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Uma Roma Imperial. A religião restaurada

A idade de ouro da literatura latina ocorreu então sob o patrocínio de Augusto, que enxergava nas letras uma diversão da política, e do seu ministro Mecenas, que presenteou Horácio com a vila nos montes Sabinos, onde o poeta bebia o seu Falerno na companhia dos amigos e gozava da áurea mediocritas, que êle considerava a condição da felicidade. Vergílio (70-19 a. C.) compôs as Bucólicas, as Geórgicas e a Eneida, Horácio (65-8 a. C.) as suas Epístolas, Sátiras e Odes, Tito Lívio (59 a. C, 17 a. D.) a sua História de Roma, Ovídio (43 a. C, 17 a. D.) as Metamorfoses. Foi uma literatura um tanto palaciana e um quase nada enfática, mas de uma grande perfeição de forma, oferecendo eternos modelos.

Nos últimos anos da república a literatura já se distinguira com escritores mesmo de maior inspiração e força. Salústio (86-35 a. C.) emprestara vivacidade ao gênero histórico, descrevendo e explicando a guerra contra Jugurta e a conspiração de Catilina; Catulo (87-54 a. C.) introduzira o lirismo e Lucrécio (99-55 a. C.) ensaiara a poesia científica no seu poema De Natura Rerum, no qual explica os fenômenos e canta as forças da natureza, destruindo o respeito aos deuses e combatendo o temor da morte, de que as religiões no seu dizer fazem uma arma. A evolução do mundo e da criatura, bem como o destino da alma humana, êle as vê pelo prisma da doutrina de Epicuro, sobrelevando esta filosofia nos seus surtos imaginativos e não perdendo de vista a base científica.

Roma engalanou-se nessa época com templos, teatros, termas e aquedutos. Augusto quis nas suas palavras deixar uma capital de mármore e pretendeu reanimar a religião esmorecida, restaurando velhos santuários e edificando novos em todo o império, revivendo os sacrifícios, celebrando com pompa os festivais em desuso. O paganismo arrebicava-se diante do cristianismo, que humildemente surgia. O próprio imperador, ao expirar, foi divinizado pelo senado como pai da pátria, o que era uma derivação natural do culto dos antepassados.

Os sucessores de Augusto. Tibério

O império cedo degenerou, não nas instituições, mas nas pessoas dos imperantes. O regime era aliás próprio a criar déspotas cruéis: não era um sistema hereditário e denotava as piores formas eletivas pela escolha do herdeiro ou pela aclamação militar. Tibério (14-37 a. D.), que sucedeu a Augusto na idade de 56 anos, tinha mérito como soldado e como administrador, mas era um homem orgulhoso, duro e desconfiado. Como é natural, sua mãe, Lívia, não lhe via os defeitos e seu padrasto fecharia os olhos a eles. Aquele temperamento suspicaz, exacerbado pela impopularidade que lhe valera entre a plebe o cortar a distribuição de trigo e os jogos, e pelos repetidos conluios dos patrícios contra sua vida, deu origem ao regime da espionagem.

 

O regime da espionagem

Os delatores tornaram-se uma classe social e pode-se bem imaginar quanta denúncia falsa se formularia para satisfazer vinganças mesquinhas e justificar execuções seguidas de confiscos. A lei de lesa-majestade foi aplicada com todo o rigor, havendo nessa categoria crime até por pensamento. Favoritos como o cruel Sejano, ministro onipotente, que devorado pela ambição de ocupar a dignidade imperial, sacrificou o filho de Tibério e a viúva e os dois filhos mais velhos de Germânico, filho de Druso, sobrinho portanto de Tibério, tornaram-se possíveis nesse ambiente. Tibério fê-lo estrangular quando se capacitou da sua traição.

A guarda pretoriana

Sejano era o prefeito do pretório e não tardaria que a guarda pretoriana, constituída regularmente por Augusto e permanentemente acampada fora dos muros e perto de uma das portas da cidade, se tornasse o mais forte poder do Estado. Tibério foi sua primeira vítima.

Conquanto continuasse, como imperador, a revelar tino administrativo, Tibério não recuava diante do crime, assim como não recuava diante do vício. Atribui-se a ordens suas o envenenamento de Germânico, seu melhor general, precisamente por se estar ilustrando, tendo vingado a derrota de Teutoburgo com devastar a Germânia até o Weser, e retomado a Armênia aos partos.

Calígula

A segunda vítima dos pretorianos, caída sob o golpe do seu tribuno, foi Calígula, filho mais novo de Germânico e que bem mereceria a denominação de monstro se não fosse antes um irresponsável, fraco de juízo desde uma enfermidade que tivera na infância. Seu curto governo (37-41) foi uma série de extravagâncias e de ferocidades, com uma nota supinamente grotesca, a saber, a elevação à dignidade consular do seu cavalo Incitatus.

 

Escrita romana, de um rol da guarda pretoriana, Séc. II d. C.

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