UMA ACADEMIA DE ALTOS ESTUDOS

Oliveira Lima UMA ACADEMIA DE ALTOS ESTUDOS Senhores: Entre as surpresas agradáveis que desta vez me esperavam na pátria, à qual volvo após mais de dois anos de ausência, destaca-se a criação, no seio do Instituto Histórico, da Academia de Altos Estudos, ou antes a transformação da douta corporação que vai caminhando para o seu … Ler maisUMA ACADEMIA DE ALTOS ESTUDOS

O PLANALTO: DESENVOLVIMENTO DA ECONOMIA CAFEEIRA E SUAS CONSEQÜÊNCIAS. A ARISTOCRACIA DO CAFÉ. IMIGRAÇÃO.

Marechal deodoro da fonseca

O PLANALTO (CONTINUAÇÃO): DESENVOLVIMENTO DA ECONOMIA CAFEEIRA E SUAS CONSEQÜÊNCIAS. A ARISTOCRACIA DO CAFÉ. IMIGRAÇÃO. Professor Brasil Bandecchi – 1970. Julgamos necessário, e mesmo indispensável, que antes de falarmos do café no Planalto, se diga alguma coisa sobre sua introdução no Brasil e sua cultura, no Rio de Janeiro. A maior consagração oficial que o … Ler maisO PLANALTO: DESENVOLVIMENTO DA ECONOMIA CAFEEIRA E SUAS CONSEQÜÊNCIAS. A ARISTOCRACIA DO CAFÉ. IMIGRAÇÃO.

AS HIPÓTESES FUNDAMENTAIS DA SOCIOLOGIA

Introdução a Sociologia – PRIMEIRA PARTE OS PROBLEMAS SOCIOLÓGICOS Capítulo I

Professor A. Cuvillier (1939).

 

Capítulo VI AS HIPÓTESES FUNDAMENTAIS DA SOCIOLOGIA

A sociologia não é uma filosofia da história: não supõe uma explicação unilateral dos fenômenos sociais, mas, pelo contrário e como já dissemos, o sentido das interferências e das interações múltiplas cuja reunião forma a vida social. Se, contudo, não quisermos cair num círculo vicioso, que consistiria em explicar os fenômenos sociais sucessivamente uns pelos outros, essas ações recíprocas supõem, necessariamente, uma ação primordial, ou, como dizia Durkheim, um "substrato" fundamental. A sociologia necessita, portanto, como sucede com todas as outras ciências, de uma hipótese diretriz, de uma hipótese de trabalho, incidindo aqui sobre a natureza desse substrato.

I. —O "substrato" biológico

Será esse "substrato" de ordem biológica? E será a sociologia, neste sentido, um apêndice das ciências naturais? Esta interpretação pode apresentar-se — fora das vagas analogias do organicismo, de que já tratamos — sob duas formas principais.

1. O fator racial: a antropossociologia. — A primeira é a teoria da raça ou antropossociologia, a qual, como veremos adiante, é muito antiga. Mas é sabido que, na sua forma atual, ela tem, sobretudo, por origem um livro de Arthur de Gobineau, Essai sur l’inégalité des races humaines (1853-1855). Desenvolveu-se em França, nos fins do século passado, graças aos trabalhos de Vacher de Lapouge. A própria revista L’Année Sociologique, nos seus três primeiros volumes, julgou dever, ainda que com prudentes reservas acerca, do fundo da doutrina, consagrar uma rubrica à antropossociologia.

OS PROBLEMAS SOCIOLÓGICOS – OS MÉTODOS SOCIOLÓGICOS – Introdução à Sociologia

I. — O "MÉTODO" MONOGRÁFICO

Nestas condições, se é preciso tomar como ponto de partida os fatos, o concreto, não será o melhor método o que descreve atenta e minuciosamente casos especiais e convenientemente escolhidos, isto é, o "método monográfico"?

Foram, sobretudo, a escola de Le Play e a sua filial, a escola da "Ciência Social", que preconizaram este método como o sistema fundamental da sociologia. O que fará, diz Paul Bureau, eminente representante desta escola, na sua Introduction à la méthode sociologique, um mineralogista que pretenda estudar um terreno? Não irá estudar aqui e além certos estratos, não multiplicará as análises parciais e fragmentárias. Colherá uma amostra do jazigo que pretende conhecer e dela fará uma análise completa, levando-a até ao fim.

É sabido que, na realidade, as investigações de Le Play incidiram, principalmente, sobre as monografias de famílias operárias. Estabeleciam o orçamento de uma família normal, numa profissão, lugar e época determinados, e fixavam suas diversas despesas, consagradas à alimentação, ao vestuário, à habitação, à saúde, à instrução, aos divertimentos e à economia. Para estas monografias Le Play constituiu quadros que foram desenvolvidos por Henri de Tourville numa Nomenclature detalhada, em que os fenômenos sociais são agrupados em vinte e cinco grandes classes, subdivididas, por sua vez, em 326 elementos. Le Play estabeleceu, igualmente, um quadro para a monografia de uma nação, que aplicou na sua "Constituição da Inglaterra": Emile Cheys-son, um quadro para as monografias de oficina, etc.

Por outro lado, os geógrafos da escola de Vidal de la Blache preconizaram, por oposição ao método analítico e comparativo dos sociólogos, as monografias regionais, de que podemos encontrar modelos nos estudos, já antiquados, de Demangeon sobre a Picardia, de Blanchard sobre a Flandres, de Vacher sobre o Berry, de Jules SION sobre os camponeses da Normandia oriental, ou no notável e

ainda recente estudo de Demangeon e Febvre acerca do Reno. Em vez de tomar por base um elemento social, como a habitação (formas da casa, distribuição das aglomerações, etc), o povoamento, a irrigação, a localização das indústrias, etc, e de lhe estudar as variações no tempo e no espaço, escolhem uma região geograficamente delimitada e estudam todos os fenômenos que nela ocorrem e as relações entre esses fenômenos e ela.

Este método permitiria, a acreditar em seus partidários, estudar a sociedade na sua evolução, na sua vida, no seu dinamismo, enquanto que todos os outros conduziriam a uma sociologia estática. É assim que P. Bureau critica Durkheim por estudar com os seus métodos não o "já feito" e o "acabado", mas "o envelhecido e o velho, o que amanhã será caduco e depois de amanhã desusado", e desconhecer as "instituições sociais que se elaboram e se experimentam, tímida e, por vezes, dolorosamente, ainda muito modestas e desprezadas pelas "pessoas de qualidade" para terem direito de cidadania e se exprimirem nessas sentenças imperativas que tão bem ficam às pessoas que venceram na vida".

Lionel Bataillon julga, igualmente, poder afirmar que "a diferença de atitude (entre partidários do método analítico e partidários do método monográfico regional) provém de uma diferença de concepção das reações recíprocas do homem e do meio". Os primeiros imaginariam "os homens passivos diante das forças naturais", ao passo que os segundos estariam penetrados da idéia de que "o homem atua sobre a natureza tanto como a natureza atua sobre o homem".

Em boa verdade, não é esta a questão. É possível que os sociólogos durkheimianos não tenham posto suficientemente em relevo a reação do homem sobre a natureza. Mas disso voltaremos a tratar no último capítulo. Mas nunca a negaram. De resto, o "método monográfico" não evita de modo algum os inconvenientes da sociologia estática. Para o provar basta-nos a seguinte observação de Wilbois: as nossas sociedade modernas, diz êle, estão em evolução permanente; nelas se criam sem cessar novas tendências, que ainda não têm órgãos apropriados. Poderão essas tendências, essas novas necessidades, ser interpretadas por meio das monografias? "Por mais preciosas que sejam essas monografias, só indireta e inexatamente respondem à pergunta que fazemos. O que delas se deduz não é uma tendência, ou, mais precisamente, uma "necessidade", se chamarmos necessidade a uma tendência aplicada a um objeto; é, como observou Schmoller, um "pedido": ora, uma necessidade pode ser imperiosa e, por falta de dinheiro, aquele que a sente nem sequer pensar em exprimir o pedido com que a satisfaria: os operários das grandes cidades têm, evidentemente, necessidade de férias ao ar livre, e contudo só recentemente se encontram ligeiros vestígios dessa despesa no seu orçamento".

Na realidade, a questão é puramente metodológica. O que devemos perguntar é se, efetivamente, a monografia constitui um método, que possa levar a uma determinação e a uma interpretação satisfatória dos fatos sociais. Seja-nos permitido recordar aqui alguns princípios elementares que, parece-nos, têm andado muito perdidos de vista nesta discussão:

1.° O singular não é objeto de ciência. Em primeiro lugar, a monografia, pelo simples fato de se referir a um único exemplo, nunca pode esgotar o assunto. Era já essa a objeção formulada por

Durkheim nas Régles: "Inventariar todos os caracteres de um indivíduo é um problema insolúvel. O indivíduo é, só por si, um infinito, e o infinito não pode esgotar-se". Além disso, a descrição pura, tal como é aqui possível, coloca-nos apenas em presença de um conjunto confuso, no qual nada se pode distinguir, aproximadamente como se um físico tivesse a fantasia de Rescrever o estado total de um sistema, misturando, ao mesmo tempo, o que diz respeito aos seus estados mecânico, térmico, elétrico, magnético, higrométrico, etc. "Supondo mesmo — escrevia Simiand, na polêmica a que atrás fizemos referência — que as regiões consideradas são, realmente, unidades ao mesmo tempo geográficas e humanas (com preferência, de resto, mais humanas que geográficas), começar por estudar o todo dessa região, querer compreender e explicar, ao mesmo tempo, tudo o que nela existe, é pretender começar pelo mais difícil, por aquilo que, quando muito, se pode considerar como o fim da ciência: porque é, com efeito, pretender explicar um indivíduo em toda a sua individualidade completa e inteira, em vez de começar, como em todas as ciências, pela análise das relações gerais mais simples".

Por conseqüência, a monografia pode, no máximo, fornecer-nos — e, repetimos, de maneira incompleta — um "dado" que então se apresenta com a complexidade e, também, com a ambigüidade da realidade. "Complexo indivisível", diz-nos Hauser. Indivisível, portanto incompreensível. Porque, se é verdadeiramente rebelde à análise, não pode ser cientificamente conhecido.

2.° Na realidade, a análise é indispensável. E isto é tão verdadeiro que, apesar de a possuírem, os partidários do método monográfico introduzem, naquilo que pretendem ser uma simples exploração dos fatos sociais, hipóteses, pré-concepções, classificações, quadros lógicos, que implicam já uma interpretação completa. Mas essa interpretação é tanto mais perigosa quanto é inconsciente e, muitas vezes, provém, simplesmente, dessa "metafísica do senso comum" que, em 1903, Simiand assinalava como constituindo "os ídolos da tribo dos historiadores".

Vejamos, por exemplo, por que razão Le Play se dedicou, de preferência, às monografias de famílias cie operários. Êle próprio explica-o no seu livro Ouvriers européens. A família burguesa ou rica, diz, tem, em larga escala, a faculdade de se subtrair à influência do meio. "Não sucede assim com a classe operária: a imprevidência que implica um estado habitual de penúria, ou a previdência que a economia aconselha nas despesas, colocam cada família na necessidade de prover às suas necessidades pelas combinações mais diretas e mais simples. Os meios de existência do operário estão, portanto, essencialmente subordinados às influências reunidas do solo e do clima.. . Nestas condições, obtém-se como que um reflexo da constância e da regularidade que os naturalistas constatam entre os indivíduos da mesma espécie". E mais claramente ainda, na Introdução da mesma obra, Le Play declarava: "Apliquei à observação das sociedades humanas regras análogas às que o meu espírito utilizava no estudo dos minerais e das plantas. Construí um mecanismo científico".

Não se pode confessar com maior ingenuidade uma concepção fixista e mecanista da vida social.

Por outro lado, por que razão se há de fazer incidir o estudo especialmente sobre a família? O seu discípulo Paul Bureau não no-la deixa ignorar:

Resumo de História do Brasil – O Segundo Reinado

Marechal deodoro da fonseca

História do Brasil – SEGUNDO REINADO.

Política Interna e Externa

Prof. Brasil Bandecchi, 1970

"É nesse ambiente conturbado que D. Pedro sobe os degraus do trono.

E logo, como que tocada por alguma vara de condão, a política do Império começa a se aplacar.

É verdade que ainda restava a liquidação das guerras dos Balaios e dos Farrapos. Mas a primeira estava nos últimos arrancos e a segunda mostrava, inequivocamente, o declínio das forças rebeldes.

Além destas duas heranças da época regencial, D. Pedro II, no decênio de consolidação da ordem, de 1840 a 1850, tem que haver-se apenas com dois movimentos sérios: a Revolução Liberal mineiro-paulista de 1842 e a Revolução Praieira, de 1848, em Pernambuco.

Foram ambos movimentos deflagrados pelos liberais, sendo o de 42, de caráter exclusivamente político, enquanto o de 48, em virtude de circunstâncias especiais da economia pernambucana, tomava matiz de uma luta social. Nabuco, com a habitual largueza de vistas, já tinha chamado à insurreição da Praia mais que um movimento político, um movimento social. Mas a presença do Imperador no trono já se fazia sentir."1

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO – História do Brasil

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