História e Memória – uma relação Tensa.

“História e Memória – uma relação Tensa.” Miguel Duclós A célebre inscrição no Pórtico da Academia de Platão – “Que aqui não entre quem não souber geometria” encontra possível explicação pela biografia do filósofo e sua filosofia. Platão viu seu ideal de implantação do “Rei Filósofo”soçobrar em duas tentativas junto ao tirano e a corte … Ler maisHistória e Memória – uma relação Tensa.

O CAFÉ QUE NÃO ACABAVA – lenda cuiabana de tradição cristã

O CAFÉ QUE NÃO ACABAVA Eram 11 horas da noite de 11 de novembro de 1876. Noite triste de vigília para a população cuiabana. Nas primeiras horas da tarde desse dia, finara-se o venerando e venerado ancião que, fundara a Diocese de Cuiabá. De hora em hora, o sino maior da igreja matriz tocava em … Ler maisO CAFÉ QUE NÃO ACABAVA – lenda cuiabana de tradição cristã

A HISTÓRIA DOS QUATRO BRÂMANES LOUCOS – conto Paña da Índia

Os párias, infelizes rebotalhos humanos, homens sem casta, intocáveis, votados à mais vil degradação, nem por isso deixaram de ter seu poeta, tão excepcionalmente grande que mesmo pelos brâmanes era chamado Tiruvaluva, o Divino Pária. Outros párias, desconhecidos, também contaram as lendas e desgraças de sua gente, coisas que a tradição oral conservou, e acabaram sendo recolhidas por estudiosos dos costumes e povos da índia. A História dos Quatro Brâmanes Loucos é uma sátira, onde, rindo, os párias exercem sua vingança contra a casta "salda da cabeça do deus". Não nos consta que antologias dedicadas ao conto hindu tenham recolhido a história que aqui damos.

Contos Populares Antigos Curtos

AS TRÊS MAÇÃZINHAS DE OURO, O COMPADRE DA MORTE, O SÓCIO DO DIABO, contos populares medievais, completos, para ler online ou imprimir, com comentários, lendas e mitos medievais coletados da tradição oral junto ao povo, com comentários.

A mulher teimosa – Contos de Facécias

Popular no século XIII, onde o vemos em três fontes, pelo menos; no Exempla ou Sermones Vulgares, de Jacques de Vitry, falecido em 1240, edição londrina de 1890, dirigida pelo prof. T. F. Crane, n.° 26 das publications da Folk Lore Society, no Fables, de Marie de France, e em Etienne de Bourbon, Anecdotes historiques, légendes et apologues tirés’ du recueil inédil d’Etienne de Bourbon, publicado por Leroy de la Marche. Puymaigre resume: — Très nombreus ses sont dans les vieux recueils les histoires de femmes contrariantes. Etienne de Bourbon res conte l’historiette qui a fourni à Marie de France une fable et à un trouvère le Pré tondu, et et celle dont La Fontaine a fait la Femme qui se noie, Ces deux contes se retrouvent encore dans bien d’autres endroits dans Democritus ridem: (p. 121), dans un très curieux livre espagnol El cor bacho de l’archiprêtre de Talavera (folio XXIII, verso) …Timoneda a répété la Femme qui se noie dans El Sobremesa y alivio de Caminantes conte premier. Teófilo Braga (nota ao 106, A mu lher teimosa, versão do Porto) cita Edelestand do Méril na Histoire de la Fable esopique, segundo Poésies inédites du Moyen Age, p. 154, nota-5, um manuscrito do século XV, na Biblioteca de Bruxelas, onde há a fabula De homine et uxore litigiosa, com o final característico: — Illa, au tem, quia jam linguam amiserat et loqui non potuit, signo quo valuit, pertinaciam ostendit, forcipi formam et officium digitis ostentans. Tivera a língua cortada, o que não ocorre nas versões de Portugal e Brasil, exceto numa que João Ribeiro sintetizou, 258. Em Jacques de Vitry o marido joga a mulher nágua, mergu lhando-a, enquanto ela, toda vez que emerge, ergue os dedos, imitando o gazear da tesoura. Alfredo Apell, Contos Populares Russos, traduziu A mulher teimosa, XXIII, indicando va riantes norueguesas, de Asbjornsen, polaca de Afanasiev (Velikoe Zertsalo) e sérvias. João Ribeiro ensina: — Esta origem anterior à conquista árabe, torna problemática a hipótese de uma fonte asiática. Em nota: — A história é conhecida de russos, alemães, turcos e vários povos. Tanto J. Bédier como R. Kohler e G. Amalfi, dão extensa bibliografia do assunto.

O POTE DE AZEITE – Poema de Gil Vicente

Gil Vicente, Auto de Mofina Mendes, representado ante elrei dom João III, nas matinas do Natal, na era do Senhor, 1534. Obras de Gil Vicente, dirigida pelo prof. Mendes dos Remédios, I, 13-14, Coimbra, 1907.

Gil Vicente, o primeiro folclorista de Portugal e o maior documentário vivo da etnografia portuguesa, retirou, naturalmente da tradição oral, o tema da Mofina o seu pote de azeite, 144 anos antes que La Fontaine (1678) divulgasse La laitière et le pot au lait. Sua universalidade, literária e popular, constituiu assunto de uma aula de Max Muller no Instituto Real, em 3 de Junho de 1870, Sur la migration ães fables, tradução francesa de Georges Perrot, Essais sur la Mythologie Comparée, Paris, 1874, 417-467. Da índia, com o Panchatantra, aparece o brâmane Svabhâvakripana partindo o pote de arroz na, suposição de castigar o filho hipotético, depois de enriquecer e casar-se magnificamente. Passa ao Hitopadexa, onde o brâmane Devaxar-man espatifa a escudela de farinha e mais os vasos do oleiro em cuja casa descansava, sonhando disciplinar suas quatro esposas, fabula VII, Sandhi, na versão portuguesa de mons. Sebastião Rodolfo Dalgado (Lisboa, 1897, 233). A mesma estória figura na tradução do "Panchatantra" que Barzúyeh fez do sânscrito para o pehlvi, denominando sua seleção de contos Kalila e Dimna, no século V. No século VIII Abdal-lah-ibn-Almokaffa verteu o Kalila e Dimna para o árabe. Continua um religioso a quebrar seu pote, desta vez cheio de óleo, querendo punir um problemático filhinho. Em 1250, o Kalila e Dimna, também chamado Fabulas de Bidpai. veio do árabe para o hebreu, por um judeu Joel. Desta tradução hebraica, nasceu o livro de outro judeu, João de Capua, de 1263 a 1278, Directo-rium humanae vitae alias Parabolae Antiquorum Sapientum, tornando familiar e querido aos leitores ilustres no correr do século XIII. É um eremita que rebenta a vasilha de mel, planr jando fortunas e desejando educar, à força do bastão, um filho recalcitrante: percutiam eum isto bacio et erecto báculo aã percutiendum per-cussit vas mellis et ipsum et defluxit mel super caput ejus. Não interessa, à espécie portuguesa e brasileira, a extensa bibliografia alemã, latina, francesa, italiana, toda irradiante dos volumes citados. Os castelhanos tiveram um Calila é Dymna em meiados do século XIII, feita ou mandada fazer por dom Afonso, o Sabio, em 1251. Outra versão castelhana é o Exemplaria contra los enganos y peligros dei mundo, Burgos, 1493, I vulgarizando o título para Cadyna Dyna, Dina, y Cadina, repetido nos versos do Cancioneiro de Baena. É dessa época o Livro do Conde Luca-nor, de dom João Manuel, coleção de 51 "enxem plos", a maioria tradução ou adaptação do Directorium humanae vitae e que figurava na livraria del-rei dom Duarte. No Conde Lucanor (VII) já o religioso é substituído por Dona Tru-hana, que vai vender um pote de mel e parte a bilha, vendo-se imaginariamente rica, poderosa, cercada de filhos e noras amáveis.

Ao lado dessa corrente cultural borbulhava a estória contada de geração a geração, na força impetuosa da oralidade, trazida por mil modos, traficantes, contrabandistas, cruzados, manuscritos desaparecidos, sermonários, etc. (CASCUDO

Fonte: Os melhores contos Populares de Portugal. Org. de Câmara Cascudo. Dois Mundos Editora.

AS IRMÃS INVEJOSAS – Conto popular

irmãs invejosas

UM rei mancebo, de idade de vinte e dois anos, virtuoso e casto, que até esta idade não tinha conversação de mulher alguma, requerido dos seus que casasse, para que houvesse filhos que sucedessem no reino, e desejoso de achar na sua própria terra mulher para isso, recusava o casamento de muitas mulheres forasteiras que lhe traziam.