EMBRULHO DE PURO ENCANTO

mai 29th, 2012 | Por | Categoria: Poesia        

Nei Duclós

Fugi para baixo da cama. Lá estavas respirando.
Pediste que me calasse, a noite estava aprontando.
Sacudia as cortinas, embrulho de puro encanto.

Somos de um povo perdido, a nação feita de amantes,
cercando nosso castelo, as flechas de mil cupidos .

Quando a noite pede água, eu chego com minha sede,
deixa que eu beba no jarro que me guardaste em teu beijo.

Na roda da poesia, cabe a rima mais simplória,
não importa o verso solto, o que vale é a tua glória.

Não sinto mais a vergonha de te dizer desse jeito,
o que sinto com meu corpo e o desespero do sonho.

Quero você toda entregue com teu carinho de sempre,
no ritmo que nos carregue até o mais íntimo sopro.

Sentei você no meu colo, te pegando de surpresa,
tentaste uma reação, mas teu coração não deixa.

Há tempos eu desisti de seguir uma carreira,
prefiro ser narrador da armadilha do teu cheiro.

Fazem fila para os prêmios, prefiro ficar amando,
aqui tenho o meu diploma, teu rosto se desmanchando

Ninguém pode com a doçura que dobra todos os reinos,
por isso és a rainha que o mundo pede primeiro.

A curva do teu mistério arrebata como um susto,
te toco para ouvir teu gemido mais profundo.

Quando suspiras sou eu que o teu corpo registra,
sentiste que aconteceu o que te faz mais linda.

Não há magia possível se eu não grudar em tua pele,
desabotoe as cancelas para eu chegar bem perto.

Agora estou mais no fundo do que os primeiros momentos,
não há volta por enquanto, mulher que fica tremendo.

Fui mais longe do que antes porque assim estava escrito,
és um lago de interiores desenhados por teu grito.

Escancaras esta boca vermelha de puro choque,
depois não venha dizendo que não me viste esta noite.

Estás agora dormindo, esquecida do meu verso,
és o poema que escreves no coração submerso.

Não esqueça do meu beijo, não escapes para sempre,
me acorde com tuas pernas tecendo a manhã de seda.

Primeira visão que eu tenho quando acordo ao teu lado
é a cor do teu cabelo cobrindo meu olho esquerdo.

Vista assim tão desarmada não passas de um monumento
como se fosses a esquadra em defesa do meu canto.

Me queres? Então me agarre com tua pele grudenta.
Te derrubo como pluma nesse mar de travesseiros.

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