Lendas de São Luís do Paraitinga – SP

A moça do anel de brilhantes

PORCA E SETE LEITÕES Dizem que atrás da capela das Mercês (São Luís de Paraitinga) há uma porca com sete leitões. Não se pode chegar perto dela. Se a gente atirar, o tiro não pega. Ninguém é dono e a porca lá continua, aparecendo só à noite. Como se pode explicar o aparecimento desta porca … Ler mais

A LENDA DO CORPO SECO e do PORCO PRETO – São Luís do Paraitinga – SP

lenda são luis paraitinga

A LENDA DO CORPO SECO Conta-se que, há alguns 50 anos atrás, residia na cidade (São Luís do Paraitinga) um português, de nome Cabral, homem ruim e dissoluto. Sua casa ficava situada na saída da cidade, lá para os lados de quem vai para Ubatuba. Era um homem mau que não ajudava ninguém e procurava … Ler mais

O Ouro do Corcovado – Lenda de Ubatuba (SP)

TIAGO — O NEGRO DO CORCOVADO O outro Corcovado da Serra do Mar, sem a Guanabara aos seus pés, alteia seu vulto majestoso por entre os demais morros da cordilheira marítima, enfeitando com seu perfil alcantilado o beira-mar ubatubano. Balisa natural no roteiro do viajor fatigado que ao avistá-lo, senhor sobre as demais elevações circundantes, … Ler mais

A LENDA DE BOM JESUS DO IGUAPÉ

BOM JESUS DO IGUAPÉ

A LENDA DE BOM JESUS DO IGUAPÉ Registramos a lenda do aparecimento do santo da Praia de Juréia: Estando algumas pessoas na faina da pesca, toparam com um caixão enorme. Foram verificar. Era uma imagem de São Bom Jesus. Bem defronte de uma grande pedra que ficou chamando Registro de Nosso Pai. Dizem os caiçaras … Ler mais

UM SANTO QUE CUMPRIU PENA NA CADEIA – Folclore litorâneo

São sebastião

UM SANTO QUE CUMPRIU PENA NA CADEIA Em São Sebastião, cidade do beira-mar paulista, conta–nos a lenda, havia um homem valentão, turbulento que se comprazia em acabar com as procissões e festas religiosas. Graças à sua valentia, ninguém ousava repreendê-lo, todos o temiam e respeitavam. Certa manhã é encontrado morto. Segundo alguns depoimentos, seu corpo … Ler mais

A MÃE DE OURO – LENDA CAIÇARA

lenda caiçara

A MÃE DE OURO Em Ubatuba, Candinho Manduca, pescador do Perequê–açu, conta que viu a Mãe de Ouro — uma grande bola de fogo — atravessar o céu de um canto a outro; saiu lá das bandas do rio Acaraú e foi cair no morro de Curuçu-mirim. Outros caiçaras já viram, em noites escuras e … Ler mais

LENDA DO PONTAL DA CRUZ – São Sebastião

LENDA DO PONTAL DA CRUZ Em São Sebastião morava um velho pescador numa casinha de tábuas, rodeada de coqueiros, de cajueiros e de laranjeiras. A moradia se enchia de perfume quando estas floriam e todas as manhãs de música quando o sábia cantava saudando o nascer do sol. Porém a alegria maior morava no seu … Ler mais

A GRUTA QUE CHORA – Lenda indígena

A GRUTA QUE CHORA

A GRUTA QUE CHORA Os nossos índios desconheciam a existência do dragão, se havia algum ente fantástico, assim um gênio das fontes ou um inimigo dos caçadores, não passava de ipupiaras. Estas acabaram sendo tão fantásticas, assemelhando-se às hórridas serpentes que a mente medievalesca fazia engolir os infiéis. Certamente quem ensinou o medo aos povoadores … Ler mais

CANHAMBORA e CURUPIRA – Folclore nativo

canhambora

CANHAMBORA Amadeu Amaral deixou-o num claro verbete em seu "Dialeto Caipira", São Paulo, p. 105, 1920: Escravo fugido, que geralmente vivia em quilombolas ou malocas pelos matos. Beaupaire Bohan regista as variantes "caiambola, ca-lhambola, canhambola, canhambora, canhembora, caiam-bora". Segundo Anchieta, citado pelo mesmo, o tupi "ca-nhembara" significa fugido e fugitivo. Houve talvez alguma confusão com … Ler mais

CAVALO SEM CABEÇA – Mito variante

CAVALO SEM CABEÇA

CAVALO SEM CABEÇA E’ uma réplica necessária à Mula-sem-cabeça, a Bur-rinha-de-padre, do nordeste brasileiro. Parece que o espírito popular atendeu, por antecipação, o reparo.- do Prof. Basílio de Magalhães (O Folclore do Brasil, p. 70, nota 85); Ao meu sentimento de justiça repugna que somente se fira com tão terrível fadário a frágil filha de … Ler mais

A MULA-SEM-CABEÇA – História da Lenda do Folclore

A MULA SEM CABEÇA

A MULA SEM CABEÇA A Mula-sem-cabeça, Burrinha-de-padre ou simplesmente Burrinha, é o castigo tremendo da concubina do padre católico. Na noite de quinta para sexta-feira muda-se numa mula, alentada e veloz, correndo com espantosa rapidez, até o terceiro cantar do galo. Seus cascos afiados dão coices que ferem como navalhadas. Homens ou animais que encontra … Ler mais

A PISADEIRA – Folclore Paulista

folclore brasileiro

A PISADEIRA Essa é uma mulher muito magra, com os dedos compridos e secos e unhas enormes. Tem as pernas curtas, cabelo desgadelhado, queixo revirado para cima e nariz magro e muito arcado. Sobrancelhas cerradas e olhos acesos. Quando a gente acaba de cear e vai dormir logo, deitado de costas, ela desce do telhado … Ler mais

A ONÇA MANETA – Lenda do Folclore Paulista

A onça-Maneta

A ONÇA MANETA A ONÇA MANETA É um animal que perdeu uma das patas dianteiras. Identificam-no pelos vestígios. De espantosa ferocidade, forca invencível e mais ágil, mais afoita, continuamente esfomeada, ataca rebanho e currais, lutando rapidamente para desaparecer e retomar adiante o fio das mesmas proe-sas. Deixa o rasto de suas três patas nas areias. … Ler mais

O PAPA — FIGO – Lenda do Folclore, segundo Gilberto Freyre

lenda do papa figo

O PAPA — FIGO O Papa-Figo é o lobisomem da cidade. Não muda a forma. E’ um negro velho, sujo, vestindo farrapos, com um saco ou sem ele, ocupando-se em raptar crianças para comer-lhes o fígado ou vendê-lo aos leprosos ricos. E’ alto e magro. Noutras regiões é muito pálido, esquálido, com barba sempre por … Ler mais

A VINGANÇA DO CORONEL

A VINGANÇA DO CORONEL O ano correra bem e seu Brás, homem devoto, que nunca perdia missa ou terço rezado nas circunvizinhanças do povoado de Jataí, havia colhido, a poder de mutirões e de promessas, nada menos que onze sacas de feijão mulatinho — um despropósito! Veio, então, pressuroso, à vila, vender a mercadoria, e … Ler mais

A MATA DO QUINCÃO – Folclore Paulista

A MATA DO QUINCÃO Quem demandasse a cachoeira dos índios, ou o Porto da Quiçança, pela estrada velha da Santa Rita, tinha forçosamente de atravessar a mata do Quincão. E todo viajante fazia força de alcançá-la ainda com dia claro, para completar-lhe, assim, a perigosa travessia. E’ que essa mata era mal-assombrada. Dentro da padronagem … Ler mais

Dos costumes dos séculos XV e XVI e da situação das belas-artes – VOLTAIRE

VOLTAIRE – DO ENSAIO SOBRE OS COSTUMES E O ESPÍRITO DAS NAÇÕES

CAPÍTULO CXXI

Dos costumes dos séculos XV e XVI e da situação das belas-artes

Vê-se que na Europa quase não havia soberanos absolutos. Os imperadores, antes de Carlos V, não ousavam aspirar ao despotismo. Os papas exerciam maior autoridade em Roma do que antes, mas bem menor sobre a Igreja. As coroas da Hungria e da Boémia continuavam a ser electivas, bem como todas as do Norte; e a eleição supõe, necessariamente, um acordo entre o rei e a nação. Os reis da Inglaterra não podiam nem fazer leis, nem delas abusar, sem o concurso do Parlamento. Isabel de Castela havia respeitado os privilégios das Cortes, que constituíam os Estados do Reino. Fernando, o Católico não tinha podido destruir a autoridade do justiceiro, que se acreditava com o direito de julgar os reis. Só a França, desde Luís XI, se tornara um Estado puramente monárquico, governo feliz quando um rei, tal como Luís XII, repara, pelo seu amor ao povo, todas as faltas que comete para com os estrangeiros, mas o pior dos governos, com um rei pusilânime ou mau.

EDGAR ALLAN POE sobre NATHANIEL HAWTHORNE

EDGAR ALLAN POE –

NATHANIEL HAWTHORNE

A reputação do autor de "Twice-Told Tales" foi confinada até há bem pouco tempo à sociedade literária e não errei, talvez, em citá-lo como o exemplo, por excelência, neste país, do homem de génio, admirado nos círculos privados e inapreciado pelo público. É certo que no ano passado, ou no atrasado, a crítica, dando azo a justa indignação, muito concorreu para que ele fosse calorosamente consagrado.

O Sr. Weber, por exemplo (ninguém lhe excede no gosto apurado por essa maneira de escrever, em cuja ilustração o Sr. Hawthorne se notabilizou), deu-nos num recente número da "The American Review" um testemunho amplo e cordial do seu talento, e desde a publicação de "Mosses from an Old Manse", as críticas no mesmo diapasão não têm sido, de modo algum, pouco frequentes nos nossos jornais mais autorizados. Posso lembrar-me com facilidade das poucas obras de Hawthorne publicadas antes de "Mosses". De uma recordo-me em "Arcturue" (editado por Mattheus e Duyckinck), em Maio de 1841, outra, no "American Mon-thly" (editado por Hoffman e Herbert), em Março de 1838, de uma terceira no nonagésimo sexto número da "North American Review". Estas críticas, no entanto, pareciam ter pouca influência sobre o gosto popular — pelo menos, se devermos formar qualquer ideia do gosto popular tomando–se por base sua expressão nos jornais ou na venda do livro do autor. Não era costume, até há bem pouco tempo, incluir-se o seu nome no resumo dos nossos melhores autores. Os críticos dos periódicos costumavam indagar em tais ocasiões: "Não há Irving e Cooper, e Bryant, e Paulding, e — Smith"; ou "Não temos Halleck e Dana, e Longfellow, e — Thompson?", ou "Não podemos indicar triunfalmente o nosso próprio Sprague, Willis, Channing, Bancroft, Pres-cott e — Jenkins?" Mas estas indagações irrespondíveis nunca envolviam o nome de Hawthorne.

CORRESPONDÊNCIA DE VOLTAIRE – Cartas de Voltaire para vários destinatários.

CORRESPONDÊNCIA DE VOLTAIRE – Cartas de Voltaire para vários destinatários.

Sobre a comédia – CARTA XIX – Voltaire

Cartas Filosóficas de Voltaire CARTA XIX Sobre a comédia Se na maior parte das tragédias inglesas os heróis são emproados e as heroínas extravagantes, em compensação o estilo é mais natural na comédia. Mas esse natural nos parece, com frequência, antes o do deboche do que o da honestidade. Ali chama-se cada coisa pelo seu … Ler mais

Sobre as Academias – Carta Filosófica de Voltaire

<h2 class="titulo" Cartas Filosóficas de Voltaire CARTA XXIV Sobre as Academias O famoso doutor Swift14 formulou o desejo, nos últimos anos do reinado da rainha Ana 15, de fundar urna academia para o idioma, a exemplo da Academia Francesa. O projecto contava com o apoio do conde de Oxford 16, tesoureiro-mor, e do visconde Bolingbroke, … Ler mais

Sobre a consideração que se deve aos homens de letras – Voltaire

CARTAS FILOSÓFICAS DE VOLTAIRE – CARTA XXIII

Sobre a consideração que se deve aos homens de letras

Nem na Inglaterra nem em qualquer outro país do mundo encontramos instituições em prol das belas-artes como na França. Há universidades em quase todas as partes, mas só na França se observam esses úteis estímulos à astronomia, a todas as ciências matemáticas, à medicina, às investigações da antiguidade, à pintura, à escultura e à arquitectura.

Luís XIV imortalizou-se por tudo que nesse sentido instituiu, e essa imortalidade custou-lhe apenas duzentos mil francos por ano.

VOLTAIRE – DO SÉCULO DE LUIS XIV – O SISTEMA DE LAW

DO SÉCULO DE LUIS XV – O SISTEMA DE LAW – VOLTAIRE

O SISTEMA DE LAW

ESSE famoso sistema de Law, que parecia de molde a arruinar a regência e o Estado, sustentou na realidade um e outro, mercê de consequências que ninguém havia previsto. … Foi o caso de, por uma prestidigitação, cujos passes não se tornaram visíveis dos mais peritos e dos mais argutos, um sistema quimérico dar origem a um comércio real e fazer ressurgir a Companhia das índias, criada outrora pelo célebre Colbert e arruinada pelas guerras. Em suma, se houve muitas fortunas particulares destruídas, por outro lado a nação passou a ter uma vida comercial mais intensa, tornando-se mais rica. Esse sistema esclareceu os espíritos, do mesmo modo que as guerras civis aguçam a coragem.

O Ramaiana (épico sânscrito da Índia)

O Ramaiana (India)

O NASCIMENTO DE RAMA

ERA uma vasta e extensa comarca, alegre, abundante em trigo e rebanhos, junto das margens do Sarayu, chamado, também, Ka-sala. Havia ali uma cidade, célebre em todo o Universo, fundada por Manu, o chefe do gênero humano. Chamava-se Ayodhya.

Cidade bela e feliz, inexpugnável, provida de portas bem distribuídas, com ruas amplas, grandes, entre as quais destacava-se a Rua Real, onde o rocio da água destruía as volutas do pó.

Numerosos mercadores freqüentavam seus bazares e vários joalheiros adornavam suas vitrinas. Casas enormes cobriam sua superfície, embelezada com pomares e jardins públicos. Fossos profundos e intransponíveis circundavam-na. Seus arsenais armazenavam grande quantidade de armas de toda a espécie. Arcos ornamentais coroavam suas portas, constantemente vigiadas pelos archeiros.

Um rei magnânimo, chamado Daçaratha, que juntava vitória sobre vitória para o império, governava naquela época a cidade, como Amaravati governava a cidade dos imortais.

Oxum e Xangô

XANGÔ

XANGÔ era um negro enorme e conquistador. Passeava de tribo em tribo, pelos sertões, apoderando-se das mulheres alheias. De uma feita, encontrando a velha Olobá, da família dos Orixás, sob a ardência do sol, pedindo chuva, Xangô forçou-a e viveu com ela.

A velha era uma delícia e a todos recomendava o amor desse varão, fazendo-lhe o leito de anecrepê e abamudá, de folhas olentes de manjericão.

Mas Xangô era moço, ardente, cheio de seiva, e logo se aborrecera de Olobá. Uma noite em que a velha descendente do céu adormecera, ameaçando-o com as cóleras de Orixalá, Xangô fugiu e começou pelo mundo uma vida de pesares e de lutas. Em cada canto surgia-lhe um inimigo, em cada tribo uma guerra. Xangô, corrido, pelos vastos sertões de onde as cobras erguiam as cabeças escamosas, chegou a limpar o suor no seu saiote de fogo, dizendo, com desespero:

— E mim fopão vi-lê!

MÃE-D’ÁGUA – lenda da IARA – folclore brasileiro

As duas histórias seguintes têm suas variantes dentro da colheita feita pelos estudiosos do assunto. Bem pouco aproveitado tem sido o vasto ternário que apresentam as lendas e contos populares brasileiros, todos originários da mitologia rudimentar de nossos índios, e das superstições, crendices, tradições orais e sincretismo religioso aqui instalado com o elemento negro. MÃE-D’ÁGUA e XANGÔ são contos recolhidos entre os negros brasileiros.

MÃE-D’ÁGUA

ERA UM HOMEM muito pobre que tinha sua plantação de favas na beira do rio; porém, quando elas estavam boas para colher, não apanhava uma só, porque, da noite para o dia, desapareciam. Afinal, cansado de trabalhar para os outros comerem, tomou a resolução de espiar quem era que lhe furtava as favas.

AS PROMESSAS DE ADÃO –

Brasil

Incluímos nesta seleção a história que segue, a título de curiosidade, pois a vimos citada onde quer que fosse. Recebemo-la contada diretamente por um velho caipira paulista, cuja linguagem tremendamente pitoresca registramos no mesmo momento. Afirmou-nos ele que o "causo" era corrente entre a gente do seu "fundão", e constituía história que se passava "de boca prá ouvido".

Que figure aqui como contribuição do nosso matuto.

AS PROMESSAS DE ADÃO

COMO mecê sabe, Adão vivia bem cômodo lá no Paraíso de Deus Nosso Sinhô. Mai quem é que diz que o marvado tava contente? Qui nada…