Consciência - Filosofia e Ciências Humanas
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Literatura - resumos, ebooks, artigos acadêmicos

  • Junqueira Freire
  • LUIS JOSÉ DE JUNQUEIRA FREIRE (Bahia, 1832-1855) professou
    na Ordem beneditina em sua terra natal; mas, faltando-lhe vocação para
    preencher os deveres da vida monástica, impetrou e obteve Vim breve de
    secularização, em 1854, sucumbindo pouco depois aos insultos da enfer-
    midade cardíaca que desde a puerícia lhe minava o organismo.

    Escreveu: Inspirações do Claustroe Contradições Poéticas. Dos ou-
    tros escritos quase nada se pôde obter.

    Nas poesias de Junqueira Freire principalmente se nota a pugna
    incessante e dolorosa entre os ditames da consciência e as aspirações de
    uma alma sequiosa de amor e de glória mundana.

    O Hino da Cabocla (636)


  • MANUEL ANTÔNIO ÁLVARES DE AZEVEDO
  • MANUEL ANTÔNIO ÁLVARES DE AZEVEDO (São Paulo, 1831-
    1852) depois de se ter formado em letras no Colégio de Pedro II, foi
    cursar o Direito na Faculdade de sua terra natal, e aí ganhou nomeada
    por brilhantes e precoces produções literárias. Antes de terminar os
    estudos jurídicos, sucumbiu com 21 anos incompletos, deixando aos amigos
    das letras o eterno pesar do muito que se perdeu com tão lutuoso sucesso.


  • JOÃO CARDOSO DE MENESES E SOUSA – Barão de Paranapiacaba
  • JOÃO CARDOSO DE MENESES E SOUSA, Barão de Paranapiacaba,
    nasceu em Santos (Estado de São Paulo) no ano de 1827 e faleceu em
    1915 no Rio de Janeiro. Era formado em ciências jurídicas e sociais pela
    Faculdade de São Paulo. Para o magistério se volveram primeiro as
    suas preferências e foi professor no Liceu de Taubaté. Passou depois
    a trabalhar no Rio de Janeiro, em 1857, como advogado e funcionário
    público, sendo durante longos anos procurador fiscal do Tesouro. Na
    Câmara dos Deputados representou a província de Goiás, de 1873 a
    1876.

    De infatigável aplicação às letras dão prova os muitos primores do
    seu opulento espólio. Desde que, em 1846, estampou um primeiro livro
    de versos, a Harpa Gemedora, título que assaz denuncia o influxo ro-
    mântico a que obedecia o poeta, até aos últimos dias da sua longa
    existência, nos quais se ocupava de coligir e limar o que de melhor
    havia produzido, publicando em 1910 as Poesias e Prosas Seletas, nunca
    João Cardoso cessou de consagrar à Literatura uma devoção sincera, e
    que nem por despremiada admitia desânimo.

    Quando em si não achava a força das grandes concepções poéticas,
    folgava de nos outros encontrá-las, e constituía-se tradutor. Assim tra-
    duziu Lamarttne, tornando vernáculo o Jocelyn; e ao português tras-
    ladou Byron e La Fontaine, na versão de cujas fábulas excedeu pela
    fidelidade, aliada ao impecável da forma, todos quantos nesse tentame o
    haviam precedido.

    "A tradução é ao pé da letra (disse por ocasião da morte do velho
    Paranàpiacaba o Jornal do Comércio), palavra por palavra e na mesma
    ordem: mas por um milagre vemos os versos franceses transformarem-se
    à nossa vista em deliciosos versos portugueses, doce, cantante, com a
    frescura e simplicidade do meigo poeta gaulês."

    Voltando-se depois para as literaturas antigas, traduziu em verso
    uma comédia, A Marmita (Aululária), de Plauto; o Alceste, de Eurí-
    pedes; a Antígone, de Sófocles; e as Nuvens, de Aristófanes. Posto
    que não fosse propriamente um helenista, êle com admirável sagacidade,
    pelo confronto de outras versões e do texto, sempre atinava com o sen-
    tido real ou mais plausível. Sua excelente versão poética do Prometeu,
    de Ésquilo, foi composta sobre a tradução literal, em prosa, que da
    célebre tragédia fizera o imperador D. Pedro II.

    Em outro ramo da sua atividade escreveu Paranàpiacaba um alentado
    e apreciadíssimo volume: Teses sobre a Colonização do Brasil.

    Fêz parte do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro; e nos "Anais"
    do nosso Parlamento figuram discursos seus, literariamente elaborados e
    que, quando êle os proferia, mais se realçavam pela varonil presença,
    voz sonora e corretíssima dição do orador.

    A Serra de Paranapiacaba

    Dorme; repousa em teu sono,
     Da força pujante emblema,


  • LAURINDO RABELO
  • LAURINDO JOSÉ DA SILVA RABELO (Rio, 1826-1864) formou-se
    em Medicina, serviu como cirurgião do Exército e foi professor de Gra-
    mática, Geografia e História na escola anexa à Militar. Lutou sempre
    com a penúria e teve grandes amarguras pela perda de parentes e amigos
    que estremecidamente amava.

    Intensa vibra essa nota melancólica em muitas das suas composições
    poéticas; mas há outra face do seu talento, a satírica, que lhe valeu não
    poucas malquerenças.

    Adeus ao Mundo


  • ANTÔNIO FRANCISCO DUTRA E MELO
  • ANTÔNIO FRANCISCO DUTRA E MELO (Rio de Janeiro, 1823-1846) foi uma esperança malograda, e ceifada em flor pela morte. Na Minerva Brasiliense e em outros jornais deixou esparsas lindíssimas poesias, cuja publicação foi encetada, chegando a imprimir-se algumas folhas, mas até hoje não concluída. Dele só temos completo um Curso Prático de Língua Inglesa e dois voluminhos de versos, que não são os melhores.


    Vivia do magistério particular. Morreu no mesmo dia em que Januário de Cunha Barbosa — 22 de fevereiro de 1846.



    mapa roma itália
  • MANUEL ODORICO MENDES
  • MANUEL ODORICO MENDES (S. Luís do Maranhão, 1799-1864) foi esforçado campeão das idéias liberais na imprensa e na Câmara dos Deputados, de que fêz parte em mais de uma legislatura. Faleceu em Londres viajando por estrada de ferro.



    Como poeta original acompanhou a escola filintista, primando na correção da linguagem; e concluiu esmeradas traduções, entre as quais têm primazia as das obras de Virgílio e da Ilíada de Homero.

    Tempestade – DESCRITA POR VIRGILIO

    Disse; um revés do conto a cava serra
    Ao lado impele: os turbinosos ventos


  • GONÇALVES DIAS – Biografia e poesias selecionadas
  • ANTÔNIO GONÇALVES DIAS (Caxias; 10 de agosto de 1823 3 de novembro de 1864) bacharelou-se em Direito na Universidade de Coimbra, e, voltando ao Brasil em 1845, sumamente se distinguiu como poeta lírico, publicando, de 1846 a 1851, os seus Primeiros, Segundos e Últimos Cantos.

    Na Revista Trimensal do Instituto Histórico figuram interessantes memórias devidas à sua pena.


  • MANUEL DE ARAÚJO PORTO-ALEGRE
  • MANUEL DE ARAÚJO PORTO-ALEGRE, Barão de Santo Ângelo (Rio Pardo, do Rio Grande do Sul, 1806-1879), foi um dos grandes batalhadores do movimento romântico no Brasil, glória que comparte com Magalhães e Gonçalves Dias. Principiou a vida como relojoeiro, e, tendo sido recrutado em sua terra natal, veio para o Rio de Janeiro, onde estudou na Academia das Belas Artes. Enviado à Europa por alguns amigos, aí foi discípulo de Gros, e na Itália conviveu com Magalhães e Sales Torres Homem .Foi nomeado diretor da Academia em 1854; em 1859, cônsul geral em Berlim. Desde então viveu quase sempre na Europa.


  • GONÇALVES DE MAGALHÃES – biografia e poesias selecionadas
  • Antologia Nacional de Escritores

    Parte 2 – Poetas

    Poetas Brasileiros.



    CAPÍTULO 1






    FASE CONTEMPORÂNEA

    (Séculos XX e XIX, depois de 1820)






    POETAS BRASILEIROS






    DOMINGOS JOSÉ GONÇALVES DE MAGALHÃES, Visconde de Araguaia, (1811-1882), desempenhou no movimento romântico do Brasil o mesmo papel que em Portugal coube a Garrett.


  • GARCIA DE RESENDE
  • GARCIA DE RESENDE (Évora, 1470-1536) — Foi historiador e poeta e praticou também a arte do desenho e a música, além de servir o emprego de moço da escrivaninha junto ao rei D. João II.

    Do que EI-Rei disse a hü home, que bebia vinho mais do necessário

    (Inícios do Séc. XVI)


    Yafouba, o mágico da trilso, com uma das meninas que foram jogadas em cima de pontas de espadas.
  • FERNÃO LOPES – criador da prosa portuguesa
  • FERNÃO LOPES (1387-1450?) — "É o maior dos mais antigos cronistas, — escreve João Ribeiro — é o criador da prosa portuguesa e o primeiro exemplar do estilo da História". Fernão Lopes, de fato, supera os que, na época, manearam a nossa língua. Como historiógrafo, mantém-se adstrito à verdade e narra singela mas convictamente os [...]


  • D. DUARTE – rei da dinastia de Avis
  • D. DUARTE (1391-1438), segundo rei da dinastia de Avis, filho de D. João I. Seu reinado, pouco feliz, durou apenas os cinco últimos anos de sua idade. Inclinou-se às letras, e surge na Literatura lusitana como escritor judicioso, em cuja produção se mostram relevantes os pensamentos filosóficos e os ensinamentos morais. Suas obras principais, que mais do que o seu governo lhe fixaram o nome, são o Leal Conselheiro e o Livro da Ensinança de bem Cavalgar Toda a Sela, que se imprimiram pela primeira vez em 1842, pelo manuscrito da Biblioteca de Paris, e foram postos em um só volume. Mendes dos Remédios opina que a linguagem de D. Duarte "sofre, por vezes, confronto lisonjeiro com a do nosso primeiro cronista, F. Lopes".


    Yafouba, o mágico da trilso, com uma das meninas que foram jogadas em cima de pontas de espadas.
  • Escritores portugueses medievais do ciclo bretão
  • CAPÍTULO 5

    (Princípio do século XVI ao século XIII) FASE MEDIEVAL

    ESCRITORES PORTUGUESES

    D. AFONSO II — terceiro rei da dinastia afonsina (Coimbra, 1185-1223), casado com a filha de Afonso IX de Castela, a princesa D. Urraca, de quem teve cinco filhos. Assumiu o trono em 1211 e reinou doze anos, tendo sido por êle convocadas as primeiras cortes portuguesas, que se reuniram em Coimbra em 1211.

    Transcreve-se em seguida parte do seu testamento, elaborado em 1214.

    CICLO BRETÃO — Pertencentes ao ciclo bretão, por meio de cujas movimentadas novelas assaz se ampliou a produção da Escola Provençal, transcrevem-se abaixo dois breves episódios. São trechos de uma antiga versão portuguesa do romance do Santo Graal, contida no Códice n.° 2594 da Biblioteca de Viena d’Áustria, trasladados pela erudita e ponderada pena do ilustre filólogo Padre Augusto Magne.


    Yafouba, o mágico da trilso, com uma das meninas que foram jogadas em cima de pontas de espadas.
  • Diogo do Couto
  • DIOGO DO COUTO (Lisboa, 1542-1616) foi guarda-mor da Torre do Tombo, na Índia, e continuou as Décadas de João de Barros. Espectador da lastimosa decadência dos Portugueses no Oriente, escreveu com ânimo o Soldado Prático, que aliás só foi impresso em 1790. Privou com o grande Camões e na década VII descreve como esse seu matalote e amigo vivia em Moçambique comendo de amigos. Escreveu também

    poesias e vários opúsculos, mas principalmente se distingue pela independência e critério com que se enunciou sobre o governo da índia, O estilo é menos pomposo que o de Barros, porém, no sentir de Rebelo Da Silva, essa inferioridade de estilista é compensada pelas qualidades de historiador.


    infante-dom-fernando
  • DUARTE NUNES DE LEÃO
  • DUARTE NUNES DE LEÃO, nasceu em, Évora e faleceu em 1608. Foi desembargador da Casa da Suplicação e compôs um repertório das ordenações e leis extravagantes, que coligira poP ordem do rei D. Sebastião.


  • FREI HEITOR PINTO
  • FR. HEITOR PINTO, natural de Covilhã, faleceu em Toledo no ano de 1584, sendo incerta a data do seu nascimento. Era religioso da Ordem de S. Jerônimo e doutor em Teologia. Chamado a Madrid por Filipe II de Espanha, quando este se impôs como rei de Portugal, nem por isso aderiu à causa do triunfador, e antes exclamou: "El-rei Filipe bem me poderá meter em Castela; mas Castela em mim é impossível".

    Sua obra mais conhecida é a Imagem da Vida Cristã, constituída de onze diálogos, e mui conceituada como excelente modelo de linguagem.


  • FRANCISCO DE MORAIS e as novelas de cavalaria
  • FRANCISCO DE MORAIS, natural de Bragança, nasceu em um dos últimos anos do século XV, ou no começo do XVI, segundo pensava Odorico Mendes, e morreu em 1572. Serviu em Paris como secretário do embaixador D. Francisco de Noronha, e aí viveu na brilhante corte de Francisco I. De volta a Portugal, em 1543, publicou a novela Palmeirim de Inglaterra, obra que, conquanto muito diversa do gosto atual, sumamente aprazia ao de então, e por isso mereceu a honra de muitas imitações.

    O Gigante Almourol e o Cavaleiro das Donzelas

    Vendo o gigante Almourol que por nenhuma via o cavaleiro das Donzelas queria batalhar com Florendos, mandou trazer de dentro da torre um cavalo baio, crescido e formoso, tal qual convinha ao peso de sua pessoa. Este mandou ao cavaleiro das Donzelas, pedindo-lhe que cavalgasse nele e quisesse que ambos fizessem alguma coisa diante da senhora Miraguarda, para lhe pagar o desgosto que houvera de se não acabar a outra contenda. E, se houvesse por bem que o vencedor ganhasse algum preço, folgaria muito, porque a batalha fosse com mais gosto.


    fernao-mendes-pinto
  • FERNÃO MENDES PINTO
  • FERNÃO MENDES PINTO (Monte Mor-o-Velho, 1509-1580) foi um grande viajante que percorreu a Índia, a China, o Japão e outras regiões asiáticas, tendo sido cativo três vezes e vendido dezessete. Todas essas aventuras são contadas na sua Peregrinação, obra em que o interesse, aliás seu tanto diluído nas prolixidades da narração, pede meças à correta singeleza do estilo.

    Muralha da China

    Já que tratei da origem e fundação deste império chim e da cerca desta grande cidade de Pequim, também me pareceu razão tratar o mais brevemente que puder de outra coisa não menos espantosa que cada uma destas.


    Marechal deodoro da fonseca
  • DAMIÃO DE GÓIS
  • DAMIÃO DE GÓIS (Alenquer, 1501…) passou vinte anos de sua vida a viajar e conversar com todos os reis, príncipes, nobres e povos de toda a cristandade — como dele diz Antônio Galvão. Privando com Lutero e outros heresiarcas, de tais relações se ressentiu a sua ortodoxia, pelo que em 1571 foi encarcerado pela Inquisição. Obtida a liberdade e volvendo a seu domicílio, aí o encontraram morto. Sete anos esteve proso, e assim à sua morte se deve atribuir data posterior a 1578. Compus várias crônicas em que se faz notar, pelas tendências que lhe cornuni-cou a freqüência de Erasmo.


    Marechal deodoro da fonseca
  • JOÃO DE BARROS – Escritor português quinhentista
  • JOÃO DE BARROS (Viseu, 1496-1570) exerceu o cargo de tesoureiro e feitor da Casa da Índia e Mina. Escreveu muitas obras, e entre elas: uma Crônica do Imperador Clarimundo; uma Gramática Portuguesa; diversos diálogos sobre assuntos literários e morais; e a monumental Ásia, história dos feitos portugueses no descobrimento e conquista das terras do Oriente. Esta obra é geralmente conhecida por Décadas, e mais tarde foi continuada por Diogo do Couto.

    Com razão apelidaram Barros o Tito-Lívio português; e tanto o mereceu pelo patriotismo da narrativa quanto pela pureza da linguagem, relativamente melhor que a do latino, pois não se lhe podem apontar patavinismos.


  • ANTÔNIO FERREIRA
  • ANTÔNIO FERREIRA (Lisboa, 1528-1559) fêz sérios estudos de humanidade em Coimbra, onde aprendeu o Grfego com Diogo de Teige. Concluindo o seu curso de Direito Civil, foi lente da Universidade donde passou a desembargador na capital do Reino. Benquisto na corte, obteve a mercê de fidalgo.

    Escreveu duas comédias em prosa, Bristo e Cioso, e uma tragédia em versos, Castro; além de várias composições líricas — sonetos, éclogas, elegias, epístolas, odes publicadas com o título de Poemas Lusitanos.


  • FRANCISCO DE SÁ DE MIRANDA – Poesia Portuguesa
  • FRANCISCO DE SÁ DE MIRANDA (Coimbra, 1495-1558) dou-tourou-se na Universidade de Lisboa, e, depois de viajar cinco anos, viveu ora nesta capital ora na cidade do seu nascimento. Obtendo a comenda das duas Igrejas no Alto Minho, retirou-se da vida cortesã, ;ios quarenta anos de idade.

    Escreveu em português e em espanhol; e das suas viagens pela Itália lomou o gosto do verso decassílabo e das combinações em sonetos e iiTcêtos. Obras: poesias várias, éclogas, cartas, elogios, canções etc; e duas comédias — Vilhalpandos e Estrangeiros.


  • BERNARDIM RIBEIRO – ESCRITORES e POETAS PORTUGUESES da FASE QUINHENTISTA
  • BERNARDIM RIBEIRO (Torrão, 1475-1553) um dos poetas que figuram no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, tem nome pela gentil singeleza das suas composições pastoris e sobretudo pelo seu romance Menina e Moça, assim denominado pelas palavras por que começa, mas que primeiro se imprimiu com o título Saudades de Bernardim Ribeiro. Sobre estas produções literárias paira a lenda de uma inditosa paixão de Bernardim por D. Beatriz, filha de el-rei D. Manuel.


    mapa roma itália
  • Manuel Bernardes – Antologia de escritores
  • Fausto Barreto e Carlos de Laet – Antologia Nacional de Escritores

    MANUEL BERNARDES (Lisboa, 1644-1710) escreveu numerosas obras: Sermões e Práticas; Luz e Calor; Nova Floresta; Tratados Vários, incluindo o Pão Partido em Pequeninos; e os Últimos Fins do Homem.

    Glossário de Vocábulos

    • (434) formidável a hora = terrível, apavorante a hora. V. nn. 149 e 327.
    • (435) …"porque, temendo-a (a morte), não estais aparelhados: a ênclise é obrigatória com o gerúndio independente.
    • (436) — vós quem padece — ou vós que padeceis, ou, ainda, vós quem padeceis, concordando o verbo com o pron. vós, e não com o pron. quem. Abonam esta última construção exemplos de escritores cabais. ("Sou eu quem perco." (Rui, Queda do lmp., I, introd., p. XIII); as duas primeiras são, todavia, as mais generalizadas.
    • (437) padecemos concorda com o pron. nós, latente, de que é aposto o ampliativo todos os filhos de Adão — construção usual entre os bons manejadores da língua. Outro exemplo do mesmo autor: "Porque quer Deus que os homens aprendais dos homens". (N. Flor., I, 162), em que o suj. é vós, desinencial e os homens o aposto, explicativo do sujeito pronominal.
    • (438) sisudeza ou sisudez o suf. lat. itia altera-se em eza, abrevia-se em ez ou dá iça: justitia > justeza e justiça: cupiditia > cobiça e cupidez; as muitas palavras em eza e ez formam-se quase todas à semelhança.
    • (439) Observe aqui o estudante o anacoluto, ou quebra na construção gramatical da sentença, sem que se lhe perca a compreensão do sentido. E veja outros casos, em Os Lusíadas: II, 40, 47, 104; III, 26; V, 54; X, 130. E examine os casos das nn. 485, 560 e 651.
    • (440) segador, do v. segar (do lat. secare, cortar. A segure, subst. poético, è o machado (lat. *secure); a linha secante em Geometria é da mesma raiz de secare; diversa do homônimo secante, do verbo secar, no lat. siceare.
    • (441) a fazer-se — até jazer-se.
    • (442) vem quem lhe dói a fazenda = aquele a quem dói (custa, interessa, pertence) a fazenda.
    • (443) mundo (do lat. mundu — que significa não só ordem no universo e o próprio universo, mas também ordem e asseio nas vestes e adereços, limpeza enfim. Daí o subst. mundo, o globo terráqueo, e o adjetivo desusado mundo, limpo. Mário Barreto escreve no cap. LXIV do seu Através do Dicionário e da Gramática, p. 348: "A palavra latina mundus é, no sentido literal, lavado, polido, asseado, ordenado; daqui ornado, e deste conceito brota o significado de "criado", onde tudo é ordem e beleza. Daqui a palavra portuguesa tanto no seu valor de adjetivo (no canto X, est. 85, Camões disse mundas almas, i. é., puras, limpas) como no de nome". Do adjet. mundo derivam-se imundo, imundície, emundação ("emundação desagravadora", Rui), emundar (purificar, lavar, limpar), mundificar ("Deixou-se contominar. Mundifique-se". — Camilo, A Brasileira de Prazins, introl.), mondar (preparar o terreno, arrancar-lhe as ervas nocivas); e, em sentido lato, limpar, arrancar: "tinha muitas cãs… e não consentia que lhe mondassem alguma". (Garcia de Rezende, ap. João Ribeiro, Seleta Clâss., 4.a ed., p. 72). é interessante comparar, como faz Clédat (Diction. Étimol.) os dois sentidos do lat. mundum com os dois do gr. kósmon, tão idênticos são numa e noutra língua, pois, nesta, cosmético e cosmografia estão presos à fonte grega, como, naquela, imundo e mundano à latina.
    • (444) seio = golfo; do lat. sinu, curvatura, reentrância.
    • (445) derivação hipotética.
    • (446) alambre, outra forma de âmbar (do ár. anbar com o artigo al).
    • (447) Suíçaros, Suíceros ou Suízaros, do ital. Svizzero; hoje,Suíço.
    • (448) teias finíssimas e candidíssimas — teia (do lat. tela) é o tecido leve, tênue e precioso que se fabrica nessa cidade francesa. Assim como se diz candura e Candinha por haplologia, em vez de candidura e Candidinka, Camilo escreveu candíssimo por candidíssimo. Outros exemplos de intervenção haplológica, ou simplificadora, já no latim, já no vernáculo: estipêndio (stipi + pendium), homicídio (hornini + cidium), semestre (semi + mestre, de mensis); venéfico (veneni -f ficu, de facio), contendor (contendedor), formicida (for-mici + cida), idolatria (idolo + latria), semínimia (semi + mínima), ecletismo (ecletic-ismo), analista (analis-ista), volatizar (volatil-izar), monómio (mono -(-nômio), envaidar (envaidad-ar), destanizar (destanin-izar), idoso (idad-oso), bondoso (bondad-oso); e populares: prestigitador, probalidade, paralepípedo, dez’tões (dez tostões) etc. A haplologia elimina a sílaba igual: tragi(co)-cômico, se (.mi) mínima, formi(ci) cida, ou aproximada: (ido (lo) latria, homi(ni)cídio, conten(de)dor).
    • (449) Neste trecho: almíscar e algália são substâncias odoríferas animais: almeia, âguila e calambuco, árvores producentes de madeira cheirosa; a grã, os lós e as primaveras, tecidos finos; manguitos, os punhos; toríbios, avelórios ou contas. Dar figa = esconjurar.
    • (450) confeccionados ou confeiçoados — preparados cem drogas, manipulados.
    • (451) Neste trecho: justilho. é espartilho, que se faz com barbatanas; escaparate, redoma ou pequeno armário de vidro.
    • (452) venablo, por venâbulo, do lat. venabulu —: espécie de lança curta, azagaia ou chuço.
    • (453) eram por seriam: é comum na língua essa substitição do condicional pelo imperfeito do indicativo.
    • (454) Iracónico (desus.) = pérfido, velhaco, mentiroso, traiçoeiro. Do gr. Thráx, thrakós, Trácio, pelo lat. thracus, com o sufixo.
    • (455) irrepleghel (do v. replêre e prej. tn = que se não pode encher, insaciável; termo desusado.
    • (456) nômina (do pl. neutro lat. nomina, de nomen): oração contra certos males, posta em envoltório de pano, que se pendura ao colo.
    • (457) que lia teologia = que ensinava Teologia. Ler a cadeira nas Universidades era ser-lhe professor; lente é o que lê, o que ensina: …"o professor que, há sete anos, essa cadeira na Escola"… (Rui, Queda do Imp., I, p. 269).

    Marechal deodoro da fonseca
  • D. FRANCISCO MANUEL DE MELO
  • D. FRANCISCO MANUEL DE MELO (Lisboa, 1611-1666). Diz o Sr. Teófilo Braga que foi esse o homem com mais alta concepção da História em Portugal, no século XVII. Este elogio é com referência à História das Guerras da Catalunha, escrita em castelhano, e reproduz o juízo encomiástico de Philarête Chasles. Em língua portuguesa são suas [...]


  • FRANCISCO RODRIGUES LOBO
  • FRANCISCO RODRIGUES LOBO, natural de Leiria, nasceu em data incerta e morreu afogado no Tejo, entre 1624 e 1627. Nunca figurou na vida pública; mas nas letras granjeou renome como autor de composições bucólicas, que o fizeram cognominar o Teócriío Português; de um poema heróico, O Condestabre, que merecidamente caiu no olvido; e de uma obra dialogada sobre assuntos de moral e crítica literária, Corte na Aldeia e Noites de Inverno.


  • JACINTO FREIRE DE ANDRADE
  • JACINTO FREIRE DE ANDRADE (Beja, 1597-1657) abade de Santa Maria das Chãs, escreveu poesias de pouco mérito e a Vida de D. João de Castro, na qual se nota por vezes a animação da narrativa de par com a pureza da frase. O Sr. Teófilo Braga o dá como — "vicioso panegirista imposto pela superstição clássica"; mas não esqueçamos que o mesmo erudito não poupou a supermacia estilística de Fr. Luís de Sousa, acoimando de prestígio a tradicional admiração por esse vulto das letras. Felizmente logo o Sr. Teófilo Braga equipara o prestígio de Fr. Luís de Sousa, entre os que falam português, à — "monomania da admiração de Racine para os Franceses". (resumo da biografia de JACINTO FREIRE DE ANDRADE )


    Yafouba, o mágico da trilso, com uma das meninas que foram jogadas em cima de pontas de espadas.
  • Egas Moniz – obra de FREI ANTÔNIO BRANDÃO
  • FREI ANTÔNIO BRANDÃO. Foi um dos historiadores da Monarquia Lusitana.

    Esta vasta composição divide-se em oito partes.

    Egas Moniz

    Mui celebrada é em nossas histórias a ida de Egas Moniz a Castela com sua mulher e filhos, por dar satisfação ao Imperador D. Afonso da promessa feita no cerco de Guimarães. E foi o* caso, segundo dizem, que, sentido o Imperador da desgraça passada na rota de Valdevez, e desejando sanear-se desta quebra, fêz preparação de gente de guerra com o mor segredo possível, e, entrando em Portugal pela parte da Galiza, se veio quase repentinamente lançar sobre a vila de Guimarães, aonde (378) então residia a corte e assistia (379) o infante D. Afonso.

    Neste cerco não pode haver dúvida, porque o confessa el-rei D. Afonso Henriques, sendo ainda infante, em uma doação do cartório de Pedroso, que faz a Mem Fernandes, de certas herdades no Couto de Osseloa, em terra de Vouga, cuja data é no mês de maio da era de 1167, que é ano de 1129; e diz que lhe faz esta polo haver bem servido (380) com Sueiro Mendes, o Grosso, e outros de sua geração no cerco de Guimarães, que lhe pusera el-rei de Castela, seu parente. São as palavras formais que declaram isto… Assi que já em maio de 1129 tinha precedido o cerco em Guimarães.


    Marechal deodoro da fonseca
  • Fundação do Rio de Janeiro – FREI VICENTE DO SALVADOR
  • FREI VICENTE DO SALVADOR (Maruim, perto da cidade da Bahia) nasceu em 1564 e faleceu entre 1636 e 1639. Era graduado in utroque jure pela Universidade de Coimbra, e ordenou-se na Bahia, entrando depois para a Ordem franciscana. Catequizou nas capitanias do Norte e foi um dos fundadores do Convento de Santo Antônio do Rio de Janeiro. Em 1624, ao entrar na barra da Bahia, foi capturado pela esquadra holandesa, e esteve prisioneiro dois meses. Escreveu uma Crônica da Custódia do Brasil, obra extraviada, e uma História do Brasil, pela primeira vez estampada em 1889, no vol. XIII dos Anais da Biblioteca Nacional.

    Fundação do Rio de Janeiro

    Posto que o governador Mem de Sá não estava ocioso na Bahia, não deixava de estar com o pensamento nas coisas do Rio de Janeiro, e assim, sacudindo-se de todas as mais, (369) aprestou uma armada, e com o bispo Dom Pedro Leitão, que ia visitar as capitanias do Sul, que todas em aquele tempo eram da sua diocese e jurisdição, e com toda a mais luzida gente que pôde levar desta cidade, se embarcou (370) e chegou brevemente ao Rio, onde em dia de S. Sebastião, vinte de janeiro do ano mil quinhentos e sessenta e sete, acabou de alcançar os inimigos de toda a enseada, e os seguiu dentro de suas terras, sujeitando-os ao seu poder e arrasando dois lugares em que se haviam fortificado os Franceses, posto que em um deles, que foi na aldeia de um Índio principal chamado Iburuguassú-mirim. que quer dizer "pau grande pequeno", lhe feriram seu sobrinho Estácio de Sá de uma mortífera frechada, (371) de que depois morreu.


  • DOM FREI AMADOR ARRAIS
  • DOM FREI AMADOR ARRAIS, nasceu em Beja, e, em 1545, tomou em Lisboa o hábito carmelitano. Foi na sua Ordem reitor do Colégio de Coimbra; pregador da Real Capela, nomeado por D. Sebastião; e co-ad-jutor do Cardeal-Infante D. Henrique no arcebispado de Évora. Reinando D. Filipe II, elevaram-no a bispo de Portalegre, donde se retirou magoado pelo cabido, indo falecer em Coimbra, no ano de 1600.

    Adivinhos

    Maravilhosos homens são os astrólogos e adivinhos, (362) que somente sabem o que está por vir, e do passado e do presente não sabem nada; e assim contam as coisas que no céu se fazem, (363) como se ao conselho dos seus moradores houvessem estado presentes, e agora novamente de lá abaixassem. Mas a verdade é que os tais não sabem o que se faz no mundo, nem no céu, nem na terra, nem ainda na sua câmara. Não vêem (364) o que trazem ante os pés e querem saber o que passa sobre as estrelas.



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