ABSURDA

mar 16th, 2012 | Por | Categoria: Romance em prosa poética        

Nei Duclós

Não atino a origem do vazio espesso
farinha sem refino de pérolas moídas
que impregna o dia com sabor azedo
e despeja a poesia num jardim de lixo

Talvez seja o amor que acabou mais cedo
quando por capricho nos desentendemos
salto de um trapézio em farelo ou feno
água no pescoço em dias de remorso

Só sei que não há mel nos minutos tensos
no que parece vida e é perda de tempo
também não há doçura nem sequer delícia

Palavras perdidas de uma relação absurda
em que jamais tocamos a carne um do outro
mas nossas almas sabem o quanto vale ouro

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