Consciência - Filosofia e Ciências Humanas
fechar

História do Brasil - resumos, ebooks, artigos acadêmicos

  • A capitania geral de São Paulo – História do Brasil
  • Gottfried Heinrich Handelmann (1827 – 1891)

    História do Brasil

    Traduzido pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. (IHGB) Publicador pelo MEC, primeiro lançamento em 1931.

    TOMO II

    CAPÍTULO XI

    A capitania geral de São Paulo

    Transpondo agora a fronteira norte da província de São Pedro, penetramos no território do quinto grupo de Estados brasileiros, o qual, nas suas fronteiras provisórias primitivas, muito supera em extensão a todos os outros, mesmo ao antigo Estado do Maranhão.

    E a capitania geral de São Paulo: formada da reunião dos antigos íeudos hereditários de São Vicente e Santo Amaro, no princípio do século XVIII retomados pela coroa de Portugal, foi imediatamente depois retirada da superintendência que anteriormente exerciam sobre ela os capitães-generais do Rio de Janeiro, e recebeu a 9 de novembro de 1709 o seu próprio capitão-general, na capital de igual nome, São Paulo; ao mesmo tempo, ou mais tarde, foram-lhe anexadas todas as novas descobertas a oeste e a noroeste, de sorte que pouco a pouco, abrangendo todo o interior, rico em ouro, do antigo "Estado do Brasil", tocava no norte o antigo "Estado do Maranhão" e a oeste e sul a América sul-americana espanhola.


  • A província de São Pedro – História e Colonização do Rio Grande do Sul
  • Gottfried Heinrich Handelmann (1827 – 1891)

    História do Brasil

    Traduzido pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. (IHGB) Publicador pelo MEC, primeiro lançamento em 1931.

    TOMO II

    CAPÍTULO X

    A capitania geral do Rio de Janeiro

    (continuação)

    A província de São Pedro ou, como é chamada habitualmente, Rio Grande do Sul, situada no extremo sul do império do Brasil, compreende, segundo as mais novas avaliações, uma área de 8.230 léguas quadradas e uma população de 201.300 almas; deve-se, porém, notar que, do conjunto dessa área, cerca de um terço é coberto com lagoas e pântanos, ou é impróprio para o cultivo.

    De mais a mais, são necessárias algumas palavras sobre a formação geográfica do território. As montanhas da costa, que separam a leste a província da de Santa Catarina e que podem ser consideradas última ramificação do núcleo de rocha do Brasil, estendem-se, na parte nordeste de São Pedro, em um planalto diversamente ramificado, a chamada Serra Geral; para oeste, partem dali, em todas as direções, os primeiros veios da bacia fluvial do Prata e jazem as férteis regiões do Paraná e do Uruguai, que pertencem principalmente à província brasileira do Paraná e às repúblicas da Confederação Argentina; todavia, também possui São Pedro uma importante parte delas, que, porém, até hoje, pouco entram em consideração no ponto de vista de colonização e história provincial.


  • História e Colonização de Santa Catarina
  • Gottfried Heinrich Handelmann (1827 – 1891) História do Brasil Traduzido pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. (IHGB) Publicador pelo MEC, primeiro lançamento em 1931. TOMO II CAPÍTULO X A capitania geral do Rio de Janeiro (continuação) * * * Passamos agora para as duas dependências da antiga capitania do Rio de Janeiro, as duas províncias [...]


  • A capitania geral do Rio de Janeiro – História do Brasil
  • Gottfried Heinrich Handelmann (1827 – 1891)

    História do Brasil

    Traduzido pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. (IHGB) Publicador pelo MEC, primeiro lançamento em 1931.

    TOMO II

    CAPÍTULO X

    A capitania geral do Rio de Janeiro

    Ao sul do rio Mucuri (18°-30′ de latitude sul), começa o quarto grupo de Estados brasileiros, a capitania geral, depois vice-reino, do Rio de Janeiro, que, a 17 de setembro de 1658, portanto, mais ou menos ao mesmo tempo que a capitania geral de Pernambuco, foi emancipada da autoridade do governador-geral na Bahia.

    O capitão-general deste novo território teve a sua sede na cidade de São Sebastião, situada na baía do Rio de Janeiro, e dali governava ele diretamente a real capitania de igual nome e a já completamente incluída, antes capitania feudal, dos Campos dos Goitacases (Paraíba do Sul ou São Tomé), ao passo que sobre os governos hereditários de Espírito Santo, São Vicente e Santo Amaro, apenas exercia fiscalização. Todavia, logo houve uma mudança nessa situação, pois também aqui foram pouco a pouco extintos os poderes feudais. Assim aconteceu com a capitania do Espírito Santo: depois de haver ela ficado século e meio na família do primitivo donatário, Vasco Fernandes Coutinho, um de seus descendentes, Antônio Luís da Câmara Coutinho, vendeu-a, cerca do ano 1690, pela quantia de 40.000 cruzados, ao coronel Francisco Gil Araújo; mais tarde, ainda mudou de dono duas vezes, até que, finalmente, em 1717, o rei d. João V comprou por 40.000 cruzados o Espírito Santo e incorporou o mesmo às terras da coroa.


    REGIÃO CENTRAL DE MINAS GERAIS
  • REGIÃO CENTRAL DE MINAS GERAIS – SERRA DO CURRAL-D’eL-REI
  • REGIÃO CENTRAL DE MINAS GERAIS SERRA DO CURRAL-D’eL-REI José Veríssimo da Costa Pereira SEM PRETENDER, em absoluto, cair em demasiado rigor, é possível dizer-se que somente a partir do segundo quartel do século atual, vêm os métodos da análise morfológica sendo aplicados com maior ou menor inteligência, e com real proveito, no estudo científico do [...]


    pranchas pescadores
  • PRANCHAS – barcos de transporte na Paraíba
  • PRANCHAS Eloísa de Carvalho SUBINDO o Paraíba a tarde, valendo-se do alísio ou descendo-o à noite, aproveitando a corrente, as "pranchas", com suas brancas velas triangulares enfeitam o rio entre São Fidélis e São João da Barra, servindo às populações das pequeninas vilas que naquele trecho sobre êle se debruçam, ou transportando a mudança dos [...]


    GRUTAS CALCÁRIAS DO SÃO FRANCISCO
  • GRUTAS CALCÁRIAS DO SÃO FRANCISCO
  • GRUTAS CALCÁRIAS DO SÃO FRANCISCO José Veríssimo da Costa Pereira ABRANGENDO uma área considerável que engloba as cabeceiras do São Francisco, em Minas Gerais, a formação calcária do São Francisco se estende, acompanhando o rio, em rumo norte, até o rio Grande, seu afluente da margem esquerda, na Bahia, prosseguindo, naquela direção, mas, pela margem [...]


    ouro FAISCADORES
  • FAISCADORES – história da mineração
  • FAISCADORES * José Veríssimo da Costa Pereira AINDA hoje, sobretudo em certas regiões do Pará, Amapá, Guiana Maranhense, Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás, constitui o ouro o eixo em torno do qual gira incessantemente toda a vida de pequenas povoações que, em pleno século XX fazem reviver condições de trabalho e de meio [...]


    tmpEC7B-1
  • CARRO DE BOI
  • CARRO DE BOI* Lúcio de Castro Soares R ÚSTICO, modesto, vagaroso, o carro de boi foi, sem dúvida alguma, um dos fatores que muito concorreram para o progresso rural do Brasil. Primeiro veículo de transporte que a nossa terra possuiu, o carro de boi, "afundando o chão" virgem do Brasil-Colônia e Império, nele escreveu, com [...]


    tmpF011-1
  • CACAUAL – Planta Nativa da América, indígenas e Origem do Chocolate
  • CACAUAL

    Lindalvo Bezerra dos Santos

    QUANDO Lineu tratou de classificar a árvore do cacau — denominou-a Theobroma cacao — não achou, provavelmente, nada mais sugestivo do que recordar, de acordo com a lenda asteca, a origem divina do cacaueiro. Daí Theobroma, que significa manjar ou alimento dos deuses.

    É muito provável que o cacaueiro seja nativo da Amazônia brasileira, tal a espontaneidade e exuberância com que aí se apresenta, encontrando-se ainda, em estado salvagem, na bacia do Orinoco, estendendo-se o seu habitat até o México, através da América Central.


    tmp89A0-1
  • Queimadas no solo do Brasil – Nelson Wenerck Sodré
  • Reproduzido de Tipos e aspectos do Brasil – coletânea da Revista Brasileira de Geografia Fonte: IBGE – Conselho Nacional de Geogragia. 8ª edição. Rio de Janeiro, 1966. A QUEIMADA Nelson Werneck Sodré DATA dos primeiros tempos da colonização, isto é, do início da atividade estável e contínua que permitiu o estabelecimento do europeu em nossa [...]


    tanger boi
  • O VAQUEIRO TANGERINO DO SERTÃO
  • O TANGERINO Octávio Pinto AINDA não se escreveu a história dos nossos tangerinos. Poetas e cantadores já enalteceram a personalidade e a bravura dos vaqueiros. Rui e Euclides da Cunha descreveram em páginas imortais o "estouro das boiadas". Mas, tangerino continua ainda desconhecido, apesar de ter tido um passado brilhante e uma vida tão cheia [...]


    Nordestino Pau-de-Arara
  • O PAU-DE-ARARA – Transporte e correntes de migrantes nordestinos
  • Reproduzido de Tipos e aspectos do Brasil – coletânea da Revista Brasileira de Geografia Fonte: IBGE – Conselho Nacional de Geogragia. 8ª edição. Rio de Janeiro, 1966. MUTIRÃO * "O PAU-DE-ARARA" Francisco Barboza Leite SENDO uma das áreas mais povoadas do Brasil, o Nordeste e o filão incansável que fornece ao país os contingentes impressionantes [...]


    pau de arara
  • O MISTO – PAU-DE-ARARA na Região Nordeste do Brasil
  • O MISTO Bernardo Issler JOSÉ VERÍSSIMO DA COSTA PEREIRA em seus estudos sobre o Nordeste brasileiro frisou bem a complexidade e variedade daquele meio natural rico em soluções originais. Embora antiga área de povoamento, não ganhou como o Sul, alento para o desenvolvimento industrial. Seus povoados, vilas e cidades guardam as reminiscências dos ciclos econômicos [...]


    O MANDIOCAL
  • O MANDIOCAL – CULTIVO DE MANDIOCA NO BRASIL
  • O MANDIOCAL Eloísa de Carvalho DE NORTE a sul do país, no litoral como no interior encontra-se na redondeza de cada habitação sertaneja, a presença constante do mandiocal, herança do indígena transmitida ao colonizador. Recebendo da mão do aborígine a mandioca o europeu obtinha com ela o elemento que lhe facilitaria a colonização. "Sem essa [...]


    tmp5847-2
  • FRASES DE CAMINHÕES NAS ESTRADAS
  • LEGENDAS DE CAMINHÕES NAS ESTRADAS NORDESTINAS

    Francisco Barboza Leite

    O CAMINHÃO criou na economia brasileira uma condição básica para o seu desenvolvimento. Deram-lhe estradas e isto assegurou-lhe o predomínio ios transportes através de extensões que se ampliam cada vez mais. Tornou-se a característica de um bandeirismo singular, que as estradas levam ao sertão, permitindo o progresso, irradiando por regiões, outrora obscuras, as vantagens da civilização.

    O caminhão contribuiu para a transformação de hábitos arraigados na alma popular, emprestando nova fácies aos vilarejos remotos, aos cantos esquecidos, fazendo mais que o transporte de utilidades: trans-pontando sobre rodas os fluxos de uma vitalidade inesperada. O sertão, a terra adusta, o oeste ou o nordeste, regiões e sub-regiões do país, tiveram em seu recesso os estremunhos de uma energia alvissareira, a invasão dos carros motorizados, restringindo aos trabalhos domésticos as alimárias, outrora tão indispensáveis às longas caminhadas. Era um elemento novo que se integrava na paisagem, condicionando o homem a um processus de vida mais eficiente e definitivo. Sua presença repercutia intensamente nos costumes, oferecendo às populações do interior o descortino de novas possibilidades.

    Implicitamente, um novo corolário filosófico viria modificar o comportamento das gentes, criando esquemas diferentes à solução e continuidade de seus problemas. E, assim, também o sentimento humano teria oportunidade de revelar suas inumeráveis virtualidades.


    COQUEIRAIS DAS PRAIAS DO NORDESTE
  • COQUEIRAIS DAS PRAIAS DO NORDESTE BRASILEIRO
  • Tipos e aspectos do Brasil – coletânea da Revista Brasileira de Geografia Fonte: IBGE – Conselho Nacional de Geogragia. 8ª edição. Rio de Janeiro, 1966. COQUEIRAIS DAS PRAIAS DO NORDESTE Lindalvo Bezerra dos Santos O LITORAL nordestino oferece dois belos espetáculos: o jangadeiro pescador e o debrum vivo dos coqueirais esguios, imprimindo à paisagem feição [...]


  • O governo-geral da Bahia (vice-reino) – História do Brasil Colonial
  • Gottfried Heinrich Handelmann (1827 – 1891) História do Brasil Traduzido pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. (IHGB) Publicador pelo MEC, primeiro lançamento em 1931. SEGUNDA SEÇÃO – A colonização do Brasil –   CAPÍTULO IX O governo-geral da Bahia (VICE-REINO) O terceiro grupo de Estados brasileiros, o governo-geral da Bahia, temporariamente decorado com o título [...]


  • A capitania geral de Pernambuco – Brasil Colônia
  • CAPÍTULO VIII

    A capitania geral de Pernambuco

    O segundo grupo de Estados brasileiros é a capitania geral de Pernambuco, que se estendia entre os limites do antigo Estado do Maranhão de um lado, o rio São Francisco de outro lado, e compreendia as atuais províncias do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas.

    Foi esta mesma região a que formou o principal elemento do impérií^olonial da Companhia Holandesa das índias Ocidentais, a Nova Holanda Brasileira, e nós interrompemos a sua história justamente no momento em que com a capitulação do Recife, a 26 de janeiro de 1654, ficou completamente restabelecida a soberania portuguesa. Com isto as antigas condições de novo se estabeleceram, se bem que com grandes modificações.

    Antes da invasão holandesa existiam, como se sabe, entre o Ceará e o rio São Francisco, quatro capitanias, sendo duas da coroa, Rio Grande do Norte e Paraíba, e duas feudais, Itamaracá e Pernambuco; estas ambas ainda se transmitiam por via de sucessão à descendência dos primitivos donatários: Itamaracá, à de Pero Lopes de Sousa; Pernambuco, à de Duarte Coelho. Os governadores hereditários não haviam, porém, podido conservar os seus domínios nem reconquistá-los; a guerra de independência contra os holandeses foi conduzida não nos seus nomes, mas sob as bandeiras reais, e assim o rei d. João IV julgou-se com direito de confiscar os dois feudos e reuni-los à coroa. Naturalmente protestaram contra isso as duas famílias interessadas e por meio de reclamações e queixas judiciais procuraram obter a revogação desta medida. Assim, em primeiro lugar quanto a Pernambuco, Duarte d’Albuquerque Coelho, o último herdeiro feudal que havia estado realmente empossado, falecera ainda durante a guerra de libertação e havia deixado uma única filha herdeira, a esposa de d. Miguel de Portugal, conde de Vimioso; esta intentou um processo contra o rei, para a restituição do seu feudo hereditário, e os seus descendentes continuaram o mesmo durante sessenta anos, com alternativas da sorte, isto é, diversas vezes obtendo sentença favorável; porém, sempre lhes foram contrapostos novos embargos.

    Finalmente, quando se compenetraram de que a coroa de modo algum desistiria desta importante província, propuseram uma acomodação; com a sanção do rei d. João V concluiu o pretendente, d. Francisco de Portugal, conde de Vimioso, um ajuste com o procurador da coroa, no qual ele renunciava para si e seus herdeiros a todos os direitos sobre Pernambuco, e em troca receberia, a título de indenização, a quantia de 80.000 cruzados, pagáveis em dez iguais prazos anuais e além disso o marquesado português de Valença, que sob o mesmo título passaria ao seu filho e, sob o título de conde, deveria passar aos seus seguintes descendentes (1716).


  • O Estado do Maranhão – A COLONIZAÇÃO DO BRASIL
  • Gottfried Heinrich Handelmann (1827 – 1891) História do Brasil – SEGUNDA SEÇÃO – A COLONIZAÇÃO DO BRASIL Traduzido pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. (IHGB) Publicador pelo MEC, primeiro lançamento em 1931.   CAPÍTULO VII O Estado do Maranhão Começamos com o Estado do Maranhão, que, constituído pelo decreto real de 13 de junho de [...]


  • A colonização do Brasil – PRELIMINAR
  • A colonização do Brasil PRELIMINAR

    "Um país de vastíssima extensão como o nosso, onde a população se acha disseminada em grupos, em muitos pontos separados uns dos outros por grandes distâncias e péssimas estradas; — onde, portanto, é difícil levar a instrução necessária para convencer os habitantes dos seus verdadeiros interesses a muitos respeitos; — onde também dificilmente pode chegar a ação da autoridade, a toda parte, seja para levar socorro rápido a todos os habitantes, quando eles o necessitam, seja para aplicar medidas coercitivas contra aqueles que não se querem submeter às ordens do governo, para o bem geral…" (Luís Pedreira do Couto Ferraz, ministro do Interior, no seu relatório oficial ao Parlamento Brasileiro, 11 de maio de 1855).


    favelas do rio de janeiro
  • FAVELAS DO RIO DE JANEIRO
  • FAVELAS DO RIO DE JANEIRO

    Eloísa de Carvalho

    É CURIOSO observar a evolução do significado da palavra "favela", segundo Laudelino Freire, designa um arbusto da caatinga baiana Ente-rolobium ellipticum, gue deu nome a um morro que se tornou célebre na campanha de Canudos, em 1897. Os barracões construídos no morro da Providência, perto da Estrada de Ferro Central do Brasil, para abrigar os soldados gue voltaram ao Rio depois da campanha, chamados "favelas" pelo povo, foram, depois de seu retorno aos guartéis, vendidos e alugados à população pobre da cidade, passando o morro a chamar-se Favela, tal como o seu homônimo baiano. Em seu livro Habitações Populares publicado pela Imprensa Nacional em 1906 o então engenheiro da Prefeitura Everardo Backheuser, chama a atenção para o problema surgido — a procura desse morro pela população da cidade, gue o buscava em virtude de demolições de casas e abertura de ruas realizadas com o fim de zelar pela higienização e embelezamento da mesma. O problema é, pois, antigo e o nome favela tornado substantivo comum, é encontrado nos dicionários como "conjunto de habitações populares toscamente construídas e desprovidas de recursos higiênicos".

    Desenvolvida entre planícies e apertada entre morros, a cidade cresceu ocupando aquelas e fugindo a esses; o morro foi deixado de lado enquanto a habitação não constituiu problema que alarmasse o carioca. Chegou, porém, o momento em que parte da população da cidade foi obrigada a se amontoar em hotéis, pensões e casas de cômodo, enquanto outra parte, a menos favorecida, passou a subir os morros, neles estabelecendo agrupamentos de casas a que denominamos favelas. Esses casebres que abrigam os elementos mais pobres da população da cidade, não se restringem mais, entretanto aos morros da Mangueira, da Providência, do Cantagalo, mas, zonas planas, abandonadas ou ainda desocupadas, vêem repentinamente aparecer e como que se multiplicar, as favelas, tanto mais numerosas quanto maior a facilidade de transporte. Nos morros, nota-se maior concentração nas partes mais baixas, rareando as construções à medida que se vai subindo.

    As favelas surgem ocupando terrenos "de ninguém", da Prefeitura ou da União e, muitas vezes, em terrenos alugados. Há casos de grandes áreas pertencentes a particulares serem divididas e alugadas. Cada parte é novamente dividida e alugada a terceiros que após nova divisão começam a construir os "barracos" para alugar, cobrando por eles entre CrS 50,00 e CrS 500,00 mensais. Aproveitando restos de prédios demolidos, os "construtores" erguem-nos da noite para o dia, conseguindo muitas vezes vendê-los aos incautos, por preços que variam entre CrS 2 000,00 e CrS 10 000,03. Outras vezes é o próprio dono o construtor do "barraco" em que mora, e que êle procura melhorar e aumentar na medida das possibilidades.


    Ilustração de Percy Lau sobre a obra Brazilien de Peter Fuss.
  • Tropeiros no Brasil – Burros de Carga
  • BURROS DE CARGA * Lindalvo Bezerra dos Santos A DISPERSÃO do povoamento do interior do Brasil, desde o início da colonização, e as necessidades do comércio e das comunicações, deram em resultado o uso de transporte em dorso de animal. Tal tipo de transporte não foi de maneira mais decisiva oriundo do afastamento dos centros [...]


  • A insurreição pernambucana – História do Brasil
  • Gottfried Heinrich Handelmann (1827 – 1891) História do Brasil Traduzido pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. (IHGB) Publicador pelo MEC, primeiro lançamento em 1931.   CAPÍTULO VI A insurreição pernambucana Esse chefe era João Fernandes Vieira. Nascido no Funchal, na ilha da Madeira, viera menino, pobre e só, para Pernambuco, para ali tentar a sorte; [...]


  • Invasões Holandesas no nordeste do Brasil
  • Gottfried Heinrich Handelmann (1827 – 1891)

    História do Brasil

    Traduzido pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. (IHGB) Publicador pelo MEC, primeiro lançamento em 1931.

     

    CAPÍTULO V

    Os holandeses no Brasil

    É sabido que a Confederação das Sete Províncias Unidas, constituída pela União de Utrecht, de 23 de janeiro de 1579, teve que sustentar, para o reconhecimento da sua independência, uma guerra de setenta anos contra a coroa de Espanha (1579-1609 e 1621-24 de janeiro de 1648), e que durante a mesma, e por obra dela, a Confederação se elevou à categoria de primeira potência naval e comercial européia.

    Nessa guerra, desde a sua união com a Espanha, era agora também envolvido Portugal, e o seu comércio, as suas colônias indefesas, eram os que mais sofriam com isso.


  • Dominação Espanhola e Segunda Invasão Francesa no Brasil
  • A voz do povo decidiu-se pelo primeiro e tumultuosamente foi ele aclamado rei; a sorte das armas, porém, se decidiu pelo último, e após pequena resistência submeteu-se todo o Portugal ao vencedor, no que foi acompanhado pelas colônias portuguesas. Assim também o Brasil. Verdade é que apareceram ali, em 1581, diversos navios franceses com cartas do prior do Crato, nas quais ele exigia submissão, como mais próximo herdeiro e rei aclamado; a mensagem, porém, chegou tarde demais, pois já haviam as autoridades reconhecido o rei de Espanha, além de que viera sob uma bandeira, que os brasileiros desde muito estavam habituados a considerar como a de seus mais acirrados inimigos e, assim, foi ela rejeitada sem mais cerimônia. As capitanias, uma após outra, prestaram submissão ao rei Filipe II, provisoriamente com simples manifestações de contentamento, e mais tarde, por ordem expressa, foi-lhe prestado o juramento formal na Bahia, aos 25 de maio de 1582.

    Esta mudança na dinastia quase não fez diferença alguma no direito público de Portugal e suas colônias, pois no parlamento, em Tomar, concedeu Filipe II que, entre ambos os reinos da Península Ibérica, a união se efetuaria somente na pessoa do monarca: Portugal conservaria a sua língua, as suas leis, as suas colônias, e tanto aqui, como lá, ocupariam os cargos somente os filhos do país.

    Estas promessas, todavia, não foram estritamente cumpridas e, assim, Portugal sentiu-se dentro de pouco tempo profundamente ferido na sua nacionalidade, execrando a imposta dominação espanhola.

    Diferentemente sucedia no Brasil: aqui se sentiam as pequenas humilhações menos apaixonadamente que além-mar, pois para o Brasil era de fato indiferente que o seu rei residisse em Lisboa ou em Madri, que fosse um português ou um espanhol ocupar os mais importantes cargos da colônia.


  • A coroa de Portugal e a primeira guerra francesa
  • As eloqüentes representações de Luís de Góis, além dos anteriores conselhos do donatário Duarte Coelho, e, talvez, mais do que tudo, a notícia do lutuoso destino do donatário da Bahia, incitaram afinal o rei d. João III a interessar-se seriamente pela colonização do Brasil.

    A princípio, cogitou, de fato, apenas de pequenos auxílios: mandaria alguns navios com provisões e novos colonos; cederia a uma companhia de negociantes o monopólio e a proteção do Brasil. Felizmente, porém, a conselho do experimentado donatário Pero de Góis, estes mesquinhos projetos foram abandonados e, em seu lugar, lançou-se mão, mais uma vez, de uma providência de vulto, como se fazia mister. Foi resolvido que a própria coroa se interessaria na colonização brasileira e fundaria neste país uma capitania real, que deveria ser bastante forte para proporcionar às demais auxílio e proteção, toda vez que disso precisassem.

    Para sede de tal estabelecimento foi escolhida a antiga capitania da Bahia, preferida por estar situada como que no ponto geográfico central da então América portuguesa; e os herdeiros do donatário Francisco Pereira Coutinho, completamente empobrecidos, não podendo pensar em tomar posse da sua capitania, concordaram do melhor grado em cedê-la de novo à coroa, mediante uma renda anual hereditária de 400$000.


  • VAQUEIROS DA ILHA DE MARAJÓ
  • a ILHA de Marajó oferece, pela sua topografia e vegetação, condições excelentes ao desenvolvimento da criação.

    De topografia guase plana e resultante do acúmulo das aluviões do grande rio, Marajó apresenta solo sedimentário, rico de detritos orgânicos e de fertilidade notável.

    Na parte oeste ostenta exuberante mata de igapó, enguanto imensas campinas, abundantes de magníficas pastagens, dominam a parte oriental. São nestes campos extensíssimos, inundáveis durante o inverno (época das chuvas), gue se desenvolve a criação determinada, principalmente, pela excelência das gramíneas.


  • Os principados feudais portugueses – História do Brasil de Handelmann
  • CAPÍTULO II

    Os principados feudais portugueses

    Voltemos agora ao litoral brasileiro. Ficou já referido como aí, nos primeiros decênios do século XVI, não só os portugueses rendeiros de monopólios, como também mercadores de outras nações, máxime franceses da Bretanha e da Normandia, exploravam lucrativo tráfico no litoral e fundaram até feitorias em vários pontos.

    Em vão Portugal havia procurado pôr cobro a isso, por meio de sucessivas reclamações à corte de Paris, contra tais violações dos seus direitos.

    Os reis de França, entretanto, não podiam ou não queriam restringir essa atividade por parte dos seus vassalos, e, sendo assim, mercadores, que partiam de Honfleur e de Dieppe para o Brasil, prosseguiram, como dantes, na exploração do seu negócio.

    Em vista disso, decidiu-se d. João III de Portugal (1521-1557) a reprimir por si mesmo esses desmandos; e, para esse fim, mandou aprestar uma frota armada, que deveria estacionar nas costas sul-americanas e fazer o cruzeiro contra tais contrabandistas; o almirante nomeado foi Cristóvão Jacques, que, em fins de 1526, apareceu com seis naus nas costas da província de Pernambuco.


  • Como aconteceu o Descobrimento do Brasil – História do Brasil de Handelmann
  • Gottfried Heinrich Handelmann (1827 – 1891)

    História do Brasil

    Traduzido pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. (IBGE)

    CAPÍTULO I – O descobrimento

    A história dos tempos primitivos do império do Brasil é tão desconhecida e obscura como a dos Estados Unidos da América do Norte, até ainda mais, pois nem ao menos um raio de luz penetra ali a espessa treva.

    Acontece, entretanto, ter chegado ao nosso conhecimento um ou outro monu mento, que atesta fatos de remota antiguidade.



Continue navegando: Biblioteca |

Início