A CIVILIZAÇÃO ROMANA – Resumos sobre a história de Roma Antiga
As Golias cisalpina e narbonense
Igual foi o destino de Numância (133 a. C.) onde afinal se concentrou a oposição movida na península hispânica pelos celtiberos do norte e lusitanos do oeste à sujeição do seu território. Nesta luta se imortalizou o herói lusitano Viriato, pastor dos montes Hermínios (Serra da Estrela), o qual, empregando o processo depois costumeiro das guerrilhas, fêz frente durante anos aos generais romanos, destroçando cinco exércitos e compelindo até um cônsul a solicitar paz. Roma só conseguiu arredá-lo pelo assassinato (140 a. C). Escreve um historiador que Viriato foi o primeiro desses líderes nacionais que a política de expansão romana faz surgir entre as populações indómitas do ocidente.

Medalhão romano, de chumbo. Em cima, povo pedindo proteção a Diocleciano e Maximiano. Embaixo, uma ponte sobre o Rio Reno.
Cipião Emiliano, o triste vencedor de Cartago, espírito aliás culto e elevado, foi também o triste vencedor de Numância já quando quase todos os habitantes dessa cidade sem muralhas tinham morrido em combate, de fome ou de peste, ou tinham procurado no suicídio o meio de escaparem à vergonha da capitulação e à ignomínia do cativeiro que aguardava os sobreviventes. Depois disso a Espanha converteu-se num campo de atividade romana: afluíram colonos, especuladores, chatins, e muitos dos legionários, casados com as mulheres da terra, lá permaneceram quando reformados.
A Gália Cisalpina fora ocupada por Marcelo no ano 222 a. C, e Itália e Espanha ligaram-se através da Gália Transalpina por meio de uma aliança com a colônia focense de Massília (Marselha), que Roma libertou das tribos vizinhas de alobrogos e arvernos que a atacavam, conservando todavia o território desses bárbaros e esten-dendo-o depois para oeste até os Pireneus, formando, uma vez edificada Narbona (118 a. C), a província da Gália Narbonense.
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Administração das províncias
O imperialismo romano data verdadeiramente da organização dessas províncias, que não eram tratadas com a liberalidade usada para com os aliados itálicos, mas forçadas ao tributum pago pelos particulares de acardo com seus bens, ao vecfigai, que era uma espécie de dízimo cobrado as mais das vezes em espécie, aos direitos alfandegários e, pior que tudo, às extorsões de governadores rapaces que tinham sobre seus administrados um direito de requisição absoluto e ilimitado, exercendo na maior plenitude o impe-rium, a saber, todos os poderes. Aliás a doutrina era que num país conquistado pertencia por completo ao Estado romano, tanto o domínio público como o privado.
Nubiles e équités
A tributação
Os impostos fixos eram arrematados por desalmados contratadores, os publicam’, que sugavam as populações provincianas para apurarem o maior saldo, como as sugavam os procônsules a fim de enricarem o mais depressa possível, depois de pagas suas dívidas, porquanto o obter um emprego rendoso custava bom dinheiro ao candidato, dada a venalidade do senado.
Riqueza de Roma. Emigração dos campos para a cidade
A riqueza pública foi tamanha depois das guerras e dos confiscos que Roma aboliu os impostos pagos pelos seus cidadãos: as províncias bastavam para ir enchendo os cofres. A riqueza particular denunciou-se a breve trecho nas vilas povoadas de estátuas gregas, nos jardins pitorescos, nas baixelas de ouro e prata, no vestuário em que o linho foi substituído pela seda e pelo ouro, no esmero das iguarias, a ponto de serem decretadas leis suntuarias ou de restrição. Anunciava-se uma nova luta de classes em tal desigualdade de fortuna, porque os milionários emergiam dentre um tropel de pobres. Com a aquisição dos fartos celeiros da Sicília e da África do norte, o preço do trigo caiu tanto que deixou de ser remunerador para o rural romano produzir o seu pouco. Os camponeses entraram a vir cada vez mais para as cidades, trabalhando por pequenos salários, os que conseguiam trabalho, aglomerando-se em "cortiços" de três e quatro andares e mercadejando os seus votos por pão e jogos de circo — panem et circenses.
A fortuna e a política
Fazer caminho na política custava rios de dinheiro e só os ricos portanto podiam ser nobiles, isto é, pertencer ao número dos que exerciam altas funções públicas ou eram descendentes dos que as tivessem exercido. Semelhante aristocracia era pois igualmente de berço, mesmo porque ser portador de um nome ilustre recomendava extraordinariamente o candidato. O acesso era difícil para os "novos homens". Os senadores eram nobiles e eles eram os que governavam a república romana, ainda que por esse tempo já os seus negócios os preocupassem mais do que os do Estado.
População livre e escrava
Abaixo desses nobres estavam os cavaleiros (equites), que podiam ser até infensos à equitação, mas não eram alheios aos apetites dos senadores. Entre uns e outros havia a diferença que na Inglaterra vai dos lordes à genfry e na Prússia dos senhores aos jun-kers. Os cavaleiros aumentavam seus bens através do mundo romano fazendo negócios com o Estado, contratando estradas, portos e edifícios e emprestando a juros a cidades e províncias. Em Roma o juro usual era de 4 %; nas províncias 12 %, chegando ocasionalmente a 48%. Já eram conhecidas as sociedades anônimas organizadas por esses financeiros, e o Fórum servia também de bolsa aos capitalistas.
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