Negra”).



O GÊNIO EM PLENA FORMA

dez 15th, 2009 | Por nei | Categoria: Cinema

A Filha de Ryan é um filme perturbador porque vê poesia onde há profunda transgressão e denuncia a pressão sobre o indivíduo (o professor amarrado, o soldado louco, o palhaço demente, homens e mulheres em fúria). É sobre o indivíduo, mais do que sobre o gênero. No fundo, todos são vítimas (da opressão, da ignorância, da guerra), mas só a protagonista assume toda a carga.



EM BUSCA DA GRAÇA

dez 14th, 2009 | Por nei | Categoria: Cinema

O Brasil perdeu a graça. Basta ler alguns críticos de cinema. A violência com as palavras chega ao nível da violência física. Perdemos a graça porque perdemos a inocência, não a inocência útil, ou algum estado de imbecilidade pré-natal. Perdemos a inocência do espírito desarmado, a que se abre ao Outro sem má-fé ou disputa. É por isso que lamento chegar tarde aos textos sobre cinema, já que só vejo dvd, expulso que fui das salas de projeção, muito distantes aqui de casa ou impossíveis de aturar devido à presença da multidão de engraçadinhos (os perversos que embarcam nas distorções da comédia). Gostaria de fazer justiça no bate-pronto, desmascarando a falta de juízo sobre obras como Onde anda você (2004), do cineasta maior Sergio Rezende. Teve gente que não viu sentido no filme, tentando desqualificar o autor e sua equipe para o humor. Mas Rezende acerta no veio e é dever nosso dizer porquê.



DUAS REVISTAS NO CINEMA

dez 14th, 2009 | Por nei | Categoria: Cinema

Dois filmes sobre duas revistas. Uma delas é a Runway, do filme O Diabo Veste Prada (2006) e a outra é a Sports Illustrated, de Em Boa Companhia (2004). As duas incorporam o furacão da globalização da economia e são abordadas no cinema por meio do conflito entre novatos e veteranos. Em Prada, Anna Hattaway, a novata, enfrenta Merryl Strip, a tirana. E Em Boa Companhia, o veterano Denis Quaid tem de aturar o emergente Topher Grace, o marqueteiro que, a mando das grandes corporações em permanente processo de autofagia e fusões, vêm atrapalhar um veículo até então lucrativo.



AGONIA CIRCULAR DO BRASIL TERMINAL

dez 14th, 2009 | Por nei | Categoria: Cinema

Amarelo Manga se contrapõe à estética da maquiagem tão comum em tantos filmes da Retomada. É um passo além da denúncia, pois mostrar não basta, refletir é abster-se, se insurgir é inútil.  A câmara colocada no alto empurra a trama para a pequenez das situações e conflitos e privilegia o espectador que se sente acima do que vê. É uma armadilha. Nós é que estamos lá embaixo e basta o close voltar a agir para sentirmos na carne e na pele que estamos presos no mundo aparentemente delirante de Cláudio Assis



INTELIGÊNCIA É EMOÇÃO

dez 14th, 2009 | Por nei | Categoria: Cinema

Mais estranho do que a ficção, do roteirista Zach Helm, dirigido por Marc Forster, com Emma Thompson, Dustin Hoffman, Will Ferrer, Maggie Gyllenhaal e Queen Latifah, narra a jornada de um imbecil até o entendimento, para usar o título de uma peça de Plínio Marcos. E revela a transformação da escritora, prisioneira dos horrores de Dostoiewski, que se liberta para uma história em que seu personagem se salva não por se insurgir contra sua própria morte anunciada, mas porque deixou exposto o truque narrativo ao se conformar com seu fim. É poupado porque esclarece a autora sobre sua crise criativa e ganha a chance do amor ao se entender com alguém exatamente oposta a ele.



O PLANETA É FILHO DA AMÉRICA

dez 14th, 2009 | Por nei | Categoria: Cinema

O mais brilhante e perverso lance de marketing político da atualidade é Uma verdade inconveniente, o documentário de Al Gore que levou o Oscar. Brilhante porque, ao usar o prestígio, o alcance e a duração do cinema, consegue ser convincente. Seu acervo são os insights da cultura acumulada da comunidade científica para, num tom didático, explicar porque devemos nos preocupar com o aquecimento global. Isso torna o documentário (uma longa conferência com recursos da multimídia) também perverso, ainda mais porque fica evidente a apropriação de soluções que, no fundo, não dizem respeito a todos os povos, mas sim aos votos que ele precisa para chegar onde quer, a Casa Branca.



BABEL, DE IÑÁRRITU E ARRIAGA

dez 14th, 2009 | Por nei | Categoria: Cinema

Babel é um filme sobre pais e filhos, um mergulho radical no mundo reunido na mesma torre, a indústria da comunicação, que enfeixa poderes e exclui povos e gerações. O cineasta Alejandro Gonzáles-Iñárritu e o roteirista Guillermo Arriaga conseguem ser cada vez mais contundentes na montagem narrativa. Desta vez, em vez do cruzamento caótico de situações, há uma composição seqüencial definida por cenas chaves, que delimitam os trechos, ou capítulos, da história. A partir desse tipo de cena, se desenrola em flash black, os acontecimentos que deságuam nela. Isso é feito de maneira segura, levando o espectador à complexidade das relações entre pessoas, governos, povos e nações.



O LIMBO É REAL

dez 13th, 2009 | Por nei | Categoria: Cinema

Obra de um país temperado pela dor e pela sofrida reinvenção da alegria, O ano em que meus pais saíram de férias, de Cao Hamburger, insere-se na grande cinematografia nacional e internacional contemporânea. É como um goleiro, que não participa do jogo até ser convocado para o vôo. Quando pula no abismo, levantamos da arquibancada. Esse é o gol que merecemos, a vitória que nos redime, a taça que levamos pelo Tempo sem que ninguém tenha a oportunidade de roubá-la.



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