Literatura - resumos, ebooks, artigos acadêmicos
- OS CLÁSSICOS RENITENTES — A FEIÇÃO ARCÁDICA
- O PROTO-ROMANTISMO BRASILEIRO e a ARCÁDIA LUSITANA
- epistolografia – Padre Vieira e D. FRANCISCO MANUEL DE MELO
- A oratória do Padre Antônio Vieira
- Corte na Aldeia – Obra de Rodrigues Lobo
- prosa e verso: novelas de Rodrigues Lobo
- Ulisséia, Malaca Conquistada e Afonso Africano. Poemas épicos seiscentistas.
- MANOEL BOTELHO DE OLIVEIRA – poesia barroca na Terra Brasilis
- A poesia satírica de GREGÓRIO DE MATOS GUERRA
- FRANCISCO RODRIGUES LOBO, e a poesia bucólica no Teócrito Português
- quarta época — 1580 — 1750 – Curso de Literatura do Cônego Fernandes Pinheiro
- FERNÃO MENDES PINTO e as viagens portuguesas para a Ásia nos XVI
- historiografia portuguesa: História do Descobrimento e Conquista da Índia
- “Vida do Padre Francisco de Xavier” de Pe. Lucena e “Crônica do felicíssimo Rei Dom Emanuel” de DAMIÃO DE GÓIS
- Epistolografia em D. Jerônimo Osório – Curso de Literatura
- Fr. Heitor Pinto e Frei Amador Arraes – diálogos cristãos teológicos e políticos
- romance – LIÇÃO XII do CURSO DE LITERATURA NACIONAL de Fernandes Pinheiro
- Gil Vicente, Poesia dramática e origens do Teatro Português
- COMO SE PRECIPITARAM OS ACONTECIMENTOS NA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL
- Os Lusíadas de Camões o gênero épico da Poesia – Curso de Literatura
- POESIA – GÊNERO DIDÁTICO – ESPÉCIE DIDÁTICA E EPIGRAMÁTICA
- ESPÉCIE ELEGÍACA – Poesia lusitana
- Lírica Portuguesa no século XVI
- GÊNERO LÍRICO – ESPECIE BUCÓLICA – Poesia portuguesa no século XVI
- TERCEIRA ÉPOCA – LIÇÃO V – CURSO DE LITERATURA NACIONAL<
- LIÇÕES DO CURSO DE LITERATURA NACIONAL – Literatura portuguesa de 1279 a 1495
- ORIGENS E 1ª ÉPOCA DA LITERATURA PORTUGUESA – 1140 — 1279
- NOÇÃO E DIVISÃO DA LITERATURA – LIÇÃO do CURSO DE LITERATURA NACIONAL
- ORIGEM DA LÍNGUA PORTUGUESA
- O PREPARO DA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL – Artur Mota
Biblioteca Academia Paulista de Letras – volume 7. História da Literatura Brasileira TOMO I. vol 3. LIVRO PRIMEIRO Época de Transformação (século XIX) 2º período (Fase Patriótica) Artur Mota (Arthur Motta) (1879 – 1936) LIVRO SEGUNDO ÉPOCA DE TRANSFORMAÇÃO (1800-1835) PERÍODO DE TRANSIÇÃO DOS CLÁSSICOS PARA OS ROMÂNTICOS Manifestação literária, artística, científica e filosófica CAPÍTULO [...]
Biblioteca Academia Paulista de Letras – volume 7. História da Literatura Brasileira TOMO I. vol 3. LIVRO PRIMEIRO Época de Transformação (século XIX) 2º período (Fase Patriótica) Artur Mota (Arthur Motta) (1879 – 1936) LIVRO SEGUNDO ÉPOCA DE TRANSFORMAÇÃO (1800-1835) PERÍODO DE TRANSIÇÃO DOS CLÁSSICOS PARA OS ROMÂNTICOS Manifestação literária, artística, científica e filosófica CAPÍTULO [...]
Cônego Fernandes Pinheiro (1825 – 1876) CURSO DE LITERATURA NACIONAL LIÇÃO XXVI epistolografia O PADRE ANTÔNIO VIEIRA O padre Antônio Vieira, a quem já classificamos como primeiro orador português, é também o principal epistológrafo de sua época. Sua correspondência com diversas pessoas da corte, com seus superiores eclesiásticos, ou com seus íntimos amigos, constitui um [...]
Cônego Fernandes Pinheiro (1825 – 1876)
CURSO DE LITERATURA NACIONAL Fonte: editora Cátedra – MEC – 1978
LIÇÃO XXIII -História da oratória – apostila de oratória (falar em publico)
romance
LIÇÃO XXV
oratória
Privada da tribuna política e judiciária, não restava à eloqüência portuguesa senão o púlpito para teatro de sua glória. Prejudicava-lhe ainda aí a crença geralmente espalhada entre os pregadores de que todo o artifício retórico devera ser banido dos sermões e panegíricos dos santos, não necessitando de ornatos a linguagem evangélica. Com o progresso porém das luzes foi definhando semelhante crença, e convencendo-se os oradores sagrados que mais frutuosas seriam as suas prédicas se menos rudes se tornassem elas. Quer pelas dificuldades da impressão, quer pela natural modéstia dos religiosos que então principalmente ocupavam a cadeira da verdade, não nos consta que hajam sermonários dignos de estudo e imitação nas três primeiras épocas da nossa literatura. Destinada estava à Companhia de Jesus o fornecer a Portugal o seu primeiro pregador, com cuja vida e trabalhos oratórios passamos a ocupar-nos.’
O PADRE ANTÔNIO VIEIRA
O Padre Antônio Vieira nasceu na cidade de Lisboa a 6 de fevereiro de 1608. Foram seus pais Cristóvão Vieira Ravasco e D. Maria de Azevedo. Na tenra idade de oito anos incompletos acompanhou seu pai à cidade da Bahia, onde este vinha exercer o emprego de secretário do Estado do Brasil. No
colégio dos padres da Companhia fez ele o seu curso de preparatórios, então chamado de humanidades, com grande aplauso de seus mestres e condiscípulos, e aos quinze anos, abandonando a casa paterna, abraçou o instituto de Loyola; no qual professou a 6 de Maio de 1625.
Tão prematuro foi o seu desenvolvimento intelectual, que na tenra idade de dezoito anos já regia uma cadeira de retórica no colégio de Olinda, e compunha comentários às tragédias de Séneca e às Metamorfoses de Ovídio. Ainda antes de receber a ordem de persbítero, o que teve lugar no mês de dezembro de 1635, pregava com grande fama nas principais igrejas da Bahia, onde principiou essa celebridade que depois se estendeu por toda a Europa.
Levou-o a Lisboa o fausto sucesso da restauração da au-gustíssima casa de Bragança, sendo escolhido pelo vice-rei, marquês de Montalvão;,, para acompanhar à metrópole seu filho D. Fernando de Mascarenhas, incumbido de felicitar o novo rei. Envolvido no ressentimento popular centra a família dos Mascarenhas, da qual alguns membros se haviam bandeado para o partido de Castela, escapou o padre Vieira de ser vítima do furor da populaça de Peniche, devendo ao governador da praça, conde de Atouguia, o ser conduzido salvo à capital do reino, onde não tardou em granjear as boas graças de D. João IV e de seu filho, o príncipe D. Teodósio.
Não é do nosso intuito traçar aqui o quadro dessa existência tão cheia de peripécias, das vicissitudes por que passou o maior homem que naqueles tempos contava Portugal. Sucessivamente encarregado das mais importantes comissões dentro e fora do país, era o padre Vieira ouvido como conselheiro, e enviado como diplomata a diversas cortes e governos da Europa. Por suas mãos passavam os mais importantes negócios tendo o marquês de Niza, ministro de D. João IV em França, expressa ordem de nunca falar à rainha regente e ao cardeal ministro, senão acompanhado do célebre jesuíta. À sua influência deveu a causa da restauração o valioso auxílio de três fragatas carregadas de petrechos bélicos e o empréstimo de avultada soma de cincoenta mil cruzados. No meio desses triunfos diplomáticos, vemo-lo partir para o Maranhão, em obediência às ordens dos seus superiores eclesiásticos, e, depois de pregar o Evangelho seis anos à tribo dos Poquizes e à dos ferozes Nheengaíbas, empenhar-se com não menos zelo no caloroso debate suscitado entre a Companhia e os colonos acerca da escravidão indígena, o que lhe valeu ser preso e remetido para o reino com outros jesuítas.
Cônego Fernandes Pinheiro (1825 – 1876) CURSO DE LITERATURA NACIONAL LIÇÃO XXIV DIÁLOGOS Corte na Aldeia. — No espólio literário de Francisco Rodrigues Lobo encontra-se esta obra do mais incontestável mérito, escrita à imitação do II Cortegiano de Baltasar Castiglione. Nenhum livro é mais idôneo para caracterizar o tempo em que vivera o autor; e [...]
Cônego Fernandes Pinheiro (1825 – 1876) CURSO DE LITERATURA NACIONAL LIÇÃO XXIII romance FRANCISCO RODRIGUES LOBO Deixou-nos este poeta três novelas pastoris intituladas A Primavera, O Pastor peregrino e O Desenganado, cuja perfeição e mimoso estilo o colocam na primeira plana dos romancistas da sua época. À imitação de Sannazaro na sua Arcádia e de [...]
Cônego Fernandes Pinheiro (1825 – 1876) CURSO DE LITERATURA NACIONAL LIÇÃO XXII gênero épico Rigorosamente falando, não se encontra na época que ora estudamos nenhuma obra de tal modo monumental que mereça o nome de epopéia, na acepção que lhe querem dar alguns críticos rigoristas, para os quais nem os próprios Lusíadas podem ser condecorados [...]
Cônego Fernandes Pinheiro (1825 – 1876) CURSO DE LITERATURA NACIONAL LIÇÃO XX espécie lírica A corrupção do gosto, que já assinalamos na introdução a esta época, e a fatal influência que a escola de Gongora exerceu sobre a poesia portuguesa, fizeram-se sentir de modo bem manifesto no gênero lírico e suas diversas espécies. Nenhum dos [...]
Corrigir os costumes por meio do ridículo foi sempre lou vável, porém difícil tarefa; e tanto mais difícil quanto custoso é parar no plano inclinado da crítica. Desde Arquíloco, que os gregos consideram como o pai da sátira, numerosos são os poetas que se entregaram a esta espécie do gênero didático com mais ou menos êxito. Entre os romanos, Horácio e Juvenal parece haverem na compreendido por duas diversas fa-sès; o cortesão de Augusto, reconhecendo-se incapaz de deter a torrente da corrupção, imola nas aras da sua faceta musa os ridículos do povo-rei, e, como Demócrito, ri-se e zomba dos seus contemporâneos; ao passo que o implacável discípulo de Cornuto marca com o ferro candente da sua sátira essa degenerada raça que aplaudia os Ñeros, os Claudios, os Calí-gulas e os Domicianos, e que turiferava diante de suas imagens. “Cada sátira de Juvenal, diz o Sr. Loise, é um exército disposto em ordem de batalha, cuias setas nartem a um sinal convencionado e dirigem-se ao mesmo alvo.”1 A cólera, a indignação eram suas Musas: facit indignatio versum, como ele próprio se expressava.
Cônego Fernandes Pinheiro (1825 – 1876) CURSO DE LITERATURA NACIONAL LIÇÃO XIX Gênero lírico espécie bucólica FRANCISCO RODRIGUES LOBO Forma este suavíloquo poeta, chamado o Teócrito Português, a transição da terceira para a quarta época da literatura. Pertence ainda à escola italiana, de que foram paladinos Ferreira, Miranda e Camões, mas participa já da funesta [...]
Cônego Fernandes Pinheiro (1825 – 1876)
CURSO DE LITERATURA NACIONAL
LIÇÃO XVIII
quarta época — 1580 — 1750
Atribui-se geralmente a decadência da literatura portuguesa ao domínio espanhol, que por sessenta anos enervou as forças e abateu os brios dos netos de Viriato. Para assegurar o triunfo da força e da astúcia sobre o direito forçoso era que promovessem os monarcas usurpadores o obscurantismo; assim pois, desde D. Filipe II até D. Filipe IV vigorou em Portugal um sistema calculadamente combinado para embrutecer o povo, e deturpar o gosto literário.
São de certo as viagens uma das mais agradáveis maneiras de instruir deleitando. Conhecer os usos e costumes dos diversos povos sem correr os perigos inseparáveis das peregrinações, deve ser o ãesideratum dos espíritos curiosos, e ávidos da verdadeira e sólida instrução. Raro porém, é o viajante, que, fielmente compenetrado de sua missão, não troque o foro de historiador pelo de romancista, sacrificando a verdade nas aras da ficção, como que para indenizar-se dos azares por que passara, e das decepções que experimentara. A mesma dificuldade porém de encontrar-se um verídico guia da nossa curiosidade faz com que mais apreciado seja ele, constituindo o seu livro a mais agradável e profícua leitura que se nos possa deparar.
Dentre os numerosos viajantes que enriqueceram a literatura portuguesa no período de que ora nos ocupamos, faremos seleção de um que se avantaja não só pela beleza do seu estilo, como pela sinceridade e modéstia que de contínuo guiam a sua pena.
FERNÃO MENDES PINTO
Cônego Fernandes Pinheiro (1825 – 1876)
CURSO DE LITERATURA NACIONAL
LIÇÃO XV
LIÇÃO XVI
historiografia
(Ninguém desconhece a importância do estudo da história, magistra vita, testis temporis, na frase de Cícero. Com o fio de Ariane conduz-nos ao labirinto do passado, e faz-nos assistir pela imaginação a fatos ocorridos em estranhos climas e remotas eras. Fez-nos classificá-la nas belas letras o encanto que nos causa a sua leitura, por isso que não poucas vezes a pena do historiador se converte em pincel, e descrevendo, ou narrando, deslumbra-nos pelo brilhantismo do colorido.
De duas diversas maneiras pode-se escrever a história: ou como testemunha impassível dos acontecimentos, registrando-os sem fazer-lhes o menor comentário; ou apreciando as causas donde dimanam os sucessos, e procedendo à rigorosa autópsia das circunstâncias que mais ou menos atuaram sobre eles. O primeiro destes métodos produz a crônica, que rejeita a crítica, e, interrogando as tradições populares, apressa-se em enfeixá-las em um ramalhete de maior ou menor fragrância. Foi Heródoto o patriarca dessa escola, que contou ilustres adeptos, sendo Fernão Lopes o que em Portugal maior nomeada granjeou. Submete a segunda escola todos os fatos à luz da crítica, e nunca conta sem que moralize e racircme. É mais filosófico e infinitamente mais útil o segundo destes métodos: cumpre porém reconhecer que exige ele da parte dos escritores e dos leitores certo grau de adiantamento que lhes permita estudar com imparcialidade o passado, cortando não raro por legendas que sobremodo lisonjeiam o orgulho e a vaidade nacionais.
Cônego Fernandes Pinheiro (1825 – 1876)
CURSO DE LITERATURA NACIONAL
LIÇÃO XV
biografia
Todos sabem que pela palavra biografia se entende a história de um indivíduo, que por qualquer circunstância se tornou notável. É fora de dúvida que fornecem elas grande subsídio à história geral de um país por encerrarem grande número de fatos anedóticos, que nesta ficariam deslocados, senão impróprios. Estudando minuciosamente a vida dos protagonistas, conhecendo de perto o seu caráter, tendências, e quiçá aspirações, melhor compreenderemos o drama que ante nós se desdobra. Rejeita a gravidade da história grande número de pormenores que com proveito registra o biógrafo; assim pois, de muitos mistérios dos anais gregos e romanos faz-nos a revelação Plutarco, cuja leitura J. J. Rousseau preferia a todas as outras.
Entre os escritores do período manuelino apenas encontramos um a quem caiba propriamente a denominação de biógrafo, e ainda assim querem alguns que seja ele classificado entre os hagiógrafos, subdivisão criada para as vidas dos santos e varões apostólicos. Desejando porém, quanto nos for possível, simplificar este nosso tosco trabalho, afastar-nos-emos por vezes das rigorosas regras bibliográficas em bem da clareza e da fácil compreensão das matérias. É pois em virtude deste princípio que fugiremos sempre de multiplicar as divisões e subdivisões em que tanto se embaraça o espírito.
PADRE JOÃO DE LUCENA
Cônego Fernandes Pinheiro (1825 – 1876)
CURSO DE LITERATURA NACIONAL
LIÇÃO XIV
epistolografia
Constitui o gênero epistolar pela universalidade dos assuntos que pode abranger, verdadeira pedra de toque do talento do escritor. Não há quem não faça uma carta; poucos porém sabem conservar-se no justo meio que lhe é prescrito pelo bom gosto. Cumpre que nem se perca o autor nas nuvens da hipérbole e da ênfase, nem rasteje pelas baixas e grosseiras expressões. Pretende Blair que seja a carta a conversação escrita, natural como esta, e subindo, ou descendo de tom. segundo a importância da matéria. Poucos são os escritores que verdadeira nomeada tenham alcançado em tais composições; assim vemos que apenas cita a antiguidade as cartas de Cícero e Ático, e nos tempos modernos consideram os franceses a madame de Sévigné como o seu primeiro modelo.
Também no nosso século áureo tivemos um eminente epistológrafo, o qual tanto se aproximou ao amigo d’Ático, que foi denominado de Cícero português. Queremos falar de D. Jerônimo Osório, eloqüente escritor da vida de D. Manuel, cuja obra se subtrai à nossa análise por ser composta em estranho idioma. Julguemos suas Cartas com imparcialidade, dizendo antes duas palavras sobre ele.
D. JERÔNIMO OSÓRIO
Cônego Fernandes Pinheiro (1825 – 1876) CURSO DE LITERATURA NACIONAL LIÇÃO XII LIÇÃO XIII diálogos LIÇÃO XIII diálogos É certamente o diálogo uma das mais agradáveis formas de instruir aos homens, reunindo à solidez das obras didáticas o movimento dramático. Foi por isso que os diálogos de Platão, em que tão bem espelhada se vê [...]
Cônego Fernandes Pinheiro (1825 – 1876) CURSO DE LITERATURA NACIONAL LIÇÃO XII romance Forma o romance a transição entre a poesia e a prosa: conservando da primeira a faculdade inventiva, e os floreios da imaginação, e da segunda a naturalidade da frase. A atenção que importa prestarmos às composições em verso impede que seja duradoura, [...]
Cônego Fernandes Pinheiro (1825 – 1876) CURSO DE LITERATURA NACIONAL LIÇÃO XI gênero dramático Estudemos a origem do teatro português antes de analisarmos as obras dos que nele maior nomeada obtiveram na época de que nos ocupamos. Nos primeiros séculos da monarquia nada encontramos • de semelhante às representações dramáticas, que eram apenas conhecidas por [...]
AÇÃO DE POLÍTICOS E TRIBUNOS, DE JORNALISTAS E PUBLICISTAS
Já foi apreciada, com acentuada simpatia, a função exercida por José da Silva Lisboa (Visconde de Cairu), na elaboração da Independência e na sua proclamação. Cabe-me o ensejo de render o mesmo culto de justiça aos outros políticos brasileiros que se salientaram no movimento decisivo da nossa emancipação política
O fenômeno social havia sido previsto por políticos portugueses e por homens de elevado descortino, quando aconselharam aos reis de Portugal a fundação ou a transferência da monarquia portuguesa para o imenso e próspero território da colônia na América. Assim ter-se-ia manifestado o Padre Câmara a D. Sebastião, quando tentou dissuadi-lo da funesta expedição à África. Conselho idêntico formulara o Padre Antonio Vieira a D. João IV, sugerindo-lhe a imensa vantagem de um império lusitano em nossas plagas. Atribuem, igualmente, a D. Luiz da Cunha o mesmo alvitre e ao Marquês de Pombal fundamentada sugestão a D. José I. O Conde da Barca manifestara a opinião da permanência do monarca no Brasil, de acordo com a qual se externara abertamente o embaixador austríaco Sturmer, tanto na correspondência dirigida a Metternich, como em conversa franca, entretida com o próprio D. João VI.
Cônego Fernandes Pinheiro (1825 – 1876)
CURSO DE LITERATURA NACIONAL
LIÇÃO
X
class=FontStyle26>GÊNERO ÉPICO
style='font-size:10.0pt'>
class=FontStyle23>Mais feliz do que muitas
outras, conta a literatura portuguesa em seu século áureo um poema épico, cujo
mérito, mais ou menos apreciado, não pode ser posto em dúvida, ainda pelos mais
severos críticos. Antes de entrarmos na análise de tão majestoso monumento,
digamos duas palavras sobre a vida do seu
class=FontStyle23>preclaro
class=FontStyle23>autor.
Cônego Fernandes Pinheiro (1825 – 1876) CURSO DE LITERATURA NACIONAL LIÇÃO IX GÊNERO DIDÁTICO ESPÉCIE DIDÁTICA E EPIGRAMÁTICA ESPÉCIE DIDÁTICA F. DE SÁ DE MIRANDA Distinguiu-se este grande poeta na espécie didática; por isso que seu espírito naturalmente inclinado às cogitações filosóficas, a experiência que adquirira em suas peregrinações, e [...]
Cônego Fernandes Pinheiro (1825 – 1876) CURSO DE LITERATURA NACIONAL LIÇÃO VIII ESPÉCIE ELEGÍACA Esta espécie do gênero lírico, destinada aos sentimentos de dor e melancolia, foi cultivada em todos os tempos pelos maiores engenhos. Admiramos na Bíblia o Livro de Jó, sublime hino da mais sublime resignação, choramos com Si-môn:des, acompanhamos Ovídio a seu [...]
Cônego Fernandes Pinheiro (1825 – 1876) CURSO DE LITERATURA NACIONAL LIÇÃO VII ESPÉCIE LÍRICA Quase todos os poetas portugueses ensaiaram o seu estro em romances, endechas, décimas e principalmente canções, que na poesia moderna tomaram o lugar das odes entre os gregos e romanos. Mencionaremos unicamente aqui os que mais se avantajaram durante o [...]
Cônego Fernandes Pinheiro (1825 – 1876) CURSO DE LITERATURA NACIONAL LIÇÃO VI GÊNERO LÍRICO — ESPECIE BUCÓLICA À amenidade do clima de Portugal e ao gosto pslos prazeres campestres que sempre tiveram os seus habitantes cumpre atribuir a aparição da poesia bucólica na alvorada de sua civilização, e o grau de aperfeiçoamento que revelaram [...]
Cônego Fernandes Pinheiro (1825 – 1876) CURSO DE LITERATURA NACIONALLIÇÃO V TERCEIRA ÉPOCA — 1495 – 1530 Marca o zénite da glória literária portuguesa o feliz reinado de D. Manuel. Como que à porfia apareceram nessa época os maiores engenhos. Todos os ramos do saber humano foram cultivados e atingiram a subido grau de perfeição: [...]
Cônego Fernandes Pinheiro (1825 – 1876) CURSO DE LITERATURA NACIONAL LIÇÃO IV SEGUNDA ÉPOCA — 1279—1495 Já vimos que a fundação da universidade portuguesa per el-rei D. Diniz foi uma das causas que poderosamente influíram para o desenvolvimento literário da nação; e poucos anos havia que se trasladara ela para as pitorescas ribas do [...]
Cônego Fernandes Pinheiro (1825 – 1876) CURSO DE LITERATURA NACIONAL I LIÇÃO III PRIMEIRA ÉPOCA — 1140 — 1279 Foi cercado de perigos o berço da monarquia portuguesa; com o montante e não com a pena gravou-se ela no mapa político da Europa; assim pois, a era dos guerreiros devera preceder a dos sábios. Arrancando [...]
Cônego Fernandes Pinheiro (1825 – 1876) CURSO DE LITERATURA NACIONAL I LIÇÃO II NOÇÃO E DIVISÃO DA LITERATURA Deriva-se a palavra literatura do vocábulo latino, littera, que, como se sabe, significa letra. Na sua mais ampla acepção é a literatura, na frase do Sr. de Lamartine, a expressão memorável do homem transmitida ao homem por [...]
Cônego Fernandes Pinheiro (1825 – 1876) CURSO DE LITERATURA NACIONAL ………………Fungar vice colis, acutum Reddere quae ferrum valet, exors ipsa secondi Horat., ad Pisones, vrs. 304-305. Por contente me dou, fazendo as vezes De pedra d’amolar, que em si não tendo Virtude de cortar, dá corte ao ferro. Tradução de Cândido Lusitano LIÇÃO I ORIGEM [...]
Biblioteca Academia Paulista de Letras – volume 7.
História da Literatura Brasileira
TOMO I. vol 3.
Artur Mota ( Arthur Motta) (1879 – 1936)
CAPÍTULO I
O PREPARO DA INDEPENDÊNCIA
Afigura-se a quem lê as páginas da história do Brasil, que a proclamação da independência da colônia lusitana na América tivesse sido uma conseqüência exclusiva dos erros políticos e econômicos de vários governos de Portugal, principalmente no reinado de D. João VI. Acode-nos à mente, quando acompanhamos as explicações e o exame das causas do fenômeno social que determinou a emancipação do nosso país, a imagem de um fruto amadurecido em uma árvore anosa, comprometida por várias lesões, provenientes de vícios de constituição orgânica e devidas a acidentes de natureza extrínseca. Sobreveio uma rajada impetuosa e o fruto tombou, porque apresentava maturidade perfeita, a árvore estava comprometida por uma moléstia qualquer e o esforço externo precipitou-lhe a queda.
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