Biblioteca - resumos, ebooks, artigos acadêmicos
- GAIOLAS E VATICANOS – Transporte na Região Amazônica
- O governo-geral da Bahia (vice-reino) – História do Brasil Colonial
- A capitania geral de Pernambuco – Brasil Colônia
- O Estado do Maranhão – A COLONIZAÇÃO DO BRASIL
- A colonização do Brasil – PRELIMINAR
- CASTANHAIS NO AMAZONAS
- CAMPOS DO RIO BRANCO – Amazônia – Região Norte do Brasil
- CABOCLO AMAZÔNICO – Tipos e aspectos do Brasil
- FEIRA DE PASSARINHOS BRASILEIROS
- FEIRA DE GADO – Tipos e aspectos do Brasil
- FAVELAS DO RIO DE JANEIRO
- Tropeiros no Brasil – Burros de Carga
- A insurreição pernambucana – História do Brasil
- Invasões Holandesas no nordeste do Brasil
- BARQUEIROS DO RIO SÃO FRANCISCO
- Dominação Espanhola e Segunda Invasão Francesa no Brasil
- Produção de Açucar no Nordeste – Geografia brasileira
- A coroa de Portugal e a primeira guerra francesa
- SERINGUEIROS DA AMAZÔNIA – Tipos e Aspectos do Brasil
- VAQUEIROS DA ILHA DE MARAJÓ
- O GAÚCHO – Tipos e aspectos do Brasil
- Os principados feudais portugueses – História do Brasil de Handelmann
- CANOEIROS DE RIOS ENCACHOEIRADOS
- Como aconteceu o Descobrimento do Brasil – História do Brasil de Handelmann
- PRECONCEITOS – Dicionário Filosófico de Voltaire
- Que é a virtude? Dicionário Filosófico de Voltaire
- Que é a tolerância? – Dicionário Filosófico de Voltaire
- TIRANIA – Dicionário Filosófico de Voltaire
- Governo interno — Justiça — Comércio — Polícia — Leis — Disciplina militar — Marinha na França do século XVII (Voltaire)
- INTRODUÇÃO À SABEDORIA – Juan Luís Vives

Ebook de geografia – Tipos e aspectos do Brasil – coletânea da Revista Brasileira de Geografia Fonte: IBGE – Conselho Nacional de Geogragia. 8ª edição. Rio de Janeiro, 1966. GAIOLAS E VATICANOS José Veríssimo da Costa Pereira A VASTA rede fluvial do Amazonas oferece todas as possibilidades para o transporte que se realiza, na região, [...]
Gottfried Heinrich Handelmann (1827 – 1891) História do Brasil Traduzido pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. (IHGB) Publicador pelo MEC, primeiro lançamento em 1931. SEGUNDA SEÇÃO – A colonização do Brasil – CAPÍTULO IX O governo-geral da Bahia (VICE-REINO) O terceiro grupo de Estados brasileiros, o governo-geral da Bahia, temporariamente decorado com o título [...]
CAPÍTULO VIII
A capitania geral de Pernambuco
O segundo grupo de Estados brasileiros é a capitania geral de Pernambuco, que se estendia entre os limites do antigo Estado do Maranhão de um lado, o rio São Francisco de outro lado, e compreendia as atuais províncias do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas.
Foi esta mesma região a que formou o principal elemento do impérií^olonial da Companhia Holandesa das índias Ocidentais, a Nova Holanda Brasileira, e nós interrompemos a sua história justamente no momento em que com a capitulação do Recife, a 26 de janeiro de 1654, ficou completamente restabelecida a soberania portuguesa. Com isto as antigas condições de novo se estabeleceram, se bem que com grandes modificações.
Antes da invasão holandesa existiam, como se sabe, entre o Ceará e o rio São Francisco, quatro capitanias, sendo duas da coroa, Rio Grande do Norte e Paraíba, e duas feudais, Itamaracá e Pernambuco; estas ambas ainda se transmitiam por via de sucessão à descendência dos primitivos donatários: Itamaracá, à de Pero Lopes de Sousa; Pernambuco, à de Duarte Coelho. Os governadores hereditários não haviam, porém, podido conservar os seus domínios nem reconquistá-los; a guerra de independência contra os holandeses foi conduzida não nos seus nomes, mas sob as bandeiras reais, e assim o rei d. João IV julgou-se com direito de confiscar os dois feudos e reuni-los à coroa. Naturalmente protestaram contra isso as duas famílias interessadas e por meio de reclamações e queixas judiciais procuraram obter a revogação desta medida. Assim, em primeiro lugar quanto a Pernambuco, Duarte d’Albuquerque Coelho, o último herdeiro feudal que havia estado realmente empossado, falecera ainda durante a guerra de libertação e havia deixado uma única filha herdeira, a esposa de d. Miguel de Portugal, conde de Vimioso; esta intentou um processo contra o rei, para a restituição do seu feudo hereditário, e os seus descendentes continuaram o mesmo durante sessenta anos, com alternativas da sorte, isto é, diversas vezes obtendo sentença favorável; porém, sempre lhes foram contrapostos novos embargos.
Finalmente, quando se compenetraram de que a coroa de modo algum desistiria desta importante província, propuseram uma acomodação; com a sanção do rei d. João V concluiu o pretendente, d. Francisco de Portugal, conde de Vimioso, um ajuste com o procurador da coroa, no qual ele renunciava para si e seus herdeiros a todos os direitos sobre Pernambuco, e em troca receberia, a título de indenização, a quantia de 80.000 cruzados, pagáveis em dez iguais prazos anuais e além disso o marquesado português de Valença, que sob o mesmo título passaria ao seu filho e, sob o título de conde, deveria passar aos seus seguintes descendentes (1716).
Gottfried Heinrich Handelmann (1827 – 1891) História do Brasil – SEGUNDA SEÇÃO – A COLONIZAÇÃO DO BRASIL Traduzido pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. (IHGB) Publicador pelo MEC, primeiro lançamento em 1931. CAPÍTULO VII O Estado do Maranhão Começamos com o Estado do Maranhão, que, constituído pelo decreto real de 13 de junho de [...]
A colonização do Brasil PRELIMINAR
"Um país de vastíssima extensão como o nosso, onde a população se acha disseminada em grupos, em muitos pontos separados uns dos outros por grandes distâncias e péssimas estradas; — onde, portanto, é difícil levar a instrução necessária para convencer os habitantes dos seus verdadeiros interesses a muitos respeitos; — onde também dificilmente pode chegar a ação da autoridade, a toda parte, seja para levar socorro rápido a todos os habitantes, quando eles o necessitam, seja para aplicar medidas coercitivas contra aqueles que não se querem submeter às ordens do governo, para o bem geral…" (Luís Pedreira do Couto Ferraz, ministro do Interior, no seu relatório oficial ao Parlamento Brasileiro, 11 de maio de 1855).

Ebook de geografia – Tipos e aspectos do Brasil – coletânea da Revista Brasileira de Geografia Fonte: IBGE – Conselho Nacional de Geogragia. 8ª edição. Rio de Janeiro, 1966. CASTANHAIS José Veríssimo da Costa Pereira DE VINTE a trinta quilômetros da margem do rio Amazonas e também às margens do Alto Beni, na bacia do [...]

Ebook de geografia – Tipos e aspectos do Brasil – coletânea da Revista Brasileira de Geografia Fonte: IBGE – Conselho Nacional de Geogragia. 8ª edição. Rio de Janeiro, 1966. CAMPOS DO RIO BRANCO José Veríssimo da Costa Pereira DE MODO geral, o termo "campo" no Brasil designa a área descoberta que não possui floresta. Tal [...]

Tipos e aspectos do Brasil Fonte: IBGE – Conselho Nacional de Geogragia. 8ª edição. Rio de Janeiro, 1966. CABOCLO AMAZÔNICO José Veríssimo da Costa Pereira DADOS estatísticos gerais da Sinopse do Censo Demográfico de 1940 confirmam que o fundo da população da Região Norte ou Amazônica, é constituído de tipos mestiços (caboclo, moreno, mulato etc.)- [...]

Tipos e aspectos do Brasil
Fonte: IBGE – Conselho Nacional de Geogragia. 8ª edição. Rio de Janeiro, 1966.
FEIRA DE PASSARINHOS
Francisco Barboza Leite
DE MODO geral as feiras apresentam aspectos de variado interesse, seja pelo agrupamento humano diversificado, pelas utilidades expostas, como também pela ocorrência de certas singularidades. Cada região dispõe, muitas vezes de produtos distintos que, na generalidade, as feiras não apresentam. Isto, quando uma feira não se caracteriza, pela presença quase exclusiva de um produto só a ela pertinente. É um pormenor que se salienta fazendo com que a procura de outros produtos seja bem reduzida, mínima.
Na Guanabara, por exemplo, em decorrência do afluxo de nordestinos àquele local, a feira de São Cristóvão é para onde se dirige de preferência, quem pretende adquirir uma boa rede nortista. Como nesse caso, outras feiras há que a aquisição de cerâmicas rústicas é motivo de maior afluência. Assim por diante.
Queremos apreciar nestas notas uma das singularidades poucos difundidas do contexto feiras. Trata-se da "feira de passarinhos" que, da feira semanal de Caxias, no estado do Rio, tornou-se complemento indispensável. Ali populares se aglomeram todos os domingos, em número considerável. Uns vendendo, outros comprando, trocando copiosa coleção de pássaros.
A variedade é surpreendente. Não obstante o vozerio agudo e desafinado, quase ensurdecedor, da aglomeração humana, mesmo assim os trinados cristalinos, gorgeios e sussurros da passarada em alvoroço, já são percebidos de longe. Coleiros, sanhaços, xopins; graúnas e sabiás; japuíras e quiruás em duelos constantes de vozes desferidas pelo susto, quem sabe pela imposição em seu meio de intrusos aos quais seus olhos não estão afeiçoados?

Tipos e aspectos do Brasil
Fonte: IBGE – Conselho Nacional de Geogragia. 8ª edição. Rio de Janeiro, 1966.
FEIRA DE GADO
Elza Coelho de Souza
NA HISTÓRIA da colonização de extensas regiões do Brasil a criação de gado apareceu desde os primordios do descobrimento, como um meio de conquista da terra e de fixação das populações.
O gado introduzido pelos portugueses em São Vicente, Bahia e Pernambuco não tardou a espalhar-se pela nossa hinterlândia desenvolvendo-se rapidamente nas zonas que se ofereciam mais propícias à sua criação. Esta criação se impôs não só com o fim de fornecer alimento aos habitantes das cidades e povoações incipientes, como também aos trabalhadores das minas, intensamente explotadas nos séculos XVII e XVIII. Ainda se destinavam os bois ao serviço de transporte e ao trabalho nas lavouras e nas indústrias nascentes, como a do açúcar.
Assumia a criação papel importante num país como o Brasil, que contando com escassos e deficientes meios de transporte tinha no gado "uma mercadoria que se transportava por si mesma". Além disso, a escassez da população do país se coadunava bem com uma atividade econômica, como a pastoril, que exigia para seu cuidado, pequeno número de braços.
Deste modo, o sertão do Nordeste, as caatingas, os cerrados e os campos, o vale do São Francisco com a riqueza de suas pastagens e depois os cha-padões de Mato Grosso e Goiás, tornaram-se, desde logo, o domínio da pecuária multiplicando-se as extensas fazendas de criação em regiões, nas quais a lavoura não podia desenvolver-se de forma econômica.

FAVELAS DO RIO DE JANEIRO
Eloísa de Carvalho
É CURIOSO observar a evolução do significado da palavra "favela", segundo Laudelino Freire, designa um arbusto da caatinga baiana Ente-rolobium ellipticum, gue deu nome a um morro que se tornou célebre na campanha de Canudos, em 1897. Os barracões construídos no morro da Providência, perto da Estrada de Ferro Central do Brasil, para abrigar os soldados gue voltaram ao Rio depois da campanha, chamados "favelas" pelo povo, foram, depois de seu retorno aos guartéis, vendidos e alugados à população pobre da cidade, passando o morro a chamar-se Favela, tal como o seu homônimo baiano. Em seu livro Habitações Populares publicado pela Imprensa Nacional em 1906 o então engenheiro da Prefeitura Everardo Backheuser, chama a atenção para o problema surgido — a procura desse morro pela população da cidade, gue o buscava em virtude de demolições de casas e abertura de ruas realizadas com o fim de zelar pela higienização e embelezamento da mesma. O problema é, pois, antigo e o nome favela tornado substantivo comum, é encontrado nos dicionários como "conjunto de habitações populares toscamente construídas e desprovidas de recursos higiênicos".
Desenvolvida entre planícies e apertada entre morros, a cidade cresceu ocupando aquelas e fugindo a esses; o morro foi deixado de lado enquanto a habitação não constituiu problema que alarmasse o carioca. Chegou, porém, o momento em que parte da população da cidade foi obrigada a se amontoar em hotéis, pensões e casas de cômodo, enquanto outra parte, a menos favorecida, passou a subir os morros, neles estabelecendo agrupamentos de casas a que denominamos favelas. Esses casebres que abrigam os elementos mais pobres da população da cidade, não se restringem mais, entretanto aos morros da Mangueira, da Providência, do Cantagalo, mas, zonas planas, abandonadas ou ainda desocupadas, vêem repentinamente aparecer e como que se multiplicar, as favelas, tanto mais numerosas quanto maior a facilidade de transporte. Nos morros, nota-se maior concentração nas partes mais baixas, rareando as construções à medida que se vai subindo.
As favelas surgem ocupando terrenos "de ninguém", da Prefeitura ou da União e, muitas vezes, em terrenos alugados. Há casos de grandes áreas pertencentes a particulares serem divididas e alugadas. Cada parte é novamente dividida e alugada a terceiros que após nova divisão começam a construir os "barracos" para alugar, cobrando por eles entre CrS 50,00 e CrS 500,00 mensais. Aproveitando restos de prédios demolidos, os "construtores" erguem-nos da noite para o dia, conseguindo muitas vezes vendê-los aos incautos, por preços que variam entre CrS 2 000,00 e CrS 10 000,03. Outras vezes é o próprio dono o construtor do "barraco" em que mora, e que êle procura melhorar e aumentar na medida das possibilidades.

BURROS DE CARGA * Lindalvo Bezerra dos Santos A DISPERSÃO do povoamento do interior do Brasil, desde o início da colonização, e as necessidades do comércio e das comunicações, deram em resultado o uso de transporte em dorso de animal. Tal tipo de transporte não foi de maneira mais decisiva oriundo do afastamento dos centros [...]
Gottfried Heinrich Handelmann (1827 – 1891) História do Brasil Traduzido pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. (IHGB) Publicador pelo MEC, primeiro lançamento em 1931. CAPÍTULO VI A insurreição pernambucana Esse chefe era João Fernandes Vieira. Nascido no Funchal, na ilha da Madeira, viera menino, pobre e só, para Pernambuco, para ali tentar a sorte; [...]
Gottfried Heinrich Handelmann (1827 – 1891)
História do Brasil
Traduzido pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. (IHGB) Publicador pelo MEC, primeiro lançamento em 1931.
CAPÍTULO V
Os holandeses no Brasil
É sabido que a Confederação das Sete Províncias Unidas, constituída pela União de Utrecht, de 23 de janeiro de 1579, teve que sustentar, para o reconhecimento da sua independência, uma guerra de setenta anos contra a coroa de Espanha (1579-1609 e 1621-24 de janeiro de 1648), e que durante a mesma, e por obra dela, a Confederação se elevou à categoria de primeira potência naval e comercial européia.
Nessa guerra, desde a sua união com a Espanha, era agora também envolvido Portugal, e o seu comércio, as suas colônias indefesas, eram os que mais sofriam com isso.

O S TIPOS sertanejos das margens do São Francisco não resultam apenas do caldeamento dos elementos que compuseram a população do vale do grande rio. Decorrem também dos diferentes “gêneros de vida” a que foram levadas aquelas populações ao entrarem em contacto com um meio físico diverso.
Se as condições do meio físico acabaram por definir — no tempo e no espaço — cada tipo social já esboçado pelas circunstâncias da economia da época, a sua estruturação resultou, no fundo, da função antropogeo-gráfica do rio, que o espírito de aventura cedo descobriu.
A voz do povo decidiu-se pelo primeiro e tumultuosamente foi ele aclamado rei; a sorte das armas, porém, se decidiu pelo último, e após pequena resistência submeteu-se todo o Portugal ao vencedor, no que foi acompanhado pelas colônias portuguesas. Assim também o Brasil. Verdade é que apareceram ali, em 1581, diversos navios franceses com cartas do prior do Crato, nas quais ele exigia submissão, como mais próximo herdeiro e rei aclamado; a mensagem, porém, chegou tarde demais, pois já haviam as autoridades reconhecido o rei de Espanha, além de que viera sob uma bandeira, que os brasileiros desde muito estavam habituados a considerar como a de seus mais acirrados inimigos e, assim, foi ela rejeitada sem mais cerimônia. As capitanias, uma após outra, prestaram submissão ao rei Filipe II, provisoriamente com simples manifestações de contentamento, e mais tarde, por ordem expressa, foi-lhe prestado o juramento formal na Bahia, aos 25 de maio de 1582.
Esta mudança na dinastia quase não fez diferença alguma no direito público de Portugal e suas colônias, pois no parlamento, em Tomar, concedeu Filipe II que, entre ambos os reinos da Península Ibérica, a união se efetuaria somente na pessoa do monarca: Portugal conservaria a sua língua, as suas leis, as suas colônias, e tanto aqui, como lá, ocupariam os cargos somente os filhos do país.
Estas promessas, todavia, não foram estritamente cumpridas e, assim, Portugal sentiu-se dentro de pouco tempo profundamente ferido na sua nacionalidade, execrando a imposta dominação espanhola.
Diferentemente sucedia no Brasil: aqui se sentiam as pequenas humilhações menos apaixonadamente que além-mar, pois para o Brasil era de fato indiferente que o seu rei residisse em Lisboa ou em Madri, que fosse um português ou um espanhol ocupar os mais importantes cargos da colônia.

O S ENGENHOS de rapadura acrescentam à paisagem nordestina uma de suas características mais expressivas, onde o homem, completando o pitoresco da cena na faina rudimentar em que o sol o encontra desde cedo, arrastando um cansaço que os séculos testemunham, dando curso ao sentido peculiar de sua vida, sua arte e seus sentimentos, restringe-se à função de complemento calmo, subjugado, que os olhos do forasteiro desfrutam numa idealização edênica.
As eloqüentes representações de Luís de Góis, além dos anteriores conselhos do donatário Duarte Coelho, e, talvez, mais do que tudo, a notícia do lutuoso destino do donatário da Bahia, incitaram afinal o rei d. João III a interessar-se seriamente pela colonização do Brasil.
A princípio, cogitou, de fato, apenas de pequenos auxílios: mandaria alguns navios com provisões e novos colonos; cederia a uma companhia de negociantes o monopólio e a proteção do Brasil. Felizmente, porém, a conselho do experimentado donatário Pero de Góis, estes mesquinhos projetos foram abandonados e, em seu lugar, lançou-se mão, mais uma vez, de uma providência de vulto, como se fazia mister. Foi resolvido que a própria coroa se interessaria na colonização brasileira e fundaria neste país uma capitania real, que deveria ser bastante forte para proporcionar às demais auxílio e proteção, toda vez que disso precisassem.
Para sede de tal estabelecimento foi escolhida a antiga capitania da Bahia, preferida por estar situada como que no ponto geográfico central da então América portuguesa; e os herdeiros do donatário Francisco Pereira Coutinho, completamente empobrecidos, não podendo pensar em tomar posse da sua capitania, concordaram do melhor grado em cedê-la de novo à coroa, mediante uma renda anual hereditária de 400$000.
José Veríssimo da Costa Pereira
SlGNIFICANDO formas de civilização decorrentes da cooperação da natureza e do homem, os conceitos de gêneros de vida e de horizontes de trabalho encontram, na planície amazônica, especialmente nas terras baixas do Solimões e nas dos afluentes da margem direita, a montante do Madeira, todo o seu interesse geográfico sintetizado no ajustamento do "seringalista", a um quadro, cuja fisiografia uniforme tem, como um dos seus corolários, a simplicidade da vida econômica.
a ILHA de Marajó oferece, pela sua topografia e vegetação, condições excelentes ao desenvolvimento da criação.
De topografia guase plana e resultante do acúmulo das aluviões do grande rio, Marajó apresenta solo sedimentário, rico de detritos orgânicos e de fertilidade notável.
Na parte oeste ostenta exuberante mata de igapó, enguanto imensas campinas, abundantes de magníficas pastagens, dominam a parte oriental. São nestes campos extensíssimos, inundáveis durante o inverno (época das chuvas), gue se desenvolve a criação determinada, principalmente, pela excelência das gramíneas.
Lindalvo Bezerra dos Santos
AO QUADRO típico da Campanha sul-rio-grandense corresponde um tipo humano regional característico — o gaúcho. Surgido durante a ação contra o domínio castelhano, formado na luta pela defesa da gleba e criado num ambiente de intensa agitação guerreira, o gaúcho herdou de seus antepassados o temperamento ardoroso e altivo.
É em pleno campo ou na região da fronteira que êle aparece com seus costumes típicos, seus hábitos, sua psicologia. Existe também na cidade, vivendo aí a vida urbana, sem perder contudo o traquejo e o amor à vida campeira. O seu habitat natural é a estância, da qual é dono ou vaqueiro, capataz ou peão.
CAPÍTULO II
Os principados feudais portugueses
Voltemos agora ao litoral brasileiro. Ficou já referido como aí, nos primeiros decênios do século XVI, não só os portugueses rendeiros de monopólios, como também mercadores de outras nações, máxime franceses da Bretanha e da Normandia, exploravam lucrativo tráfico no litoral e fundaram até feitorias em vários pontos.
Em vão Portugal havia procurado pôr cobro a isso, por meio de sucessivas reclamações à corte de Paris, contra tais violações dos seus direitos.
Os reis de França, entretanto, não podiam ou não queriam restringir essa atividade por parte dos seus vassalos, e, sendo assim, mercadores, que partiam de Honfleur e de Dieppe para o Brasil, prosseguiram, como dantes, na exploração do seu negócio.
Em vista disso, decidiu-se d. João III de Portugal (1521-1557) a reprimir por si mesmo esses desmandos; e, para esse fim, mandou aprestar uma frota armada, que deveria estacionar nas costas sul-americanas e fazer o cruzeiro contra tais contrabandistas; o almirante nomeado foi Cristóvão Jacques, que, em fins de 1526, apareceu com seis naus nas costas da província de Pernambuco.
Tipos e aspectos do Brasil
Fonte: IBGE – Conselho Nacional de Geogragia. 8ª edição. Rio de Janeiro, 1966
CANOEIROS DE RIOS ENCACHOEIRADOS
João de Melo Moraes
HÁ ENTRE as gentes do Brasil, o herói do cavalo, do mar e da caatinga, mas também existe o herói dos rios.
Muito se tem exaltado a destreza e o valor dos cavaleiros e domadores gaúchos; a coragem e o estoicismo dos jangadeiros e a bravura e agilidade dos vaqueiros nordestinos.
Mas tão grande são os práticos dos rios da Amazônia, das cachoeiras, canais, furos, breves e igarapés e os canoeiros — proeiros, remadores, va-rejadores e maquinistas !
Canoeiros! Ei-los no hábil manejar dos remos sobre as ubás ou canoas, ao atracar ou desatracar das margens; aproveitando, conforme as circunstâncias, a correnteza ou o remanso; marcando as horas da viagem, de acordo com a observação da maré, muitas vezes para evitar a surpresa da pororoca; escolhendo o canal de navegação: contornando baixios e desviando de troncos de árvores submersos ou flutuantes.
Contudo, isso é banal, nem tudo é planície. . .
Gottfried Heinrich Handelmann (1827 – 1891)
História do Brasil
Traduzido pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. (IBGE)
CAPÍTULO I – O descobrimento
A história dos tempos primitivos do império do Brasil é tão desconhecida e obscura como a dos Estados Unidos da América do Norte, até ainda mais, pois nem ao menos um raio de luz penetra ali a espessa treva.
Acontece, entretanto, ter chegado ao nosso conhecimento um ou outro monu mento, que atesta fatos de remota antiguidade.

Preconceitos históricos
A maior parte das histórias formaram-se sem exame e tal crença é um preconceito. Fabius Pictor conta que vários séculos antes de ele existir, uma vestal da cidade de Alba indo buscar água com seu jarro, foi violada e deu a luz a Rómulo e Remo, sendo eles alimentados por uma loba, etc. O povo romano acreditou nessa fábula; não examinou, absolutamente, se naquele tempo havia vestais no Lácio; se era verossímil a filha de um rei sair do convento com seu jarro; se era provável uma loba aleitar duas crianças em lugar de devorá-las. O preconceito firmou-se.
VIRTUDE Dicionário Filosófico de Voltaire Que é a virtude? Fazer bem ao próximo. Poderei eu chamar virtude a outra coisa senão ao bem que me fazem? Se sou indigente, e tu generoso; se estou em perigo, e tu vens em meu socorro; se me enganam, e tu me dizes a verdade; se me desprezam, e [...]
Dicionário Filosófico de Voltaire TOLERÂNCIA Que é a tolerância? É o apanágio da humanidade. Somos modelados por nossas fraquezas e erros. Perdoarmo-nos mutuamente nossas loucuras é a primeira lei da natureza. Na bolsa de Amsterdão, de Londres, de Surate ou Baçorá vemos o guebro traficar com o baniano, o judeu com o maometano, o deícola [...]

Dicionário Filosófico de Voltaire TIRANIA Chama-se tirano ao soberano que só conhece as leis do seu capricho, que se apossa dos bens de seus súbditos e que depois os convoca e alista para se apossar dos do seu vizinho. Não existem semelhantes tiranos na Europa. Há a tirania de um só e a tirania de [...]
class=”titulo”>VOLTAIRE – O século de Luís XIV
CAPÍTULO XXIX
(Início)
Governo interno — Justiça — Comércio — Polícia — Leis — Disciplina militar — Marinha, etc.
Deve-se esta justiça aos homens públicos que beneficiaram seu século: olhar para o ponto de onde eles partiram, a fim de melhor apreciar as transformações que realizaram na sua pátria. A posteridade deve-lhes eterno reconhecimento pelos exemplos que ofereceram, mesmo que tenham sido superados: essa glória merecida é a sua única recompensa. Certamente, o amor a essa glória animou Luís XIV, quando, começando a governar por si mesmo, procurou reformar o reino, embelezar a corte e aperfeiçoar as artes.

JUAN LUÍS VIVES (1492-1540)
Nasceu em Valência. Começou os estudos na Espanha, e os acabou ouvindo os mestres das Universidades de Paris, Bruxelas e Lovaina. Nesta última chegou a leccionar grego e latim, as ciências do seu tempo, e literatura.
Foi ainda catedrático na Universidade de Oxford. Conviveu com os mais notáveis intelectuais do seu tempo. Foi familiar de Nebrija e Erasmo, que disse dele: "Não encontro neste século ninguém com quem possa compará-lo".
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