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Cômodo

Marco Aurélio morreu no seu acampamento em Vindobona (Viena) pelejando contra os bárbaros, e foi sucedido por seu filho Cômodo, um dos piores déspotas que se adornaram com a púrpura imperial (180-192). Eram ambos romanos e a rápida corrução do caráter de Cômodo, que como Nero fêz suas primeiras provas com moderação e clemência, faz crer que nas províncias já se encontrava maior rijeza moral. Nero guiava o carro como auriga no circo: Cômodo lançou mão da maça de Hércules para descer à arena.

A expressão literária

A expressão literária mudou sensivelmente no decorrer do império: diferente do que era no seu alvor, ela flagela e busca moralizar. Suetônio (69-141) escreveu a história dos doze Césares, de Augusto a Domiciano, a qual é um libelo. Tácito (55-118) contrastou os vícios dos romanos com as virtudes dos germanos, porventura antecipando que estes seriam, na frase de um historiador americano, o elemento que essencialmente emprestou forma e côr à história moderna, e castigou nos seus Anais a depravação dos costumes e os crimes do regime imperial. Dadas tais condições, a poesia não podia deixar de seguir a mesma corrente. Marcial (43-104) com seus epigramas, Pérsio (34-62) e Juvenal (cerca de 40-120) com suas sátiras, vingaram por sua vez as virtudes banidas. O teatro não o fêz igualmente porque, apesar de revelar a influência das produções gregas nas comédias de Plauto (cerca de 250 a 184 a. C.) e de Terêncio (194-159 a. C.) e de Atenas lhes oferecer em Aristófanes o mais gracioso dos modelos críticos, os romanos estimavam mais a farsa e, sobretudo, a pantomima, não suportando a tragédia.

A expressão filosófica

Antes de Marco Aurélio e de Epiteto, que era um liberto frígio, condensarem, o primeiro nas suas máximas e o segundo nas suas conferências a filosofia de Zeno, a saber, o estoicismo, com sua doutrina do perdão das injúrias, da fraternidade humana e da indiferença às recompensas pelas boas ações, que devem valer pela satisfação que produzem, Séneca (2-66) fora um filósofo aproximando-se de Sócrates pela sua concepção de Deus e do governo moral. Séneca entretanto incorreu na fama de haver, quando mestre de Nero, que depois o mandou abrir as veias, amontoado em quatro anos, pelo favor do discípulo, a bagatela de 48 milhões de cruzeiros. Como o crime foi de conspiração, o dinheiro reverteria para o doador.

 

 

 

 

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