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EM NOME DO TEMPO

Deveria haver um mandamento para não tomar o nome do tempo em vão. Evitaria um massacre, gerado por vícios como achar que existem pessoas à frente do seu tempo, como se o passado sofresse de um pecado original que não o habilita para o gênio. Ou dizer que o tempo atual é definido pelas celebridades, como se o interesse excessivo por elas passasse um atestado de idiotia ao presente. Ou sustentar que não sobreviveremos a este século, por força do aquecimento global, ou da nova era glacial, dependendo da moda, o que é uma forma de enterrar o futuro, que ficaria assim excluído da esperança, sua velha moeda corrente.

Foot notes: Crônica publicada no dia 19 de agosto de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.

Published: Aug 22, 2008 - 09:07 AM
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ESSE ESTRANHO AMOR

O amor à Pátria é o primeiro a ser negado quando nosso representante, no lugar de evitar o gol do adversário, contribui com ele por omissão ou soberba. Quando a reiteração dos crimes compõe a identidade do país que deveríamos amar. Basta o galo cantar uma só vez para trairmos a devoção cívica que deveria nos nortear. No varejo, nos dias que se sucedem sem nenhuma graça, vemos o amor à Pátria escoando pelo ralo. É o Brasil, dizemos, e damos o assunto por encerrado.

Published: Aug 17, 2008 - 09:27 AM
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PESADELO AUTOMOTIVO

Peça de automóvel é como célula: já vem programada para pifar, depende do modelo e da marca. Se os artífices das montadoras são capazes até de inocular cheiros específicos nos estofamentos, para aumentar o poder de sedução na hora da compra, se pesquisam até o barulho da porta quando se fecha para sugerir poder, ou simplesmente carícia para quem ouve, como não iriam decidir o mais importante? Ou seja, o momento exato em que você terá de livrar do seu pé de borracha favorito e desembolsar mais dinheiro, se quiser manter seu status de feliz proprietário de um zero.

Foot notes: Crônica publicada no dia 17 de agosto de 2008, na revista Donna DC, do Diário Catarinense.

Published: Aug 17, 2008 - 09:25 AM
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VIOLÊNCIA PLANEJADA

Qual seria a verdadeira revolução? A paz, que só se consegue com algumas providências. Primeiro: o monopólio do exercício legal da violência por parte das instituições nacionais, sob a guarda da correção e a ética. Segundo: o fim do capitalismo de desastre e a volta da luta em favor do equilíbrio social. E terceiro: a língua comum afiada na criatividade, no conhecimento e na experiência.

Foot notes: Crônica publicada no dia 12 de agosto de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.

Published: Aug 15, 2008 - 11:24 PM
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CENAS DE UMA TRILOGIA

Quem lê Máximo Gorki, não precisa ler mais nada. Algumas cenas nos deslumbram pela contundência, pela precisão dos detalhes, pelo fragor da narrativa, pela atualidade. Fellini deve ter lido, pois a literatura de Gorki revela que estamos cercados pelo surrealismo, que a realidade é hiper-real, que os seres humanos são um mural de exceções, o que chamariam hoje de diversidade.

Foot notes: Resenha publicada no dia 9 de agosto de 2008, nas páginas centrais do caderno Cultura, do Diário Catarinense.

Published: Aug 10, 2008 - 04:17 PM
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DOMINÓ DE ASSOMBROS

É mansa essa passagem entre dois eixos, o firme estanho do sol e a morna geléia que anuncia a noite. Ainda é cedo, mas a coruja antevê o sereno. Monstros abrem o olho. Estrelas invisíveis fervem no cinza azulado e aguardam o breu para tocaiar o sonho. Tudo está atento como na véspera do Juízo. Ninguém dorme a sesta de escombros. Há um despertar de açoites, corações incertos, algas que se soltam da cabeça. O acordo era andar, mas há uma pré-estréia de sonâmbulos. Câmaras de silêncios, cavernas de molejos, êxodo de mântras.

Foot notes: Crônica publicada no dia 29 de julho de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.

Published: Jul 29, 2008 - 10:47 AM
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DITADURA INFORMAL

Assim como existe uma economia informal, há também um regime político por baixo do pano. Os dois sistemas se parecem, e se alimentam mutuamente. São realidades que colocam em fila, como nos pesadelos da série Matrix, toda a população conectada diretamente aos sanguessugas, enquanto vivemos um mundo de aparências, formatado pelo bombardeio pesado da nossa percepção. Isso parece uma excrescência conceitual e teórica, pois é difícil acreditar que todo o aparato legal, tão reiterado pela correção e a ética, seja apenas a fachada de um esquema perverso, que permanece oculto e ao mesmo tempo presente.

Foot notes: Crônica publicada no dia 22 de julho de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.

Published: Jul 29, 2008 - 10:45 AM
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NOS BRAÇOS DO PAI

Nada se pode dizer diante do heroísmo do filho, o amor e a determinação do pai, a grandeza da briga por se manter vivo, a dor incomensurável da perda, a falta de recursos num lugar que deveria sobrar em tudo. Nada se pode dizer diante da mãe que viu seu filho sumir para sempre e testemunhar a insistência do marido, que jamais perdoou o destino e nunca se deu por vencido. Não se conformou e isso quase salvou a vida do seu filho. Foi por pouco, Edílson, foi por pouco, Socorro, foi por pouco, Jonathan.

Foot notes: Crônica publicada no dia 20 de julho de 2008 no caderno Donna DC, do Diário Catarinense.

Published: Jul 20, 2008 - 08:59 AM
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DIAMANTES DO ACASO

O que ficava no fundo, veio à tona. O que era oculto, foi decifrado. Quem estava escondido, deixou de ser tímido. Quem guardava um tesouro, embriagou-se. Quem estocava palavras, desandou. Não há mais segredos, embora persistam os mistérios. O mundo é um enorme divã, mas a angústia permanece. A pobreza de espírito implantada impede que se formem feixes de luz, ambientes habitáveis, grandezas. Há um espalhar de ruínas. Os ventos sopram, invariavelmente, restos de uma estranha ferocidade.  

Published: Jul 18, 2008 - 09:38 PM
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PAZ NA DIFERENÇA

Só existe paz quando as fronteiras estão consolidadas. O Tratado de Versalhes, que humilhou a Alemanha e movimentou as linhas divisórias no coração da Europa retalhada pela Primeira Guerra, resultou na invasão total dos países em conflito. Por isso não adianta sonhar com a paz se houver esse esgarçamento das linhas divisórias, uma fragilidade denunciada inclusive pela construção de muros, como acontece entre México e Estados Unidos. Quando não há garantia de fronteiras, instala-se a barbárie.

Published: Jul 18, 2008 - 09:36 PM
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MEMÓRIAS DO VELHO SENTINELA

Fui visitar Ossip Grumpf, que vive na divisa do Paraná com Santa Catarina, num sítio onde cultiva begônias. Está recolhido desde 1999, quando encerrou o século e a carreira em Hollywood. É russo de nascimento, ou húngaro, nunca descobri ao certo. Veio para o Brasil porque tinha a imagem de um país longínquo e perdido, onde jamais descobririam sua verdadeira identidade. No fundo, se reconhecia no anonimato do país que escolheu para viver. Por muito tempo, fez o papel dos sentinelas que sempre morrem no primeiro golpe dos atacantes. Achava que ninguém iria querer saber sobre sua biografia, que tipo de ator se transformou por necessidade e, mais tarde, excelência no ofício.

Published: Jul 10, 2008 - 11:55 AM
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IMPROVISO NA OBRA

A mão-de-obra brasileira na construção civil, cada vez mais escassa pelo excesso de demanda, está sendo treinada nos padrões internacionais e de qualidade. Mas nas pequenas reformas, onde os contratos apalavrados levantam inúmeras edificações, ainda vigora o improviso e a criatividade. É essa percepção flexível, de tirar o máximo do mínimo de condições, que deslumbra empregadores estrangeiros, acostumados à rigidez e às exigências dos operários de outros países. O Brasil foi feito no muque e temos séculos de uma cultura que se apropria e transmite, pelas gerações afora, soluções cevadas na escassez.

Foot notes: Crônica publicada no dia 1º de julho de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.

Published: Jul 10, 2008 - 11:52 AM
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ARTE AFORA

Ela tinha o dom e procurava, no exercício das charadas, intensificar essa sintonia fina entre trajetória pessoal e sonho, pela larga estrada do verbo impresso. Os livros a acompanhavam desde menina, quando era colocada, aos gritos, para debaixo da cama pela família assustada com revolução nos difíceis anos 1920; e quando era a colegial brilhante que completou a formação em Porto Alegre. A literatura fazia parte dela quando, noiva, posava ao lado do elegante cônjuge de fino bigode e olhar sedutor; e quando, mãe orgulhosa, levantava seus filhos recém nascidos nos braços, como se fossem taças de muitas vitórias. A consolava quando assumia o papel de preocupada vigilante dos estudos que se espalhavam por toda a casa. Temperava sua conversa quando cumpria a função de educada anfitriã na mesa farta, diante das visitas e rodeada de seus rebentos.

Foot notes: Crônica publicada na revista Donna DC, do Diário Catarinense, do dia 22 de junho de 2008.

Published: Jul 10, 2008 - 11:47 AM
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VIDA EM MARTE

A verdade é que não importa mais quem faz o quê. O que vale é preencher as milhares de horas disponíveis para servir de recheio no sanduíche dos mega-interesses. Não é que o mundo tenha mudado. O mundo, de fato, acabou. Viramos marcianos a olhar, incrédulos, o que fizeram com o lugar onde passamos a maior parte de nossas vidas. A destruição é tão completa que fica difícil explicar para a moçada como foi que aconteceu o desastre. Corremos o risco de ficar falando sozinhos, diante de pelotões infindáveis de celulares.

Foot notes: Crônica publicada no dia 24 de junho de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.

Published: Jun 24, 2008 - 04:07 PM
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O DESTINO NÃO É HUMANO

Há uma seqüência capital de No country for old men, dos Irmãos Cohen, que no Brasil ganhou o improvável título de “Onde os fracos não têm vez” . É quando o facínora persegue o texano, interpretado por Josh Brolin, na fronteira com o México. O assassino não mostra a cara o tempo todo. Os espectadores já estão impregnados de sua presença. Não há mais o que mostrar, a não ser suas ações, seus impactos na vítima em fuga. As balas se sucedem por todo o lado, arrancando pânico e sangue. O rosto animal não aparece, mas somos tomados pelo terror.

Published: Jun 22, 2008 - 10:37 AM
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SABEDORIA DE ESQUINA

Imagino que as pessoas estocam conhecimento sem esperança de passá-lo adiante. Há bastante má vontade em relação ao pensamento autóctene, o que não segue a cartilha e que se perde na multidão. A sacada empírica, fundada na observação direta, a mesma que fez a glória dos fundadores da ciência, foi deixada de lado. Os sabichões abundam por toda parte, calcados no que já foi comprovado, esquecidos de que existe muita estrada ao nosso redor para ser processada por mentes insaciáveis.

Foot notes: Foot notes: Crônica publicada no dia 17 de junho de 2008 no caderno Variedades, do Diário Catarinense.

Published: Jun 17, 2008 - 01:03 PM
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ARTES DIÁRIAS

Buscamos a excelência no mundo prosaico. Trabalhar bem é uma arte, que aprendemos todos os dias. Funcionamos diante do espelho, os outros. Enxergamos melhor quando vemos a fonte e as conseqüências de ações e gestos dos contemporâneos. E qual é o espaço mais intenso de relacionamento humano? O namoro, o amor, as relações de sangue ou o comércio? Vendemos e compramos sem parar, por uma questão de sobrevivência. Você pode viver no mundo da Lua, apaixonar-se, passar as férias com os pais, mas a presença gigantesca das trocas de produtos e serviços remunerados se impõe na maior parte da nossa vida.

Foot notes: Crônica publicada dia 10 de junho de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.

Published: Jun 11, 2008 - 12:43 PM
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GALO INVENTA A MANHÃ

O galo torce o quebranto, ensina a sobrevivência. Ele se espicha, cisca o que tem de mais fundo, se supera. E aos poucos vai acostumando o ambiente à batida do seu pulso, que pressiona a vigília. Cria curiosidade entre os vivos, que torcem para ver quem ganha. No duelo desigual, a tampa noturna luta de um lado. No outro, o cantar do galo ganha ritmo, e aos poucos orquestra o ouvido adormecido da multidão, faminta de luz.

Foot notes: Crônica publicada no dia 3 de junho de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.

Published: Jun 03, 2008 - 02:14 PM
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SILÊNCIO DE FOGO

As palavras perderam a força pelo excesso de sentido que transferimos para elas. Mas a solução já foi encontrada. Basta render-se ao que a palavra é de fato, um ovo esquecido no ninho depois do furacão. Lá está ela, perdida de si mesma, a brilhar com a possibilidade da fecundação. O escritor a toca pelas pontas, para não quebrá-la. Coloca-a contra a luz para enxergar o estado em que se encontra. E a deposita de volta, sem fazer ruído.

Foot notes: Crônica publicada no dia 27 de maio de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.

Published: May 31, 2008 - 03:53 PM
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O FINO DA PROSA

Não temos, no Brasil, ventos favoráveis constantes para que os talentos possam cumprir destinos e vocações. Vivemos em espasmos, em premiados que caem no esquecimento, em aplausos que o tempo cobre. Depende do autor seguir adiante e é o que Tony Monti consegue fazer, mesmo agora, desarmado do apoio inicial, quando chega ao seu segundo livro, O menino da rosa (Hedra, 46 páginas).

Foot notes: Esta resenha teve a valiosa contribuição da escritora Beth Fleury. Com sua leitura atenta, Beth apontou e solucionou uma série de detalhes que atrapalhavam o texto.

Published: May 31, 2008 - 03:50 PM
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A VERDADE SOBRE OS ANOS 60

Tudo o que é relacionado, hoje, aos anos 60 era, nos anos 60, considerado um horror. Por exemplo: cabelo comprido. Nas capitais provocava apenas xingamento, má vontade, deboche. Mas no interior a punição era o apedrejamento. Outra: rock. Ligado à sujeira e à vagabundagem, rock era coisa de pessoas desviadas do rumo. Dava cadeia. Mais: ser de esquerda. Ninguém tolerava um esquerdista. As bocas se inflavam com o xingamento gritado: comunista! O chic, o elegante, era ser de direita. Ser reaça era o fino. Comunista era morto a paulada.

Foot notes: Crônica publicada no dia 25 de maio de 2008 na revista Donna DC, do Diário Catarinense.

Published: May 25, 2008 - 08:55 PM
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O QUE É MÚSICA?

Música é a capacidade de ouvir. Você pode ser Mozart, mas se não houver quem escute sua obra, ela não existirá. Ninguém compõe para as altas esferas, mas para que o som se propague até um receptor. A música foi assassinada quando descobriram a mina de ouro que é a banalização da batida do tambor. A sofisticação foi reduzida ao pó das baterias, e o tunc tunc se consolidou na indústria imediatista. Mais tarde, “evoluiu” para o baticum eletrônico, que é a entronização surtada da redundância.



Foot notes: Crônica publicada no dia 20 de maio de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.

Published: May 21, 2008 - 03:55 PM
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O SUSTO DA ESTRADA

Sobre Into the Wild (Na Natureza Selvagem), o road movie de Sean Penn, de 2007: O protagonista está destruindo a própria família, a vida que o embalou e desprezando o papel fundamental das pessoas que recolhe pelo caminho. Não enxerga que elas são sua única riqueza. Não é nem a trajetória, mas as relações humanas que o enriquecem, que o chamam para a sobrevivência. Mas ele está disposto a morrer. Não perdoa os pais por terem escondido o fato de que ele era filho bastardo, ou coisa assim. Funde a cuca e se atira no meio da neve como um tarado qualquer. Mas Sean Penn tirou leite de pedra, a partir do best-seller de mesmo nome, de Jon Krakauer, publicado em 1996. Traça umperfil isento do aventureiro, colocando sua grandeza e sua precariedade.

Published: May 21, 2008 - 03:44 PM
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O BRASILEIRO ARANHA

Enjeitada pela universidade que a gerou, a obra de Carlos Aranha (Castaneda) guarda desafios importantes para o futuro. Nela, há espaço para o nagual, um lugar que a avalanche descartável não atinge. Enquanto isso, ele é fonte (jamais citada) de inspiração para inúmeros filmes e livros. Pois quem leu Castaneda sabe de onde George Lucas tirou a idéia da Força e de todos os ensinamentos dos Jedis.

Foot notes: Crônica publicada no dia 6 de maio de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense

Published: May 18, 2008 - 08:37 AM
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ALEMANHA, A EXTRAORDINÁRIA

Por que a Alemanha é assim? Certamente não é pelo sangue, pela eugenia racial, pois isso seria nos rendermos ao idealismo. Precisamos da dialética marxista para entender. Uma pista é dada pelo filme “O milagre de Berna” (Das Wunder von Bern), de Sönke Wortmann (2003). Perdemos de oito a três, urravam todos, contra o técnico da seleção, que permanecia firme. Fizemos três gols nos deuses, replicava ele. São vulneráveis, têm fraquezas, vamos aproveitá-las. O grande estrategista puxou de dentro de cada jogador a vontade de vencer, demoliu brigas internas e concentrou o jogo nas possibilidades de vitória. Deu certo.

Published: May 18, 2008 - 08:33 AM
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